REGULAMENTO DO CRIOULAÇO DA ABCCC.
Art. 1º – O Crioulaço é a competição de tiro de laço da ABCCC – Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, por ela oficializada, regulamentada e supervisionada.
Cabe aos Núcleos de Criadores de Cavalos Crioulos, cabanhas, sindicatos e entidades afins, a organização e realização das provas classificatórias, mediante calendário previamente aprovado pela ABCCC com antecedência mínima de 30 dias. Cabe à ABCCC a organização e realização da Final Nacional. Um técnico da ABCCC supervisionará os eventos.
§ único – Nos casos de Crioulaço organizado por cabanhas, sindicatos e entidades afins, o pedido de aprovação do evento deverá ser obrigatoriamente feito por um Núcleo, que se co-responsabilizará pelo repasse à ABCCC do fundo de premiação.
DAS PROVAS CLASSIFICATÓRIAS
DA INSCRIÇÃO
Art. 2º – O Crioulaço é uma competição de duplas de laçadores, os quais não
necessitam ser proprietários ou criadores de cavalos Crioulos, ou sócios de Núcleos ou da ABCCC. Somente se admitem na competição equinos crioulos devidamente
confirmados, sejam reprodutores, éguas e cavalos castrados.
Art. 3º – Será exigido, no momento da inscrição, o original do registro definitivo dos equinos inscritos, ou sua cópia devidamente autenticada em frente e verso.
§1º - Os animais confirmados no mesmo evento do Crioulaço poderão se inscrever com a resenha, RP e SBB fornecidos pelo técnico que os confirmou.
§2º - O animal confirmado cujo registro definitivo está em tramitação na ABCCC, poderá ser inscrito mediante autorização do técnico que o confirmou ou da ABCCC, nela constando resenha, RP e SBB.
§3º - Os documentos de inscrição ficarão retidos com a organização do evento até o final da prova.
§4º - Não serão aceitos para fins de inscrição fax de pedigree, telefonemas de técnicos, relatório de quinta geração, registro provisório, ou cópia sem autenticação de frente e verso.
Art. 4º – É obrigatório constar na ficha de inscrição o nome completo do laçador, e o nome completo de sua montaria, seu RP e SBB. Concorrentes menores de 18 anos deverão apresentar autorização por escrito dos pais ou responsáveis, com firma reconhecida em cartório, sendo a autorização desnecessária quando da presença dos mesmos no evento. Na ficha dos concorrentes que não tenham completado 15 anos, ou tenham 65 anos completos, deverá ainda constar a idade, com a devida comprovação documental.
Art. 5º – O eqüino concorrente poderá ter somente 1 inscrição na mesma etapa da prova.
Cada laçador poderá ter até 2 inscrições, em montarias diferentes. Os animais usados no
Crioulaço poderão participar do Laço Criador, visto que são duas competições paralelas mas distintas.
Art. 6º – Nas etapas classificatórias do Crioulaço, além do valor da inscrição do evento, será cobrado por seus promotores o valor de 20,00 ( vinte reais ) por dupla, e 10,00 (dez reais) por inscrição no Laço Criador, para a constituição de um fundo de premiação na Final Nacional do Crioulaço. O valor arrecadado para o fundo em cada classificatória será enviado por seus promotores à ABCCC, através de depósito em conta corrente bancária específica para o laço, devendo o valor total ser utilizado pela ABCCC para a referida premiação.
Art. 7º – O laçador e o proprietário dos animais, no ato da inscrição para a prova, com o preenchimento de todos os requisitos para tal finalidade, são considerados cientes dos deveres, obrigações e prerrogativas deste regulamento, não podendo alegar ignorância do seu conteúdo.
DA PARTE TÉCNICA
Art. 8º – O técnico da ABCCC supervisor do evento deverá conferir a resenha dos animais antes do começo da prova. Constatada a troca de montaria em qualquer fase da prova, o técnico deverá retirar o competidor da prova, bem como seu companheiro de dupla, registrando a exclusão na súmula do evento, sendo esta enviada ao Conselho Deliberativo Técnico para que seja analisada a possibilidade de punição do infrator.
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§1º - Na súmula do evento deverá constar o cadastro geral das duplas credenciadas para as Finais Regionais.
§2º - O técnico supervisor do evento não poderá participar da prova como laçador ou narrador. O narrador do evento nele não poderá participar como laçador.
DA APRESENTAÇÃO:
Art. 9º – Os concorrentes, jurados e secretários, quando gaúchos, deverão apresentar-se devidamente pilchados, trajando chapéu de feltro, pêlo, palha ou boina, camisa, lenço de pescoço, guaiaca ou rastra, bombacha e botas de couro. O uso de faca, faixa na cintura e tirador são opcionais.
§1º - Os concorrentes de outros Estados poderão trajar a indumentária típica de sua região.
§2º - Independente da região de origem, é vetado o uso de artefatos de nylon, polipropileno ou borracha, tanto na pilcha como no arreamento.
Art. 10 – Sendo o competidor gaúcho, a encilha deve possuir baixeiro, carona de couro ou lona forrada ou não com feltro, basto, serigote ou sela, pelego, cincha e sobrecincha.
As duas barrigueiras deverão estar sobrepostas. A cabeçada do freio deverá ter testeira que envolva as duas orelhas e presilhas com botão; a regulagem da cabeçada poderá ter fivelas. As rédeas poderão ser de couro, lã, crina ou algodão, emendadas ou não, desde que tenham presilha com botão.
§1º - Independente da região de origem, os laçadores deverão calçar esporas e portar mango ou similar no braço. Para as categorias feminina, menores de 12 anos e maiores de 65 anos, o uso da espora é opcional.
§2º - Serão permitidas embocaduras temporárias e definitivas de todos os tipos, desde que não provoquem ferimentos no animal concorrente. Caso ocorram ferimentos, o conjunto competidor pode ser eliminado, a critério dos jurados.
Art. 11 – Fica proibido aos competidores o uso dos seguinte recursos: gamarra, focinheira, martingala, rendilha, rédeas cruzadas por baixo do pescoço, tento para prender a cola, peiteira, pescoceira ou similar usadas como comando. Em suma, só pode usada rédea reta. Também não podem ser utilizadas barbela forrada ou de arame, proteções nas laterais do freio, ou artefatos que não sejam do uso campeiro.
§ Único – Em caso de lesões nos membros locomotores dos animais concorrentes, comprovados junto ao técnico supervisor do evento, será admitido o uso de ligas e similares.
Art. 12 – O laço poderá ser pintado somente com as cores preta ou marrom, devendo estar apresilhado, só podendo ser desapresilhado em caso de enredo ou seio de laço que cause perigo explícito de acidente aos competidores.
DA PROVA
Art. 13 – O tamanho da armada é livre para os competidores do sexo feminino, bem como para os do sexo masculino menores de 12 anos ou acima de 65 anos. Para os competidores do sexo masculino entre 12 anos completos e 15 anos incompletos, a armada será de 7 (sete) metros, com 4 rodilhas de 25 centímetros. Para os demais laçadores a armada será de 8 (oito) metros, devendo ter na mão 4 rodilhas com 25 centímetros. Na boca do brete deverá ter um fiscal encarregado de conferir as medidas da armada, com autoridade e obrigação de zerar a armada quando constatar
irregularidade. A idade dos laçadores deverá ser comprovada documentalmente quando da inscrição.
Art .14 – A armada deverá ser lançada, podendo serem retidas as rodilhas, não valendo o tiro de laço sem lançamento, quando a rês tomar a armada (enganchamento).
Art. 15 - A raia onde a rês deverá ser laçada poderá ser de 100 a 120 metros da boca do brete, queimando a raia e anulando a armada se a rês ou o cavalo ultrapassá-la antes da rês estar laçada.
§ Único – Entende-se por laçada a rês que já tiver sido tocada pela armada lançada.
Art. 16 – O concorrente não poderá rebolear o laço antes da rês ser solta. Quando chamado na ordem de inscrição, o concorrente que não estiver pronto para laçar perderá sua armada.
Art. 17 – Para valer a armada, a rês deverá ser laçada pelas aspas, devendo a armada estar totalmente cerrada antes do brete saca-laço. Dentro da raia, antes de lançado o laço, a condução da rês fica por conta do laçador, não podendo este atacar a rês, nem ser ajudado por terceiros.
§1º - Valerá a armada em forma de 8, com duas voltas de laço em 1 ou 2 aspas (a chamada sobre aspa), bem como aspa dentro da argola, desde que totalmente cerrada a armada. No caso de entrar garupa ou vassoura da cola, a armada poderá ser limpa e cerrada antes do saca-laço.
§2º - Em qualquer fase da prova o competidor não poderá atacar a rês, nem encolher o laço para limpar sua armada.
§3º - O golpe seco poderá invalidar a armada, caso constatada imperícia do competidor.
§4º - O laço só poderá ser retirado da rês no brete saca-laço ou por pessoas autorizadas pela comissão.
Art. 18 – A “pescaria” dentro da raia só é permitida para o caso de o laço estar em 1 aspa só e com a armada ainda por cerrar, conseguindo o competidor “pescar” a outra aspa dentro da raia.
Art. 19 – A armada não terá validade quando entrar perna, mão ou pescoço do bovino, ou fizer um buçal, mesmo que saia posteriormente.
Art. 20 – A queda do cavalo ou do laçador, desde que não provocada por rês ou cavalo de outro competidor, bem como a perda de qualquer objeto do arreamento ou pilcha durante o tiro de laço, invalidará a armada.
Art. 21 – Se o laçador não conseguir atirar sua armada por virar arreios, por corcovos ou mau comportamento de sua montaria, não terá direito a outra rês.
Art. 22 – O laço rebentado, desde que não provocada a situação por rês ou cavalo de outro competidor, invalidará a armada.
Art. 23 – O Crioulaço, em suas provas classificatórias, deverá ter, no mínimo, 12 (doze) duplas inscritas, e serão dadas 3 a 5 rodadas para cada dupla na primeira etapa, a critério da organização do evento, passando para a final as que obtiverem no mínimo 60% de aproveitamento. Na fase final as duplas disputam classificação para as Finais Regionais, e premiação do Crioulaço, em uma ou mais rodadas no sistema mata-mata.
Art. 24 – A cada 3 duplas inscritas na fase classificatória, 1 se classifica para as Finais Regionais. Quando a dupla (conjunto cavalo e laçador) já classificada participar de outra classificatória, somente concorrerá ao prêmio. Um laçador poderá classificar várias duplas com conjuntos diferentes e escolher as 2 que entender melhores para a disputa das Finais Regionais, respeitando o Art. 5º.
DAS FINAIS REGIONAIS
Art. 25 – As Finais Regionais do Laço serão organizadas e realizadas pela Diretoria Executiva, pela Comissão de Provas Funcionais e pela Subcomissão do Laço da ABCCC. Haverá uma Final Regional 1, dentro do Rio Grande do Sul, reunindo os laçadores classificados nos Crioulaços realizados neste Estado; e uma Final Regional 2, fora do Rio Grande do Sul, reunindo os laçadores classificados nos outros Estados da Federação.
Art. 26 - É considerado apto para as Finais Regionais do Laço o conjunto dos dois laçadores e dos dois cavalos que participou e logrou classificação nas provas classificatórias, não podendo haver troca de montaria nem de laçador.
Art. 27 – Os locais e as datas das Finais Regionais serão definidos e publicados com antecedência. As inscrições deverão ser feitas na ABCCC, com data e valor de inscrição previamente divulgados.
Art. 28 – Nas Finais Regionais do Laço os laçadores estarão planilhados no computador por ordem alfabética de municípios onde se classificaram. Ao se identificar, a dupla receberá o colete indicando a ordem de chamada para laçar.
Art. 29 – Serão dadas 5 rodadas a cada dupla na primeira etapa. Passarão para a final as duplas que atingirem o mínimo de 60 % de armadas válidas, e disputarão separadamente as categorias que atingirem: 60, 70, 80, 90, 100 % de aproveitamento, com premiação distinta aos vencedores a ser estabelecida anualmente pela ABCCC. Na apuração da dupla campeã de cada categoria é zerada a pontuação anterior, e será dada mais 1 rodada para cada dupla; em caso de empate as duplas retornam até desempatar (sistema mata-mata).
Art. 30 – As duplas vencedoras de cada categoria (60, 70, 80, 90, 100 %) disputarão entre si a CAMPEÃ, VICE-CAMPEÃ E 3º LUGAR DA FINAL REGIONAL 1 E 2, com premiação estabelecida pela ABCCC. A disputa ocorrerá com mais 1 rodada para cada dupla; em caso de empate as duplas retornam até desempatar .
Art. 31 – De cada uma das Finais Regionais, serão classificados para a Final Nacional 15 duplas: 5 duplas melhor classificadas da categoria 10 armadas, 4 duplas da categoria 9 armadas, 3 duplas da categoria 8 armadas, 2 duplas da categoria 7 armadas e 1 dupla da categoria 6 armadas. Não haverá reservas para o caso de desistência de dupla classificada.
DO LAÇO CRIADOR
Art. 32 – O concurso Laço Criador ocorrerá paralelo a todos os Crioulaços. Somente poderão participar criadores de cavalos Crioulos, seus cônjuges, pais e filhos, os quais deverão montar animais de sua criação.
Art. 33 – Esta prova será em caráter individual, e não de duplas. As inscrições serão feitas separadamente do Crioulaço, com a devida comprovação documental. Os valores de inscrições e as premiações serão distintas.
Art. 34 – Valerão para o Laço Criador as regras do Crioulaço. O mesmo conjunto (cavalo e cavaleiro) pode participar do Crioulaço de duplas e do Laço Criador, mas serão distintas as armadas que valerão por uma e por outra competição.
Art. 35 - No Laço Criador valem os mesmos critérios e percentuais para classificação para as Finais Estaduais. Não sendo atingido o número de 12 competidores, se
classificarão para a Final Nacional até 4 competidores com no mínimo 60% de aproveitamento.
Art. 36 – Nas Finais Regionais os criadores terão direito a 5 armadas. Os criadores que acertarem 3 armadas, 4 armadas ou 5 armadas voltarão a disputar premiação no sistema mata-mata, nas respectivas categorias. Os primeiros colocados de cada categoria
voltarão para disputar, no sistema mata-mata, o título de CAMPEÃO LAÇO CRIADOR da região correspondente.
Art. 37 – Estarão classificados para a Final Nacional, em cada uma das Finais Regionais, 12 laçadores: 5 laçadores melhor classificados na categoria 5 armadas, 4 laçadores da categoria 4 armadas e 3 laçadores da categoria 3 armadas. Não haverá reservas em caso de desistência de laçador classificado.
DA FINAL NACIONAL
Art. 38 – A Final Nacional do Laço será realizada pela ABCCC, e fará parte integrante da programação da Expointer.
Art. 39 – Na Final Nacional do Laço Dupla serão dadas 3 rodadas de laço para cada dupla, voltando as duplas que obtiverem no mínimo 4 armadas laçadas a disputar, no sistema mata-mata, o título de LAÇO DE OURO, LAÇO DE PRATA E LAÇO DE BRONZE.
Art. 40 – Na Final Nacional do Laço Criador serão dadas 3 rodadas para cada laçador, voltando os que obtiverem no mínimo 2 armadas laçadas a disputar, no sistema mata- mata, o título de CAMPEÃO, VICECAMPEÃO E 3º LUGAR do Laço Criador Nacional.
DOS JURADOS E TÉCNICOS SUPERVISORES
Art. 41 – Nas provas Classificatórias e na Final Nacional a comissão julgadora será formada por três pessoas indicadas pelos organizadores, necessariamente acompanhadas por um técnico da ABCCC ou pessoa designada pela Comissão de Provas Funcionais, que atuará como supervisor do evento.
§ 1º - Dois jurados ficarão no palanque de julgamento, com as planilhas de pontuação, e um jurado atuará como bandeira entre a raia e o brete saca-laço para confirmação das armadas.
§ 2º – Quando os Núcleos responsáveis pelos Crioulaços forem requerer aprovação de data perante a ABCCC, já deverão ter técnico previamente agendado para supervisionar o evento.
§ 3º - Nas classificatórias, somente será designado pela Comissão de Provas Funcionais um técnico ou outra pessoa para substituí-lo como supervisor do evento, quando a entidade organizadora, na ocasião do agendamento do Crioulaço frente à ABCCC, informar que não encontrou técnico disponível.
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 42 – SELO DE RAÇA – O técnico supervisor do Crioulaço escolherá entre todos os animais participantes do laço dupla e laço criador, nas provas classificatórias do Crioulaço, aquele que possuir melhor qualificação morfológica e tipicidade racial, para
a atribuição do título de SELO DE RAÇA do evento. O mesmo procedimento ocorrerá na Final Nacional do Laço.
Art. 43 – Os Núcleos e a ABCCC não se responsabilizam por eventuais acidentes que possam ocorrer durante a prova.
Art. 44 – Os jurados, quando no desempenho de suas funções, são soberanos nas suas decisões, não cabendo recurso das mesmas, e têm o dever de exigir o máximo de disciplina, não só dos laçadores participantes, como dos proprietários dos animais concorrentes. Caberá a Comissão de Provas Funcionais resolver os casos omissos, e qualquer que seja a decisão, esta não poderá alterar o resultado da prova já realizada.
Art. 45 – Reclamações, mau uso do cavalo, agressões à montaria ou à rês, atitudes inconvenientes, desrespeitosas, ou anti-desportivas, ofensas de qualquer natureza dirigidas aos jurados ou organizadores por parte dos laçadores ou proprietários dos animais em disputa, acarretarão punições conforme o grau da infração, desde a
advertência, até a expulsão do conjunto concorrente. A Comissão de Provas Funcionais poderá cominar outras punições posteriormente, conforme o caso e assegurado o direito de defesa.
Art. 46 – O proprietário que tenha animais participantes na prova poderá, no prazo de 3 dias após o término desta, apresentar reclamação por escrito, dirigida ao diretor da Comissão de Provas Funcionais que apreciará a reclamação e a julgará com seus pares, no prazo de 30 dias, devendo a decisão ser encaminhada ao presidente da ABCCC para o enquadramento no art. 34 do estatuto da ABCCC.