AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO.
CANCELAMENTO DE DESCONTOS. DECISÃO MONOCRÁTICA.
I. CADASTROS DE INADIMPLENTES - Antecipação de tutela para o efeito de impedir a inscrição do nome da parte autora nos cadastros de inadimplentes, bem assim possibilitar a exclusão do cadastro se já procedida a anotação.
A ordem de não-inscrição do nome nos cadastros de maus pagadores pode ser tida dentro do poder cautelar geral do juiz, mormente se considerando os danos decorrentes dessa inscrição, antes que realizado o acertamento do débito questionado.
II. DEPÓSITO EM JUÍZO – Possibilidade, observando-se que o depósito corre por conta e risco do devedor, sem possuir efeito liberatório.
III. FOLHA DE PAGAMENTO. A parte tem o direito de eleger certas obrigações como prioritárias em eventual detrimento de outras.
Revogada a autorização, devem ser cancelados os descontos em folha de pagamento.
AGRAVO DE INSTRUMENTO
MONOCRATICAMENTE PROVIDO.
AGRAVO DE INSTRUMENTO DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL
Nº 70024021180 COMARCA DE PORTO ALEGRE
SOELCI CUNA DA SILVA AGRAVANTE
ABSDAER - ASSOCIACAO
BENEFICENTE DOS SERVIDORES DO DAER
AGRAVADO
ASPECIR PREVIDENCIA PRIVADA AGRAVADO
D E C I S Ã O M O N O C R Á T I C A
Vistos.
1. SOELCI CUÑA DA SILVA, inconformada com a decisão judicial da fl. 33, que indeferiu os pedidos de suspensão dos descontos efetuados em folha de pagamento e de cancelamento ou inscrição em órgãos de inadimplentes, nos autos da ação ordinária revisional ajuizada contra ASPECIR PREVIDÊNCIA PRIVADA e ABSDAER - ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE DOS SERVIDORES DO DAER, agrava de instrumento.
Em suas razões, alega que a cláusula contratual que torna indisponível o salário é abusiva por força constitucional. Assevera que a autorização anteriormente dada para descontos salariais pode ser revogada, ainda mais que o salário é absolutamente impenhorável, nos termos do art.
649, IV, do CPC. Ainda, argumenta que não pode ter seu nome inscrito no rol de inadimplentes, porquanto está discutindo judicialmente o débito. Por fim, pretende depositar em juízo os valores incontroversos, demonstrando sua boa-fé e intenção de pagamento.
É o relatório.
2. De pronto, examino o presente agravo de instrumento, nos termos do art. 557, § 1º-A, do CPC.
CADASTROS DE INADIMPLENTES.
Com efeito, no que diz com a inscrição do nome nos cadastros de inadimplentes tenho questionado sobre o interesse do credor na inscrição do débito antes de solucionado o debate judicial; a inexistência de prejuízo para o credor no postergar de tal inscrição; a conveniência de tal inscrição, já que pode impedir que, via obtenção de outro crédito, seja a dívida paga; a oportunização do encontro de solução conciliatória que fica,
praticamente, inviabilizada após consumado o prejuízo ao crédito do devedor. No que diz com o instrumento capaz de garantir essa proteção sustento que, embora não se trate propriamente de antecipação de tutela, a providência pode ser incluída dentro do poder cautelar geral do juiz e assim ser entendida.
Especificamente quanto a SERASA, não é demais lembrar que os efeitos decorrentes da inclusão do nome de uma pessoa (física ou jurídica) são semelhantes ao de um protesto de título. Aliás, no caso de protesto de título, mesmo sendo indevido, é dada a oportunidade de se impedir a lavratura do ato cartorário. Em suma, a SERASA não funciona como um simples banco de dados. Serve como uma central de restrições, divulgando informações de conotação pejorativa, despidas de precisão e, portanto, causadoras de graves prejuízos às pessoas inscritas.
Por outro lado, induvidoso que as inscrições nos cadastros dos inadimplentes, quando em discussão o débito, representa instrumento de cobrança, pois expõe a parte autora a sérios constrangimentos que, muitas vezes, ocasiona-lhe lesão grave e de difícil reparação.
Neste sentido, a 11ª conclusão do Centro de Estudos Jurídicos do Tribunal de Justiça, que assim consigna:
11ª - Não ofende direito do credor liminar obstativa da inscrição do nome do devedor em banco de dados de consumo, assim como impeditiva de que o credor comunique a terceiros registro de inadimplência que haja procedido em seu cadastro interno, durante a pendência de processos que tenham por objeto a definição da existência do débito ou seu montante.
Também as decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça:
MEDIDA CAUTELAR. SERASA. PROTESTO. DÉBITO SUB JUDICE.
Esta Corte tem decidido, reiteradamente, que a discussão judicial do débito impede o apontamento de informações restritivas quanto ao devedor junto aos órgãos de proteção ao crédito, bem como pela possibilidade da suspensão dos efeitos do protestos nessa hipótese. Liminar referendada.(MC 5265/SP, MIN. CASTRO FILHO, j. 15/08/2002
“... Tramitando ação onde os devedores pleiteiam o reconhecimento da invalidade do título que teria sido preenchido com valores excessivos, mediante argumentação verossímil, pode o juiz deferir a antecipação parcial da tutela para cancelar o registro do nome dos devedores nos bancos de dados de proteção ao crédito. Art. 273 do CPC e 42 do CDC.” (REsp nº 168934/MG, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ de 24/06/98)
“... Deve ser cancelada a inscrição do nome do devedor em banco de inadimplentes se o contrato está sendo objeto de ação revisional, em que se discute a validade de cláusulas, valor do saldo e a própria existência da mora. Precedentes.”
(REsp nº 205.039/RS, 4ª Turma, Rel. idem, DJ de 01.07.99)
“...Estando em discussão judicial o débito, regular a determinação de que se afaste o nome do devedor do cadastro de inadimplentes, mormente porque não comprovado o prejuízo ao credor.” (AgRgAG nº 230.809/RS, 3ª Turma, Rel.
Min. Carlos Alberto Menezes Direito, DJ de 01.07.99)
Neste sentido, também a jurisprudência desta Corte:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. VEDAÇÃO DE INSCRIÇÃO ENQUANTO EM ACERTAMENTO O DÉBITO. A JURISPRUDÊNCIA DA CORTE JÁ ASSENTOU QUE A INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR EM CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO É INVIÁVEL ENQUANTO PENDENTE DE ACERTAMENTO. PRECEDENTES. NEGARAM
PROVIMENTO. (7FLS) (AGRAVO DE
INSTRUMENTO Nº 70000557041, DÉCIMA NONA
CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: DES. CARLOS RAFAEL DOS SANTOS JÚNIOR, JULGADO EM 29/02/00)
INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR EM BANCO DE DADOS DE CONSUMO. Pendente processo que tenha por objeto a definição da existência do débito e/ou seu montante, não cabe a inscrição de devedor junto ao SPC, SERASA, SCI e assemelhados. Não ofensa ao direito do credor.
AGRAVO NÃO CONHECIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70016713406, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Guinther Spode, Julgado em 19/09/2006)
“AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557, § 1º-A DO CPC.
AÇÃO REVISIONAL. Contrato bancário. Cadastro de devedores. Enquanto pendente demanda revisional, o nome da autora não pode ser enviado aos órgãos de restrição ao crédito (SPC, SERASA, etc). Recurso PROVIDO”.
(Agravo de Instrumento Nº 70013803754, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Mário José Gomes Pereira, Julgado em 21/12/2005)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE NULIDADE E DE REVISÃO
CONTRATUAL. CADASTROS DE
INADIMPLENTES. Enquanto pendente ação declaratória de nulidade e de revisão contratual, o nome do devedor não pode ser inscrito em cadastros de inadimplentes. Precedentes desta Corte. Em decisão monocrática, conheço em parte do agravo, e, nesta, dou parcial provimento ao agravo de instrumento. (Agravo de Instrumento Nº 70014174742, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Glênio José Wasserstein Hekman, Julgado em 14/02/2006)
DEPÓSITO EM JUÍZO. POSSIBILIDADE.
No tocante ao pedido de depósito em juízo de valores que a parte autora entende ser devido, dou provimento ao recurso.
Cabível o depósito de valores, nos autos da revisional do contrato, salientando que os mesmos devem ser feitos por conta e risco da parte autora. Conseqüentemente, os depósitos sujeitam-se à decisão final da ação, não possuindo, portanto, efeito liberatório.
Neste sentido, a jurisprudência desta Corte:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557, § 1º-A DO CPC.
AÇÃO REVISIONAL. CADASTRO DE DEVEDORES.
DESCONTOS. DEPÓSITO. I - Enquanto pendente demanda revisional, o nome do autor não pode ser enviado aos órgãos de restrição ao crédito (SPC, SERASA, etc). II - Sem o consentimento da parte contratante, são descabidos os descontos das parcelas do contrato de mútuo, praticados diretamente na conta corrente. III - Possível o deferimento do depósito do valor que o autor entende devido. Demonstração de boa-fé. Medida que não se apresenta irreversível. IV - Recurso PROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70013521216, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Mário José Gomes Pereira, Julgado em 23/11/2005)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. REVISÃO DE CONTRATO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. 1.
VEDAÇÃO DA INSCRIÇÃO EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. Reveste constrangimento inadmissível a inscrição do devedor em cadastros de inadimplentes enquanto pendente ação revisional do contrato que deu origem aos créditos. 2. DEPÓSITO JUDICIAL DOS VALORES QUE ENTENDE O AUTOR SEREM DEVIDOS. Possibilidade.
Inexistência de efeito liberatório. 3. MANUTENÇÃO DO ADQUIRENTE NA POSSE DO VEÍCULO.
Providência indispensável ao asseguramento pleno das prerrogativas do cidadão de acesso à jurisdição. 4 ... ). PROVIMENTO DE PLANO. ART. 557, § 1º-A.
AGRAVO PROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70011470176, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Heleno Tregnago Saraiva, Julgado em 25/04/2005)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. REVISIONAL. INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR EM BANCO DE DADOS DE CONSUMO. Pendente processo que tenha por objeto a definição da existência do débito e/ou seu montante, não cabe a inscrição de devedor junto ao SPC, SERASA, SCI e assemelhados. Não ofensa ao direito do credor. DEPÓSITO JUDICIAL DAS PARCELAS VINCENDAS. POSSIBILIDADE POR CONTA E RISCO DOS DEPOSITANTES. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO MONOCRATICAMENTE.
(Agravo de Instrumento Nº 70013138516, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Guinther Spode, Julgado em 11/10/2005)
Assim, merece ser concedida a tutela antecipada, autorizando o depósito em juízo sem efeito liberatório.
DESCONTOS EM FOLHA DE PAGAMENTO.
Depreende-se que estão sendo realizados descontos na folha salarial do autor da demanda referente a mútuo civil celebrado. Tenho tal cláusula como abusiva, vez que, quando da negociação, evidente se mostra a fragilização da parte devedora que tem os poderes de discussão e de barganha reduzidos ao seu mínimo, se é que ainda tem algum. Todo credor tem o ônus de cobrar ou de executar seu devedor, buscando seu débito pelas vias judiciais. É certo que já decidi diversamente. O reiterado exame da matéria, contudo, me fez perceber que, em casos que tais, normalmente, o financiado é vítima de intermediadores dos empréstimos. Dizer que a
revogação da autorização depende da anuência da outra parte, significa colocar o servidor sob o jugo de uma condição potestativa, que não se admite, vale dizer, a concordância da outra parte. Mais grave é a inconstitucionalidade que se flagra do art. 2º, parágrafo 2º, do Decreto nº 38.992, de 29 de outubro de 1.998. É preciso que se diga que a regra geral a propósito do desconto sobre a remuneração de servidor está estabelecida no art. 81 do respectivo estatuto: “ Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento.
Parágrafo único – Mediante autorização do servidor, poderá haver consignação em folha de pagamento a favor de terceiros, a critério da administração e com reposição de custos, na forma definida em regulamento.” Então, a regra geral é a inocorrência de qualquer desconto sobre a remuneração do servidor. Ele, e somente ele, contudo, pode autorizar sua realização. Isso é o que diz a lei maior do funcionalismo público estadual, Lei Complementar nº 10.098, de 03 de fevereiro de 1.994.
A Constituição Estadual, repristinando no ponto, a Federal, no seu art. 82, V, autoriza o Governador do Estado a expedir decretos e regulamentos para a fiel execução das leis. Louvando-se nessa prerrogativa, foram expedidos os Decretos nº 34.258, de 3 de abril de 1.992 e, subseqüentemente, os de nº.
37.348/97 e, por fim, o de nº 37.841/97, seguido do Decreto nº 38.992, de 29 de outubro de 1.998, estes últimos introduzindo a necessidade de anuência da parte interessada, para o cancelamento do desconto. Observa-se, portanto, que, realmente, a pretexto de regulamentar a fiel execução da lei, o Poder Executivo introduziu o que nela não se continha, e em claro desfavor do servidor que, pelo Estatuto, é o dono e senhor do seu salário, que é impenhorável. Interpretando, pois, a legislação no caso concreto, tenho que inviável conceder ao Governador do Estado, condição potestativa para a revogação de autorização para desconto em vencimentos de servidor
público, ainda mais que, via decreto executivo só poderia regulamentar a lei sem ir além dela.
Também não há falar na incidência do § 2º, do artigo 6º, do Dec. nº 40.847, de 25 de junho de 2.001, que dispõe da necessidade da anuência da entidade credora, porquanto o Órgão Especial desta Corte em julgamento do Mandado de Segurança nº 70008356156, de 7 de junho de 2.004, por maioria, denegou a ordem.
Ademais, muito embora tenha ocorrido a alegada autorização inicial para a prática de descontos, deve ser considerado que se faz possível a retratação, uma vez que o salário é indisponível, devido a natureza alimentar, garantido pelo art. 7º, inciso X, da CF.
Nestes termos, a jurisprudência desta Corte:
“AGRAVO DE INSTRUMENTO. TENDO O ESTADO- LEGISLADOR DEFINIDO QUE OS VENCIMENTOS, SOLDOS E SALÁRIOS SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORAVEIS (ART-649, INC-IV, DO CPC), É MANIFESTA NULIDADE DA CLAUSULA E A ABUSIVIDADE DA CONDUTA NEGOCIAL PELAS QUAIS O AGENTE FINANCEIRO SE APROPRIA DOS DEPÓSITOS EM CONTA-CORRENTE QUE LHES SÃO RESPECTIVAS, A FIM DE QUITAR OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS PENDENTES ENTRE ELE E O CORRENTISTA. AGRAVO IMPROVIDO.” (AI Nº 598302891, de 09.12.98, Rel. Des.. Aymoré Roque Pottes de Mello)
PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGADO PROVIMENTO A ESTE, FORTE ART. 557 DO CPC. AGRAVO INTERNO.
EMPRESTIMO EM CONTA CORRENTE. SUSPENSAO DOS DESCONTOS. JURISPRUDENCIA CONSOLIDADA NESTA CAMARA. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO
PELO ART. 557. AGRAVO IMPROVIDO. (AGRAVO Nº 70003401346, DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: DES. LUÍS AUGUSTO COELHO BRAGA, JULGADO EM 13/08/02)
CAUTELAR. DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO.
SALARIO. PRESERVACAO. DESCONTO DE PARCELAS DE CONTRATO DE MUTUO EM FOLHA DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE CONTRA A VONTADE DO TITULAR. NECESSIDADE DE AUTORIZACAO ATUAL DO TITULAR. PRESERVACAO DO SALARIO. ART. 7°, VII E X, CF E ART. 649, IX, CPC. VEROSSIMILHANCA E PREJUIZO DEMONSTRADOS. ART. 273, CPC. NEGARAM PROVIMENTO. (APELAÇÃO CÍVEL Nº 70005313200, DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: DES. CARLOS RAFAEL DOS SANTOS JÚNIOR, JULGADO EM 13/05/2003)
AÇÃO CAUTELAR. SALÁRIO DEPOSITADO EM CONTA CORRENTE. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONTO PARA AMORTIZAÇÃO DE DIVIDA. TENDO O SALÁRIO CARATER ALIMENTAR, NATUREZA ESTA QUE NÃO PERDE NEM MESMO APOS O DEPOSITO NA CONTA CORRENTE, CUJO OBJETIVO E POSSIBILITAR A VISA CONDIGNA DA FAMILIA, NAO PODE SER RETIDO PARA SALDAR DEBITO EM CONTA CORRENTE. PRIMEIRO APELO NAO PROVIDO E O SEGUNDO PARCIALMENTE PROVIDO.
(APELAÇÃO CÍVEL Nº 598545937, DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: DES. GUINTHER SPODE, JULGADO EM 21/09/1999)
Nesse sentido, cumpre citar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, cuja ementa traz o seguinte teor:
“CONTA CORRENTE. Apropriação do saldo pelo banco credor. Numerário destinado ao pagamento de salários. Abuso de direito. Boa-fé. Age com abuso de direito e viola a boa-fé o banco que, invocando cláusula contratual constante do contrato de financiamento, cobra-se lançando mão de numerário depositado pelo correntista em conta destinada ao
pagamento dos salários de seus empregados, cujo numerário teria sido obtido junto ao BNDES.”
“A cláusula que permite esse procedimento é mais abusiva do que a cláusula-mandato, pois, enquanto esta autoriza apenas a constituição do título, aquela permite a cobrança pelos próprios meios do credor, nos valores e no momento por ele escolhidos.”
(Resp 250523 – Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, 4ª Turma, julgado em 18.12.2000).
Desta forma, relativamente ao mérito do agravo de instrumento, DOU PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO, na esteira dos precedentes referidos, admitindo julgamento singular com base no art. 557, § 1º - A, CPC, ao efeito de determinar à parte agravada que se abstenha de promover os descontos realizados diretamente na folha de pagamento relativo ao contrato em discussão, bem como abster de inscrever ou cancelar o nome junto aos cadastros de inadimplentes e autorizar o depósito judicial dos valores incontroversos.
Comunique-se ao magistrado a quo.
Intime-se.
Porto Alegre, 25 de abril de 2008.
DES. JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI, Relator.
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