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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESIGN

VESTUÁRIO DE PROTEÇÃO, MATERIAIS TÊXTEIS E CONFORTO TÉRMICO: UMA ANÁLISE COM APLICADORES DE AGROTÓXICO, EPI E

AMBIENTE AGRÍCOLA

FRANCIELE MENEGUCCI

Bauru - 2012

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VESTUÁRIO DE PROTEÇÃO, MATERIAIS TÊXTEIS E CONFORTO TÉRMICO: UMA ANÁLISE COM APLICADORES DE AGROTÓXICO, EPI E

AMBIENTE AGRÍCOLA

Bauru – 2012

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Design da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação – Campus de Bauru, como exigência parcial à obtenção do Título de Mestre em Design – Área de Concentração: Ergonomia.

Orientador: Prof. Dr. Abílio Garcia dos Santos Filho

(3)

DIVISÃO TÉCNICA DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO UNESP – BAURU

Menegucci, Franciele.

Vestuário de proteção, materiais têxteis e conforto térmico: uma análise com aplicadores de agrotóxicos, Epi e ambiente agrícola / Franciele Menegucci, 2012 174 f.

Orientador: Abílio Garcia dos Santos Filhos

Dissertação (Mestrado)–Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, Bauru, 2012

1. Design. 2. Vestuário de proteção. 3. Conforto térmico e sensorial-tátil. I. Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Arquitetura, Artes e

Comunicação. II. Título.

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Prof. Dr. Abílio Garcia dos Santos Filho

Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Campus Bauru Orientador

Prof. Dr. Manoel Lima de Menezes

Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Campus Bauru

Prof. Drª. Marizilda dos Santos Menezes

Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Campus Bauru

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DEDICATÓRIA

Aos meus pais, Ilda e Luiz Carlos, que dedicam suas vidas à minha formação pessoal e profissional.

A minha irmã, Carla, companheira, incentivadora e amiga.

Ao meu amor, Isaac, companheiro de vida!

(6)

À Deus, por seu amor infinito.

Ao meu orientador Abílio Garcia dos Santos Filho, por aceitar a parceria nesta pesquisa, confiar no meu trabalho e pela disposição em me auxiliar.

Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Design (Bauru) – Professor José Carlos Plácido da Silva, Professor Luis Carlos Paschoarelli, Professor João Cândido, Professor

Francisco de Alencar e a Professora Marizilda, pelos conhecimentos partilhados ao longo das disciplinas, pelo incentivo à publicação de artigos, pela dedicação sem medida e

disponibilidade.

Aos amigos da Secretaria de Pós-Graduação, Silvio e Helder, por sua competência e solicitude, essenciais em vários momentos deste trabalho.

Aos companheiros de mestrado Nélio, Marcos, Sylvia, Rafaela, Carlos, Danilo, Edna, Verônica e Lívia, pela companhia e por toda disposição para ajudar ao longo desta jornada.

Aos colaboradores que participaram desta pesquisa, pela acolhida e contribuições fundamentais.

Não poderia deixar de agradecer a minha linda família, tios e primos, meu bem mais precioso, que me inspira, me orgulha e me motiva em meus desafios.

À minha mãe, Ilda, minha fortaleza, fonte de amor e dedicação incondicionais e ao meu pai Luis Carlos, pelo apoio nos momentos necessários.

A minha irmã Carla, por existir em minha vida, me incentivar em meus desafios e ser a certeza de uma companhia amiga para sempre.

Aos meus tios, Carmem e Edmundo, presentes nesta e em todas as etapas de minha vida, pelo apoio à minha formação profissional e pessoal.

A minha prima Tatiane, pela recepção em sua casa em Bauru, fundamental para a realização deste mestrado.

Aos pequenos Celso Ricardo e Paola, pela presença inocente que me traz a paz e a alegria.

Ao meu amor Isaac, pela companhia, incentivo, amizade e amor imensuráveis. Por me acompanhar e torcer por mim em todos os momentos.

Por fim, sou grata a todos participaram desta jornada, com sorrisos sinceros e palavras amigas nos momentos difíceis. Obrigada!

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(8)

MENEGUCCI, Franciele. Vestuário de proteção, materiais têxteis e conforto térmico: uma análise com aplicadores de agrotóxico, Epi e ambiente agrícola. Bauru, 2012. 156 p.

Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Estadual Paulista.

RESUMO

Esta pesquisa trata da relação corpo – vestuário de proteção – ambiente, com o objetivo de evidenciar as principais demandas ergonômicas do vestuário de proteção para a aplicação de agrotóxicos com foco no conforto sensorial-tátil e conforto térmico. Para isto, realizou-se um levantamento bibliográfico sobre a Ergonomia, Vestuário e Conforto; Conforto Sensorial- Tátil, Conforto Térmico e Avaliação do Conforto Térmico e sobre os Materiais Têxteis abordando e comparando as propriedades das fibras, fios e tecidos para selecionar o mais indicado para compor o vestuário de proteção melhorando o desempenho dos produtos em relação ao conforto, segurança, proteção, facilidade de uso e manutenção. Na pesquisa, exploratória e descritiva, realizou-se a Avaliação do Conforto Térmico com base nas aferições das variáveis climáticas do ambiente selecionado, uma plantação de laranja, e nas variáveis individuais dos participantes, 04 (quatro) aplicadores de agrotóxico, para isto contou-se com o auxílio de um software específico e das respostas dos usuários para calcular o PMV, o PPD e as sensações térmicas subjetivas. Também foi realizada uma entrevista, com base no protocolo desenvolvido pela autora, que busca compreender a Relação Usuário X EPI, Relação do Usuário X Vestuário de Proteção e Relação Usuário X Camiseta Funcional em 100% poliamida. Os resultados salientaram a influência do vestuário no conforto térmico, sensorial-tátil e mobilidade dos usuários. Observou-se que a camiseta em 100% poliamida é adequada e eficiente para ser utilizada como vestuário interior melhorando o desempenho do vestuário de proteção e indicada para compor vestuários de alto desempenho.

Palavras-chave: design, vestuário de proteção, materiais têxteis, conforto térmico e sensorial-tátil.

(9)

ABSTRACT

This research deals with the relationship between the body - protective clothing - environment, aiming to highlight the main demands of ergonomic protective clothing for pesticide application with a focus on sensory-tactile comfort and thermal comfort. For this, was performed a bibliographical survey on Ergonomics, Clothing and Comfort, Sensory Tactile Comfort and Thermal Comfort and Thermal Comfort Evaluation and focusing on the Textile Materials and comparing the properties of fibers, yarns and fabrics to select the most suitable to form the protective clothing to improve the performance of products in relation to comfort, safety, security, ease of use and maintenance. In the research, exploratory and descriptive, held on the Termal Comfort Evaluation based on measurements of climatic variables of the environment selected, an orange plantation, and the individual variables of the participants, 04 (four) pesticide applicators, for it told with the aid of specific software and users' responses to calculate the PMV, PPD and subjective thermal sensations. Also an interview was conducted, based on protocol developed by the author, who seeks to understand the User X PPE, User X Protective Apparel and User X T-shirt Functional composed by 100% polyamide. The results highlighted the influence of clothing on thermal comfort, sensory-tactile and user mobility. It was observed that the t-shirt composed by 100% polyamide is efficient and suitable for use as underwear improving the performance of protective apparel and shown to form high-performance garments.

Keywords: design, protective clothing, textiles, thermal and sensory-tactile comfort.

(10)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 1

CAPÍTULO 1 PROPOSIÇÃO... 5

1.1 Objetivo Geral...5

1.2 Objetivos Específicos ...5

CAPÍTULO 2 ERGONOMIA, CONFORTO E VESTUÁRIO DE PROTEÇÃO NO AMBIENTE AGRÍCOLA ... 7

2.1 Ergonomia no ambiente agrícola ...7

2.2 O EPI (conjunto ou macacão) para a aplicação de agrotóxicos ...9

2.3 Problemas ergonômicos na utilização do vestuário de proteção ...13

2.4 O conforto do vestuário de proteção no ambiente agrícola...15

CAPÍTULO 3 O CONFORTO SENSORIAL-TÁTIL E O CONFORTO TÉRMICO ... 19

3.1 O Conforto Sensorial-Tátil ...19

3.2 O Conforto Térmico ...22

3.2.1 Fisiologia térmica do corpo humano e suas reações ao calor...23

3.2.2 Mecanismos de troca de calor ...26

3.2.3 Sistema termorregulador ou termorregulação humana...30

3.2.4 Variáveis que influenciam o conforto ...31

3.2.4.1 Variáveis ambientais ou climáticas ...32

3.2.4.2 Variáveis Humanas ou individuais...32

3.3 Avaliação do Conforto Térmico e Estresse Térmico...38

3.3.1 Avaliação da Sensação Térmica Subjetiva...43

3.3.1.1 Sensações térmicas ...43

3.3.1.2 Preferências térmicas ...44

3.4 O Método WBTG (Wet Bulb Globe Temperature) ou IBUTG (Índice de bulbo úmido-termômetro de globo) ...44

(11)

CAPÍTULO 4

MATERIAIS TÊXTEIS: FIBRAS, FIOS E TECIDOS ... 47

4.1 Experimentações de novos materiais ao longo da história da moda ...47

4.2 A nanotecnologia aplicada à ciência de materiais ...49

4.3 As funções dos têxteis no design de moda: expressividade versus funcionalidade ...52

4.4 A evolução do vestuário ...54

4.4.1 Os novos tecidos: técnicos, funcionais e inteligentes...55

4.5 As interações entre a pele e os tecidos...60

4.6 A cadeia produtiva têxtil...63

4.7 As fibras ...63

4.7.1 Propriedades das fibras têxteis ...65

4.8 Os fios têxteis ...67

4.9 Estruturas têxteis...69

4.9.1 Os tecidos planos...69

4.9.2 As malhas...72

4.10 Comparação entre as propriedades das fibras e seleção da poliamida...76

4.10.1 Propriedades térmicas...77

4.10.2 Propriedades físicas ...78

CAPÍTULO 5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 86

5.1 Revisão Bibliográfica...87

5.2 Experimentos ...87

5.2.1 Aspectos Éticos ...87

5.2.2 Casuística ...87

5.2.3 Coleta de dados ...88

5.2.4 Local do Experimento ...89

5.3 Estruturação da Pesquisa ...90

5.4 Materiais ...93

5.5 Métodos...96

CAPÍTULO 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 98

(12)

6.1 Resultados sobre a relação Usuário X EPI ...98

6.2 Resultados sobre a relação Usuário X Vestuário de Proteção (calça e blusa) ...99

6.3 Resultados sobre a relação Usuário X Camiseta funcional (100% PA)...104

6.4 Resultados da Avaliação térmica...110

6.4.1 O PMV e o PPD ...111

6.4.1.1 Resultados do dia 21 de julho ...111

6.4.1.2 Resultados do dia 05 de dezembro ...116

6.4.1.3 Resultados da comparação entre a variação climática dos diferentes dias de coleta e períodos ...122

6.4.2 Avaliação do Estresse Térmico – IBUTG ...124

6.5 Vestuário de proteção: uma discussão sobre os critérios relevantes no projeto...126

6.5.1 Proteção...126

6.5.2 Conforto...127

6.5.3 Mobilidade...129

6.5.4 Compatibilidade ...133

6.5.5 Facilidade de uso ...134

CAPÍTULO 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 136

7.1 Recomendações gerais ...138

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 140

APÊNDICES ... 148

APÊNDICE A... 148

APÊNDICE B... 149

APÊNDICE C ... 152

APÊNDICE D... 153

APÊNDICE E ... 154

APÊNDICE F ... 155

APÊNDICE G... 156

(13)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 EPIs utilizados na aplicação de agrotóxicos... 11

Figura 2 Esquema dos mecanismos de trocas térmicas... 28

Figura 3 Diagrama PMV/PPD de Fanger... 41

Figura 4 Interface do software Conforto 2.02... 42

Figura 5a Pierre Cardin, tecido Cardine de 1968 ... 48

Figura 5b Paco Rabanne, pastilhas plásticas de 1967... 48

Figura 6a Comportamento de repelência do tecido com Nano-sphere® ... 51

Figura 6b Diferença na estrutura do tecido com Nano-sphere®... 51

Figura 7 Esquema de funcionamento das estruturas com PCM®... 51

Figura 8 Nível de expressividade versus funcionalidade... 52

Figura 9 Hövding produto funcional e expressivo... 53

Figura 10 Moda funcional com proteção solar... 54

Figura 11 Aplicações para têxteis técnicos... 56

Figura 12 Características dos têxteis funcionais... 57

Figura 13 Interação corpo-vestuário-ambiente... 59

Figura 14 Variáveis de avaliação de conforto em têxteis... 62

Figura 15 Principais seguimentos do complexo têxtil... 63

Figura 16a Seção transversal poliéster circular ... 67

Figura 16b Seção transversal celulose acetato ... 67

Figura 16c Seção transversal poliéster triangular ... 67

Figura 16d Seção transversal poliéster estelar ou trilobal ... 67

Figura 16e Seção transversal poliéster oco... 67

Figura 17 Característica dos filamentos e suas qualidades... 68

Figura 18 Tipos de torção na confecção de fios... 69

Figura 19 Ligamento tipo Tela ou Tafetá... 70

Figura 20 Ligamento tipo Sarja... 71

Figura 21 Ligamento tipo Cetim... 71

(14)

Figura 22a Ligamentos em tela... 72

Figura 22b Ligamentos em sarja ... 72

Figura 22c Ligamentos em cetim... 72

Figura 23 Malha por trama... 73

Figura 24 Malha por urdume... 74

Figura 25a Ligamentos meia malha texturizada... 75

Figura 25b Ligamentos em malha circular... 75

Figura 26 Transporte de umidade por capilaridade... 80

Figura 27 Capilaridade nos diferentes fios... 80

Figura 28 Retenção de água após cinco minutos em centrifuga... 81

Figura 29a Jersey de algodão ... 83

Figura 29b Poliéster em tecelagem ... 83

Figura 29c Sarja de gabardine de lã... 83

Figura 30 Espaços de ar entre as camadas da malha e a pele... 83

Figura 31a Estrutura da malha 100% PA ... 85

Figura 31b Estrutura da malha 50%CO e 50%PES ... 85

Figura 31c Estrutura da malha 100% CO... 85

Figura 32 Trator utilizado na aplicação de agrotóxicos... 89

Figura 33 Local do experimento... 90

Figura 34 Higrômetro de leitura direta Incoterm... 94

Figura 35 Anemômetro Airflow LCA 6000... 94

Figura 36 Termômetro de Globo e Bulbo Úmido Instrutherm modelo TGD-200... 95

Figura 37a Etiqueta da camiseta funcional 100% PA... 95

Figura 37b Camiseta funcional 100% PA... 95

Figura 38a Acabamento interno da camiseta funcional 100% PA ... 96

Figura 38b Acabamento externo da camiseta funcional 100% PA... 96

Figura 39 Conjunto de EPIs utilizados pelos aplicadores... 98

Figura 40 Resposta dos participantes sobre o desempenho do vestuário de proteção... 99

(15)

Figura 41 Resposta dos participantes sobre o conforto do vestuário de

proteção... 100

Figura 42 Resposta dos participantes quanto aos pontos de desconforto no vestuário de proteção... 101

Figura 43 Ponto de desconforto pela sobreposição de peças e fechamento da gola e touca... 102

Figura 44 Ponto de desconforto pela cobertura de PVC nas pernas... 102

Figura 45 Ambiente onde ocorre a lavagem do vestuário de proteção... 103

Figura 46 Aplicador com a camiseta funcional em poliamida... 105

Figura 47 Número de votos em relação ao conforto da camiseta 100% PA no dia 21 de julho... 105

Figura 48 Características consideradas mais importantes na camiseta 100% PA no dia 21 de julho... 106

Figura 49 Número de votos em relação ao conforto da camiseta 100% PA no dia 05 de dezembro... 107

Figura 50 Características consideradas mais importantes na camiseta 100% PA no dia 05 de dezembro... 108

Figura 51 Comparação entre as características consideradas mais importantes na camiseta 100% PA... 109

Figura 52 Janela Escolha do Metabolismo no software Conforto 2.02 ... 110

Figura 53 Janela Isolamento Térmico da Roupa no software Conforto 2.02 ... 111

Figura 54a Média PMV e Sensação Térmica (21 de julho – Manhã 07:00h às 08:00h)... 112

Figura 54b Média PMV e Sensação Térmica (21 de julho – Manhã 10:00h às 11:00h)... 112

Figura 55 Número de votos dos participantes quanto ao conforto e reações do corpo e vestuário no dia 21 de julho entre 07:00h e 11:00h ... 113

Figura 56a Comparação entre o PMV e Sensação Térmica (21 de julho – Tarde 13:00h às 14:00h)... 114 Figura 56b Comparação entre o PMV e Sensação Térmica (21 de julho – Tarde

(16)

16:00h às 17:00h)... 114 Figura 57 Número de votos dos participantes quanto à sensação de conforto e

reações do corpo e vestuário no dia 21 de julho entre 13h e 17:00h.... 114 Figura 58 Variáveis de temperatura, umidade relativa e velocidade do ar entre

os intervalos e períodos do dia 21 de julho... 115 Figura 59 Comparação entre o PMV e a Sensação Térmica entre o período da

manhã e da tarde no dia 21 de julho... 116 Figura 60a Média PMV e Sensação Térmica (05 de dezembro – Manhã 07:00h às

08:00h)... 117 Figura 60b Média PMV e Sensação Térmica (05 de dezembro – Manhã 10:00h às

11:00h)... 117 Figura 61 Número de votos dos participantes quanto ao conforto e reações do

corpo e vestuário no dia 05 de dezembro entre 07:00h e 11:00h... 118 Figura 62a Média PMV e Sensação Térmica (05 de dezembro – Tarde 13:00h às

14:00h)... 119 Figura 62b Média PMV e Sensação Térmica (05 de dezembro – Tarde 16:00h às

17:00h)... 119 Figura 63 Número de votos dos participantes quanto ao conforto e reações do

corpo e vestuário no dia 05 de dezembro entre 13:00h e 17:00h... 120 Figura 64 Variáveis de temperatura, umidade relativa e velocidade do ar entre

os intervalos e períodos do dia 05 de dezembro... 121 Figura 65 Comparação entre o PMV e a Sensação Térmica entre o período da

manhã e da tarde no dia 05 de dezembro... 121 Figura 66 Comparação entre a variação climática dos diferentes dias e períodos

de coleta... 122 Figura 67 Comparação entre a sensação térmica subjetiva e o PMV nos

diferentes dias e períodos de coleta... 123 Figura 68 IBUTG mínimo e máximo no dia 21 de julho... 124 Figura 69 IBUTG mínimo e máximo no dia 05 de dezembro... 125 Figura 70 Comparação entre o IBUTG máximo e mínimo nos dois dias de coleta,

(17)

nos diferentes períodos... 125

Figura 71 Posições para checar a mobilidade... 130

Figura 72a Ponto de tensão pela ação do vestuário de proteção ao abaixar-se... 131

Figura 72b Ponto de tensão pela ação do vestuário de proteção ao flexionar a perna... 131

Figura 73a Ponto de tensão pela ação do vestuário de proteção ao curvar-se... 131

Figura 73b Ponto de tensão pela ação do vestuário de proteção ao agachar... 131

Figura 74 Soluções para a limitação de movimentos... 132

(18)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Atributos táteis e sensoriais... 21

Tabela 2 Taxas de metabolismo para atividades diversas... 33

Tabela 3 Isolamento térmico para peças do vestuário... 35

Tabela 4 Isolamento térmico para peças do vestuário considerando massa (g) e material de fabricação... 36

Tabela 5 Tempo máximo de exposição do trabalhador em função do vestuário... 37

Tabela 6 Intervalos de conforto para atividade sedentária recomendados pela NBR 6401 (1980) e ISO 7730 (1994)... 39

Tabela 7 Escala de percepção da sensação térmica... 43

Tabela 8 Quadro Nº 3, do Anexo Nº 3 da NR 15 - Taxas de metabolismo por tipo de atividade... 45

Tabela 9 Quadro Nº 1, do Anexo Nº 3 da NR 15 - Regime de trabalho e descanso em função da atividade... 46

Tabela 10 Classificação das fibras têxteis... 65

Tabela 11 Propriedades Químicas, Biológicas e Físicas das fibras... 66

Tabela 12 Comparativo entre as características dos fios e fibras... 81

Tabela 13 Estruturação do protocolo de pesquisa... 91

(19)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ASHRAE American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engeneers CA Certificado de Aprovação

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

CO Algodão

EPI Equipamento de Proteção Individual EPIs Equipamentos de Proteção Individual FPU Fator de Proteção Ultravioleta

IBUTG Índice de bulbo úmido-termômetro de globo ISO International Organization For Standardization MTE Ministério do Trabalho e Emprego

NBR Norma Brasileira

NR Norma Regulamentadora PA Poliamida

PCM Phase Change Materials PES Poliéster

PMV Predicted Mean Vote

PPD Predict Percentage Dissatisfied PPI Porcentagem de Pessoas Insatisfeitas PVC Policloreto de Vinila

SMA Shape Memory Alloys

TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UNESP Universidade Estadual Paulista

UV Ultra Violeta UVA Ultra Violeta A UVB Ultra Violeta B

VME Voto Médio Estimado

WBGT Wet Bulb Globe Temperature

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LISTA DE SÍMBOLOS

C Condução

dtex Decitex

E Evaporação

Icl Isolamento térmico das roupas (clo) M/MET Taxa Metabólica (W/m2)

R Radiação

Tbu Temperatura de bulbo úmido natural (ºC)

Tbs Temperatura do ar/Temperatura de bulbo seco (ºC) Tg Temperatura de globo (ºC)

Trm Temperatura radiante média (ºC) UR Umidade Relativa do Ar (%).

Va Velocidade do ar (m/s)

(21)

INTRODUÇÃO

Os produtos de vestuário fazem parte da interação do homem com o ambiente e interferem diretamente na realização das tarefas diárias. Os tecidos cobrem de 80% a 90%

do corpo humano no cotidiano (SOUTINHO, 2006), e em vestuário de proteção, como o EPI utilizado na aplicação de agrotóxicos, que podem ser um conjunto de calça e blusa ou um macacão, este número atinge 95% ou mais, se somados aos outros itens que o compõe.

Com o foco dirigido para o design de vestuário, Slater (1985, p. 4) define conforto como “um estado prazeroso de harmonia fisiológica, física e psicológica entre o ser humano e o ambiente”. Desta forma, o conforto é dividido em três aspectos fundamentais: o conforto térmico ou termofisiológico, que diz respeito a uma condição da superfície da pele considerada agradável quanto à sensação térmica e de umidade, que envolve a transferência de calor e de vapor de água por meio dos materiais têxteis ou das formas do vestuário; o conforto sensorial-tátil, que é percebido por meio das sensações neurais quando um objeto entra em contato com a pele e o conforto psicológico-estético, que corresponde à percepção subjetiva da avaliação estética, com base nos sentidos humanos: visão, toque, audição e olfato, responsáveis pela sensação de conforto do usuário (SLATER, 1997 apud BROEGA e SILVA, 2010).

As pesquisas elaboradas com o objetivo de levantar informações sobre o uso de EPIs por aplicadores de agrotóxicos indicam que a ausência e deficiência de conforto térmico e sensorial-tátil são os principais motivos que levam o trabalhador a não utilização do EPI comprometendo sua segurança. Os indivíduos descrevem os EPIs como produtos quentes, pesados e desconfortáveis (COUTINHO et al., 1994; VEIGA et al., 2007; FERREIRA e CARVALHO, 2005; MONQUERO; INÁCIO; SILVA, 2009).

Conforme as informações do “III Informe Unificado de Informações Sobre Agrotóxicos Existentes no SUS”, no Brasil, ocorreram registros de 1.271 casos de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola em circunstância ocupacional em 2007. O número real pode ser bem maior, pois muitos casos não são registrados como intoxicação ocupacional, sendo

(22)

considerados de causa acidental ou causa ignorada. A intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola em circunstâncias diversas somaram 5.690 casos no ano de 2007 (BRASIL, 2009).

O conjunto de blusa e calça ou macacão utilizado para a aplicação de agrotóxicos são confeccionados principalmente em materiais 100% algodão (CO) com tratamento hidrorrepelente, 50% CO e 50% poliéster (PES) com tratamento hidrorrepelente e os não tecidos Tyvek/Tychem® e Kleenguard®. Estes materiais são melhores que o antigo PVC por permitirem certa passagem da transpiração, porém em climas quentes, tornam-se insuportáveis causando excesso de sudorese e doenças térmicas.

Para amenizar o problema os manuais de uso indicam que o aplicador deve utilizar roupas de algodão por baixo do EPI para evitar o contato direto com a pele e absorver a umidade do corpo, porém, a indústria têxtil já oferece diversas inovações em tecidos técnicos, funcionais e inteligentes que superam as fibras naturais apresentando propriedades como a absorção e transporte da umidade, troca térmica, toque agradável na pele, secagem rápida, facilidade de higienização, propriedades antimicrobianas e proteção UVA/UVB.

A utilização de vestuário comum por baixo do EPI faz com que, muitas vezes, estas roupas sejam misturadas com as da família do trabalhador no procedimento de lavagem. Ainda acontecem casos em que o trabalhador continua durante todo o dia de trabalho com a mesma roupa que utilizou para fazer a aplicação, provocando a contaminação pelas substâncias tóxicas que ficam depositadas na estrutura têxtil.

O objetivo desta pesquisa é realizar uma avaliação do conforto térmico e sensorial-tátil em relação ao uso do vestuário de proteção para a aplicação de agrotóxicos utilizado junto a uma camiseta em tecido funcional 100% poliamida (PA), selecionado após levantamento teórico sobre materiais têxteis, com a finalidade de obter informações sobre o conforto ou desconforto proporcionado pelo material em relação às roupas comuns utilizadas no cotidiano. As avaliações foram realizadas com 04 (quatro) indivíduos do gênero masculino, de diferentes faixas etárias, que realizam a atividade de aplicação de agrotóxicos em tratores com cabines abertas nas laterais, numa plantação de laranja.

(23)

A pesquisa foi realizada utilizando-se entrevista com os participantes para avaliar a percepção deles sobre o conforto do vestuário de proteção e da camiseta em 100%

poliamida. A Avaliação do Conforto Térmico foi realizada por meio da aferição das variáveis ambientais e individuais em dois dias com condições climáticas diferentes. Utilizou-se o software Conforto 2.02 (RUAS, 2002) para simulação do PMV (Predict Mean Vote) e do PPD (Predict Percentage Dissatisfied) com base na ISO 7730-84/94/97 (1994), que foram comparadas a sensação térmica e percepção térmica subjetivas obtidas por meio das respostas dos participantes. Como complemento, também foi efetuada uma análise do estresse térmico por meio da aferição o IBUTG e comparação com as normas.

Os pressupostos teóricos estudados neste trabalho apontam para as áreas fundamentais que foram pesquisadas. Desta forma, o trabalho foi estruturado em sete capítulos.

Capítulo 1: Proposição - são apresentados o objetivo geral e os objetivos específicos do trabalho.

Capitulo 2: Ergonomia, Conforto e Vestuário de Proteção no Ambiente Agrícola - são expostos os conceitos fundamentais da Ergonomia e sua aplicação no ambiente de trabalho agrícola, com foco na questão dos vestuários de proteção, suas composições, indicações e demandas ergonômicas.

Capítulo 3: Conforto Sensorial Tátil e o Conforto Térmico - reporta aos conceitos de conforto térmico e sensorial-tátil, onde são abordados os conceitos relacionados à termorregulação, reações do corpo humano frente ao calor, mecanismos de termorregulação e sobre a metodologia para Avaliação do Conforto Térmico e Estresse Térmico.

Capítulo 4: Materiais Têxteis: Fibras, Fios e Tecidos – aborda a questão dos materiais têxteis, onde são apresentadas as propriedades e características de fibras, fios e tecidos, tendo em vista conforto, eficiência, segurança e facilidade de uso. Demonstra-se a evolução dos tecidos e a aplicação de novos materiais têxteis na moda para expandir o conhecimento sobre a parceria entre design, indústria e ciência numa interdisciplinaridade voltada ao desenvolvimento tecnológico.

Capítulo 5: Procedimentos Metodológicos – descreve os procedimentos adotados para a realização da pesquisa. Apresenta as informações que compreendem a pesquisa, sujeitos participantes e a estruturação da pesquisa.

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Capítulo 6: Resultados e Discussão – relata os resultados obtidos por meio da coleta de dados e medições ambientais e discute as informações obtidas. Com a conjunção dos conhecimentos são indicados os critérios de design relevantes no desenvolvimento de vestuários de proteção tais como: conforto, proteção, mobilidade, compatibilidade e facilidade de uso.

Capítulo 7: Considerações Finais - expõe as conclusões obtidas com a pesquisa e algumas recomendações.

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PROPOSIÇÃO

1.1 Objetivo Geral

Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a relação do usuário com o vestuário de proteção utilizado na aplicação de agrotóxicos quanto ao conforto térmico, sensorial-tátil e proteção, com ênfase nas características dos materiais têxteis que compõe este vestuário, e verificar a eficácia da utilização de uma peça de vestuário (camiseta) confeccionada em tecido funcional de alto desempenho (100% poliamida (PA) como underwear ou camada de base para ser usado por baixo do EPI (conjunto de calça e jaleco ou macacão)).

A hipótese da pesquisa é: A camiseta em tecido funcional pode substituir as roupas que são comumente utilizadas pelos aplicadores com a finalidade de melhorar o conforto sensorial-tátil, o conforto térmico, a segurança e promover a facilidade de uso e manutenção.

1.2 Objetivos Específicos

Para o devido cumprimento do mesmo, estabeleceram-se os seguintes objetivos específicos:

a) Quanto ao levantamento bibliográfico:

- realizar levantamento bibliográfico para entender a relação entre Ergonomia, conforto e vestuários de proteção (EPIs);

- compreender quais são os principais problemas nos EPIs usados na aplicação de agrotóxicos com foco para o vestuário (conjunto ou macacão);

- compreender como ocorre o processo de conforto-térmico e sensorial-tátil, aspectos da termorregulação humana e avaliação do conforto térmico;

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- evidenciar os principais aspectos relativos à tecnologia têxtil (fibras, fios e tecidos) e sua relação com o conforto térmico e sensorial tátil no vestuário de proteção;

- evidenciar e discutir os principais critérios que devem ser considerados no desenvolvimento de vestuários de proteção e

- indicar mudanças na composição e estrutura têxtil e modificações formais no vestuário de proteção e roupas interiores propiciando maior conforto térmico e sensorial- tátil, mobilidade, segurança e facilidade de uso.

b) Quanto à pesquisa de campo:

- realizar a Avaliação do Conforto Térmico com aplicadores de agrotóxico, por meio das aferições das variáveis ambientais e individuais e utilização do software Conforto 2.02 e avaliar a sensação térmica subjetiva por meio das respostas dos participantes;

- avaliar o estresse térmico dos trabalhadores pela aferição do IBUTG e comparação com as normas;

- realizar entrevista para compreender a percepção dos aplicadores sobre o conforto do vestuário de proteção e reações do corpo na interação vestuário e ambiente e

- testar em pesquisa de campo uma camiseta em tecido funcional (100%

poliamida) para averiguar a opinião do usuário aplicador de agrotóxicos quanto ao conforto térmico e tátil deste produto.

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ERGONOMIA, CONFORTO E VESTUÁRIO DE PROTEÇÃO NO AMBIENTE AGRÍCOLA

2.1 Ergonomia no ambiente agrícola

IIDA (2005) explica que a aplicação da ergonomia na agricultura é relativamente recente se comparada à indústria e ressalta que neste setor os trabalhos são do tipo não- estruturado, ou seja, o trabalhador não possui um posto fixo de trabalho e executa tarefas variadas. Além disso, os trabalhos são árduos, executados em posturas inconvenientes, demandam freqüentemente grandes esforços musculares, os ambientes são desfavoráveis sob exposição direta ao sol e intempéries. A mecanização agrícola pode amenizar algumas tarefas árduas e perigosas, mas só se aplica a grandes culturas e exige terrenos relativamente planos.

Para se tornar útil, prática e aplicada, a ergonomia deve englobar o indivíduo no trabalho com os fatores de riscos que ele está exposto diante das rotinas organizacionais, na qual o trabalhador não é um elemento único e sim coletivo (VIDAL, 1998).

No ambiente agrícola o ser humano está exposto aos raios ultravioletas, aos níveis excessivos de ruído, acidentes com maquinários, problemas posturais, temperaturas extremas e à exposição a substâncias tóxicas.

Assim, neste ambiente, as aplicações ergonômicas são fundamentais no que diz respeito à organização do trabalho, máquinas e equipamentos. A ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao ser humano (IIDA, 2005).

Conforme Grandjean (1998) a ergonomia pode ser compreendida como a ciência da configuração das ferramentas, das máquinas e do ambiente de trabalho, seu alvo é o desenvolvimento das bases científicas para a adequação das condições de trabalho às capacidades e realidades da pessoa que trabalha. Dul & Weerdmeester (2004), também afirmam que a ergonomia surge como um dos fatores mais importantes na redução do uso inadequado de equipamentos, sistemas e tarefas, além de contribuir na prevenção de erros operacionais, melhorando o desempenho.

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Grande parte das definições de ergonomia enfatizam dois principais objetivos:

um deles é o conforto e a saúde dos utilizadores, tratando de evitar os riscos (acidentes, doenças) e a minimizar a fadiga (ligada ao metabolismo, ao trabalho dos músculos e das articulações, ao tratamento das informações, à vigilância) e o outro é a eficácia, que para a organização, apresenta-se em diferentes dimensões (produtividade e qualidade) (FALZON, 2004).

As condições de trabalho num determinado ambiente incluem todos os fatores que possam influenciar no desempenho e na satisfação dos trabalhadores. Isso envolve o trabalho específico, o ambiente, a tarefa, a jornada de trabalho, o horário de trabalho, salários, além de outros fatores cruciais relacionados com a qualidade de vida do trabalhador (SANTANA, 1996 apud ROSSI, 2007).

Conforme explicado por Cox (1973, p. 684) em atividades realizadas a céu aberto, o calor solar pode se constituir em sério problema ocupacional, como ocorre com os trabalhos rurais, a construção civil, etc., podendo tais situações serem agravadas em função da época do ano e da área geográfica onde são desenvolvidas as atividades.

A ergonomia pretende melhorar os sistemas de trabalho adequando as atividades desempenhadas às características, habilidades e limitações dos operadores de máquinas procurando com estas melhorias os desempenhos eficientes, confortáveis e com segurança (ROSSI, 2007).

Tais definições sobre a ergonomia no ambiente de trabalho possibilitam definir que, no caso específico do Equipamento de Proteção Individual (EPI) (conjunto ou macacão), utilizado pelo trabalhador agrícola para aplicação de agrotóxicos, o estudo ergonômico tem como objetivo prezar pela segurança por meio de formas e materiais que protejam o usuário da contaminação por produtos tóxicos. Estes ainda precisam ser objetos de fácil manuseio e propiciar o conforto para que a tarefa possa ser executada de forma mais amena. O conforto é ainda, uma característica que incentiva o uso do EPI e conduz o trabalhador a realização de suas tarefas com mais eficiência e segurança.

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2.2 O EPI (conjunto ou macacão) para a aplicação de agrotóxicos

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) (BRASIL, 2001, p. 50) define como Equipamento de Proteção Individual (EPI) “todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”.

No Brasil a Norma Regulamentadora (NR) 6 exige que o EPI de fabricação nacional ou importado só seja comercializado e utilizado após avaliação com ensaios de laboratório para a emissão do Certificado de Aprovação (CA), que deve ser expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do MTE. No entanto, Francischini (2009) e Veiga et al. (2007) relatam que, para o trabalho com agrotóxicos, ainda não existe no país um laboratório que realize os ensaios recomendados e seja credenciado no MTE.

Nestes casos o EPI é expedido apenas com um termo de responsabilidade técnica, sem a avaliação da eficiência na proteção das exposições aos agrotóxicos e também não há a realização de testes que comprovem a eficiência em relação ao conforto proporcionado pelo vestuário de proteção, bem como, não existem testes de campo com os produtos.

A NR 31, que trata da Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aqüicultura, não cita a palavra conforto, mas fala em desconforto quando menciona que cabe ao empregador rural ou equiparado fornecer equipamentos de proteção individual e vestimentas adequadas aos riscos, que não propiciem desconforto térmico prejudicial ao trabalhador (BRASIL, 2005).

O desconforto térmico e sensorial-tátil pode conduzir ao não uso do vestuário de proteção pelo trabalhador por impor a este exposição ao calor extremo, problemas como a alergia pelo contato com materiais grosseiros e com substâncias tóxicas que ficam depositadas no EPI, dores de cabeça, cãibras e outras doenças de origem térmica.

A exposição pode ser caracterizada como o contato do produto tóxico com qualquer parte do organismo humano e pode ocorrer pelas vias: ocular, respiratória, oral e dérmica. A NR 31 considera trabalhadores em exposição direta “os que manipulam os agrotóxicos, adjuvantes e produtos afins, em qualquer uma das etapas de armazenamento, transporte,

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preparo, aplicação, descarte, e descontaminação de equipamentos e vestimentas” este tipo de contaminação ocorre geralmente pelo não uso ou pelo uso incorreto de EPI (BRASIL, 2005, p. 107).

Para que exista a recomendação adequada do EPI é necessário que se determine a exposição do trabalhador. No caso da exposição direta ao agrotóxico, mais de 99% da exposição total ocorre na via dérmica e 1%, ou menos, ocorre nas vias respiratórias (FRANCISCHINI, 2009), este dado evidencia que no trabalho rural devem ser salientados os cuidados com a proteção dérmica e é imprescindível o uso do vestuário de proteção.

Na aplicação do agrotóxico os manuais de utilização dos produtos trazem a indicação do EPI que deve ser utilizado e a forma correta de vestir, desvestir e higienizar o produto visando a segurança do trabalhador e do ambiente.

A proteção na aplicação do agrotóxico conjuga uma série de EPIs (Figura 1) que são: a touca árabe, conjunto de calça e blusa ou macacão confeccionados em PVC, 100% CO com tratamento hidrorrepelente, 50% CO e 50% PES com tratamento hidrorrepelente ou em não- tecidos como Tyvek/Tychem® e Kleenguard®. Tanto o conjunto quanto o macacão devem ser acompanhados por um avental de napa ou plástico. Os demais EPIs utilizados são: luva (em nitrila ou neoprene), máscara protetora, bota (PVC) e viseira facial.

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Figura 1 - EPIs utilizados na aplicação de agrotóxicos. Fonte: Associação Nacional de (2003).

Os EPIs que devem ser utilizados podem variar conforme o nível de toxidade do agrotóxico e na embalagem do produto é indicado quais EPIs o trabalhador deve vestir durante a aplicação.

Hoje, são muitos os materiais têxteis empregados na confecção de EPIs, no entanto, os principais materiais empregados na confecção do EPI para a aplicação de agrotóxico, tanto no conjunto como no macacão são:

- PVC

O PVC (policloreto de vinila) já foi muito utilizado na confecção do EPI devido a sua impermeabilidade. Hoje é considerado impróprio para o uso na aplicação de agrotóxicos em lavouras por não fornecer conforto ao trabalhador. O material impede a troca térmica e provoca excesso de sudorese gerando no indivíduo desgaste físico, cansaço, fadiga,

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problemas com a temperatura corporal e problemas dérmicos. Atualmente o vestuário recebe o PVC nas partes mais expostas como as pernas.

- 100% CO com tratamento hidrorrepelente

Confeccionados em tecido de algodão tratado com banho hidrorrepelente, são apropriados para proteger o corpo dos respingos do produto formulado. Os tecidos de algodão com este tratamento ajudam a evitar a absorção do produto tóxico para o interior da roupa, protegendo o trabalhador sem impedir por completo a transpiração. A resistência do produto é de até trinta lavagens, se manuseados de forma correta. O ponto negativo é o fato da fibra de algodão ser muito suscetível ao ataque de fungos e microorganismos, deteriorando-se com facilidade.

- 50% CO e 50% PES com tratamento hidrorrepelente

Diferencia-se do 100% CO pela mistura da fibra natural com a fibra sintética poliéster (PES) que confere uma maior durabilidade ao tecido. Também recebe o banho hidrorrepelente que protege o trabalhador e permite certa passagem de transpiração.

- Não-Tecido

São vestimentas de segurança confeccionadas em não-tecido (tipo Tyvek/Tychem®

QC da Dupont e o Kleenguard® da Kimberly-Clark), compostos por fibras de polietileno de alta densidade. Existem vários tipos de não-tecidos e a diferença entre eles se dá pelo nível de proteção que oferecem. Além da hidrorrepelência oferece impermeabilidade e maior resistência mecânica a névoas e às partículas sólidas. Apresentam restrições como:

durabilidade limitada, não devem ser utilizadas quando danificadas, não devem ser passadas a ferro, não são a prova ou retardantes de chamas, podem criar eletricidade estática e não devem ser usadas próximo ao calor ou em ambiente potencialmente inflamável ou explosivo.

Em todos os tipos de vestuário de proteção os fabricantes indicam a utilização de roupas em algodão por baixo do macacão com o intuito de absorver o suor na pele, não permitir o contato direto do EPI com o corpo, evitar fricção com a pele e cobrir o corpo do trabalhador quando este retira o EPI.

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O “Manual de Uso Correto de Equipamentos de Proteção Individual” (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE, 2003) indica que o conjunto ou macacão devem ser vestidos sobre a roupa comum, fato que permitirá a retirada da vestimenta em locais abertos e salienta que os EPIs podem ser usados sobre uma bermuda e camiseta de algodão, para aumentar o conforto.

O trabalhador rural costuma usar por baixo do EPI roupas comuns utilizadas no cotidiano como calça jeans e camisa ou camiseta. Apesar de ser claro nos manuais que o EPI não deve ser misturado a roupas comuns e que deve ser lavado no próprio ambiente de trabalho, não são mencionados os cuidados que se deve ter com a roupa usada por baixo que também pode ser contaminada, pois fica em contato com o EPI, no ato de desvestir e por permeação das substâncias tóxicas no tecido.

Não existem estudos sobre as vestimentas utilizadas por baixo do EPI, o que gera questionamentos sobre a adequação da roupa para a atividade desempenhada, as possibilidades de contaminação desta vestimenta e sobre os materiais mais indicados para sua confecção considerando a termorregulação corporal, o conforto sensorial-tátil, facilidade de manuseio e higienização.

Além disso, o algodão pode não ser a fibra mais indicada para esta finalidade, apesar de ser considerada uma fibra confortável no toque e no conforto térmico para o uso cotidiano, já existem no mercado fibras de alto desempenho que superam o algodão quando utilizadas em situações de calor, transpiração e atividades físicas intensas.

2.3 Problemas ergonômicos na utilização do vestuário de proteção

Inúmeros problemas podem ocasionar a inadequação dos EPIs a certas condições de trabalho, pois características como uma maior resistência de um tecido à permeabilidade, ao choque elétrico ou ao calor podem estar associadas ao aumento de peso, menor conforto térmico, menor conforto sensorial-tátil e menos portabilidade dos EPIs. Outro aspecto importante é a dificuldade de adequação dos EPIs às características ambientais de cada localidade (VEIGA et al., 2007), pois o usuário que trabalha em ambiente quente e úmido está mais sujeito a insalubridade do que aquele que trabalha em condições mais amenas.

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A questão da inadequação dos EPIs é um assunto que ganhou destaque após os ataques em Nova Iorque, em 2001, onde verificou-se problemas quanto ao peso e mobilidade das vestimentas e novamente durante o socorro às vitimas do furacão Katrina, no verão de 2005 em Nova Orleans, no que diz respeito a exposição ao calor prolongado, causando estresse térmico aos trabalhadores que prestavam socorro as vítimas (VEIGA et al., 2007). Desta forma, levantou-se a hipótese de que os EPIs projetados para oferecer segurança aos trabalhadores não estavam cumprindo o seu papel de forma eficiente.

Muitos EPIs confeccionados no Brasil são elaborados com base em EPIs importados ou com materiais que são empregados e desenvolvidos por outros países. Esta característica salienta um aspecto negativo da globalização e transferência de tecnologia que precisa ser repensado, pois como menciona Rossi (2007), o processo de globalização não deve conduzir a uma homogeneização, eliminando traços locais. A realidade de países desenvolvidos industrialmente que exportam dispositivos técnicos, projetados e construídos em outras realidades diferem não somente pelo seu nível de vida, mas também, por sua geografia, sua história e sua cultura (SANTOS et al., 1997 apud ROSSI, 2007).

O problema de inadequação às condições ergonômicas e ambientais é uma das principais razões para o não uso dos EPIs na aplicação de agrotóxicos devido ao desconforto térmico que estes apresentam. Em estudo realizado em Pati dos Alferes (Rio de Janeiro) os trabalhadores alegaram que os EPIs eram quentes, pesados e desconfortáveis e em 68% dos 52 estabelecimentos rurais não se usava equipamentos (COUTINHO et al., 1994). Em Teresópolis (Rio de Janeiro) constatou-se que 71,8% dos 78 entrevistados não utilizavam equipamentos de proteção recomendados e 10,3% alegaram que o motivo é o desconforto dos equipamentos (COUTINHO et al., 1995).

Uma pesquisa sobre a contaminação por agrotóxicos em Sertanópolis (Paraná), em 2005, verificou que 43% dos 14 trabalhadores entrevistados não utilizavam nenhum tipo de equipamento de proteção e 28% utilizavam equipamentos incompletos. Foi relatado pelos trabalhadores que durante o verão, quando as temperaturas na região são elevadas e o sol muito quente, as aplicações são feitas por pessoas que vestem camisa de mangas curtas, sem luvas ou mesmo máscaras para respiração (FERREIRA; CARVALHO, 2005).

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Em pesquisa realizada com 60 produtores rurais, em 2009 no município de Araras (São Paulo), identificou-se que 22,2% não utilizavam nenhum tipo de EPI e 14,8% utilizavam apenas máscara e luvas. A pesquisa também revelou que os principais motivos apresentados pelos entrevistados para a não utilização do equipamento de proteção individual são: o fato de o EPI padrão ser muito quente e incômodo e ainda dificultar a respiração e a mobilidade (MONQUERO; INÁCIO; SILVA, 2009).

Os estudos citados evidenciam as principais demandas ergonômicas do EPI, e com base nos adjetivos citados pelos trabalhados: quentes, pesados e desconfortáveis, pode-se considerar que o conforto térmico e sensorial-tátil são os mais comprometidos.

O ser humano faz uso dos objetos em busca de funções e o design ergonômico tem a função de melhorar a interface entre o ser humano e os produtos. O design ergonômico consiste na aplicação do conhecimento ergonômico no projeto de interfaces tecnológicas, com o objetivo de alcançar produtos e sistemas seguros, confortáveis, eficientes, efetivos e aceitáveis (PASCHOARELLI, 2003).

Os estudos mencionados chamam a atenção para a necessidade de intervenção ergonômica nestes equipamentos, pois verifica-se que o maior problema é a inadequação do objeto à tarefa que deve ser realizada e ao ambiente em que estão inseridos.

2.4 O conforto do vestuário de proteção no ambiente agrícola

No ambiente agrícola, os trabalhos devem estar de acordo com o ambiente em que se executam tarefas e o estudo apropriado das operações agrícolas deve apreciar a capacidade de trabalho e eficiência no campo, visando racionalizar o sofrimento do trabalhador rural (SILVEIRA, 2006).

Como se trata de um ambiente onde não é possível controlar as variáveis ambientais como a velocidade do ar, a umidade e a temperatura e as tarefas são diversificadas, exigindo esforço moderado a intenso, o vestuário atua como principal protetor físico do trabalhador e aquele que está em contato direto com seu corpo. O vestuário é ainda seu primeiro meio ambiente ou habitat.

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Para o aplicador de agrotóxicos o EPI é uma ferramenta indispensável na realização das tarefas. É uma vestimenta e, tal como as utilizadas no dia-a-dia, deve apresentar características básicas de conforto ou ausência de desconforto quanto à forma, modelagem, materiais, texturas, dispositivos de fechamento e abertura e outros, e no caso do EPI, com maior importância devido às situações adversas em que são utilizados.

Com o foco dirigido para a indústria de vestuário, Slater (1985, p. 4) define conforto como “um estado prazeroso de harmonia fisiológica, física e psicológica entre o ser humano e o ambiente” ou ainda como a ausência de dor e desconforto quando em estado neutro. Desta forma, o conforto pode ser dividido em quatro aspectos fundamentais (SLATER, 1997 apud BROEGA e SILVA, 2010), que são:

- Conforto Termo Fisiológico: que diz respeito a um estado térmico e de umidade da superfície da pele agradável, que envolve a transferência de calor e de vapor de água através dos materiais têxteis ou do vestuário;

- Conforto Sensorial Tátil: que é o conjunto de várias sensações neurais quando um têxtil entra em contato direto com a pele;

- Conforto Ergonômico: capacidade que uma peça de vestuário tem de vestir bem e de permitir a liberdade dos movimentos do corpo e

- Conforto Psicológico-Estético: que trata da percepção subjetiva da avaliação estética, com base na visão, toque, audição e olfato, que contribuem para o bem-estar total do portador.

Neste mesmo sentido Goldman (2005) indica quatro funções primárias associadas ao conforto ou desconforto que o vestuário pode proporcionar, tais funções são conhecidas como os quatro ‘Fs’:

- Estilo (Fashion): diz respeito a adequação do vestuário às tendências de moda;

- Toque (Feel): que consiste na sensação tátil proporcionada pelo vestuário;

- Caimento (Fit): que se relaciona à adequada distribuição de pressão do vestuário sobre a pele, impedindo a restrição de movimentos e pressão excessiva e

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- Função (Function): que incide no equilíbrio apropriado entre a proteção térmica e a mecânica da roupa influenciando sobre os mecanismos de termorregulação do usuário.

Destas, para o vestuário de proteção, devem ser privilegiadas as três últimas propriedades, tendo em vista a finalidade do vestuário em questão, que é a proteção e segurança do indivíduo. No entanto, é preciso considerar que a satisfação e bem-estar pessoal com os elementos estéticos que compõe o vestuário podem intervir em relação ao conforto físico percebido.

De acordo com Paschoarelli (2003), os principais critérios utilizados na avaliação de um produto são o desconforto (critério negativo) e o conforto (critério positivo). Para Iida (2005), o conforto não apresenta uma definição precisa, e depende da área de estudo em que é aplicado. Do ponto de vista operacional, a primeira definição de conforto foi proposta em um estudo de Hertzberg, que afirmou ser o conforto a “ausência de desconforto” (apud VALENTE; PASCHOARELLI, 2009). O conforto também pode ser denominado como um estado mental que ocorre na ausência de desconforto, e conforme afirma Noyes (2001) o único modo de avaliá-lo é por meio da declaração do indivíduo sobre o nível de conforto que sente.

Van der Linden e Guimarães (2004), após pesquisa sobre expressões, definições e conceitos, sugeriram conforto como “uma sensação prazerosa de bem-estar físico e psicológico. O conforto é, também, uma condição de bem-estar com ausência de dor, desconforto e estresse, definida a partir de uma sensação de desconforto”.

Tais definições indicam que avaliar o conforto por meio de descrições positivas é uma tarefa complexa, principalmente quando o ambiente em que um produto é utilizado apresenta adversidades e tarefas árduas, como no ambiente agrícola. Porém, o desconforto pode ser naturalmente descrito em termos como: aperta, pinica, prurido, frio, quente, áspero, úmido, colante. Desta forma, a compreensão do conforto como um estado neutro de liberdade da dor e do desconforto é amplamente aceita.

O conforto térmico, que diz respeito à sensação de bem-estar ou de neutralidade do indivíduo frente às condições de temperatura é parte fundamental no conceito de conforto ambiental.

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No caso do vestuário de proteção, aqui estudado, é o fator de maior reclamação por parte dos usuários. De acordo com a literatura pode-se assumir que o homem tem melhores condições de vida e saúde quando trabalha sem ser submetido à fadiga e ao estresse térmico (ALMEIDA; VEIGA, 2010).

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O CONFORTO SENSORIAL-TÁTIL E O CONFORTO TÉRMICO

3.1 O Conforto Sensorial-Tátil

O conforto sensorial-tátil é medido conforme a sensação que um objeto provoca quando interage com a pele. Nos tecidos, pode ter relação com o toque das fibras e estruturas têxteis (áspero, liso, frio, quente, seco, úmido, rugoso, irritante), áreas de pressão mecânica e deformação e tensões sentidas na realização de movimentos.

Em aplicações têxteis, a característica tátil dos tecidos, que normalmente é sentida com a mão humana, passou a ser chamado de “toque”. Este termo geralmente se refere à gama de experiências sensoriais e perceptivas que são encontradas quando os tecidos ou peças de vestuário são sentidos, manuseados ou manipulados. Assim, a suavidade, rigidez e aspereza de um tecido ou vestuário são consideradas as propriedades de “toque” (CARDELLO, 2008).

A sensação de conforto na pele está associada ao microclima, que se forma entre a pele e o tecido, a pressão do vestuário no corpo e o toque do tecido na pele. Nestas situações, tecidos que apresentam boa capacidade de absorção e secagem, microfibras que melhoram o toque, compressão e modelagem adequada conferem a sensação de conforto sensorial-tátil. O conforto na pele está associado à composição e espessura das fibras que formam o tecido.

O conforto sensorial é essencialmente o resultado das tensões geradas sobre o tecido e da forma como estas são transmitidas à pele, em condições normais de uso. O vestuário está sujeito a muitas deformações (tração, flexão, compressão, corte, etc.). Broega e Silva (2010) afirmam que forças provocadas na superfície têxtil em função da mobilidade do corpo, estão relacionadas às propriedades mecânicas dos tecidos.

Com relação à sensação de térmica de quente e frio do produto vestível, também relaciona-se à superfície de contato quanto à área e a rigidez do material. Já a estrutura do tecido é responsável pela sensação úmido e colante proporcionado pelo vestuário na presença de suor (BROEGA e SILVA, 2010), este efeito é minimizado quando se

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utiliza fios texturizados com superfícies irregulares que minimizam o efeito pegajoso no corpo, pois apresentam poucos pontos de contato com a pele e propiciam a circulação do ar.

Os elementos sensoriais dos tecidos e do vestuário são percebidos a partir da estimulação dos receptores sensoriais humanos. As sensações provocadas pelo vestuário são relacionadas ao toque, por exemplo, a percepção de aspereza de um material têxtil; a cinestesia, por exemplo, a percepção das posições do corpo em relação à roupa, visão, por exemplo, a cor e a aparência da roupa; audição, por exemplo, os ruídos provocados e o olfato, por exemplo, o cheiro de roupas usadas por períodos prolongados sem lavagem.

Todas as experiências sensoriais, independentemente do sistema sensorial por meio do qual elas surgem, consistem em duas dimensões psicológicas distintas: qualidade e magnitude. Qualidade refere-se à natureza qualitativa da sensação, isto é, uma roupa macia ou uma dura, quente ou fresca, uma cor bege ou uma azul. Assim, a roupa é muito dura ou apenas ligeiramente assim, o tecido é moderadamente áspero ou extremamente áspero (CARDELLO, 2008). A amplitude da magnitude vai determinar o nível e o tempo em que o usuário sentirá o desconforto sensorial.

Apesar da gama aparentemente grande de experiências humanas em relação ao sentido tátil, as qualidades de percepção da pele são limitadas. Incluem uma leve pressão (toque), pressão profunda, vibração, dor, frio e calor.

Para cada uma destas "qualidades" há um conjunto de receptores sensoriais na pele que mediam essa sensação. No entanto, quando os tecidos ou peças de vestuário são sentidos na mão, ou entram em contato com a pele e o corpo, há uma interação complexa de sensações somestésicas, que é capacidade que homens e animais tem de receber informações sobre as diferentes partes do seu corpo, com sensações cinestésicas que são produzidos pelos receptores nas articulações dos dedos, pulsos, braços, pernas, tornozelos, dedos dos pés e em outros lugares que respondem ao corpo, movimento e posição dos membros (CARDELLO, 2008).

A combinação dessas sensações táteis e cinestésicas é o que produz o complexo conjunto de percepções que experimentamos ao segurar objetos ou tecidos em nossa mão, ou quando usamos roupas e acessórios.

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Em Cardello (2008, p. 77) encontram-se 17 (dezessete) atributos táteis e sensoriais e suas descrições (Tabela 1). Entre os quais estão:

Tabela 01: Atributos táteis e sensoriais

Atributos táteis e sensoriais Descrição

Granulação a quantidade granulado ou partículas pequenas e redondas na superfície da amostra

Aspereza a quantidade de pequenas partículas abrasivas na superfície da amostra

Pilosidade a quantidade de pêlos e fiapos de fibras na superfície da amostra

Espessura distância percebida entre o polegar e o dedo indicador (quando a amostra é colocada entre os dois)

Alongamento à tração o grau em que a amostra se estende desde sua forma original

Fricção/Atrito manual a força necessária para mover a palma da mão em toda a superfície da amostra

Atrito tecido-tecido a força necessária para mover o tecido sobre si mesmo Elasticidade a taxa em que a amostra retorna à sua posição original

depois de liberada a força aplicada

Força para comprimir a quantidade de força necessária para comprimir a amostra recolhida na palma da mão

Rigidez o grau em que a amostra parece rígida e não flexível

Volume a quantidade de material sentida na mão

Taxa de resistencia à compressão

a taxa na qual a amostra retorna à sua forma original ou a taxa em que a amostra se abre após a compressão

Fonte: CARDELLO (2008, p. 77) (adaptada)

A forma como estes atributos estão dispostos nos tecidos, nas superficies, fibras e filamentos irá determinar a percepção de conforto ou desconforto sensorial-tátil quando o corpo interage com o produto de vestuário. A exposição prolongada à aspereza, rigidez,

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compressão e fricção provocadas pelo vestuário agrava o irritamento causando a perda de concentração e da sensação de bem-estar.

3.2 O Conforto Térmico

A ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engeneers) 55 (1992), define que, “conforto térmico é a condição da mente que expressa satisfação com o ambiente térmico”.

A sensação de conforto térmico pode variar entre os indivíduos, pois um ambiente avaliado como termicamente agradável a uma pessoa pode ser considerado desconfortável para outra, desta forma, as condições ambientais devem ser definidas para satisfazer o maior número de pessoas possíveis.

Experimentos realizados com grupos de pessoas expostas a condições de sobrecarga térmica indicaram alguns fatores que atuam no conforto térmico como: sexo, tamanho corporal, idade, etnia, a roupa utilizada e a aclimatação local (YANO, 1998).

Desta forma, alguns dos maiores problemas do design e da engenharia têxtil para o conforto térmico consistem em:

[...] conhecer os elementos que determinam os comportamentos físico, fisiológico e psicológico do conforto térmico, conhecer o modo como estes elementos se relacionam entre si, de forma estática e dinâmica; e aprender como otimizar as propriedades de conforto térmico das roupas, a partir destes conhecimentos (KULPA; BALLARINI; MORAES, 2010, p. 2).

Portanto, é essencial conhecer o funcionamento do corpo humano e suas reações frente ao calor, compreendendo como ocorrem o mecanismo de balanço térmico e termorregulação e os elementos e variáveis que o influenciam. Ao incluir na problemática do conforto térmico a questão do vestuário de proteção depara-se com a necessidade de proporcionar o conforto sem abrir mão da função primária deste tipo de vestuário, que é blindar o usuário contra os agentes químicos aos quais encontra-se exposto, preservando sua integridade física.

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3.2.1 Fisiologia térmica do corpo humano e suas reações ao calor

A fisiologia térmica do corpo humano funciona como um sistema termodinâmico que se termorregula mantendo a temperatura interna corporal próxima dos 37ºC. Temperaturas corporais fora da faixa ótima (36,5º - 37,5ºC) podem afetar a condição física e mental, e levar a comprometimentos fisiológicos e patológicos. A sensação de desconforto térmico estaria associada a uma dificuldade maior do corpo humano perder ou reter calor para manter o equilíbrio térmico (ALMEIDA; VEIGA, 2010). O balanço térmico ocorre devido a relação entre o calor produzido pelo corpo e o calor cedido ao ambiente pela pele e respiração.

No Brasil, nas regiões mais quentes, as condições ambientais são úmidas e com temperaturas que ultrapassam 40ºC. A realização de atividades em localidades de clima quente e úmido é mais difícil do que as mesmas atividades realizadas sob condições amenas.

Assim, é possível considerar que o trabalho rural em países de clima quente e úmido seria bastante insalubre, podendo trazer conseqüências negativas à saúde do trabalhador (ALMEIDA; VEIGA, 2010).

A simples utilização de EPIs por trabalhadores rurais já influencia a forma como se dá a termorregulação corporal, pois o equilíbrio térmico é alterado pela dificuldade da perda de calor. A conseqüência é que existe uma retenção de calor toda vez que o corpo humano não consegue perder calor na quantidade necessária, devido ao isolamento térmico provocado pela utilização de EPIs, resultando num conseqüente aumento na temperatura corporal.

A elevação na temperatura corporal exerce influências no funcionamento do corpo humano causando, em condição mais amena, a diminuição do desempenho físico, episódios de cansaço e sonolência que conduzem à perda de concentração e aumento de erros KROEMER; GRANDJEAN, 2005). Estas reações podem provocar acidentes de trabalho e também lesões térmicas, visto que, o organismo humano não suporta variações acima de 4°C em sua temperatura interna sem que ocorram quedas na capacidade física e mental.

Laville (1977) também escreve que durante o trabalho físico no calor, constata-se que a capacidade muscular se reduz, o rendimento decai e a atividade mental se altera,

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apresentando perturbação da coordenação sensório-motora. A freqüência de erros e acidentes tende a aumentar, pois o nível de vigilância diminui, principalmente a partir de 30°

C. Quando o indivíduo está trabalhando em locais com temperaturas elevadas pode ser acometido por problemas como: insolação, prostração térmica, cãibras, catarata, conjuntivites e dermatites.

Assim, indivíduos que realizam suas tarefas em ambientes com a temperatura elevada podem adquirir as chamadas doenças térmicas, em situações brandas podem ocorrer situações de síncopes, cãibras e edema pelo calor, ao passo que, em casos mais graves ocorre a hipertermia, quando a produção de calor supera a capacidade do corpo de dissipar o calor.

Iida (2005) recomenda que em ambientes com a temperatura elevada, o tempo de exposição do trabalhador deve ser diminuído, de forma que o organismo possa eliminar a sobrecarga térmica e recompor seu equilíbrio. Para o autor a zona de conforto térmico é delimitada entre temperaturas efetivas de 20°C a 24°C e umidade relativa entre 40% e 60%

(IIDA, 2005).

Ainda a respeito das reações do corpo frente às variações de temperatura há o estado de estresse térmico, que conduz a sintomas como a debilitação geral de saúde, alterações de reações psicosensoriais e queda de capacidade de produção. A situação de estresse térmico pode ser definida como “o estado psicofisiológico a que está submetida uma pessoa, quando exposta a situações ambientais extremas de frio ou calor” (LAMBERTS;

XAVIER, 2002, p. 69). Assim, é imprescindível compreender as condições ambientes, a tarefa realizada e o tempo de exposição, para realizar alterações que evitem o estresse térmico.

Todas as atividades e reações fisiológicas do corpo humano frente ao calor têm como objetivo conduzir o corpo ao equilíbrio térmico, por meio dos mecanismos de termorregulação que é ordenada pelo hipotálamo, parte do cérebro que coordena as funções automáticas como o balanço de água, atividades vaso motoras e humorais.

Ruas (2001), explica que o hipotálamo recebe os impulsos que são oriundos das células termossensíveis da pele, dos músculos e em outras partes do organismo e por meio dos nervos envia comandos que ativam mecanismos de compensação como a

Referências

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