CONSELHO ECONÓMICO E SOCIAL
COMISSÃO PERMANENTE DE CONCERTAÇÃO SOCIAL
C O N C E R T A Ç Ã O S O C I A L
M o d e r n i z a ç ã o d a P r o t e c ç ã o S o c i a l
Lisboa, 20 de Novembro de 2001
Índice
Acordo sobre a modernização da protecção social...5 Acordo sobre a introdução de limites opcionais às contribuições
para o sistema de repartição...26
ACORDO SOBRE A MODERNIZAÇÃO DA PROTECÇÃO SOCIAL
Melhorar a protecção social e defender a sustentabilidade do sistema
Sumário
Preâmbulo 5
I – Modernização do Sistema de Segurança Social na Perspectiva
da sua Sustentabilidade e Eficácia Social 8
1. Financiamento do Sistema de Solidariedade e Segurança Social 8 1.1. Diversificação das fontes de financiamento do sistema 8
1.2. Racionalização do “sistema de taxas” 9
1.3. Alteração do valor fixado para as taxas contributivas 10 2. Complementaridade entre capitalização e repartição 11
2.1. Desenvolvimento dos instrumentos de capitalização financeira da
Segurança Social 11
2.2. Regime Complementar no sistema público de segurança social 11 3. Desenvolvimento dos regimes complementares e substitutivos 12 4. Melhoria da eficácia da gestão e qualidade do desempenho do
sistema de solidariedade e segurança social 13 5. Combate à fraude e evasão contributivas e prestacionais 14
6. Sistema de informação 15
II – Participação dos Parceiros Sociais 16
III – Reformulação da fórmula de cálculo de pensões do subsistema previdencial 19
Enquadramento 19
Medidas 20
1. Prazo de garantia e densidade contributiva 20
2. Revalorização de remunerações 20
3. Remuneração de referência 20
4. Taxa de formação da pensão 21
4.1. Beneficiários com 20 ou menos anos de contribuição 21 4.2. Beneficiários com mais de 20 anos de contribuição 22
5. Determinação do montante de pensão 22
6. Período de transição 23
a) Tripla garantia na fórmula de cálculo das pensões 23
PREÂMBULO
As sociedades europeias enfrentam, na actualidade, um importante desafio comum que consiste na defesa de um modelo de protecção social que, desde os finais da II Guerra Mundial, deu seguras provas de representar um elemento fundamental de estabilidade e coesão social e uma componente relevante do moderno contrato social.
Todavia, este modelo está hoje sujeito a um processo de reavaliação crítica, no que se refere aos sistemas públicos de segurança social, em consequência de um vasto conjunto de factores desfavoráveis que se tornaram particularmente sensíveis depois dos meados dos anos setenta e que se configuram como desafios comuns àquelas sociedades.
De entre esses desafios, que afectam tanto os sistemas públicos como os complementares, destaca-se a tendência para a acentuação do envelhecimento demográfico, os efeitos do fenómeno do desemprego e as alterações no mercado de emprego, a transformação de estruturas e formas de família, a emergência de novas eventualidades, bem como a necessidade de adaptar os modelos tradicionais de financiamento da protecção social às novas realidades económicas, sociais e demográficas.
O sistema público de segurança social acumulou, ao longo do tempo, problemas associados a insuficiências quanto aos níveis de protecção social, a défices de equidade quanto ao modo de realização dessa protecção, a défices de eficácia na organização e gestão desse sistema, assim como à necessidade de prevenir as tensões determinantes de riscos de dificuldade financeira a médio e longo prazos, devendo constituir objectivo de melhoria de protecção a actualização anual de pensões, de modo a que o valor médio, sendo acima da taxa de inflação prevista, e tendo em conta a necessidade de equilíbrio financeiro do sistema e a evolução da economia, melhore o poder aquisitivo das pensões, o que se traduzirá em aumentos superiores, para os beneficiários de menores rendimentos, e aumentos no mínimo iguais à inflação e, quando possível, superiores para a maioria esmagadora dos restantes.
Na concretização das linhas de reforma do sistema, tal como elas se reflectem na nova Lei de Bases do Sistema de Solidariedade e Segurança Social, a participação dos Parceiros Sociais é um factor determinante.
Convicto que ao nível da concertação social é possível incrementar os níveis de consenso em torno de opções fundamentais para a sustentabilidade do sistema de solidariedade e segurança social e a melhoria da protecção social, e tendo em conta os debates efectuados sobre a matéria e as propostas formuladas pelos Parceiros Sociais, este
Acordo reflecte a convergência entre o Governo e os Parceiros Sociais no sentido da melhoria dos níveis de protecção social e da concretização da regulamentação da LBSSSS, que constituem eixos fundamentais da reforma da segurança social.
Na sua negociação e, sobretudo, nos respectivos resultados foram sempre assumidos como princípios orientadores e balizas invioláveis o reforço da protecção social e o respeito integral dos direitos dos actuais trabalhadores, bem como a garantia de um futuro sólido do sistema público de segurança social pela criação de condições para uma acrescida sustentabilidade, acautelando-se, assim, também os direitos dos futuros trabalhadores.
! Respeito pelos direitos adquiridos e em formação
# porque se garante a aplicação da fórmula de cálculo actualmente em vigor a todos os trabalhadores que tenham descontos registados ao abrigo dessa fórmula, pelo menos pelo período correspondente a esses descontos, seja qual for o momento em que se venham a reformar, e porque se garante ainda um mecanismo de cálculo proporcional aos períodos da carreira cumpridos na vigência da actual e da nova fórmula, como mecanismo de salvaguarda dos direitos formados pelos beneficiários.
! Reforço da protecção social
# Por se estabelecer uma nova fórmula de cálculo que torna as carreiras mais verdadeiras, as pensões mais justas e induz comportamentos de cumprimento por prevenir manipulações bem sucedidas.
# Por essa nova fórmula de cálculo conter mecanismos de diferenciação positiva que beneficiam os trabalhadores na relação inversa da progressão salarial, bem como os que têm carreiras mais longas.
# Por se consagrar uma revalorização extraordinária dos salários a considerar para efeito de cálculo de pensões, que permite aos trabalhadores beneficiarem de uma participação acrescida na melhoria dos níveis de vida que se registarem na sociedade portuguesa.
# Por se permitir, desde já, a todos os trabalhadores que se reformem beneficiarem dos efeitos positivos da nova fórmula de cálculo, ao mesmo tempo que, nos restantes casos, se salvaguarda a faculdade de acesso à pensão pelas regras actuais, plena ou proporcionalmente, consoante a fase de transição em que essa reforma
# Por se criarem as condições para a constituição de um 2º pilar de protecção complementar, que pela primeira vez será regulamentada, quer através da definição de um estatuto dos regimes complementares, quer pela previsão de incentivos especiais aos regimes complementares profissionais resultantes do diálogo social.
# Por se clarificar que ao aumento da eficiência contributiva traduzida num acréscimo de receitas, seja ela resultante de comportamentos voluntários induzidos pela nova fórmula de cálculo ou de medidas também previstas de reforço do combate à fraude e evasão, corresponderá um equivalente aumento de protecção, numa relação directa entre volume de contribuições e montante de prestações.
! Garantia de um futuro sólido pela melhoria da sustentabilidade.
# Com a adopção da nova fórmula de cálculo que, induzindo carreiras mais verdadeiras desde mais cedo, determina aumento de receitas e, evitando manipulações, reduz despesas injustificadas.
# Com a reiteração do compromisso, já cumprido este ano, de destinar a capitalização pública, em apoio do regime de repartição, no mínimo 2% dos 11%
da contribuição devida pelos trabalhadores até se garantir um montante correspondente a no mínimo dois anos de pensões e com a indicação de que, atingido esse montante, se deverá equacionar, no quadro da Lei de Bases, o destino dessa parcela das contribuições.
# Com uma clara definição das diferentes formas de solidariedade e a consequente partilha de responsabilidades.
# Com a possibilidade de diversificação das fontes de financiamento, seja pela afectação de fontes alternativas, seja pelo alargamento da base contributiva, que se reflectirão em simultâneo no desagravamento dos custos não salariais da mão-de- obra, mantendo o equilíbrio financeiro do sistema de segurança social.
I – MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA SOCIAL NA PERSPECTIVA DA SUA SUSTENTABILIDADE E EFICÁCIA SOCIAL
1. Financiamento do Sistema de Solidariedade e Segurança Social
O Governo e os Parceiros Sociais consideram que a melhoria permanente das modalidades de financiamento da segurança social constitui um factor determinante para a sua sustentabilidade. Neste sentido, elegem as seguintes áreas que, com maior ou menor impacto, se devem cruzar para a construção de um novo modelo de financiamento:
1.1. Diversificação das fontes de financiamento do sistema
O Governo e os Parceiros Sociais entendem que o alargamento do leque de fontes de financiamento da segurança social deverá ter por base os seguintes pressupostos:
• conveniência em evitar o excesso de penalização do factor trabalho no quadro do esforço financeiro reclamado pelos sistemas de solidariedade e de segurança social, por forma ao sistema favorecer o emprego
;
• necessidade de, no desenvolvimento das iniciativas políticas a prosseguir, ter em conta uma quádrupla perspectiva: uma criteriosa captação selectiva de recursos; uma repartição equitativa das cargas de esforço contributivo; a procura de um equilíbrio entre as modalidades de financiamento e os objectivos da política económica; a ampliação das bases de obtenção de recursos financeiros.
Desta forma, reconhecem que a suficiência de recursos, a equidade da repartição das cargas contributivas e a máxima neutralidade dos efeitos sobre o funcionamento da economia, representam três qualidades capitais de todo o processo conducente à diversificação das fontes de financiamento dos sistemas públicos de segurança social.
Neste quadro, identificam duas grandes ordens de orientações-tipo de reforma financeira e consequente diversificação de fontes de financiamento, concomitantes à redução dos custos não salariais da mão-de-obra:
• reformulação do modelo tradicional de financiamento da segurança social;
• mudança do modelo tradicional em duas perspectivas, isoladas ou combinadas:
– extensão, para as entidades empregadoras, da base de incidência contributiva a fontes distintas das remunerações, no contexto da defesa e promoção do emprego;
– recurso à via fiscal.
Tais orientações implicam que se tenha em conta vários aspectos fundamentais, designadamente:
– a indispensabilidade de caracterização geral de cada uma das soluções de financiamento mencionadas;
– a identificação, para cada uma delas, das vantagens e inconvenientes, uma vez que nenhuma comporta apenas vantagens;
– o entendimento de que a mudança do modelo tradicional de financiamento não significa o abandono das contribuições sobre salários, mas sim o alargamento da base de incidência contributiva a elementos distintos daqueles e o recurso à via fiscal, aliviando o factor trabalho;
– o reconhecimento de que as opções estratégicas a tomar neste domínio implicam o apoio em estudos tão seguros quanto é indispensável às opções a fazer e/ou à sua combinação.
Neste quadro, os Parceiros Sociais manifestam a sua disponibilidade para colaborar na elaboração desses estudos de forma calendarizada e visando objectivos previamente definidos, comprometendo-se o Governo a patrocinar esses estudos, no decurso do próximo ano, com intervenção de peritos nacionais e estrangeiros.
O Governo e os Parceiros Sociais comprometem-se a adoptar medidas para vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2003, com base nesses estudos, e que os aumentos de eficiência que delas derivem, quer no que se refere à afectação de fontes alternativas, quer ao alargamento da base contributiva, se reflectirão em simultâneo na redução dos custos não salariais da mão-de-obra, mantendo o equilíbrio financeiro do sistema de segurança social.
1.2. Racionalização do “sistema de taxas”
Considerando a multiplicidade de taxas previstas no Decreto-Lei n.º 199/99, de 8 de Junho, aplicáveis, com diversa fundamentação, a diferentes situações específicas de trabalho subordinado, o que dificulta o cumprimento das obrigações contributivas e implica uma menor transparência na forma do seu financiamento, o Governo compromete-se a
desenvolver um esforço de racionalização do “sistema de taxas” assente nos seguintes princípios:
• coerência interna;
• verificação do preenchimento das condições que motivaram a modelação da taxa e avaliação regular e periódica quanto à sua subsistência;
• definição das taxas fixadas em valores mais favoráveis por efeito da redução das eventualidades protegidas em consonância com a desagregação da taxa global levada a efeito pelo Decreto-Lei n.º 200/99, de 8/6.
O Governo e os Parceiros Sociais acordam que a racionalização deverá ser operada após parecer favorável da Comissão Executiva do Conselho Nacional da Solidariedade e Segurança Social, comprometendo-se o Governo a apresentar ao Conselho um estudo sobre esta matéria no prazo de 180 dias.
1.3. Alteração do valor fixado para as taxas contributivas
O Governo e os Parceiros Sociais consideram que a alteração da incidência contributiva por via da variação do seu montante nominal tem de ser enquadrada por três ordens de factores:
– o seu impacto financeiro;
– a possibilidade de absorção ou compensação desse impacto;
– os objectivos pretendidos.
A este propósito a Lei de Bases dispõe que “as taxas contributivas são fixadas, actuarialmente, em função do custo da protecção das eventualidades previstas, sem prejuízo de adequações em razão da natureza das entidades contribuintes, das actividades económicas em causa, das situações específicas dos beneficiários ou de políticas conjunturais de emprego.”
Neste quadro, em consonância com a recente evolução legislativa, e no pontual e cumulativo respeito dos critérios estabelecidos na Lei de Bases, o Governo e os Parceiros Sociais acordam que qualquer eventual alteração futura das taxas contributivas será realizada em função da definição prévia de alternativas de financiamento compatíveis
com o equilíbrio financeiro da Segurança Social, e após parecer favorável da Comissão Executiva do Conselho Nacional da Solidariedade e Segurança Social.
2. Complementaridade entre capitalização e repartição
2.1. Desenvolvimento dos instrumentos de capitalização financeira da Segurança Social
Considerando que a nova Lei de Bases da Segurança Social prevê (art. 83º) a capitalização dos saldos do sub-sistema previdencial e da alienação de património e ganhos de aplicações financeiras, bem como a capitalização de um montante anual calculado como parcela das cotizações dos trabalhadores.
O Governo compromete-se a definir, em estreita articulação com os Parceiros Sociais, a dimensão e papel destes instrumentos, nomeadamente no âmbito da legislação complementar da Lei de Bases, valorizando particularmente os critérios para a determinação do valor capitalizável.
O Governo compromete-se desde já a aplicar em cada ano no FEFSS, em regime de capitalização, uma parcela de no mínimo 2% dos 11% correspondentes às cotizações da responsabilidade dos trabalhadores.
O Governo e os Parceiros Sociais acordam que esta aplicação se destina a garantir um montante equivalente a um mínimo de dois anos de pensões em regime de repartição e que, uma vez atingido esse montante, deverá ser equacionado em sede de concertação social, no prazo máximo de um ano após se atingir este objectivo, após parecer favorável da Comissão Executiva do Conselho Nacional de Solidariedade e Segurança Social, a utilização a dar a parcela semelhante das cotizações nos anos subsequentes, no quadro da Lei de Bases.
2.2. Regime Complementar no sistema público de segurança social
O facto de a nova Lei de Bases admitir o desenvolvimento de um regime complementar no âmbito do sistema público de segurança social, estatuindo que o mesmo deverá ser de prestações definidas, de subscrição voluntária e gerido em capitalização, obriga a um debate aprofundado sobre o esquema ou esquemas de prestações a incluir nesse regime e sobre as fontes de financiamento que lhe devem servir de sustentáculo, bem como a um estudo técnico rigoroso que possibilite a fixação actuarial das taxas a consagrar para garantia dos valores das prestações, previamente definidos.
A invariabilidade das prestações garantidas acarretará a necessidade de admitir a variabilidade das taxas contributivas, devendo ser estabelecidos os parâmetros dessa eventual variação.
Neste quadro, o Governo compromete-se a apresentar ao CNSSS um quadro geral de referência (objectivos, modalidades de desenvolvimento e calendarização) para o desenvolvimento desta modalidade de protecção social, até 2003.
3. Desenvolvimento dos regimes complementares e substitutivos
O Governo e os Parceiros Sociais consideram ser necessário proceder a uma ponderação sobre o papel dos regimes complementares e, em especial, daqueles que revestem natureza profissional, atendendo à necessidade de promover uma melhor adequação das respostas a necessidades sociais crescentes e a exigências cada vez mais diversificadas. Tal reflexão não poderá deixar de se posicionar relativamente aos aspectos que respeitam ao financiamento daqueles regimes.
A regulamentação do quadro legal que deverá reger, em geral, os regimes complementares e, em especial, a forma do seu financiamento e gestão, é extremamente importante para a credibilização desses mesmos regimes, pelo que se impõe uma ponderação cuidadosa que viabilize a conservação dos direitos adquiridos e em vias de aquisição e a sua transferibilidade, questões estas que, logicamente, terão repercussões ao nível da fixação do esforço financeiro necessário e da forma que o mesmo deverá revestir.
Importante, também, será o debate que permita definir com equidade os incentivos a conceder pelo Estado às várias formas que podem vir a revestir os regimes complementares privados e, principalmente, às várias vias que podem ser escolhidas para a efectivação da sua gestão.
Com efeito, os incentivos a consagrar terão de ser neutros para respeitar a livre escolha do tipo de regime a consagrar, bem como da entidade gestora dos fundos de capitalização que devem, obrigatoriamente, ser suporte das prestações complementares diferidas.
Haverá, no entanto, que considerar o custo que advém para a comunidade destes incentivos e as suas repercussões em termos de distorções de solidariedade.
Pelo que o Governo se compromete a apresentar aos Parceiros Sociais, no prazo de 180 dias, um estatuto de regimes complementares de capitalização individual, acautelando os direitos adquiridos e em formação, preferencialmente a portabilidade,
a supervisão e as garantias necessárias à constituição dos fundos, bem como o direito de participação dos Parceiros Sociais na respectiva gestão.
Por outro lado, assume o Governo o compromisso de eliminar todas as formas de discriminação fiscal que eventualmente existam em prejuízo dos produtos mutualistas, face a produtos de seguros com idêntico fim.
Tendo em conta a importância de promover a instituição de regimes complementares por via da negociação colectiva, aproveitando-se a dinâmica desta forma de regulação, o Governo compromete-se a criar, no prazo de 180 dias, após discussão com os Parceiros Sociais, incentivos especiais ao desenvolvimento de regimes complementares previstos em instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho.
Atendendo a que os fundos de pensões constituem o único sistema de segurança social para a maioria dos trabalhadores do sector bancário, o Governo compromete-se a promover um diálogo de carácter tripartido de modo a discutir a portabilidade e a garantia das pensões dos trabalhadores envolvidos.
4. Melhoria da eficácia da gestão e qualidade do desempenho do sistema de solidariedade e segurança social
Para que o sistema de solidariedade e segurança social seja mais forte, mais moderno e mais próximo dos cidadãos é fundamental introduzir medidas que melhorem a eficácia da sua gestão e a qualidade do seu desempenho.
Nesta perspectiva, o Governo e os Parceiros Sociais consideram prioritário o desenvolvimento das seguintes acções:
• Melhorar a articulação entre as inspecções do trabalho, fiscal e da segurança social, com reforço dos meios ao dispor dos corpos de fiscalização ao serviço do sistema de solidariedade e segurança social. O Governo procederá à apresentação para debate de um plano de desenvolvimento articulado destas competências.
• Desenvolver o sistema de informação da solidariedade e segurança social de modo a assegurar, no final do 2º semestre de 2001, o funcionamento em rede de todos os serviços.
• Promover a redução progressiva do tempo médio de processamento das prestações imediatas de modo a que não ultrapasse um mês no final do 1º semestre de 2002, assumindo o Governo o compromisso de garantir ao cidadão beneficiário a
possibilidade de reclamar o pagamento imediato da prestação em qualquer caso em que esse prazo venha a ser ultrapassado.
• Simplificar o procedimento de acesso ao subsídio de desemprego, garantindo a articulação entre os serviços de emprego e da segurança social que evite deslocações duplicadas aos serviços; e ao subsídio de doença pela troca automática de informação entre os serviços de saúde e de segurança social, com entrada generalizada em funcionamento a partir do 1º trimestre de 2002.
5. Combate à fraude e evasão contributivas e prestacionais
O Governo e os Parceiros Sociais acordam em concertar acções no sentido de reforçar o combate à fraude e evasão contributivas e prestacionais, designadamente envolvendo:
• a revisão do regime de contra ordenações da Segurança Social e Solidariedade, quer com a criação de novos tipos de ilícitos, quer com elevação do montante das coimas previstas, estabelecendo-se especificamente penalizações mais graves para certas condutas e harmonizando-se esta legislação quer com os crimes contra a segurança social, quer com o regime contraordenacional laboral.
• o reforço da capacidade dos Serviços de Verificação de Incapacidades (SVI), aumentando a eficácia do controlo das situações de fraude quer nas prestações imediatas quer nas prestações diferidas; com a possibilidade de convocação imediata de todos os casos denunciados de fraude.
• a instalação de secções de processos de execução da segurança social em todos os distritos do país.
• a criação da figura do gestor do contribuinte a concretizar até ao final do ano de 2001;
• a identificação das situações de dívida à segurança social, tipificando a situação dos contribuintes devedores no âmbito dos processos de recuperação dessas mesmas dívidas;
• a criação de condições que permitam avaliar a extensão subdeclaração de salários à segurança social através do confronto entre remunerações declaradas e remunerações praticadas.
• A criação a partir de Janeiro de 2002 de um sistema de monitorização das empresas que constituem dívida, decidindo sobre a oportunidade de intervenção inspectiva sempre que se verifique um período de não pagamento de contribuições de 3 meses.
• O Governo compromete-se ainda a reforçar o controlo dos trabalhadores independentes, quer quanto à sua vinculação, quer quanto à veracidade das suas declarações, quer quanto ao acesso às prestações, sobretudo as imediatas, comprometendo-se ainda a estudar as formas de aproximar as remunerações convencionais das remunerações reais, desencadeando, a partir de Janeiro de 2002, um plano nacional de prevenção da fraude nos trabalhadores independentes, com recurso a indicadores de risco (evolução das carreiras, permanência continuada em situação de doença, declaração pelo SMN) mobilização de mecanismos de controlo interno (cruzamento entre o subsídio de doença e o registo de remunerações) e de meios de fiscalização e controlo das várias instituições de segurança social.
• O Governo compromete-se também a desencadear acções de controlo e fiscalização que incidam sobre beneficiários que tenham carreiras contributivas com indícios de manipulação, designadamente por aumentarem significativamente os descontos registados nos anos relevantes para o cálculo de pensões.
6. Sistema de informação
O reforço da informação é fundamental para a gestão, nas suas várias vertentes: o exercício dos direitos, a transparência do sistema: o combate à fraude e à evasão; a produção estatística; a participação dos Parceiros Sociais nas instituições da segurança social.
O Governo compromete-se a:
• reforçar a informação aos Parceiros Sociais, directamente ou a seu pedido, no pressuposto de que a informação constitui uma condição essencial para a eficácia da participação;
• criar as condições que permitam a análise das receitas e despesas por regimes e subregimes do sistema de solidariedade e segurança social;
• melhorar os prazos de disponibilidade da informação estatística.
II – PARTICIPAÇÃO DOS PARCEIROS SOCIAIS
A participação dos beneficiários e demais entidades interessadas na estrutura e funcionamento das instituições de segurança social é um princípio estruturante do sistema de solidariedade e segurança social, com consagração na Constituição da República Portuguesa (CRP), nomeadamente no n.º 2 do artigo 63.º e também na alínea b) do n.º 2 do artigo 56.º, no que respeita especificamente às associações sindicais.
Este princípio é expressamente previsto na Lei de Bases do sistema de solidariedade e de segurança social (Lei n.º 17/2000, de 8 de Agosto), revelando uma aposta clara na responsabilização dos interessados na definição, no planeamento e gestão do sistema, bem como no acompanhamento e avaliação do seu funcionamento.
O princípio da participação encontra-se objectivado em instrumentos de enquadramento de instituições do sistema de segurança social, como sejam os que regulam organicamente o Centro Nacional de Protecção contra Riscos Profissionais (CNPRP), o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS), o Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS), todos já em funcionamento, o Instituto de Informática e Estatística da Solidariedade, bem como o Centro Nacional de Pensões (CNP) e os Centros Regionais de Segurança Social (CRSS), integrados no Instituto de Solidariedade e Segurança Social (ISSS).
A lei prevê ainda outras instâncias de participação com características específicas, situados na área da reparação dos acidentes de trabalho, como sejam as Comissões de Revisão da Tabela Nacional de Incapacidades e da Lista de Doenças Profissionais e a Comissão de Acompanhamento do Fundo de Acidentes de Trabalho.
Convencidos que a participação dos Parceiros Sociais constitui uma condição fundamental da democraticidade do sistema de solidariedade e segurança social e um factor de melhoria do seu desempenho, devendo, consequentemente, ser objecto de aprofundamento, o Governo e os Parceiros Sociais avalizam os seguintes pontos:
1. O Governo compromete-se a promover e a incentivar a participação dos Parceiros Sociais aos diversos níveis do sistema de solidariedade e segurança social, criando para o efeito as condições para o regular funcionamento das estruturas de participação existentes ou a constituir de acordo com as novas bases do sistema.
2. A participação das associações sindicais e patronais nas instituições da Segurança Social deve abranger todos os níveis do sistema (nacional e distrital), através de órgãos de composição tripartida e paritária.
3. Os Parceiros Sociais empenhar-se-ão na participação no sistema de solidariedade e segurança social, envolvendo-se activamente na definição, no planeamento e gestão do sistema, bem como no acompanhamento e avaliação do seu funcionamento.
4. Os órgãos consultivos que, aos diversos níveis, asseguram a participação dos Parceiros Sociais deverão apresentar à Comissão Permanente de Concertação Social relatórios anuais da sua actividade, com especificação das reuniões realizadas, das conclusões obtidas e dos pareceres ou recomendações eventualmente emitidos.
5. A participação governamental no órgão consultivo máximo do sistema deve ser garantida ao nível político, devendo a participação de dirigentes da administração directa do Estado ou de titulares de organismos tutelados ser limitada ao estatuto de observador.
6. No domínio da participação, para o desenvolvimento dos compromissos assumidos, tendo já sido deliberada a criação do Conselho Nacional de Solidariedade e Segurança Social (CNSSS) previsto no artigo 89.º da Lei n.º 17/2000, de 8 de Agosto, o Governo e os Parceiros Sociais dão prioridade ao desenvolvimento, ao nível central, das seguintes acções:
6.1. Criação e activação até ao fim de 2001 do Conselho Consultivo do Instituto de Solidariedade e Segurança Social (ISSS), tendo como atribuições pronunciar-se sobre as grandes linhas de orientação estratégica do ISSS e as questões que lhe sejam submetidas pelo respectivo Conselho Directivo, devendo ser obrigatoriamente ouvido sobre o plano anual de actividades e sobre as decisões de carácter estratégico.
6.2. Criação e activação até ao final do 1º trimestre de 2002 de conselhos consultivos de base distrital, integrando representantes das correspondentes estruturas do Instituto de Solidariedade e Segurança Social e do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, bem como representantes dos Parceiros Sociais, com a missão de acompanhar de modo regular e permanente o funcionamento do sistema a nível distrital, pronunciando-se sobre aspectos específicos a esta escala territorial.
6.3. Activação do Conselho Consultivo do Instituto de Informática e Estatística da Solidariedade, criado pelo Decreto-Lei n.º 41-A/99, de 9 de Fevereiro, assegurando a respectiva entrada em funcionamento regular até ao fim de 2001.
6.4. Activação e entrada em funcionamento regular, até ao fim de 2001, da Comissão de Acompanhamento do novo regime de protecção no desemprego (art. 78.º do Decreto-Lei n.º 119/99, de 14 de Abril).
6.5. Dinamização da Comissão de Acompanhamento do Fundo de Acidentes de Trabalho prevista no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 142/99, de 30 de Abril.
III - REFORMULAÇÃO DA FÓRMULA DE CÁLCULO DE PENSÕES DO SUBSISTEMA PREVIDENCIAL
Enquadramento
Temos o dever de, em conjunto, encontrar soluções que resolvam o problema de garantir hoje a solidariedade intergeracional e acautelar o futuro. Assim, a nova fórmula de cálculo de pensões tem de permitir construir um sistema de pensões com melhores condições e níveis mais elevados no futuro, desígnio para o qual a garantia da prossecução de uma política de aumentos anuais das pensões superiores à inflação é uma condição essencial, mas também com mais justiça, isto é, que proteja melhor os trabalhadores com um comportamento contributivo responsável e em que se inclua no princípio da solidariedade a dimensão interprofissional, muito justamente introduzida na nova LBSSS.
Há duas razões pelas quais a nova Lei de Bases sustentou a necessidade de contar com toda a carreira contributiva para a fórmula de cálculo de pensões do regime previdencial.
Uma é de justiça. Só assim não se prejudicam aqueles que ao longo da vida cumpriram escrupulosamente os seus deveres perante a colectividade face àqueles que manipulam o sistema maximizando as contribuições nos últimos 15 anos da sua vida profissional. Só assim não se prejudicam aqueles, cujo último terço da sua vida activa não foi remunerado ao mesmo nível que atingiram anteriormente. A outra é financeira. É uma medida que a prazo promove a sustentabilidade do regime porque tem como resultado encorajar mais pessoas a descontarem mais para a segurança social durante mais tempo.
Deve ainda, por razões de justiça e de solidariedade no plano laboral, introduzir-se um mecanismo de diferenciação positiva na formação das pensões do subsistema previdencial, garantindo que os rendimentos mais baixos e as carreiras mais longas confiram melhores direitos relativos.
O mecanismo de revalorização dos salários pelo IPC sem habitação (único indicador da evolução dos preços do qual se encontra disponível uma série suficientemente longa para permitir actualizações objectivas dos salários) tem-se revelado adequado, e propiciador de valorizações significativas das pensões dos novos pensionistas, contribuindo assim decisivamente para o reforço da protecção social em Portugal, mas admite-se a razoabilidade de introduzir uma ponderação deste factor com o que resulte de uma participação na melhoria dos níveis de vida, enquanto se revelar justo, necessário e sustentável.
MEDIDAS
Assim, o Governo e os Parceiros Sociais acordam o seguinte quadro para a nova fórmula de cálculo das pensões de velhice e de invalidez e para o respectivo período de transição, a partir do quadro legal em vigor:
1. Prazo de Garantia e Densidade Contributiva
Nestas matérias, manter-se-ão os actuais prazos de garantia (15 anos para a velhice e 5 anos para a invalidez), bem como a densidade contributiva relevante de 120 dias por ano.
2. Revalorização de remunerações
O mecanismo de revalorização dos salários registados, para efeitos de aplicação da nova fórmula de cálculo das pensões resultará de uma ponderação entre os índices de inflação e de melhoria salarial, mantendo-se, contudo, o índice actual de revalorização pelo IPC sem habitação para os salários já registados, mas iniciando- se a revalorização com a referida ponderação em 2002 nos seguintes termos, e sendo necessariamente reavaliado em 2011, em função dos seus efeitos: 75% do IPC sem habitação e 25% da evolução média dos ganhos subjacentes às contribuições declaradas à Segurança Social, sempre que este tenha sido superior àquele índice. No caso de o índice de revalorização anual daqui resultante ser superior ao valor do IPC sem habitação verificado em mais de 0,5%, o mecanismo de revalorização aplicável será igual a [IPC sem habitação + 0,5%].
3. Remuneração de Referência
A remuneração de referência, para efeitos de cálculo da pensão, é aquela que resultar da média das remunerações anuais revalorizadas de toda a carreira contributiva.
Quando o número de anos civis com registo de remunerações for superior a 40, considera-se, para apuramento da remuneração de referência, a soma das 40 remunerações anuais revalorizadas mais elevadas.
4. Taxa de Formação da Pensão
4.1) Beneficiários com 20 ou menos anos de contribuições
a) A taxa anual de formação da pensão estatutária dos beneficiários com 20 ou menos anos civis com registo de remunerações é de 2% por cada ano civil relevante para efeitos de taxa de formação da pensão.
b) A taxa de formação da pensão estatutária dos beneficiários referidos na alínea anterior é igual ao produto da taxa anual pelo número de anos civis com registo de remunerações, relevantes para o efeito.
4.2) Beneficiários com mais de 20 anos de contribuições
a) A taxa anual de formação da pensão estatutária dos beneficiários com mais de 20 anos civis com registo de remunerações é regressiva por referência ao valor da respectiva remuneração de referência, nos termos da tabela seguinte:
Definição das Parcelas da Remuneração de Referência (RR) por indexação ao valor do Salário Mínimo Nacional (SMN)
Taxas anuais (em %)
1ª parcela Até 1,1 x SMN 2,3
2ª parcela Superior a 1,1 x SMN até 2 x SMN 2,25
3ª parcela Superior a 2 x SMN até 4 x SMN 2,2
4ª parcela Superior a 4 x SMN até 8 x SMN 2,1
5ª parcela Superior a 8x SMN 2,0
b) A taxa de formação da pensão estatutária dos beneficiários referidos na alínea anterior é, em cada uma das parcelas que compõem a remuneração de referência, igual ao produto da taxa anual pelo número de anos civis com registo de remunerações, relevantes para o efeito.
c) O valor do salário mínimo a considerar é o que vigorar à data de início da pensão.
5. Determinação do montante de pensão
Na nova fórmula de cálculo, o montante da pensão será aquele que resultar da consideração da média das remunerações revalorizadas da totalidade da carreira contributiva, nos termos do número 3, bem como dos mecanismos de diferenciação positiva da taxa de formação de pensão referidos no número anterior, operacionalizados nos termos previstos nas alíneas seguintes:
a) O montante mensal da pensão estatutária é obtido por aplicação das fórmulas indicadas a seguir, consoante o número de anos civis com registo de remunerações e o valor da remuneração de referência.
b) Para os beneficiários com 20 ou menos anos civis relevantes para taxa de formação, a fórmula de cálculo é a seguinte: P = RR x 2% x N
c) Para os beneficiários com mais de 20 anos civis relevantes para taxa de formação, as fórmulas de cálculo são as seguintes:
─ Se a remuneração de referência for igual ou inferior a 1,1 salário mínimo nacional:
P = RR x 2,3% x N
─ Se a remuneração de referência for superior a 1,1 vezes o salário mínimo nacional e igual ou inferior a 2 vezes o salário mínimo nacional:
P = (1,1 SMN x 2,3% x N)+[ (RR-1,1 SMN) x 2,25% x N ]
─ Se a remuneração de referência for superior a 2 vezes o salário mínimo nacional e igual ou inferior a 4 vezes o salário mínimo nacional:
P = (1,1 SMN x 2,3% x N)+(0,9 SMN x 2,25% x N) + [(RR – 2SMN) x 2,2% x N]
─ Se a remuneração de referência for superior a 4 vezes o salário mínimo nacional e igual ou inferior a 8 vezes o salário mínimo nacional:
P = (1,1 SMN x 2,3% x N)+(0,9 SMN x 2,25% x N) + (2 SMN x 2,2% x N) + [(RR - 4 SMN) x 2,1% x N ]
─ Se a remuneração de referência for superior a 8 vezes o salário mínimo nacional:
P = (1,1 SMN x 2,3% x N)+(0,9 SMN x 2,25% x N) + (2 SMN x 2,2% x N) + (4 SMN x 2,1% x N) + [(RR - 8 SMN) x 2% x N]
d) Para efeitos de aplicação das fórmulas referidas nas alíneas anteriores, entende- se por:
P, o montante mensal da pensão estatutária;
RR, a remuneração de referência;
N, o número de anos civis com registo de remunerações relevantes para efeitos de taxa de formação da pensão, com o limite de 40;
SMN, o montante da remuneração mínima garantida à generalidade dos trabalhadores em vigor na data de início da pensão.
6. Período de Transição
a) Tripla garantia na fórmula de cálculo das pensões:
A todos os beneficiários com inscrição até 31 de Dezembro de 2001 e que se reformem entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2016, bem como a todos os beneficiários que em 31 de Dezembro de 2001 tiverem formado o prazo de garantia, será calculada a pensão de reforma:
a.1) pela fórmula actual (remuneração de referência tendo em conta os melhores 10 dos últimos 15 anos e taxa de formação anual da pensão sempre igual a 2%), sendo-lhes garantido, nos casos em que uma das fórmulas constantes em a.2) e a.3) lhes proporcione maiores ganhos efectivos, que terão a pensão calculada pela fórmula que produza resultados mais elevados;
a.2) Pela nova fórmula (melhores 40 anos, revalorização e diferenciação positiva das taxas de formação anual da pensão);
a.3) De modo proporcional aos períodos da carreira cumpridos na vigência de cada uma das fórmulas acima referidas (nova e actual), nos seguintes termos:
P=P1*C1+P2*C2 , em que:
C
P, é o montante mensal da pensão estatutária;
P1, a pensão calculada por aplicação da fórmula actual;
P2, a pensão calculada por aplicação da nova fórmula;
C, o número de anos civis da carreira contributiva com registo de remunerações relevantes para efeitos de taxa de formação de pensão;
C1, o número de anos civis da carreira contributiva com registo de remunerações relevantes para efeitos de taxa de formação de pensão, cumpridos até 31 de Dezembro de 2001;
C2, o número de anos civis da carreira contributiva com registo de remunerações relevantes para efeitos de taxa de formação de pensão, cumpridos após 1 de Janeiro de 2002.
b) Dupla garantia para quem tem descontos antes de 1 de Janeiro de 2002:
A partir de 1 de Janeiro de 2017, a pensão dos beneficiários que em 31 de Dezembro de 2001 não tenham o período de garantia completo e dos beneficiários com inscrição até 31 de Dezembro de 2001 que não se reformem entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2016, será ainda objecto de uma dupla garantia, sendo a sua pensão calculada de modo proporcional aos períodos da carreira cumpridos na vigência de cada uma das fórmulas (nova e actual), nos termos definidos em a.3), mas sendo adicionalmente garantida a atribuição da pensão calculada pela nova fórmula (melhores 40 anos, revalorização e diferenciação positiva das taxas de formação anual da pensão), quando esta proporcionar ganhos efectivos ao beneficiário.
Subscrevem o presente Acordo:
Governo,
Primeiro Ministro
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical (CGTP-IN),
Secretário-Geral
União Geral de Trabalhadores (UGT),
Secretário-Geral
Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP),
Presidente
Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP)
Presidente
Lisboa, 20 de Novembro de 2001
O Secretário-Geral,
ACORDO SOBRE A INTRODUÇÃO DE LIMITES OPCIONAIS ÀS CONTRIBUIÇÕES PARA O SISTEMA DE REPARTIÇÃO
Defesa da sustentabilidade e garantia da universalidade do sistema público
de solidariedade e segurança social
Sumário
Preâmbulo 28
1. Fixação de Limites de Incidência Contributiva 30
2. Trabalhadores independentes 30
Preâmbulo
A Lei n.º 17/2000, de 8 de Agosto (Lei de Bases da Solidariedade e da Segurança Social), diploma que veio enquadrar a evolução do sistema de solidariedade e segurança social no médio e longo prazo, e cuja regulamentação tem vindo a decorrer ao longo de 2001, surgiu num momento particularmente complexo de um conjunto de pontos de vista.
Esta combinação é bem ilustrada pelos desafios colocados quer pela evolução demográfica previsível para as próximas décadas, quer pela necessidade de garantir o reforço dos níveis de protecção social em Portugal.
A resposta a estes desafios não pode colocar em causa os princípios basilares do sistema de solidariedade e segurança social português, sob pena de ficar em causa todo o modelo social que tem vindo a ser aprofundado nos anos mais recentes, com sucessos assinaláveis que importa prosseguir.
Não está, pois, em causa a universalidade do sistema de protecção social, pelo que será sempre garantida uma resposta sistémica, e tendencialmente universal aos problemas que afectam os cidadãos.
Mas, por outro lado, outro princípio fundamental da reforma instituída é o de que estas respostas não terão que ter os mesmos graus de intensidade para todos os cidadãos, mas sim poderão e deverão ser graduadas conforme a real capacidade dos cidadãos em prover as suas próprias necessidades.
Em simultâneo, há que tomar medidas que possam contribuir activamente para o reforço da sustentabilidade do sistema de segurança social e dos níveis de protecção garantidos aos cidadãos, bem como para o crescimento económico do país.
É reconhecido que o reforço dos mecanismos de protecção social de capitalização, complementar ou de adesão voluntária a partir de um limite suficientemente elevado do nível de rendimentos, poderá contribuir activamente para o crescimento económico do país, por via do reforço da poupança e do investimento na economia, o que, a prazo, poderá beneficiar substancialmente o próprio sistema público de protecção social, na justa medida dos aumentos das receitas induzidos pelo crescimento da actividade económica e por via da diminuição dos encargos com pensões a médio prazo.
Acresce ainda que durante os próximos anos continua a entrar nos cálculos, com peso decrescente, a média dos melhores 10 dos últimos 15 anos da carreira contributiva, pelo que interessa reduzir a manipulação dos salários nestes anos, sobretudo possível para os
Na concretização das linhas de reforma do sistema, tal como elas se reflectem na nova Lei de Bases do Sistema de Solidariedade e Segurança Social, o Governo e os Parceiros Sociais entendem que a participação é um factor determinante.
Convictos de que, ao nível da concertação social, é possível incrementar acordos tripartidos em torno de opções fundamentais para a sustentabilidade do sistema de solidariedade e segurança social e a melhoria da protecção social, e tendo em conta os debates efectuados sobre a matéria e as propostas formuladas pelas partes, este Acordo reflecte a convergência entre o Governo e os Parceiros Sociais no sentido da regulamentação de um dos aspectos da LBSSSS, nomeadamente no que se refere ao seu artigo 61º.
1. Fixação de Limites de Incidência Contributiva
A fixação de limites de incidência contributiva será subordinada à verificação da sua compatibilidade com a sustentabilidade do sistema público de Segurança Social, pelo que o Governo se compromete a apresentar anualmente previsões actualizadas de longo prazo dos encargos com prestações diferidas, das cotizações e das contribuições das entidades empregadoras, de modo a permitir ao Conselho Nacional de Solidariedade e Segurança Social a avaliação de eventuais iniciativas legislativas neste domínio.
O Governo e os Parceiros Sociais acordam submeter à Comissão Executiva do Conselho Nacional de Solidariedade e Segurança Social, no prazo máximo de um ano, nos termos do artigo 61.º da Lei n.º 17/2000, de 8 de Agosto, e viabilizar, desde que em relatório técnico fundamentado se demonstre o cumprimento das condições estabelecidas na lei, uma proposta que preveja a introdução de um direito de opção dos titulares de rendimentos superiores a 12 salários mínimos nacionais pelo sistema público de repartição ou por um regime complementar, de natureza pública ou privada, individual ou colectivo, quanto à parcela de remuneração que excede esse montante e que, para esses trabalhadores, garanta o direito às prestações diferidas.
2. Trabalhadores independentes
No que respeita ao regime de trabalhadores independentes, o Governo produzirá alterações à legislação aplicável de modo a garantir que:
a) Cada trabalhador possa escolher um montante de remuneração, para efeitos de cálculo das contribuições para o sistema de segurança social, que exceda o montante de 12 salários mínimos nacionais correspondente ao escalão máximo actualmente previsto na lei, e de tal forma que no futuro esse montante não seja objecto de qualquer limite superior, sem prejuízo do disposto na alínea b).
b) Enquanto se mantiver a utilização proporcional da actual fórmula de cálculo, se mantenham, para efeitos de aplicação do actual método de cálculo das pensões (remuneração de referência tendo em conta os melhores 10 dos últimos 15 anos e taxa de formação anual sempre igual a 2%), as limitações quer à progressão das remunerações, quer ao limite máximo de incidência contributiva, para evitar as eventuais situações de fraude.
Tendo presente que este Acordo sobre a Introdução de Limites Opcionais às Contribuições para o Sistema de Repartição constitui parte indispensável para a celebração do Acordo Geral sobre Modernização da Protecção Social, o Governo e os Parceiros Sociais subscrevem o presente texto.
Subscrevem o presente Acordo:
Governo,
Primeiro Ministro
União Geral de Trabalhadores (UGT),
Secretário-Geral
Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP),
Presidente
Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP)
Presidente
Lisboa, 20 de Novembro de 2001
O Secretário-Geral,