S´ eries num´ ericas e s´ eries de potˆ encias
Dada uma sucess˜ ao de n´ umeros complexos, (z
n) = (z
1, z
2, z
3, . . .), chamamos s´ erie (num´ erica) a uma express˜ ao do tipo
z
1+ z
2+ z
3+ . . . + z
n+ . . . (ou
∞
X
n=1
z
n) Soma parcial da s´ erie ´ e um termo da sucess˜ ao definida por s
n= z
1+ z
2+ z
3+ . . . + z
nAten¸ c˜ ao: as sucess˜ oes (z
n) e (s
n) s˜ ao diferentes!
A s´ erie diz-se “convergente” quando (s
n) ´ e convergente. Nesse caso chama-se “soma da s´ erie” ao lim
n→∞
s
ne escreve-se
∞
X
n=1
z
n= s em vez de lim
n→∞
s
n= s
“S´ erie geom´ etrica” ´ e qualquer s´ erie em que o quociente (ou “raz˜ ao”) de dois termos consecutivos ´ e sempre igual, ou seja, z
n= z
1r
n−1∞
X
n=1
z
1r
n−1converge se e s´ o se |r | < 1
sendo nesse caso
∞
X
n=1
z
1r
n−1= z
11 − r , ou seja,
A soma da s´ erie geom´ etrica (com |raz˜ ao| < 1) ´ e: primeiro termo
1 − raz˜ ao
I
Se
∞
X
n=1
z
nfor convergente ent˜ ao lim z
n= 0 (mas pode acontecer que lim z
n= 0 e
∞
X
n=1
z
nseja divergente)
I
Se
∞
X
n=1
|z
n| for convergente ent˜ ao
∞
X
n=1
z
nser´ a convergente
I
Se lim p
n|z
n| = L < 1 ent˜ ao a s´ erie X
|z
n| ´ e convergente.
Se lim p
n|z
n| = L > 1 ou lim p
n|z
n| = +∞
ent˜ ao a s´ erie X
z
n´ e divergente.
I
Se lim |z
n+1|
|z
n| = L < 1 ent˜ ao a s´ erie X
|z
n| ´ e convergente.
Se lim |z
n+1|
|z
n| = L > 1 ou lim |z
n+1|
|z
n| = +∞
ent˜ ao a s´ erie X
z
n´ e divergente.
Uma s´ erie de potˆ encias ´ e uma express˜ ao da forma
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n= a
0+ a
1(z − z
0) + a
2(z − z
0)
2+ · · ·
onde z
0e (a
n)
n∈Ns˜ ao n´ umeros complexos previamente definidos.
Se na s´ erie de potˆ encias substituirmos z por um n´ umero complexo obteremos uma s´ erie convergente ou divergente, dependendo do valor de z.
Uma s´ erie de potˆ encias define assim uma fun¸ c˜ ao complexa de vari´ avel
complexa (cujo dom´ınio ter´ a pelo menos um elemento: z = z
0).
Para cada s´ erie de potˆ encias,
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n, estaremos numa das trˆ es situa¸c˜ oes seguintes:
I
A s´ erie converge s´ o se z = z
0I
A s´ erie converge para qualquer z ∈ C
I
Existe R > 0 tal que
a s´ erie converge para |z − z
0| < R e diverge para |z − z
0| > R No terceiro caso chama-se a R raio de convergˆ encia da s´ erie que geralmente se pode determinar por aplica¸c˜ ao do crit´ erio da raz˜ ao ou do crit´ erio da raiz
(de onde se poderiam obter as f´ ormulas, que n˜ ao ´ e necess´ ario decorar, R = lim 1
p
n|a
n| ou R = lim |a
n|
|a
n+1| , se algum destes existir).
Teorema: seja
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
numa s´ erie de potˆ encias com raio de convergˆ encia R > 0 e seja f a fun¸ c˜ ao definida por f (z ) =
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n(em D = {z : |z − z
0| < R})
Ent˜ ao
1) A deriva¸ c˜ ao termo a termo conserva o raio de convergˆ encia.
2) A fun¸ c˜ ao f ´ e anal´ıtica em D e f
0(z ) =
∞
X
n=1
na
n(z − z
0)
n−1Exerc´ıcio:
Teorema: seja
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
numa s´ erie de potˆ encias com raio de convergˆ encia R > 0 e seja f a fun¸ c˜ ao definida por f (z ) =
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n(em D = {z : |z − z
0| < R})
Ent˜ ao
1) A deriva¸ c˜ ao termo a termo conserva o raio de convergˆ encia.
2) A fun¸ c˜ ao f ´ e anal´ıtica em D e f
0(z ) =
∞
X
n=1
na
n(z − z
0)
n−1Exerc´ıcio:
Exerc´ıcios:
1. Seja p(z ) o polin´ omio a
0+ a
1(z − 2) + a
3(z − 2)
3. (a) Calcule p
00(2).
(b) Sabendo que p(2) = i, p
0(2) = i + 1 e p
000(2) = 3, determine a
0, a
1e a
3.
2. Seja q(z ) o polin´ omio a
8(z − 3)
8. (a) Calcule q
0(3), q
(7)(3) e q
(9)(3).
(b) Sabendo que q
(8)(3) = 2017, determine a
8.
Para p
n(z ) = a
n(z − z
0)
ntem-se p
n(k)(z
0) =
0 se k < n k! a
kse k = n 0 se k > n Se f (z ) =
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n, ent˜ ao f
(k)(z
0) = k !a
k, ou seja,
a
k= f
(k)(z
0)
k! (ou seja, a
n= f
(n)(z
0) n! )
Teorema de Taylor: dada uma fun¸ c˜ ao, f , anal´ıtica (ou seja, deriv´ avel) numa certa regi˜ ao, tem-se
f (z ) =
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nno maior disco aberto centrado em z
0que esteja contido nessa regi˜ ao (
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nchama-se s´ erie de Taylor de f centrada em z
0)
Teorema de Taylor: dada uma fun¸ c˜ ao, f , anal´ıtica (ou seja, deriv´ avel) numa certa regi˜ ao, tem-se
f (z ) =
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nno maior disco aberto centrado em z
0que esteja contido nessa regi˜ ao
Exerc´ıcio:
Teorema de Taylor: dada uma fun¸ c˜ ao, f , anal´ıtica (ou seja, deriv´ avel) numa certa regi˜ ao, tem-se
f (z ) =
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nno maior disco aberto centrado em z
0que esteja contido nessa regi˜ ao
Exerc´ıcio:
Teorema de Taylor: dada uma fun¸ c˜ ao, f , anal´ıtica (ou seja, deriv´ avel) numa certa regi˜ ao, tem-se
f (z ) =
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nno maior disco aberto centrado em z
0que esteja contido nessa regi˜ ao
Exerc´ıcio:
Teorema de Taylor: dada uma fun¸ c˜ ao, f , anal´ıtica (ou seja, deriv´ avel) numa certa regi˜ ao, tem-se
f (z ) =
∞
X
n=0
f
(n)(z
0)
n! (z − z
0)
nno maior disco aberto centrado em z
0que esteja contido nessa regi˜ ao
Exerc´ıcio:
S´ erie de Laurent
Ainda que f n˜ ao seja anal´ıtica em z
0, pode ser poss´ıvel desenvolver f como s´ erie de “potˆ encias” de (z − z
0) se incluirmos potˆ encias negativas de (z − z
0)
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem
f (z ) =
∞
X
n=0
a
n(z − z
0)
n+
∞
X
n=1
b
n(z − z
0)
nA s´ erie anterior, chamada s´ erie de Laurent, escreve-se habitualmente na forma
f (z ) =
∞
X
n=−∞
a
n(z − z
0)
n(usa-se a
−nem vez de b
n) Chama-se parte principal da s´ erie de Laurent de f a
∞
X
n=1
b
n(z − z
0)
nSe f for anal´ıtica no disco {z ∈ C : |z − z
0| < R} a parte principal da
s´ erie de Laurent ser´ a nula (isto ´ e, b
n= 0 para qualquer n ∈ N )
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem f (z ) =
∞
X
n=−∞
a
n(z − z
0)
n= . . . + a
−2(z − z
0)
2+ a
−1(z − z
0) + a
0+ a
1(z − z
0) + a
2(z − z
0)
2+ . . .
Exerc´ıcio:
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem f (z ) =
∞
X
n=−∞
a
n(z − z
0)
n= . . . + a
−2(z − z
0)
2+ a
−1(z − z
0) + a
0+ a
1(z − z
0) + a
2(z − z
0)
2+ . . .
Exerc´ıcio:
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem f (z ) =
∞
X
n=−∞
a
n(z − z
0)
n= . . . + a
−2(z − z
0)
2+ a
−1(z − z
0) + a
0+ a
1(z − z
0) + a
2(z − z
0)
2+ . . .
Exerc´ıcio:
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem f (z ) =
∞
X
n=−∞
a
n(z − z
0)
n= . . . + a
−2(z − z
0)
2+ a
−1(z − z
0) + a
0+ a
1(z − z
0) + a
2(z − z
0)
2+ . . .
Exerc´ıcio (exame 2016):
Teorema de Laurent: dada uma fun¸c˜ ao, f , anal´ıtica numa coroa circular D = {z ∈ C : r < |z − z
0| < R}, existe uma sucess˜ ao de coeficientes complexos, a
0, a
1, a
−1, a
2, a
−2, . . . tal que, para z ∈ D, se tem f (z ) =
∞
X
n=−∞