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Estud. av. vol.24 número69

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Academic year: 2018

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PRESENTE número de ESTUDOSAVANÇADOS está dedicado àquele campo

aberto a que se convencionou chamar de Humanidades. O termo é antigo, vem dos estudos filosóficos e literários que preparam o Renas- cimento italiano e europeu, ou, mais precisamente, vem dos humanistas italianos do século XV, que se voltaram para a herança grega e latina com ênfase nas faculdades propriamente humanas: o pensamento, a memória, a imaginação, a linguagem, a consciência moral. Daí provém a multiplicidade que se abriga no bojo das Ciências Humanas.

Conservamos o nome, Humanidades, para caracterizar o dossiê desta edição. O leitor encontrará textos que se produziram no limite entre a teoria literária e a história das mentalidades; ou entre a sociologia e a semântica. As abordagens transversais que ultrapassam os confins das ciências especializadas fazem parte do programa do Instituto de Estudos Avançados, que a revista se propõe a desdobrar e difundir.

Nesse arquipélago de temas e tendências metodológicas, deu-se particular atenção a duas formações simbólicas particularmente densas de forma e sign-ficado: a Literatura e a Música. Do estudo da primeira são exemplos os textos sobre narradores brasileiros da envergadura de Clarice Lispector, Cyro dos Anjos e Osman Lins. Os ensaios sobre Goethe, em sua curiosa relação com o “brasileiro” Martius e na sua não menos fascinante intersecção com as ciências naturais, abrem o dossiê para os horizontes transnacionais da Literatura, que também se descortinam na exegese de um vigoroso poeta cubano, Lezama Lima. Passando do mundo da criação ao das instituições que lhe dão suporte, deu-se destaque à história de dois marcos da cultura letrada entre nós: a Biblioteca Nacional e Tempo Brasileiro.

Música e poesia estão conjugadas na homenagem que a revista presta a um poeta que honrou o IEA como pesquisador visitante, José Paulo Paes. E os amadores da música popular brasileira encontrarão artigos dedicados à viola caipira, aos motes de nossa tradição popular e às relações entre o samba de roda e a MPB com momentos críticos de nossa história política.

E como não há Humanidades sem pessoas, incluímos no dossiê perfis de intelectuais que deram à sua palavra um sentido de resistência ética e política: Joaquim Nabuco e Eric Hobsbawm.

Editorial

Referências

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