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Interface (Botucatu) vol.19 suppl.1

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Academic year: 2018

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2015; 19 Supl 1:685 685 COMUNICAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO

É uma honra abrir uma produção construída, elaborada com tamanha dedicação e intensidade, como este Suplemento da revista Interface sobre “Experiências exitosas de formação em Saúde nas Redes de Atenção à Saúde e a interprofissionalidade: os grupos PET-Saúde e a mudança nos cursos de graduação em Saúde.”

Muito pelo esforço de todo o coletivo que esteve envolvido com a produção editorial do suplemento; mais por todas as mãos que tomaram para si o desafio de narrar e refletir sobre as experiências contidas nas centenas de trabalhos enviados. E mais ainda pelas ações, afetações e reflexões produzidas e vividas por milhares de pessoas que constroem os PET-Saúde e os Pró-Saúde no dia a dia.

E, sinceramente, com o tipo de vivência que o PET-Saúde proporciona, não se poderia esperar nada diferente. Ele mobiliza sujeitos e coletivos com diferentes expectativas, mas todos com iniciativa e desejo de fazer avançar a atenção e educação em saúde. Transitar pelos trabalhos presentes nesta publicação revela para nós sujeitos comprometidos com a construção de cenários inovadores de práticas de saúde integrais e generosas, com tanta capacidade de cuidar quanto de educar todos os envolvidos – trabalhadores, usuários, estudantes e docentes; sujeitos comprometidos com a experimentação de modos de pensar e constituir o percurso formativo em serviço e a partir do serviço, mobilizando importante processo de educação permanente a influenciar positivamente tanto a graduação quanto a residência; sujeitos comprometidos com a intervenção nos modos como os serviços se organizam, como coletivos organizados para cuidar da saúde e para desenvolver, enquanto profissionais e seres humanos, os sujeitos que cotidianamente atuam no serviço; em síntese, sujeitos prontos a experimentar, aprender com o fazer, acumular forças e contagiar sujeitos para repensarem e transformarem os modos de ensinar, pesquisar e construir as relações da escola com o SUS.

Todas essas experiências e todos esses estudos parecem engrossar o caldo de cultura que aponta para um agir cada vez mais potente e comprometido com importantes mudanças e transformações a serem efetivadas em nossas escolas de formação de profissionais de saúde. Cada vez mais os PET-Saúde precisam deixar de ser vivências de alguns, embora muitos, para serem práticas cotidianas do conjunto dos estudantes e professores; precisam deixar de ser ações paralelas ou semi-integradas aos currículos e se traduzirem em inovações permanentes no processo de formação dos educandos; precisam deixar de ser exemplos de serviços de saúde que se beneficiam da boa relação de seus trabalhadores com docentes comprometidos e dedicados e passarem a ser expressão de relações e modos de organização estáveis e sustentáveis entre escola e serviço.

E o momento que vivemos é oportuno. Somam-se à luta que vem sendo desenvolvida nas últimas décadas de mudança nos cursos de graduação em saúde, os novos instrumentos da Lei 12.871 que criou o Programa Mais Médicos e concedeu ao Estado brasileiro ferramentas inovadoras para orientar a formação dos profissionais de saúde conforme as necessidades do SUS e da população brasileira. Ressalto a expressão “profissionais de saúde” pois a Lei dá condições de fazer avançar a formação não só dos futuros médicos, mas de todos os profissionais da área. Vivemos um momento muito rico, de implantação de novas Diretrizes Curriculares, de qualificação da avaliação de educandos e instituições, de maior integração ensino-serviço, de inovação da formação nos diversos campos da prática de saúde e de ampliação de programas de residência - médica e multiprofissional. Tudo isso exigirá cada vez mais uma rede de saúde cuidadora e educadora e o desafio do PET-Saúde é refletir sobre si mesmo e se pensar como parte integrante e fortalecedor deste amplo movimento!

Eis um bom desafio para os milhares de sujeitos e coletivos que ousam se

reinventar a cada dia para a construção de práticas de cuidado e educação cada vez mais comprometidas com a produção de vida.

Hêider Aurélio Pinto

Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde-SGTES/Ministério da Saúde

DOI: 10.1590/1807-57622015.0447

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