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EXTRACTO DA SESSW -

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DIA 10 r»K .niNHO DE 1889

LISBOA ï ^ ’^ C S T O Ï T A I - i 1 8 8 9

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EXTRACTO DA SESSAO

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CU lR t i S M IOS PIROS DO ROM

DIA 10 DE JUNHO DE 1889

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o digno par o sr. Bocage fa.'í algumas considerações relativamente aos factos occorridos na sessào anterior.— Sobre este incidente usam da palavra os srs. presidente, marquez de Rio Maior, que apresenta urna moção. Yaz l ’reto, conde de Castro e visconde de Aloreira de Rey. K approvada a moção do sr. marquez de Rio

Maior. O s r . B o c a g e : — S r . p r e s id e n te , e u n ã o p o sso d e i x a r h o je d e o c c u p a r a a tte n ç à o d a c a m a r a à c e r c a d e u rn fa c to q u e s e d e u n a se s s ã o p a s s a d a , e q u e e u c o n s id e r e i e n tà o e c o n s id e r o a i n d a co m o u m a in f ra e ç ã o d a s p r a x e s e s ta b e le ­ c i d a s . P o r e s t a m e s m a o c e a s iã o n ã o d e i x a r e i d e c u m p r i r u m d e v e r d e h o m e m d e b e m , q u e é r e p a r a r o m a l q u e fiz p o r h a v e r p a r t i d o d e u ra fa lso p r e s u p p o s t o . ( jo m e ç a r e i p o r a h i. S r . p r e s id e n te , d e p o is d e e n c e r r a d a a s e ssã o , m a s a c h a n ­ d o -m e a i n d a so b a d e s a g r a d a v e l im p r e s s ã o q u e m e c a u s á r a o f a c to a q u e m e v o u r e f e r i r , f a c to q u e p e l a s u a s in g u l a ­ r i d a d e m e p a r e c e u s ig n ific a r u m a d e s c o n s id e r a ç ã o p e s s o a l d a p a r t e d e v . e x . “, s o lte i a lg u m a s e x p r e s s õ e s q u e p o r v e n ­ t u r a p o d e r ia m p a r e c e r o ffe n s iv a s a v . ex.'^, a q u e m c o n ­ s ta n te m e n te e d e h a m u ito te m p o e u d e r a in c o n te s tá v e is p r o v a s d e e s tim a e d e c o n s id e r a ç ã o . S e r e n a d o o m e u a n im o e s ig n ific a n d o -m e a m ig o s n o sso s q u e V. e x . “, c u jo c a r á c t e r r e s p e ita b ilis s im o m u ito a p r e c io , se r e t i r a r a d ’e s ta c a m a r a m a g u a d is s im o p o r e s s a s p a l a v r a s q u e e u p r o n u n c iá r a , a ífia n ç a n d o - m e ao m e sm o te m p o q u e n ã o h o u v e r a d a p a r t e d e v . e x .^ o in tu i to d e d e s c o n s id e ­ r a ç ã o p e s s o a l q u e e u llio a t t r i b u i r a ; e u n ã o h e s ite i u ra m o m e n to s e q u e r e m f a z e r c o n s t a r a v . ex.®, p o r in t e r m e ­ d io d e d o is d ’e s s e s c a v a l h e ir o s , q u e a c h a n d o - s e o m e u e s ­ p ir ito m a is s o c e g a d o , em v i s t a d a s s u á s d e c la ra ç õ e s c n ã o te n d o h a v id o d a p a r t e d e v . ex.® in te n ç ã o o íF en siv a, e u r e t i r a v a t o d a e q u a l q u e r e x p r e s s ã o q u e p o d e s s e t e r m a ­ g u a d o a V. ex.® E m to d a a m in h a v id a p a r l a m e n t a r te n h o c u m p r id o se m ­ p r e a s in d ic a ç õ e s d a m in h a c o n s c ie n c ia e n ’a q u e lla ocea:»

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sião a niiuha consciencia dizia-nie que n3o devia demorar­ me um momento sequer em dar uma explicação a v. ex.®, que lhe era devida.

E tendo tido este facto uma certa publicidade, eu de­ sejo aqui em publico declarar que entendo haver cumprido um dever de homem de bem, restituindo toda a minha es­ tima a um velho amigo de mais de quarenta annos.

Bem quizera também, sr. presidente, poder dizer a

V. ex.® que o procedimento da presidencia havia sido cor­

recto ; mas não posso.

Sr. presidente, depois de eu ter pedido a v. ex.® que me reservasse a palavra para a sessão seguinte, v. ex.® poz em seguida á votação o requerimento do sr. Quaresma para se prorogar a sessão.

Esta resolução da mesa pareceu-me estar em opposição

com 0 processo seguido nas duas casas do parlamento, com

uma praxe parlamentar nunca até aqui infringida.

Eu vou muito serenamente, com inteira verdade, rela­ tar os factos como elles se passaram.

Sr. presidente, proseguia no meu discurso quando ouvi dar a hora no relogio da casa.

Como a minha vista não alcança grande distancia, não pude ver se o ponteiro do relogio estava nas cinco horas,

mas ouvi vozes : já deu a hora, em varios pontos d’esta

sala.

N’essa occasião, para não abusar da attenção da camara, dirigi-me a v. ex.® e pedi-lhe que me reservasse a palavra para a sessão seguinte. V. ex.®, em seguida, deu a pala­ vra ao sr. Quaresma, que a tinha para um requerimento antes de se encerrar a sessão.

O requerimento, que era para a prorogação da sessão, foi posto á votação por v. ex.® e approvado.

Estas resoluções tomadas por v. ex.®, permitta-me que lhe diga, estão em perfeita opposição com as praxes segui­ das até hoje. Desde o momento que um orador se dirige á mesa e pede que a palavra lhe tique reservada para a ses­ são seguinte, eu tenho visto sempre que a palavra lhe fica reservada e a discussão se considera interrompida até á sessão seguinte. Pode acontecer haver pedido previo para se obter a palavra antes de se encerrar a sessão ; mas é sempre para se tratar de algum assumpto estranho á ordem do dia e até com exclusão da ordem do dia. Requerimen­ tos d’esta natureza comprehendem-se, podera-se pôr á vo­ tação e a camara approval-os ou rejeital-os ; é o que suc­ cédé todos os dias.

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Eu tenho oito ou nove anuos de vida parlamentar, e du­ rante este tempo sempre vi seguir esta norma, e nao o que se fez na sessao passada.

Eu bem sei que se pode allegar que o relogio repete a hora alguns minutos depois do ponteiro a haver mareado, e pretender-se, por urna subtileza de argumentaçSo, que a hora que eu ouvi, a primeira que soou, não é a hora ver­ dadeira para se dar por terminada a sessào.

Isto nSo é assim; mas ainda que o fosse, quer eu inter­

rompesse 0 meu discurso depois da hora ou alguns minutos

antes da hora verdadeira haver soado, o que é certo, o que é incontestável, é que pedi a v. ex.® que me reservasse a palavra para a sessào seguinte, e que em vista d ’isso a praxe parlamentar sempre seguida não dava já cabimento a um requerimento para prorogaçào da sessào.

Eu appello para a memoria de todos. O que eu tenho visto é que sempre que qualquer orador suspende o seu dis­ curso, por suppor ter dado a hora, se effectivamente elle se engana, o presidente declara que o orador póde continuar porque ainda faltam alguns minutos para dar a hora. N’este caso 0 orador, ou termina o seu discurso, ou pede que lhe fique a palavra reservada para a sessào seguinte, e o pre­ sidente só póde dar a palavra a quem a solicitou para tra­ tar de qualquer assumpto alheio á ordem do dia.

Portanto^ o que me parece correcto é que eu ficasse com a palavra reservada para a sessào seguinte, em qualquer das hypotheses, quer tivesse, quer não tivesse dado a hora.

Em todo 0 caso nâo era Já occasiào de fazer requerimen­

tos, nem para se votar uma materia sobre a qual um ora­ dor já tinha ficado com a palavra reservada para a sessão seguinte.

Alem d ’estas rasõcs, parece-me a mim, que, nào podendo deixar de ter logar no nosso systeraa politico a rotação dos partidos, não considero vantajoso para a actual maioria par­ lamentar que se adoptera praticas novas tendentes a res­ tringirem o principio da liberdade de exame e discussão; pois que lá virá tempo em que precisará que lhe mantenham essa liberdade e esses direitos, contra os quaes agora se in­ surge.

Por estes principios, absolutamente oppostos ao predomi^ nio brutal da força, sr. presidente, é que eu tenho guiado 0 meu procedimento politico ; desejaria portanto que a maio­ ria d’esta camara nào adoptasse ura systema menos justo e liberal, porque, mesmo quando se tem a força por si, de­ ve-se sempre proceder de aceordo com o direito e com a

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B ra s íto . C o n v é m q u e a m a io r ia se aftiste d o s y s te m a d e , co m a id é a d e s u s t e n t a r á s v e z c s u m c a p r ic h o in c o n s id e r a d o , se d e i x a r a r r a s t a r p e lo e n th u s ia s ra o p a r t i d a r i o n o p e n d o r d a p a ix á o p o litic a . F e i t a s e s ta s c o n s id e r a ç õ e s , te rm in o d iz e n d o co m to d a a le a ld a d e p e r a n t e e s t a c a m a r a , q u e e u r e c o n h e ç o q u e so u s u s c e p tiv o l d e e r r a r , e q u e , se o u so r e c o m m e n d a r lh e q u e r e c o n s id e r e a lg u m p r o c e d im e n to m e n o s e q u i ta t iv o e e m e n d e a lg u m a s d a s s u a s re s o lu ç õ e s m en o s r c f le c tid a s , é p o r q u e ta m b e m e u , q u a n d o re c o n h e ç o q u e e r r o , n ã o d u v id o c o n fe s ­ s a r , co m o h o je co n fessei c . m a f ro n te b e m a l ta , q u e e r r e i. A p e n a s p r o c u r e i a t t e n u a r a m in h a f a lt a f a z e n d o v e r co m o a in ju s tiç a d a c a m a r a p e r tu r b á r a . o m e u e s p irito e o c e a s io n á r a o m e u e r r o . V o z e s : — M uito b e m , m u ito b e m . O s r . P r e s i d e n t e : — A c a m a r a e o m p re h e n d e rá , c e r t a ­ m e n te , q u e d e p o is d a s d e c la ra ç õ e s , o u e x p lic a ç õ e s , tã o h o n r o ­ s a s p a r a s . e x .^ c o m o b e n é v o la s p a r a m ira , q u e a c a b a m d e s c r d a d a s pelo d ig n o p a r o s r . B o c a g e , e u n ã o p o s s o f ic a r s il e n ­ cioso e d e s a g r a d e c id o .— H a d e c o n s e n tir , p o r isso, q u e d ’a q u i m e s m o e u p r o n u n c ie a lg u m a s p a l a v r a s . S e r ã o a s p r im e i­ r a s d e p u r o e c o r d ia l a g r a d e c im e n to , d e r e c o n h e c im e n to s in ­ c e r o e p r o fu n d o , ao s r . B o c a g e , p e la le ald .ad e e h o n r a d a e s ­ p o n ta n e id a d e co m q u e p r o c e d e u , d a n d o ta e s e x p l ic a ç õ e s .— D e p o is d o s in fe liz e s a c o n te c im e n to s q u e a q u i h o u v e ao t e r m i n a r a s e s s ã o d e s a b b a d o , co m o s q u a e s o m e u c o r a ­ ç ã o ficou p r o f u n d a m e n te fe rid o e a fflic to , a fílicç ão se m ig u a l e m to d a a m in h a lo n g a c a r r e i r a p a r l a m e n t a r , o m o m e n to m a is c o n s o la d o r d a r a in h a v id a foi a q u e lle em q u e d o is d ig n o s p a r e s , os s r s . P a e s V illa s B o a s e S e n n a , m e e n t r e ­ g a r a m u m a c a r t a d o s r. B o c a g e e x p r e s s a n d o n ’e lla o d e ­ s e jo , p e d in d o a t é , q u e , la n ç a d o a o e s q u e c im e n to o q u e t i ­ n h a h a v id o , c o n tin u á s s e m o s a s e r a m ig o s . — A s s im , á f e ­ r i d a r e c e b id a foi im m e d ia ta m e n te , q u a s i in s t a n t a n e a m e n ­ te , a p p lic a d o o b a ls a m o c o n s o la d o r. A q u e lle s d o is d ig n o s p a r e s r e n o v o a q u i ta m b e m os m e u s a g r a d e c im e n to s . E l l e s fo ra m os m e n s a g e ir o s d a p a z e d a t r a n q u i llid a d e p a r a a m i­ n h a a lm a , e co m isso f iz e ra m - m e u m f a v o r d e a ltis s im o v a lo r. A o s r . B o c a g e e s c r e v i lo g o , im m e d ia ta m e n te , d iz e n d o - lh e q u e e u h a v i a fiea d o a fflic to , m a s m a is n a d a . — E x p r e s s a ­ v a - lh e a m in h a a l e g r ia p e la re c e p ç ã o d a s u a c a r t a , e d iz ia - lh e q u e q u a r e n t a a n n o s d e a m is a d e n ã o s e d e v ia m r is c a r d a m e m o ria p o r c a u s a d e a lg u m a s p a l a v r a s p r o n u n c ia d a s no m o m e n to d e u m a e x a lta ç ã o n a s c id a d a p o litic a , c u jo s i n te r e s ­ se s são p a s s a g e ir o s c e n g a n a d o r e s , . \ g o r a o s r . B o c a g e lev o u

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aqui o seu procedimento alem da generosidade, foi bene­ volo. Eu lh’o agradeço novamente. — Amigos desde os bancos da universidade — companheiros nas luctas fratri­ cidas das nossas dissensões partidarias — collegas ha mui­ tos annos no parlamento — divergentes apenas na actuali- dade mas nào adversarios, eramos, somos, e seremos ami­ gos — reciprocamente o promettemos.

Isto posto e dito quanto á questão pessoal que está mor­ ta, cumpre-me dizer algirma cousa a respeito da questão regimental, que julgo preciso esclarecer ainda, para minha defeza e para evitar que se repitam casos iguaes.

N’esta parte é forçoso considerar os factos em si, e exa­

minar depois 0 direito applicavel.

O sr. Bocage e os seus amigos julgam-se no seu incon­ testável direito, e que cumprem até um dever, propugnando pela inviolabilidade das suas immunidades parlamentares, as quaes consideram offendidas.

É justo que assim o façam, e eu reconheço que procedem de boa fé. Consideram-se offendidos no seu direito de li­ vre discussão, devem e têem direito a propugnar por elle pondo em pratica todos os meios convenientes para que fi­ que illeso.— Mas, e pelas mesmas rasões, não podem levar a mal que eu, não para renovar a discussão mas para de­ feza propria e para manter a dignidade do logar que oc­ cupe, diga também alguma cousa ácerca dos factos occor- ridos e do direito applicavel.

Eu cuido que os acontecimentos de sabbado resultaram,

em parte, de um equivoco de facto, e depois de uma errada

interpretaç.ão do regimento.

Emquanto ao facto.— E certo, inquestionável, que du­ rante 0 discurso do sr. Bocage foi pedida a palavra pelo sr. Quaresma para um requerimento simplesmente, e logo depois, passados alguns momentos, tornou elle a pedir para um requerimento antes de findar a sessão. — O sr. Bocage continuou a fallar, e no momento preciso de chegarem as cinco horas, advertido talvez por alguns vizinhos de que eram cinco horas, declarou que interrompia o seu discurso e pedia para o continuar na seguinte sessão.—Ainda eu não tinha respondido a este pedido do sr. Bocage, instou o sr. Quaresma pela realisação do seu requerimento anterior­ mente annunciado.— N’esta reclamação era elle apoiado por muitos dignos pares da maioria, dizendo que as cinco ho­ ras não tinham ainda batido no relogio da casa. — Pelo contrario o sr. Bocage, e com elle outros dignos pares seus amigos, oppunha-se a quo o sr. Quaresma formulasse o

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8 r e q u e r im e n to , d iz e n d o q u e a h o r a ti n h a j á b a t id o . — Q u e p o d ia e u , e q u e d e v i a f a z e r e m ta o s c i r c u m s ta n c ia s ? E u e n t e n d i q u e , te n d o o s r . Q u a r e s m a p e d id o m u ito a n - te c ip a d a m e n te a p a l a v r a p a r a u m r e q u e r im e n to p a r a a n ­ t e s d e e n c e r r a d a a s e s s ã o , e s e n d o e e r to q u e o s r e q u e r i ­ m e n to s s ã o fe ito s á c a m a r a e n ã o a o p r e s id e n te , o q u a l p o r si n ã o te m a u c to r id a d e p a r a os d e f e r ir o u in d e f e r i r , n ã o p o d ia n e g a r a o s r . Q u a r e s m a a f a c u ld a d e d e f o r m u l a r o s e u r e q u e r im e n to , fo sse e lle q u a l fo s s e , e s u je ita i o im m e d ia ta - m e n te á d e c is ã o d a c a m a r a . — F o i o q u e íiz , m a s co m p r o ­ te s to s e v is iv e l r e p u g n a n e i a d a m in o ria .

Contra estes protestos e impugnações da minoria levan- taram-se outros, não menos clamorosos, da maioria, e a ses­ são tOrnou-se agitada, quasi tumultuosa.

F o i só p o s te rio rm e n te q u e e u fu i in f o rm a d o q u e a r a s à o d a im p u g n a ç ã o d e u m a p a r t e d a c a m a r a , e d a r e c la m a ç ã o d a o u tr a , c o n t r a e a f a v o r d a v e r if ic a ç ã o d o r e q u e r im e n to , r e s i d t a v a d e q u e , s e g u n d o u n s a h o r a ti n h a e f f e c tiv a m e n te b a tid o , e n te n d e n d o o u tr o s q u e n ã o . V c -s e , p o is , q u e s o b re is to e x i s t i a u m eq u iv o c o d e f a c to e ra q u e to d o s tin h a m r a ­ s à o , o u s u p p u n h a m q u e a t i n h a m , e s ta n d o , p o r iss o , to d o s e m m u ito b o a fé . O q u e m e p a r e c e c e r to , s e g u n d o a s i n ­ fo rm a ç õ e s d e p o is r e c e b id a s , é q u e o re lo g io t i n h a s im c o ­ m e ç a d o a b a t e r a s cin.co h o r a s p e la p r i m e i r a v e z , m a s a i n d a n ã o a s t i n h a r e p e tid o co m o c o s tu m a f a z e r . S e n d o isso a s s im , a d iffe ro n ç a d e te m p o e r a q u a s i im - p e r c e p tiv e l e p o r m ira n ã o foi p e r c e b id a . A q u i n a p r e s i d e n ­ c ia , e j u n t o a m im , e s ta v a m d o is d ig n o s p a r e s q u e m e af- f ir m a r a m q u e a h o r a n ã o t i n h a b a tid o a i n d a . — E n ’e s t a d u ­ v id a , n ’e s ta in c e r te z a , p o d ia e u p r i v a r o s r . Q u a r e s m a d o d ir e ito d e f o r m u la r u m r e q u e r im e n to a n t e r i o r m e n t e a n n u n - c ia d o e d irig id o á c a m a r a ? ! ! — E u n ã o d e f e ri n e m in d e f e r i o r e q u e r im e n to d o s r . Q u a r e s m a , a u c to r is e i a p e n a s q u e e lle o f o rm u la s s e o q u e o d ir ig is s e á c a m a r a , n a d a m a is . E u n ã o p o d ia r e c u s a r - l h e e s s a f a c u ld a d e , e s s e d ir e i to , e só á c a m a r a p e r t e n c i a d e f e r ir - lh e o u in d e fe rir- lh e . D e v o d iz e r m a i s ; — p a r a m im a q u e s tã o d a d if té r e n ç a im - p e r c e p tiv e l e i n s t a n t a n é s d o te m p o , q u a n d o m e sm o a t i ­ v e s s e p e r c e b id o , p o u c o v a lo r te r i a e n a d a im p o r ta r i a . P o u c a ou n e n h u m a im p o r ta n c ia d a r i a e u á e i r c u m s ta n c ia d o re lo g io t e r e f íe c tiv a m e u te c o m e ç a d o a d a r a h o r a , ou 1er j á te rm in a d o . E u c u id o q u e q u a e s q u e r m o m e n to s d e t e m ­ p o , q u a s i iin p c r c c p tiv e is , n ã o a l t e r a v a m o d ir e ito , c n ã o d e ­ v ia m in flu ir cm m im p a r a a u c to r is a r , o u n ã o , o s r . Q u a ­ r e s m a a f o rm u la r o s e u r e q u e r im e n to .

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o

o p ro c e s s o p a r l a m e n t a r n a o é co m o o p ro c e s s o c iv il, d e estricto direito; d e v e t e r , e te m s e m p r e , c e r t a e l a s t i c i d a d e , s e g u n d o o s c a s o s e c ir c u m s ta n c i a s d a o c c a s ia o . E u m p r o ­ c e s s o bona fidei e d e v e s e r e x e c u t a d o s e m p re ex œquo et bono. — S e a s s im nS o fo r, o a n d a m e n to d o s n e g o c io s p a r l a ­ m e n ta r e s to r n a r - s e - h a im p o s s ív e l e m m u ito s c a s o s . A le i d o r e g im e n to é g e r a l e d e v e s e r s e m p re r e c t a , m a s d e v e i g u a l ­ m e n te s e r f le x iv e l co m o a lin h a . E a m in h a f le x ib ilid a d e , n ’e s te e le v a d o m a s a r r is c a d o lo g a r q u e o c c u p o , te m s id o s e m p r e a f a v o r d a s m in o r ia s , p o r q u e o r e g im e n to , d e s t i ­ n a d o a c o n s e r v a r a o r d e m , d e v e s e r o a m p a r o d a s m in o ­ r i a s . N ’e s ta s c ir c u m s ta n c ia s , a q u e s tã o , r e p ito , d e d i s t i n g u i r o m o m e n to p re c is o e m a th e m a tic o e m q u e o s r . Q u a r e s m a p r in c ip io u r e a lm e n t e a f o r m u la r o s e u r e q u e r im e n to é d e p o u c o v a l o r m o r a l, e e r a im p o s s ív e l a p r e c ia l- a n ’a q u e lla o c c a s iâ o co m r i g o r o s a 'e x a c t i d ã o . P ^ r a m im , a q u e s tã o d e ­ v ia e d e v e s e r t r a t a d a n ’o u tr o c a m p o , n o c a m p o d o d ir e ito . I m p u ta r a m - r a o o s d ig n o s p a r e s d a m in o r ia q u e f u i p a r ­ c i a l, c o n c e d e n d o a p a l a v r a a o s r . Q u a r e s m a ! !— Q u a l é o a r tig o d o r e g im e n to q u e foi in f rin g id o p o r m im , p e r g u n to o u V E u c o n v id o , e j á e n tã o c o n v id e i, q u a l q u e r d ig n o p a r a q u e in d iq u e q u a l o a r ti g o d o n o sso r e g im e n to q u e p o r m im foi in f rin g id o ?— D ig a - s e -m e q u a l o a r ti g o do r e g im e n to q u e p r e s c r e v e ao p r e s id e n te u m p r o c e d im e n to d iv e r s o d o q u e e u t i v e ? — N i n g u é m m ’o p ó d e d iz e r , p o r q u e n ã o e x i s t e . — N ã o h a v e n d o n o r e g im e n to a r ti g o a lg u m q u e p o r m im fo sse o ffe n d id o , co m o c o n s id e r a r - m e criminoso d e p a r c ia li d a d e ! ? A s p r a t i c a s , n o s ú ltim o s a n n o s a d m itti d a s e n t r e n ó s , d e e s c a la r a p a l a v r a a titu lo d e r e q u e r im e n to s , o u p a r a a n t e s d e f e c h a d a a se ssã o , sã o v e r d a d e ir a s c o r r u p t e l a s , e n ã o p r a t i c a s r e g u l a r e s . E m n e n h u m o u tr o p a r la m e n t o a s e n ­ c o n tr o . E d ’a h i p r o v é m q u e n o n o sso r e g im e n to n a d a se p r o v id e n c e ia a t a l r e s p e ito . E o m isso , e tã o o m is s o q u e n ã o se p ó d e in v o c a r a r t i g o a lg u m q u e a p p lic a v e l s e ja ao c a s o a c o n t e c i d o .— D ig o is to co m tir m e z a e co m c o n v i c ­ ç ã o p le n a . — I n d iq u e - s e - m e o a r tig o q u e im p o r te a m in h a c o n d e m n a ç ã o , e e n tã o s u b m e tte r- m e -h e i r e s ig n a d o á p u n i ­ çã o e s e re i o b e d i e n te á v o z d a le i. A o c o n tr a r io , e u te n h o u m a r ti g o d o r e g im e n to q u e , p o r a n a lo g ia , e p a r id a d e d e r a s ã o , m e j u s t i f i c a , e q u e a u c t o r i s a v a o m e u p r o c e d im e n to . E o a r t i g o ¿ 0 ." , — o r d e ­ n a n d o q u e «passada meia hora depois de feita a lei­ tura da correspondencia sé passará logo á ardem do dia.

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ficando para a sessão seguinte quaesquer assumptos que se­ jam prejudicados por esta disposiçãov. E no § único diz

que «ta discussão poderá continuar havendo para isso pré­

via deliberação da camaras.

Assim pois, se chegado o momento legal de se entrar na ordem do dia a camara póde resolver que a meia hora seja prorogada e que uma discussão continue ou que seja interrompida, e isto tanto no caso de que algum orador esteja fallando e haja de interromper o seu discurso, como no caso do orador haver já terminado, sem differença al­ guma, porque será prohibido applicar esta disposição ao caso similhante de haverem chegado as cinco horas ?! ! A hypothèse é a mesma.— Tanto vale que haja chegado o momento de entrar na ordem do dia, como o de ter che­ gado 0 momento de se encerrar a sessão. A rasão de deci­ dir é perfeitaraente a mesma, é igual.

E não havendo na, lei regimental artigo algum ex­ presso e directamente applicavel, quaes são as nossas pra­ ticas e estylos parlamentares? — Eu estou aqui, membro d’esta casa, ha quinze annos, e juro que nunca vi que se verificasse um caso igual. Tenbo procurado informar-me com algumas pessoas mais antigas e nenhuma me indicou ainda um caso perfeitamente igual.— O caso de se pedir a prorogação da sessão é ordinario e commum, mas o caso de se pedir a prorogação da sessão quando um orador está a fallar e tendo pedido para ficar com a palavra reservada nunca aqui o presenciei. — Assim, n’estf^ casa, não ha pre­

cedente algum applicavel com rigor ou exactidão. ■— Se o

ha eu ignoro-o. Digo isto e affirmo-o. — Indique-se-me al­ gum facto igual.

Na outra casa do parlamento sim, ahi tem havido, e du­ rante vinte e dois anuos que ali estive observei e assisti a muitos casos como este, os quaes, em cada hypothèse, eram resolvidos sempre por uma votação da camara, mas sem­ pre com os protestos da minoria. — Eu ali, na outra casa, estive quasi sempre na opposição, e por isso sei quaes as amarguras e as contrariedades que soffrem aquolles que estão «em baixo. Foi para regular esta materia, que dava oceasião a graves questões e ás vezes a conflictos, que veio o artigo Õ7.“ do actual regimento dos srs. deputados,

que determina o seguinte: «A prorogação da sessão não

poderá ter logar senão sendo requerida antes da hora mar­ cada para o encerramento, designando-se expressamente o fim da prorogação.— N’estes termos, se o regimento da camara dos deputados fosse o nosso, ou se elle podesse ser

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applicavel para resolver a hypothèse actual, era incontes­ tável que a sua disposição havia sido observada rigorosa­ mente por inim; pois que a verdade é que o sr. Quaresma tinha pedido a palavra antes, muito antes, de encerrada a sessão, e havia tambeni indicado o iim da prorogação.^—Em que faltei eu, pois, ao meu dever de imparcialidade?.!

Não havendo lei positiva contra, — não havendo estylos ou praxe constante n’esta casa que devesse ser seguida e observada por mim,.—quaes são os principios, as doutrinas e a theoria do direito parlamentar?

Eu tenho como principio certo e incontestável que cada assembléa, cada camara legislativa, tem direito de fazer o seu regimento interno, de interpretal-o, revogal-o livre­ mente e supprir, por meio de resoluções especiaos, os casos omissos e as suas deficiencias. È a doutrina constitucional sanccionada no artigo 2 1 .“ da c a rta .— As assembléas que não podem fazer o seu regimento não são deliberantes, são consultivas. As nossas camaras antigas não o podiam fa­ zer. Em muitas camaras legislativas dos paizes do norte da Europa, onde o governo é constitucional mas não par­

lamentar, 0 seu regimento interno não é obra da sua ex­

clusiva competencia, está fixado por lei e é invariável.— Na Hespanha já houve isso durante algum pequeno pe­ riodo de tempo. — Os padres do concilio do Vaticano recla­ mavam o direito de fazer o regimento interno do concilio, mas 0 Papa Pio IX prescreveu-lh’o por uma constituição apostólica. — Entre nós o nosso direito é incontestável.—- Se pois, nós podemos fazer o nosso regimento, revogal-o, intcrpretal-o e supprir as suas omissões em cada caso,

como negar á camara o direito de resolver soberanamente

uma hypothèse qualquer, como a de sabbado, a qual não está precisamente prevista na lei ?! ! — E que fiz eu então senão submetter á decisão soberana da camara o requeri­ mento formulado pelo sr. Q uaresm a?!!— Eu, por mim, nada decidi, nada resolvi, não fui dictador, nem tyran-

no, nem despota. — Pediram-me em tempo licito e legitimo

que submettesse á decisão da camara um requerimento que só á camara era dirigido, e é o que fiz.-— Eu sei pela experiencia, e pelos soíFrimentos de muitos annos de oppo- sição, quaes são as torturas e as contrariedades que soffrem as minorias parlamentares ! A minha consciencia está tranquilla. — Eu cumpri o regimento, com firmeza sim, mas obedeci só ao regimento e aos principios constitucio- naes.

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12 to d o s 03 p a r la m e n t o s r e g e o p r in c ip io in c o n tr o v e r s o d e q u e a s m in o r ia s tê e m o d ir e i to a discutir, q u e a p r e s id e n c ia te m o d ir e ito e a o b r ig a ç ã o d e d i r i g i r im p a r c ia lm e n te a s d is c u s s õ e s , e q u e a s m a io r ia s tê e m o d ir e ito d e d e c id ir c r e s o lv e r soberanamente. E s te s d ir e ito s e o b r ig a ç õ e s sã o in ­ c o n t e s t á v e i s . — P e lo q u e r e s p e i t a e s p e c ia lm e n te a o d ir e ito d a p r o r o g a ç ã o d a s s e s s õ e s , e m q u a s i t o d a a p a r to h a le i e x p r e s s a e r e g r a s c e r ta s . A s s im n o r e g im e n to d o a c tu a l s e n a d o e m H e s p a n h a h a 0 a r ti g o 1 0 2 .“, q u e d iz : « A s se ssõ e s d u r a r ã o s e is h o r a s , a t é e s t a r d e f in itiv a m e n te c o n s titu id o o s e n a d o , e q u a t r o d e p o is , p o d e n d o em ambos os casos ser prorogadas indefinidamente por accordo do senado e sob proposta do presidente, ou a pedido do governo ou de algum senador t.

V ê - s e d ’e s te a r t i g o q u e é s e m p re o senado, e a m a io r ia d o s v o to s d o s s e n a d o r e s , q u e r e s o lv e á c e r c a d a p r o r o g a ­ ç ã o d a s s e s s õ e s , lo g o q u e e s t a lh e é p r o p o s ta p e lo p r o p r io p r e s id e n te , p e lo g o v e r n o , o u p o r u m s e n a d o r . N ã o h a l i ­ m ita ç ã o , r e s tr ic ç ã o , o u c o n d iç ã o a l g u m a im p o s ta a o d ir e i to d o s e n a d o . —- A m a io r ia d o s s e n a d o r e s r e s o lv e s e m p r e . E u m d ir e i to , a b s o lu to , in c o n d ic io n a l, illim ita d o . S e m isso 0 a n d a m e n to d o s n e g o c io s p a r la m e n t a r e s , e m m u ito s c a s o s , s e r ia im p o s s iv e l. N a m ã o , e n a v o n ta d e d e u m só h o m e m , o u d e d o is, p o d ia e s t a r d e p e n d e n t e a r e s o lu ç ã o d e u m n e ­ g o c io u r g e n tis s im o , e a o m e s m o te m p o d e g r a v e i n t e r e s s e n a c io n a l. — N o r e g u la m e n to d o c o n g r e s s o d o s d e p u t a d o s e m H e s p a n h a h a o a r ti g o 9 7 . “, q u e r e p r o d u z lit te r a l m e n t e a s m e s m a s p a l a v r a s d o r e g u la m e n t o d o s e n a d o , co m a ú n ic a difFerença^ d e e m p r e g a r a p a l a v r a d e p u t a d o , em lo g a r d e s e n a d o r . É d ir e ito c o m m u m , r e g r a g e r a l, p r in c ip io u n iv e r s a l. N ’o u tr o r e g u la m e n t o d o s e n a d o , e m H e s p a n h a , d e 1 8 7 1 fe ito em h a r m o n i a c o m a c o n s titu iç ã o d e m o c r á tic a d e 1 8 6 9 , h a v i a o a r ti g o 1 0 7 .“, q u e t e x t u a l m e n t e e s ta b e le c e a m e s m a d o u t r i n a e a s m e s m a s p a l a v r a s s u p r a in d ic a d a s . N o o u tr o r e g u la m e n to d o s e n a d o d e 1 8 6 7 , h a o a r ti g o 3 3 .“, q u e d i z : «A d u r a ç ã o o r d in a r ia d a s se ssõ e s s e r á d e t r e s h o r a s se não forem p r o r o g a d a s » . — N o r e g u la m e n to d e 1 8 5 0 , h a v ia o a r ti g o 3 4 . “, q u e d iz e x a c t a m e n te o m e s m o .— D o q u e tu d o c o n c lu o eu q u e , s e g u n d o o d ir e ito p a r l a m e n ­ t a r h e s p a n h o l, o s e n a d o te m o d ir e ito illim ita d o e in c o n d i­ c io n a l d e p r o r o g a r a s s e s s õ e s indefinidamente sem que por isso n e n h u m s e n a d o r p o s s a p r o t e s t a r .

S e g u n d o o s a r ti g o s 4 4 .“ c 46.® d » r e g u la m e n t o d o s e n a d o f ra n c e z , h o je e m v ig o r , c s e m p re a o s e n a d o , is to c, á m a io -1 ia d o s v o to s d o s s e n a d o r e s , q u o , sob proposta eæclusiva

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<lo presidente^ pertence determinar o encerramento ou a prorogaçSLo da sessào.— Acerca da prorogaçSo póde um se­

nador, um só, pedir a palavra, mas é o senado que decide

em cada caso sem recurso nem protesto possivel.

Nos regulamentos das camaras legislativas da Bélgica nSo encontro disposição alguma reguladora do direito de prorogar as sessões. Também nada encontro no regula­ mento do senado na Italia; d’onde concluo que é sempre a camara que resolve em cada caso especial.

E 0 que se faz na Inglaterra ? — Quem nao sabe que em

1881 houve na camara dos communs sessões que duraram seguidamente quarenta e uma horas e meia?!!— E como po­ dia isto acontecer senão por meio de successivas proroga- ções?—Aqui entre nós nunca te deu, e nunca se dará se­

guramente, 0 caso que d u ran te 'aquella sessào legislativa

se deu na Inglaterra, vendo se o presidente obrigado, para conservar a ordem, a expulsar da assembléa, de uma só vez e em massa, vinte e sete deputados ! ! ! — Em resultado d’estes acontecimentos, verificou-se uma completa reforma

regimental em 1882, na qual foi introduzida a cloture, isto

é, 0 abafarête, que até ali nunca tinha havido, e tornou quasi desnecessária a prorogação das sessões.

Em conclusão, reconheço a sinceridade e a boa fé com que a minoria d’esta casa sustentou e sustenta as suas pro­ rogatives, que julga foram offendidas. E incontestável o direito de que usou hoje o sr. Bocage defendendo os seus direitos, que considera haverem sido offendidos. E porém meu direito também dizer as rasões que determinaram o meu proceder, e pedir á camara que proceda, quanto an­ tes, á revisão do nosso regimento interno, o qual é antigo, nâo está accommodado ás circurastancias do tempo actual, é omisso e muitas vezes confuso.

Termino pedindo desculpa á camara pelo tempo que oc­ cupe! a sua attenção.

O sr. Marquez d e Rio Maior: — Sr. presidente,

quando pedi a palavra fiz mal em a pedir sobre a ordem, devia tel-a pedido sobre o incidente; pois antes da ordem do dia bem sei que não ha ordem, e sohre o incidente po­ dia alcançar a palavra pela benevolencia da camara. Não foi isto necessário, e v. ex.“ concede-me dizer a minha opi­ nião, seguindo a ordem dos oradores inscriptos.

A moção que vou apresentar, creio que está no animo de todos os que me escutam; diz respeito ás declarações tão dignas e tão cavalheirosas trocadas entre v. ex.“ e o

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A moção é il seguinte :

(íA camara dos pares do reino sente a mais profunda sa­ tisfação por ter ouvido as explicações nobres e dignissimas trocadas entre os dignos pares os srs. vice-presidente da camara e o sr. Bocage, e resolve que esta sua manifesta­ ção seja lançada na acta da sessão de lioje.=O s pares do

reirio, Marquez de Rio Maior = H . de Macedo = A. M.

de Senna = M. Raes de Villas Boas= H intze Ribeiro.-^ Sr. presidente, não é necessário justificar e explicar esta moção. Conhecemos todos o incidente, que a ella dá ori­ gem, e os sentimentos dos dignos pares com certeza se ccnformam com o que está escripto na minha moção, assi^ gnada por alguns collegas. (Apoiados.)

Foram dignas as explicações do nosso presidente e do sr. Bocage, digna também é esta proposta, que, se for vo­ tada pela camara, lhe servirá de remate.

Não discutirei porém a questão levantada entre v. ex.^ e o digno par o sr. Bocage, a proposito do artigo do regi­ mento.

N’esta occasião julgo^ como membro da maioria, que é inopportuno gastar-se tempo com estas discussões regimen- taes, quando temos negocios muito importantes a resolver, e está proximo o encerramento das cortes.

Declaro que a minha opinião é terminante sobre o ponto que se discute, e entendo que esta questão, que se levan­ tou na ultima sessão, está completamente resolvida á face do regimento e da pratica ; mas, se querem estudar o as­

sumpto, e visto 0 sr. vice-presidente d’esta camara, pessoa

tão auctorisada, ter duvidas sobre o artigo do regimento, lembro que pode haver uma proposta para que este artigo vá á commissão de regimento a fim de se resolver melhor este ponto. O assumpto tem depois de ser discutido na oc­ casião em que a commissão der o seu parecer, e, portanto, parece-me completamente inútil gastarmos hoje o nosso tempo precioso, discutindo uma materia, que tem ainda de ser ibscutida.

Limito aqui as minhas considerações. Entendo que o pro­ cedimento da presidencia foi correcto, harmónico, senão

com 0 artigo do regimento, que talvez seja um pouco vago,

pelo menos conforme com a pratica.

Se querem, vá o artigo á respectiva commissão para so­ bre elle dar o seu parecer.

O sr. Presidente : —Vae ler-se a moção do digno par

o sr. marquez de llio Maior. ■ Leu-se na mesa e fo i admittida.

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15 O s r . V a z Preto : — - S r . p r e s id e n te , e u u û o ía z ia te n - i;Xo d e d i s c u t i r e s te in c id e n te , e se v o u f a z e r a lg u m a s c o n ­ s id e ra ç õ e s s o b r e o a s s u m p to , é iss o d e v id o á s a p r e c ia ç õ e s d o d ig n o p a r o s r . m a r q u e z d e K io M a io r. P a r e c e - m e q u e s. e x .* n à o te m r a s ã o d e p e d i r q u e o a r ­ tig o v á á c o m m is s ã o d e r e g im e n to p a r a d a r o s e u p a r e c e r , p o r q u e n à o h a a r ti g o e x p r e s s o s o b r e o c a s o s u je ito . Q u a l é o a r ti g o a q u e s. e x .* se r e f e r e ? N ã o h a a r tig o n e n h u m s o b r e o q u a l a co m m issã o d e r e g im e n to t e n h a d e s e r o u v id a . E s a b e a c a m a r a a r a s ã o p o r q u e n a o h a a r ti g o ? E p o r q u e a b o a r a s ã o e o b o m se n so in d ic a m a s r e g r a s q u e d e v e m s e g u ir - s e . T o d o s s a b e m q u e q u a n d o a lg u m d ig n o p a r e s t á f a l l a n ­ d o , n ã o p ó d e , no s e u d is c u rs o , s e r i n t e r c a l a d o q u a lq u e r r e ­ q u e r im e n to d e o u tr o d ig n o p a r . O q u e ó q u e s u c c e d e u a o d ig n o p a r o s r . B o c a g e ? S . ex .* im a g in o u q u e tin h a d a d o a h o r a , e p e d iu á p r e ­ s id e n c i a q u e lh e r e s e r v a s s e a p a l a v r a p a r a a se s s ã o se ­ g u in te . A p r e s id e n c ia n ã o t i n h a o u t r a c o u s a a f a z e r , c a s o n ã o tiv e s s e a i n d a d a d o a h o r a , s e n ã o o b s e r v a r a o d ig n o p a r q u e c o n tin u a s s e o s e u d is c u r s o ; e s e tiv e s s e d a d o a h o r a , d iz e r -lh e q u e f ic a v a co m a p a l a v r a r e s e r v a d a . I s to é c la r o , is to é in tu itiv o , e n a d a te m c o m o a r tig o q u e o d ig n o p a r d e s e ja q u e v á á c o m m is s ã o d o r e g im e n to p a r a e lla d a r o s e u p a r e c e r , S r . p r e s id e n te , eu n ã o q u e r o d is c u tir a q u e s tã o . P e d i a p a l a v r a p a r a f a z e r u m p e d id o a v . ex .* A s c o n d iç õ e s a c ú s ti c a s d ’e s t a c a s a sã o m á s ; o u v e -s e m a l d a p r e s id e n c ia p a r a a q u i , e d ’a q u i p a r a a p i’e s id e n c ia m u ito p e io r. O r a com o e u d e s e jo q u e o s m e u s d ir e ito s e o s d e q u a l ­ q u e r o u tr o d ig n o p a r s e ja m r e s p e ita d o s , d a m e s m a f o rm a q u e n ó s r e s p e ita m o s os d ir e ito s d e v . e x .* , p e ç o a v . ex .* q u e n ã o p o n h a n u n c a á v o ta ç ã o q u a lq u e r a s s u m p to , se m q u e t o d a a c a m a r a s a ib a o q u e se v a e v o t a r ; p o r q u e a s v o ­ ta ç õ e s tu m u l t u a r i a s e tu m u l tu o s a s d e s p r e s tig i a m - n ’a , tir a m - lh e a a u c to r id a d e , tir a m - l h e a f o rç a , e é n e c e s s á r io q u e se n ã o r e p it a m o s a c o n te c im e n to s d e s a g r a d a v e is q u e se tê e m a q u i d a d o f r e q u e n te s v e z e s . N ã o s e i d e q u e m é a c u lp a . O q u e sei é q u e e u q u e r i a f a l l a r s o b r e o o r ç a m e n to r e ­ c tific a d o , e q u e m a is a l g u n s d ig n o s p a r e s , e n t r e o s q u a e s o s r . T h o m á s R ib e ir o , q u e r ia m to m a r a p a l a v r a n a e s p c c ia

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li-10

dadfi. Mas ii3o foi possível fallarmos, porque a votaçíSo fez- se, e o projecto passou sem que soubéssemos o que se es­ tava fazendo.

V. ex.* tem rasào em dizer que é quem dirige os traba­

lhos da camara; porém, v. ex.“ não é infallivel, e os dignos pares têem direito de lhe pedirem explicaçSes para saber sobre que objecto recae a votação.

No ultimo dia de sessão, por mais que eu pedisse a pa­ lavra para explicaçSes, não me foi concedida. Attribue isto principalmente ás condiçães acústicas d ’esta sala: por isso

V. ex.* ouve mal, e nós também. Por consequência, quando

se tratar de votações e houver susurro, v. ex.^ obrigue to­ dos 08 dignos pares a tomarem os seus logares; e restabe­

lecido 0 socego, informe a camara de qual é o assumpto

que se vae votar.

Então V. ex.®, que dirige os trabalhos era conformidade

com 0 regimento, de certo respeitará os direitos dos dignos pares que tenham a fazer qualquer reclamação ou pedido de explicações.

( O digno p a r não reviu.)

O sr. P resid en te:— Farei toda a diligencia possivel

para proceder de modo como o digno par indica, — pois que assim é de justiça e de conveniencia; mas peço licença para observar que, se é difficil a mim ouvir sempre o que se passa na camara, não é do mesmo modo difiScil ouvir ahi o que se passa na mesa, porque o timbre da minha voz é

muito perceptivel. ,

Talvez que as observações do digno par se refiram ao que aqui se passou por occasiâo da votação do orçamento rectificado, e a tal respeito direi que com effeito havia en­ tão na sala algum susurro, mas não havia tumulto, havia ordem e tranquillidade. E esse susurro não era produzido pela mesa, nem se fazia proximo á mesa, mas nas cadeiras dos dignos pares, aos quaes pedi, por mais de uma vez, tranquillidade e attenção.

Ás vezes é absolutamente irapossivel evitar que na ca- raara haja algum susurro, filho tunas vezes da animação dos debates, e outras do cansaço.

N’essa occasiâo eu tive uma certa conversação com o digno par D. Luiz, convidando-o a que elle consentisse em interromper o seu discurso, e dar occasiâo a recomeçar a discussão do orçamento rectificado. — Essa conversação du­ rou alguns segundos e durante ella a attenção da camara esteve firme. Depois o sr. secretario leu em voz alta os ar­ tigos l . “ e 2.“ do projecto. Ninguém pediu a palavra e por

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iisso eu mui perceptivelmonte annunciei quo se ía a vo­ tar.

N’estes termos, — nenhuma culpa tinha eu de que a vo­ tação passasse despercebida para alguns dignos pares. Isto não obstante tomarei em consideração as observaçães do digno par o sr. Vaz Preto e farei o possivel para que na camara haja sempre silencio, ainda mesmo sob o risco de parecer impertinente.

O sr. Thomas Ribeiro: — Creio que estamos já em

])az e concordia. Se v. ex.* quer, antes de me dar a pala­ vra, pôr á votação a moção que fez o sr. marquez de Rio Maior, eu dirigirei depois algumas perguntas ao sr. minis­ tro da marinha, que tenho a ventura de ver presente, e talvez também algumas outras ao sr. ministro dos negocios estrangeiros, ácerca de assumptos completamente alheios á ([uestâo que se ventila.

O sr. Presidente: — Fica V . ex.* inscripto. Agora vou

dar a palavra ao sr. conde de Castro, mas peço a s. ex.“ que limite quanto possivel as suas considerações.

O sr. Conde de Castro: — Asseguro a v. ex.® que

não exorbitarei das suas indicações.

Temos duas questões, uma pessoal e outra de applica- ção do regimento.

A questão pessoal entre o sr. presidente e o sr. Bocage está já dirimida, perfeitamente liquidada com as declara­ ções cavalheirosas feitas pelo ultimo dos dignos pares a quem me refiro, i^oii amigo do sr. Bocage lia muitos an­ uos, tenho a maxima consideração pelo seu caraeter, o folgo, de poder applaudir hoje o seu procedimento S. ex.® muito espontaneamente deu ao sr. presidente todas as ex­ plicações necessárias, e por consequência a este respeito nada mais tenho a dizer.

Resta, pois,*a questão do regimento, questão que, muito contra a minha vontade, aqui hoje se renovou.

Antes, porém, de entrar n’ella, peço a v. ex.® que mande 1er na mesa o artigo 84.® do regimento. .

O sr. prim eiro secretario lexi o artigo do regimento que diz o seguinte:

«Toda a protestação contra uma decisão da pluralidade da camara será prohibida, mas permitte-se que se lance na

acta 0 voto em contrario, sem ser motivado, cujos motivos

poderá o par apresentar na mesa por escripto, para fica­ rem no archivo da camara.»

O Orador (co n tin u a n d o ):—Vê-sc, pois, que toda esta discussão não tem rasão de ser. Leu-se na sessão passada

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um artigo do regimento que níto tinha relaçSo alguma com o facto que então se passava; mas agora, em presença do que está muito claramente preceituado n ’esse artigo 84.®, nós não podemos estar a protestar contra uma deliberação tomada pela maior parte da camara.

Não sei se v. ex.® entende que a discussão póde conti­ nuar. Se entende, estou prompto a tomar parte n’ella; no emtanto, tenho duvidas sobre a sua legalidade, e sou de opinião que deve terminar immediatamente.

O sr. Presidente : — Peço licença para dizer ao digno

par que eu entendo que esta discussão não póde proseguir, e foi por isto mesmo que pedi a s. ex.* tivesse a bondade

de restringir as suas considerações. (Apoiados.)

Vou pôr á votação a moção do sr. marquez de Rio Maior.

O sr. Visconde de Moreira de R ey : — Peço a pa­

lavra.

o sr. P resid en te:— Tem v. ex.® a palavra.

O sr. Visconde de Moreira de R ey : — Creio que

a camara vae votar a moção apresentada pelo digno par o sr. marquez de Rio Maior. Não assisti á sessão de sabbado, e por consequência não presenciei os factos a que se refe­ riu 0 digno par o sr. Bocage.

E u declaro que voto com o maior prazer a moção apre­ sentada pelo sr. marquez de Rio Maior, visto que os factos que se deram a motivaram ; mas declaro também que seria maior o meu prazer se esses factos se não tivessem dado.

Dito isto, permitta-me v. ex.® que eu faça uma decla­ ração de principios.

Sou do tempo em que se considerava como axioma, nas duas casas do parlamento, que a decisão d’ellas era o re­ gimento vivo.

Todos 08 membros das duas camaras entenderam sem­

pre que, com dispensa do regimento, se fazia isto ou aquillo. E este direito nunca foi posto em duvida, entendendo-se

que 0 parlamento é soberano, e que póde, em qualquer

occasião, revogar o regimento.

Nunca perco occasião, como a camara vê, de affirmar os principios que julgo bons.

De resto, não contesto que é ao presidente, que dirige os trabalhos d ’esta camara, que compete o emprego de meios extraordinarios, quando circumstancias extraordina­ rias occorrerem, meios que podem ir até chamar o orador á ordem, retirar-lhe a palavra, ou fazel-o expulsar da sala das sessões.

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Leiubremo-nos todos de que as praxes regulamentares devem ser applicaveis pelo criterio que a prudencia me­ lhor aconselha, e de que o presidente, se tem attribuições latas, tem tarabem grandes responsabilidades.

( O digno par não reviu.)

O sr. Presidente: — O que ha agora a fazer é votar a

moção apresentada pelo sr. marquez do Rio Maior, mas achava talvez melhor que não fosse eu que a propozesse á votação.

V ozes: — Ponha. Porque não?

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