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Como explicar ao aluno cego os conceitos: transparente, vazio e céu?

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Academic year: 2021

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Como explicar ao aluno cego os conceitos:

transparente, vazio e céu?

Uma pedagoga me perguntou outro dia como faria para ensinar conceitos abstratos ao seu aluno do ensino regular, o que eu falei pra ela é que como são conceitos abstratos teria que fazer uma transferência de conceitos, para que assim o aluno entendesse através do tato esses conceitos tão difíceis de compreender, pois utilizamos a visão para visualizar o que é céu, transparente e vazio.

Em virtude dessa pergunta pensei em atividades táteis para trabalhar esses conceitos, veja a seguir:

TRANSPARENTE: fazer uma transferência de conceitos, ou seja, você pode dar uma folha sulfite e pedir que a pessoa cega apalpe, e dizer a ela que as cores vermelho, azul, entre outras, são visíveis e concretas assim como aquela folha e o transparente você pode dar uma bacia com água e pedir que passe a mão e dizer que embora a água seja sentida através das mãos, não é

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possível pegá-la, assim é a cor transparente a gente sabe que ela existe, mas não é possível vê-la.

VAZIO E CHEIO: colocar água em um copo e o outro deixar vazio, pedir para que a pessoa cega coloque a mão dentro para sentir o qual está vazio e o qual esta cheio, pode ser um pano no lugar da água.

CÉU: como é abstrato, fazer em EVA o formato de nuvem, estrela, sol, lua, planetas, enfim tudo o que pode ter no céu e pedir para que a pessoa cega utilize o tato para sentir e perceber o que tanto tem no céu, pode também falar que ele está acima de nós bem como a terra está abaixo de nós.

As técnicas pedagógicas reconhecidas são sempre as mesmas: o tato para reconhecer objetos concretos, o olfato para distinguir odores, audição para os diversos barulhos e sons, e paladar para os gostos e sabores.

Não contente só com a minha explicação, procurei em outros sites e achei outra resposta sobre a explicação dos conceitos transparente, vazio e

céu

Lumyi fez uma breve definição, conforme autores da área e convivência com as pessoas cegas. Existem palavras que entendemos melhor o seu conceito usando os nossos sentidos, como “áspero” com o tato, “doce” pelo paladar, “perfumado” pelo olfato etc. Assim como existem palavras abstratas e

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o conceito é aceito por todos, como solidão, paixão, Deus, paz, etc. No entanto, cada pessoa pensa de forma diferente e cria a imagem interna conforme o conceito estabelecido, mesmo nas palavras que refere aos objetos palpáveis. Exemplo: se eu falar somente a palavra “mesa”, certamente a imagem da mesa formada no seu pensamento é diferente de outras pessoas – para você poderia vir uma mesa redonda de madeira e para outros poderiam imaginar quadrada, de vidro, etc. Além disso, formamos o conceito das palavras pela função, ou seja, onde a palavra é utilizada, quem utiliza, como, porque etc. Mas, voltando para a criança cega, podemos trabalhar a palavra no sentido de buscar o conceito, e isso é muito importante para o desenvolvimento cognitivo dela.

Então, a palavra “transparente” é um adjetivo de algum substantivo, certo? , podemos dizer que “o vidro da janela está tão limpo, transparente, que parece não existir o vidro” ou “a gelatina está gelada, firme e transparente”, “esta água é limpa e transparente – está bebível” etc.

A palavra “vazio” pode-se mostrar uma caixinha cheia de objetos e depois esvaziar – e fazer com que a criança use a mão para sentir a diferença da caixa cheia e vazia, fazer que ela esvazie a caixa, e formar as frases “agora a caixa está cheia de pedrinhas”, e ao esvaziar “não temos nada na caixa, a caixa está vazia”.

A palavra “céu” tem praticamente o mesmo conceito para as pessoas que enxergam, pois não podemos pegar o pedacinho do céu, mas sabemos

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que é um “local”, que fica ao ar livre, sobre as nossas cabeças, sobre os prédios mais altos, um local que os aviões voam, um local que estão as nuvens/estrelas/Sol/ arco-íris, etc. e também deve completar com frases “hoje o dia está bonito – o céu está azul”, “o céu está nublado isso promete chuva” etc.

Existem outras atribuições quando for explicar as palavras para adultos, por isso, para o entendimento da criança, é preciso acompanhar a idade da criança, suas limitações, seu conhecimento, o convívio social, da família e não esquecer de sempre estimular, provocar curiosidade para o seu desenvolvimento.

Outra resposta para essa pergunta veio da Eliana que é Psicopedagoga, ela fala que a forma mais fácil é transformar o conceito de céu, em algo abstrato, sendo assim ensine-o a fechar os olhos e deixar as sensações tomarem conta, começar sentir o menor sopro no rosto, o vento balançando seus cabelos, mexer a cabeça para todos os lados e tentar escutar as aves, imaginar que seus pés saíram do chão e iniciaram uma viagem para o alto sentindo-se como se tivesse asas, perceber o calor em sua face, quando estiver próximo do sol, o frio gelando o nariz na escuridão da noite, termine beijando-lhe a face para que possa imaginar o brilho das estrelas.

Encontrei uma fundamentação teorica sobre a formação de conceitos para alunos cegos, essa fundamentação é um estudo realizado por Cecília

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Cecília afirma que no que se refere ao ensino de conceitos para alunos cegos, as decorrências das concepções devem ser levadas em conta, da mesma forma que para alunos videntes. A especificidade fica por conta da elaboração de recursos auxiliares na compreensão de diferentes conceitos e sistemas de conceitos. Para tanto, é relevante redefinir o papel do tato, como importante recurso, embora não como substituto direto da visão. É também relevante pensar a noção de representação, como base para o planejamento de recursos didáticos, a serem elaborados e apresentados de forma interligada aos sistemas conceituais já adquiridos e em fase de aquisição pelos alunos.

Uma representação pode ser entendida como um elemento colocado no lugar de outro. Em sala de aula, professores lançam mão de representações para trazer alguns dos elementos do mundo, relevantes para determinada explicação. Quando se trata do ensino de videntes, para os quais já existe uma longa tradição bem estabelecida, os professores utilizam meios bidimensionais (gravuras, fotos, esquemas, mapas, filmes) e tridimensionais (objetos reais ou miniaturas). Muitas convenções vêm sendo estabelecidas, de tal forma que, algumas vezes, deixa-se de entendê-las como convenções. É o caso, por exemplo, dos esquemas (ex: célula, átomo, sistema solar) e dos mapas, que parecem auto-evidentes para os iniciados em sua interpretação. No caso de gravuras, é importante lembrar as convenções para indicar formas, incidência de luz, texturas e distâncias relativas, que vão mudando ao longo da história da arte e da história do desenho pedagógico e das ilustrações infantis.

Uma vez que se trata de representações, a tarefa, em relação ao aluno cego, é de buscar as melhores formas de representação para esse aluno. É

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um desafio interessante para o professor, paralelo ao trabalho de estabelecer representações para o aluno vidente, embora mais instigante e criativo, devido à menor oferta de modelos disponíveis. Dessa forma, começam a ser equacionados os problemas explicitados pelas professoras na pesquisa anteriormente mencionada, em relação a formas de trazer "o mundo" (objetos, veículos, acidentes geográficos, animais peçonhentos) para a sala de aula. Assim, a diferença entre alunos videntes e cegos fica centrada nos modos de representação a serem utilizados como auxiliares na explicação de diferentes conceitos, o que é mais promissor que a discussão centrada na constatação das dificuldades trazidas pela cegueira, sempre comparadas com a ausência dessas dificuldades nos videntes.

Um exemplo refere-se à compreensão da idéia de "trem com 45 vagões". Para tanto, é necessário saber o que é trem, vagão e ter noção de número. Trata-se de vários conceitos, cuja aquisição envolve múltiplas situações de ensino-aprendizagem, tanto no caso do aluno cego, como do vidente. No caso do aluno cego, não é preciso, como freqüentemente postulado, levá-lo a percorrer um trem com esse número de vagões ou apresentar-lhe uma miniatura desse trem. A oferta de recursos pedagógicos para o ensino do conjunto de conceitos envolvidos na referida expressão dependerá dos conhecimentos anteriores do aluno, e não se dará em uma única aula. Outro exemplo refere-se ao conceito de relâmpago, em séries mais avançadas do ensino. Nesse caso, as explicações envolvem noções de eletricidade, dispensando-se o uso de recursos tangíveis, ou a capacidade de ver um relâmpago, como requisito para compreensão.

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Conforme verificado acima, existem várias formas de se explicar conceitos difíceis aos alunos cegos, porém o professor tem que utilizar os outros sentidos para que sua explicação tenha compreensão, bem como abusar da criatividade nessas tarefas difíceis, se você tiver outra resposta mande um email e postaremos no site.

Referências:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010237722005000100003&script =sci_arttext

http://lumiy.wordpress.com

Imagem mental e desenvolvimento cognitivo de pessoas cegas congênitas – (Mental images and cognitive development of the congenitally blind – Jounal of visual Impaiment and Blindness).

OKUMURA, M.L.M. Visão e Percepção: um olhar para o conhecimento”

Referências

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