SISTEMA AQUÍFERO: ALBUFEIRA-RIBEIRA DE QUARTEIRA (M6)

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SISTEMA AQUÍFERO: ALBUFEIRA-RIBEIRA DE QUARTEIRA (M6)

Figura M6.1 – Enquadramento litoestratigráfico do sistema aquífero de Albufeira-Ribeira de Quarteira

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Identificação

Unidade Hidrogeológica: Orla Meridional Bacia Hidrográfica: Ribeiras do Sotavento Distrito: Faro

Concelhos: Albufeira, Loulé e Silves

Enquadramento Cartográfico

Folhas 596, 605 e 606 da Carta Topográfica na escala 1:25 000 do IGeoE

Folhas 49-D, 52-B e 53-A do Mapa Corográfico de Portugal na escala 1:50 000 do IPCC Folhas 52-B e 53-A da Carta Geológica de Portugal na escala 1:50 000 do IGM

SILVES

ALBUFEIRA

LOULÉ 596

605

606

53A 49D

52B

597

Figura M6.2 – Enquadramento geográfico do sistema aquífero Albufeira-Ribeira de Quarteira

Enquadramento Geológico Estratigrafia e Litologia

Embora ocupe uma extensão reduzida, o sistema aquífero de Albufeira-Ribeira de Quarteira insere-se numa zona de grande complexidade estratigráfica e estrutural. As formações aquíferas fundamentais são de natureza detrítico-carbonatada e calcária, datadas do Miocénico e do Jurássico superior. Entre os dois conjuntos intercalam-se formações menos permeáveis, de natureza detrítica e calco-margosa do Cretácico.

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As formações que enquadram as camadas aquíferas mais importantes, ou lhes servem de substrato, têm idades que vão do Oxfordiano ao Aptiano. Assim, tem-se, de baixo para cima:

Calcários argilosos e margas de Peral (ou sua equivalente Margas e calcários arenosos de Albufeira), unidade constituída por alternância de calcários arenosos e/ou margosos, compactos, de cor amarelada e acinzentada e margas arenosas, azuladas a amareladas, com restos de vegetais incarbonizados. Aflora em Albufeira, sendo particularmente visível nos cortes das estradas Albufeira-Ferreiras e Albufeira-Guia e nas margens da ribeira de Quarteira (Moínho do Cotovio).

Calcários recifais da ribeira de Quarteira (equivalente aos Calcários bioconstruídos do Cerro da Cabeça), formação datada do Kimeridgiano, constituída por calcários compactos com coraliários, espongiários, crinóides, etc., por vezes siliciosos. Constitui a base de uma espessa sequência calcária que se inicia nas margens da ribeira de Quarteira e se prolonga para Oeste, formando um planalto bastante carsificado: o Planalto do Escarpão.

Calcários de Escarpão, unidade de natureza essencialmente calcária e dolomítica, com uma componente margosa, progressivamente importante para o topo. É constituída por calcários dolomíticos e dolomitos rosados ou amarelados, calcários compactos cremes, em bancos médios, com níveis com Nerinea e, na base, com oncólitos abundantes (Calcários com Alveosepta jaccardi de Escarpão), calcários compactos, cremes a cinzentos, por vezes com laminações e níveis intraclásticos, em bancos médios a espessos (Calcários com Vaginella striata e Clypeina jurassica de Escarpão), calcários compactos cremes, em bancos médios, com intercalações calciclásticas frequentes e, na base, com passagens oolíticas (Calcários com Anchispirocyclina lusitanica de Fontaínhas). A espessura deste conjunto é superior a 650 m, formando a ossatura de alguns relevos importantes e aflorando no Planalto do Escarpão, desde o contacto com os Calcários bioconstruídos do Cerro da Cabeça até ao sul de Algoz. O afloramento principal prolonga-se para sul, até Pinhal, onde contacta com os calcários miocénicos.

As camadas da base do Cretácico são, ainda, de natureza carbonatada, tendo, nalguns casos, características hidráulicas semelhantes. Seguem-se arenitos com calhaus de quartzo, conglomerados e argilas, geralmente de côr vermelha ou violácea, com incrustações ferruginosas, Arenitos do Sobral(Berrisiano). Localmente, como por exemplo 1 km a norte do Hotel Montechoro, a série termina com uma bancada de arenito muito duro de cimento silicioso. A espessura desta formação é de cerca de 50 m. Na região de Albufeira, o Cretácico termina com margas, arenitos, calcários margosos e dolomitos do Barremiano e Aptiano (Margas com Choffatella decipiens, Calcários e margas com Palorbitolina lenticularis).

Segue-se a Formação carbonatada de Lagos-Portimão, constituída por biocalcarenitos amarelados, com moldes abundantes e restos de conchas de lamelibrânquios, equinídeos, etc., calcários arenosos e arenitos. A formação é de idade miocénica, sendo a maior parte atribuída ao Burdigaliano, mas podendo os níveis mais inferiores pertencerem ao Aquitaniano e os culminantes ao Langhiano (Pais, 1982; Antunes et al., 1981). Constitui grande parte da arriba litoral entre Albufeira e a Praia dos Olhos de Água. Para o interior aflora em Albufeira, Areias de S. João e em vários retalhos isolados como na Balaia, Azinhal, área do Cardal e a sul de Pinhal. A espessura da formação aumenta de norte para sul, atingindo 85 m entre Areias de S.

João e a Quinta da Balaia, 75 m entre Vale Navio e Patã de Baixo e ultrapassando os 78 m na Várzea de Quarteira. A formação tem uma estrutura sub-horizontal, com inclinação de poucos graus para S-SE, apresentando forte diaclasamento e algumas falhas locais, geralmente gravíticas. A carsificação que afecta a formação é apreciável, estando, em geral, fossilizada

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por depósitos detríticos mais recentes. A presença de abatimentos nas imediações da Quinta da Balaia mostra que os processos de carsificação ainda se mantêm activos.

A Formação carbonatada de Lagos-Portimão encontra-se coberta, numa grande extensão, por depósitos detríticos mais recentes: Areias de Olhos de Água e Areias e Cascalheiras de Faro-Quarteira. O contacto com a primeira formação faz-se através de discordância erosiva, bem visível, por exemplo, entre Olhos de Água e Praia da Falésia. Nesta região encontram-se os depósitos detríticos mais antigos, que constituem a Formação dos Arenitos de Olhos de Água. Trata-se de depósitos de areias esbranquiçadas e amareladas, por vezes feldspáticas, com leitos de seixos (Romariz et al., 1979). A fauna encontrada na parte superior da série indica uma idade entre o topo do Miocénico médio e a base do Miocénico superior (Antunes e Pais, 1992). A espessura máxima é de cerca de 40 m.

As Areias e cascalheiras de Faro-Quarteira constituem a cobertura mais extensa de todo o Algarve, cobrindo formações miocénicas e mais antigas. São formadas por areias finas a médias, em grande parte rubificadas. A idade ainda não se econtra bem determinada mas a fauna nelas encontrada aponta para uma idade recente, provavelmente Holocénico (Antunes e Pais, 1992).

Tectónica

A região correspondente ao sistema aquífero está condicionada tectonicamente por quatro acidentes principais: a falha de Quarteira, de orientação NW-SE, a falha de Albufeira, de orientação N-S e as flexuras da ribeira do Algibre e de S. Estevão-Monte Figo-Vale Judeu.

A falha de Quarteira condicionou a sedimentação no Miocénico, sendo o compartimento oriental caracterizado por maior rítmo de subsidência. Por essa razão a espessura dos depósitos é superior naquele compartimento e nele estão representados terrenos do Miocénico médio e superior (Kullberg et al., 1992). Entre a ribeira de Quarteira e Albufeira, o Miocénico é subtabular, inclinando ligeiramente para S-SE. Como já foi referido assenta em discordância angular forte sobre o Cretácico e Jurássico.

Outro aspecto com importantes implicações hidrogeológicas é a presença de diapiros, aflorantes ou ocultos. No diapiro da Várzea da Orada, a oeste de Albufeira, observa-se um pequeno afloramento de gesso hetangiano (Ponta da Baleeira). Aquele diapiro foi responsável pela forte discordância angular (próxima de 90º) entre o Miocénico e o Cretácico, visível nas arribas litorais a oeste do diapiro. Outro diapiro, não aflorante, mas cuja presença é denunciada por algumas características hidroquímicas das águas do sistema, situa-se a Leste do Escarpão, prolongando-se para sul até às imediações de Patã de Baixo.

Hidrogeologia

Características Gerais

O sistema de Albufeira-Ribeira de Quarteira, que ocupa uma área aproximada de 54,6 km2, é constituído por dois aquíferos principais. O mais meridional tem por suporte principal a Formação carbonatada Lagos-Portimão e o que se situa a N tem por suporte as formações calcárias e dolomíticas do Jurássico superior.

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Tanto a formação aquífera miocénica como as formações aquíferas jurássicas assentam sobre séries margo-calcárias ou detríticas com permeabilidade reduzida. As condições estruturais permitem, nalguns sectores, o contacto entre as duas formações aquíferas, tornando possível a sua conexão hidráulica.

A recarga é feita a norte, por infiltração directa no planalto do Escarpão, cuja topografia aplanada e presença de formas epicársicas abundantes (dolinas, sumidouros e vales secos) é favorável a uma recarga importante, e, em menor escala, nas formações cretácicas e miocénicas. As formações de cobertura do Miocénico, dada a sua fracção argilosa considerável, dificultam a recarga directa. Foi comprovado, através de traçagens, que uma parte da recarga que se processa no planalto do Escarpão se dirige para este e nordeste, indo alimentar exsurgências situadas no leito da ribeira de Quarteira (Almeida e Crispim, 1987).

Porém, mais para sul daquele planalto, o escoamento deverá processar-se para sul. A cota do espelho de água duma lagoa situada no fundo de uma pedreira, no referido planalto, relativamente próxima do nível piezométrico na região de Pinhal, fornece uma indicação a favor desta hipótese.

Existem vários pontos de descarga do sistema com comportamento perene, nomeadamente em Olhos de Água, encontrando-se alguns na praia e outros no mar, com um caudal de várias dezenas de litro por segundo. A ribeira de Quarteira é efluente no seu troço terminal a sul da Ponte do Barão e influente num troço a montante da mesma.

Parâmetros Hidráulicos e Produtividade

As produtividades foram avaliadas com base em 136 dados de caudais. As estatísticas principais constam do quadro M6.1 e a distribuição cumulativa está representada na figura M6.3.

Média Desvio

padrão Mínimo Q1 Mediana Q3 Máximo

9,6 5,2 0 6,0 9,4 12,0 30,5

Quadro M6.1 – Principais estatísticas dos caudais

Figura M6.3 - Distribuição cumulativa de caudais

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A distribuição das produtividades não é perfeitamente homogénea evidenciando-se duas zonas caracterizadas por menores caudais (<10 L/s): a primeira perto do contacto dos calcários do Jurássico superior com o Cretácico e a segunda a sul de Branqueira. Não se verifica nenhuma correlação significativa entre os caudais das captações e a sua profundidade (Almeida, 1985; Almeida e Silva, 1990).

Através de ensaios de bombagem foram obtidos alguns valores de transmissividade que se situam sempre acima dos 2000 m2/dia. Usando um método aproximado foi possível estimar a transmissividade para outras 30 captações, situando-se os valores entre 84 e 3080 m2/dia, com média igual a 540 m2/dia e mediana de 235 m2/dia (Almeida e Silva, 1990).

Análise Espaço-temporal da Piezometria

A rede de observações piezométricas é insuficiente para permitir o traçado de uma mapa piezométrico. O número máximo de pontos com observações (15) refere-se a Novembro de 1982 (Almeida, 1985). Em 1987 efectuaram-se medidas em 8 locais (Silva, 1988). A partir desta data têm sido feitas observações com carácter regular em 3 pontos de água (Fig. M6.4, M6.5 e M6.6). As conclusões que se podem extrair deste conjunto de dados são as seguintes:

verifica-se a presença persistente de uma área deprimida, centrada nas imediações de Branqueira, relacionada com a existência de um importante pólo de captação para abastecimento público, nessa região;

os valores dos níveis piezométricos indicam que o escoamento se dá para sul e sudoeste.

A análise comparativa da piezometria deste sistema e do sistema de Quarteira sugere uma possível transferência subterrânea deste sistema para o primeiro. Esta transferência será feita mais ou menos perpendicularmente à ribeira de Quarteira através de uma barreira de permeabilidade mais baixa o que explicaria a diferença entre os potenciais hidráulicos de um e de outro lado;

aparecimento de uma outra área deprimida, centrada em Patã de Cima, com níveis piezométricos que chegam a atingir os 20 m negativos. A partir do ano de 1996 verifica-se uma recuperação dos níveis;

observam-se diferenças de comportamento nos três piezómetros que possuem séries mais extensas, em relação às oscilações inter-anuais: enquanto que nos piezómetros 605/200 (Fig. M6.4) e 605/212 (Fig. M6.5) as oscilações são da ordem de 2 m, no 605/324 (Fig.

M6.6) são próximos de 20 m. Estas diferenças poderão ser devidas ao facto do último ponto estar situado mais próximo de uma das áreas de recarga e/ou estar situado numa região com menor capacidade de armazenamento e, portanto, com menor poder regulador;

não é perceptível qualquer tendência evolutiva nos valores dos níveis piezométricos, salvo a recuperação de níveis no ponto 605/324, já referida.

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605/200

0 1 2 3 4

Apr-93 Aug-93 Dec-93 Apr-94 Aug-94 Dec-94 Apr-95 Aug-95 Dec-95 Apr-96 Aug-96 Dec-96 Apr-97 Aug-97 Dec-97 Apr-98 Aug-98 Dec-98 Apr-99 Aug-99

Nível Piezométrico (m)

Figura M6.4 – Evolução do Nível Piezométrico no piezómetro 605/200

605/212

-6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1

Oct-83 Oct-84 Oct-85 Oct-86 Oct-87 Oct-88 Oct-89 Oct-90 Oct-91 Oct-92 Oct-93 Oct-94 Oct-95 Oct-96 Oct-97 Oct-98 Oct-99

Nível Piezométrico (m)

Figura M6.5 - Evolução dos Nível Piezométrico no piezómetro 605/212

605/324

-35 -15 5 25 45 65

Apr-93 Aug-93 Dec-93 Apr-94 Aug-94 Dec-94 Apr-95 Aug-95 Dec-95 Apr-96 Aug-96 Dec-96 Apr-97 Aug-97 Dec-97 Apr-98 Aug-98 Dec-98 Apr-99 Aug-99

Nível Piezométrico (m)

Figura M6.6 – Evolução do Nível Piezométrico no piezómetro 605/324

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Balanço Hídrico

Dadas as diferenças evidentes entre as áreas do sistema correspondentes aos calcários jurássicos e ao Miocénico, a estimação da recarga deve feita separadamente para cada uma delas. A área correspondente aos calcários jurássicos é da ordem dos 25 km2. A precipitação média que cai naquela área é difícil de estabelecer devido à ausência de estações situadas junto à costa, mas provavelmente deverá ser da ordem dos 550 mm. Admitindo uma taxa de recarga da ordem dos 50% da precipitação obtém-se uma recarga média anual de cerca de 7 hm3. No entanto, como já foi referido, uma parte das águas que circulam no planalto do Escarpão dirigem-se para E e NE pelo que o volume médio anual que vai alimentar o sistema de Albufeira-Ribeira de Quarteira, deverá ser inferior àquele total. A recarga média correspondente ao Miocénico foi estimada em cerca de 1,7 hm3/ano (Almeida e Silva, 1990).

Admitindo este valores ter-se-ia uma recarga total inferior a 8,7 hm3/ano. Estes valores deverão ser tomados com prudência pois estão afectados de numerosas incertezas.

Não se dispõem de dados recentes sobre as extracções do sistema. Em 1993 as extracções camarárias ascenderam a mais 3,3 hm3. Quanto às extracções particulares, fundamentalmente para rega, o seu total é mais difícil de estimar. Com base nos caudais determinados pela DRAOT Algarve e em informações dos proprietários sobre o número médio de dias por ano e número de horas diárias de extracção, calculou-se um total superior a 3,5 hm3 no ano de 1979.

As saídas naturais são muito difíceis de estimar, dado que algumas se encontram permanentemente submersas. Provavelmente o total será de cerca de 1,5 hm3/ano (Almeida e Silva, 1990). Naturalmente que as saídas naturais diminuem nos períodos em que se verifica incremento das extracções. Aceitando como válidos este valores ter-se-ia um total saído superior a 8 hm3/ano. Como foi referido, a evolução dos níveis piezométricos nos locais de que se dispõe de séries de observações mais longas, mostram uma certa estabilidade dos valores médios, pelo que se deve admitir que o sistema, em termos médios, se encontra em regime de equilíbrio, ou seja as saídas são compensadas pelas entradas, sem que se verifique um défice sistemático.

Qualidade

Considerações Gerais

As águas deste sistema apresentam uma qualidade fraca, quer para abastecimento, quer para regadio. De facto, os VMR estabelecidos para água para consumo humano, são ultrapassados na maioria dos iões maiores (cloretos, sulfatos, cálcio, magnésio e sódio) e condutividade. Por outro lado, os VMA referentes a alguns daqueles parâmetros são ultrapassados com alguma frequência (sulfatos, magnésio e sódio) e, no caso da dureza total, em mais de metade dos casos.

Quanto à qualidade para rega, os VMR relativos aos cloretos e condutividade são ultrapassados na maioria das análises.

Estas características da qualidade são devidas essencialmente a processos naturais, por um lado a dissolução de carbonatos, conduzindo a uma dureza elevada e elevados teores em cálcio e magnésio, que constitui um processo geral afectando todas as áreas do sistema e, por outro, a dissolução de minerais evaporíticos (gesso, sal-gema), ocorrendo em massas que ascenderam ao longo de certas estruturas ou de forma mais ou menos difusa. Este fenómeno,

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responsável pelo aumento de sulfatos, cálcio, magnésio, sódio e cloreto, tem uma distribuição localizada, sendo mais notável em Montechoro, em volta do eixo definido pela ribeira de Quarteira e região do Pinhal. Nesta última região pode observar-se, numa distância curta, a mudança da qualidade passando de uma água aceitável a uma água com concentrações elevadas dos referidos iões. A ocorrência de áreas relativamente restritas onde se faz sentir a influência daquele processo faz com que a qualidade tenha uma distribuição heterogénea.

Assim, a região situada a sul de Pinhal, entre Branqueira e Roja Pé, apresenta melhores características, com menores concentrações da maioria das espécies. Várias das captações situadas em Pinhal são caracterizadas por apresentarem grandes variações de alguns parâmetros, sobretudo cloretos, condutividade e resíduo seco e uma tendência nítida para o aumento. Provavelmente este aumento é acompanhado pelo aumento do sódio, etc., mas não se dispõem de dados para este ião. Para avaliar a amplitude das referidas variações pode-se dar como exemplo a captação FC2 (605/295) que passou de 110 mg/L de cloretos em 1985 para 2340 mg/L em 1993. Estas variações poderão relacionar-se com a chegada de águas circulando em evaporitos, atraídas pelo cone de rebaixamento em torno das captações, ou, nalguns casos com contaminação a partir da ribeira de Quarteira que apresenta alguns troços influentes. As fácies presentes variam desde bicarbonatadas cálcicas a cloretadas sódicas, passando por fácies intermédias.

Figura M6.7 - Diagrama de Piper relativo às águas do sistema de Albufeira-Ribeira de Quarteira

Na tabela seguinte apresentam-se as principais estatísticas relativas às águas deste sistema (Quadro M6.2).

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n Média Desvio Padrão

Mínimo Q1 Mediana Q3 Máximo

Condutividade (µS/cm) 70 1813 1486 760 1000 1381 1900 8000

pH 70 7,36 0,42 6,7 7,04 7,3 7,6 8,6

Bicarbonato (mg/L) 18 445 57 305 414 435 493 525

Cloreto (mg/L) 18 881 1108 39 118 289 1449 3406

Ferro (mg/L) 18 0,06 0,1 0,01 0,02 0,03 0,05 0,44

Potássio (mg/L) 21 2,6 2,2 0,9 1,2 2,0 3,4 9,9

Nitrito (mg/L) 17 0,02 0,02 0,001 0,008 0,011 0,02 0,08

Nitrato (mg/L) 18 10,2 7,3 1,0 3,6 10,0 14,8 23,7

Azoto amoniacal (mg/L)

16 0,03 0,02 0,003 0,01 0,02 0,03 0,1

Fosfato (mg/L) 17 0,014 0,014 0,003 0,007 0,01 0,02 0,06

Oxidabilidade (mg/L) 18 0,68 0,33 0,24 0,5 0,7 0,72 1,6

Sulfato (mg/L) 18 142 167 13 26 54 259 540

Dureza Total (mg/L) 18 807 538 350 436 554 977 1905

Sódio (mg/L) 23 162 274 5,5 54 78 162 1380

Cálcio (mg/L) 40 138 64 81 109 122 140 406

Magnésio (mg/L) 38 45 20 26 33 41 48 167

Quadro M6.3 - Principais estatísticas das águas do sistema de Albufeira-Ribeira de Quarteira

Qualidade para Consumo Humano

Para caracterizar este aspecto da qualidade química das águas do sistema foram usadas de preferência análises recentes. No entanto, para alguns parâmetros apenas se dispunha de análises antigas tendo-se, neste caso, usado estas. Isto acontece com o sódio e potássio, em que a maioria das análises datam de 1987 e o cálcio e magnésio, cujas análises mais recentes datam de 1991. Na tabela seguinte faz-se uma síntese da qualidade, tendo como referência os anexos I, para a categoria A1 e o anexo VI, do Decreto-Lei N.º 236/98, de 1 de Agosto. Os resultados apresentam-se em percentagens.

Anexo VI Anexo I -Categoria A1 Parâmetro

<VMR >VMR >VMA <VMR >VMR >VMA

pH 100 0 0 100 0

Condutividade 0 100 29 71

Cloretos 0 100 39 61

Dureza total 44 56

Sulfatos 26 74 26 67 33 28

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Cálcio 30 70

Magnésio 10 90 22

Sódio 2 98 22

Potássio 100 0 0

Nitratos 100 0 0 100 0 0

Nitritos 0

Azoto amoniacal 7 93 0 7 93

Oxidabilidade 100 0 0

Ferro 78 22 5 94 6 6

Manganês 100 0 0 100 0

Fosfatos 100 0 0 100 0

Quadro M6.4 - Apreciação da qualidade da água face aos valores normativos Quanto aos nitratos, existem dois pontos onde se tem efectuado observações da evolução deste parâmetro pela DRAOT Algarve. Foi realizada uma evolução da tendência, usando-se o método robusto: coeficiente tau de Kendal. Este teste mostra que um deles apresenta uma tendência para aumento da concentração. Assim, a partir de 1996, verifica-se um crescimento de valores próximos de 5 mg/L para valores superiores a 10 mg/L.

Na figura M6.8 estão representadas as captações de abastecimento público cuja extracção é realizada neste sistema aquífero e ainda os piezómetros que fazem parte da rede de quantidade.

Figura M6.8 – Localização de captações de abastecimento público e piezómetros

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Uso Agrícola

A maioria das águas analisadas pertence à classe C3S1 pelo que representam um perigo salinização alto e alcalinização dos solos baixo. As restantes distribuem-se pelas classes C3S2

e C4S4 (Fig. M6.9). O SAR excede o VMR numa análise.

Figura M6.9 - Diagrama de classificação da qualidade para uso agrícola

Quanto aos parâmetros físico-químicos, nenhum excede os VMA de água para rega. A condutividade excede o VMR em 70% dos casos e os cloretos excedem aquele limite em mais de 75% dos casos.

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Referências

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