Juliana Dalpian
Juliane Görgen Fragoso
Helen Beatriz Frota Rozados
Resumo
Enfoca o empreendedorismo e o perfil empreendedor. Aborda estes aspectos sob a ótica do profissional da informação bibliotecário e a emergência do crescimento do empreendedorismo no campo da Biblioteconomia. Utiliza a técnica de questionário para coletar dados junto aos Conselhos Regionais de Biblioteconomia. Analisa os dados a partir das inscrições de pessoas físicas e jurídicas. Conclui que o processo de empreendedorismo, na Biblioteconomia, ainda que existente, não está tão desenvolvido. Questiona algumas das informações coletadas, a partir de diferentes óticas.
Palavras-Chave: Empreendedorismo. Empreendedor. Perfil empreendedor. Profissional da informação. Bibliotecário.
Abstract
It focuses entrepreneurship and the profile of an entrepreneur. It approaches these aspects from the viewpoint of the information professional – the librarian – and the emergency of the growth of entrepreneurship in the field of Library Science. It applies the inquiry technique to collect data at the Supervision Board of Library Science. It analyzes data, from applications of people and companies. It concludes that the process of entrepreneurship, in Library Science, though it exists, is not yet developed. It questions some of the collected information, from different viewpoints.
Keywords: Entrepreneurship. Entrepreneur. Entrepreneur profile. Information Professional. Librarian.
PERFIL EMPREENDEDOR DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
*
THE ENTREPRENEUR PROFILE OF THE INFORMATION
1 EMPREENDEDORISMO
Surgido no século XII, o empreendedorismo teve seu desenvolvimento nas Ciências
Administrativas, como campo de estudo, na década de 80. Sua conceituação tornou-se mais
abrangente quando da associação à inovação (VALLE; SANTOS, 2004).
Empreendedorismo pode ser definido como a geração de riquezas em diferentes
níveis, inovando e transformando conhecimento em produtos ou serviços em diferentes áreas,
catalisando, dando ênfase e aplicação prática a algo que já existe:
O empreendedorismo é o processo dinâmico de criar mais riqueza. A riqueza é criada por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e ou comprometimento com a carreira ou que provêem valor para algum produto ou serviço. O produto ou serviço pode ou não ser novo ou único, mas o valor deve de algum modo ser infundido pelo empreendedor ao receber e localizar as habilidades e os recursos necessários (HISRICH; PETERS, 2004. p.29).
A literatura demonstra que empreender é um processo apoiado em quatro fases
distintas:
a) identificar e avaliar a oportunidade;
b) desenvolver o plano de negócio;
c) determinar recursos necessários;
d) administrar a empresa resultante.
Neste contexto, Lichtenthaler (2005) salienta que a geração de novas oportunidades
diversificadoras, entretanto, é a maior mudança para as corporações. Em vista disso, a estratégia
corporativa é regularmente definida como os caminhos para a diversificação da corporação que
inicialmente, requer a divulgação da visão e identificação das competências constituintes do
cerne de interesse, o qual irá guiar as rotinas de pesquisa e, secundariamente, a realização de
análises para verificar a existência de iniciativas e identificar oportunidades adicionais de
diversificação. Diversificação aqui definida como o aumento dos produtos e dos mercados da
companhia. Assim, enxergar oportunidades e não problemas é a premissa básica do espírito
empreender. Seu papel no desenvolvimento econômico vai mais além do que apenas aumentar a
sociedade (HISRICH; PETERS, 2004) incluindo habilidades administrativas, recursos
financeiros e capacidade de marketing.
Pesquisas recentes sugerem que o empreendedorismo envolve o estudo das fontes de
oportunidades, o processo de descoberta, a avaliação e obtenção destas, bem como o grupo de
indivíduos que as descobre, as avalia e as explora. Dentre os aspectos que caracterizam uma
corporação empreendedora podem ser citados: atitude pró-ativa, objetivos maiores do que o
potencial ou fontes existentes, cultura do trabalho em equipe, habilidade para aprender e
habilidade para resolver situações problemáticas (ULH∅I, 2005; GLOSIENE, 2002). Estes
mesmos aspectos, conforme se verá posteriormente, estão presentes no perfil do sujeito
empreendedor.
Valle e Santos (2004) salientam, também, que o termo empreendedorismo vem
ganhando status dentro da Biblioteconomia, baseado no modelo de gestão que apresenta como
pilar a inovação através da criatividade, usando as idéias nascidas a partir de informações, mas que somente alguns saberão transformá-las em insumo, sejam produtos ou serviços. Assim, o
perfil empreendedor começa a ser delineado no profissional da informação bibliotecário.
2 O EMPREENDEDOR
Dolabela (1999b, p.48) afirma: “O empreendedor tenta antecipar situações e
preparar-se para elas. É alguém com capacidade de observação e de planejamento”. A geração
destas faz-se através da acumulação de know-how, advindo do conhecimento de diversos
ramos de negócios e de informações coletadas nas redes de relacionamento – o empreendedor
vê nas pessoas uma das suas fontes mais importantes de aprendizado – bem como do
aprimoramento pessoal, adquirido na realização de cursos de aperfeiçoamento, idiomas,
viagens, participação em eventos, entre outros. Na atualidade, em decorrência da revolução
desencadeada pela sociedade da informação, é fundamental agregar-se valor e, de modo
especial, deve-se sempre aprender a aprender, a apreender e a empreender. De acordo com
Filion∗ apud Valle e Santos (2004) empreendedores podem ser considerados:
[ . . ] pessoas que definem projetos e identificam o que precisam aprender para realizá-los. Usando isso como ponto de partida, os empreendedores são
∗ FILION, L. J. Le champ de l’entrepreneuriat historique, évolution tendances. Revue Internacionale PME, v.10,
pessoas que devem continuar a aprender para ajustarem-se às atividades de seus ofícios, estando em constante evolução, e não apenas pessoas que definem suas necessidades de aprendizado. Os empreendedores devem não só definir o que precisam fazer, mas também o que têm de aprender para serem capazes de fazê-lo.
Especialistas afirmam com unanimidade que o ambiente familiar, a educação, os
valores pessoais e a idade são fatores preponderantes na formação do perfil empreendedor.
Uma família bem estruturada, que preconiza a educação e a cultura, define e transmite valores
pessoais e morais bem distintos, promove o ambiente favorável ao nascimento do
empreendedor de sucesso.
Dolabela (1999a) em seu livro Segredo de Luísa, define algumas características da
personalidade empreendedora:
a) estabelece uma visão e um objetivo para depois se preocupar com a alocação
de recursos (recursos humanos e financeiros);
b) define tarefas e papéis que criam uma estrutura clara de organização;
c) apóia-se na auto-imagem, na cultura da liderança e na perseverança;
d) inicia mudanças;
e) trabalho = imaginação + criatividade, isto é, reflete-se na soma de imaginação e
criatividade;
f) planeja processos;
g) centra-se na evolução individual;
h) lida com situações concretas.
Ainda com relação às qualidades do empreendedor, o Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2005) complementando as qualidades necessárias
ao perfil empreendedor, define este indivíduo como o que: costuma buscar oportunidades e
tem iniciativa; corre risco calculado; exige qualidade e age de maneira a fazer coisas que
satisfazem ou excedem padrões de excelência; trabalha com obstáculos significativos; assume
responsabilidade pessoal pelo desempenho necessário para atingir metas; esmera-se em
desafiantes e que têm significado pessoal; planeja e monitora sistematicamente seu negócio,
revisando com freqüência seus planos; utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou
persuadir terceiros (utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos) e
preconiza autonomia em relação a normas e controles de terceiros. O indivíduo empreendedor
presta muito mais atenção onde ele está posicionado, preferencialmente de maneira muito
próxima a outras importantes relações que poderão ser valiosas no momento em que ele ou o
grupo de administradores terão que decidir qual a posição das novas oportunidades de
negócios para alcançar com êxito as vantagens competitivas no mercado, já que, para tanto,
necessita desenvolver insight ou possuir informações especiais sobre ou que o ajude a
explorar as oportunidades de empreender em áreas nas quais outros não foram capazes de
distinguir algo, ou onde outros podem ter pensado inicialmente que haveria riscos de fracassar
(ULH∅I, 2005).
O empreendedor apóia-se, essencialmente, em seu talento, em acreditar que pode convencer os outros a realizar seus sonhos. Invariavelmente sua personalidade é baseada em
autoconfiança – ele é capaz de manter seu ponto de vista em qualquer circunstância e possui
muita iniciativa na busca pela realização de seus desafios. “O empreendedor é alguém capaz
de desenvolver uma visão, mas não só. Deve saber persuadir terceiros, sócios, colaboradores,
investidores, convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no
futuro” (DOLABELA, 1999a,p.44). Apóia-se na ética, tanto nos negócios como nas relações
interpessoais que estabelece. Tem coragem para aceitar resultados inesperados (acredita que
pode revertê-los). Compromete-se com a realização de seus sonhos, fazendo de tudo para não
fracassar.
O espírito empreendedor se traduz por criatividade, poder de decisão, iniciativa,
ousadia, eficiência e eficácia. Sabe detectar oportunidades, trabalhar em equipe, planejar,
administrar, inovar, incentivar. A capacidade e a coragem de liderar, definir, delegar e
coordenar tarefas, utilizar sabiamente todos os recursos disponíveis, persistir nos ambientes
mais inóspitos, observar, perceber e assimilar as mudanças sociais faz do empreendedor um
ser único, surpreendente e naturalmente talentoso.
Considerando o empreendedorismo como um campo recente no Brasil, cujo
a área de Biblioteconomia tem, por tradição, não buscar lucro e como sistemática a idéia de
não cobrança de seus serviços e produtos, pode-se entender porque a literatura sobre o assunto
ainda é muito reduzida. Autores estudados comentam que o bibliotecário ainda não é, por
natureza, um profissional que, em sua grande maioria, possa ser considerado empreendedor.
(TARAPANOFF, 2000; FERREIRA, 2003, SILVA; CUNHA, 2002; HONESKO, 2003).
Percebe-se, no entanto, que já há um processo de mudança dessa mentalidade, na medida em
que os artigos publicados por estes mesmos autores enfocam características, habilidades e
competências necessárias ao bibliotecário para sua melhor inserção no atual mercado de
trabalho.
Honesko (2003) acentua este fato ao se referir aos estudos internacionais recentes
desenvolvidos pela Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) no sentido
de visualizar mercados emergentes para o profissional da Ciência da Informação. Também
comenta sobre outro estudo, este feito por Miriam Vieira Cunha e publicado no ano 2000, no
qual é identificado, no Brasil, um mercado de trabalho tradicional e um emergente para este
profissional. Mercados estes que já eram evidenciados por Mostafá (1991) quando se refere
ao fato de que as mudanças sinalizadas no mercado emergente repercutem no mercado
tradicional, ou seja, o mercado tradicional muda pela ação do mercado emergente.
As atuais investigações sobre o emergente mercado de trabalho do profissional da informação bibliotecário alertam para competências, habilidades, saberes e conhecimentos
fundamentais a serem incorporadas a este perfil. Entre os diversos citados, destacam-se
atualização constante, polivalência, flexibilidade, criatividade, liderança, ser inovador, saber
negociar, excelência na comunicação, participação em redes – tanto tecnológica quanto de
contatos, além de salientar a importância do desenvolvimento da cultura e da visão
empreendedora. Todas as características consideradas como determinantes para um perfil
empreendedor.
Outro aspecto ressaltado é que este profissional saiba imprimir valor à
informação, ou seja, produzir ou disseminar informação com valor agregado.
(TARAPANOFF, 2000; FERREIRA, 2003, SILVA; CUNHA, 2002; HONESKO, 2003).
Complementando o que já foi explanado, Silva e Cunha (2002) defendem que o
novo profissional bibliotecário deve embasar-se nos quatro pilares da sociedade da
informação e do conhecimento, baseado nos preceitos de Jacques Delors (2000) e adotados
pela Unesco: aprender a viver, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser. Dentro
desta ótica, chama-se a atenção para o estudo realizado por Cardozo e Barbosa (2004)
enfocando políticas informacionais e práticas pedagógicas voltadas à formação do
bibliotecário com vistas e desenvolver uma cultura empreendedorista. Os autores concluem
que há um mercado de trabalho potencialmente favorável ao empreendedorismo, embora a
atuação de bibliotecários neste segmento ainda seja pequena. Esta posição é compartilhada
por Valentim (1998, p.112) ao afirmar: “Nestes últimos anos verifica-se um crescimento na
atuação do profissional bibliotecário como consultor, assessor, autônomo ou mesmo
terceirizado. No entanto, sabe-se que é uma minoria.”
Exatamente por se perceber a emergência desta nova fatia de mercado de trabalho
para o profissional da informação da área de Ciência da Informação buscou coletar dados que
possibilitassem mapear a situação atual do empreendedorismo na Biblioteconomia brasileira.
3 PERFIL EMPREENDEDOR DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
A pesquisa propôs-se a refletir sobre a capacidade do profissional da informação,
o seu perfil e sua atuação diante do atual contexto de mercado, sob o enfoque do
empreendedorismo. A profissão encontra-se regulamentada desde 1965, pelo Decreto nº
56.725, de 16 de agosto de 1965, responsável por regulamentar a Lei no 4.084, de 30 de junho
de 1962. A entidade que representa o profissional é o Conselho Federal de Biblioteconomia
(CFB) com sede em Brasília; este por sua vez, subdivide-se em 14 regionais, denominados
Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB).
Na tentativa de traçar o perfil empreendedor dentro do panorama da
Biblioteconomia no Brasil optou-se, num primeiro momento, por envio de mensagem
eletrônica destinada aos Conselhos Regionais de Biblioteconomia dos Estados do Rio Grande
do Sul (RS), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Minas Gerais (MG),
principais pólos formadores do profissional bibliotecário. Em decorrência de dificuldades para
coletar os dados, decidiu-se por rever a metodologia, passando ao envio do questionário a
Buscou-se, assim, caracterizar o perfil do bibliotecário quanto a sua capacidade de
atuação profissional no que diz respeito ao empreendedorismo, partindo do pressuposto que
há uma relação direta entre empreendedorismo e o número de empresas criadas no país para
atender a demanda do mercado, pois, segundo Ferreira (2003) nas organizações, em geral, os
sistemas de gestão de informação têm por finalidade fornecer informações relevantes para os
tomadores de decisão, tendo por principal função a coleta, o processamento e a disseminação
da informação. Em face desse quadro, grandes organizações, de forma generalizada, estão
recorrendo a empresas de recrutamento de mão-de-obra para se aconselharem e localizar, no
mercado, profissionais ou empresas aptas a gerenciar os fluxos e os estoques, de forma a
eliminar os excessos de informação.
A metodologia de coleta de dados envolveu o envio de um questionário fechado,
enviado por e-mail, que continha os seguintes campos: número total de registros profissionais
do tipo pessoa física; número total de pessoas físicas ativos/inativos e total de pessoas
jurídicas cadastradas junto ao conselho. As respostas obtidas foram enviadas pelos seguintes
Conselhos Regionais: Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Sul (RS),
Santa Catarina (SC), Ceará (CE) e Piauí (PI), Maranhão (MA), Bahia (BA) e Sergipe (SE).
Passados alguns meses, o de São Paulo (SP) também encaminhou suas respostas. Por este
motivo, a coleta dos dados, teve seu prazo alargado, tendo sido realizada durante o ano de 2005.
Divulgam-se os resultados obtidos, primeiramente em forma de gráfico,
mostrando os dados individuais de cada CRB e, posteriormente, agrupados em um quadro
CRB 3ª REGIÃO - CE e PI
69,18% 28,77%
2,05%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 1. Registro de profissionais junto ao CRB-3 (Ceará e Piauí).
O gráfico 1 apresenta os dados obtidos junto ao CRB-3: de um total de 584
registros, 69% são pessoas físicas ativas e, 29% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
jurídicas registradas perfazem um universo de 2%.
CRB 5ª REGIÃO - BA e SE
58,02% 41,63%
0,35%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 2. Registro de profissionais junto ao CRB-5 (Bahia e Sergipe).
O gráfico 2 exibe os dados obtidos junto ao CRB-3: de um total de 1429 registros,
58% são pessoas físicas ativas e, cerca de 42% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
CRB 6ª REGIÃO - MG
58,46% 41,07%
0,47%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 3. Registro de profissionais junto ao CRB-6 (Minas Gerais).
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-6: de um total de 2345 registros, 59% são pessoas físicas ativas e, 41% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
jurídicas registradas perfazem um total menor que 1% de um total de 2334 registros.
CRB 7ª REGIÃO - RJ
51,17% 47,86%
0,97%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 4. Registro de profissionais junto ao CRB-7 (Rio de Janeiro).
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-7: de um total de 5886
jurídicas registradas perfazem um total de 1%. Cabe salientar que da amostra de CRBs
pesquisados, o CRB-7 foi o que apresentou o maior número de pessoas jurídicas registradas,
em números inteiros.
CRB 8ª REGIÃO - SP
53,57% 45,73%
0,70%
Ativos
Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 5. Registro de profissionais junto ao CRB-8 (São Paulo).
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-8: de um total de 7489
registros, cerca de 46% são pessoas físicas ativas e, quase 54% são pessoas físicas inativas; já
as pessoas jurídicas registradas perfazem um total de inferior a 1%. Cabe salientar que da
amostra de CRBs pesquisados, o CRB-8 foi o que apresentou o maior número de registros
profissionais.
CRB 10ª REGIÃO - RS
58,05% 41,82%
0,12%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-10: de um total de 1602
registros, 58% são pessoas físicas ativas e, 42% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
jurídicas registradas perfazem um total inferior a 1%.
CRB 13ª REGIÃO - MA
73,37% 26,43%
0,20%
Ativos Inativos Pessoa Jurídica
Gráfico 7. Registro de profissionais junto ao CRB-13 (Maranhão).
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-13: de um total de 507
registros, 73% são pessoas físicas ativas e, 26% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
jurídicas registradas perfazem um total menor que 1%. Vale salientar que o CRB-13 foi o que
apresentou a maior diferença entre o número de pessoas físicas ativas e inativas, sendo estas
últimas, em menor número do que a metade das pessoas físicas registradas.
Proporcionalmente, o CRB-13 é o que apresenta a maior percentagem de profissionais na
CRB 14ª REGIÃO - SC
68,54% 31,35%
0,10%
Ativos Inativos
Pessoa Jurídica
Gráfico 8. Registro de profissionais junto ao CRB-14 (Santa Catarina).
O gráfico acima exibe os dados obtidos junto ao CRB-14: de um total de 960
registros, 69% são pessoas físicas ativas e, 31% são pessoas físicas inativas; já as pessoas
jurídicas registradas perfazem um total menor que 1%. Este CRB também apresenta uma alta
taxa de pessoas físicas registradas na ativa.
Os resultados podem ser observados - em números totais – na tabela 1 a seguir:
Tabela 1. Dados obtidos junto aos CRBs.
CRB 3 CRB 5 CRB 6 CRB 7 CRB 8 CRB 10 CRB 13 CRB 14
Número total de registros no CRB1
584 1429 2345 5886 7489 1602 507 960 Número total de
registros ativos no CRB (pessoa física)
404 832 1371 3012 4040 930 372 658
Número total de registros inativos no CRB (pessoa física)
168 597 963 2817 3449 670 134 301
Número total de pessoas jurídicas cadastradas no CRB
12 5 11 57 53 2 1 1
1
Um rápido olhar sobre os dados agrupados já permite identificar que,
percentualmente, em todas as regiões abrangidas pelos CRBs, a representação do que se
poderia considerar profissionais mais voltados ao empreendedorismo, é, ainda, bastante
reduzida.
A tabela 1 permite observar que o CRB-8, de São Paulo é o que concentra maior
número de profissionais registrados no que se refere à pessoa física, sendo o segundo quanto à
jurídica, perdendo, neste aspecto, para o CRB-7 (RJ) que, por sua vez, é o segundo com mais
pessoas físicas inscritas. No entanto, há que se chamar a atenção para os números do CRB-3
(CE e PI). Partindo-se do pressuposto que há uma relação direta entre o número de pessoas
físicas ativas registradas e pessoas jurídicas, percebe-se que, proporcionalmente ao número de
pessoas físicas registradas, ele apresenta mais pessoas jurídicas registradas do que o CRB-7 e
CRB-8. Quando comparado este mesmo número (pessoa jurídica) do CRB-3 aos números do
CRB-10 (RS), o CRB-10 apresenta mais que duas vezes o número de pessoas físicas ativas
registradas; por outro lado, apenas uma pessoa jurídica consta como registrada, em
contrapartida às 12 do CRB-3. O mesmo pode ser observado em relação aos CRB-13 (MA) e
CRB-14 (SC).
4 CONCLUSÃO
Através dos dados inferidos pela pesquisa e pela análise dos gráficos, conclui-se que o profissional da informação é pouco empreendedor e extremamente atrelado ao exercício
da profissão junto às instituições. Surpreendem os números extremamente baixos de pessoa
jurídica dos CRBs da 10ª e 14ª regiões, levando-se em conta a tradição em formação do
profissional e a demanda do mercado pelo mesmo. Da mesma forma, surpreende o número de
pessoa jurídica cadastrada no CRB-3 (CE e PI), que representa o dobro em percentual relativo
junto ao CRB-7 (RJ), CRB-8 (SP) e CRB-6 (MG), considerando-se estes pólos cuja demanda
por profissionais liberais e mercado de trabalho seja bem maior que no Nordeste, muito
provavelmente. O mesmo resultado não foi encontrado para o outro Conselho Regional do
Nordeste - CRB-5 (BA e SE), totalizando menos do que 0,4% de pessoas jurídicas inscritas.
Questionam-se os resultados sob diferentes perspectivas: o resultado apresentado
pelo CRB-3 deve-se ao fato dos Estados do Ceará e do Piauí possuir os mais baixos índices de
de trabalho? Os resultados apresentados pelos CRBs de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São
Paulo poderiam ser em decorrência das características sócio-econômias destes Estados, que
apresentam maiores índices per capita, além de uma infra-estrutura de serviços consolidada,
fazendo com que os profissionais não tenham tanta necessidade de buscar alternativas de
trabalho? Tudo leva a crer que sim, especialmente quando observados os dados de São Paulo,
uma vez que é o estado da Federação mais desenvolvido e rico. Pode-se trabalhar com a
possibilidade de os demais Estados, que apresentam deficiência de profissionais
empreendedores, estarem recrutando pessoal neste Estado, e desta forma, mascarar os dados,
pois o registro original pertenceria a São Paulo ou, mesmo, a outras unidades da Federação.
Outro questionamento que surge é sobre o quão fidedigno seriam os dados coletados sobre
pessoa jurídica, já que se sabe é sabido que pessoas físicas atuam como prestadoras de
serviços de forma autônoma, ao invés de constituir uma empresa, devido aos altos encargos
impostos à sua criação, justificando o porquê dos números de pessoas jurídicas serem tão
pouco representativos.
Baseado nas conclusões estabelecidas recomenda-se o aprofundamento da
pesquisa. Acredita-se que o questionamento direto junto aos profissionais bibliotecários, no
que tange às possibilidades de empreendimento em sua região, as características das pessoas
jurídicas estabelecidas quanto ao tempo de atuação, ao segmento de mercado onde atuam e ao faturamento, entre outros aspectos, poderia explicar os números obtidos ou, mesmo, mostrar
aspectos que podem estar mascarados nestes dados. Também se mostra importante buscar a
complementação dos dados junto aos CRBs que não responderam à pesquisa, como forme de
melhor traçar o panorama nacional do empreendedorismo na classe bibliotecária.
REFERÊNCIAS
CARDOZO, T. R. B.; BARBOSA, M. L. A. Políticas informacionais e práticas pedagógicas para a formação do bibliotecário-empreendedor. 2004. Disponível em: <http://dici.ibict.br/archive/00000542/ 01/Políticas_informacionais.pdf> . Acesso em: 04 abr. 2006.
DELORS, J. (Org.). Educação: um tesouro a descobrir; relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
FERREIRA, D. T. Profissional da informação: perfil de habilidades demandadas pelo mercado. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 32, n. 1, p. 42-49, jan./abr. 2003.
GLOSIENE, A. The Information Professional’s Role in the Today’s World & Conference Closing. Inforum Papers, 2002. Disponível em:
<http://www.inforum.cz/inforum2002/english/prednaska78.htm>. Acesso em: 26 jun. 2005. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P. Empreendedorismo. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. HONESKO, A. Empreendedorismo em Bibliotecas Universitárias: um estudo do cenário
paranaense. Ciência da Informação, Brasília, DF, v.32, n.1, p.42-49, jan./abri. 2003. LICHTENTHALER, E. Corporate Diversification: identifying new business systematically in the diversified firm. Thecnovation, Amsterdam, v. 25, p. 697-709. July 2005.
MOSTAFÁ, S. P. Philisophy of education for information: british and brasilian. London: SLIS, 1991.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Site Oficial. Disponível em <http://www.sebrae.com.br >. Acesso em: 24 jun. 2005.
SILVA, E. L.; CUNHA, M. V. A Formação Profissional no Século XXI: desafios e dilemas. Ciência da Informação, Brasília, DF, v.31, n.3, set./dez.2002. Disponível em:
<http://www.scielo.br>. Acesso em: 4 abr. 2006.
TARAPANOFF, K. As Novas Tendências e o Profissional da Informação nas Bibliotecas Universitárias do Século XXI. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 11, Florianópolis, abr. 2000. Anais eletrônicos ... Florianópolis, 2000.. Disponível em: <http://www.snbu.bvs.br/snbu2000/home.html >. Acesso em: 04 abr. 2006.
ULH∅I, J. P. The Social Dimensions of Entrepreneurship. Thecnovation, Amsterdam, v. 25, p. 939-946. Aug. 2005.
VALLE, L. M. B.; SANTOS, R. Reunião nacional de bibliotecas biomédicas e especializada em odontologia: uma experiência. Ago. 2004. Disponível em:
<http://www.ndc.uff.br/textos/luciana_valle_reuniao.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2005. VALENTIM, M. L. P. Profissional bibliotecário e as perspectivas sócio-econômicas neste final de século. In: ENCUENTRO DE DIRECTORES, 3 y ENCUENTRO DE DOCENTES DE LAS ESCUELAS DE BIBLIOTECOLOGÍA DEL MERCOSUR, 2, Chile, Oct. 1998. Anais eletrônicos ... Santiago, 1998. P. 109-114. Disponível em:
<http://utem.cl/deptogestinfo/21.doc>. Acesso em: 04 abr. 2006.
Agradecimento:
Juliana Dalpian
Bacharel em Biblioteconomia pelo curso de Biblioteconomia da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
E-mail: [email protected]
Juliane Görgen Fragoso
Bacharel em Biblioteconomia pelo curso Biblioteconomia da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
E-mail: [email protected]
Helen Beatriz Frota Rozados
Professora Adjunta do Departamento de Ciências da Informação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS. Doutora em Comunicação e Informação.
E-mail: [email protected]
Recebido para publicação em: 21/12/2006