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Psicol. USP vol.15 número12

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Academic year: 2018

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Psicologia USP, 2004, 15(1/2), 35-37 35

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ROFESSOR

Léia Priszkulnik Instituto de Psicologia -USP

uarta-feira, 15 de outubro de 2003. Dia difícil de ser lembrado. De ma-nhã cedo recebi a notícia da morte do Professor Luiz Carlos, notícia que me causou um forte impacto. Como? Ele morreu? Várias notícias que rece-bemos na vida vêm de maneira inesperada, mas essa... ele estava bem, traba-lhando...

O que escrever sobre ele? Que rumo tomar? Depois de voltas e mais voltas, opto por escrever sobre o meu professor Luiz Carlos.

Lembrar dele é lembrar do meu percurso universitário e intelectual. Luiz Carlos foi meu professor no Curso de Graduação em Psicologia. Cursei uma disciplina que ele ministrava durante o Curso de Pós-Graduação. Tive o privilégio de contar com ele na Banca do meu Mestrado, do meu Doutorado e do meu Concurso de efetivação como docente do Departamento de Psico-logia Clínica. Lembro da forma como ele falou, nessas três ocasiões, do meu trabalho e das minhas pesquisas. Palavras de apoio e de estímulo, mas tam-bém palavras de incentivo para uma ousadia maior no campo psicanalítico. Lembro também das vezes em que o procurei para aclarar algumas dúvidas teóricas. Suas palavras tinham um peso muito grande para mim. Suas expla-nações abriam espaços novos a serem explorados e percorridos.

Pude ouvi-lo muitas ve zes em palestras e conferências na Universida-de e fora Universida-dela. Algumas das apresentações que assisti foram simplesmente magistrais. Nelas, Luiz Carlos parecia iluminado, suas palavras iam abor-dando e desenvolvendo o tema de forma muitas vezes inusitada.

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Léia Priszkulnik

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comentar o trabalho de um outro, faziam parte de seu estilo nessas ocasiões. Tive a oportunidade de ser chamada por ele para participar de Bancas de orientandas dele. Nas duas ocasiões, também com seu jeito elegante de re-conhecer o trabalho de um outro, me disse que pensara no meu nome por saber que eu conhecia os escritos de Freud e que, com isso, poderia enrique-cer as respectivas argüições.

Mas, também, tive o privilégio de tê-lo como colega de Departamento. Aquele colega que não falava muito nas reuniões, mas quando falava, suas frases tinham uma clareza e uma força muito grandes. O seu estilo elegante também se fazia presente nessas ocasiões.

Ele foi uma figura de destaque na luta para que as investigações em Psicanálise fossem aceitas e reconhecidas no meio acadêmico. Ele dizia da importância dessa luta frente a um ambiente universitário impregnado pelos modelos de pesquisa das ciências exatas e biológicas. Lembro das palavras de apoio que recebi durante a argüição do Doutorado, pois apresentei um caso único, o caso exemplar, para defender minha tese.

Além dessa importância como docente universitário, psicanalista e pesquisador, foi uma figura muito importante para o ensino da obra de La-can, não só na Universidade como também no país. Foi um dos introdutores desse ensino nos idos de 1975, época em que fundou o primeiro círculo la-caniano do Brasil, o Centro de Estudos Freud ianos (CEF), junto com outros três colegas também psicanalistas.

A ausência de Luiz Carlos Nogueira deixa uma lacuna muito grande. Seu nome já está inscrito na História do Departamento de Psicologia Clínica e do Instituto de Psicologia da USP. Além disso, seu nome também já está inscrito na História da Psicanálise Llacaniana no Brasil e no mundo, fato que se tornou conhecido desde que foi citado como um dos fundadores do pri-meiro círculo lacaniano brasileiro no verbete “Brasil”, do Dicionário de Psicanálise de Elizabeth Roudinesco e Michel Plon, lançado em 1997 na França e, em 1998, no país.

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sen-Professor Luiz Carlos, Meu sen-Professor

37 timentos, até contraditórios, só conseguem expressão através das palavras de um poeta...

A Um Ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto.

... Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades.

Sim, acuso-te porque fizeste

o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.

Referências

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