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An. mus. paul. vol.20 número1

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Academic year: 2018

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Nesta edição dos Anais, os leito-res são brindados com um amplo estudo da história da urbanização no Brasil co-lônia, que perpassa distintas regiões do país e seus processos de ocupação terri-torial, com estrutura cuja introdução e conclusão estão ancoradas nas reflexões da historiadora Beatriz Bueno, organiza-dora do dossiê deste número.

Nestes Anais, verifica-se o fenôme-no da urbanização sob a ótica de jo-vens estudiosos da história urbana, apre-sentado em dois eixos temáticos.

Do primeiro eixo temático, apro-priadamente intitulado A produção de territórios entre representações e prática, constam cinco artigos. No primeiro deles – A urbanização da Amazónia e do Ma-to Grosso no século XVIII. Povoações ci-vis, decorosas e úteis para o bem co-mum da coroa e dos povos – Araujo apresenta o processo de urbanização da região amazônica e do Mato Grosso na segunda metade do século XVIII. Bus-ca analisar o impacto da legislação adotada na demarcação de limites do território. No artigo que se segue– Urbs

e civitas. A formação dos espaços e ter-ritórios urbanos nas Minas setecentistas

Damasceno Fonseca apresenta diver-sas abordagens da cidade colonial mi-neira sob a ótica do urbanismo colonial português. Mais do que a visão estética, esse autor destaca os trabalhos relacio-nados às redes de cidades e ao tema da morfologia urbana.O terceiro artigo, de autoria de Derntl – Uma oficina de novi-dades: a implantação de núcleos urba-nos na capitania de São Paulo, 1765-1775 –,procura demonstrar a dinâmica de assentamento de núcleos urbanos na capitania de São Paulo no período sob o governo do general Morgado de Ma-teus. O artigo objetiva demonstrar que, apesar das tentativas da Coroa portu-guesa de organizar os modos de orien-tar a expansão urbana na capitania, as circunstâncias locais determinaram outros arranjos, procurando superar situações conflituosas inerentes ao processo de ur-banização de então. O quarto artigo – Os primórdios da organização do espa-ço territorial e da vila cearense. Algumas notas –, de autoria de Jucá Neto,

apre-Apresentação

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8 Anais do Museu Paulista. v. 16. n.1. jan.-jun. 2008. senta as iniciativas empreendidas, pelos

agentes econômicos, religiosos e os li-gados ao Estado português, na organi-zação do espaço da capitania do Ceará no século XVIII. Destaca a funda-ção pelo Estado português de vilas em lugares importantes para a economia pecuária. Também comenta a represen-tação cartográfica de então como de-monstrativa do pouco interesse dos lusi-tanos quanto ao entendimento pleno desse território. Já no quinto e último artigo deste bloco – Gêneses urbanas do colonialismo: síntese de encontros culturais –, Gianesella destaca o assun-to e revela que o processo de urbaniza-ção de vilas litorâneas, como Cana-neia, Iguape, São Vicente e outras no estado de São Paulo, há séculos já po-deria caracterizá-las como redutos eco-lógicos, por conta da participação das sociedades indígenas no processo de urbanização definido pelos lusitanos.

Do segundo eixo temático – Os espaços intraurbanos e as escalas de observação – constam quatro artigos. No primeiro, Bastos, em seu O urbanis-mo conveniente luso-brasileiro na forma-ção de povoações em Minas Gerais no século XVIII,faz uma revisão crítica do ideário que considerava desordenadas as povoações na capitania de Minas Gerais nesse século. Em vez disso, de-monstra que tais processo de urbaniza-ção eram determinados por regras, doutrinas e costumes, denominados por Almeida Bastos, o autor, de urbanismo conveniente luso-brasileiro. Já Coelho Loureiro apresenta – Quintais de Olin-da: uma leitura indiciária sobre sua gê-nesedirigindo o olhar para a consti-tuição desses quintais, situação muito

pouco estudada se considerados os inúmeros trabalhos existentes sobre o casario de Olinda. O autor revela que o fato da transferência do núcleo admi-nistrativo para Recife permitiu que o es-paço urbano de Olinda, eses-paço esse ocupado em grande parte pelos seus quintais, permanecesse com caracterís-ticas muito semelhantes às do período colonial. Neste eixo temático, no tercei-ro artigo – Paranaguá, Antonina e Curi-tiba, início do século XIX: reconstituindo espaços e a lógica de sua organização social –, Tadashi Kato, a partir de plan-tas temáticas, elabora uma metodologia para se apreender os locais de habita-ção no caso de três vilas do sul da ca-pitania de São Paulo: Paranaguá, Anto-nina e Curitiba.

Por fim, em Sistema de produção da arquitetura na cidade colonial brasi-leira. Mestres de ofício, “riscos” e “tra-ças”, Beatriz Bueno descreve a relação dialética entre o saber prático e o eru-dito na produção arquitetônica das vilas e cidades coloniais brasileiras, fazendo uma análise acurada sobre o papel dos mestres-construtores na concepção, exe-cução e na prestação de contas das edificações.

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