COMPARAÇÃO DA ENTOMOFAUNA DE NOVE LOCALIDADES DO ESTADO DO PARANÁ (BRASIL), COM ESPECIAL REFERÊNCIA A DA ILHA DO MEL (BAfA DE PARANAGUÁ)

Texto

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RENATO ROXO COUTINHO DUTRA

COMPARAÇÃO DA ENTOMOFAUNA DE NOVE LOCALIDADES DO ESTADO DO PARANÁ (BRASIL), COM ESPECIAL REFERÊNCIA A DA ILHA DO MEL

(BAfA DE PARANAGUÁ)

Tese aprovada no Curso de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, como parte dos requi­

sitos para a obtenção do título de Doutor em Ciências na área de Zoologia.

Orientador: Dr. Renato Contin Marinoni

CURITIBA

1993

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GUÁ) .

p o r

R E N A T O R OX O C O U T I N H O D U T R A

T e s e a p r o v a d a c o m o r e q u i s i t o p a r c i a l p a r a a o b t e n ç ã o d o G r a u d e D o u t o r n o C u r s o d e P õ s - G r a d u a ç i o em C i ê n c i a s - Z o o l o g i a d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o P a r a n ã , p e l a C o m i s

P r o f . D r . S i n v a l S i l v e i r a N e t o

P r o f a . D r a . D i l m a S o l a n g e N a p p

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“Sentido do mísero, que descubra e aprecie sei pestanejar a eultidão alucinante de eleaentos sateriais ou vivos iaplicados na aenor transfor- sação do Universo.

Sentido da proporção, que avalie tanto quanto possível a diferença de escala física que separa, nas diaensões e nos ritaos, o átoao da nebulosa, o ínfiao do isenso.

Sentido da qualidade, ou da novidade, que chegue, sei destruir a uni - dade física do Hundo, a distinguir na Natureza escalões absolutos de per - feição e de cresciiento.

Sentido do soviiento, capaz de perceber os irresistíveis desenvolviien tos que se ocultas nas sais frouxas lentidoes, - a extresa agitação que se dissisula sob us véu de repouso, - o inteirasente novo que se insinua no íntiso da repetição sonótona das sessas coisas.

Sentido do orgânico, enfis, que descubra as ligações físicas e a unida de estrutural sob a justaposição superficial das sucessões e das colectivi dades.”

(TEILHARD DE CHARBINi

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A G R A D E C I M E N T O S

Ao Prof.Dr. Renato Contin Marinoni pela ori e n t a ç ã o do p r e ­ sente trabalho.

Ao Prof.Dr. Jayme de Loyola e Silva, co o r d e n a d o r do Curso de Pós-Graduação em Zoologia da Univer s i d a d e Federal do Paraná quan­

do de meu ingresso no mesmo, pelo apoio recebido.

À Coordenação de A p e r f e i ç o a m e n t o de Pessoal de Nível Supe- rior(CAPES) pela bolsa concedida.

Aos seguintes espec i a l i s t a s que c o l a b o r a r a m com a identifi­

cação ou c onfirmação de identificação: M . Sc Alice F. Kuma- g a i (s u b f a m í 1 ias de I c h n e u m o n i d a e ), Dra. Keti M.R. Z a n o l (f a m í 1 ias de Homoptera), M .Sc Rosina D. M i y a z a k i (f a m í 1 ias de Coleoptera), Dr . Inocêncio S. G o r a y e b (espécies de Tabanidae), Dr . Miguel A.

M o n n é (espécies de C e r a m b y c i d a e ), D r . Renato C. M a r i n o n i (espécies de C e r a m b y c i d a e ), D r . Rodney R. C a v i c h i o l i (f a m í 1 ias de Hemipte- ra), D r . Ubirajara R.M. S o u z a (espécies de C e r a m b y c i d a e ).

h

Profa. Dra Dilma S. Napp , Diretora do Centro de Identifica­

ção de Insetos F i t ó f a g o s (C l I F ) da U n i v e r s i d a d e Federal do Paraná, pelas facilidades na u t i lização das depend ê n c i a s do mesmo.

Aos amigos Jacqueline Pietras e Irineu G. Gusso, técnicos do CIIF, pela colaboração.

hs bibliotecárias do Setor de Ciências Biológicas da U n i v e r ­ sidade Federal do Paraná e às(aos) s e c r e t á r i a s (o s ) do D e p a r t a m e n ­ to de Zoologia, pela solicitude.

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1.1. Sobre os levantamentos entomológicos realizados no Estado do Paraná... 1

1.2. Sobre o PROFAUPAR e a inclusão da Ilha do Mel... 3

1.3. Histórico da armadilha Halaise...5

2. RELEVÂNCIA E OBJETIVOS DO TRABALHO... 12

2.1. Relevância do Trabalho... 12

2.2. Objetivos do Trabalho... 13

2.2.1. Objetivos gerais... 13

2.2.2. Objetivos específicos... 13

3. HATERIAL E MÉTODOS... 15

3.1. Descrição dos locais amostrados... 15

3.1.1. PROFAUPAR... 15

3.1.1.1. Antonina...16

3.1.1.2. São José dos Pinhais... 17

3.1.13. Colombo... 19

3.1.14. Ponta Grossa... 19

3.1.1.5. Guarapuava... 20

3.1.1.6. Fênix... 21

3.1.17. Jundiaí do Sul... 22

3.1.1.8. Telêmaco Borba... 23

3.1.2. ILHA DO MEL... 24

3.1.2.1. Clima... 26

3.1.2.2. Localização dos pontos amostrados e respectivas situações floristicas... ... 27

3.2. Sobre os dados meteorológicos... 29

3.3. Sobre o material biológico... 30

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO... 38

4.1. Clima... 38

4.1.1. PROFAUPAR... 38

4.1.1.1. Temperatura máxima(°C)... 38

4.1.1.2. Temperatura minima(°C)... 38

4.1.1.3. Umidade relativa(X)... 39

4.1.14. Precipitação(mm)... 40

4.1.2. ILHA DO MEL... 42

4.2. Os grupos de Insecta... 43

4.2.1. PROFAUPAR... 43

4.2.1.1. Sobre a captura de Insecta,amostrada em oito localidades pelo PROFAUPAR, nos diferentes meses do ano... 43

4.2.1.2. Presença das Ordens de Insecta...47

4.2.1.3. Sobre a captura de Hemiptera, nos diferentes meses do ano... 48

4.2.1 4. Sobre a captura de Homoptera, nos diferentes meses do ano... 50

4.2.1.5. Sobre a captura de Coleoptera, nos diferentes meses do ano, e constância e dominância das famílias... 53

4.2.1.5.1. Sobre a captura de Cerambycidae, Chrysoraelidae, Curculionidae e Staphglinidae, nos diferentes meses do ano... 58

4 2.1.6. Sobre a captura de Lepidoptera, nos diferentes meses do ano... 67

4.2.1.7. Sobre a captura de Diptera, nos diferentes meses do ano... 69

4.2.1.8. Sobre a captura de Hsmenoptera, nos diferentes meses do ano... 72

4.2.18.1. Sobre a captura de Ichneumonidae.nos diferentes meses do ano, e constância e dominância das subfamílias... 74

4.2.2. ILHA DO MEL... 78

4.2 2 1. Sobre a quantidade de Insecta capturada nas duas localidades da Ilha do Mel, durante o período amostrado... 78

4.2.2 2 Presença das Ordens de Insecta... 79 4.2.23. Sobre a frequência relativa(X) das Ordens de Insecta mais abundantes,

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capturadas nas duas localidades da Ilha do Hei , nos diferentes meses do

ano... 8®

4.2.2.4. Sobre a quantidade de Insecta e de algumas Ordens, capturadas nas duas localidades da Ilha do Hei, nos diferentes meses do ano... 81

4.3. Sobre a quantidade de Cerambycidae, capturada nas nove localidades, e constância e domi­ nância das espécies...124

4.3.1. Antonina. . . 124

4.3.2. São José dos Pinhais... 125

4.3.3. Colombo... 125

4.3.4. Ponta Grossa...126

4.3.5. Guarapuava... 127

4.3.6. Fênix... 127

4.3.7. Jundiaí do Sul... 128

4.3.8. Telêmaco Borbâ. . . 129

4.3.9. Ilha do Hei... 13®

4.4. Análise de agrupamento... 132

4.5. Análise por coordenadas principais e Arvore de conexão mínima... 138

4.6. Diversidade... 139

4.7. Uniformidade... 141

5. CONCLUSÕES... 143

TABELAS... 146

FIGURAS... 235

SUHHARY... 269

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 271

APÊNDICES... 278

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naturais ainda existentes no Estado do Paraná foram selecionadas para captura de Insecta, como parte do Projeto " L e v antamento da Fauna Entomológica do Estado do P a r a n á " ( P R O F A U P A R ). Os pontos de amostragem escolhidos foram, a) Antonina (planície litorânea); b) São José dos Pinhais (Serra do Mar); c) Colombo (primeiro p l a n a l ­ to paranaense); d) Ponta Grossa, Jundiaí do Sul e Telêmaco Borba

(segundo planalto paranaense); e) G u a r apuava e Fênix (terceiro planalto paranaense). Durante um ano(52 semanas), de agosto de 1986 a julho de 1987, utili z a n d o - s e armadilhas M a l a i s e (modelo TOWNES, 1972), estas áreas foram amostradas continuamente. A p r o ­ veitando a metodologia d e s e n v o l v i d a durante o PROFAUPAR, foram instaladas duas armadilhas Malaise na Ilha do Mel(B a í a de P a r a n a ­ guá), no período de setembro de 1988 a agosto de 1989, em dois pontos denominados Fort a l e z a e Praia Grande Se por um lado as capturas realizadas durante o PROFAUPAR p o s s i b i l i t a r a m um estudo comparativo de e n t omofaunas amostradas durante o mesmo período, porém em diferentes regiões g e o m o r f o l ó g i c a s e florísticas, as capturas realizadas na Ilha do Mel per m i t i r a m a rea l i z a ç ã o de um estudo comparativo de entomo f a u n a s amostradas dentro de um mesmo ambiente e durante um mesmo período, além de p o s s i b i l i t a r c o m p a ­ rações entre áreas geo g r a f i c a m e n t e p r ó x i m a s (Anton i n a e Ilha do Mel), porém amostradas em períodos distintos. Das amostras do PROFAUPAR, além do conjunto dos Insecta, que to t a l i z a r a m 832.542 exemplares, apenas seis O r d e n s (a p r o x i m a d a m e n t e 95,84% do total de indivíduos capturados) tiveram suas flutuações de captura média analisadas graficamente. H e m i p t e r a (1.362 indivíduos), Homopte- r a (25.673), C o l e o p t e r a (21.457), L e p i d o p t e r a ( 4 2 .322), Dipte- ra(649.753) e H y m e n o p t e r a (57.366), além da família Ichneumoni- d a e (H y m e n o p t e r a )(15.499>. Das amostras r e a lizadas na Ilha do M el(Fortaleza - 62.924 indivíduos e Praia Grande - 38.868 i n diví­

duos), só foram analisadas g r a f i c a m e n t e as Ordens que foram c a p ­ turadas concom i t a n t e m e n t e nos dois pontos amostrados, e em pelo menos cinco meses; entre os Hemiptera, somente os Miridae, que foram os mais abundantes, foram analisados graficamente, o mesmo ocorrendo com os C i c a d e l 1 i d a e (H o m o p t e r a ), T a b a n i d a e (D i p t e r a ) e suas espécies, das quais a mais abundante foi Pichei acera a l c i - cornis (Wiedemann) e I c h n e u m o n i d a e (H y m e n o p t e r a ) Quanto aos Co- leoptera, só foram analisadas graficamente, no caso do PROFAUPAR, as famílias consideradas c o m u n sípela c l a s s i f i c a ç ã o de PALMA) para as oito localidades: C h r y s o m e 1 i d a e , C u r c u l i o n i d a e e Staphylini- dae, além de C e r a m b y c i d a e . No caso da Ilha do Mel, foram a n a l i s a ­ das graficamente as famílias consid e r a d a s comuns e intermediá- rias(pela classificação de PALMA) para cada um dos dois pontos amostrados NsssodrHsina 1 ignaria (Bates, 1864) foi a mais a b u n ­ dante dentre as 151 espécies de Cerambycidae e n c o n tradas para as nove localidades estudadas. Tendo como atributo as espécies de Cerambycidae, p rocedeu-se à Análise de a g r u p amento das localida­

des e s t u d a d a s (com os pontos de amostragem do PROF A U P A R e da Ilha do Mel sendo analisados simultaneamente). 0 c o e f i ciente de si m i ­ laridade utilizado foi o de Dice e o método de a g r u p amento foi o UPGMA Foi possível e stabelecer uma maior s e m elhança entre 4 g ru­

pos/núcleos de localidades: 1) A n t o n i n a / 1 1 ha do Mel; 2) C o l o m ­ bo/Ponta Grossa; 3) F ê n ix/Jundiaí do Sul e 4) G u a r a p u a v a/Telêmaco Borba. São José dos Pinhais ficou di s t a n c i a d a das demais locali­

dades, apresentando baixa s i milaridade em relação às mesmas E s ­ te estudo foi compl e m e n t a d o pela Análise por co o r d e n a d a s princi -

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pais e as ligações entre as localidades feitas com os dados indi­

cados para a árvore de conexão mínima, que indicou o núcleo C o ­ lombo/Ponta Grossa como elemento de ligação entre o grupo Guara- p u a v a / T e l êmaco Borba e o núcleo Finix/Jundiaí do Sul. Ainda com base nas espécies de C e r a m b y c i d a e , foram obtidos os índices de Diversidade e U n i f o r m i d a d e de S h a n n o n . Ponta Grossa<2,72> e Praia Grande(l,55) a p r e s e n t a r a m os valores extremos de Diversidade, sendo os únicos valores considerados e s t a t i s t i c a m e n t e diferentes dos demais. F o r t a l e z a (0,966) e Praia G r a n d e < 0 , 605) apresentaram os valores extremos de Uniformidade. A relação de dominância e n ­ tre as espécies foi fator p r e p onderante no c á lculo do índice de Diversidade, m a n i f e s t a n d o - s e claramente nos valores da U n i f o r m i ­ dade. Concluiu-se que a armadilha Malaise é s e l e t i v a para Dipte- ra, Hymenoptera e Lepidoptera, mostra n d o - s e bastante eficiente para medir a a b u n dância relativa, na obtenção de informações s o ­ bre a variação sazonal dos Insecta e na com p a r a ç ã o de entomofau- nas de diferentes localidades. Também, a s i n c r o n i z a ç ã o imposta aos Insecta pela troca de estações e o a p a r e c i m e n t o de condições propícias para ovi p o s i ç ã o e crescimento larval, indicou o fim da primavera/início do verão como o período de maior atividade dos I n s e c t a .

ii

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z a d o s n o E s t a d o d o P a r a n á

No que se refere aos levantamentos da entomofauna no Estado do Paraná, apesar de o r i entados para alguns poucos grupos taxonô- micos e c o n centrados no leste paranaense, destacam-se: LAROCA

(1974), LAROCA, CURE & BORTOLI (1982), C U R E-HAKIM (1983) e ZANEL- LA (1991), que tiveram os A p o i d e a (H y m e n o p t e r a ) como elemento principal dos trabalhos e as capturas realizadas com rêde entomo- 1ó g i c a , RHIES (1982) e M A RQUES (1989), este último no segundo planalto paranaense, que estu d a r a m r e s p e c t i v a m e n t e os Scarabaei- dae e S c o l y t i d ae(Coleoptera) c a p turados com armadilha luminosa e etanólica, respectivamente. LAROCA & MIELKE (1975) e LAROCA, BEC- KER & ZANELLA (1989), que estu d a r a m os S p h i n g i d a e (L e p i d o p t e r a ) da Serra do Mar atraídos por fonte luminosai YAMAMOTO (1984), que estudou co m p a r a t i v a m e n t e a I c h n e u m o f a u n a (H y m e n o p t e r a > capturada com armadilha ‘‘Malaise'' em dois a m b i e n t e s (urbano e rural) da r e ­ gião de Curitiba, e finalmente DELLOME FILHO (1985), que estudou a S i m u l i o f a u n a (D i p t e r a ) c apturada no Rio M a r u m b i (M o r r e t e s , p l a n í ­ cie 1 it o r â n e a ).

Em agosto de 1986 teve início o Projeto "Levantamento da Fauna E n tomológica do Estado do P a r a n á " (P R O F A U P A R ), sob r e s p o n s a ­ bilidade do Centro de Identificação de Insetos F i t ó f a g o s (C l I F ) do Departamento de Zoologia da U n i v e r s i d a d e Federal do Paraná Este Projeto visou estender estes estudos para outras áreas do Estado, através da captura sistemática de insetos em oito localidades Dois métodos de captura foram utilizados, armadilha Mal a i s e (m o d e ­ lo TOWNES, 1972 ) ( F i g .1 ) , com as m o d i f i c a ç õ e s na adaptação do

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frasco coletor propostas por YAMAM O T O (1984), e arma d i l h a l u mino­

sa tipo "ESALQ"(SILVEIRA NETO & S I L V E I R A , 1969).

A importância da obtenção destas informações podendo ser avaliada pelo fato do número e tamanho das pop u l a ç õ e s existentes, e sua condição estável, em d i m i n u i ç ã o ou ascenção, além da área de distribuição das espécies, ser um dos crit é r i o s adotados para a composição da nova "Lista das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção" (BERNARDES e£ à l > 1990). Segundo SOLOMON

(1980), conquanto variem em a b u n d â n c i a de geração a geração, as populações tendem a manter, ao longo do tempo, um nível de a b u n ­ dância c a r a c t erístico e, enqua n t o o habitat cons e r v a r suas c a r a c ­ terísticas essenciais, a popu l a ç ã o g e r almente r etornará à sua c a ­ racterística de abundância ou raridade.

Apesar das duas armadilhas serem consid e r a d a s seletivas, nossa p referência pela uti l i z a ç ã o no presente trabalho, dos dados coligidos pela Malaise, foi devida às seguintes c a r a c t e r í s t i c a s que lhes são atribuídas:

funcionamento tanto em dias chuvosos quanto ensolarados, além da função de capturar c o n t i n u a m e n t e ( G R E S S I T T & GRESSITT, 1962);

- representou para os e s t udiosos dos insetos voadores o que o fu­

nil de Berlese representou para os e s t u diosos de solo(TOWNES, 1962);

a facilidade de se manter a armadilha por longos períodos a torna muito eficiente para se obter uma informação segura sobre a sazonalidade dos insetos, também sendo bastante valiosa para se medir a abundância relativa e p r o porções s e x u a i s <EVANS & OWEN, 1965);

por não utilizar nenhum tipo de a t r ativo(luz ou iscas), é c o m ­ pletamente imparcial na amostragem, sendo comparável a uma teia de a r a n h a (BREELAND & PICKARD, 1965); porém, para os insetos que

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lativa das diferentes espécies e c o m paração da en t o m o f a u n a de d i ­ ferentes 1o c a l i d a d e s <C H A N T E R , 1965) e,

uma das vantagens na sua u t i lização para estudos quantitativos dos insetos, reside no fato de que todos os espé c i m e s capturados são estritamente do local da armadilha, sendo r e p r e s e n t a t i v o s dos insetos que voaram na área durante o período de a m o stragem (OWEN

& CHANTER, 1970)

Deve-se salientar, que uma das d e s vantagens na sua u t i l i z a ­ ção reside no fato desta armadilha medir apenas a atividade de vôo dos insetos, o que não significa que os indivíduos capturados em maior número sejam nec e s s a r i a m e n t e os mais a b u ndantes no local amostrado.

Quanto à uti l i z a ç ã o da ride e n t o m o l ó g i c a , além da d i f i c u l d a ­ de de se obter c o n c o m i t a n t e m e n t e dados de oito pontos de a m o s t r a ­ gem distintos, ela tem sido utilizada basica m e n t e em l e v a n t a m e n ­ tos de abelhas, com vários aspectos desta me t o d o l o g i a sendo d i s ­ cutidos em LAROCA (1974) e CURE et. aj.. (1990).

i.S. S o b r e o P R O F A U P A R e a i n c l u s ã o d a I l h a d o M e l

Com o início do PROFAUPAR, oito pontos de amostragem foram e s t a b e l e c i d o s ( F i g .2):

a. Um na área 1 i t o r â n e a (A n t o n i n a );

b. Um na crista da Serra do Mar(São José dos Pinhais);

c. Um no primeiro p 1 a n a l t o (Co 1o m b o );

d. Três no segundo p 1 a n a l t o (Pont a Grossa, Jundiaí do Sul e Teli- maco Borba) e,

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4

e. Dois no terceiro p1 a n a l t o (Gua r a p u a v a e Fênix).

Segundo MAACK (1981), o traco mais evidente no aspecto da superfície do Estado do Paraná é a sua d i visão em duas grandes regiões naturais: o litoral e os plan a l t o s do interior. R e f e r i n ­ do-se ao r e vestimento florístico da região litorânea, subdivide-a em duas zonas paisa g í s t i c a s naturais: a)Orla marítima e, b)Orla da Serra. Associações florísticas r e gionais típicas destacam a presença de formações psamófitas, h a l ó f i t a s e x erófitas na Orla marinha, enquanto na Orla da Serra pred o m i n a a mata pluvial-tro- pical . Segundo Hatschbach (in MARINONI & DUTRA, 1993), Antonina caracteriza-se por a p r esentar mata pluvial da vertente atlântica, com a presença de elevado número de epífitas, o que a separa da mata pluvial da planície litorânea.

Apesar do ponto de amostragem em Antonina estar localizado na região litorânea, ele dista alguns quilômetros do litoral p r o ­ priamente dito. A ação direta do mar faz-se mais branda a esta distância, levando a que florística e fa u n isticamente diferencie- se da Ilha do Mel(Baía de P a r a n a g u á )(F i g .3).

Aproveitando o material já amostrado pelo P ROFAUPAR e c o n s i ­ derando as ca r a c t e r í s t i c a s florísticas d i f e r e n c i a d a s da área li­

torânea, foram instaladas duas armadilhas M a l a i s e (modelo TOWNES, 1972) na Ilha do Mel(Fig.4), no período de setembro de 1988 a agosto de 1989.

A inclusão das amostras realizadas na Ilha do Mel, cujas ca­

racterísticas g e o m o r f o l ó g i c a s são en c o n t r a d a s em BIGARELLA (1946), FERNANDES (1947), MAACK (1981) e HERRM A N N & ROSA (in. IB­

GE, 1990), abriu uma nova p e r s p ectiva de estudos comparativos de entomofaunas capturadas com Malaise em d i f erentes localidades

Se por um lado as capturas realizadas durante o PROFAUPAR possibilitaram um estudo c omparativo de entom o f a u n a s capturadas

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tiram a realização de um estudo co m p a r a t i v o de e n t o m o f a u n a s c a p ­ turadas dentro de um mesmo ambiente e durante um mesmo período, além de possib i l i t a r comparações entre áreas g e o g r a f i c a m e n t e pró- x imas<Antonina e Ilha do Mel), porém amostradas em períodos dis- t int os .

1.3. H i s t ó r i c o d a a r m a d i l h a l i a l a i s e

Partindo da c onstatação de que, desde o tempo de Linnaeus a técnica de capturar insetos não havia pro g r e d i d o muito, MALAISE (1937) d e s e n volveu a partir de ob s e r v a ç õ e s realizadas em t r a b a ­ lhos de campo, e mais es p e c i f i c a m e n t e no interior de sua barraca de acampar, um novo tipo de armadilha. O b s ervando que os insetos que eventualmente penetravam na barraca c o s tumavam acumular-se nos ângulos do teto e que em de t e r m i n a d a ocasião lograram escapar por um furo existente no tecido, de s e n v o l v e u a armadilha que v i ­ ria consagrar-se com a d e n o m inação "Malaise". A primeira versão da armadilha consistiu de uma rede de pescar negra e um cilindro receptor de latão; apresentava uma forma piramidal composta de vários compartimentos, com o r e c ipiente coletor conte n d o a s u b s ­ tância letal localizado no seu ápice. Observou que era eficiente p rincipalmente para a captura de Diptera, Hymenoptera, Noctuidae e Sphingidae, além de Coleoptera. Eliminou algumas desvantagens como a entrada unilateral e a entrada do cilindro coletor com diâmetro muito pequeno, desen v o l v e n d o um novo modelo com entradas pelos dois lados e com uma abertura maior para entrada no c i l i n ­ dro .

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GRESSITT

&

GRESSITT (1962) c o m pararam a e f i c iência de três versões aperfeiçoadas da a rmadilha Malaise, sendo as principais modificações a u t i lização de dois c ilindros cole t o r e s feitos de plástico, a cor do tecido util i z a d o na sua confecção, suas d i m e n ­ sões e as dimensões interiores do funil coletor. Dis c u t i r a m sobre a localização ideal da a rmadilha para aumentar sua eficiência.

Entendendo que a Malaise poderia ser objeto de infinitas m o ­ dificações para adaptá-la à captura de d e t erminados insetos em habitats particulares, TOWNES (1962) d esenvolveu um novo modelo para capturar I c h n e u m o n i d a e , o qual funcionou muito bem, c a p t u ­ rando também outros tipos de insetos voadores ativos. Observou que os tipos de insetos capturados dependeram em alto grau do lo­

cal onde a armadilha foi montada; m o d ificações no seu tamanho, forma e disposição influenciando na quantidade e frequência r e l a ­ tiva das várias espécies capturadas, com a cor do tecido podendo exercer algum efeito.

JUILLET (1963) comparou as capturas de Hymenoptera, Diptera, Lepidoptera, Coleoptera e H o m o p t e r a - H e m i p t e r a através de quatro tipos de armadilhas: " g 1a s s - b a r r i e r ” , Malaise, "rotary" e

"sticky". Observou que Malaise foi o segundo melhor tipo de a r m a ­ dilha para todas as Ordens estudadas, exceto Coleoptera, c o n ­ cluindo que a t endência dos indivíduos p e rtencentes a esta Ordem era de cair ao sol o após c h o c a r e m - s e a um objet o , o que aument ava suas chances de e s c a p a r .

EVANS & OWEN (1965) estu d a r a m a atividade de vôo dos insetos utilizando uma Malaise (modelo Townes). Observaram que a a r m a d i ­

lha mostrou ser p a r t i c u l a r m e n t e s a tisfatória na coleta de H y m e ­ noptera, Diptera e Lepidoptera. Constataram que, como muitos m é ­ todos de captura, a Malaise era seletiva e deveria ser utlizada conjuntamente com outras técnicas quando se desejava uma a m o s t r a ­

(16)

capturar Diptera. Obs e r v a r a m ser uma a rmadilha que c apturava e f i ­ cientemente tanto à noite quanto de dia, sob c ondições de tempo v a r i á v e i s .

BUTLER J R . (1965) red e s e n h o u o modelo Townes, tornando-o de confecção mais barata e fácil; utilizou um m o s q u i t e i r o na sua

forma original e um r e c ipiente plástico coletor. Segundo o autor, o desenho básico oferecia um ponto de partida para muitas m o d i f i ­ cações em função de capturas especializadas.

CHANTER (1965) sugeriu a u t i lização de álcool no recipiente coletor, apesar de não c o n s i d e r á - l o favorável aos Lepidoptera.

MARSTON (1965) forneceu informações para a con s t r u ç ã o de uma nova versão do modelo Townes. Constatou que, se montada em um lo­

cal durante toda uma estação, poderia fornecer informações v a l i o ­ sas sobre a dinâmica das populações dos insetos.

PRUESS

&

PRUESS (1966) uti l i z a r a m dois modelos experimentais de halaise para determinar a direção de vôo dos insetos, insta- lando-as em locais sem a i n conveniência da presença de possíveis obstáculos que pudessem modificar sua direção de vôo. Observaram que muitos grupos de insetos m ostraram uma forte tendência na d i ­ reção de vôo quando r e l a c ionada com a direção do vento. Estas tendências sendo mais marc a n t e s em ventos com ve l o c i d a d e s entre 5 e 15 milhas por hora. Em v e l o c idades maiores as capturas eram m e ­ nores, sugerindo uma dim i n u i ç ã o da atividade e em velocidades m e ­ nores os vôos tendendo ser mais ao acaso.

SOUTHUIOOD (1966) con s i d e r o u a armadilha Malaise imparcial na captura de Hymenoptera e Diptera, porém i n s a t i sfatória para Co- leoptera e Hemiptera; observou serem necessários testes que d e ­ terminassem o potencial desta armadilha para estudos ecológicos

(17)

8

PECHUMAN & BURTON (1969) testaram vários métodos para a c a p ­ tara dos Tabanidae em uma d eterminada área de estudo. Observaram que a colocacão de gelo seco embaixo da a rmadilha Malaise a u m e n ­ tou bastante a captura de muitas espécies. C o n c l u í r a m serem as armadilhas Malaise um eficiente meio de se captu r a r Tabanidae.

MATTHEWS & MATTHEWS (1970) uti l i z a r a m quatro armadilhas M a ­ laise, modelo Cornell*, pelo período de treze semanas. Observaram que a temperatura e a precipitação, particularmente, exerceram forte influência nas capturas, com grandes capturas ocorrendo em dias quentes e ensolarados, seguidos de chuva; o vento não tendo sido uma variável muito importante.

ROBERTS (1970) comparou as capturas de T abanidae realizadas com três armadilhas Mal ai s e (modelo Townes), conf e c c i o n a d a s com tecidos de cores d i f e r e n t e s ( b r a n c a , cinza, branca e verde). O b ­ servou que o número de indivíduos capturados aumentou com o grau de contraste entre a armadilha e o solo; o c ontraste envolvendo dois fatores: a diferença entre a cor da a rmadilha e o solo e a diferença na reflexão da luz entre armadilha e solo. Concluiu que o ingresso dos Tabanidae na armadilha Malaise é determinado pela

p e r c e p ç ã o visual da cor da armadilha e da luz refletida, e não ao

a c a s o .

TOWNES (1971) a partir de observações r e a l izadas diretamente no campo, estimou em 20% do total dos indivíduos que ali p e n e t r a ­ vam, o percentual de Ichneumonidae capturados pela armadilha M a ­

laise .

ROBERTS (1971) estudando a possi b i l i d a d e da utilização da armadilha Malaise, modelo Townes, para o estudo da sazonalidade dos Tabanidae, observou que a sua conf i a b i l i d a d e para determinar

* Produzida comercialmente pela Cornell Equipment Co., Inc

(18)

a exata distr i b u i ç ã o das pop u l a ç õ e s de Tabanidae é afetada pela localização, cor e número de armadilhas. Concluiu que a u t i l i z a ­ ção de atrativos, por exemplo COg, pode ser útil na pesquisa, e s ­ pecialmente para detectar aquelas espécies com poucos exemplares e que ocorrem por períodos r e l a t i v a m e n t e curtos.

TOWNES (1972) forneceu informações para a c o n strução da ar—

madilha Mala i s e ( m o d e l o Townes, 1962), com algumas modificações, principalmente no seu peso final, o que facilitava o seu t r a n s ­ porte e manejo. Considerou as cores das diversas pecas muito im­

portante, podendo incrementar as capturas em até 180%, além de sua localização; p r e f e r e n c i a l m e n t e armada ao longo de trilhas, clareiras ou bordas de matas, a parte de trás deve ficar voltada para a v egetação e a parte da frente, contendo o frasco coletor, voltada para a luz.

ROBERTS (1975) estudou os efeitos da ação do tempo sobre a armadilha Malaise, modelo Townes (1962), fazendo comparações e n ­ tre armadilhas com d i f erentes anos de uso e de diferentes cores.

Observou que a eficiência de captura da armadilha vai diminuindo com o tempo, devido ao e s c u r e c i m e n t o que o tecido sofre; esta perda de eficiência devendo ser consid e r a d a quando estas a r m a d i ­ lhas são utilizadas para estudos ecológicos dos Tabanidae.

ROBERTS (1976) comparou seis tipos de a r m a d i 1h a s (S t o n e v i 11e , California, Canopy, Canopy modificada, Pexiglas modificada e Man- ning modificada), todas baseadas nos princípios da Malaise, que vinham sendo utilizadas para a captura de Tabanidae. Concluiu que a armadilha mais eficiente, baseado no total de indivíduos captu- rados(apenas fêmeas), foi a modelo Stoneville iscada com COg; a menos eficiente foi a modelo Pexiglas não iscada.

WALKER (1978) utilizou quatro armadilhas Malaise para m o n i ­ torar o vôo dos insetos, até uma altura de dois metros do solo,

(19)

pelo período de um ano. Concl u i u que a r m adilhas M a laise podem m o ­ nitorar continuamente e e f e t i v a m e n t e a migração de insetos dentro dos limites de um estrato.

STEYSKAL (1981) revisou a biblio g r a f i a sobre a armadilha M a ­ laise. Das 62 referências apresentadas, quatorze têm como p r i n c i ­ pal objeto de estudo os Tabanidae.

MATTHEUIS & MATTHEWS (1983) e studaram c o m p a r a t i v a m e n t e as a r ­ madilhas M a l a i s e (modelo Townes, 1972) e o modelo Cornell p r o d u z i ­ do comercialmente. Neste estudo, dos 69.247 insetos capturados no período de quatro semanas, 90% foram c a p turados pelo modelo Tow- nesj esta armadilha capturou dez vezes mais Diptera, seis vezes mais Hemiptera, três e meia vezes mais L e p i d optera e 88,7% de to­

dos os Hymenoptera. Chamaram a atenção para a cor da armadilha e sua localização, o que p r o v a v e l m e n t e incrementou a sua e f i c i ê n ­ cia.

Segundo OWEN (1983), a idéia inicial de MALAISE (1937) não absorveu muito os e n t o m o l o g i s t a s até que TOWNES (1962) explicou detalhadamente como fazer a armadilha; revisou os tipos de infor­

mações ecológicas que tinham sido obtidas através da utilização da Malaise, concluindo ser um excelente meio para comparar locais e estacões do ano.

HUTCHESON (1990) estudou c o m p a r a t i v a m e n t e duas localidades, utilizando em cada uma delas três armadilhas M a l a i s e (modelo T O W ­ NES, 1972) para monitorá-las. Observou que as localidades p o s ­ suíam claramente diferentes comunidades, con c l u i n d o que o local de amostragem era de importância primária, com a estação do ano e a posição da armadilha tendo importância s e c undária e terciária, respectivamente.

No Brasil, BOTELHO et_ aj_ (1972) sugeriram m o dificações na armadilha M a l a i s e (m o d e 1 o Health EEX, produzido comercialmente),

(20)

tornando-a utilizável em diversas culturas.

BOTELHO ÊÍ. â J L . (1974) utilizaram a a r madilha Malaise, com as modificações p ropostas por BOTELHO e£_ a_L. (1972), na determinação da flutuação populacional de Si 1 ba p e n d u l a (Bezzi)(Diptera. Lon- chaeidae), que se destaca como uma das mais importantes pragas na cultura da mandioca.

PENNY & ARIAS (1982), u t i l izaram-se de cinco tipos de a r m a ­ dilhas, entre elas a do tipo Malaise, para estudar as populações de Arthropoda da Amazônia; o trabalho foi real i z a d o por um p e r í o ­ do de treze meses, na Reserva Florestal "Ducke", localizada a aproximadamente 26 Km de Manaus. Inicialmente u t i lizaram uma M a ­ laise com 3 m X 2 m, subs t i t u i n d o - a p o s t e r i o r m e n t e por uma com 6 m X 3 m, dific u l t a n d o uma avaliação dos resultados.

YAMAMOTO (1984) realizou um ciclo anual de capturas p e r i ó d i ­ cas com armadilhas M a l a i s e (modelo Townes, 1962), em ambientes ur—

bano e rural da região de C u r i t i b a ( P a r a n á ) . Apr e s e n t o u m o d i f i c a ­ ções no feitio dos potes coletores, o que facilitou o manuseio dos m e s m o s .

(21)

i S

a . r e l e v s n c i a e o b j e t i v o s d o t r a b a l h o

£ . 1 . R e l e v â n c i a d o T r a b a l h o

Segundo BROWN J r . ( 1 9

77),

a vasta dom i n â n c i a de pequenos in­

vertebrados nos sistemas de Floresta Neotropical, faz com que qualquer esquema de c o n s e rvação desses a m bientes não possa deixar de considerar esses organismos.

HOLDRIDGE (1987) considera imperativo entender muito c l a r a ­ mente o "modus vivendi" e as causas que p r o d u z e m as diferenças fisionômicas e e s t r u turais das associações naturais. Segundo o autor, deve-se trabalhar muito rápido no estudo das comunidades naturais virgens, antes que sejam a lteradas pelo homem, como t a m ­ bém é necessário a ssegurar a co n s e r v a ç ã o de suficientes áreas não alteradas, para estudos a longo prazo e para que sirvam como b a n ­ cos de germoplasma e de formas biológicas.

Durante o Ciclo de Debates "0 Problema das Espécies E x ó t i ­ c a s ” , realizado em outubro de 1990, em Porto Alegre(RS), e p r o m o ­ vido por quatorze entidades ligadas direta ou indiretamente à questão ambiental, entre as quais a Soci e d a d e Brasileira de Z o o ­ logia, uma das c o n clusões aprese n t a d a s foi c o n s i d e r a r : "Os inven- tariamentos da fauna e da flora nativas, como base essencial para a elaboração de RIMAs qualit a t i v a m e n t e a c e i t á v e i s ” (CICLO DE D E B A ­ TES "0 PROBLEMA DAS ESPÉCIES EXÓTICAS", 1990).

As "Diretrizes para o D e s e n v o l v i m e n t o da Zoologia" priori- zam, entre as várias n e c e s s i d a d e s que se apresentam, os " L evanta­

mentos de Diversidade" p r i n c i p a l m e n t e para as "Áreas sujeitas a impacto", sem os quais, "toda e qualquer c onclusão obtida com b a ­ se em levantamento feito às pressas é, pelo menos, imprudente e c o n d e n á v e l "(DIRETRIZES para o d e s e n v o l v i m e n t o da Zoologia, 1990)

(22)

Uma política de preser v a ç ã o ambiental deve c o n t e m p l a r a d i ­ versidade biológica com áreas r e p r e s e n t a t i v a s dos vários a m b i e n ­ tes naturais ainda existentes. No caso do Estado do Paraná, que apresenta aproximadamente 5% de sua cobertura vegetal original

(ITCF, 1990), o conhecimento do potencial faunístico de d i f e r e n ­ tes áreas preservadas aprese n t a - s e como fator fundamental para que se avalie suas condições como m a n t e n e d o r a s da biodiversidade, capazes de servir como estoque para repov o a m e n t o s (MARINONI & DU­

TRA, 1993).

2 . 2 . O b j e t i v o s d o T r a b a l h o

2 . 2 . 1 . O b j e t i v o s g e r a i s < £ _ £ . NARINONI & DUTRA, 1993)

a. C o n hecimento de áreas faunísticas rep r e s e n t a t i v a s dos vários ambientes naturais ainda e x i stentes no Estado do Paraná.

b. Aplicação de metodologia para captura de e n t o m o f a u n a s , de for­

ma a p o ssibilitar comparações dentro e entre ecossistemas, ava liando o alcance do método como d efinidor de p a r âmetros compa- rat i v o s .

2 . 2 . 2 . O b j e t i v o s e s p e c í f i c o s

a. Obter a composição quantitativa dos Hemiptera, Homoptera, Co - leoptera, Lepidoptera, Diptera e H y m e n optera capturados d u r a n ­ te o PROFAUPAR, e das diversas Ordens capturadas na Ilha do Mel, descrevendo a flutuação anual dos valores médios de captu ra

b. Obter a composição quantitativa e qualitativa das famílias de

(23)

Í 4

Coleoptera das nove localidades amostradas, além de classifi - cá-las quanto à c o n s t â n c i a e dominância, e das famílias de He miptera e H omoptera cap t u r a d a s na Ilha do Mel, de s c r e v e n d o a flutuação anual da captura média das mais abund a n t e s

c. Obter a c o m posição q u antitativa e qualitativa dos Tabanidae da Ilha do Mel, d e s c r evendo a flutuação anual da captura média das e s p é c i e s .

d. Obter a composição quantitativa e qualitativa dos Ichneumoni - dae das nove localidades amostradas, além de classificá-las quanto à c o n stância quanto à constância e dominância.

e. Comparar os vários pontos amostrados tendo como atributo as es pécies de C e r a m b y c i d a e , além de clas s i f i c á - l a s quanto à cons - tância e dominância, pro c u r a n d o identificar as espécies que caracterizam os a g r u p a m e n t o s formados; es t a b e l e c e r a relação entre estes a g r u p a m e n t o s e as informações b i ó t i c a s / a b i ó t i c a s d i s p o n í v e i s .

(24)

3 . M A T E R I A L E MÉTODOS

3 . 1 . D E S C R I C S O D O S L O C A I S A M O S T R A D O S 3 . 1 . 1 . P R O F A U P A R

As indicacões a seguir sobre pluviosidade, temperatura e classificações c l i m áticas de Koeppen foram o b tidas em MAACK

(1981) e no ATLAS DO ESTADO DO PARANA (ITCF, 1990). As identifi­

cações das Zonas de V i d a (= B i o m a s ), de Holdridge, para os locais foram anotados de MILANO gt. g_L.. (1987), ou d e f i n i d a s a partir dos dados históricos en c o n t r a d o s no Atlas do ITCF (o p . c i t .)(segundo metodologia proposta por HOLDRIDGE, 1987). As s ituações florísti- cas, resultado de o b s e r vações realizadas pelo D r . Gert Hatschba- ch(Museu Botânico Municipal - MBM), e segundo a c 1assificação de VELOSO

&

GÓES (1982), foram transcritas de MARINONI & DUTRA

(1993), onde também são encont r a d a s d e s crições p o r m e n orizadas dos locais amostrados, e indicadas as suas relações obtidas com base em dados m e t e o r ológicos do período amostrado.

Durante a desc r i c ã o dos locais amostrados, utilizou-se qua­

tro tipos de c 1a s s i f i c a c õ e s : 1) Zonas de vida, segundo o sistema de Holdridge, obtidas por MILANO gt_ ài.., 1987; 2) Zonas de vi- d a ( H o l d r i d g e ) uti l i z a n d o os dados h i s t óricos obtidos no Atlas do Estado do Paraná (ITCF, 1990); 3) Situações florísticas segundo VELOSO & GÓES (1982) e, 4) C l a s s i f i c a ç õ e s c l i máticas de Koeppen

(MAACK, 1981).

Segundo SCHULZE & McGEE (aoud BROUN & GIBSON, 1983), o mo d e ­ lo de Holdridge não foi suf i c i e n t e m e n t e testado para determinar o seu valor por inteiro; arg u m e n t a m que a d e f i c i ê n c i a do modelo po­

de ser o uso de valores anuais de te m p e r a t u r a e precipitação, os quais não representam o importante fator sazonal influenciando o crescimento das plantas, além das criticas às quais o conceito

(25)

íó

b i otemperatura está sujeito. Por outro lado, CAMPOS (1973) a r g u ­ menta que o sistema de Holdridge fundamenta-se no princípio de

que, geralmente, a ação do clima sobressai dentre os demais fato­

res do meio, procurando evitar a s u b j e t i v i d a d e na definição de áreas ecológicas, e utiliza dados q u a n titativos que são definidos pelos valores dos parâmetros climáticos de p r e c i p i t a ç ã o e biotem- p e r a t u r a .

Para LEITE & KLEIN <in IBGE, 1990), o uso de sensore a m e n t o remoto para levantamento dos recursos natur a i s revolu c i o n o u a m e ­ todologia de m a p eamento da vegetação a partir dos anos 70, no País, p r i n c i p a l m e n t e com o emprego das imagens de radar e s a t é l i ­ te, permitindo a unifo r m i z a ç ã o de critérios, conceitos e métodos de levantamento florístico-vegetacional e resultou na criação de um sistema de class i f i c a ç ã o f i s i o n ô m i c a - e c o l ó g i c a < V E L O S O & GÓES, op . c i t .), adaptado a conceitos fitogeog r á f i c o s internacionais.

Quanto ao sistema de K o e p p e n , MILANO et. aj_. (1987) o b s e r v a ­ ram uma estreita coinci d ê n c i a entre seus tipos climáticos e as zonas de vida de Holdridge.

3.1. i .l ANTONINA - Area litorânea

( L a t . 25°28' S - L o n g . 4 8 ° 5 0 ' W)

0 ponto de amostragem localizou-se na Reserva Biológica de Sapitanduva, Estrada Velha de Morretes a Antonina, em propriedade particular p e r t e ncente ao D r . Gert Gunther Hatschbach, com cerca de 50 h e c t a r e s .

Altitude aproximada: 60 metros Pluviosidade: 1900-2000 mm/ano Temperatura média anual: 20-21°C

(26)

C lassificação de Holdridge (MILANO fii. aJ.. , 1987) : Transição F l o ­ resta úmida s u b t r o p i c a l / m u i t o úmida subtropical

Holdridge com dados históricos: T ransição de Flore s t a úmida s u b ­ tropical e Floresta muito úmida subtropical

OELOSO & GÓES (1982): Floresta O mbrófila Densa S ubmontana Classificação de K o e p p e n : Af(t)

Situação florística:

"Mata pluvial de vertente atlântica. Carac t e r i z a d a pela p r e ­ sença de elevado número de epífitas, p r i n c i p a l m e n t e B r o m e i i a c e a e , Araceae e P o l y p o d i a c e a e . Pobre em Orchidaceae, o que a separa da mata pluvial da planície litorânea. Árvores de grande porte que são exclusivas desta mata. b u c u v a (Virola olei f e r a ). nhotin- g a C Crqptocarxa m o s c h a t a ). etc. Maior cara c t e r í s t i c a fisionômica é dada pelo p a l m i t e i r o ( Euterpe e d u l i s ) que cobre, em todos os seus estágios, toda área que se acha em regeneração. Como as demais áreas escolhidas para implantação das estações de coleta de inse­

tos, também sofreu ação parcial do homem com retirada de alguns exemplares de madeira de lei(década de 1940), porém todas as e s ­ pécies estão regenerando. P r a t i c a m e n t e não ficaram grandes c l a ­ reiras que pudessem ser invadidas por elementos secundários. D e s ­ tas espécies, as consid e r a d a s secund á r i a s são encontradas mais na orla, como é o caso da q u a r e s m e i r a ( Tibouchina p u !c h r a) . caaporo- r o c a (Rapanea f e r r u g i n e a ) ■ etc."

3. 1.1.2. SSO JOSé DOS PINHAIS - Crista da Serra do Mar (Lat. 2 5 ° 3 4 ' S - Long . 49°01 ' U)

0 ponto de a m o stragem localizou-se no município de Sao José dos Pinhais, a 4 Km de d istância do Km 54 da B r - 2 7 7 (Rodovia Para- n a g u á - C u r i t i b a )

(27)

i 8

Altitude aproximada: 1050 metros Pluviosidade: Í900-2000 mm/ano Temperatura média a n u a l : 17-i8°C

Classificação de H o l d r i d g e 1 (MILANO gt. al, , 1987): Floresta úmida temperada

Holdridge com dados históricos: Transição de Flore s t a úmida s u b ­ tropical baixomontana e Floresta muito úmida subtropical baixo- montana

ÚELOSO

&

GÓES (1982) T ransição de Floresta O m b r ó f i l a Densa Mon- tana e Floresta Ombrófila Mista Montana

Classificação de K o e p p e n : Cfb Situação florística:

"Mata cara c t e r í s t i c a de transição da mata pluvial para a de A r a u c a r i a . Como em Sapitanduva, também rica em epífitas, porém sempre diferente em espécies, mesmo quando de gêneros iguais.

Mais rica em Orchidaceae que Sapitanduva, devido ao mais alto teor de umidade, o que a leva a a p r oximar-se da matinha nebular do alto dos morros da Serra do Mar. Espécies arbóreas mais c a r a c ­ terísticas : c o u v a t ã ( MataHba crist a e )■ Qurat ea vacc in ifoi i a . mi­

guei -pint ado(ÇujEJülia vernal is ) . o c a i n g á ( Mwrcia hat schbachi i ) . etc. Diversos gêneros de árvores são idênticos aos de Sapitanduva porém com espécies diferentes, como é o caso do miguel-pintado que em Sapitanduva é Cupania o b 1o n g i f o l i a . Sofreu ação do homem com retirada de árvores para lenha e indústria madereira. Com a abertura de grandes c lareiras penetrou v i o l e n t a m e n t e a t a q u a ­ ra (üerosiâçJiiis. mui t i r a m e a ) o que impede uma r e g e n e r a ç ã o adequada das espécies originais."

(28)

3.1.1.3. COLOMBO - Prime i r o Planalto ( L a t . 2 5 ° 2 0 ' S - Long. 49°14' W>

0 ponto de a m o stragem localizou-se no m u n i c í p i o de Colombo, junto à rodovia C u r i t i b a - A d r i a n ó p o l i s , antiga E s trada da Ribeira, no Km 19 da Br-476.

Altitude aproximada: 915 metros Pluviosidade: 1400-1500 mm/ano Temperatura média a n u a l : 16-17°C

Classificação de Hold r i d g e (MILANO et. aj., , 1987): Floresta úmida temperada

Holdridge com dados históricos: Floresta úmida subtropical baixo- mont ana

VELOSO & GÓES (1982): Floresta O mbrófila Mista Montana Classificação de K o e p p e n : Cfb

Situação florística:

"Típico erval do Primeiro Planalto com erva-mat e (1 1ex p a r a - a u a r j e n s i s ) , P i n h e i r o < Araucaria a n g u s t i f o l i a ). v a s s o u r ã o ( P i p t o - fi-a.EE.ha angustífp] ia> , c a a p o r o r o c ã o ( Rapanea u m b e l l a t a ). etc. Mato muito destruído, tendo sido invadido pela bracat i n g a (Mimosa s c a - b r e l l a ) , c a a p o r o r o c a ( Rapanea f e r r u g i n e a ) ■ etc."

3.1.1.4. PONTA GROSSA - Segundo Planalto Zona ondulada do Paleozóico

(Lat. 2 5 ° 1 4' S - Long. 5 0 ° 0 3 ' W)

0 ponto de a m o s tragem localizou-se no Parque Estadual de V i ­ la Velha, município de Ponta Grossa, junto à rodovia do Café, no Km 83 da Br-37<£>.

Altitude aproximada. 880 metros

(29)

20

Pluviosidade: 1500-1600 mm/ano Temperatura média a n u a l : 16-17°C

C 1assificacao de Holdridge (MILANO et a 1 ., 1987): Floresta úmida t emperada

Holdridge com dados históricos. Floresta úmida subtropical baixo- mont ana

VELOSO

&

GÓES (1982): Floresta Ombr ó f i l a Mista Montana Classificação de K o e p p e n . Cfb

Situação florística:

"Capão natural de campo com presença de P Í n h e i r o ( Araucaria angust i f o l i a ). diversas c a n e l a s ( N e c t a n d r i a grandif l o r a . Qcotea p u b e r u l a ). i m b u i a (Ocot ea P o r o s a ), g u a m i r i m ( MHrcia b r e v i r a m i s ).

c o n g o n h a (I 1ex d u m o s a ). etc. Pobre em epífitas. Sofreu acão do h o ­ mem com retirada de madeiras de lei, p r i n c i p a l m e n t e canelas e im­

buia . "

3.1.1.5. G U A RAPUAVA - Terceiro Planalto Planalto de G uarapuava

(Lat. 2 5 ° 4 0 ' S - L o n g . 52°01 ' W)

0 ponto de amostragem localizou-se na Estância Santa Clara, município de Guarapuava, com cerca de 120 hectares, no vale do rio Jordão, a 12 Km da rodovia Pr— 373(Três Pinheiros-Pato B r a n ­ co).

Altitude aproximada. 740 metros Pluviosidade: 1600-1700 mm/ano Temperatura média anual. 18-19°C

Classificação de Holdridge (MILANO e_t_ aj_, , 1987). Floresta úmida t emperada

Holdridge com dados históricos: Floresta úmida subtropical

(30)

C l a s sificação de K o e p p e n : Cfb Situação florística:

"Situada na orla dos Campos gerais do Terceiro planalto p a ­ ranaense, é uma típica transição dos capões de campo com a mata de galeria do rio Iguaçu, que sobe pelo rio Jordão. Na parte mais alta predomina o pinheiro, ao lado das leguminosas de grande p o r ­ te, como a g o r o c a i a ( P a r a P Í P t a d e n i a rig i d a )■ diversas laurá- c e a s (canelas - Ocotea e N e c t a n d r a ) . etc. Em direção ao vale, d i ­ minui o pinheiro e aparecem os e lementos de galeria como o bron- g u i 1h o (Sebast iana k 1ot zsch i a n a ). o v a c u n z e i r o (A l l ophnlus e d u l i s )■

a M H r t a c e a e < MHrrhsmium 1o r a n t h o i d e s ) que chega até Curitiba, etc.

Bastante destruída a mata sofreu retirada de p inheiros e canelas, principalmente. Há, no entanto, algumas pequenas áreas de mata bem c o n s e r v a d a ."

3.1.1.6. FÉNIX - Terceiro Planalto Planalto de Campo Mourão

(Lat. 2 3 ° 5 4 ' S - L o n g . 5i°58' W>

0 ponto de amostragem localizou-se na Reserva Estadual de Vila Rica, no município de Fênix, com cerca de 360 hectares, às margens dos rios Ivaí e Corumbataí.

Altitude aproximada; 350 metros Pluviosidade: 1400-1500 mm/ano Temperatura média anual: 21-22°C

Classificação de Holdridge (MILANO £t_ a_L • > 1987): Floresta úmida subtropical premontana

(31)

22

Holdridge com dados históricos. Transição de Floresta seca t r o p i ­ cal premontana para Floresta úmida tropical premon t a n a

UELOSO & GÓES (1982): Floresta Estacionai Semidecidual Classificação de Koeppen: Cfa

Situação florística.

"Mata pluvial de terra roxa do Oeste paranaense. As árvores de grande porte reman e s c e n t e s são, em sua maioria, de pequeno v a ­ lor comercial, desta c a n d o - s e a gororema ou p a u - d e - a l h o ( G a l 1 esia a o r o rem a ) . a c a n a f i s t u l a ( P e l t o P h o r u m d u b i u m ). o a l e c r i m ( HolocalMx g l a z i o v i i ). diversas f j g u e i r a s (Ficus s p ), etc. E v i d e n t e m e n t e fo­

ram retiradas as espécies de lei de alto valor comercial como o p a u - m a r f i m ( B a l fourodendron r i e d e l i a n u m ). a p e r o b a ( Asnidosperma p o l x n e u r o n )■ o ipiCTabebuia s p ), etc. Rica em trepadeiras lenho­

sas das famílias B i g n o n i a c e a e e Sapindaceae. Muito c a r a cterística a presença do mamão do mat o (Jacarat ia s p i n o s a ). etc. Como epífita mais importante e abundante, a Orchidaceae - Miltonia f l a v e s c e n s . que também ocorre em Jundiaí do Sul."

3.1.1.7. JUNDIAÍ DO SUL - Segundo Planalto Zona de mesetas do Mesozóico

(Lat. 2 3 ° 2 6 ' S - L o n g . 50°ló' W>

0 ponto de amostragem localizou-se na Fazenda Monte Uerde, município de Jundiaí do Sul, com cerca de 400 hectares.

Altitude aproximada. 500 metros Pluviosidade: 1300-1400 mm/ano Temperatura média anual. 21-28°C

Classificação de Holdridge (MILANO ejt. jlL . . 1987): Floresta úmida tropical premontana

(32)

VELOSO

&

GÓES (1982): Floresta Estacionai Semidecidual Classificação de K o e p p e n . Cfa

Situação florística:

"Mata pluvial do norte pioneiro e r e p r e s e n t a n t e da área p a ­ ranaense menos levantada f l o r isticamente já que suas matas foram destruídas há muito tempo. Entre as árvores de grande porte são encontradas: o pau-de-alho, o alecrim, a canafístula, como em F ê ­ nix. Grande número de c a n e l a s (Qcotea t w e e d i e i ), não observadas em Fênix. Bastante invadida por elementos secundários, ainda assim é importante para estudos de e n d emismos e oc o r r ê n c i a s geográficas.

Como em Fênix, é a bundante o pau-.i acaré (A n a d e n a n t h e r a ) ■ etc., ocorrendo ainda a g o r o c a i a (Parapipt adenia r i g i d a ) ) comum a Fênix e Sant a Cl a r a ."

3.1.1.8. TELÉMACO BORBA - Segundo Planalto Zona ondulada do Paleozóico

(Lat . 2 4 ° 1 7 ' S - L o n g . 5 0 ° 3 7 ' W>

0 ponto de a m o stragem localizou-se na Reserva Biológica S a ­ muel Klabin, m u nicípio de Telêmaco Borba, com cerca de 200 h e c t a ­ res .

Altitude aproximada. 750 metros Pluviosidade: 1300-1400 mm/ano Temperatura média a n u a l . 18-19°C

Classificação de Holdridge (MILANO s i a_L,, 1987): Floresta úmida t emperada

Holdridge com dados históricos. Floresta úmida subtropical VELOSO

&

GÓES (1982): Floresta Ombrófila Mista Montana

(33)

24

Classificação de K o e p p e n : Cfa Situação florística:

"Típica mata de araucária com elementos de galeria ao longo de um córrego no fundo do vale. Ao lado da araucária, a canafís- t ula(Peltophorum d u b i u m ). o mandio q u e i r o b r a b o ( D i d M m oponax m o r o - I n l Q U l ) - O p a u - m a r f i m ( B a l fourodendron r i e d e l i a n u m ) ■ a sapuva(üa- chaerium st iPitatum) Elementos de porte menor, a Monimiaceae, Mpl 1 ir>?d ja e l e g a n s , o m a n a c á (B r u n felsia brasil i e n s i s ) que também ocorre em Santa Clara, Guarapuava. Bastante d estruída com a r e t i ­ rada de pinheiros para a indústria de papel, deixa r a m muitas c l a ­ reiras que foram ocupadas pela t a g u a r a OierostachMs m u i t i r a m e a ). a mesma do Alto da Serra, o que, sem dúvida, d ificulta imensamente a regeneração das espécies primitivas. Ao longo do córrego a p a r e ­ cem elementos idênticos à galeria do rio Iguaçú, com o bronqui-

1h o (Sebast iana k 1ot zsch i a n a )■ e a MxrrhHn ium l o r a n t h o i d e s <MHrta- c e a e ) , e t c ."

3 . i .S . I L H A D O M E L

Localizada na entrada da Baía de Paranaguá, entre a Ilha das Peças e Pontal do Sul(Fig.3), a Ilha do Mel possui uma área total de 2763 hectares dos quais, 3585 hectares são de reserva e c o l ó g i ­ ca. Possui um perí m e t r o total de 35 K m ( p e r í m e t r o parte Norte. 22 Km e perímetro parte Sul. 13 Km) e a altitude máxima é de 151 me- tros(Boletim Informativo, ITCF).

Pluviosidade: 1900-2000 mm/ano Temperatura média anual: 20-21°C

Classificação de Holdridge (MILANO et. aj.., 1987): Transição F l o ­ resta úmida s u b t r o p i c a l / m u i t o úmida subtropical

(34)

Holdridge com dados históricos: Tran s i ç ã o de Floresta úmida s u b ­ tropical e muito úmida subtropical

OELOSO & GÓES (1982): Floresta Ombr ó f i l a Densa Submontana Classificação de K o e p p e n : Af(t)

Situação florística:

Como esta localidade não foi visitada pelo D r .Gert Hatschba- ch, os elementos aqui a p resentados foram anotados de MAACK (1981) e LEITE & KLEIN (ia IBGE, 1990); outras informações podendo ser obtidas em BIGARELLA (1946), FERN A N D E S (1947) e KLEIN (in BIGA- RELLA, 1978). Todos estes trabalhos r e l a c i o n a d o s à parte c o n t i ­ nental da planície litorânea.

Segundo MAACK (o£.. cit . ) , quando a planície arenosa se eleva de 5 a 7,5 metros s.n.m., a e strutura xer o f í t i c a predomina em t o ­ das as plantas, com os c o m p o nentes mais importantes pertencendo às famílias das mirtáceas, e u f o r b i á c e a s , m e l a s t o m a t á c e a s , mirsi- náceas e cactáceas; a al t e r n â n c i a entre restinga e mata costeira não se ve r i f i c a n d o apenas na planície litorânea, mas também nas grandes ilhas. Pecas, Pinheiros, Compr i d a e Ilha do Mel. "As p a l ­ meiras são ricamente r e p r e sentadas por várias espécies, que dão à mata do litoral um cunho tropical característico, constituindo uma região singular entre a restinga e a mata p 1u v i a l - t r o p i c a l ";

a influência climática do Oceano Atlântico, com a corrente b r a s i ­ leira quente, ostentando formas super f i c i a i s particulares e uma vegetação tropical-subtropical peculiar à zona litorânea.

Segundo LEITE & KLEIN (s e.. cit . ) . embora a Floresta O m b r ó f i ­ la Densa detenha elevado contingente de espécies e de formas de vida em suas diversas formações, apenas reduzido número de a r b ó ­ reas marca-lhe s i g n i f i c a t i v a m e n t e a fisionomia, compondo entre 70 e 80% da cobertura superior. Há uma grande variação de ambientes circunscritos às formações vegetais sob influência direta do mar,

(35)

26

dentre as quais merecem destaque, pela maior importância f i s i o n ô ­ mica, os seguintes: a faixa da praia, as dunas instáveis, as du­

nas fixas e as áreas aplainadas e/ou p 1a n o - d e p r i m i d a s e os cos- tões rochosos.

Nas dunas fixas destacam-se. a r o e i r a - v e r m e l h a ( Sch i nus t e re- b i n t h i f o l i u s ) ■ g u a m i r i m - d o - m i u d o ( Eugenia c a t h a r i n a e ). biguacu(En- genia umbel 1 i f 1 o r a )■ g u a m i r i m - d a - f o i h a - m i u d a (Mmrcia rost rat a ).

p a u - d e - b u g r e (Lnthraea b r a s i l i e n s i s ). a c a p o r o r o c a - d a - p r a i a (R a n a - nea parvi f o l i a ) e m a r i a - m o l e ( Guapira opposit a ). Nas áreas a p l a i ­ nadas e/ou p lano-deprimidas : .iuncos (Juncus s p p), g r a m a - b r a n c a (Pa- nicum r e p t a n s ) . t a b o a d M P h a d o m i n g u e n s i s ). r a i n h a - d o s - 1a g o s (Pon- tederia l a n c e o l a t a ) . v a c u n z e i r o ( A l l ophMlus e d u l i s )■ canela-do- bre.i o (Qcot ea p u l c h e l l a ) . t a p i á - g u a c u ( Alch o r n e a t rip 1 inervia var . .ianeirensis ) ■ cambuí (Msrc ia mui t i f 1 o r a ) . o l a n d i ( Cal o p h H l u m b r a s i - 1i e n s i s ) e a c u p i ú v a d a p i r i r a guianensis) Nos ambientes mais adequados, com solo mais bem estruturado, a v egetação já a p r e s e n ­ ta porte arbóreo ou sub-arbóreo, destacando-se-. c a P o r o r o c ã o ( Ra p a - nea umbel l a t a ) ■ c a m b o a t á - v e r m e l h o (Cupania vernal i s ). figueira-ma- t a - p a u (Coussapoa schot t i i ). b a g a - d e - p o m b o (Bsrson ima 1 igust ri fo- 1 i a )■ g e r i v á (Arecastrum r o m a n z o f f i a n u m ) e muitas outras espécies c a r a cterísticas da Floresta O mbrófila Densa Submontana.

3. 1.2.1. CLIMA

DUQUIA & COSTA (1987), est grandezas m e t e o r ológicas para a raná, observaram que as maiores ram nos meses de verão: janeiro, ras médias mais baixas ocorrem nho a agosto) e as mais elevadas

udando o comp o r t a m e n t o médio das região litorânea do Estado do Pa- c o n c e n t r a ç õ e s de p r ecipitação fo- fevereiro e março. As temperatu- durante o i n v e r n o (trimestre de ju-

no trimestre de janeiro a março,

(36)

a proximidade do oceano a m eniza as variações térmicas, razão pela qual Paranaguá e G u a r a q u e c a b a apresentam a m plitude térmica média menor do que Morretes e Antonina, com as maiores frequências ocorrendo na faixa de 23,0°C a 2 4 , 9 ° C (P a r a n a g u á ).

Quanto à umidade, o b s ervaram um alto índice médio mensal d u ­ rante todo ano, com a maior frequência o correndo na faixa de 84%

a 89%; atribuem o fato a influência do anticiclone semipermanente tropical do Atlântico que desloca umidade do oceano para o c o n t i ­ nente.

3.1 2.2. LOCALI Z A Ç S O DOS PONTOS AMOSTRADOS E RE S P E C T I V A S SITUA - CõES FLOR í S T I C A S

Na Ilha do Mel foram escolhidos dois pontos de amostra- gem(Fig.4) para instalação das armadilhas Malaise. 0 primeiro ponto(A> foi estabe l e c i d o no setor N o r t e (p 1an£cie sedimentar qua­

ternária, originada p r i n c i p a l m e n t e de depósitos m a r i n h o s ) (FIGUEI­

REDO, 1954), próximo à F ortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, Reserva Ecológica com 2240 hectares, num ponto distando a p r o x i m a ­ damente 400 metros da linha da maré mais alta, em um local menos sujeito à acão direta dos ventos. Segundo MAACK (1981), os ventos vindos do setor Sul d o minam com frequência de 22,8% sobre os v en­

tos do setor L e s t e (20,3%), e os ventos continentais dos setores SUI, U e NU com frequência de 33,2%; a forte acão dos ventos o c e â ­ nicos fazendo-se notar nas pitangueiras e aroeiras da praia, através da distri b u i ç ã o das suas folhas e na m o d i f icação do c ó r ­ tex de seus c a u l e s (F E R N A N D E S , 1947).

Segundo SILVA (1990), como espécies importantes na floresta a r e n o s a (r e g ião mais alta, com solo de maior drenagem) predominam:

Qcotea p u I chel 1 a . Clusia p a r v i f 1 o r a . 1 1ex p s e u d o b u x u s . T e r n s t roe-

(37)

es

mia brasil i e n s i s . E r H t r o x x l u m ftfflP,litflJUmn> Mareia multiflora e Psidium c a t t l e i a n u m .

0 segundo ponto de a m o s t r a g e m (B ) foi e s t a b e l e c i d o no setor Sul(formado ba s i c a m e n t e por aflora m e n t o s do complexo cristalino, de origem p r é - c a m b r i a n a , intercalados por peque n a s planícies ar e ­ nosas q u a t e r n á r i a s )(F I G U E I R E D O , 1954), na Praia G r a n d e (Reserva Natural com 345 hectares), bem na base do morro do Joaquim, em um

local que no decorrer do trabalho mos t r o u - s e s u j e i t o a alagamento por vários dias, em decorr ê n c i a da alta p r e c i p i t a ç ã o ocorrida em determinadas épocas. Distava a p r o x i m a d a m e n t e 150 metros da linha da maior preamar e m o s t r ava-se bastante e x posto à acão dos v e n ­ tos, se comparado ao outro ponto amostrado.

Segundo SILUA (1990), como espécies importantes na floresta paludosa(que na época de maior p l u v i o s i d a d e perm a n e c e encharcada) destacam-se: C a l l o phnlum b r a s i l i e n s e . Tabebuia c a s s i n o i d e s , P o u - í-Sría b e a u r e p e i r e i . Msrcia grandif l o r a . Mxrcia racemosa v a r . g a u - d i c h a u d i a n a . C oussapoa m i c r o c a r p a . Marl i e r e a t oment osa e Mxrc ia i n s u l a r i s .

(38)

3 . 2 . Sobire o s d a d o s m e t e o r o l ó g i c o s

Os dados mefce o r o l ó g i c o s <Tabelas 1 a 9) utilizados foram o b ­ tidos junto às estacões m e t e o r o l ó g i c a s oficiais ou o ficiosas lo­

calizadas próximas aos locais de coleta. A seguir são listadas as fontes dos dados utilizados:

ANTONINA - Estacão Meteorológica da Estacão Experimental de F r u ­ tas ( Inst it ut o Agronômico do Paraná - IAPAR - Morretes).

SSO JOSÉ DOS PINHAIS - A ausência de estacão meteorológica o f i ­ cial próxima ao local de coleta o b r i g ou-nos a instalar uma "caixa m e t e o r o l ó g i c a " (modelo DELLOME FILHO, 1985), composta de um psi- c rô m e t r o < t e r m ô m e t r o s de bulbo seco e bulbo úmido) e um termômetro para registro de temperaturas máxima e mínima, além de um p l u v i ô ­ metro. Foram desprezados os dados de temper a t u r a m ínima(ausentes na Tabela £ e Figura 5) e de p 1u v i o m e t r i a , com estes últimos s e n ­ do substituídos pelos dados obtidos junto à Companhia Paranaense de El e t r i c i d a d e (C O P E L ).

COLOMBO - Centro Nacional de Pesquisas F 1o r e s t a i s (Empresa B r a s i ­ leira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA - C o l o m b o ) .

PONTA GROSSA - Instituto Agronômico do P a r a n á ( I A P A R - Ponta Rrn«;- sa> .

GUARAPUAVA - Mesmo p r o cedimento adotado para São José dos P i ­ nhais, sem apresentar falhas na coleta dos dados.

(39)

30

FiNIX - Estacão m e t e o r o l ó g i c a de Ivai p o r ã í S e c r e t a r i a de Agricul- tura do P a r a n á ).

JUNDIAí DO SUL - Estacão m e t e o r o l ó g i c a de C a m b a r á (S e c retaria de Agricultura do Paraná).

TELêliACO BORBA - Estacão m e t e o r o l ó g i c a de LagoaC Indústria Klabin de Papel e Celulose).

ILHA DO MEL - Estacão m e t e o r o l ó g i c a de P a r a n a g u á ( S e c r e t a r i a de Agricultura do Paraná).

3 . 3 . S o b r e o m a t e r i a l b i o l ó g i c o

INSTALACSO DA MALAISE E COLETA DAS AMOSTRAS OBTIDAS. Em cada um dos pontos de a m o stragem do PROFAUPAR foi instalada uma ar m a ­ dilha Mala i s e ( m o d e l o TOUNES, 1972), com as m o d ificações no fras- co-coletor propostas por YAMAMOTO (1984). Os critérios utilizados para a definição do local de amo s t r a g e m e fixação da armadilha f o r a m :

- Que fosse local pouco p e r t u r b a d o pelo homem, por acões a n t e r i o ­ res ou a serem d e s e n v o l v i d a s durante o período amostrado.

0 maior eixo da armadilha colocado paralelo ao sentido Norte- S u l , perpe n d i c u l a r a c a m i n h o (tri 1 h a , picada) existente na mata, com o frasco-coletor voltado para o Norte.

Todas as segundas-feiras, o material do PROFAUPAR era r e t i ­ rado do f r a s c o - c o l e t o r <contendo álcool hidratado a 70%), por in­

divíduos residentes nos locais, devidamente instruídos para este fim, e transferido para recipiente plástico devidamente rotula­

do ( procedênc ia e data de retirada). Os locais de amostragem eram

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Referências

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