VEGETAÇÃO:
BASES FITOSSOCIOLÓGICAS E TRANSMISSÃO
DA INFORMAÇÃO
Fitossociologia
(Phyto = planta; sociologia = grupos ou
agrupamentos):
estudo
das
características,
classificação, relações e distribuição de
comunidades
vegetais
naturais, principalmente por meio da
descrição e análise de atributos quantitativos.
Ferramentas
de
estudo
da
☐ ☐ ☐ ☐
☐ ☐ ☐ ☐ ao acaso
☐ ☐ ☐ ☐ ☐
---
☐ ☐ ☐ ☐
☐ ☐ ☐ ☐ distribuição sistemática
---
parcelas contíguas
Parcelas
Parâmetros fitossociológicos: para uma avaliação momentânea
da estrutura da vegetação.
Abundância (n): é o número de indivíduos amostrados por espécie ou para a comunidade
Densidade (D): é o número de indivíduos por unidade de área (ind.ha-1)
Densidade absoluta (DA): é o número de indivíduos (n) de uma determinada espécie na área:
DA = n/área
Unidade de medida: ind.ha-1
Densidade relativa (DR): é a relação do número de indivíduos de uma espécie (n) e o número total de indivíduos amostrados (N)
DR = (n/N) x 100
Unidade de medida: %
Tabela fitossociológica
Área amostral: 1 hectare
Frequência (F): é o número de parcelas em que determinada espécie ocorre e indica a dispersão média de cada espécie.
Frequência absoluta (FA): relação entre o número de parcelas em que certa espécie ocorre e o número total de parcelas amostradas:
FA = (Pi / P) x 100
Pi: n°. de parcelas que a espécie ocorre P: n°. total de parcelas amostradas
Unidade de media: %
Frequência relativa (FR): relação entre FA de certa espécie com a soma das FAs de todas as espécies amostradas:
FR = (FAi / ∑ FA) x 100
Fai: frequência absoluta de uma espécie Unidade de medida: %
Tabela fitossociológica
Área amostral: 1 hectare
Dominância (Do): é a taxa de ocupação do ambiente pelos indivíduos
amostrados. É calculada a partir da área basal (AB): AB = π / 4 x d²
d: diâmetro de cada indivíduo
Unidade de medida: cm2 ou m2 (dividir por 10.000)
Dominância absoluta (DoA): é a AB de uma espécie em uma área: DoA = AB / área
Unidade de media: m2.ha-1
Dominância relativa (DoR): é a relação entre a AB de uma espécie e a AB total das espécies amostradas.
DoR = (AB/ ∑AB) x 100 Unidade de medida: %
Tabela fitossociológica
Área amostral: 1 hectare
Índice de Valor de Importância (IVI): fornece uma ideia da densidade, dispersão espacial e a dimensão alcançada por uma espécie, refletindo a importância ecológica desta.
VI = DR + DoR + FR
VI = valor máximo de 300
VI % = valor máximo 100, expresso em %
Índice de Valor de Cobertura (IVC): fornece informações relacionadas ao número de indivíduos e a biomassa de cada espécie.
VC = DR + DoR
VC = valor máximo de 200
VC % = valor máximo 100, expresso em %
Tabela fitossociológica
Área amostral: 1 hectare
Levantamentos florísticos:
lista de espécies em certo
local.
Subsidiar
estudos
fitogeográficos
e
de
recuperação
de
áreas
degradadas.
Diagramas de perfil:
parcela
retangular estreita em que
as plantas de interesse são
medidas e desenhadas em
escala.
Fonte: Klein, R.M. 1980. Ecologia da flora e vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia 32: 165-389.Formas de vida de Raunkiaer
• Aplicado às plantas vasculares.
• Espécies agrupadas em classes de formas de vida,
estabelecidas de acordo com o grau de proteção
conferido ao sistema de brotamento.
• Conjunto das gemas vegetativas capazes de
resistir à estação desfavorável e que vão
reconstruir, no início da estação favorável, o
sistema aéreo da planta.
Terófitos (théros = verão, colheita)
• Vegetais que completam seu ciclo de vida dentro de uma
mesma estação favorável.
• Suas sementes sobrevivem à estação desfavorável
protegidas pelo substrato.
• Representam o máximo grau de proteção à gema vegetativa,
pois a gema está presente no próprio eixo embrionário e
protegida pelos envoltórios da semente.
• Predominantes em clima com severa restrição hídrica (ex:
desertos, regiões estépicas etc.).
Geófitos (geo=terra)
• Apresentam gemas vegetativas no sistema subterrâneo.
• As gemas, enterradas no solo, ficam pouco vulneráveis à estação desfavorável, pois a camada de solo (e, em alguns casos, neve) acima delas atua como isolante.
• No início da estação favorável, brotam devido às reservas acumuladas em seu sistema subterrâneo e reconstroem seu sistema aéreo, podendo florescer e frutificar.
Hemicriptófitos
(hemi = pela metade, pelo meio; kruptós
= escondida)
• Apresentam gemas vegetativas também no sistema subterrâneo, mas no nível do solo e não abaixo dele. • Frequentemente, as gemas são protegidas por
escamas, folhas ou bainhas foliares vivas ou mortas. • Variedade de formas dominantes nas regiões de
latitudes médias.
• Excluindo as regiões secas, úmidas quentes e polares extremas, são dominantes em todas as floras mundiais.
Caméfitos (khamaí = próximo à terra)
• Gemas vegetativas no sistema aéreo, acima da superfície do solo, porém abaixo de certa altura (variável entre os autores – 25 cm ou 50 cm).
• Caso apresentem gemas acima desta altura, seus ramos secam e caem periodicamente (estação desfavorável). • Na estação desfavorável, as gemas vegetativas ficam
protegidas pelos restos mortos do sistema aéreo, pela serapilheira, por uma camada de neve ou pelo sistema aéreo denso.
Fanerófitos
(phanerós = visível, aparente)
• Sistemas aéreos bem expostos à atmosfera.
• Gemas vegetativas acima de 25 ou 50 cm.
• Dependendo do clima, que se traduz em maiores ou
menores restrições à sobrevivência do sistema aéreo
da planta, a altura do vegetal varia.
• Nanofanerófitos – gemas entre 0,25 e 2 m
(arbustos).
O espectro normal de Raunkiaer
• Base para comparação.
• Caso o espectro da flora analisada não se
adequasse ao “espectro normal”, ela seria
atribuída a um fitoclima específico.
• 1.000 espécies representativas da flora
mundial.
Transmissão do
conhecimento
Como fazer uma pesquisa científica?
• Pesquisa científica:
Atividade para responder
a uma indagação.
• Tudo começa com uma
pergunta.
PUBLICAR = TORNAR PÚBLICO
• A publicação científica é um passo ético necessário
entre a geração de conhecimento aplicável e sua
disseminação para além da Ciência.
• Não se deve permitir que o conhecimento com
implicações tecnológicas seja divulgado para a
comunidade não-científica antes que tenha sido
publicado, isto é, antes que tenha recibo o aval da
sociedade científica de sua área.
A CIÊNCIA E A TÉCNICA
• A partir do século XVII, se uniram
Nos países fortemente dominados por uma
mentalidade da economia, isso gerou a divisão da
ciência em pura e aplicada.
A CIÊNCIA E A TÉCNICA
• A ciência pura procura produzir o conhecimento pelo
conhecimento, pressupondo que isso é um bem ético.
• A ciência aplicada procura aplicar o conhecimento para
desenvolver técnicas (processos e produtos), tendo
levado à criação da tecnologia.
• Em decorrência da tecnologia, vivemos num mundo em
que os sinais da ciência estão em toda parte.
A CIÊNCIA E A TÉCNICA
• Em última instância, a tecnologia representa um
ambiente de teste de parte do conhecimento científico.
• Se a teoria binária está errada, então os computadores
podem não funcionar corretamente.
• Se as teorias sobre eletricidade, composição atômica da
matéria e termodinâmica estão erradas, então a lâmpada
não funciona.
• A tecnologia não garante a verdade científica, mas
algum grau de acerto.
A CIÊNCIA E A TÉCNICA
• Nos países fortemente dominados por ideias da
economia, a divisão da ciência em pura e aplicada
gerou um questionamento da ciência pura:
“Para que serve essa pesquisa?”
Responde-se a essa pergunta com outra:
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO
• É o melhor discurso que os cientistas podem apresentar
sobre os dados disponíveis num dado momento.
• Os dados podem permanecer, mas as ideias que os
explicam mudam.
• Na Ciência, guiamo-nos por alguns referenciais (aceitos),
que são os referenciais que não conseguimos negar no
momento, mas que não são necessariamente permanentes
ou definitivos.
PARA QUEM ESCREVEMOS?
• Escrevemos para pessoas com excesso de informações e que devem ser muito críticas e restritivas às informações que recebem.
• Quando publicamos um artigo, estamos publicando uma ideia.
• Uma vez publicada a ideia, ela pode ser aceita pelos outros cientistas ou permanecer no esquecimento.
• Não basta fazer uma excelente pesquisa e escrever um excelente texto: é necessário convencer os demais cientistas.
“Pérolas”
Os artigos publicados estão corretos
- Cientistas empíricos acreditavam que estavam construindo um conhecimento correto devido à força dos resultados.
- As conclusões científicas, após várias confirmações, tornavam-se leis imutáveis.
- Crença popular de que a ciência fornece verdades. - Então não vale a pena questionar o conhecimento.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
• A base lógica do pensamento científico não permite que estabeleçamos verdades absolutas.
• A construção do conhecimento se dá por meio do discurso lógico, baseado em evidências empíricas.
• Portanto, não conhecemos verdades, e sim evidências. Aquilo que de mais plausível existe até o momento.
• O conhecimento é aceito até que se prove o contrário.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Inclua no artigo todos os dados coletados no projeto
- Acredita-se que tudo o que o cientista faz interessa
aos outros cientistas.
- Produz-se assim um manuscrito longo, com
informações desnecessárias.
- Não se publicará algo do tipo em periódicos de boa
qualidade.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Estudos quantitativos são mais consistentes que os qualitativos
- Perde-se a oportunidade de se aproveitar conclusões e
informações importantes vindas de estudos qualitativos.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Publique, não importa onde.
- Caso se publique em veículo impróprio, se esconderá para sempre a informação e a descoberta.
- Se a revista tiver baixa qualidade científica, o artigo será lido por poucos e pouco crédito receberá da comunidade científica.
- Por que se perderá tempo com revistas de baixo escalão, em vez de investi-lo em periódicos renomados?
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Quanto mais publicações você tiver, melhor.
- Quantidade vs. Qualidade.
- Teses e artigos muito grandes.
- Eficiência científica é parte da qualidade do cientista.
- Quanto seus artigos estão repercutindo na ciência
internacional de bom nível?
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
A publicação é o último passo de uma pesquisa.
- “Da concepção à publicação”.
- O cientista deve se preocupar com o destino dos seus
artigos – como eles têm ajudado na construção científica
da sua área? Têm levado ao desenvolvimento de novas
tecnologias? Têm levado à formulação de estratégias para
conservação da biodiversidade?
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Revistas que cobram para publicar são de melhor qualidade
- Há boas revistas pagas, assim como há boas revistas não pagas.
- Não há nenhuma relação entre Fator de Impacto e periódicos pagos. - Assim, o critério capitalista não tem influência sobre o que a
comunidade científica prefere ler.
- A revista deve ser escolhida pela influência em sua área de atuação, pela sua qualidade e pela adequação em relação ao assunto do seu trabalho.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Revistas de boa qualidade são as indexadas
- Há vários indexadores, alguns mais rigorosos, outros
menos.
- Use preferencialmente artigos indexados no ISI – Web
of Science, ou pelo menos que estejam no Scielo.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
“Pérolas”
Notas científicas/short communications são publicações inferiores
- Não se deve compará-las com os resumos expandidos. São coisas completamente diferentes.
- Uma publicação científica deve fornecer toda a informação necessária para o leitor avaliar as razões do estudo, a adequação dos procedimentos e dos dados, bem como a validade das conclusões.
- Isso pode ser feito em uma short communication ou em full paper – depende do caso.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.
Short communication vs. full paper
- Nos dois casos, espera-se a divulgação de uma
grande novidade.
- Short communication – ainda sem ter
elucidado boa parte do fenômeno. A
explicação ainda não está completamente
entendida.
As “pérolas” tratadas neste curso são inspiradas em Volpato, G. (2010). Pérolas da Redação Científica. Cultura Acadêmica: São Paulo. 189 p.