Projeto de Acessibilidade Virtual RENAPI/NAPNE
ESQUIZOFRENIA
É uma doença mental grave e crônica que, segundo a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (2009), impossibilita a pessoa de se comportar normalmente na família, no trabalho e na comunidade.
Sintomas
Os sintomas incluem alucinações (“vozes” e outras), delírios, pensamento desorganizado, alterações dos afetos, das emoções, do juízo crítico, de vontade e fuga da realidade.
A pessoa que sofre de esquizofrenia pode:
falar incoerentemente ou deixar de falar;
ter respostas emocionais inadequadas;
humor neutro, ausência de respostas emocionais ou períodos longos de exaltação ou depressão;
ideias de perseguição e grandeza;
delírios, alucinações;
distúrbios cognitivos e afetivos;
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo especialista a partir das manifestações da doença. Não há nenhum tipo de exame de laboratório que permita confirmar o diagnóstico da doença. Muitas vezes, o clínico solicita exames, mas estes servem apenas para excluir outras doenças que podem apresentar manifestações semelhantes à esquizofrenia. (NETO, 2010).
Causas
Não se sabe quais são as causas da
esquizofrenia. A hereditariedade tem uma
importância relativa. Fatores ambientais
(complicações da gravidez e do parto,
infecções, entre outros) que possam alterar o desenvolvimento do sistema nervoso no período
de gestação parecem ter importância na
doença. (NETO, 2010)
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Estudos feitos com métodos modernos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, mostram que alguns pacientes têm pequenas alterações cerebrais, que parecem estar implicadas na doença. Veja a imagem seguinte:
Cérebro de paciente com esquizofrenia
Incidência
Segundo Amâncio (2010, p.6), cerca de 1%
da população mundial possui esquizofrenia, e que seus sintomas aparecem normalmente na juventude.
A ocorrência precoce (na infância) é 50
vezes menos frequente que nos casos surgidos na vida adulta.
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Principais consequências
Dificuldade para criar e manter laços sociais.
Problemas para lidar com momentos de conflito, com perdas e com mudanças, podendo causar desencadeamento ou crises e transformação brusca do sujeito, diz a psicanalista Adriane Barroso.
Ocorrência de problemas na escola, no trabalho, e até dentro da própria casa, podendo tomar a atitude extrema de deixar a família ou ser abandonado por ela.
Evolução da esquizofrenia no cérebro
Estudos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA) detectaram a morte de mais de 10% de massa cerebral no córtex parietal. Pacientes que tiveram a maior perda registraram também os sintomas mais graves, que incluem alucinações, delírios, pensamentos bizarros e psicóticos, audição de vozes e depressão. (COELHO, 2001)
Taxa de perda da massa cerebral de adolescentes “normais” e esquizofrênicos
http://www.loni.ucla.edu/~thompson/MEDIA/PNAS/n469b.jpg
Verifica-se maior perda nos
pacientes
Tratamento
Neto (2010) afirma que o tratamento da esquizofrenia visa ao controle dos sintomas e a reintegração do paciente. O tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens:
medicamentosa e psicossocial.
Fonte: http://www.matorres.com.br/portal/images/stories/remedio.jpg http://4.bp.blogspot.com/_5JagWcwleg/Spc9zPFmixI/AAA AAAAAAl4/KdOZtItZWnc/s400/psicologo1movil.gif
O tratamento medicamentoso é feito com remédios chamados antipsicóticos ou neurolépticos. Eles são utilizados para aliviar os sintomas psicóticos, e também nos períodos entre as crises. A maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas crises.
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Segundo a Resolução SS nº 295 , de 04 de setembro de 2007:
Os antipsicóticos são a base para o tratamento
medicamentoso da esquizofrenia, sendo
utilizados na fase aguda, na terapia de
manutenção e na prevenção de recidiva. Os antipsicóticos disponíveis para tratamento são os
de primeira geração, ou convencionais,
contemplados no Programa Dose Certa da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e os de segunda geração, ou atípicos, incluídos no Programa de Medicamentos Excepcionais do Ministério da Saúde. (SÃO PAULO, 2007, p. 2)
As abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do paciente à família e à sociedade. Devido ao fato de que alguns sintomas (principalmente apatia, desinteresse, isolamento social e outros) podem persistir mesmo após as
crises, é necessário um planejamento
individualizado de reabilitação do paciente. (NETO, 2010).
Outros transtornos associados
Galvão (2001)
Transtorno Esquizofreniforme
Os pacientes com Transtorno Esquizofreniforme apresentam um quadro clínico muito parecido com a Esquizofrenia. A diferença deve-se ao tempo limitado em que os sintomas persistem, eles devem estar presentes por mais de um mês, porém os pacientes não devem ultrapassar seis meses com o quadro.
Transtorno Esquizoafetivo
Os pacientes que apresentam essa doença têm sintomas de esquizofrenia, "misturados"
com sintomas de doença afetiva bipolar
(antigamente conhecida como psicose
maníaco-depressiva) ou de depressão. Esses sintomas podem apresentar-se juntos ou de maneira alternada.
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Transtorno Delirante
O principal sintoma apresentado pelos pacientes com Transtorno Delirante é o delírio, que deve estar presente por um período maior que um mês.
Não compromete seu comportamento e linguagem.
Os pacientes podem apresentar alucinações, mais comumente relacionadas ao tato e ao olfato (cheiros). Antigamente denominava-se Paranoia.
Transtorno Psicótico Breve
O Transtorno Psicótico Breve caracteriza-se por delírios, alucinações, linguagem ou comportamento desorganizado ou com o Transtorno Delirante. Esses sintomas deverão estar presentes por um curto espaço de tempo e persistir no mínimo por um dia, e no máximo por 1 mês, melhorando completamente dentro desse período sem deixar sintomas residuais.
Transtorno Psicótico Compartilhado (Folie à Deux, Codependência)
Trata-se de uma situação rara na qual uma
pessoa começa a apresentar sintomas
psicóticos (delírios), a partir da convivência próxima com um doente psicótico.
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Pessoas ilustres com esquizofrenia
John Forbes Nash
Matemático, professor e vencedor do Prêmio Nobel da Economia, cuja
vida é retratada no filme “Uma Mente Brilhante” .
Syd Barrett
Um dos fundadores da famosa banda inglesa
“Pink Floyd”.
Lionel Aldridge
Jogador de futebol americano.
Jack Kerouac
Escritor franco-americano.
Eduard Einstein
Filho de Albert Einstein.
Vincent Van Gogh
Pintor holandês.
Antonin Artaud
Como lidar com estas pessoas?
O melhor é tratar a pessoa naturalmente. Há certos casos, entretanto, nos quais o comportamento em relação à pessoa deve ser mudado gradualmente. Isso ocorre porque as pessoas com esquizofrenia têm grandes dificuldades em processar estímulos sensoriais diferentes ou simultaneamente.
Outro aspecto é a comunicação: dever ser breve, concisa e sem ambiguidades. É preciso ser prático e direto; as frases devem ser curtas; e ter paciência é muito importante.
Na aprendizagem
Dificuldade de concentração.
Estados de tensão de origem desconhecida.
Desinteresse pelas atividades sociais, com tendência ao isolamento e à retração.
Tudo isso contribui para que a pessoa deixe de se dedicar aos estudos e ao trabalho e apresente dificuldade de adquirir novas habilidades.
Perturbações e desordem dos pensamentos.
Falta de motivação e apatia são sintomas que podem, também, interferir no processo de aprendizagem do esquizofrênico.
A frequente associação entre palavras e frases e a descontinuidade entre as ideias afeta a comunicação dos esquizofrênicos e são mais um obstáculo para que consigam aprender coisas novas.
Filmes sobre esquizofrenia
Uma mente brilhante (A Beautiful Mind, 2001,
Ron Howard);
Clube da luta (Fight Club, 1999, David Fincher);
Número 23 (The Number 23, 2007, Joel
Schumacher);
O Segredo de NeverWas (Neverwas, 2005,
Joshua Michael Stern).
Livros sobre esquizofrenia
PALMEIRA, Leonardo. et al. Entendendo
a Esquizofrenia: Como a família pode
ajudar no tratamento? Rio de Janeiro: Interciência, 2009.
NETO, Mario Rodrigues Louzã.
Convivendo com a Esquizofrenia: um
guia para portadores e familiares. São Paulo: Prestígio, 2006.
STERIAN, Alexandra. Esquizofrenia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
Referências
ASSOCIAÇÃO DE APOIO AOS DOENTES DEPRESSIVOS E BIPOLARES. Estigma e
Saúde Mental. Disponível em:
<http://www.adeb.pt/sobre_adeb/publicacoes/guias/texto/estigma.htm>. Acesso em: 28 maio.2010.
AMÂNCIO, Edson. Mente desintegrada. In: Revista Mente e Cérebro. Doenças do Cérebro: esquizofrenia e bipolaridade. São Paulo: Duetto. Nº 4. 2010.
COELHO, Sandra. Evolução da esquizofrenia. Ciência Hoje on-line. 2001. Disponível em: <http://www.loni.ucla.edu/~thompson/MEDIA/PNAS/ch_online.html > Acesso em: 08 jun. 2010.
GALVÃO, Ana Luiza. Et al. Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos . 2001. Disponível em: < http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?189 > Acesso em 09 jun. 2010.
NETO, Mario Rodrigues Louzã. Esquizofrenia. Disponível em:
<http://www.saudemental.net/o_que_e_esquizofrenia.htm> Acesso em: 08 jun. 2010.
SÃO PAULO. RESOLUÇÃO SS nº 295 , de 04 de setembro de 2007. Aprova a Norma Técnica para inclusão do aripiprazol na relação de medicamentos para tratamento da Esquizofrenia, no âmbito do Estado de São Paulo. Disponível em:
<http://www.saude.sp.gov.br/resources/geral/acoes_da_sessp/assistencia_farmaceutica/ar ipripazol/norma_tecnica_aripiprazol.pdf > Acesso em: 08 jun. 2010.
VEJA. Esquizofrenia. Julho de 2009. Disponível em:
<http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/esquizofrenia/esquizofrenia. shtml#6> Aceso em: 09 jun. 2010.