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Mapeamento Das Pastagens Da Microrregião De Ituiutaba/MG No Ano De 2015.

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Mapeamento Das Pastagens Da Microrregião De Ituiutaba/MG

No Ano De 2015.

Laíza Castro Brumano Viçoso1

Universidade Federal de Uberlândia/ Faculdade de Ciências Integradas do Pontal [email protected] Bruna Aparecida Silva Dias2

Universidade Federal de Uberlândia/ Faculdade de Ciências Integradas do Pontal [email protected] Jussara dos Santos Rosendo3

Universidade Federal de Uberlândia/ Faculdade de Ciências Integradas do Pontal [email protected]

Resumo: A atividade pecuária é considerada um dos setores mais importantes do agronegócio

brasileiro gerando renda, empregos diretos e indiretos além da participação significativa no produto interno bruto (PIB) do país. A microrregião de Ituiutaba/MG, possui grande participação no setor agropecuário já que desde 1970 se consolidou como a principal atividade. O geoprocessamento como técnica de monitoramento, permite a verificação da expansão ou redução das áreas de pastagem no decorrer dos anos e permite fazer uma análise de como essas áreas vem sendo utilizadas. Os dados do IBGE sobre mapeamento de pastagens estão demasiadamente atrasados, sendo o último Censo publicado em 2006. Esse trabalho é parte de uma pesquisa cujo o objetivo final será mapear as pastagens da microrregião de Ituiutaba/MG, e por meio de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento classificar as áreas que se encontram em condições melhoradas e degradadas. O uso de técnicas de geoprocessamento associadas ao sensoriamento remoto, tem sido muito utilizadas para mapeamento e monitoramento das culturas agrícolas, o mapeamento das pastagens se faz necessário para maior controle sobre as áreas que vem sendo praticadas a pecuária e, consequentemente, para a verificação de políticas que visam a melhoria e o aprimoramento do vigor das pastagens.Para o presente trabalho, a metodologia se embasou em elaboração de referencial teórico acerca da temática; aquisição de imagens do satélite OLI/Landsat 8 órbita 221 e 222 ponto 73, que abrange a microrregião de Ituiutaba/MG, através do site da NASA; tratamento da imagem através do processo de moseicagem e composição colorida para interpretação 4B5R6G e por fim processamento digital das imagens a partir da classificação automática, e a identificação por meio da interpretação visual das imagens em tela para gerar o mapeamento da pastagem. Desta forma, os dados da pesquisa demonstraram que 472.889,49 ha da microrregião encontram-se ocupados por pastagens. Sendo assim, o acompanhamento dessas áreas é de fundamental importância, visto que trata-se de uma das principais atividades econômicas da microrregião.

Palavras-chave: Pastagem; Microrregião de Ituiutaba/MG; Geoprocessamento.

1 Mestranda no Programa de Pós Graduação em Geografia do Pontal; Graduada e Licenciada em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU

2 Graduanda no curso de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia UFU/FACIP

3 Professora Doutora do Programa de Pós Graduação e Graduação na Universidade Federal de Uberlândia -UFU no curso de Geografia

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 INTRODUÇÃO

Esse trabalho consiste em parte de uma pesquisa onde o objetivo final será mapear e classificar as pastagens melhoradas e degradadas da microrregião de Ituiutaba/MG.

A atividade pecuária é considerada um dos setores mais importantes do agronegócio brasileiro gerando renda, empregos diretos e indiretos além da participação significativa no produto interno bruto (PIB) do país. A degradação de pastagens ocorre através da perda de vigor e consequentemente menor produtividade e aproveitamento para o rebanho. Técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento são bastante promissoras para a identificação e classificação dos estágios em que as pastagens se encontram, assim podendo propor metodologias que possam avaliar e classificar as pastagens.

A recuperação de áreas e pastagens degradadas consiste em transformar as terras degradadas (no caso específico de pastagens degradadas) em áreas produtivas para a produção de alimentos, fibras, biodiesel, florestas e carne, evitando a derrubada de novas áreas de florestas. No avanço do processo de degradação ocorre perda de cobertura vegetal e redução no teor de matéria orgânica do solo, emitindo gás carbônico (CO2) para a atmosfera, além de tornar o local improdutivo. A recuperação e

manutenção da produtividade das pastagens contribuem para mitigar a emissão dos gases do efeito estufa.

O CO2 tem causado polêmica em relação ao efeito estufa, porque sua

concentração, embora baixa, está crescendo muito a cada ano, sendo grande parte em decorrência da queima de combustíveis fósseis, e da queima da vegetação (principalmente, florestas tropicais e cana-de-açúcar).

Estimativas apontaram que 75 % do total de CO2 emitido para atmosfera, no

Brasil, são derivados de práticas agrícolas e do desmatamento, enquanto, apenas 25% são provenientes da queima de combustíveis fósseis (CERRI; CERRI , 2007). Dada a importância desses valores, é preciso pensar alternativas que minimizem a emissão de Gases de Efeito de Estufa (GEE) no Brasil.

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Conforme Oliveira e Corsi (2005), do ponto de vista ambiental, a recuperação de pastagens é muito interessante, porque, entre outras razões, evita o desmatamento de novas áreas para a formação de pastagens.

Somado a esse fato, a recuperação de pastagens adota princípios básicos imprescindíveis, como conservação, recomposição da fertilidade e cobertura do solo, preservação da matéria orgânica do sistema e retenção de água, fatores que vão ao encontro da preservação do ambiente, ou seja, a recuperação da infra-estrutura [sic] ambiental mínima para que funções ecológicas possam ser reativadas fazendo com que qualquer atividade agropecuária seja sustentável. (OLIVEIRA; CORSI, 2005, p.2)

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, 2012), a adoção de tecnologias e práticas industriais e agrícolas é fundamental para controlar e reduzir as emissões dos gases de efeito estufa – gás carbônico (CO2), gás

metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), garantindo as condições necessárias para conciliar

o desenvolvimento do País com o crescimento sustentável.

Nesse sentido, para o setor agropecuário, o desafio é evoluir das práticas convencionais para uma agricultura de baixa emissão de carbono, sem deixar de proporcionar renda aos agricultores e alimentos de qualidade e baratos para a população. Os produtores brasileiros estão preparados para enfrentar esse desafio e elevar a agropecuária nacional para um novo patamar de sustentabilidade (CNA, 2012, p. 3).

O objetivo do trabalho é mapear as pastagens da microrregião de Ituiutaba/MG aplicando a técnica de classificação automática e correção dos possíveis erros por meio de classificação manual.

Fica evidente a necessidade deste trabalho para o monitoramento e acompanhamento das pastagens nesta região. Isto em detrimento das áreas de expansão de substituição por outros usos. O estudo se torna relevante para governantes da microrregião de Ituiutaba no que se refere ao ordenamento terrestre desse uso para pecuaristas que pretendem realizar o melhoramento das áreas de pastagens e aplicação de programas governamentais.

A microrregião de Ituiutaba localiza-se a oeste do Estado de Minas Gerais, na mesorregião geográfica do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (composta por 66 municípios) e é composta pelos municípios de Cachoeira Dourada, Ipiaçu, Capinópolis,

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Gurinhatã e Santa Vitória. O mapa 01, apresenta a localização da microrregião de Ituiutaba/MG.

Mapa 01: Mapa de localização da Microrregião de Ituiutaba/MG.

 METODOLOGIA

A metodologia de trabalho empregada foi realizada de acordo com as seguintes etapas:

1ª etapa: elaboração do referencial teórico sobre o tema da pesquisa por meio de artigos científicos em revistas especializadas, livros, periódicos e consulta aos bancos de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);

2ª etapa: aquisição no site da NASA (http://earthexplorer.usgs.gov/), das imagens do sensor OLI/Landsat 8 adquiridas em julho de 2015. A escolha da data, se

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deu em conseqüência da ausência de nuvens que ocorre no período de estiagem no cerrado (de maio a outubro).

3ª etapa: as imagens do TM/Landsat 5 passaram por processamento que se iniciou pelo seu georreferenciamento, moseicagem e recorte da área no SIG QGis 2.8 Em seguida , foi realizada a composição colorida 3B4R5G e a aplicação da técnica de contraste linear no SIG Spring 5.2.7. Para as imagens do OLI/Landsat 8, não foi necessário realizar o georreferenciamento já que essas já se encontram georreferenciadas no banco de dados da NASA. A aplicação de composição colorida foram realizadas nas bandas 4, 5 e 6 já que essas correspondem a mesmas faixas espectrais do TM/Landsat 5, sendo assim aplicadas em 4B5R6G.

4ª etapa: elaboração de uma chave de fotointerpretação para auxiliar a interpretação das imagens de satélite e a identificação das áreas ocupadas com pastagem bem como outros usos como áreas urbanas, culturais anuais e temporárias e vegetação natural como mostrado no quadro 03.

Quadro 03: Chave de fotointerpretação da área de estudo. Categoria Mapeada Padrões característicos de

Interpretação

Amostra da Composição colorida 4B5R6G

Pastagem Cor lilás claro e tons em verde escuro e marrom claro; textura lisa e rugosa e forma geométrica

Vegetação Natural Tons em verde escuro; textura rugosa e forma irregular

Agricultura Tons em verde claro; textura regular e forma geométrica

Fonte: Imagens OLI/Landsat 8 Org: A autora. (2016)

5ª etapa: ainda no software Spring 5.3, aplicou-se a técnica de segmentação de imagens, anterior à classificação digital de imagens, com valores de similaridade e área

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80. Por não existir um valor padrão para definir a similaridade e a área, após vários testes, esses valores foram considerados os melhores;

6ª etapa: realização do treinamento, anterior à classificação automática, foi feito a partir da identificação de duas classes de uso diferentes: pastagens e outro usos (que incluiu a agricultura, vegetação natural, áreas urbanas, culturas anuais, e etc.). A escolha dessas classes se deu em virtude de separar a pastagem de outros usos, pois o objetivo foi mapear apenas a pastagem, dessa forma reduziu-se a confusão entre a classificação da cana-de-açúcar com alvos cuja refletância são semelhantes. A classificação automática foi realizada a partir do algoritmo de Bhattacharya no software Spring 5.3 e os possíveis erros corrigidos no software Arcview 3.2 por meio de classificação manual.

 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O mapeamento, por meio da classificação automática de Bhattacharya com correção das áreas identificadas pela classificação manual, identificou que 599.289 ha. estão ocupados pela pastagem na Microrregião de Ituiutaba no ano de 2015 (Mapa 02, Tabela 01 e gráfico 01). Ao levarmos em consideração que a microrregião possui área total de 1.751.552 ha, é possível concluir que 34 % da área total encontram-se representados por áreas de pastagens.

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Mapa 02: Mapa das Pastagens da Microrregião de Ituiutaba/MG (2015)

Tabela 03: Uso da terra na microrregião de Ituiutaba -MG em 2015.

Categoria Área em hectares (ha) %

Pastagem 599.289 34

Outros Usos 1.152.233 66

Total 1.751.552 100

Fonte: Mapeamento do uso da terra do ano 2015 Org.: A autora (2016)

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Gráfico 01: Área em hectares (ha) da Microrregião de Ituiutaba/MG (2015)

Os dados do IBGE estão demasiadamente atrasados, sendo o último senso agropecuário realizado no ano de 2006. A tabela 02 mostra as pastagens no Brasil, Minas Gerais, Mesorregião do Triangulo Mineiros e Alto Paranaíba e Microrregião de Ituiutaba, segundo os dados do senso agropecuário realizado em 2006.

Tabela 02: Dados do IBGE sobre pastagens do senso agropecuário de 2006, área em hectares.

Brasil Sudeste Minas Gerais Mesorregião do Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba Microrregião de Ituiutaba Pastagem 160.042.062 27.826.066 18.217.880 3.619.002 539.163 Fonte: IBGE (2006); ORG: A autora (2016)

A tabela 03 faz um comparativo das áreas de pastagens segundo o senso agropecuário de 2006 realizado pelo IBGE e os dados coletados a partir do mapeamento realizado. Pôde-se observar que a área de pastagem da microrregião, em comparação a de 2006, teve um aumento de 60.126 ha, o que corresponde a 10% nas áreas destinadas a esse uso.

Tabela 03: Comparativo das áreas de pastagens da microrregião de Ituiutaba.

2006 ( IBGE, ha) 2015 (Mapeamento, ha) Microrregião de Ituiutaba 539.163 599.289

34%

66%

Área em hectares (ha) da Microrregião de

Ituiutaba/MG (2015)

Pastagem Outros Usos

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A divergência de dados obtidos em relação aos dados do IBGE se deve a dois motivos sendo que primeiramente, os dados estão atrasados devido o ultimo senso ter ocorrido no ano de 2006. O próximo senso agropecuário, seria realizado no ano de 2016, mas até o momento o IBGE alega não ter recurso para a realização de concurso para contratação dos agentes pesquisadores. Além disso, segundo entrevista realizada na sede do IBGE no município de Ituiutaba, os dados obtidos pelo IBGE são fornecidos através de entrevistas realizadas com os pecuaristas das propriedades rurais e quando necessário, analisados através de imagens de satélite podendo haver dados supra ou sub estimados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Com este trabalho foi possível identificar que a pastagem no município de Ituiutaba tem se intensificado de maneira rápida nos últimos anos, como consequência da demanda pela pecuária no Brasil e no mundo. O aumento no área em 10% nos últimos dez anos, mostrou que a pecuária vem se intensificado na região

As técnicas de geoprocessamento associados aos dados remotamente situados são fundamentais para este tipo de mapeamento, afim de compreender o espaço geográfico e, consequentemente, a tomada de decisões com relação ao planejamento e ocupação de novas áreas de conversão da pastagem.

A metodologia aplicada neste trabalho mostrou-se satisfatória, sendo a classificação automática de Battacharya através do processo de segmentação e verificação eficientes para mapeamento das pastagens. Todavia, a correção dos erros do mapeamento foi tarefa crucial à precisão do mapeamento, pois a pastagem confunde-se com diversos outros usos.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à FAPEMIG pelo financiamento da divulgação deste trabalho científico.

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CERRI, C. C.; CERRI, C. E. P. Agricultura e Aquecimento Global. 2007, 9 p. Disponível em: <http://www.aquecimento.cnpm.embrapa.br/bibliografia/agr_e_aquec_Cerri_2007.pdf. Acesso em:06 novembro de 2015.

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agricultura de baixo carbono. Brasília – DF, 2012. 44 p. Disponível

em:<http://agriculturabaixocarbono.files.wordpress.com/2012/01/cartilhaabcweb.pdf>. Acesso em:06 novembro de 2015.

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Disponível em:

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MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Programa de Agricultura de

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