Crianças expostas à violência doméstica
Crianças expostas à violência doméstica
Manual para
Manual para
a Educação
a Educação
de Infância
de Infância
Conhecer e qualificar as respostas na comunidade
COMISSÃO PARA A CIDADANIA
COMISSÃO PARA A CIDADANIA
E A IGUALDADE DE GÉNERO
E A IGUALDADE DE GÉNERO www.cig.gov.pt
www.cig.gov.pt
Avenida da República, 32, 1.º | 1050-193 Lisboa | Portugal
Avenida da República, 32, 1.º | 1050-193 Lisboa | Portugal
T
Tel.: (+351) 217 el.: (+351) 217 983 000983 000
Fax. (+351) 217 983 098
Fax. (+351) 217 983 098
E-mail:
E-mail: [email protected]@cig.gov.pt.pt
Delegação do Norte:
Delegação do Norte:
Rua Ferreira Borges, 69, 3.º F | 4050-253 Porto | Portugal
Rua Ferreira Borges, 69, 3.º F | 4050-253 Porto | Portugal
T Tel.: (+351) 222 el.: (+351) 222 074 370074 370 Fax: (+ 351) 222 074 398 Fax: (+ 351) 222 074 398 E-mail: [email protected] E-mail: [email protected]
Ficha Técnica
Ficha Técnica
Podem ser reproduzidos pequenos excertos desta publicação, sem
Podem ser reproduzidos pequenos excertos desta publicação, sem
necessidade de autorização, desde que se indique
necessidade de autorização, desde que se indique a respetiva fonte.a respetiva fonte.
Título:
Título: Manual para a educação de Infância - crianças expostasManual para a educação de Infância - crianças expostas
à violência doméstica: conhecer e qualificar as respostas na
à violência doméstica: conhecer e qualificar as respostas na
comunidade
comunidade
Autoria:
Autoria:London Family Court ClinicLondon Family Court Clinic
Adaptação:
Adaptação: Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género
Consultoria
Consultoria Técnica:Técnica: Isabel Baptista – Centro de Estudos para Isabel Baptista – Centro de Estudos para
a Intervenção Social (CESIS); Filipa Pereira - Câmara Municipal de
a Intervenção Social (CESIS); Filipa Pereira - Câmara Municipal de
Cascais, Fórum Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica.
Cascais, Fórum Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica.
Preparação da edição:
Preparação da edição: Divisão de Documentação e Informação Divisão de Documentação e Informação
e Núcleo de Prevenção da Violência Doméstica e Violência de
e Núcleo de Prevenção da Violência Doméstica e Violência de
Género - CIG.
Género - CIG.
Edição original:
Edição original:Children exposed to domestic violence: an earlyChildren exposed to domestic violence: an early
childhood educator’s handbook to increase understanding and improve
childhood educator’s handbook to increase understanding and improve
community responses
community responses , 2002. , 2002. ISBN 1-895953-ISBN 1-895953-13-8.13-8.
Esta publicação foi traduzida para língua portuguesa pela
Esta publicação foi traduzida para língua portuguesa pela
Associação
Associação de de Beneficiência Beneficiência Luso-Alemã Luso-Alemã (ABLA), (ABLA), adaptada adaptada àà
realidade do concelho de Cascais pelo Fórum Municipal de Cascais
realidade do concelho de Cascais pelo Fórum Municipal de Cascais
contra a Violência Doméstica e publicada pela Câmara Municipal
contra a Violência Doméstica e publicada pela Câmara Municipal
de Cascais, em março de 2007 (ISBN 978-972-637-168-7).
de Cascais, em março de 2007 (ISBN 978-972-637-168-7).
Design:
Design: ideia, designers ideia, designers
Tiragem:
Tiragem: 4000 exemplares 4000 exemplares
Depósito legal:
Depósito legal: 399 090/15 399 090/15
ISBN:
ISBN: 978-972-597-400-1 (impresso) 978-972-597-400-1 (impresso)
Validado pela DGE/MEC
Validado pela DGE/MEC
Execução gráfica:
Execução gráfica:Editorial do Ministério da Educação e CiênciaEditorial do Ministério da Educação e Ciência
(CIG); Direção Geral da Educação (DGE).
1 1
Nota prévia
Nota prévia
A importância do tema
A importância do tema
Conceitos e considerações
Conceitos e considerações
O que é?
O que é?
Roda do poder e controlo
Roda do poder e controlo
Dados sobre violência doméstica em Portugal
Dados sobre violência doméstica em Portugal
Impacto nas crianças
Impacto nas crianças
Potenciais impactos em diferentes idades
Potenciais impactos em diferentes idades
Sinais de alerta
Sinais de alerta
Como agir em caso de
Como agir em caso de perturbações de comportamentoperturbações de comportamento
Estratégias de intervenção
Estratégias de intervenção
Projetos educativos eficazes
Projetos educativos eficazes
Quando existe violência conjugal
Quando existe violência conjugal
Como apoiar uma criança que revela uma situação de violência
Como apoiar uma criança que revela uma situação de violência
Linhas de orientação para a tomada de
Linhas de orientação para a tomada de decisãodecisão
Como e quando denunciar junto dos serviços de proteção a crianças
Como e quando denunciar junto dos serviços de proteção a crianças
Planeamento da segurança
Planeamento da segurança
Violência doméstica – a educação de infância e a prevenção da violência
Violência doméstica – a educação de infância e a prevenção da violência
Parcerias entre as instituições de educação de
Parcerias entre as instituições de educação de infância e a comunidadeinfância e a comunidade
Folheto para as famílias
Folheto para as famílias
Recursos Recursos 3 3 6 6 7 7 8 8 9 9 10 10 11 11 12 12 13 13 14 14 16 16 18 18 19 19 20 20 22 22 24 24 26 26 28 28 29 29 30 30 32 32
Índice
Índice
2 2
3 3
Nota prévia
Nota prévia
O V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género
O V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género
2014-2017 (V PNPCVDG) é um instrumento de política pública que se es
2014-2017 (V PNPCVDG) é um instrumento de política pública que se es
trutura
trutura
em cinc
em cinc
o áreas estratégicas, sendo que o manual que ora se publica,
o áreas estratégicas, sendo que o manual que ora se publica,
Manual para a
Manual para a
educação de infância - crianças expostas à violência doméstica: conhecer e
educação de infância - crianças expostas à violência doméstica: conhecer e
qualificar
qualificar
as respostas na comunidade,
as respostas na comunidade,
se
se
enquadra na área estratégica I, relativa à preven-
enquadra na área estratégica I, relativa à
preven-ção, sensibilização e educação. A informapreven-ção, a sensibilização
ção, sensibilização e educação. A informação, a sensibilização
e a educação são
e a educação são
fundamentais para prevenir e combater a violência doméstica na sua raiz e em
fundamentais para prevenir e combater a violência doméstica na sua raiz e em
toda a dimensão, visando implementar estratégias conducentes a uma sociedade
toda a dimensão, visando implementar estratégias conducentes a uma sociedade
assente na igualdade e livre de discriminação e de violência. A medida 5, do
assente na igualdade e livre de discriminação e de violência. A medida 5, do
referido Plano, estipula a elaboração e divulgação de guiões e outros materiais
referido Plano, estipula a elaboração e divulgação de guiões e outros materiais
informativos e pedagógicos dirigidos à comunidade educativa, com o objetivo de
informativos e pedagógicos dirigidos à comunidade educativa, com o objetivo de
a informar e orientar para a temática da violência doméstica e de género.
a informar e orientar para a temática da violência doméstica e de género.
Na génese da presente publicação, encontra-se o manual canadiano
Na génese da presente publicação, encontra-se o manual canadiano
Children
Children
exposed to domestic violence: an early childhood educator’s handbook to
exposed to domestic violence: an early childhood educator’s handbook to
increase understanding and im
increase understanding and im
prove community responses,
prove community responses,
da autoria da London
da autoria da London
Family Court Clinic. Este manual foi, inicialmente, adaptado à realidade do
Family Court Clinic. Este manual foi, inicialmente, adaptado à realidade do
con-celho de Cascais, pelo Fórum Municipal de
celho de Cascais, pelo Fórum Municipal de
Cascais contra a Violência Doméstica
Cascais contra a Violência Doméstica
e publicado pela respetiva autarquia, em março
4 4
Recuperando esta publicação, a CIG procedeu à sua atualização, adaptando-a à
Recuperando esta publicação, a CIG procedeu à sua atualização, adaptando-a à
realidade nacional, no âmbito do V PNPCVDG e, ainda, no enquadramento da
realidade nacional, no âmbito do V PNPCVDG e, ainda, no enquadramento da
Lei n.° 112/2009, de 16 de setembro, republicada pela Lei n.º 129/2015, de 3
Lei n.° 112/2009, de 16 de setembro, republicada pela Lei n.º 129/2015, de 3
de setembro, que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da
de setembro, que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da
violência
violência
doméstica, à proteção e à assistência das suas vítimas.
doméstica, à proteção e à assistência das suas vítimas.
A presente
A presente
publicação, ao
publicação, ao
debruçar-se sobre
debruçar-se sobre
a questão
a questão
da violência
da violência
doméstica,
doméstica,
centra-se em torno das problemáticas que lhe estão associadas e como estas
centra-se em torno das problemáticas que lhe estão associadas e como estas
podem ser detetadas
podem ser detetadas
e trabalhadas no
e trabalhadas no
contexto escolar
contexto escolar
.
.
O ambiente familiar pode, por vezes, representar um lugar de perigo. É na escola
O ambiente familiar pode, por vezes, representar um lugar de perigo. É na escola
que podem ter lugar comportamentos e/ou atitudes que indiciam o mau estar
que podem ter lugar comportamentos e/ou atitudes que indiciam o mau estar
noutras esferas, designadamente na familiar. Enquanto profissional da educação
noutras esferas, designadamente na familiar. Enquanto profissional da educação
pré-escolar (docente ou não), é fundamental conhecer as expressões da
pré-escolar (docente ou não), é fundamental conhecer as expressões da
proble-mática, os procedimentos e os recursos que permitem zelar e promover o
mática, os procedimentos e os recursos que permitem zelar e promover o
bem--estar, a
-estar, a
qualidade de vida e segurança das crianças expostas ao crime de violência
qualidade de vida e segurança das crianças expostas ao crime de violência
doméstica.
doméstica.
No presente manual encontram-se linhas de orientação para a intervenção em
No presente manual encontram-se linhas de orientação para a intervenção em
contexto escolar, com crianças expostas à violência doméstica. A CIG, enquanto
contexto escolar, com crianças expostas à violência doméstica. A CIG, enquanto
organismo coordenador do V PNPCVDG, procura, deste modo,
organismo coordenador do V PNPCVDG, procura, deste modo,
informar todos/as
informar todos/as
os/as que integram a comunidade educativa, dos conceitos inerentes à temática
os/as que integram a comunidade educativa, dos conceitos inerentes à temática
da violência doméstica, dos sinais de alerta, das estratégias e dos procedimentos
da violência doméstica, dos sinais de alerta, das estratégias e dos procedimentos
nesta área.
nesta área.
Dos diferentes conceitos base e transversais a todo o manual:
Dos diferentes conceitos base e transversais a todo o manual:
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O crime de violência doméstica engloba comportamentos utilizados num
O crime de violência doméstica engloba comportamentos utilizados num
rela-cionamento entre duas pessoas - casamento, união de facto, namoro -
cionamento entre duas pessoas - casamento, união de facto, namoro -
pre-sente ou passado—, por uma das partes, com a finalidade de controlar e
5 5
* O Artigo 152º
* O Artigo 152º Violência doméstViolência doméstica do, Código Penal, tipifica, desde 2007, o crime de ica do, Código Penal, tipifica, desde 2007, o crime de Violência doméstiViolência doméstica, nosca, nos
seguintes termos:
seguintes termos:
“1 – Quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade
“1 – Quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade
e ofensas sexuais:
e ofensas sexuais:
a) Ao cônjuge ou ex-cônjuge;
a) Ao cônjuge ou ex-cônjuge;
b) A pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação de namoro ou uma
b) A pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação de namoro ou uma
relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação;
relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação;
c) O progenitor de descendente comum em 1º grau; ou
c) O progenitor de descendente comum em 1º grau; ou
d) A pessoa particularmente indefesa, nomeadamente em razão da idade, deficiência, doença, gravidez ou dependência
d) A pessoa particularmente indefesa, nomeadamente em razão da idade, deficiência, doença, gravidez ou dependência
económica, que com ele coabite;
económica, que com ele coabite;
é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
2 – No caso previsto no número anterior, se o agente praticar o facto contra menor, na presença de menor, no domicílio
2 – No caso previsto no número anterior, se o agente praticar o facto contra menor, na presença de menor, no domicílio
comum ou no domicílio da vítima é punido com pena de prisão de dois a cinco anos.
comum ou no domicílio da vítima é punido com pena de prisão de dois a cinco anos.
3 – Se dos factos previstos no nº 1 resultar:
3 – Se dos factos previstos no nº 1 resultar:
a) Ofensa à integridade física grave, o agente é punido com pena de prisão de dois a oito anos;
a) Ofensa à integridade física grave, o agente é punido com pena de prisão de dois a oito anos;
b) A morte, o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos.
b) A morte, o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos.
4 – Nos casos previstos nos números anteriores, podem ser aplicadas ao arguido as penas acessór
4 – Nos casos previstos nos números anteriores, podem ser aplicadas ao arguido as penas acessórias de proibição de contactoias de proibição de contacto
com a vítima e de proibição de uso e porte de armas, pelo período de seis meses a cinco anos, e de obrigação de frequência
com a vítima e de proibição de uso e porte de armas, pelo período de seis meses a cinco anos, e de obrigação de frequência
de programas específicos de prevenção da violência doméstica.
de programas específicos de prevenção da violência doméstica.
5 - A pena acessória de proibição de contacto com a vítima deve incluir o afastamento da residência ou do local de trabalho
5 - A pena acessória de proibição de contacto com a vítima deve incluir o afastamento da residência ou do local de trabalho
desta e o seu cumprimento deve ser fiscalizado por meios técnicos de controlo à distância.
desta e o seu cumprimento deve ser fiscalizado por meios técnicos de controlo à distância.
6 – Quem for condenado por crime previsto neste artigo pode, atenta a concreta gravidade do facto e a sua conexão com a
6 – Quem for condenado por crime previsto neste artigo pode, atenta a concreta gravidade do facto e a sua conexão com a
fun-ção exercida pelo agente, ser inibido do exercício do poder paternal, da tutela ou da curatela por um período de u
ção exercida pelo agente, ser inibido do exercício do poder paternal, da tutela ou da curatela por um período de um a dez anos.”m a dez anos.”
Disponível
Disponível em: em: http://wwwhttp://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/Legislac.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/Legislacao_AreaViolenciaDomestica.aspxao_AreaViolenciaDomestica.aspx
causar danos à outra parte. Estes comportamentos podem expressar-se sob
causar danos à outra parte. Estes comportamentos podem expressar-se sob
a forma de maus-tratos físicos, psíquicos, ameaça, coacção, injúrias, difamação e
a forma de maus-tratos físicos, psíquicos, ameaça, coacção, injúrias, difamação e
crim
crim
es sexuais ou apresentarem, ainda,
es sexuais ou apresentarem, ainda,
outras formas (perturbação da vida
outras formas (perturbação da vida
priva-
priva-da: controlo de conversas telefónicas, de emails, ameaça em revelar segredos
da: controlo de conversas telefónicas, de emails, ameaça em revelar segredos
e factos privados, por exemplo.)*
e factos privados, por exemplo.)*
VITIMIZAÇÃO INDIRETA OU VICARIANTE
VITIMIZAÇÃO INDIRETA OU VICARIANTE
A
A
vitimização
vitimização
indireta
indireta
ou
ou
vicariante
vicariante
é
é
a
a
exposição
exposição
de
de
uma
uma
criança
criança
à
à
violência
violência
interparental ou à violência exercida sobre outros familiares (por exemplo, um
interparental ou à violência exercida sobre outros familiares (por exemplo, um
avô,
avô,
uma avó).
uma avó).
A COMISSÃO PARA A CIDADANIA E A IGUALDADE DE GÉNE
6 6
A equipa de educação de infância
A equipa de educação de infância
encontra-se numa posição ideal para
encontra-se numa posição ideal para
apoiar as crianças que frequentam
apoiar as crianças que frequentam
os estabelecimentos de educação.
os estabelecimentos de educação.
A importância
A importância
do tema
do tema
A necessidade que
A necessidade que as crianças têm as crianças têm de viver num ade viver num am-
m-biente securizante é posta em causa pela violência
biente securizante é posta em causa pela violência
doméstica – comportamento abusivo de um/a
doméstica – comportamento abusivo de um/a
parcei-ro/a sobre o/a outparcei-ro/a com o objetivo de a/o
ro/a sobre o/a outro/a com o objetivo de a/o
contro-lar e dominar. As rotinas tendem a ser
lar e dominar. As rotinas tendem a ser interrompidas,interrompidas,
os sons e
os sons e imagens podem ser perturbadores.imagens podem ser perturbadores.
¬
¬
Segundo o Relatório conjuntoSegundo o Relatório conjunto Behind closedBehind closeddoors
doors da UNICEF, da UNICEF, Body Shop InternaBody Shop International e dotional e do
Secretariado Geral das Nações Unidas, as
Secretariado Geral das Nações Unidas, as
crian-ças expostas à violência doméstica apresentam
ças expostas à violência doméstica apresentam
dificuldades na aprendizagem, comprometidas
dificuldades na aprendizagem, comprometidas
competências sociais, comportamentos de risco,
competências sociais, comportamentos de risco,
depressão ou profunda ansiedade. As crianças
depressão ou profunda ansiedade. As crianças
em idades precoces encontram-se
em idades precoces encontram-se
especialmen-te vulneráveis: estudos revelam que a violência
te vulneráveis: estudos revelam que a violência
doméstica é mais prevalente em lares com
doméstica é mais prevalente em lares com
crian-ças em idades mais precoces do que em lares
ças em idades mais precoces do que em lares
com crianças e jovens de
com crianças e jovens de idades mais avançadas.idades mais avançadas.
Ainda de
Ainda de acordo com acordo com o mesmo o mesmo estudo, o estudo, o valor es-valor
es-timado de crianças expostas à violência
timado de crianças expostas à violência domésticadoméstica
em Portugal é de 44 000 a 168 000.
em Portugal é de 44 000 a 168 000.
¬
¬
Crianças que convivem com a violência domésticaCrianças que convivem com a violência domésticacorrem maior risco de desenvolver problemas
correm maior risco de desenvolver problemas
emocionais/comportamentais.
emocionais/comportamentais.
¬
¬
A identificação precoce de problem A identificação precoce de problemas possibilita aas possibilita aintervenção e o apoio mais cedo e de forma mais
intervenção e o apoio mais cedo e de forma mais
eficaz às crianças e às
eficaz às crianças e às suas famílias.suas famílias.
¬
¬
Os serviços de apoio à infância podem cons-Os serviços de apoio à infância podemcons-tituir-se como locais de segurança e apoio
tituir-se como locais de segurança e apoio
para crianças mais vulneráveis. A equipa que
para crianças mais vulneráveis. A equipa que
trabalha em creches e jardins de infância pode
trabalha em creches e jardins de infância pode
contribuir para mudar a vida de uma criança
contribuir para mudar a vida de uma criança
afetada pela violência.
afetada pela violência.
Este manual pode ajudar a:
Este manual pode ajudar a:
¬
¬
Compreender melhor a violência doméstica e oCompreender melhor a violência doméstica e orespetivo impacto nas crianças;
respetivo impacto nas crianças;
¬
¬
Reconhecer os sinais que as crianças poderãoReconhecer os sinais que as crianças poderãomanifestar quando estão a passar por dificuldades.
manifestar quando estão a passar por dificuldades.
Estes sinais podem ocorrer por várias razões,
Estes sinais podem ocorrer por várias razões,
en-tre as quais se inclui a violência doméstica;
tre as quais se inclui a violência doméstica;
¬
¬
Aprender formas de Aprender formas de apoiar as apoiar as crianças e crianças e de lidarde lidarcom comportamentos difíceis;
com comportamentos difíceis;
¬
¬
Oferecer apoio e informação sobre recursosOferecer apoio e informação sobre recursosdisponíveis a familiares que sejam eventualmente
disponíveis a familiares que sejam eventualmente
vítimas de violência doméstica (
vítimas de violência doméstica (Folheto para asFolheto para as
famílias
Este manual destina-se
Este manual destina-se a todos/as os/as profissionais da área da educação de infância e ensino que trabalham com a todos/as os/as profissionais da área da educação de infância e ensino que trabalham com
crianças
crianças no sentido de estimular no sentido de estimular o desenvolvimento psicológico, emocional e cognitivo, contribuindo para o seu o desenvolvimento psicológico, emocional e cognitivo, contribuindo para o seu bem-
bem--estar e para o desenvolvimento da sua autonomia.
-estar e para o desenvolvimento da sua autonomia.
O presente manual constitui um recurso para todos os /as agentes que intervém neste contexto, psicólogos, técnicos
O presente manual constitui um recurso para todos os /as agentes que intervém neste contexto, psicólogos, técnicos
de serviço social, auxiliares de acção educativa, enfermeiros, entre outros e outras.
de serviço social, auxiliares de acção educativa, enfermeiros, entre outros e outras.
Educadores/
Educadores/
Cuidadores fora da
Cuidadores fora da
creche/jardim de
creche/jardim de
infância
infância
SabendoSabendoa priori a priori que existem outras pessoas que, não que existem outras pessoas que, não
sendo mãe ou pai, cuidam e educam, foi opção
sendo mãe ou pai, cuidam e educam, foi opção
en-globar todas elas no binómio mãe/pai. Pedimos que
globar todas elas no binómio mãe/pai. Pedimos que
nele se sintam todos/as incluídos/as, visto tratar-se de
nele se sintam todos/as incluídos/as, visto tratar-se de
uma mera opção relativa à forma e que permitirá uma
uma mera opção relativa à forma e que permitirá uma
compreensão facilitada de procedimentos nesta
compreensão facilitada de procedimentos nesta
ma-téria complexa - a violência doméstica e a vitimização
téria complexa - a violência doméstica e a vitimização
indirecta ou vicariante.
indirecta ou vicariante.
V
V
iolência
iolência
doméstica
doméstica
Refere-se ao abuso exercido por parte de
Refere-se ao abuso exercido por parte de um par-um
par-ceiro, ou parceira, íntimo/a ou ex-parceiro/a
ceiro, ou parceira, íntimo/a ou ex-parceiro/a e,e,
quando existem filhos/as, designa-se também por
quando existem filhos/as, designa-se também por vio-
vio-lência interparental.
lência interparental.
Os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos
Os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos
corporais e ofensas sexuais praticados sobre pessoas
corporais e ofensas sexuais praticados sobre pessoas
particularmente indefesas em razão da idade (as
particularmente indefesas em razão da idade (as
crian-ças, por exemplo) constituem igualmente crime de
ças, por exemplo) constituem igualmente crime de
vio-lência doméstica.
lência doméstica.
Ape
Apesar sar do crdo crime dime de vioe violênlência dcia doméoméstistica aca abarbarcar ucar um leqm lequeue
variado de situações, é
variado de situações, é fundamental esclarecefundamental esclarecer que r que a abor-a
abor-dagem, os procedimentos e os exemplos apresentados
dagem, os procedimentos e os exemplos apresentados
privilegiam as características da grande maioria das
privilegiam as características da grande maioria das
situa-ções de violência doméstica, em que as vítimas são do
ções de violência doméstica, em que as vítimas são do sexosexo
feminino, os agressores do sexo masculino, e que
feminino, os agressores do sexo masculino, e que ocorremocorrem
em contextos de
em contextos de conjugalidadeconjugalidade..
Agressor/a
Agressor/a
Refere-se às pessoas que são violentas para com os
Refere-se às pessoas que são violentas para com os
seus companheiros ou companheiras ou filhos/as. É
seus companheiros ou companheiras ou filhos/as. É
usado com o mesmo significado de
usado com o mesmo significado deofensor/aofensor/aououpro-
pro-genitor/a-ofensor/a genitor/a-ofensor/a..
Conceitos
Conceitos
e considerações
e considerações
Vítima
Vítima
Refere-se às pessoas que sofrem abusos por
Refere-se às pessoas que sofrem abusos por
par-te dos companheiros ou companheiras. É utilizado
te dos companheiros ou companheiras. É utilizado
com o mesmo significado de sobrevivente
com o mesmo significado de sobrevivente, proge-,
proge-nitor/a vítima de abuso
nitor/a vítima de abuso,, vítima adultavítima adulta ee proge-
proge-nitor/a que sofre maus-tratos
nitor/a que sofre maus-tratos. O termo “sobrevivente”. O termo “sobrevivente”
reflete a situação de muitas pessoas que sofrem
reflete a situação de muitas pessoas que sofrem
abusos e enfrentam a situação com a sua força e
abusos e enfrentam a situação com a sua força e
recursos pessoais. recursos pessoais.
Crianças expostas
Crianças expostas
à violência doméstica
à violência doméstica
Refere-se a crianças que assistem, ouvem ou têm
Refere-se a crianças que assistem, ouvem ou têm
consciência da violência exercida por pai/mãe contra
consciência da violência exercida por pai/mãe contra
o/a outro/a.
o/a outro/a.
Maus-Maus-
tratos
tratos
a
a
crianças
crianças
Também denominado
Também denominado “abuso”“abuso”, é um termo que se, é um termo que se
aplica à violência física, sexual, emocional e/ou
aplica à violência física, sexual, emocional e/ou
negli-gência exercida sobre os/as filhos/as. Os maus-tratos
gência exercida sobre os/as filhos/as. Os maus-tratos
físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais e
físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais e
ofensas sexuais praticados sobre pessoas
ofensas sexuais praticados sobre pessoas
particular-mente indefesas em razão da idade (as crianças, por
mente indefesas em razão da idade (as crianças, por
exemplo) constituem crime de violência doméstica.
exemplo) constituem crime de violência doméstica.
Recursos e
Recursos e
equipamentos para
equipamentos para
a infância
a infância
Destinam-se a crianças que frequentam creches e
Destinam-se a crianças que frequentam creches e
jardins de infância.
8 8
A violência doméstica...
A violência doméstica...
¬
¬
Ocorre em todas as idades e grupos étnicos,Ocorre em todas as idades e grupos étnicos,socioeconómicos, educacionais, profissionais e
socioeconómicos, educacionais, profissionais e
religiosos;
religiosos;
¬
¬
Ocorre em situações de relacionamento íntimo ouOcorre em situações de relacionamento íntimo oufamiliar;
familiar;
¬
¬
Envolve um comportamento continuado que podeEnvolve um comportamento continuado que podeincluir diferentes tipos de abusos: agressão física,
incluir diferentes tipos de abusos: agressão física,
abuso psicológico, emocional e económico, e o uso
abuso psicológico, emocional e económico, e o uso
de crianças (ver
de crianças (verRoda do poder e controlo Roda do poder e controlo , pág. 9 );, pág. 9 );
¬
¬
É usada para intimidar, humilhar ou amedrontar asÉ usada para intimidar, humilhar ou amedrontar asvítimas como uma forma sistemática de
vítimas como uma forma sistemática de
manuten-ção de poder e controlo sobre as mesmas;
ção de poder e controlo sobre as mesmas;
¬
¬
É um comportamento violento e abusivo que, naÉ um comportamento violento e abusivo que, namaioria dos casos, foi aprendido pelo/a agressor/a
maioria dos casos, foi aprendido pelo/a agressor/a
(comportamento abusivo moldado na família de
(comportamento abusivo moldado na família de
origem; comportamento abusivo recompensado –
origem; comportamento abusivo recompensado –
obtém resultados desejados para o/a agressor/a);
obtém resultados desejados para o/a agressor/a);
¬
¬
É causada pelo/a agressor/aÉ causada pelo/a agressor/a e não pela vítima e não pela vítimaou pela relação;
ou pela relação;
O que é?
O que é?
Entender a violência doméstica ajuda-nos
Entender a violência doméstica ajuda-nos
a apoiar as crianças em risco.
a apoiar as crianças em risco.
¬
¬
É uma ofensa criminal, na qual é utilizada força ouÉ uma ofensa criminal, na qual é utilizada força ouameaça de força física, psicológica ou sexual;
ameaça de força física, psicológica ou sexual;
¬
¬
Afeta, de Afeta, de formaformas s diferediferentes, homens e ntes, homens e mulhermulheres:es:as estatísticas nacionais e internacionais
as estatísticas nacionais e internacionais
demons-tram que as mulheres são vítimas de mais
tram que as mulheres são vítimas de mais
violên-cia, de formas mais graves de violência e sofrem
cia, de formas mais graves de violência e sofrem
danos mais graves, durante toda a vida, do que os
danos mais graves, durante toda a vida, do que os
homens;
homens;
¬
¬
Representa um risco acrescido para a vítima eRepresenta um risco acrescido para a vítima efilhos/as no momento da separação ou divórcio;
filhos/as no momento da separação ou divórcio;
¬
¬
Resulta num comportamento da vítima centrado emResulta num comportamento da vítima centrado emgarantir a sua sobrevivência (minimizar ou negar a
garantir a sua sobrevivência (minimizar ou negar a
violência, assumir a responsabilidade pela violência,
violência, assumir a responsabilidade pela violência,
proteger o/a agressor/a, utilizar álcool ou drogas,
proteger o/a agressor/a, utilizar álcool ou drogas,
autodefesa, procurar ajuda, permanecer numa
autodefesa, procurar ajuda, permanecer numa
relação abusiva).
relação abusiva).
¬
¬
Quem for condenado pelo crime de violênciaQuem for condenado pelo crime de violênciadoméstica pode vir a ser inibido do exercício d
doméstica pode vir a ser inibido do exercício de res-e
res-ponsabilidade parental ou de tutela, por um período
ponsabilidade parental ou de tutela, por um período
determinado.
USAR USAR O ABUSO O ABUSO ECONÓMICO ECONÓMICO Impedir a vítima de arranjar
Impedir a vítima de arranjar
/manter um emprego.
/manter um emprego.
Obrigar a pedir dinheiro seja
Obrigar a pedir dinheiro seja
para o que for.
para o que for.
Dar uma mesada.
Dar uma mesada.
Retirar-lhe o seu dinheiro.
Retirar-lhe o seu dinheiro.
Não a informar
Não a informar dos rendimentosdos rendimentos
familiares ou impedir o acesso aos mesmos.
familiares ou impedir o acesso aos mesmos.
USAR USAR A COAÇÃO A COAÇÃO E AMEAÇAS E AMEAÇAS Fazer/cumpri
Fazer/cumprir r ameaçasameaças
de magoar a vítima.
de magoar a vítima.
Ameaçar apres
Ameaçar apresentar (ou efetiventar (ou efetivamenteamente
apresentar) queixa contra a vítima.
apresentar) queixa contra a vítima.
Ameaçar aba
Ameaçar abandonar a vítima.ndonar a vítima.
Ameaçar suic
Ameaçar suicidar-se.idar-se.
Obrigar a vítima a retirar
Obrigar a vítima a retirar
uma queixa.
uma queixa.
Obrigar a vítima a
Obrigar a vítima a
praticar atos ilegais.
praticar atos ilegais.
USAR USAR
A INTIMIDAÇÃO A INTIMIDAÇÃO Provocar medo na vítima.
Provocar medo na vítima.
através de olhares, gestos, atos
através de olhares, gestos, atos
Danificar objetos.
Danificar objetos.
Destruir bens/pertences da vítima.
Destruir bens/pertences da vítima.
Agredir animais
Agredir animais de estimação.de estimação.
Exibir armas.
Exibir armas. USAR OUSAR O
ABUSO ABUSO EMOCIONAL EMOCIONAL Desmoralizar, fazendo Desmoralizar, fazendo
com que a vítima se sinta
com que a vítima se sinta
mal consigo própria.
mal consigo própria.
Insultar a vítima.
Insultar a vítima.
Fazer com que a vítima
Fazer com que a vítima se considere louca.se considere louca.
Utilizar “jogos
Utilizar “jogos psicológicos”.psicológicos”.
Humilhar a vítima.
Humilhar a vítima.
Fazer com que a vítima
Fazer com que a vítima se sinta culpada.se sinta culpada.
ISOLAMENTO ISOLAMENTO Controlar o que a vítima faz, com quem se
Controlar o que a vítima faz, com quem se
encontra e fala, o que lê, onde vai.
encontra e fala, o que lê, onde vai.
Limitar as suas atividades fora de casa.
Limitar as suas atividades fora de casa.
Usar o ciúme para justificar
Usar o ciúme para justificar
os seus atos
os seus atos abusivos/violenabusivos/violentostos
MINIMIZAR, MINIMIZAR, NEGAR NEGAR E CULPAR E CULPAR
Desvalorizar o abuso, não
Desvalorizar o abuso, não
levar a sério as
levar a sério as preocupaçõespreocupações
da vítima sobre o
da vítima sobre o assunto.assunto.
Negar que houve violência ou agressão.
Negar que houve violência ou agressão.
Transferir a responsabilidade pelo
Transferir a responsabilidade pelo
comportamento abusivo,
comportamento abusivo,
dizer que foi a vítima que
dizer que foi a vítima que
causou a situação causou a situação USAR USAR AS CRIANÇAS AS CRIANÇAS Fazer com que a vítima se
Fazer com que a vítima se
sinta culpada em relação
sinta culpada em relação
aos/às filhos/as.
aos/às filhos/as.
Usar as crianças para enviar
Usar as crianças para enviar
mensagens.
mensagens.
Usar as visitas aos/às filhos/as
Usar as visitas aos/às filhos/as
para assediar.
para assediar.
Ameaçar tirar
Ameaçar tirar as/osas/os
filhas/os. filhas/os. UTILIZAR UTILIZAR PRIVILÉGIOS MACHISTAS PRIVILÉGIOS MACHISTAS Fazer prevalecer o papel Fazer prevalecer o papel
tradicional do homem tradicional do homem
Tra
Tratar a tar a vítima como alguém inferior,vítima como alguém inferior,
tomando todas as decisões
tomando todas as decisões
importantes.
importantes.
Agir como “
Agir como “rei e senhor rei e senhor ”,”,
sendo o único a definir
sendo o único a definir
o papel do homem o papel do homem e da mulher. e da mulher. 9 9
Roda do poder
Roda do poder
e controlo
e controlo
Desenvolvido peloDesenvolvido peloDomestic Abuse Intervention Project Domestic Abuse Intervention Project , 202 E. Superior St., Duluth, MN 55802. Mais informações disponíveis, 202 E. Superior St., Duluth, MN 55802. Mais informações disponíveis
em:
10 10
Dados disponíveis
Dados disponíveis
sobre violência
sobre violência
doméstica em
doméstica em
Portugal
Portugal
AA amplitude amplitude da da violênciviolência a física física e e sexual sexual vivenciavivenciada da pelas pelas mulheres mulheres estende-estende-se se a a toda toda a a União União Europeia. Europeia. DeDe
acordo com um estudo recente
acordo com um estudo recente11 da FRA - Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, uma em da FRA - Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, uma em
cada três mulheres sofreu alguma forma de agress
cada três mulheres sofreu alguma forma de agressão física e/ou sexual desde a idade de ão física e/ou sexual desde a idade de 15 anos. Cerca de15 anos. Cerca de
8% das mulheres foram vítimas de
8% das mulheres foram vítimas de violência física e/ou sexual nos violência física e/ou sexual nos 12 meses anteriores à entrevista realizada.12 meses anteriores à entrevista realizada.
A
A violênciviolência ca contra ontra as muas mulheres lheres acontece, acontece, principalmprincipalmente, ente, em em relacionamrelacionamentos entos íntimos. íntimos. Num Num total total de de 42 42 000000
mulheres entrevistada
mulheres entrevistadas nos s nos 28 Estados-Membros da União Europeia, 22% daquelas que 28 Estados-Membros da União Europeia, 22% daquelas que têm ou tiveram umatêm ou tiveram uma
relação com um homem foram vítimas de violência física e/ou
relação com um homem foram vítimas de violência física e/ou sexual.sexual.
Em Portugal, de acordo com
Em Portugal, de acordo com os dados do Ministério da os dados do Ministério da Administração InternaAdministração Interna, nos últimos , nos últimos cinco anos, foramcinco anos, foram
contabilizadas 117 000 vítimas de violência doméstica, o que significa uma média de 64
contabilizadas 117 000 vítimas de violência doméstica, o que significa uma média de 64 vítimas por dia. Na suavítimas por dia. Na sua
grande maioria, as vítimas são mulheres adultas com 25 ou
grande maioria, as vítimas são mulheres adultas com 25 ou mais anos de idade.mais anos de idade.
A vi
A violência olência doméstica doméstica assume assume muitas muitas vezes vezes contornos contornos de exde extrema trema gravidade, gravidade, podendo podendo inclusivinclusivamente amente levar levar àà
morte. Relativamente a homicídios ocorridos em contexto conjugal ou relação análoga, o Relatório Anual de
morte. Relativamente a homicídios ocorridos em contexto conjugal ou relação análoga, o Relatório Anual de
Segurança Interna (RASI) para o ano de 2013 aponta 30 vítimas do sexo feminino e 10 do sexo masculino,
Segurança Interna (RASI) para o ano de 2013 aponta 30 vítimas do sexo feminino e 10 do sexo masculino,
sendo que o mesmo relatório para o ano de
sendo que o mesmo relatório para o ano de 2014 indica que todas as vítimas no 2014 indica que todas as vítimas no referido contexto são do sexoreferido contexto são do sexo
feminino (25 mulheres). Os dados referentes à violência doméstica constantes no RASI informam que das
feminino (25 mulheres). Os dados referentes à violência doméstica constantes no RASI informam que das
27 317 ocorrências no ano
27 317 ocorrências no ano de 2014, foram presenciadas por menores 38% das situações.de 2014, foram presenciadas por menores 38% das situações.
De acordo com a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, tem havido um aumento
De acordo com a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, tem havido um aumento
crescente de sinalizações de situações de perigo decorrentes da exposição de crianças e jovens à violência
crescente de sinalizações de situações de perigo decorrentes da exposição de crianças e jovens à violência
doméstica. Segundo o Relatório de 2014
doméstica. Segundo o Relatório de 201422foram instaurados 30 356 novos processos, sendo que a foram instaurados 30 356 novos processos, sendo que a exposiçãoexposição
a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e desenvolvimento da criança é a
a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e desenvolvimento da criança é a primeira causa queprimeira causa que
motiva a intervenção das CPCJ
motiva a intervenção das CPCJ (28,2%). Das situações relativas a esta problemática foi (28,2%). Das situações relativas a esta problemática foi possível identificar quepossível identificar que
95,3% correspondem a situações de
95,3% correspondem a situações de violência doméstica.violência doméstica.
1
1 European Union Agency for Fundamental Rights (2014) - European Union Agency for Fundamental Rights (2014) - Violence against women: an EU-wide survey main result.Violence against women: an EU-wide survey main result. Luxembourg: Publications Office of the European Union.
Luxembourg: Publications Office of the European Union.
2
2 Comissão Nacional de Proteção de CriançComissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco -as e Jovens em Risco -Relatório anual de avaliação da atividade das ComissõesRelatório anual de avaliação da atividade das Comissões
de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).
11 11
Impacto
Impacto
nas crianças
nas crianças
Assistir
Assistir
, ouvir
, ouvir
ou ter
ou ter
conhecimento de atos de
conhecimento de atos de
violência
violência
praticados contra a mãe ou pai
praticados contra a mãe ou pai
constitui uma ameaça ao
constitui uma ameaça ao
sentimento de estabilidade e segurança da criança que
sentimento de estabilidade e segurança da criança que
deve ser proporcionado pela
deve ser proporcionado pela
família.
família.
As crianç
As crianças nestas cas nestas circunstircunstâncias poâncias poderão sofrederão sofrer der de
maiores problemas emocionais e comportamentais.
maiores problemas emocionais e comportamentais.
Estes problemas podem manifestar-se por reações
Estes problemas podem manifestar-se por reações
traumáticas de stress (perturbações do sono,
traumáticas de stress (perturbações do sono,
rea-ções intensificadas de pânico, preocupação
ções intensificadas de pânico, preocupação
cons-tante sobre um possível perigo).
tante sobre um possível perigo).
As crianças que convi
As crianças que convivem com a violência doméstvem com a violência domésticaica
estão expostas a um maior risco de sofrer danos
estão expostas a um maior risco de sofrer danos
físicos ou abusos na infância (físicos, emocionais).
físicos ou abusos na infância (físicos, emocionais).
As
As criançcrianças as poderão poderão manifemanifestar star uma uma forte forte ambiva-
ambiva-lência para com a mãe/ o pai violento/a: o afeto
lência para com a mãe/ o pai violento/a: o afeto
coexiste com o ressentimento e o desapontamento.
coexiste com o ressentimento e o desapontamento.
As
As criançcrianças as poderão poderão imitar imitar e e aprendaprender er as as atitudatitudeses
e os comportamentos moldados quando ocorrem
e os comportamentos moldados quando ocorrem
maus-tratos por parte do/a pai/mãe.
maus-tratos por parte do/a pai/mãe.
A exposiç
A exposição à violêão à violência podncia poderá tornerá tornar a criar a criança menança menosos
sensível ao comportamento agressivo. Quando tal
sensível ao comportamento agressivo. Quando tal
acontece, a agressão tende a tornar-se “normal” e
acontece, a agressão tende a tornar-se “normal” e
tem menos probabilidade de causar preocupação
tem menos probabilidade de causar preocupação
nas crianças.
nas crianças.
O/A agressor/a poderá utilizar os filhos ou filhas
O/A agressor/a poderá utilizar os filhos ou filhas
como uma tática de controlo das vítimas.
como uma tática de controlo das vítimas.
Seguem-se alguns exemplos:
Seguem-se alguns exemplos:
¬
¬
Afirmar Afirmar que o que o mau comau comportamento mportamento das cridas criançasançasé a razão das agressões contra a vítima adulta;
é a razão das agressões contra a vítima adulta;
¬
¬
Fazer ameaças de violência contra as criançasFazer ameaças de violência contra as criançase os seus animais de estimação diante da vítima
e os seus animais de estimação diante da vítima
adulta;
adulta;
¬
¬
Manter as crianças como reféns ou raptá-lasManter as crianças como reféns ou raptá-lascomo uma forma de castigar a vítima adulta ou
como uma forma de castigar a vítima adulta ou
obter condescendência;
obter condescendência;
¬
¬
Contar às crianças coisas negativas sobre oContar às crianças coisas negativas sobre ocomportamento da vítima.
12 12
POTENCIAL IMPACTO DA VIOLÊNCIA
POTENCIAL IMPACTO DA VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA
DOMÉSTICA
Os barulhos e imagens visuais fortes associadas à
Os barulhos e imagens visuais fortes associadas à
violência podem ser perturbadores.
violência podem ser perturbadores.
Mãe/Pai pode não ser capaz de responder
Mãe/Pai pode não ser capaz de responder
consisten-temente às necessidades das crianças, o que poderá
temente às necessidades das crianças, o que poderá
afetar negativamente a relação pai/mãe-filho/a.
afetar negativamente a relação pai/mãe-filho/a.
O medo e a instabilidade podem inibir a exploração e as
O medo e a instabilidade podem inibir a exploração e as
brincadeiras; a imitação nas brincadeiras poderá estar
brincadeiras; a imitação nas brincadeiras poderá estar
relacionada com um testemunho de agressão.
relacionada com um testemunho de agressão.
As
As interações interações observadaobservadas s conduzem conduzem a a aprendizagaprendizagensens
sobre agressão.
sobre agressão.
As crianças podem:
As crianças podem:
Manifestar formas pouco saudáveis de exprimir a raiva
Manifestar formas pouco saudáveis de exprimir a raiva ee
a agressão, possivelmente confundidas por mensagens
a agressão, possivelmente confundidas por mensagens
dissonantes (“o que vejo”
dissonantes (“o que vejo” versus versus “o que me dizem”). “o que me dizem”).
Atr
Atribuibuir ir frfrequequententemeemente nte a a vioviolênlência cia a a algalgo o que que tentenhaham m feifeito.to.
Fazer uma aprendizagem dos papéis de género
Fazer uma aprendizagem dos papéis de género
asso-ciados à violência e à vitimização.
ciados à violência e à vitimização.
Manifestar comportamentos regressivos. A instabilidade
Manifestar comportamentos regressivos. A instabilidade
poderá inibir a independência.
poderá inibir a independência.
As crianças podem apresentar
As crianças podem apresentar::
Maior consciência das próprias reações à violência no
Maior consciência das próprias reações à violência no
lar e do seu impacto nos demais (p. ex., preocupações
lar e do seu impacto nos demais (p. ex., preocupações
relativas à segurança da mãe, queixa contra o
relativas à segurança da mãe, queixa contra o pai).pai).
Maior suscetibilidade para adotar racionalizações
Maior suscetibilidade para adotar racionalizações
ouvi-das como forma de justificar a violência (p. ex., o álcool
das como forma de justificar a violência (p. ex., o álcool
provoca a violência; a vítima
provoca a violência; a vítima mereceu a agressão).mereceu a agressão).
Menor capacidade de aprendizagem devido ao impacto
Menor capacidade de aprendizagem devido ao impacto
da violência (distração); poderão ignorar os conceitos
da violência (distração); poderão ignorar os conceitos
positivos, selecionando ou fixando apenas os
positivos, selecionando ou fixando apenas os conceitosconceitos
negativos.
negativos.
Maior estereotipia (aprendida) sobre os papéis de género
Maior estereotipia (aprendida) sobre os papéis de género
em associação com a violência conjugal (homens =
em associação com a violência conjugal (homens =
agressores / mulheres = vítimas).
agressores / mulheres = vítimas).
ASPETOS ESSENCIAIS ASPETOS ESSENCIAIS DO DESENVOLVIMENTO DO DESENVOLVIMENTO
Crianças dos
Crianças dos
0 aos 3 anos
0 aos 3 anos
de idade
de idade
Crianças
Crianças
em idade
em idade
pré-escolar
pré-escolar
Numa perspetiva de Numa perspetiva de continuidade para continuidade para o ensino básico é o ensino básico é necessário ter em necessário ter em consideração a fase consideração a fase etária: etária:Crianças em
Crianças em
idade escolar
idade escolar
(6-11 anos)
(6-11 anos)
Exploram o mundo que as
Exploram o mundo que as
rodeia através dos sentidos.
rodeia através dos sentidos.
Estabelecem relações
Estabelecem relações
seguras.
seguras.
Exploram mais ativamente
Exploram mais ativamente
o seu mundo e aprendem
o seu mundo e aprendem
através das brincadeiras.
através das brincadeiras.
Aprendem sobre interação
Aprendem sobre interação
e relacionamentos sociais
e relacionamentos sociais
através do que ouvem
através do que ouvem
e observam na família.
e observam na família.
Ap
Aprerendndem em a a exexprpresessasar, r, dede
formas apropriadas, a agressão
formas apropriadas, a agressão
e a raiva, assim como outras
e a raiva, assim como outras
emoções.
emoções.
Constroem ideias sobre o papel
Constroem ideias sobre o papel
de homens e mulheres com
de homens e mulheres com
base em mensagens sociais.
base em mensagens sociais.
Ad
Adququirirem em auautotononomimia a e e inindedepepen-
n-dência
dência física física (vestir-se, (vestir-se, etc.).etc.).
.
.
Adquirem maior consciência
Adquirem maior consciência
emocional de si próprias
emocional de si próprias
e dos demais.
e dos demais.
Tornam mais complexa a
Tornam mais complexa a
forma como julgam o bem
forma como julgam o bem
e o mal: ênfase na justiça
e o mal: ênfase na justiça
e na intenção.
e na intenção.
Maior impacto do sucesso
Maior impacto do sucesso
escolar e social no
escolar e social no
auto-conceito.
auto-conceito.
Maior identificação com
Maior identificação com
pares do mesmo sexo.
pares do mesmo sexo.
Potenciais impactos
Potenciais impactos
em diferentes idades
13 13
¬
¬
Mal-estar físicoMal-estar físico (dor de cabeça, dor de (dor de cabeça, dor de barriga);barriga);¬
¬
Ansiedade com a separaçãoAnsiedade com a separação (além do que seria(além do que serianormal para a idade da criança);
normal para a idade da criança);
¬
¬
Dificuldade em dormirDificuldade em dormir (medo de adormecer);(medo de adormecer);¬
¬
Comportamento agressivo crescente e sen-Comportamento agressivo crescente esen-timentos de raiva
timentos de raiva (infligir maus tratos físicos a si(infligir maus tratos físicos a si
própria ou às/aos outras/os);
própria ou às/aos outras/os);
¬
¬
Preocupação constante sobre um possívelPreocupação constante sobre um possívelperigo;
perigo;
¬
¬
Aparente perda de aptidões anteriormenteAparente perda de aptidões anteriormenteadquiridas
adquiridas (uso da casa de banho, calçar-se(uso da casa de banho, calçar-se
sózinha).
sózinha).
Sinais de alerta
Sinais de alerta
Sugerimos que as famílias procurem ajuda para as
Sugerimos que as famílias procurem ajuda para as
crianças
crianças
junto de um/a
junto de um/a
médico/a, psicólogo/a ou numa organizacão
médico/a, psicólogo/a ou numa organizacão
de apoio à família, quando o comportamento da criança:
de apoio à família, quando o comportamento da criança:
¬
¬
For fisicamente prejudicial a ela própria ou aos demais
For fisicamente prejudicial a ela própria ou aos demais
(cortar a roupa com
(cortar a roupa com
uma tesoura, deitar
uma tesoura, deitar
-se na rua, etc.);
-se na rua, etc.);
¬
¬
For
For
tão
tão
intenso
intenso
que
que
interfira
interfira
com
com
o
o
desenvolvimento
desenvolvimento
das
das
atividades do
atividades do
quotidiano;
quotidiano;
¬
¬
Não responder às estratégias básicas de educação de infância;
Não responder às estratégias básicas de educação de infância;
¬
¬
Persistir no tempo (3 a 6
Persistir no tempo (3 a 6
semanas).
semanas).
Quando convivem com a violência
Quando convivem com a violência doméstica as crianças podem apresentar alguns dos seguintes problemasdoméstica as crianças podem apresentar alguns dos seguintes problemas
(importa contudo salientar que as crianças podem apresentar estes
(importa contudo salientar que as crianças podem apresentar estes mesmos problemas por muitas outrasmesmos problemas por muitas outras
razões, sem que tenham sido ex
razões, sem que tenham sido expostas à violência doméstica).postas à violência doméstica).
¬
¬
Perturbações alimentares;Perturbações alimentares;¬
¬
Afastamento dos/das outros/as e das ativi-Afastamento dos/das outros/as e dasativi-dades;
dades;
¬
¬
Falta de interesse ou incapacidade de exprimirFalta de interesse ou incapacidade de exprimirsentimentos sobre qualquer coisa;
sentimentos sobre qualquer coisa;
¬
¬
Preocupação excessiva sobre a segurançaPreocupação excessiva sobre a segurançados entes queridos
dos entes queridos (necessidade de ver os(necessidade de ver os
irmãos ou irmãs durante o dia, perguntar
irmãos ou irmãs durante o dia, perguntar
constan-temente pela mãe);
temente pela mãe);
¬
¬
Dificuldade em escolher ou concluir umaDificuldade em escolher ou concluir umaatividade ou tarefa;
atividade ou tarefa;
¬
¬
Alto nível de atividade, agitação física cons-Alto nível de atividade, agitação físicacons-tante e/ou dificuldade em concentrar-se
tante e/ou dificuldade em concentrar-se
a níveis atípicos para a idade ou fase de
a níveis atípicos para a idade ou fase de
desenvolvimento da criança.
14 14
As
As criançacrianças s podem podem benefibeneficiar ciar também também de de apoiosapoios
informais na comunidade. As intervenções devem
informais na comunidade. As intervenções devem
ser-vir para preservar contactos positivos das crianças com
vir para preservar contactos positivos das crianças com
pessoas que lhes são importantes (p. ex., avôs e avós),
pessoas que lhes são importantes (p. ex., avôs e avós),
bem como uma participação continuada das crianças
bem como uma participação continuada das crianças
em atividades fora de casa (serviços de apoio à infância,
em atividades fora de casa (serviços de apoio à infância,
atividades de natureza religiosa, entre outras.)
atividades de natureza religiosa, entre outras.)
Lembre-se que as perturbações de
Lembre-se que as perturbações de
comportamen
comportamen
to das
to das
crianças podem ter
crianças podem ter
várias razões.
várias razões.
Apes
Apesar ar de de preopreocupacupante, nte, a a exisexistênctência ia de de compcomportorta-
a-mentos problemáticos poderá ser explicada por diversos
mentos problemáticos poderá ser explicada por diversos
fatores na vida da criança. A exposição à violência
fatores na vida da criança. A exposição à violência
doméstica é apenas uma das possibilidades.
doméstica é apenas uma das possibilidades.
Acalmar as crianças e aumentar o seu
Acalmar as crianças e aumentar o seu
sentimento de segurança através de:
sentimento de segurança através de:
¬
¬
Criação de regras e rotinas simples Criação de regras e rotinas simples que permitamque permitamàs crianças saber o que esperar;
às crianças saber o que esperar;
¬
¬
Explicações simples sobre coisas que as preocupamExplicações simples sobre coisas que as preocupam(por ex. barulhos);
(por ex. barulhos);
¬
¬
Possibilidade Possibilidade de de se se expressarem expressarem naturalmentenaturalmenteatravés da linguagem e das brincadeiras.
através da linguagem e das brincadeiras.
Clarifique para si quais as preocupações
Clarifique para si quais as preocupações
relativas ao comportamento da criança,
relativas ao comportamento da criança,
antes de falar com o pai ou a mãe. Pense
antes de falar com o pai ou a mãe. Pense
sobre como expressar verbalmente a sua
sobre como expressar verbalmente a sua
preocupação. Descreva o comportamento
preocupação. Descreva o comportamento
sem o interpretar. Poderá ser-lhe útil
sem o interpretar. Poderá ser-lhe útil
con-siderar as seguintes perguntas:
siderar as seguintes perguntas:
¬
¬
Quais os comportamentos que são preocupantes?Quais os comportamentos que são preocupantes?¬
¬
Quando começaram a verificar-se?Quando começaram a verificar-se?¬
¬
Com que regularidade ocorrem?Com que regularidade ocorrem?Como agir em caso
Como agir em caso
de perturbações de
de perturbações de
comportamento
comportamento
É da responsabilidade das creches e jardins de
É da responsabilidade das creches e jardins de
in-fância, enquanto equipamentos de apoio à inin-fância,
fância, enquanto equipamentos de apoio à infância,
enquadrar organizacionalmente a intervenção das/os
enquadrar organizacionalmente a intervenção das/os
profissionais neste domínio específico. As/Os
profissionais neste domínio específico. As/Os
profis-sionais de apoio à infância poderão ajudar crianças
sionais de apoio à infância poderão ajudar crianças
em risco face à violência doméstica, tendo particular
em risco face à violência doméstica, tendo particular
atenção em:
atenção em:
¬
¬
Providenciar um meio acolhedor e de bem estar;Providenciar um meio acolhedor e de bem estar;¬
¬
Criar um ambiente de previsibilidade através doCriar um ambiente de previsibilidade através doestabelecimento de rotinas de apoio às crianças;
estabelecimento de rotinas de apoio às crianças;
¬
¬
Desenvolver estratégias para facilitar a adaptaçãoDesenvolver estratégias para facilitar a adaptaçãodas crianças às atividades (ver pág. 16-17);
das crianças às atividades (ver pág. 16-17);
¬
¬
Prestar apoio aos familiares nas estratégias ade-Prestar apoio aos familiares nas estratégiasade-quadas de cuidados infantis e disponibiliz
quadas de cuidados infantis e disponibilizar informa-ar
informa-ções sobre recursos (consultar
ções sobre recursos (consultarRecursos Recursos , pág. 32)., pág. 32).
E a Comunidade, o que pode fazer?
E a Comunidade, o que pode fazer?
As respostas a
As respostas a nível da nível da comunidade às situações comunidade às situações dede
violência doméstica deverão assegurar serviços
violência doméstica deverão assegurar serviços
conti-nuados acessíveis e coordenados que:
nuados acessíveis e coordenados que:
¬
¬
Forneçam segurança;Forneçam segurança;¬
¬
Promovam Promovam o o bem-estar bem-estar emocional emocional de de todas todas asasvítimas;
vítimas;
¬
¬
Submetam Submetam agressores/as agressores/as a a sanções sanções legais legais eeprogramas de reeducação.
programas de reeducação.
Alguma
Algumas s criançacrianças s afetaafetadas das pela pela violêncviolência ia podempodem
beneficiar do apoio de especialistas em
beneficiar do apoio de especialistas em
aconselha-mento familiar ou de programas para o trataaconselha-mento de
mento familiar ou de programas para o tratamento de
traumas infantis. Os/As especialistas fornecem aos
traumas infantis. Os/As especialistas fornecem aos
prestadores de cuidados as abordagens para apoiar
prestadores de cuidados as abordagens para apoiar
as necessidades das crianças (monitorizar o que estas
as necessidades das crianças (monitorizar o que estas
veem e ouvem na televisão, uma vez que podem ser
veem e ouvem na televisão, uma vez que podem ser
mais vulneráveis ao impacto prejudicial da violência dos
mais vulneráveis ao impacto prejudicial da violência dos
media
media ). As/Os especialistas podem também ajudar). As/Os especialistas podem também ajudar
diretamente as crianças a lidar com o stress traumático
diretamente as crianças a lidar com o stress traumático
e a expressar as suas emoções.