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A comunicação na teoria dos sistemas sócias de Niklas Luhmann

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Academic year: 2021

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A comunicação na teoria dos sistemas sócias de Niklas Luhmann

Talvanni Machado Ribeiro (1)

Orientador Fernando Tonet (2)

(1) Evolução dos modelos constitucionais autopoiéticos – IMED, Brasil. E-mail: [email protected]

(2) Evolução dos modelos constitucionais autopoiéticos – IMED, Brasil. E-mail: [email protected]

Resumo: O presente artigo pretende analisar através das observações oferecidas pela Teoria dos Sistemas Autopoiéticos de Niklas Luhmann, formas de estruturação da comunicação sistêmica, os objetivos do estudo passam por uma premissa básica, todas as formas de interação entre os sistemas sociais se dão pela comunicação intra e extra-sistemas, onde em sua evolução autopoiética demonstram a hipercomplexidade das relações sociais na atualidade.

Palavras-chave: Autopoiése; Comunicação; Sistemas Sociais.

Abstract: This article aims to analyze the observations offered by the theory of autopoietic systems of Niklas Luhmann, structured forms of communication systemic objectives of the study undergo a basic premise, all forms of interaction between social systems occur by communication within and extra-systems, which in their evolution demonstrate hypercomplexity autopoietic social relations today..

Keywords: Autopoiesis, Communication, Social Systems.

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A comunicação na teoria dos sistemas sociais de Luhmann tem papel fundamental, é o pressuposto principal para efetivação da teoria, é a partir da comunicação que o desenvolvimento ocorre, a comunicação é o resultado ocasionado pela própria comunicação, vez que durante a mesma ocorre uma síntese de seleções processadoras a qual Luhmann chama de informação, transmissão e compreensão, sendo que ambas tem em si próprias códigos binário limitadores, tais códigos binários podemos dizer que são os limitadores, o sim/não, ou seja, o que possibilita ou não, intrínsecos aos sistemas, no que tange a

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comunicação bem coloca Tonet, “a comunicação corresponde à unidade elementar de todos os sistemas sociais. O sistema depende do ato comunicativo para sobreviver” (TONET, 2013, p. 110), o sistema sem processo comunicativo não teria efetividade, não funcionaria de uma forma correta, pois ficaria parado no tempo.

Salienta Luhman quanto ao processo de comunicação, supracitado.

[...] cada comunicación debe comunicar al mismo tiempo que ella misma es una comunicación y debe hacer énfasis en quién y qué es ló que se ha dado a conocer, para que pueda determinarse la comunicación de enlace y para que la autopoiesis pueda continuar. La comunicacion no solo produce – mediante su pura realización como operación. (LUHMANN, 2006, p. 61)

A comunicação é sem dúvida básica a sociedade podemos considerar que ambas andam juntas e que não existe comunicação sem sociedade bem como não há sociedade sem comunicação. Rocha coloca que “para Luhmann na comunicação não se pode prescindir nem de operações comunicativas nem das estruturas. Não obstante, a própria comunicação não é possível de ser reduzida a ação comunicativa, pois ela abarca também a informação e o ato de comunicar” (ROCHA, 2011, p.14), ou seja a comunicação é muito mais complexa do que o simples ato de se comunicar, de trocar informações pois neste momento de onde há trocas de informações insurge novos fatos, novas compreensões acerca do que é o que está sendo comunicado, desta forma então é que se compreende que não é a comunicação simplesmente esta troca de informações mas sim a criação, indo alem da mera troca.

2 OBSERVAÇÃO

Considerando as observações como geradoras da comunicação, pressupostos de uma ponte de transição no sistema, onde se busca a autopoiese, se faz necessário observar alguns pontos, algumas condições de fato, a forma que é considerada a informação, ou seja a referência, Bechmann coloca que “transferindo para o sistema social, poder-se-ia dizer que a informação pode ser vista como uma referencia externa, a transmissão como auto-referencia e a compreensão como condição para a transferência de sentido em comunicações ulteriores” (BECHMANN, 2001, p. 193)

A comunicação, como base se da pela capacidade de observação Luhmann sustenta que “la comunicación es una operación provista de la capacidad de autoobservarse.” (LUHMANN, 2006, p. 61), a comunicação como bem coloca Luhmann, depende da capacidade de observar, vale aqui sustentar que a observação é de uma forma o “start” para o processo de comunicação.

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Para Luhmann a comunicação não é entendida como apenas uma troca de informações, a comunicação “é uma operação puramente social” (RODRIGUES, 2012, p. 60), a comunicação para Luhmann é geradora de comunicação, troca de informações, entre os sistemas, podemos dizer que a comunicação quando atualizada será sempre criação, produção e não somente uma mera transferência de conteúdo.

Para compreensão necessário é apontar alguns requisitos da teoria, a comunicação na teoria dos sistemas sociais de Luhmann se da entre os sistemas sociais. Sendo então a comunicação uma operação própria dos sistemas, esta comunicação é, no entanto o elemento chave de reprodução, desenvolvimento dos sistemas sociais, “o que a observação sistêmica faz é observar como os outro observam, portanto, constitui-se em uma observação de segunda ordem” (RODRIGUES, 2012, P. 41). É necessário relembrar que na teoria sistêmica de Luhmann a comunicação se da entre o sistema e o entorno.

A comunicação sistêmica de Luhmann ao contrário dos conceitos existentes no que tange puramente a comunicação não trata-se apenas de transferência de informações e para tanto Luhmann “propôs um conceito que argumenta que a unidade de comunicação é a síntese de três seleções.”(RODRIGUES, 2012, p. 62). Como já mencionado a comunicação não trata-se de trocas de informações, mas sim de uma produção, vez que na passagem pelas três seleções propostas por Luhmann geram uma comunicação atualizada. As três seleções consideradas são as seguintes a) informação b) ato de comunicação e c) compreensão.

É necessário frisar que o conceito de comunicação de Luhmann se diferencia em praticamente sua totalidade, abandonando muitos conceitos existentes, “a comunicação é uma operação mais precisa do que a ação, elemento central para a sociologia desde Max Weber” (RODRIGUES, 2012, p. 55). Contudo para entender melhor a comunicação se faz necessário observar elementos da teoria sistêmica de Luhmann, tais como a autopoise, a autoreferencia.

Ainda cabe falar que para Luhmann a comunicação é improvável, pois existem impeditivos, tais como a compreensão do que se quer transmitir, a valoração do conteúdo no tempo, sendo que normas podem ser válidas em determinados contextos, e o resultado esperado da comunicação, vez que mesmo a comunicação sendo entendida, compreendida, nada garante a aceitação, desta forma muito influência para compreensão a linguagem, a forma de comunicar. “Para Luhmann na comunicação não se pode prescindir nem de operações comunicativas nem das estruturas. Não obstante, a própria comunicação não é possível de ser produzida à ação comunicativa pois ela abarca também a informação e o ato de comunicar.” (ROCHA, 2011 p.14)

Por medio del lenguaje el desarrollo entrópico normal de la comunicación hacia la no-comunicación da un giro y se vuelve hacia la construcción de un modo de comunicación más complicado (sujeto a interpretación) que se apoya en lo ya

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dicho. A lo largo de este recorrido, la improbable autopoiesis de un sistema de comunicación se vuelve probable. Pero al mismo tiempo conserva su improbabilidad en el sentido de que —considerado el número infinito de otras posibilidades— cada enunciación determinada se vuelve extremadamente improbable. La clara delimitación del sistema hacia el exterior lleva a la construcción de complejidad estructurada, la cual, a su vez, vuelve improbable todo acontecer particular determinado en el sistema. ( LUHMANN, 2006, P. 163)

A linguagem reflete na totalidade da comunicação, é pressuposto e necessária para efetivação desta, desta forma se faz necessário “usar uma linguagem comum é utilizar elementos altamente reconhecíveis e facilmente identificáveis com a intenção de comunicar. Assim tudo o que não pertence à linguagem comum é sempre elemento estranho e criador de impossibilidades” (RODRIGUES, 2012, p.69).“Asi el proceso del lenguaje en su autodeterminacion se hace Independiente de las percepciones presupuestas de los participantes.” (LUHMANN, 2006, p. 163). na linguagem sempre ocorrerá limitações, o processo cognitivo é limitado se a linguagem utilizada for metafórica ou de difícil compreensão.

3 AUTOPOIESE

Para Luhmann o processo autopoiético é o processo de comunicação dos sistemas sendo estes sistemas fechados e abertos ao mesmo tempo, pode-se dizer que quanto mais fechado o sistema mais aberto ele é, ou seja, através de características exclusivas dos sistemas se da a comunicação.

Como disserta Tonet,

[...] o sistema autopoietico é composto de elementos que compõem o próprio sistema, caracterizando-o de forma autônoma e diferenciada perante o sistema e o ambiente. Dessa forma demarca suas próprias fronteiras, utilizando-se de seus elementos estruturais, referencias, códigos próprios de diferenciação. (TONET, 2013, p.109)

Em suma, a comunicação ocorre na criação autopoiética, ou seja o ato de comunicação se da por acabada , digamos que no momento da compreensão,“a autopoiese caracteriza-se pela redefinição da

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perspectiva de produção do sentido originário da linguagem signo, para uma ênfase na comunicação e auto reprodução com autonomia perante o ambiente a partir da ideia de sistema.” (ROCHA, 2011, p.10)

Tonet frisa que a comunicação é um próprio sistema autopoiético, responsável pela própria comunicação, ou seja, a comunicação é elementar ao sistema comunicativo.

[...] em síntese, a comunicação é um próprio sistema autopoiético, na medida em que, ao reduzir todas as operações da unidade do sistema, reproduz a si mesma “isso significa que o sistema de comunicação determina não só seus os seus elementos – que são em última instância, comunicação – como também suas próprias estruturas” a comunicação torna-se a unidade elementar do sistema. (TONET, 2013, p.111)

Ainda no que tange ao sentido comunicativo, o processo de entendimento e comunicação em questão Rocha coloca que.

[...] em ultima análise, para Luhmann, o sentido é produzido pela autopoiese, e a comunicação passa a ser elemento principal do Direito da sociedade sendo esta uma síntese de três momentos: informação, ato de comunicação e compreenção. (ROCHA, 2011 p.24)

Luhmann fala da comunicação simbolicamente generalizados, “o termo criado por ele é uma tentativa de especificar com rigor terminológico a expressão que Parsons já usava para definir dinheiro, o poder, a influencia, os compromissos morais, isto é, os meios de intercambio” (RODRIGUES, 2012, p.70) necessário observar que “Para luhmann estes meio não se formam a partir dos sistemas já diferenciados, mas, ao contrario, formam-se a partir de problemas da comunicação” (RODRIGUES, 2012, p.70), os problemas comunicativos são os geradores de irritações no sistema, fazendo que este se volte a si próprio afim de buscar uma resposta, desta forma ocorre a evolução.

A autopoiese, é a conclusão do processo comunicativo, ou seja, na essência é de fato o processo de comunicação sistêmico, vês que “a autopoiese conclui um sistema que produz a si mesmo, sendo autônomo em níveis de operação, se autorreproduzindo através de seus próprios elementos constitutivos”(TONET, 2013, p. 104), então, a autopoiese, é gerada por meio da produção comunicativa entre o próprio sistema, através de si próprio, parece redundante o fato de se produzir, ou, comunicar através de si próprio, desta forma demonstrando a hipercoplexidade inerente aos sistemas.

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4 CONCLUSÃO

Concluímos de todo modo que evidente é a hipercomplexidade presente no que tange ao tema em questão, a teoria sistêmica proposta por Luhmann, sem dúvida nenhuma é uma das mais completas e complexas existentes. No que refere-se à comunicação buscamos analisar a forma como esta se da, seu processamento, analisamos a autopoiese que se da devido a conclusão do processo comunicativo. Fica notória a importância da comunicação em uma sociedade sistêmica, pois esta, a comunicação é o pressuposto para o desenvolvimento sistêmico, evolução dos sistemas sociais.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECHMANN, Gotthard, Niklas Luhmann, 2001.

RODRIGUES, Leo Peixoto. Niklas Luhmann: a sociedade como sistema/ Leo Peixoto Rodrigues, Fabrício Monteiro Neves. – Porto Alegre: EDIPUC, 2012.

TONET, Fernando. Reconfiguração do constitucionalisno: evolução e modelos constitucionais sistêmicos na pós-modernidade/ Fernando Tonet. – 1. Ed. – Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2013.

Teoria do direito no século XXI: da semiótica à autopoiese. Rocha, Leonel Severo – artigo – 2011.

La sociedad de la sociedad. Traducción: Javier torres nafarrate. Ciudad de México: edición Heder, 2006.

7 AGRADECIMENTOS

Agradecimento especial ao professor e amigo Fernando Tonet, por possibilitar através do grupo de estudos “Evolução dos modelos constitucionais autopoiéticos”, o acesso à pesquisa, bem como por proporcionar meios para que possamos buscar um conhecimento além, agradecer pelo apoio incondicional e incentivo na busca do saber, ainda entendo meu agradecimento aos membros do grupo supracitado, vez que são indispensáveis poís, é na discussão, no debate que muitas vezes percebemos

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detalhes importantes que sozinhos não conseguiríamos perceber, como fala Tonet nossas horas de estudos nos fizeram ver coisas que não víamos, não porque não existiam, mas porque não eram observadas.

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