AVALIAÇÃO DE ENDO E ECTOPARASITAS EM OVINOS ARTUSO, Dienifer T¹; DACAMPO, Mariele¹; FLORES, Sabrina P¹; PELIZZONI, Eloise F¹; PICCOLI, Vanusa R¹. FLORES, Ricardo²; MAHL, Deise Luiza² OLIVEIRA, Daniela²; PIEROZAN, Morgana Karin²; ROSES, Thiago²; URIO, Elisandra A².
E-mail: [email protected]
RESUMO:A parasitologia é uma ciência de grande importância, pois a relação do parasita com o hospedeiro determina danos que podem oscilar de pequenos desconfortos até a morte do animal. Nesses termos e diante da importância de prevenção, o estudo apresenta o resultado de uma pesquisa de campo sobre endo e ectoparasitas em ovinos os endo foram avaliados, por meio da realização de exames clínicos de análise de sangue, urina e fezes, onde buscou-se detectar a prebuscou-sença ou não de parasitas em ovinos de quatro propriedades rurais da região Norte do Estado do Rio Grande do Sul, e bem como avaliar as práticas de manejo realizadas nas mesmas. Não foram encontrados ectoparasitas nos animais examinados. Verificou-se resultados dentro dos parâmetros normais nos exames de urina, apenas nos exames de fezes foram registrados a presença de ovos de parasitas causadores, em sua maioria de doenças hepáticas e gastrointestinais, sendo eles: NeoascarisVitulorum; Trichostrongylidoe, Strongyloide, Eimeria e Oocitos. Apesar destes, os hemogramas não atestaram alterações nos eosinófilos e nos demais parâmetros. Concluiu-se, de acordo com a literatura especializada consultada, que o aparecimento desses parasitas parece estar diretamente relacionado a fatores climáticos, como temperatura, umidade, condições de alimentação e manejo específicas de cada propriedade.
Palavras-Chave: endoparasitas; ectoparasitas; ovinos; hemogramas.
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¹ Acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária - Faculdade IDEAU/ Getúlio Vargas. ² Professores do Curso de Medicina Veterinária - Faculdade IDEAU/ Getúlio Vargas.
ABSTRACT: Parasitology is a science of great importance , since the relationship of the
parasite with the host determines that damage can range from minor discomfort to death of the animal. In these terms and considering the importance of prevention, the study presents the results of a field study on endo -and ectoparasites in sheep endo were evaluated by clinical examinations of analysis of blood, urine and feces , where we sought detect the presence or absence of parasites on sheep farms in the four northern state of Rio Grande do Sul , as well as to evaluate management practices carried out in the same . No ectoparasites were found in the animals examined . There was within normal parameters results in urine tests , stool tests only in were recorded eggs of parasites , mostly liver and gastrointestinal diseases , namely: NeoascarisVitulorum ; Trichostrongylidoe , Strongyloide , and Eimeriaoocysts . Despite these , the blood counts do not attested changes in eosinophils and other parameters . It was concluded , according to the specialized literature , the appearance of these parasites seems to be directly related to climatic factors such as temperature, humidity , feeding conditions and specific management of each property .
Keywords: endoparasites; ectoparasites; sheep;hemogram.
1 INTRODUÇÃO
As doenças parasitárias de ovinos têm diversas causas, dentre elas estão fatores como as condições climáticas da região e as práticas de manejo da criação, sendo a dieta ou nutrição um fator importante para o parasitismo. Animais que recebem alimentação de boa qualidade tendem a ser mais hábeis para enfrentar parasitoses. Além disso, podem apresentar aumento na resistência, limitando o estabelecimento de larvas infectantes, o desenvolvimento e a fecundidade dos nematódeos ou, até mesmo, causando a eliminação dos parasitas já estabelecidos no aparelho digestivo. Ainda, o alimento pode afetar diretamente os helmintos ao conter compostos antiparasitários, o que ocorre, por exemplo, com plantas ricas em tanino condensado (COOP & KYRIAZAKIS, 2001). A propósito da resistência, fatores etários, raciais, individuais e de condição fisiológica interferem na resposta do hospedeiro contra os parasitas.
No que se refere aos ectoparasitas, destaca-se a prevalência dos ácaros causadores da sarna, os piolhos, moscas e os carrapatos. Segundo Brito et. al. (2005), os ectoparasitas levam a diminuição do apetite e consequentemente ocasionam diminuição dos índices produtivos. Além disto, denigrem a qualidade do couro utilizado na indústria, da mesma forma que agressões físicas como arranhões por arame farpado, espinhos ou falha no processo de retirada da pele levam a elevadas perdas econômicas. Desta forma, o devido
conhecimento das ectoparasitoses auxilia o produtor na prevenção destes prejuízos.
A miíase é um termo utilizado como sinônimo de parasitose ocasionada por larvas de moscas das mais diferentes espécies, porém, neste radar, vamos dar uma atenção especial ao tipo mais comum de miíase em caprinos e ovinos, que é a miíase ocasionada pelas larvas da Cochilyomyiahominivorax. Este tipo de miíase é também chamado de bicheira e larva da lã entre outras designações. A Cochilyomyiahominivorax é conhecida popularmente como mosca varejeira, esta espécie de mosca põe vários ovos no mesmo local, diferentemente da Dermatobiahominis, causadora do berne que possui como característica a postura de apenas um ovo.
A sarna é uma ectoparasitose proveniente de ácaros das mais diferentes espécies. A sarna psoróptica é a mais frequente nos ovinos lanados e é ocasionada pelo Psoroptes ovis, que vive e se reproduz na pele dos animais, alimentando-se do extrato córneo e restos celulares. Os animais parasitados sofrem lesões na pele, que acarretam depleção na qualidade do couro e geram sinais como prurido, inquietação, movimentos de coçar com as patas, mordedura das partes afetadas, emagrecimento progressivo e queda de pelo e lã. O tipo de sarna mais comum em cabras é a causada pelo Psoroptescuniculi. Quanto aos piolhos, que são os ectoparasitas com maior frequência nos rebanhos brasileiros, a principal estratégia de controle é a manutenção de uma população reduzida dos mesmos, tanto nas instalações quanto no rebanho, através da utilização de vassoura de fogo nos apriscos e pulverizações com organofosforados ou piretróides, além da administração de antiparasitário do grupo das avermectinas.(CRESPILHO et. al, 2005).
Já os carrapatos são os ectoparasitas menos comum nos ovinos e quase ausentes nos caprinos, não possuindo tamanha importância como na bovinocultura. Geralmente o carrapato que parasita ovinos é o Boophilusmicroplus, muito frequente nos bovinos. Estes carrapatos parasitam os ovinos quando há pastagens superinfestadas, condição que ocorre em propriedades de clima úmido e quando há criação junto a bovinos, principalmente quando há algum grau de sangue taurino. Os carrapatos parasitam os ovinos nas regiões do corpo em que a pele é mais fina, ou seja, face interna da coxa, úbere, escroto, pavilhão auricular e ao redor dos
batoques. O tratamento e o controle destes ectoparasitas devem seguir o mesmo protocolo das sarnas (BRITO et. al, 2005).
No que se refere aos endoparasitas, a elevada prevalência, associada à grande patogenicidade, faz de Haemonchuscontortusum dos principais parasitas dos ovinos. Esse parasita é hematófago. As infecções pesadas eventualmente culminam com a morte do animal. Trichostrongyluscolubriformis, parasita do intestino delgado, é uma espécie muito comum em ovinos. Esses vermes lesam a mucosa intestinal, provocando exsudação de proteínas séricas para o intestino, em infecções com grande número de parasitas, os animais podem apresentar anorexia, diarreia e edema submandibular (REINECK, 1983). Com frequência os animais também são parasitados por Cooperiaspp.,Strongyloidesspp, e Oesophagostomumspp.
No entanto, as principais endoparasitoses são subclínicas e compreendem, principalmente, fezes diarreicas de coloração escura e, às vezes, com presença de muco e sangue, desidratação, perda do apetite, debilidade orgânica generalizada e perda de peso (HOWARD, 1986). Além dessas, Torres (1945) destaca a gastrinteriteverminótica. Em todos os casos, normalmente, o início da sintomatologia clínica coincide com o aparecimento de oocistos nas fezes (VIEIRA, 2000).
Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi a investigação da presença ou não de doenças parasitárias em ovinos criados em quatro diferentes propriedades rurais da região Norte do Rio Grande do Sul, associando a alterações hematológicas, (fezes, urina, ureia e hemograma)
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Animais Avaliados
O trabalho de campo compreendeu visitas a quatro propriedades rurais da região Norte do Rio Grande do Sul, entre os dias 26 de abril e 5 de maio de 2014. Em todas elas, investigou-se a presença ou não de ectoparasitas nos rebanhos. Para endoparasitas, foram selecionados de dois a quatro ovinos, nos quais foram realizados exames clínicos de sangue, fezes e urina, além de uma avaliação clínica. Os hemogramas foram realizados pelo Laboratório Lab Vita Análise Clínicas, na cidade de Erechim (RS). Já a análise das fezes e urina
foram realizadas no Laboratório de Análises do Instituto de Desenvolvimento do Alto Uruguai (Faculdade Ideau), na cidade de Getúlio Vargas (RS). As quatro propriedades também tiveram as condições de manejo e o controle de zoonoses avaliados.
A primeira propriedade visitada, em 26 de abril de 2014, localizava-se no município de Estação (RS). Nela, foram avaliados 11 animais para a presença de ectoparasitas e três para a avaliação de endoparasitas. O mesmo foi feito na segunda propriedade, visitada também em 26 de abril de 2014, na cidade de Getúlio Vargas (RS), onde foram avaliados dois animais para endo e cinco para ectoparasitas.
A terceira propriedade, localizada em Tapejara (RS), foi visitada em 30 de abril de 2014. Nesta propriedade, coletou-se apenas material para exames de sangue de três animais, avaliados quanto a endoparasitas. A quarta e última propriedade, localizada no município de Aratiba (RS), foi visitada em 05 de maio de 2014. Inicialmente, foram examinadas 37 ovelhas para ectoparasitas. Quatro delas foram submetidas a exames clínicos e tiveram sangue e fezes coletados, para a avaliação de endoparasitas.
2.2 Técnicas Utilizadas
Para a coleta de sangue, usou-se seringa EMBRAMAC 10 ml, Lote 1207113, e agulha BD Precision Glide 0,70 x 25mm (22G x 1”). Após ser coletado pela veia femural, o material foi colocado, imediatamente, no tudo VACUETTE 4 ml K3E K3 ácido etileno diaminotetracético (EDTA) Lote 1309008 e acondicionado em uma caixa de isopor na temperatura ambiente.
Já para a bioquímica (ureia), utilizou-se tubo 4 ml Labor IMPOT e ativador de coágulo Lote 20130520, os quais também foram acondicionados em caixa de isopor, na temperatura ambiente. Em seguida o material para hemograma foi levado ao laboratório citado anteriormente.
Na realização dos hemogramas, foram usados, como material, sangue com ácido etileno diaminotetracético (EDTA), e o método utilizado foi o equipamento automatizado KX 21n – Sysmex. Já para a análise da ureia, fez-se uso de soro, e do método Cinético U.V.
A coleta da urina aconteceu de forma natural. O material foi coletado diretamente em pote apropriado, disponível no laboratório, e também acondicionado em caixa de isopor, na temperatura ambiente. O mesmo foi feito com as fezes, que precisaram de estímulos manuais para ser coletadas. Tanto as fezes quanto a urina foram mantidas sob refrigeração, na geladeira, por dois dias até as análises. Esse protocolo foi seguido em todas as propriedades visitadas.
O exame de urina como foi realizado seguindo o método da fita: de pH onde, colocou-se a urina em um tubo de ensaio, mergulhou-se a fita por 2 minuto. A partir de então, avaliaram-se as cores e os resultados em até 60 segundos, citado por NCCLS (1992).
Para o exame de fezes, utilizou-se a técnica Hoffman, Pons e Janer, baseado em sedimentação simples, onde colocou-se o béquersobre a balança zerada e pesou-se 3 mg do material biológico. Em seguida, foram adicionados 30 ml de água destilada e esmagou-se a mistura, com auxílio do bastão de vidro, até homogenizá-la. Depois de ser coada, dentro de uma Placa de Petry e reservada por 15 minutos, a mistura teve uma gota retirada da parte superior com um conta-gotas. Esta foi aplicada sobre uma lâmina e coberta por uma lamínula. Só então, o material foi levado para a análise microscópica.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na primeira propriedade, não foram encontrados ectoparasitas em nenhum dos 11 animais examinados. Nela, constatou-se que o manejo e o controle de doenças do rebanho são realizados de forma correta. Para a análise de endoparasitas, foram selecionados 03 ovinos: destes, todos apresentaram mucosa (de olhos e boca) normal, frequência respiratória também normal, temperatura corporal entre 39ºC e 41ºC e frequência cardíaca levemente alterada, em função do estresse causado pela aferição. Nenhum destes animais apresentou edema e todos eles tinham cascos em boas condições de conservação e sem lesões.
Já na segunda propriedade, o controle de verminoses não se encontrava atualizado. No entanto, não foram encontrados ectoparasitas no rebanho. Para
os exames clínicos, selecionaram-se dois ovinos: o primeiro apresentou parâmetros normais de mucosas, temperatura corporal, frequência cardíaca e respiratória. Deste, foram coletados sangue e fezes. O segundo apresentou mucosas (olhos e boca) pálidas e não teve sangue coletado devido à dificuldade de se encontrar a veia adequada.
Quanto à terceira propriedade, o local apresentou manejo correto e controle de zoonoses e vacinação em dia. Também não foram encontrados ectoparasitas. Os exames clínicos, por sua vez, foram realizados em três animais: dois deles não apresentaram alterações, enquanto a terceira, prenhe, apresentava mucosas (olhos e boca) levemente pálidas. Nesta propriedade, coletou-se apenas material para exames de sangue.
Na quarta e última propriedade, constatou-se total conformidade quanto ao manejo, controle de zoonoses e calendário de vacinação dos animais. Inicialmente, foram examinadas 37 ovelhas, e nenhuma delas apresentou ectoparasitas. Quatro delas foram submetidas a exames clínicos e tiveram sangue e fezes coletados. Destas, todas apresentaram parâmetros normais, exceto uma, em estado de prenhez, cujas mucosas (olhos e boca) apresentaram-se levemente pálidas.
A análise dos resultados dos exames clínicos realizados em ovinos das quatro propriedades visitadas está apresentada na tabela 1.
Tabela 1 Hemogramas1 de Ovinos da Raça Santa Inês
ANIMAL IDADE AVALIAÇÃO
1 30 dias Normal
2 3 meses Normal
3 6 meses Normal
4 1 ano e 3 meses Normal
5 3 anos Normal
6 3 anos e 5 meses Normal
7 (prenhe de 3 meses e meio)
4 anos Hemácias: baixa
VCM: alto HCM: alto 8 (prenhe de 4 meses) 4 anos e 3 meses Hemácias: baixa
Leucócitos: alto Plaquetas: baixa
9 5 meses Normal
10 4 anos e meio Normal
11 7 anos Normal
Exame realizado no equipamento automatizado KX 21n – Sysmex Amostra de sangue com Edta. No laboratório Lab Vita Análises Clínicas, em Erechim RS. Fonte: Vanusa Piccoli (2014).
O fato de os exames revelarem anemia (perda de ferro) nas duas fêmeas prenhezes parece apontar para a toxemia da gestação, que resulta da inabilidade da fêmea em encontrar glicose requerida por seus múltiplos fetos nas últimas seis semanas de gestação (SARGISON, 2007; SMITH, 2002a). Essa condição é causada por um balanço energético negativo resultante do aumento da demanda energética devido ao rápido crescimento fetal no final da gestação e insuficiente ingestão (GONZÁLEZ & SILVA, 2006). A propósito, a toxemia da gestação é uma das principais doenças metabólicas que afetam ovelhas e cabras, causando perdas econômicas devido à substancial mortalidade entre esses animais, (ABDUL-AZIZ & AL-MUJALLI 2008). Também cabe ressaltar fatores como a baixa qualidade de alimentação, o tempo muito frio, a falta de exercício e o estresse por movimentação, os quais, da mesma forma, contribuem para o aumento da incidência da patologia em questão (SCHILD, 2007; SMITH, 2002a).
Nestes mesmos 11 ovinos foram realizados exames de ureia, com soro, pelo método Cinético U.V., no laboratório Lab Vita Análises Clínicas, em Erechim (RS). Com exceção do macho de 4 anos e meio, todos os outros animais apresentaram resultados alterados. Conforme Santos & Greco (2007),
o fornecimento de dietas ricas em proteína, principalmente com elevada quantidade de PDR, pode gerar um excesso de amônia no rúmen, que será detoxificada no fígado, pelo ciclo da ureia, com gasto de energia. Assim, o excesso de proteína ou de PDR na dieta pode elevar a concentração de N-ureico no sangue (ELROD et al., 1993).
Na tabela 2, é possível observar que o pH é alcalino, pois os valores do mesmo podem variar de 5-9. Em relação a proteína, obteve-se resultado falso-positivo, em função da urina fortemente alcalina (pH 9). No entanto, considera-se que tal resultado possa estar ligado ao fato de a urina ter permanecido em temperatura ambiente por mais de duas horas (NCCLS, 1992).
Tabela 2: Análise de bioquímica, pH e leucócitos em ovinos da raça Santa Inês (Animal 5) COMPONENTE AVALIAÇÃO Bilirrubinas Negativo Proteína ++100 (1.0) Nitrito Negativo Glicose Negativo PH 9.0 Densidade 1000 Leucócitos Negativo
Exame de urina realizado no Laboratório da Faculdade Ideau de Getúlio Vargas (RS) Método: Tiras para Urinálises URIQUEST. Tira da Labtest.Fonte: Vanusa Piccoli (2014).
O exame parasitológico de fezes de ruminantes pode estimar a carga parasitária através da contagem dos ovos dos parasitos presentes numa quantidade conhecida de fezes. Assim, realiza-se a contagem de ovos por grama de fezes (OPG). Este exame é realizado principalmente para auxiliar no controle parasitário de caprinos, ovinos e bezerros. É importante também para ajudar no diagnóstico da resistência anti-helmíntica.
Na técnica utilizada observou-se a presença de ovos de parasitas em quatro animais e oocistos em um, sendo que todos hemogramas apresentaram-se normais. Foram encontrados ovos semelhantes aos: parasitas NeoascarisVitulorum, Strongyloide, Trichostrongylidae e Oocistos, como apresentado na tabela 3.
Tabela3: Avaliação das fezes dos animais
ANIMAL IDADE PROPRIEDADE AVALIAÇÃO
12 2 meses 2ª NeoascarisVitulorum
9 5 meses 2ª Strongyloide
2 3 meses 1ª Família
Trichostrongylidae2
5 3 anos 1ª Oocistos
4 1 ano e 3 meses 4ª Oocistos
Exame de fezes realizado no Laboratório da Faculdade Ideau de Getúlio Vargas (RS) Fonte: Vanusa Piccoli (2014).
No primeiro animal citado acima, verificou-se sinais de anemia, mas não foi realizado hemograma.
O parasita Neoascarisvitulorum é um endoparasita de ampla distribuição em áreas tropicais que se instala na parte inicial do intestino delgado dos ruminantes. As fontes de infecção por essa espécie são a ingestão de larva pelo leite materno (MIA, 1975; STARKE, 1992) ou a infecção transplacentária(REFUERZO, 1954; CONNAN, 1985).O T. vitulorum pode causar pneumonia verminosa durante a migração, além de provocar, eventualmente, perfuração e obstrução intestinal (LEVINE, 1980), e seu índice de mortalidade varia entre 30% e 50% dos animais infectados (LÁU, 1999). O ciclo de vida desse parasito ocorre da seguinte forma: em temperaturas de 27 a 30ºC desenvolve-se a larva de 2º estágio no interior do ovo, tornando o mesmo infectante aos 17 dias (LEVINE, 1980). Temperaturas e umidade inferiores a 27,5ºC e 80% de umidade relativa (UR) são críticas e os ovos morrem antes de tornarem-se infectantes (ENYNIHI, 1969). A presença de ovos de T. vitulorum nas fezes pode ser diagnosticada da 2ª a 20ª semana de idade com maior concentração entre a 3ª e 4ª semanas (CONNAN, 1985). Após os quatro meses de idade ocorre a expulsão natural destes nematoides e, consequentemente, a queda brusca na contagem de ovos presentes nas fezes, o ovo semelhante ao deste parasita está demonstrado na figura 1.
Foto 1: NeoascariaVitulorum. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
O parasita Strongyloidesp, é umendoparasita que age no intestino delgado, duodeno e jejuno, causando enterite catarral com hemorragias petequiais no duodeno e jejuno, levando o animal à diarreia e à redução no ganho de peso, (MORGAN, 1949; VERGOS & PORTER, 1950; VERGORS 1954), citados por Levine (1980); (Griffths, 1974). Segundo Bathia (1992), este parasita é citado por muitos autores como o de maior prevalência em animais jovens.
A transmissão transcutânea de Strongyloidesp só ocorre através da penetração de larvas infectantes na pele através de fissuras, feridas e folículos pilosos. Ao penetrar no animal, as larvas chegam aos pulmões através de vasos sanguíneos. Nos pulmões as larvas rompem os alvéolos, migram na traqueia e passam para o esôfago onde são deglutidas. Os ovos produzidos pelas fêmeas adultas no intestino são eliminados nas fezes. No ambiente estes podem dar origem a larvas haploides, diploides ou triploides que originarão respectivamente adultos machos de vida livre, fêmeas de vida livre e fêmeas triploides com capacidade de realizar reprodução partogenética no ciclo direto. Os machos haploides e fêmeas diploides farão o ciclo indireto, se reproduzirão no ambiente dando origem a ovos triploides (FREITAS, 1976). Após serem ingeridas, as larvas triploides atingem o intestino delgado e chegam à forma adulta 120 horas após a infecção. No intestino delgado as fêmeas realizam a reprodução através de partenogênese (LEVINE, 1980), ondeos ovos semelhantes aos deste parasita encontrado nas amostras fecais está demonstrado na figura 2.
Foto 2: Strongyloides. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
A família Trichostrongylidae que são endoparasitas muito comuns em ruminantes, agridem o organismo do animal parasitado, causam alterações na área e no número de vilosidades do trato gastrointestinal, redução no número de glândulas funcionais do intestino e permitem a infiltração de linfócitos e outros leucócitos na lâmina própria. Ocorre um aumento da permeabilidade vascular e diminuição da atividade das enzimas digestivas (BENZ, 1985). Estas lesões são mais frequentes na mucosa do duodeno e na região proximal do jejuno devido à maior concentração dos trichostrongilídeos nesta região (SYMONS, 1969). As espécies animais susceptíveis aostrichostrongilídeos, quando parasitados, manifestam diarreia, anorexia, mucosas e membranas conjuntivas pálidas, perda de brilho dos pêlos, diminuição da conversão alimentar com emagrecimento progressivo, debilidade e edema submandibular (BENZ, 1985; GIBBS, 1986; FREITAS, 1976).
Existem épocas do ano em que as condições de meio ambiente são favoráveis ao desenvolvimento e à migração de larvas nematoides nas pastagens em países de clima tropical e temperado. A disseminação dostrichostrongilídeos entre os ruminantes é facilitada pela umidade durante a estação chuvosa (FREITAS, 1976; MELO, 1977; WILLIANS, 1986). Os manejos dos animais e da pastagem utilizados na propriedade também interferem diretamente na disponibilidade de larvas infectantes e na reinfecção dos animais.O desenvolvimento e eclosão da larva de primeiro estágio (L1) são influenciados principalmente pela temperatura e umidade.A água é um
importante veículo utilizado pelas larvas para a migração nas pastagens e infecção dos animais. As larvas também podem ser carreadas por tratores, patas de animais, transporte de esterco tornando-se disponíveis para infectar outros animais ou reinfectar o hospedeiro precedente(GREEVE, 1985; WILLIANS, 1986), os ovos encontrados semelhantes aos desta família, estão demonstrados nas figuras 3 e 4.
Foto 3: Família Trichostronngylidea. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
Foto 4: Avaliação de exemplar de família Trichostronngylidea a partir de ovos de ovinos. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
O protozoário Eimeriaé um endoparasita que ataca, sobretudo, ovinos jovens e causa enterite, embora a seja uma espécie pouco patogênica É própria de explorações com altas densidades populacionais, falta de higiene e estresse o contágio se dá pelo contato fecal-oral. O contágio inicial pode produzir-se nas primeiras semanas de vida, quando o borrego adquire oocistos
aderentes ao teto da ovelha. A partir da 2ª- 4ª semana os borregos podem iniciar a eliminação de oocistos, que pode ser aos milhões e logo num período em que os animais são muito sensíveis à doença. No aleitamento artificial a contaminação pode advir do período colostral, ou por contaminação fecal do alimento ou dos utensílios, mas é menos frequente se tomarem medidas corretas de higiene mais tarde, é possível a infecção a partir de oocistos sobreviventes do ano anterior, que podem ser muito numerosos nas pastagens, e são ingeridos pelos borregos que andam com as suas mães, especialmente se trata de pastoreio melhorado ou de outros cultivos de utilização secundária, que permitem elevada densidade de pastoreio (CORDERO DEL CAMPILLO & ROJO VÁZQUEZ, 2002), os oocistos encontrados semelhantes aos de Eimeria estão demonstrados nas figuras 5, 6 e 7.
Foto 5: Visualização de exemplar de oocisto a partir de ovos de ovinos. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
Foto 7: Idem anterior Oocitos. Fonte: Sabrina Pavan Flores (2014)
Convém ressaltar que conforme demonstraram os resultados dos exames clínicos, animais que apresentaram alterações em seus respectivos hemogramas não continham parasitas. Já os parasitados apresentaram hemogramas normais, uma vez que se tratava de parasitismo subclínico, caso em que os animais não apresentam sintomas da doença, apesar de terem a sua saúde e produtividade afetadas. Os animais com o sistema de defesas mais debilitado são os mais susceptíveis as doenças, podendo apresentar sintomas clínicos (PERRI, 2011).
4 CONCLUSÃO
As análises dos dados apresentam, ao mesmo tempo, a ausência de ectoparasitas e a presença de um número considerável de endoparasitas diversos, Neoscariavitulorum,Strongyloides, família Trichostronngylidea, Eimeriae Oocistos das espécies mais comuns, nos ovinos das propriedades visitadas. A explicação para tal fato parece estar diretamente relacionada às práticas de manejo adotadas pelos criadores da região Norte do Estado do Rio Grande do Sul. Dito de forma mais ampla, observa-se que as condições para o aparecimento dos parasitas encontrados estão diretamente ligadas aos cuidados com a higiene e com as condições climáticas a que os rebanhos são submetidos. Todos esses fatores, por sua vez, pressupõem a intervenção humana.
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