A PODA APICAL ACIMA DO QUARTO CACHO
1JOÊNES M. PELUZIO
2VICENTE W.D.CASALI
3NEI F. LOPES
4GLAUCO V. MIRANDA
3GIL R. DOS SANTOS
2RESUMO - Visando a estudar o comportamento da fonte e do dreno em tomateiro cultivar Kadá, após a poda apical acima do quarto cacho, foi realizado um experimento em condições de campo em Viçosa -MG. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com cinco repetições, sendo a par-cela constituída por duas fileiras com três plantas cada. Os tratamentos constaram de sete épocas de coleta das plantas de tomate, respectivamente aos 56, 63, 70, 77, 84, 91 e 98 dias após o transplante
(DAT). A poda da gema apical foi efetuada aos 51 dias após o transplante. Houve redução na razão de área foliar ao longo do período experimental e nas taxas de crescimento relativo e assimilatória líquida, a partir dos 65 e 69 dias após o transplante, respec-tivamente. A fonte, representada principalmente pelas folhas, foi o fator limitante ao crescimento dos frutos e órgãos vegetativos. O dreno, representado principalmente pelos frutos, apresentou crescimento contínuo.
TERMOS PARA INDEXAÇÃO: Tomateiro, poda, fonte, dreno.
BEHAVIOUR OF THE SOURCE AND OF THE SINK IN TOMATO
AFTER APICAL PRUNNING UPPER FOUR CLUSTER
ABSTRACT - In order to analyse the behaviour of the source and of the sink in the tomato plant, cv. Kadá, after apical prunning upper four cluster, an experiment was carried out in Viçosa - MG. The experimental design was a randomized complete block with five replications and seven treatments. Treatments consisted of seven dates harvest of the tomato plant, starting from 56 days after transplant until 98 days after transplant, with 7-days intervals. The experimental unit was composed to two
lines with three plants each. The apical prunning was carried from 51 days after transplant. The leaf area ratio decresead during all experiment while the relative growth rate and net assimilation rate began to decresead 65 and 69 days after transplant, respectively. The source, represented main at leaves, was limitedly from growth of the fruits and vegetative organ during all experiment. The drain, represented main at fruits, arose growth continuous during all experiment.
INDEX TERMS: Tomato, apical pruninng, source, sink. INTRODUÇÃO
Em tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) de crescimento indeterminado, a remoção da gema ter-minal (capação, desponte), bem como outros sistemas de poda para controle do porte da planta, são práticas culturais usadas sistematicamente e os efeitos sobre a produtividade e qualidade dos frutos têm sido variáveis (Jaramillo, Aguirre e Cabreira, 1972 e Mashio e Souza, 1982). Entretanto, tal prática tem se mostrado eficiente
na redução do uso de agrotóxicos e no custo de produ-ção (Campos et al., 1987).
Durante o crescimento, os fotoassimilados das folhas (fonte) são, em parte, utilizados no crescimento, sendo parcial e temporariamente armazenados sob a forma de amido e açúcares. Além disso, são também como exportados para outros órgãos da planta (Verkley e Chaela, 1988). Os locais onde os fotoassimilados são produzidos e utilizados denominam-se fonte e dreno, respectivamente (Shishido et al., 1990).
1. Parte da tese apresentada pelo primeiro autor à Universidade Federal de Viçosa, para obtenção do título de Magister Scientiae em Fitotecnia.
2. Fundação Universidade do Tocantins. 77410-470, Gurupi,TO. 3. Universidade Federal de Viçosa. 36571-000, Viçosa, MG. 4. Universidade Federal de Pelotas. 96.055-000, Pelotas, RS.
enviam seus fotoassimilados para a raiz, a planta de tomate é composta por diversas unidades de Fonte-Dreno, sendo cada uma constituída de órgãos vegetati-vos (três folhas e do caule) e órgãos reprodutivegetati-vos (fru-tos).Cada unidade Fonte-Dreno, quando desenvolvida, é auto-suficiente em fotoassimilados ou possui um po-tencial fotossintético maior que o necessário. Cada uni-dade desenvolve-se da inferior para a superior (Tanaka, Fujita e Kikuch, 1974).
A análise das características de crescimento vegetal pode ser usada para se estimar a produtividade biológica ou primária. A análise de crescimento expres-sa as condições morfo-fisiológicas da planta em intervalos de tempo, e se propõe a acompanhar a dinâmica da produ-ção fotossintética, avaliada por meio do acúmulo de maté-ria seca (Nieuwhof, Garretsen e Oeveren, 1991).
No presente trabalho, objetivou-se estudar o comportamento da fonte e do dreno em tomateiro, após a remoção da gema apical acima do quarto cacho, atra-vés do uso da análise de crescimento vegetal.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em Viçosa-MG (situada a 649m de altitude, 20º 45’S e 42º 54’W), no período de 04/09/89 a 11/01/90, em solo do tipo Po-dzólico Vermelho-Amarelo Câmbico, fase terraço, com textura argilosa, fertilidade média e topografía plana. O clima, segundo a classificação de Köppen, é do tipo CWa. A adubação básica de plantio foi de 150kg de N, 400kg de P2O5 e 250kg de K2O por hectare, nas for-mas de sulfato de amônio, superfosfato simples e clo-reto de potássio, respectivamente. Realizou-se uma adubação em cobertura 25 dias após o transplante, na dosagem de 200g do adubo 20-5-15 por planta. O deli-neamento experimental utilizado foi o de blocos ao aca-so com cinco repetições e sete tratamentos, representa-dos pelas seguintes épocas de coleta das plantas de to-mate: 56, 63, 70, 77, 84, 91 e 98 dias após o transplante (DAT). A parcela foi constituída de duas fileiras de três plantas, sendo colhida para análise a planta central de cada fileira.
A cultivar utilizada foi Santa Cruz Kadá, com hábito de crescimento indeterminado, transplantado quando apresentava cinco folhas definitivas. As covas individuais ficaram distanciadas a 0,5m nas fileiras e 1,0m entre fileiras, sendo os tomateiros tutorados no sistema de cerca cruzada e conduzidos com uma única haste. A poda da gema apical acima da terceira folha surgida, após o quarto cacho, foi efetuada aos 51 dias após o transplante em todas as plantas. As plantas fo-ram cortadas rente ao solo, separadas em partes (caules, folhas e frutos) e colocadas em uma estufa de ventilação
para obtenção da matéria seca. O sistema radicular não foi coletado pois, durante a fase reprodutiva, o incre-mento de matéria seca das raízes é pequeno, podendo, para fins práticos, ser negligenciado. Os frutos foram colhidos sempre que atingiam a maturidade fisiológica.
Foram ajustadas curvas de regressão a partir dos dados primários da matéria seca da parte aérea(Wt) e área foliar(Af). Para se determinar o valor instantâneo da taxa de produção de matéria seca da parte aérea (Ct), foi empregada a derivada da equação ajustada ao peso da matéria seca da parte aérea(Wt). Os valores instan-tâneos da taxa de crescimento relativo(Rw), taxa
assi-milatória líquida(EA) e razão de área foliar(FA) foram
calculados por meio das fórmulas: Rw = Ct/Wt, EA = Ct/Af e FA = Af/Wt (Nieuwhof, Garretsen e Oeveren, 1991). A partir dos valores instantâneos de Rw, FA e
EA, foram ajustados modelos de RW e FA, em função de
EA.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A taxa assimilatória líquida(EA) aumentou gra-dativamente até aos 69 dias após o transplante e, então, decresceu com o tempo (Figura1). Normalmente, EA apresenta decréscimo ontogênico (Kvet et al., 1971 e Shishido et al., 1991).
Na Figura 2 é mostrado o comportamento da ra-zão de área foliar (FA), que apresentou queda com a ontogenia das plantas, estando de acordo com
Ni-euwhof, Garretsen e Oeveren, 1991. FA permite
detec-tar a translocação e partição de assimilados para as fo-lhas em relação à matéria seca da planta toda. A queda de FA ontogenicamente indica que progressivamente a quantidade de assimilados destinados às folhas é dimi-nuída (Scott e Batchellor., 1989).
A taxa de crescimento relativo(RW) aumentou até o valor máximo, aos 65 dias após o transplante, de-crescendo a partir daí (Figura 3). RW pode ser definida como o produto da taxa assimilatória líquida pela razão de área foliar (Nieuwhof, Garretsen e Oeveren, 1991). Assim, o aumento de RW até 65 dias após o transplante deveu-se ao aumento na taxa assimilatória líquida, e a redução deveu-se inicialmente à diminuição progressiva na razão de área foliar e, posteriormente, à diminuição na taxa assimilatória líquida.
O comportamento da taxa de crescimento relati-vo(RW) e da razão de área foliar (FA), em função da taxa assimilatória líquida (EA), no período dos 56 aos 70 dias após o transplante, encontra-se representado na Figura 4. FA apresentou queda contínua com o
FIGURA 1 – Taxa assimilatória líquida (EA) em plantas de tomateiro cv. Kadá, em função do tempo (dias após o
transplante). UFV, Viçosa, MG, 1989090.
FIGURA 2 – Razão de área foliar (FA) em plantas de tomateiro cv. Kadá, em função do tempo (dias após o
trans-plante). UFV, Viçosa, MG, 1989-90
0
5
10
15
20
25
30
49
56
63
70
77
84
91
98
Dias após transplante
assimilatória líquida ( mg.dm -2 .dia -1 )
0
0,15
0,3
0,45
0,6
0,75
0,9
49
56
63
70
77
84
91
98
Dias apóstransplante
R azão de área foliar (dm 2 .g -1 )
FIGURA 3 – Taxa de crescimento relativo (Rw) em plantas de tomateiro cv. Kadá, em função do tempo (dias após
o transplante). UFV, Viçosa, MG, 1989-90.
FIGURA 4 – Taxa de crescimento relativo (Rw) e razão de área foliar (FA) em função da taxa assimilatória líquida
(EA) em plantas de tomateiro cv. Kadá,. UFV, Viçosa, MG, 1989-90.
0 2,5 5 7,5 10 12,5 15 49 56 63 70 77 84 91 98
Dias após transplante
T axa de crescimento relativo (mg.g -1 .dia -1 ) 7 8 9 10 11 12 13 10 15 20 25
Taxa assimilatória líquida (mg.dm-2.dia-1)
T axa de crescimento relativo (mg.g -1 .dia -1 ) 0,4 0,45 0,5 0,55 0,6 0,65 0,7 0,75 R azão de área foliar (dm .g ) RW FA Rw = -0,0068+1,7395**EA-39,1461**E2A R2 = 0,97 FA = 0,5230+30,5690EA-1291,64**E2A R2 = 0,98
incremento em EA, e Rw aumentou continuamente até um valor máximo, com o incremento em EA. Esse au-mento contínuo de (RW)(dreno), representado princi-palmente pelos frutos, e a queda contínua de (FA)(fonte), representada principalmente pelas folhas, indicam que a fonte foi limitante a um maior desenvol-vimento de frutos e órgãos vegetativos da planta neste período sem, contudo, alterar o peso ou tamanho mé-dio normal dos frutos da cultivar (80g). Assim, prá-ticas como o desbaste dos frutos devem ser estudadas em trabalhos futuros, visto que, talvez, resultem em um crescimento mais harmônico entre fonte(folhas) e dreno(frutos).
CONCLUSÕES
A fonte, representada principalmente pelas fo-lhas, foi limitante ao crescimento dos frutos e órgãos vegetativos ao longo do experimento.
O dreno, representado principalmente pelos fru-tos, apresentou crescimento contínuo durante todo o experimento.
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