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O ESPAÇO METROPOLITANO E O TRABALHO DE CAMPO: A
IMPLICAÇÃO ENQUANTO UMA NOVA FORMA DE PESQUISA
Ricardo Baitz¹ Flávia Elaine da Silva Martins1
INTRODUÇÃO
Partiremos da premissa que o homem, através de sua atividade, produz coisas e também seus meios, algo há muito descoberto pela antropologia e tratado sobre o conceito de “cultura”.
O homem, que nasce animal, emancipa-se da natureza e a recria, “domesticando-a”. Esta ação, que inicialmente remonta a um sujeito moldando um objeto, é mais complexa: o próprio sujeito se molda neste processo; assim o objeto que mencionamos inclui também seu meio, abarca seu sujeito, o que abre o mundo às possibilidades, e não à reprodução restritiva (trata-se, portanto, de uma reprodução ampliada). Um novo mundo é criado pela atividade humana, e neste novo mundo, um novo homem se projeta, superando a noção clássica sujeito-objeto. Assim, o homem que domesticou a natureza pôde, mais tarde, fixar-se e criar cidades; escravizar e liberar-se do trabalho, desenvolver a atividade filosófica, as artes e a ciência. Caminho sem volta: o homem que experimenta o fixar-se não regressa ao nomadismo, assim como aquele que experimenta a cidade não regressa à vida do campo2.
1 Doutorandos pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana do Departamento de Geografia
da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
2
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, Da cidade à metrópole moderna. Façamos um salto quase mortal. Produto e meio, ela (a metrópole) nasce da vida das pessoas e a modifica. Instaura um quotidiano, o quotidiano metropolitano, com seu rítmo próprio, o qual todos percebemos como por demais acelerado. A ritmanálise é importante, mas no momento interessa-nos identificar a existência de um novo tipo de espaço: a ele chamaremos de espaço metropolitano.
Este espaço é tema de muitas pesquisas – não só na Geografia – e possui um habitante, o homem metropolitano. Sabemos que o desenvolvimento da cidade industrial culminou na metrópole, e que a metrópole não se resume a uma “cidade grande”: a passagem da cidade a metrópole é, além de quantitativa, qualitativa3. Por que
seria diferente com seu habitante? O corpo desse sujeito é o mesmo, mas o homem metropolitano não se confunde com o cidadão político4.
O homem metropolitano sabe, por exemplo, que a cidade é terreno minado, cheio de emboscadas, e traça estratégias de sobrevivências para se preservar neste meio. Pesquisar valendo-se dos métodos clássicos torna-se uma aventura5, mas não uma impossibilidade: os resultados, por sua vez, se tornam contestáveis.
O descompasso entre a metrópole e a academia é percebido por muitos, dentro e fora da academia. Embora alguns colegas desejem uma “reserva de mercado” para a atividade de pesquisa (classificá-la enquanto científica – ou não – é a primeira forma de
pleitearem casas dispersas no território rural. Simultaneamente negam e reiteram a cidade: através deste ato recuperam a vida comunitária e com ela, aquilo que lhes foi privado em nossas cidades.
3 Implica, sobretudo, em uma revisão às redes hierarquizadas de cidades. Tais redes – e hierarquias –
existem: é um fato. Mas a mudança de escala não se dá quantitativamente, enumerando pessoas e mobiliário urbano. De cidade média a metrópole há um salto qualitativo, insistimos: as variáveis econômicas mudam, e também a vida quotidiana nesta passagem. Se a matemática clássica é o meio eficiente para exprimir as mudanças econômicas, às mudanças da vida quotidiana faltam métodos formais. Ou, melhor expondo, outros métodos – que não os formais – precisam ser empregados para sua aferição. Eis então um divisor de águas nos estudos do processo de metropolização: de um lado da vertente encontram-se um grupo de pesquisadores; do outro lado, alinha-se outro grupo. Conscientes ou não, os pares se agrupam por seus métodos.
4 Em “O espaço do cidadão” Milton Santos analisa a passagem do cidadão ao consumidor, em detrimento
dos direitos políticos. Ele anuncia, na década de 80, a passagem da cidade à metrópole, com a expansão da economia e a transformação de direitos políticos em direitos econômicos, ou direitos de consumo, antes mesmo da implementação do Código de Defesa do Consumidor em nosso país.
5 De prancheta na mão, o pesquisador desavisado adentra a favela e aplica seu questionário.
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, cercear e atribuir exclusividade sobre tal objeto), o conhecimento não reconhece essas fronteiras, e muitas vezes ele se faz emergir de setores inesperados da sociedade. As pessoas mais simples, por serem as primeiras a experimentarem as negatividades do ambiente metropolitano, são muitas vezes as primeiras a produzir, informalmente, um conhecimento sobre os conteúdos da metropolização, eis o que nossas pesquisas individuais, sobre a propriedade e o endividamento, revelam. São pesquisadores metropolitanos naturais, em alusão aos analistas institucionais naturais6. Significa uma derrota da razão, já que os pesquisadores formais, neste contexto, foram ultrapassados por seus “rivais” naturais? A história é, por certo, implacável; mas não advogamos contra a razão: antes o contrário, pois se por um lado cada época possui seus “pesquisadores naturais”, por outro lado, a atividade humana permite o desenvolvimento dos “pesquisadores artificiais”: isso a história tem demonstrado desde longa data, e a universidade é sua expressão.
Da produção de uma metrópole chegamos à produção de um pesquisador. Há um hiato: os métodos de pesquisa desse novo pesquisador. As velhas formas de pesquisas se conservam7. Idem para as novas formas de pesquisa, surgidas no início da metropolização8. Sobre elas outros métodos emergem: implicação9, transdução10, deriva11, ritmanálise12. Métodos incomuns de pesquisa que passam a ser incorporados e desenvolvidos pela Academia. O que ocorre com tensões, estejam todos esclarecidos: representam uma negatividade buscando seu lugar nas positividades da instituição-academia, o que representa certas conseqüências.
Este artigo discute resultados da aplicação de um desses métodos: a implicação. São resultados sensíveis, traçados em diversas pesquisas individuais e coletivas dos dois autores que compreendem a mudança de escala do objeto e do seu pesquisador,
6
LOURAU, Rene. A análise institucional. Petrópolis: Vozes, 1996.
7 Por exemplo, a lógica formal, a pesquisa de gabinete, o trabalho de campo, a enquete, a entrevista
diretiva.
8 A) A dialética de Marx e Engels (este último, especialmente quando estuda Manchester); b) a entrevista
não diretiva; C) a pesquisa participante são alguns exemplos de práticas de pesquisas de uma história curta.
9 Em oposição à lógica formal que separa sujeito e objeto, a implicação busca sua aproximação, e em
certos aspectos, sua confusão conceitual para esclarecer a produção do pesquisador que se torna parte da pesquisa. A literatura sobre o tema é vasta, e tem em Remi Ress seu articulador mais ativo. Ver, em especial, LOURAU, Rene. Los intelectuales y el poder. Nordan: Montevideu, 2001.
10 Conceito emprestado da física, representa a passagem direta, sem mediações, de um elemento ao outro.
Encontra-se em LEFEBVRE, Henri. Lefebvre, Henri. Critique de la vie quotidienne. 3 tomos. Paris, L'Arche Éditeur, 1947-1961-1981, e LOURAU, Rene. Implication-Transduccion, Paris: Economica, 1997
11 Técnica situacionista de passagem ativa pelos lugares. Ver MARTINS, Flávia Elaine da Silva.
Aproximar sem reduzir: as derivas e a pesquisa de campo em geografia. Revista Geousp, vol. 15. DG-FFLCH-USP, 2003.
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, redefinindo assim o campo de estudos, que passa a abarcar pontos ultra-sensíveis da sociedade.
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Ah, o urbano! Quantas linhas, retas e tortas, foram traçadas sobre ele. Da Cidade Antiga de Coulanges ao Planeta Favela de Mike Davis, quantas diferenças, espaciais e temporais! A cidade possui história, inscrita nos processos econômicos, políticos e sociais. Ela se transforma, quantitativa e qualitativamente. Seu espaço, de receptáculo passa a ser a produto; da produção de coisas no espaço passa-se à produção do espaço, como expõe Lefebvre13.
Essa passagem qualitativa do espaço propõe alterações substanciais nas pesquisas de campo: não nos encontramos mais na cidade industrial, com os tempos de seus diversos personagens bem definidos. A fragmentação do espaço urbano propõe também a fragmentação do tempo das pessoas, e por assim dizer, do pesquisador.
Desde muito os pesquisadores de gabinete foram superados por seus equivalentes que vão a campo14 nas ciências humanas. O que permitiu o desenvolvimento de uma série de instrumentos de pesquisa, dentre os quais podemos destacar a pesquisa não diretiva e a pesquisa participante; instrumentos que diferentemente da enquete, necessitam de um pesquisador no meio, envolvido com seu objeto, ainda que superficialmente.
Da infância à maturidade: métodos como a pesquisa participante e a pesquisa não diretiva põem assento na figura do pesquisador em campo. O objeto claramente sofre interferência: é interrompido para responder certas questões (pesquisa não diretiva), ou compõe-se de outra maneira na realização de tarefas (pesquisa participante), o que elimina definitivamente a neutralidade do pesquisador, não importando os esforços deste. São métodos limítrofes, que caminham na fronteira da ciência instituída na universidade e seu pesquisador.
Mesmo assim permanecemos no território homologado das ciências. Chegamos à cerca de arame farpados, mas não a atravessamos. Do outro lado, um mundo se faz
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LEFEBVRE, Henri. La production de l´espace. Paris: Econômica, 2001
14 A transição é longa, mas resgatemos que Malinowski é um dos precursores do trabalho de campo nos
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, desconhecido: a metrópole e seus negócios envolvendo o urbano permanece eclipsada à ciência atual, embora o esforço por sua revelação.
Imaginar que se conseguirá revelar estratégias de negócios em perguntas objetivas aos quadros certos é, no mínimo, infantil atualmente. As informações estratégias nunca são reveladas, a não ser no mercado negro, e por cifras consideráveis. Os altos cargos do mundo empresarial contam aos pesquisadores o mesmo que é dito aos jornalistas em suas entrevistas: um híbrido de verdade, estratégias, ideologias. E não mais do que isso.
Do outro lado, conversas com os cargos mais baixos tornam-se quase impossíveis: o tempo não é mais gratuito para ser “gasto” com algo que não traga retornos financeiros, eis uma lição que se aprende rapidamente15.
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“Negócios são realizados a portas fechadas”, eis uma frase que atualiza a velha máxima denunciada pelos marxistas “não se admite a entrada, exceto para negócios”. O que torna a pesquisa impossível nos moldes tradicionais, com o pesquisador e seu corpo externos ao objeto. Mais: mobilizar o pesquisador para dentro de seu objeto torna-se agora uma passagem necessária para esse tipo de investigação. O que, obviamente, não se dará apresentando-se como pesquisador, mas implicando-se com o objeto e com esta sociedade.
Envolver-se com o objeto: é uma estratégia que possibilita entrar e sair pela porta da frente, seja dos movimentos sociais, seja dos escritórios de negócios, com passagem pela administração pública.
Estratégia de pesquisa? Sim e não, a depender do significado do momento da pesquisa para o pesquisador:
1) É estratégia para quem utiliza deste artifício para infiltrar-se e assim conseguir sua pesquisa. Para os estrategistas, esse momento é interpretado enquanto o “preço” a se pagar para pesquisar; um aspecto negativo e negligenciado do relatório,
15 É face a quadros como este que certos pesquisadores utilizam do expediente da mentira (ou omissão)
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, que se possível, deverá ser omitido. O pesquisador, nesta atividade, nunca deixa de ser pesquisador: ele ao máximo atua, exerce um papel, se transfigura em personagem para exercer o seu real ofício, tal como um espião.
2) Não é estratégia para aqueles que se dispõem a atuar, criticamente ou não, na sociedade. O momento da pesquisa é para estes mais um momento, decerto privilegiado, mas ainda assim um momento. Deixa de ser estratégia à medida que não se trata de atuar, mas empenhar-se. É certo que empenhar-se pela esquerda é muito diferente de empenhar-se pela direita: mas a questão política, antes de ser colocada, já foi escolhida pelo pesquisador.
A esta “intimidade” com o objeto denominaremos implicação16. Envolver-se com o objeto é deixar-se implicar; é assumir uma posição não-neutra no campo, e sobretudo, esclarecer-se dessa situação. Passamos da condição de neutralidade das ciências para uma condição ativa do pesquisador, que passa a atuar, interferindo em seu objeto porque sabe que, no campo, ele é mais um elemento do jogo, com grandes decorrências, sendo necessário assumir também uma posição política17.
As decorrências são severas, no plano prático e teórico:
1) O pesquisador implicado, ao lado do pesquisador orgânico, do pesquisador participante, traz consigo uma série de embaraços éticos frente aos seus equivalentes mais acadêmicos. Questão falsa, pois só pode ser posta mediante uma lógica de equivalência e à padronização dos comportamentos por uma média: mas não é exatamente das “médias” que procuramos desviar durante esse texto? O pesquisador implicado não se embaraça eticamente: ele simplesmente desacredita na ética da separação sujeito-objeto, embora a conheça e muito bem.
2) O pesquisador implicado inova os marcos teóricos da ciência de atuação. A classificação clássica se torna insuficiente: com a práxis, a ciência se torna aplicada. Uma geografia humana aplicada? Uma crítica aplicada? Esses termos, que parecem uma aporia na atualidade, não o foram no passado. Trata-se de uma aporia produzida, com a separação da prática da teoria, e a atuação é uma forma de reconstrução dessa unidade, que se faz agora consciente da possibilidade de isolamento dos termos.
16 Trata-se de uma temática analisada desde cedo pela Análise Institucional francesa, e por ciências
próximas, como a psicologia e medicina social.
17 Dentre as posições políticas está a neutralidade científica. Ela não é neutra, nós sabemos ou
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, Em nossa prática, viabilizamos uma geografia urbana aplicada por onde menos se espera: ao invés de nos vincularmos ao Estado e ao planejamento territorial (com o centro, nos termos institucionalistas), tecemos relações com aquilo que está à margem dessa organização, com a periferia do processo. Despojados da neutralidade que conduziria à descrição de como a periferia funciona (para o centro), praticamos o deciframento dos processos que envolvem a cooptação da periferia pelo centro. Para quem? Para nós mesmos e para a periferia, responsabilidade que os pesquisadores participantes descobriram desde cedo, dentre tantas outras.
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Implicar-se e atuar: até quando se envolver com o objeto? Os escritos institucionalistas não são claros sobre os limites da implicação, mas os casos de sobre-implicação são bastante comuns18. Mais: qual é o limite da implicação e da atuação? Quando se deixa de ser pesquisador implicado para se tornar um profissional implicado? As respostas são múltiplas, e não nos interessa diferenciar o pesquisador do profissional, mesmo porque o atual estágio da sociedade admite o pesquisador profissional. É mais relevante discutir a implicação naturalizada e a implicação pensada, e seus limites.
Essa diferenciação, localizada em um diálogo de Rene Lourau com Henri Lefebvre em Elementos de ritmanálise, possui decorrências. Pensar as implicações do pesquisador propõe outra mudança nos axiomas das ciências instituídas: a mudança do campo de coerência.
A condição de sujeito-objeto põe o campo de coerência no olhar do pesquisador; afinal, é ele que observa, ele que atua, com seus instrumentos, no objeto, sempre passivo na relação. A implicação, método que dissolve a relação sujeito-objeto e a substitui pela relação sujeito-sujeito, admite que o campo de coerência seja colocado com vistas ao próprio pesquisador; ou melhor dizendo, que ele torne seu próprio objeto de estudos, que ele se torne parte da pesquisa.
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Oswald de Andrade e Rene Lourau, dois analistas institucionais no sentido mais amplo da acepção, tiveram atuação implicadas à sua época. Suas biografias provam essa obstinação por se implicar. Suas obras também revelam o deslocamento desse campo de coerência, e isto se faz pela linguagem. A adotamos neste artigo: o texto quase sem
18 BAITZ, Ricardo. A implicação: um novo sedimento a se explorar na Geografia? in Boletim Paulista de
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, notas de rodapé e em linguagem com poucas citações é uma evidência19. Assim como falar sobre o próprio método ou sobre a própria experiência20. Tentamos aplicar a
implicação, à escrita, como um exercício metodológico, sem chegar, contudo, aos seus extremos. Ao leitor caberá um outro exercício: o de desenvolver certas habilidades de leitura, pois na guerrilha onírica, há dentro do texto, um intra-texto.
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19 A maior expressão está nas teses de Oswald de Andrade, em especial a Crise da Filosofia Messiânica. 20 Oswald aplica a implicação na literatura. Em Serafim Ponte Grande o personagem principal interrompe
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, LEFEBVRE, Henri. Critique de la vie quotidienne vol II. Paris: L´arche Éditeur Paris, 1961, pág. 122
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