Anabela da Costa Ferreira
Maceração e estudo da estabilidade de perfumes
Mestrado em Técnicas de Caracterização e Análise Química
Trabalho efetuado sob a orientação da
Professora Doutora Maria Gabriela Botelho
Daniel Fernandes Vilaça
Declaração
Nome: Anabela da Costa Ferreira
Endereço eletrónico: [email protected] Telefone:916052704
Número do Cartão do Cidadão: 14352217
Título do trabalho de projeto: Maceração e estudado da estabilidade de perfumes
Orientadores: Professora Doutora Maria Gabriela Botelho; Daniel Fernandes Vilaça
Designação do Mestrado: Mestrado em Técnicas de Caracterização e Análise Química
Ano de conclusão: 2018
DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO EM VIGOR, NÃO É PERMITIDA A REPRODUÇÃO DE QUALQUER PARTE DESTA TESE/TRABALHO.
Universidade do Minho, __/__/____ Assinatura
“Success is most often achieved by those who doente know that failure is inevitable.” Coco Chanel
V
Agradecimentos
Chega assim ao fim uma das etapas mais importantes da minha vida e também o fim do meu percurso académico, de maneira que não posso deixar de agradecer a algumas das pessoas que contribuíram para o meu enriquecimento a durante o percurso académico e profissional, para a realização deste projeto, mas também a nível pessoal.
Agradeço de forma especial à minha orientadora da Universidade do Minha, Professora Doutora Maria Gabriela Botelho, por toda a disponibilidade, dedicação, auxílio e orientação durante o meu período de estágio e escrita da minha dissertação.
Não posso deixar de agradecer à Nortempresa e a todos os seus colaboradores, ao CEO e meu orientador Daniel Fernandes Vilaça, pela oportunidade de estágio e por todas as condições que me proporcionou para a realização deste projeto.
Quero agradecer também, à Doutora Daniela Correia, responsável de laboratório por todas as explicações e conhecimentos transmitidos ao longo do meu estágio.
Aos meus colegas de trabalho, Ana Patrícia, Catarina, Miguel, Raquel, Carla e André pelo acolhimento, pelo espírito de equipa, pelo incentivo, pelo carinho, pelos bons momentos, e pela amizade.
Agradeço de forma particular, à minha melhor amiga, Ana Margarida, que me acompanha desde o início da minha licenciatura, por todos os trabalhos realizados em conjunto, pela aprendizagem, pela compreensão, apoio e amizade.
O maior agradecimento é para os meus pais e irmão, por contribuírem todos os dias para a minha formação como pessoa, por todos os valores transmitidos e por me proporcionarem a possibilidade de me formar, pois sem eles nada disto seriam possível.
Sem esquecer o meu namorado, obrigada por todo o apoio, ajuda, ânimo e carinho ao longo deste estágio e escrita da dissertação.
Por fim agradeço, todos os amigos mais próximos e que de alguma forma contribuíram para o meu sucesso neste projeto.
VII
Resumo
O perfume surgiu há milhares de anos, para responder aos padrões de beleza e à necessidade de aromatizar o corpo humano. A palavra deriva do latim “per fumum”, e significa através do fumo. É uma mistura complexa que garante que cada perfume tenha odor único. Os cheiros, as emoções e a perceção do mundo pelo homem estão interrelacionados, já que um perfume agradável estimula o bem-estar e melhora o humor, um odor desagradável pode causar mau estar ou desconforto. A perceção de um odor, não se limita ao simples ato de cheirar, mas às emoções e experiências associadas ao odor, relembrando memórias ou situações vividas.
Ao longo dos anos a indústria dos perfumes evolui, desenvolvendo novas técnicas de fabrico do perfume, de extração de essências e de essências sintéticas.
O controlo do mercado e da conformidade dos cosméticos é feito segundo várias normas e regulamentos, nacionais e internacionais, com especificações sobre boas práticas de fabrico, rotulagem, os compostos permitidos na formulação do produto e a sua concentração máxima permitida.
Nesta dissertação, foram estudados métodos para avaliar a estabilidade de um perfume, quando exposto a diferentes condições experimentais e testar a eficácia da utilização de diferentes filtros Ultravioleta (UV), cuja proteção do produto apenas resultou com a aplicação de Covabsorb. Foi feito um estudo preliminar sobre o efeito da adição de antioxidantes ao perfume, mas os resultados não foram conclusivos.
No processo de maceração perfume, testaram-se dois métodos tradicionais e um método com Quidex (produto capaz de acelerar o processo). Feita uma comparação entre os métodos tradicionais e a utilização de Quidex, no final de cada processo o perfume foi analisado de forma a avaliar as variações de pH e densidade, não se verificando diferenças significativas entre os diferentes métodos. As alterações nas concentrações dos compostos foram analisadas por Cromatografia gasosa. Já as variações de cor ocorridas nas amostras de perfume devido à exposição UV foram caracterizadas por Espectrofotometria de UV/Vis.
O método de Winkler foi utilizado neste trabalho por forma a quantificar o oxigénio dissolvido no perfume permitindo determinar o seu grau de oxidação.
Os resultados obtidos serão comparados com valores de referência de modo a perceber se cumprem os padrões de qualidade enunciados no Regulamento (CE) Nº1223/2009 e na norma ISO 22716.
VIII
IX
Abstract
The perfume appeared thousands of years ago, to respond to the patterns of beauty and the need to aromatize the human body. The word derives from Latin, "Per Fumum" and means through the smoke. It is a complex mixture that ensures that each perfume has a unique odor.
The smell, emotions and perception of the world by man are related, since a pleasant perfume provides well-being and improves the mood, and an unpleasant odor can cause bad feeling or discomfort. The perception of an odor it’s not limited to the simple act of smelling, but through emotions and experiences associated with the odor, originating memories or remembering experienced situations.
Over the years the perfume industry evolved, developing new techniques for the manufacture of perfume, extraction of essences and synthetic essences.
The control of the market and the conformity of cosmetics it’s done according to various national and international standards and regulations, with specifications on good manufacturing practices, labelling, the compounds allowed in the formulation of the product and its concentration maximum permitted.
In this dissertation, methods will be studied to evaluate the stability of a perfume, when exposed to different experimental conditions and test the efficiency of the use of different UV and antioxidant filters in the perfume formulation.
A preliminary study was done of the effect of the addition of antioxidants to the perfume, but the results were not conclusive.
In the process of perfume maceration, two traditional methods were tested, and another method with Quidex (product capable of accelerating the process). Made a comparison between the traditional methods with one that has Quidex, at the end of each process the perfume was analyzed in order to evaluate pH and density variations, there were no significant differences between the different methods.
Changes in concentrations of the compounds will be analyzed by gas chromatography. The color variations in the perfume samples due to UV exposure will be characterized by UV / Vis spectrophotometry.
The Winkler method was used in this work to quantify the dissolved oxygen in the perfume, allowing to determine its degree of oxidation.
X
The results obtained will be compared with reference values in order to see if they meet the quality standards. In addition, it is necessary to verify if the results obtained in the finished product is maintained throughout the period of validity and if there are changes depending on the storage conditions, thus allowing to evaluate the stability of the Perfume.
XI
Índice
Agradecimentos ... V Resumo ... VII Abstract ... IX
Índice de Tabelas ... xvii
Índice de Gráficos ... xix
Lista de Abreviaturas ... xxi
1. Introdução ... 3
1.1. Enquadramento e objetivo da dissertação ... 3
1.2. Estrutura da dissertação ... 3
1.3. Apresentação da empresa- Atividade e instalações ... 4
1.4. História ... 4
1.5. Marcas - AIRQUALITY e YDENTIK ... 6
2. Fundamentos Teóricos ... 9
2.1. O olfato ... 9
2.2. Essências ... 11
2.2.1. Componentes dos óleos essenciais ... 12
2.2.2. Tipos de essências ... 14
2.2.3. Métodos para obtenção/extração de essências ... 14
2.2.4. Destilação por arraste de vapor ... 15
2.2.5. Prensagem a frio ... 16
2.2.6. Enfloragem ... 16
2.3. O Perfume ... 17
2.3.1. Estrutura dos perfumes ... 18
2.3.2. Famílias Olfativas ... 20
2.3.3. Classificação dos perfumes ... 21
2.4. Compostos alergénios ... 22
2.5. Propriedades Organoléticas ... 23
2.6. Conservantes ... 24
a) Antioxidantes ... 24
xii
2.7. Maceração ... 28
2.8. Filtração ... 29
2.9. Estabilidade dos perfumes ... 29
2.9.1. Fatores Extrínsecos ... 30
2.9.2. Fatores Intrínsecos ... 31
2.10. Testes de estabilidade utilizados ... 33
2.10.1. Teste de estabilidade preliminar ... 33
2.10.2. Teste de estabilidade acelerado ... 33
2.10.3. Teste de estabilidade de prateleira ... 34
3. Parte experimental ... 37
3.1. Reagentes ... 37
3.2. Material... 40
3.3. Equipamentos ... 41
3.4. Métodos e técnicas analíticas aplicadas ao perfume ... 43
3.4.1. Determinação do pH ... 43
3.4.2. Determinação da densidade ... 44
3.4.2.1. Método do hidrómetro ... 44
3.4.2.2. Método da balança ... 45
3.4.3. Análise por GC-MS ... 46
3.4.3.1. Funcionamento do Equipamento GC-MS e condições de análise ... 47
3.4.4. Método de Winkler ... 49
3.4.5. Determinação de compostos voláteis ... 50
4. Apresentação e discussão de resultados ... 53
4.1. Determinação do pH ... 53
4.1.1. Determinação do pH durante a maceração ... 53
4.1.2. Variação do pH durante a exposição UV ... 55
4.2. Determinação da densidade ... 56
4.2.1. Variação da densidade durante a maceração ... 56
4.2.2. Variação da densidade durante a exposição UV ... 58
4.2.3. Variação da densidade com a adição de conservantes ... 59
4.2.4. Determinação da densidade – Comparação de métodos ... 61
4.3. Avaliação das propriedades organoléticas ... 63
4.3.1. Amostras com filtros UV ... 65
xiii
4.4.1. Amostras com aplicação de Salisol e benzofenona ... 68
4.4.2. Amostras com aplicação de Covabsorb ... 70
4.5. Aplicação de antioxidantes ... 72
4.6. Determinação dos COV’s ... 73
4.7. Maceração ... 74
4.7.1. Processos de maceração utilizados ... 75
4.8. Determinação de oxigénio – Método Winkler ... 79
4.9. Caracterização por GC-MS ... 80
5. Conclusões e propostas de trabalhos futuros ... 87
6. Bibliografia ... 92
Anexo I – MACERAÇÃO COM QUIDEX ... 98
Anexo II - RISCOS E PRECAUÇÕES ASSOCIADOS AOS REAGENTES UTILIZADOS ... 100
Anexo III – PROCEDIMENTO DO MÉTODO DE WINKLER ... 102
ANEXO IV – COMPOSIÇÃO DO GC-MS ... 104 ANEXO V – EQUAÇÕES UTILIZADAS PARA TRATAMENTO DE RESULTADOS EXPERIMENTAIS 110
xv
Índice de Figuras
Figura 1- Instalações da Nortempresa, Lta. ... 4
Figura 2- Logótipo da Nortempresa. ... 5
Figura 3- Estrutura do sistema olfatório [3]. ... 10
Figura 4- Estrutura do epitélio e do bulbo olfatório [4]. ... 10
Figura 5- Processo de transdução do olfato[4]. ... 11
Figura 6- Principais compostos de algumas essências.[7]. ... 12
Figura 7- Algumas essências artificiais.[7] ... 14
Figura 8- Destilação por arraste de vapor de um óleo essencial (escala industrial)[10]. ... 15
Figura 9- Processo de enfloragem.[3] ... 17
Figura 10- Fragrâncias dividas de acordo com as notas de um perfume. [18] ... 19
Figura 11- Pirâmide olfativa[19]. ... 20
Figura 12- Classificação dos produtos consoante a percentagem de essência[22]... 22
Figura 13- Mecanismo de ação dos antioxidantes.[25] ... 25
Figura 14- Estrutura dos antioxidantes BHA, BHT e Benzofenona-3. [25] ... 25
Figura 15- Estruturas químicas da forma cetónica e a forma enólica para a molécula da Avobenzona [26]. ... 26
Figura 16- Estrutura química da molécula Octinoxate[26]. ... 27
Figura 17- Material de vidro utilizado: a) garrafa de vidro 1L b) frascos shot de 100 e 250 ml c) frascos de perfume 55 ml. ... 40
Figura 18- Equipamento para determinação do pH. ... 44
Figura 19- Leitura da medição da densidade em líquidos transparentes com o hidrómetro[35]. 45 Figura 20- Determinação da densidade pelo método da balança. ... 46
Figura 21- Equipamento GC-MS disponível nas instalações da Nortempresa. ... 47
Figura 22- Esquema de divisão das réplicas de cada amostra às diferentes condições experimentais. ... 64
Figura 23- Réplicas da amostra 42s/F.UV à esquerda antes do teste e à direita após a exposição à radiação. ... 64
Figura 24- Resultados após terminar o teste de estabilidade: Esquerda) amostra 42Salisol1:2; Direita) amostra 42Salisol2:4. ... 65
xvi
Figura 25- Resultados após terminar o teste de estabilidade: Esquerda) amostra 42benzof0,5;
Direita) amostra 42benzof1. ... 65
Figura 26- Aspeto das amostras 42Covabsorb, com diferentes percentagens após exposição à radiação UV. ... 66
Figura 26 - Cromatogramas das amostras 07padrão e 07Quidex1... 78
Figura 27- Cromatogramas obtidos para amostras de uma referência de perfume com várias formulações. ... 81
Figura 28- Aspeto do perfume acabado com adição de Quidex® 3.2 [42]. ... 98
Figura 29- Colocação de uma amostra de perfume num vial. ... 104
Figura 25- Processos de equilíbrio, pressurização e amostragem do vial[38]... 105
Figura 26- Esquema do sistema HS Trap de equilíbrio e pressurização do vial[39]. ... 105
Figura 27- Esquema do sistema HS Trap com vial pressurizado seguida da transferência dos COV’s até à trap[39]. ... 106
Figura 28- Esquema do sistema HS Trap com dessorção térmica dos COV’s da trap e o seu transporte até à coluna do GC[39]. ... 106
Figura 29- Em cima) Esquema da divisão do fluxo.; Em baixo) Estabelecimento das condições de operação do S-Swafer[39]. ... 108
xvii
Índice de Tabelas
Tabela 1- Terpenos derivados do composto de isopropeno[8]. ... 13
Tabela 2- Tabela com dados dos reagentes utilizados com base nos boletins de análise do fornecedor. ... 38
Tabela 3- Estudo aplicado a cada uma das amostras de perfume utilizadas. ... 40
Tabela 4- Material de vidro utilizado para a preparação das amostras e realização dos testes de estabilidade e de maceração. ... 41
Tabela 5- Equipamentos utilizados para a preparação e análise das amostras de perfumes. .... 42
Tabela 6- Condições de análise do HS Trap... 47
Tabela 7- Condições de análise do GC. ... 48
Tabela 8- Condições de análise do MS. ... 48
Tabela 9- Condições de análise da porta Olfatória. ... 48
Tabela 10- Condições de análise Swafer. ... 48
Tabela 11- Detalhes da amostra. ... 48
Tabela 12- Valores referentes ao pH para cada uma das amostras estudadas durante o período de maceração. ... 54
Tabela 13- Tabela com os valores de pH da amostra 42 s/F.UV durante o período de exposição à radiação UV. ... 55
Tabela 14- Tabela com os valores de pH da amostra 42 c/F.UV durante o período de exposição à radiação UV. ... 55
Tabela 15- Valores referentes à densidade para cada uma das amostras estudadas durante o período de maceração. ... 57
Tabela 16- Tabela com os valores de densidade da amostra 42 s/F.UV durante o período de exposição à radiação UV. ... 58
Tabela 17- Tabela com os valores de densidade da amostra 42 c/F.UV durante o período de exposição à radiação UV. ... 58
Tabela 18- Tabela com dados sobre a densidade, pH e respetivos aditivos para uma amostra de perfume de referência 42. ... 59
Tabela 19- Tabela com dados sobre a densidade, pH e respetivos aditivos para uma amostra de perfume de referência 40. ... 61
xviii
Tabela 22- Valores máximos de absorvância para a amostra de referência 42s/F.UV. ... 67
Tabela 23-- Valores máximos de absorvância para a amostra de referência 42Salisol1:2. ... 69
Tabela 24-- Valores máximos de absorvância para a amostra de referência 42Salisol2:4. ... 69
Tabela 25- Valores máximos de absorvância para as amostras com aplicação de Covabsorb em diferentes percentagens. ... 70
Tabela 26- Valores de absorvância máxima para as amostras 40Covabsorb0,5 armazenadas em condições diferentes. ... 71
Tabela 27- Valores de absorvância máxima para as amostras 40Covabsorb1,5 armazenadas em condições diferentes. ... 71
Tabela 28- Valores de absorvância máxima para as amostras 40Covabsorb2,5 armazenadas em condições diferentes. ... 71
Tabela 29- Tabela com valores de densidade, pH e propriedades organoléticas para diversas amostras com adição de antioxidantes e filtro UV. ... 72
Tabela 30- Tabela com os dados referentes à determinação da percentagem de COV's em diferentes amostras. ... 73
Tabela 31- Valores pH, densidade e propriedades organoléticas para as réplicas da amostra 07 no fim da produção e após sofrer a Maceração 1. ... 75
Tabela 32- Valores pH, densidade e propriedades organoléticas para as réplicas da amostra 07 no fim da produção e após sofrer a Maceração 2. ... 76
Tabela 33- Valores pH, densidade e propriedades organoléticas para as amostras que sofreram a Maceração com Quidex. ... 76
Tabela 34- Tabela com os valores médios de cada parâmetro para os diferentes tipos de maceração utilizados. ... 76
Tabela 35- Dados e resultados relativos à utilização do método de Winkler. ... 79
Tabela 36 - Identificação dos principais picos do cromatograma da amostra 42s/F.UV. ... 82
xix
Índice de Gráficos
Gráfico 1- Variação do pH para a amostra 46woman durante o período de maceração. ... 53 Gráfico 2- Variação do pH para a amostra 234man durante o período de maceração... 54 Gráfico 3- Variação da densidade para a amostra 46woman durante o período de maceração. 57 Gráfico 4- Variação da densidade para a amostra 234man durante o período de maceração. .. 57 Gráfico 5- Densidade obtida por diferentes métodos para três produtos acabados diferentes. ... 62 Gráfico 6- Absorvância em função do comprimento de onda para as amostras 42s/F.UV. ... 67 Gráfico 7- Gráfico da absorvância em função do comprimento de onda para as amostras de com adição de Salisol. ... 68 Gráfico 8- Valores de absorvância de amostras com aplicação diferentes percentagens de Covabsorb. ... 70 Gráfico 9- Gráfico representativo da percentagem de COV's nos perfumes. ... 74
xxi
Lista de Abreviaturas
AMPc Adenosina monofosfato cíclica
ASTM Sociedade Americana para Testes e Materiais (do inglês “American Society for
Testing and Materials”)
BHA Butil-Hidroxianisol
BHT Butil-Hidroxitolueno
CAS Número CAS (do inglês “Chemical Abstracts Service”)
COV Composto orgânico volátil
COMV Composto Orgânico Muito Volátil
FDA Food and Drug Administration
GC-MS Cromatografia Gasosa - espectrometria de massa
GC Cromatografia Gasosa (do inglês Gas chromatography”)
GMP Boas Práticas de Fabrico (do inglês “Good Manufacturing Practice”)
HS Headspace
INCI Nomenclatura Internacional de Ingredientes de Cosméticos (do inglês “International Nomenclature of Cosmetic Ingredients)
IV Infravermelho
ISO Organização Internacional para a Padronização (do inglês “International
Organization for Standardization”)
kPa Quilopascal MS Espectrometria de massa nm Nanómetros OD Oxigénio dissolvido OE Óleos essenciais IP3 Inositol trifosfato
PAO Prazo Após Abertura
PG Propilenoglicol
pH Potencial Hidrogeniónico
xxii
UV Ultravioleta
UV-vis Ultravioleta-visível
1
Capítulo 1
Introdução
3
1. Introdução
1.1. Enquadramento e objetivo da dissertação
Esta tese teve como objetivo o estudo do efeito da adição de conservantes, protetores ultravioleta e antioxidantes, aos perfumes produzidos na Nortempresa Perfume Lab com o intuito de melhorar as propriedades organoléticas dos perfumes. A aplicação destes conservantes tem como objetivo verificar se a aplicação destes compostos previne ou retarda a alteração de propriedades como a cor e odor do perfume. Pretende-se também com a aplicação destes conservantes tentar retardar, ou se possível, evitar a oxidação do mesmo durante o prazo após abertura (PAO), do inglês Period After Opening, preservando assim as propriedades organoléticas.
Além da conservação dos perfumes, pretende-se estudar os processos de maceração se são os mais adequados ou se podem ser otimizados com um produto inovador que se propõe a reduzir os tempos deste processo de semanas a minutos.
Com o intuito de caracterizar quimicamente os perfumes utiliza-se a técnica Cromatografia Gasoso Acoplada a um Detetor de Espetrometria de Massas (GC-MS).
O controlo dos perfumes em termos de estabilidade passar por verificar parâmetros como pH e densidade utilizando os equipamentos disponíveis na Nortempresa. As propriedades organoléticas são avaliadas visualmente e através do cheiro por comparação.
Este estudo tem como finalidade promover a qualidade e estabilidade dos perfumes produzidos pela Nortempresa, satisfazendo assim os padrões de qualidade e a satisfação do consumidor.
1.2. Estrutura da dissertação
A dissertação encontra-se dividida em 5 capítulos principais.
O primeiro capítulo consiste num capítulo introdutório onde é descrito o enquadramento, assim como os objetivos dos procedimentos e estudos efetuados é também feita uma breve apresentação da empresa, das suas marcas e dos produtos.
O segundo capítulo apresenta os fundamentos teóricos, onde são descritos alguns conceitos, processos utilizados e onde se descreve, sucintamente regulamentos e normas da Organização Internacional para a Padronização (ISO) aplicadas na indústria da perfumaria e da cosmética.
4
O terceiro capítulo estão referenciados os materiais e métodos, é feita a descrição dos processos e técnicas analíticas aplicadas. É feita também, uma descrição dos equipamentos utilizados bem como o seu funcionamento e condições de análise.
O quarto capítulo consiste numa apresentação e tratamento dos resultados obtidos em cada método aplicado.
Por fim, o quinto capítulo apresenta as conclusões de todo o trabalho desenvolvido e dos métodos aplicados e é feita a sugestão de possíveis ensaios a aplicar futuramente.
1.3. Apresentação da empresa- Atividade e instalações
A NORTEMPRESA, Lda. é uma empresa do ramo da perfumaria, produz perfumes de marca própria e perfumes personalizados para marcas, eventos, aromatização de espaços e tem desenvolvido campanhas de marketing olfativo. A Nortempresa é detentora de duas marcas: a AIRQUALITY e a YDENTIK.
A sede da NORTEMPRESA situa-se na Rua Parque Bouça das Mouras, n.º 56, 4715-216 Braga (Figura 1 e Figura 2).
Figura 1- Instalações da Nortempresa, Lta.
1.4. História
NORTEMPRESA foi fundada a 31 de janeiro de 2006 ocupando-se da comercialização de produtos de higiene, para empresas, e ambientadores. No ano 2010 devido ao crescimento, reestruturou a
5
sua estratégia de mercado criando a marca AIRQUALITY, sendo pioneira em Portugal, a nível da aromatização de espaços e do marketing olfativo.
Figura 2- Logótipo da Nortempresa.
Em 2012 começou a explorar uma nova área de negócio. A ideia inicial foi vender perfumes de baixo custo, mas acabou por dar origem a um conceito inovador e original no mundo dos perfumes - YDENTIK- Perfume Bar Concept.
Em junho de 2013 abriu a sua primeira loja YDENTIK em Braga, como loja piloto para
testar este novo conceito no mundo dos perfumes, tendo como meta expandir este conceito em regime de franchising. O reconhecimento por parte dos clientes e da comunicação social foi tal, o que permitiu que a YDENTIK se tornasse um sucesso.
Em agosto de 2013, abriu a primeira loja franchisada na cidade de Matosinhos, começando assim oficialmente a expansão a marca. Nesse mesmo ano a YDENTIK fecha o ano com 19 lojas em Portugal, e com uma longa lista de espera de potenciais clientes para abertura de novas lojas. No ano de 2014, registou-se o maior crescimento da NORTEMPRESA com a expansão da YDENTIK a um elevado ritmo, com a abertura de mais 33 lojas (em regime de franchising), iniciou-se assim a internacionalização em Espanha e na Irlanda.
Em 2015 a YDENTIK chegou a mais um mercado internacional, com a abertura de uma loja na Suíça. A marca constituí o maior foco de crescimento da NORTEMPRESA, captando o interesse de diversos investidores, contando já com mais de 4500 pedidos de informações sobre o conceito e franchising, atua em 5 mercados, possui 51 lojas e mais de 40.000 clientes (finais) fidelizados o que aponta para um enorme potencial de expansão da marca YDENTIK.
Presentemente, devido ao rápido crescimento, é relevante e pertinente refinar e ajustar os seus processos de trabalho e equipamentos de suporte à atividade, com vista à introdução de novos drivers de inovação que potenciem a progressão na cadeia de valor e aumento de competitividade.
6
1.5. Marcas - AIRQUALITY e YDENTIK
A AIRQUALITY é uma marca nacional, pioneira e líder no setor do marketing olfativo e na aromatização de espaços em Portugal. Esta marca atua em quatro vertentes essenciais: projetos na área do marketing olfativo; aromatização de espaços e de eventos; publicidade com aroma, uma tendência de futuro com forte perspetiva de crescimento.
A YDENTIK – PERFUME BAR CONCEPT é uma marca de perfumes, 100% portuguesa, com o conceito original e atrativo na venda de perfumes, intitulada “o bar onde se servem perfumes”. O principal objetivo é proporcionar aos consumidores, uma alternativa de qualidade no setor da perfumaria a preços mais económicos. Um conceito que tem registado um enorme sucesso a nível nacional e internacional devido a uma imagem arrojada e cuidada das suas lojas e aos produtos de excelência que comercializa.
7
Capítulo 2
Fundamentos
teóricos
9
2. Fundamentos Teóricos
2.1. O olfato
O ser humano, segundo Charles Darwin no livro “A Origem das Espécies” publicado no ano de 1859[1], foi evoluindo ao longo dos tempos, acreditando que espécie humana surgiu há cerca de 3,5 milhões de anos através da evolução dos primatas. A sua evolução, especialmente a nível físico, deveu-se a diversos fatores, entre eles a necessidade de adaptação a diferentes climas, à alimentação e às necessidades da época. Esta evolução foi essencial para o desenvolvimento dos cinco sentidos que o ser humano possui e hoje lhe permite uma perceção do mundo. Durante o período de evolução, o olfato foi o sentido utilizado de forma mais intensa para ajudar na caça e no reconhecimento de plantas, gerando assim a ideia de que este é o mais primitivo dos cinco sentidos. A palavra olfato vem do latim olfacere, que significa “cheirar”.
Nos dias de hoje, o olfato tem sido alvo de estudo, com o intuito de perceber melhor a forma como funciona e também para perceber o efeito do cheiro no dia-a-dia a nível psicológico.
Ao contrário dos outros sentidos, esta estrutura possui uma ligação direta às vias olfatórias e não possui barreiras, fazendo com que os odores sejam detetados de forma instantânea após serem inspirados. Para que haja uma perceção dos odores, é necessário que haja moléculas voláteis no ambiente, estas são posteriormente arrastadas pelo ar até às narinas, há uma transdução da informação contida nestas moléculas em sinal elétrico nos neurónios sensoriais.
O processo de transdução de um odor, como podemos verificar na Figura 3, inicia-se com o simples ato de cheirar, a quantidade e qualidade das moléculas inaladas dependem do odor sentido, quanto mais agradável ou intenso for o odor maior será a quantidade de moléculas odoríferas que chegam ao sistema olfativo[2].
10
Figura 3- Estrutura do sistema olfatório [3].
Após ser inalado, o odor é conduzido até às vias neuroanatómicas onde é processado. Estas vias são constituídas por três estruturas para realizar um processamento primário que são o epitélio, o bulbo e o córtex olfativo[2], esquematizado na Figura 4, onde se encontra o rinencéfalo.
Figura 4- Estrutura do epitélio e do bulbo olfatório [4].
Os odores atingem os recetores do epitélio que estão na parte interna do nariz, ao interagirem geram sinais elétricos que chegam ao bulbo[4][5]. Após chegarem ao bulbo, há uma despolarização nas membranas e são gerados nos axónios das células recetoras os chamados potenciais de ação. Devido à despolarização e à abertura dos canais iónicos é gerado um potencial gerador, após ser gerado este potencial, que dependendo da molécula odorífera, pode ocorrer um de dois processos.
11
Figura 5- Processo de transdução do olfato[4].
O primeiro processo, (A) da Figura 5 consiste nos neurónios recetores que contém na sua estrutura a proteína G olfatória especifica, que por ação da sua ligação à molécula odorífera, ativa a proteína Adenil ciclase levando a um aumento da Adenosina Monofosfato Cíclica (AMPc) que abre os canais
permitindo a entrada dos iões Na+ que despolariza o neurónio. Num outro processo, (B) da Figura
5, a ligação da molécula odorífera à proteína G ativa a proteína Fosfolipase C aumentando o Inositol
trifosfato (IP3), este aumento gera um aumento da concentração de Ca+ dentro da célula levando
à abertura dos canais permitindo assim a perceção dos odores.
O ser humano tem uma grande capacidade para detetar cheiros, isto porque, consegue detetar odores em concentrações muito baixas, mas em contrapartida, tem uma enorme dificuldade em identificar os cheiros baseando-se unicamente nas informações transmitidas pelo olfato[2].
2.2. Essências
As essências ou óleos essenciais (OE), são compostos lipossolúveis voláteis naturais, que fazem parte do metabolismo secundário das plantas. Estas, são extraídas de plantas aromáticas e tem a particularidade de evaporar à temperatura ambiente. São o composto fundamental de um perfume. Apesar de serem uma matéria-prima fundamental na indústria da perfumaria e da cosmética, também são muito utilizados na indústria alimentar e farmacêutica.
Os OE são produzidos nas glândulas secretoras das plantas, como por exemplo pêlos glandulares, canais oleíferos, células parenquimáticas diferenciadas, estas podem ou não pertencer à estrutura da planta.
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Posto isto, os OE podem ser extraídas de flores, como é o caso da rosa e do jasmim, de frutos, no caso da laranja e do limão, de folhas como é o caso do eucalipto, da casca no caso da canela, da madeira para se obter essências como o sândalo, sassafrás e pau-rosa, de raízes no caso do vetiver e também de sementes como é o caso da noz-moscada.
Os OE são constituídos principalmente por monoterpenos, sesquiterpenos, fenilpropanóides, ésteres entre outras substâncias, de cadeia linear, como podemos ver na Tabela 1, e com baixo
peso molecular[6]. Devido às suas propriedades físico-químicas, à sua aparência líquida e oleosa
à temperatura ambiente, à baixa viscosidade, por evaporarem à temperatura ambiente, serem hidrofóbicas (imiscíveis em água) e a serem lipofílicos (miscíveis com óleos) as essências são consideradas “óleos”.
A essência é misturada com substâncias voláteis dando origem ao perfume. Normalmente, são incolores ou ligeiramente amarelados, são pouco estáveis à luz e ao ar e são pouco solúveis em água. A diferença entre os OE e os óleos vegetais, como por exemplo o óleo de girassol, é o facto de os OE possuírem um carácter volátil. Estes óleos voláteis possuem um aroma bastante agradável, sendo os compostos mais comuns indicados na Figura 6, daí que se definam estes
óleos como essências[7].
Figura 6- Principais compostos de algumas essências.[7].
2.2.1. Componentes dos óleos essenciais
Os óleos essenciais além da perfumaria, podem ser usados em diferentes indústrias, como por exemplo a alimentar, a farmacêutica, a cosmética e de limpeza.
Em termos de composição, um óleo essencial é constituído por uma mistura de compostos, que pode chegar a mais de 100 componentes diferentes, como hidrocarbonetos terpénicos, álcoois,
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aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, entre outros, em que um apresenta maior concentração que os outros. Os compostos que apresentam menor concentração são denominados de traços.
Em termos de constituição química, os óleos essenciais são constituídos fundamentalmente por terpenos, também chamados terpenóides, são assim definidos por serem compostos que derivam do isopropeno, em que varia o número de carbonos - Tabela 1.
Geralmente, 90% dos terpenos presentes num óleo essencial são monoterpenos, mas também uma pequena quantidade de sesquiterpenos.
Tabela 1- Terpenos derivados do composto de isopropeno[8].
Devido à estrutura química dos monoterpenos é conferido ao composto um determinado odor. Assim, os monoterpenos podem dividir-se em três subgrupos distintos: monoterpenos acíclicos onde se inserem o mirceno, do linalol e do geraniol; monoterpenos monocíclicos no caso do alfa-terpinol e o alfa-terpinoleno e os monoterpenos bicíclicos como é o caso do alfa-pineno e da cânfora. Aos sesquiterpenos é atribuída a mesma classificação aos subgrupos.
Até ao presente, são conhecidos cerca de 8000 terpenos[8], que conferem diferentes propriedades organoléticas ao óleo essencial.
Em termos de volatilidade, uns são mais voláteis do que outros estando esta caraterística associada ao tamanho da cadeia carbonada, ou seja, quanto menor for o número de carbonos presente no terpeno maior será a volatilidade do composto. Assim, os monoterpenos são os terpenos mais voláteis, já os sesquiterpenos apresentam uma volatilidade média e os diterpenos praticamente não voláteis.[9]
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2.2.2. Tipos de essências
A essência pode ser divida em duas classes consoante a sua origem. Estas podem ser de origem natural ou sintética.
Uma essência de origem natural é obtida de plantas, flores, raízes, frutas ou especiarias por procedimentos extração. Os procedimentos de extração baseiam se nas diferentes propriedades químicas como é o caso da solubilidade, volatilidade e temperatura de ebulição.
No entanto, devido à extinção de algumas espécies vegetais e animais e na busca de novas essências e a menor custo os laboratórios tem apostado no desenvolvimento de essências sintéticas.
As essências sintéticas têm uma grande vantagem em relação as essências naturais, uma vez preservam espécies animais e vegetais. São essências mais baratas e não utilizam tantos recursos naturais, criaram-se em laboratório essências sintéticas que, em termos de odor, se assemelham muito às essências naturais, já em termos terapêuticos estas essências não possuem os mesmos efeitos de uma essência natural. Na Figura 7 podemos verificar alguns compostos que permitem obter a fragrância ou a essência artificial.
Figura 7- Algumas essências artificiais.[7]
2.2.3. Métodos para obtenção/extração de essências
Tal como foi anteriormente mencionado as essências podem ser encontradas em diferentes partes de uma planta como por exemplo folhas e ramos finos, cascas, troncos, raízes, frutos, flores, sementes ou resinas.
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A extração de um óleo essencial pode ser feita por diferentes métodos, e dependendo do método utilizado e das condições utilizadas na extração, o óleo essencial pode ter mais ou menos qualidade. Isto porque, aquando da extração, os compostos mais sensíveis do óleo essencial podem sofrer transformações, através de quebras na estrutura ou oxidações originando produtos de menor qualidade ou até mesmo um produto tóxico.
2.2.4. Destilação por arraste de vapor
Os óleos essenciais provenientes das plantas apresentam uma pressão de vapor mais elevado do que a água, permitindo que através de uma destilação estes compostos sejam arrastados pelo vapor de água. O método de destilação a vapor, Figura 8, é o mais utilizado para se proceder à extração de essências a nível industrial.
Este processo de extração é realizado como se uma destilação convencional se tratasse, consiste em colocar partes da planta (folhas, pétalas, sementes ou raízes) da qual se vai extrair o óleo essencial num destilador, também chamado alambique, sob ação do vapor de água. Este vapor de água, devido à sua elevada temperatura atravessa os tecidos da matéria vegetal havendo uma vaporização do óleo essencial no interior da célula levando a um aumento da pressão no interior da mesma, fazendo com que esta se quebre.
Figura 8- Destilação por arraste de vapor de um óleo essencial (escala industrial)[10].
O óleo é arrastado pelo vapor de água através do condensador e esta mistura é recolhida num recipiente onde é arrefecido de forma a condensar, passando depois para um recipiente, um
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separador, onde duas fases separam-se quase na sua totalidade, uma vez que os óleos essenciais são imiscíveis em água e também a diferenças de densidade e polaridade, possibilitando assim a recolha do OE. A fase aquosa é denominada hidrolato (subproduto), isto porque, uma pequena parte dos OE ficam emulsionados na água.[11]
2.2.5. Prensagem a frio
Este processo de extração é usado geralmente para extrair óleos essenciais de frutos como por exemplo a laranja, o limão e a bergamota. Este método usa uma prensa hidráulica, onde são colocados os frutos inteiros para se proceder à extração do óleo essencial dos mesmos. Após ser colocada na prensa, a matéria-prima é esmagada fazendo com que os sumos e óleos essenciais sejam libertados dos frutos obtendo-se uma mistura (emulsão), com cerca de 1 a 3% de óleo essencial, fragmentos e partículas dos frutos, mistura esta que é posteriormente centrifugada, permitindo que haja a separação do sumo e do OE. Após esta separação, o OE passa por uma série de processos de centrifugação para se clarear o óleo.
Após se obter o óleo essencial realiza-se o processo a que se chama desterpenação, submete-se o óleo a este procedimento para se remover parte dos terpenos que provocam uma degradação mais rápida do óleo e concentra a parte oxigenada que define o cheiro do óleo.
Este tipo de extração também é usado para extrair óleos vegetais, como o óleo de amêndoas, de castanha e de noz[12][13].
2.2.6. Enfloragem
O método de extração mais adequado para extrair os óleos essenciais de pétalas de flores é o método de enfloragem exemplificado na Figura 9. Isto porque, as pétalas das flores possuem compostos que são sensíveis a temperaturas elevadas, como é o caso das flores de jasmim, este método permite que se faça a recolha desses compostos sem que sofram alterações. Método este que era utilizado pelos egípcios na antiguidade, para extrair o perfume das flores e plantas. Este método consiste na deposição das pétalas de flores, durante um determinado períodos de tempo à temperatura ambiente[11], sob uma camada de gordura animal com a capacidade de absorver os OE libertados pelas pétalas.
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Figura 9- Processo de enfloragem.[3]
Após ocorrer a libertação dos OE das pétalas depositadas, estas são trocadas por novas pétalas, a este procedimento de troca dá-se o nome de defloração. O processo repete-se até que a camada de gordura sature totalmente e forme uma espécie de pomada, após ocorrer saturação, a gordura sofre um processo de lavagem com álcool etílico[14], dado a afinidade dos OE são solúveis no álcool etílico devido ao seu grau de oxigenação.
As gorduras utilizadas na extração e ceras utilizadas para proceder à extração não são solúveis no álcool etílico, fazendo com que seja possível proceder à separação destas gorduras e do etanol. Posteriormente, através de uma destilação o etanol é removido, permitindo obter um óleo essencial isento de matérias-primas orgânicas.
A duração deste método de extração dependo do tipo de flor que é usada, podendo durar 3 dias até um mês. Este processo, como é feito artesanalmente é um processo difícil, muito demorado e caro, assim como os OE obtidos, uma vez que, um quilograma de gordura só satura com 2 a 3 quilogramas de pétalas[15] fazendo assim com que este método esteja praticamente extinto devido ao seu baixo rendimento. Contudo, devido ao elevado grau de qualidade dos óleos essenciais obtidos, este método de extração continua a ser utilizado.
2.3. O Perfume
O perfume é, por definição uma mistura líquida, isto porque é constituído por mais de uma substância. O constituinte fundamental do perfume é a essência. Além desta, o perfume tem na sua constituição outros compostos como o álcool, um fixador o Propilenoglicol (PG) e água.
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A essência e o fixador são considerados os constituintes principais do perfume, a sua função é melhorar a qualidade do perfume, isto é, garantir que haja uma volatilização mais lenta aumentando assim a duração do perfume sem que se altere a composição.
Em termos de qualidade, o perfume está dependente de uma série de fatores como por exemplo a forma como é produzido, a qualidade das matérias primas usadas, principalmente as essências o fixador e a água, e das condições de armazenamento (material do recipiente, temperatura e humidade) condições estas que podem facilita ou inibir a volatilização.[16]
O preço dos produtos de perfumaria varia consoante a sua classificação e a quantidade de essência que está presente no produto, que é tanto mais caro quanto maior for a concentração de essência. O Eau de Parfum é o produto com maior concentração de essência, fazendo com que seja mais caro que um Eau de toilette.
Devido ao elevado valor comercial dos perfumes, principalmente os perfumes mais apreciados e de marcas de renome, são frequentemente um alvo de contrafação e falsificação.
Estes produtos falsificados acarretam riscos para a saúde pública, uma vez que alguns dos compostos que constituem o perfume são alérgenos que em pequenas quantidades para determinadas pessoas apresentam um fator de risco, as matérias primas usadas na formulação do perfume, nem sempre preenchem os padrões de qualidade, normalmente as essências não tem um fornecedor conhecido e estão em menor percentagem em comparação com um perfume “original”, o álcool desnaturado é substituído por um álcool combustível que contem metanol (extremamente tóxico) fazendo com que o consumidor fique exposto a uma mistura tóxica capaz de provocar alergias e dermatites.
Uma empresa que produz perfumes e que cumpra os padrões de qualidade submete os seus produtos a testes de estabilidade, fotoquímicos e de segurança garantindo assim a conformidade do produto final.[17]
2.3.1. Estrutura dos perfumes
Os perfumes sempre fizeram parte do quotidiano de todos os povos, o seu aparecimento deu-se pela mesma altura da descoberta do fogo pelo homem. Sabemos que os primeiros perfumes estão ligados aos atos religiosos em que se homenageavam os deuses, uma vez que nessa época se acreditava que o fumo e o cheiro proveniente da queima de folhas e madeira fazia com que os
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deuses atendessem às suas preces. [18] Foram ainda usados na medicina, por monges e doutores.
Nos dias de hoje, a indústria utiliza em média 2000 a 3000 matérias primas diferentes para a produção dos perfumes, estas matérias primas, como já foi referido anteriormente, podem ser de origem natural (plantas e animais) ou sintética (produzidas em laboratório).
Em termos de essências ou fragrâncias, estas são classificadas e organizados, como podemos ver na Figura 10, segundo a sua volatilidade e as suas características olfativas. De momento existem 14 grupos de essências: cítrica > lavanda > ervas > aldeídico > verde > fruta > floral > especiarias > madeira > couro > animal > almíscar > âmbar > baunilha.
Figura 10- Fragrâncias dividas de acordo com as notas de um perfume. [18]
Os perfumistas distribuem a combinação das fragrâncias que compõe o perfume por notas de um perfume. Há até uma analogia entre o perfume e a música, em que cada aroma corresponde a uma nota e a mistura dos aromas corresponde a um acorde.
A estrutura de um perfume, tendo em conta a volatilidade de cada aroma, possui três notas: notas de saída (ou de cabeça do perfume), notas de coração (ou de corpo do perfume) e as notas de fundo (ou de base do perfume). O conjunto das notas do perfume constituem aquilo a que se chama uma pirâmide olfativa indicada na Figura 11.
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Figura 11- Pirâmide olfativa[19].
Nota de saída (ou cabeça): esta nota transmite a parte mais volátil do perfume, ou seja, é a nota que passa a primeira impressão do odor da fragrância quando há a abertura do frasco de perfume ou se aplica o perfume na pele. Esta nota é muito importante no momento em que se escolhe uma fragrância, uma vez que como a perceção é quase instantânea permite à pessoa decidir se a fragrância agrada ou não. Esta nota geralmente dura cerca de 15 minutos após a sua aplicação e é sentida apos 30 segundos da sua aplicação na pele.
Notas de coração (ou de corpo): esta nota é representativa do coração da fragrância, ou seja, possui os principais ingredientes da fragrância. Esta nota é formada pelos compostos de volatilidade intermédia e determina o carácter da fragrância. Esta nota tem uma duração de 15 minutos a 4 horas permitindo o reconhecimento do perfume e dão maior perceção do mesmo. Nota de fundo (ou base do perfume): esta nota apresenta a parte menos volátil e de compostos de massa molar mais elevada, estes compostos geralmente considerados “fixadores” do perfume. Geralmente esta nota leva de quatro a cinco horas para ser percebida e representando assim a etapa final da fragrância. [20]
2.3.2. Famílias Olfativas
A escolha de um perfume é algo muito pessoal, e dependendo de pessoa para pessoa, devido à ligação que o cheiro tem às emoções e às memórias, um odor pode ser mais ou menos agradável.
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Um perfume tecnicamente pode ser classificado segundo dois fatores: a concentração de essência na fórmula do perfume ou de acordo com a família olfativa a que pertence.
Geralmente, odores semelhantes são agregados na mesma família olfativa, cada família possui uma característica específica, embora alguns perfumes se possam classificar com base em mais que uma família olfativa.
Estas classificam se segundo o odor que a compõe, existindo assim as seguintes famílias olfativas[15][21] : i. Florais ii. Amadeirados iii. Orientais iv. Fougères v. Chipre vi. Cítricos
2.3.3. Classificação dos perfumes
Na indústria da perfumaria há uma grande diversidade de produtos, que são classificados de forma diferente tendo em conta a sua composição. Nos produtos de perfumaria esta classificação é feita tendo em conta a percentagem de óleo essencial presente no produto e também a origem do mesmo.
A utilização de um óleo essencial de origem natural num produto de perfumaria aumenta substancialmente o preço do mesmo em relação à utilização de um óleo essencial de origem sintética, uma vez que para se obter uma pequena quantidade de óleo essencial é necessária uma grande quantidade de matéria prima fazendo com que o custo de obtenção seja mais elevado. Tendo em conta percentagem de óleo essencial presente na composição, e de acordo com a representação na Figura 12, o produto é classificado de diferentes formas, como Água de Colónia, Eau de Toilette, Eau de Parfum entre outros.
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Figura 12- Classificação dos produtos consoante a percentagem de essência[22].
O produto de perfumaria com menor quantidade de óleo essencial na sua composição, entre 1 e 3%, é o Eau Fraîche (Água Fresca ou Água Doce) possuindo assim uma leve fragrância.
A Água de Colónia possui entre 3 e 5% de essência, estas águas são por norma frescas e leves. A nível comercial o produto mais popular é o Eau de Toilette, este possui mais essência do que a Água Fresca e de Colónia, contém entre 5 a 10%. A fragância após aplicada pode permanecer cerca de 6 horas.
O Eau de Parfum é um produto um pouco mais concentrado, uma vez que n a sua composição contém entre 10 a 15% de essência. De entre todos os descritos anteriormente é o que permanece mais tempo após a sua aplicação, podendo durar até cerca de 12 horas.
O preço dos produtos de perfumaria pode variar substancialmente de produto para produto, dependendo da sua composição e da sua classificação. Assim quanto maior a percentagem das essências na composição do produto, mais elevado será o preço do produto.[18]
2.4. Compostos alergénios
Os óleos essenciais, além dos perfumes, são um ingrediente fundamental em diversos produtos cosméticos como shampoo, loções, cremes, desodorizantes, sabonetes entre outros, podendo também ser utilizados em produtos de limpeza ou até mesmo na gastronomia. As essências são uma mistura complexa, formada essencialmente por derivados de terpenos, de odor agradável e funcionam como agentes de conservação devidos às suas propriedades antimicrobianas[9]. No entanto, devido à elevada variedade de constituintes, os óleos possuem alguns componentes que no momento em que são aplicados provocam sensibilidade na pele causando dermatites de contato e fotoalergia. Esta sensibilização da pele, pode também ocorrer devido à adição de
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conservantes aos produtos, com o intuito de prolongar a validade do mesmo, uma vez que a adição destes compostos previne o aparecimento de microrganismos que possam causar algum problema de saúde ao consumidor ou que provoquem alterações na aparência do produto. Com o intuito de prevenir possíveis ocorrências de sensibilização na presença destes constituintes, os alergénios, no Anexo III do Regulamento nº 1223/2009[23] estão identificadas todas essas substâncias, que quando presentes em produtos cosméticos e perfumes devem estar enunciados no rótulo do produto e dentro das concentrações permitidas. Neste regulamento, estão ainda listadas todas as substâncias proibidas em qualquer produto cosmético ou perfume.
2.5. Propriedades Organoléticas
A crescente desenvolvimento da indústria nos últimos anos, principalmente a no setor dos cosméticos e da perfumaria, implica que haja um controlo mais apertado dos produtos, em termos de qualidade e da sua composição. Um produto, seja ele um perfume ou uma loção, é tanto mais valorizado quanto melhor for a sua apresentação e a sua aparência, isto é, o potencial de venda é maior quando o produto é esteticamente mais apetecível.
A estabilidade de um perfume é um parâmetro de controlo de extrema importância, a estabilidade passa por manter as propriedades organoléticas durante um determinado período de tempo, geralmente, durante o prazo de validade do produto. As propriedades organoléticas agrupam algumas características do produto, que são: o aspeto, a cor, o odor e o sabor (quando é o caso). Geralmente, estas características podem ser avaliadas por comparação com uma amostra de referência e permitem uma avaliação do estado do produto no imediato. O aspeto permite avaliar visualmente e por comparação com uma referência o produto, se este não sofreu alterações como separação de fases, precipitação e aparecimento de partículas e turbidez. A cor é um dos parâmetros que mais se tem em conta no caso dos perfumes, já que este tem como paradigma ser transparente ou levemente amarelado. A análise da cor pode ser feita de forma extremamente simples, isto é, visualmente ou recorrendo a métodos instrumentais. A análise visual faz se por comparação de cor de um padrão com a amostra à luz natural ou em câmaras de luz com diferentes comprimentos de onda. A análise instrumental pode ser feita recorrendo a métodos como colorimetria fotoelétrica ou colorimetria espetrofotométrica.
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A colorimetria fotoelétrica utiliza um colorímetro em que a célula fotoelétrica funciona como detetor. A colorimetria espetrofotométrica usa uma fonte de radiação com vários comprimentos de onda na região do visível.
O odor, no caso dos perfumes em particular, é a propriedade organolética mais importante. É avaliada por comparação com o padrão de referência, armazenado em iguais condições (embalagem, temperatura e humidade entre outros).
2.6. Conservantes
Com o intuito de aumentar o período de vida útil dos produtos cosméticos são utilizados conservantes, que sem alterar a formulação do produto, protege o mesmo das alterações que possam ocorrer ao longo do tempo, como alterações de cor, do odor, do aspeto, e em alguns casos impede também o aparecimento de bactérias e fungos que podem prejudicar a saúde de quem utiliza o cosmético ou perfume.
A escolha do conservante utilizado em cada produto, e tendo em conta proteção e saúde do utilizador, deve estar de acordo com a lista de substâncias permitidas e concentração máxima admitida presente no Regulamento Europeu nº 1223/2009[23].
O conservante utilizado deve ser estável a qualquer gama de pH e temperatura, deve ser incolor e inodoro para não alterar as propriedades organoléticas do perfume, não deve reagir com outros compostos presentes na formulação e deve ainda, funcionar com baixas concentrações para prevenir o risco de irritação ou de toxicidade[24].
a) Antioxidantes
Os perfumes assim como outros cosméticos possuem na sua formulação uma determinada percentagem de óleos essenciais. Estes, são extremamente sensíveis e quando são expostos a fatores externos como luz, ar, temperatura e humidade que podem provocar alterações das suas propriedades tanto físicas quanto químicas. Quando a exposição ocorre durante longos períodos de tempo aos fatores referidos anteriormente, o perfume acaba por sofrer degradação devido a reações de oxidação causada pela presença de oxigénio, exemplificadas na Figura 13. Na presença de radiação estas reações de oxidação são aceleradas, formam-se radicais livres, originando um odor desagradável (o chamado ranço).
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Figura 13- Mecanismo de ação dos antioxidantes.[25]
Os antioxidantes quando adicionados ao perfume, atuam como bloqueadores do oxigénio existente impedindo que haja a formação de radicais livres, podem também funcionar como removedores ou inativadores desses mesmos radicais, impedindo assim a ocorrência de reações de oxidação. Na Figura 14, estão representados os antioxidantes sintéticos mais utilizados, usam-se polifenóis como o butil-hidroxianisol (BHA) e o butil-hidroxitolueno (BHT) e também benzofenonas,
geralmente é benzofenona-3[25]. A benzofenona tem a capacidade de ser um filtro UV mas
também antioxidante.
Figura 14- Estrutura dos antioxidantes BHA, BHT e Benzofenona-3. [25]
b) Filtros Ultravioleta
A luz solar é constituída por espetro continuo de radiação eletromagnética, que de acordo com o seu comprimento de onda pode dividir-se em 3 tipos de radiação: dos 100-400nm estamos na presenta de radiação ultravioleta (UV), dos 400-780nm radiação visível e a partir de 780nm radiação infravermelho (IV).
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Assim como, nos cremes e nas loções, é possível incorporar na formulação dos perfumes filtros solares, em que o principal objetivo proteger as propriedades organoléticas do mesmo e prevenir possíveis alterações causadas pela exposição solar.
Estes filtros solares podem dividir -se em duas classes: os filtros inorgânicos, considerados filtros físicos e os filtros orgânicos considerados filtros químicos.
Os filtros inorgânicos, como é o caso do dióxido de titânio e o óxido de zinco, fazem com que haja uma reflexão da radiação UV-vis através da formação de um filme constituído por partículas metálicas criando uma barreira opaca que reflete ou absorve a radiação. A absorção ou reflexão da radiação UV depende do tamanho das partículas que constituem o filme criado.
Os filtros orgânicos funcionam de forma diferente dos inorgânicos, estes são constituídos por moléculas capazes de absorver a radiação incidente e transformá-la numa radiação com menor intensidade ou em calor.
i. Salisol AB (Butyl Methoxydibenzoylmethane)
Este filtro absorve a radiação UVA e é talvez o filtro mais utilizado nas formulações de perfumes e cosméticos para proteção deste tipo de radiação. É geralmente chamado avobenzona e possui absorção máxima a um comprimento de entre os 340-365 nm.
Este filtro consiste numa molécula de -dicetona, possuindo assim um equilíbrio tautomérico do tipo ceto-enol[26] esquematizado na Figura 15.
Este equilíbrio pode sofrer alterações por intervenção de fatores como a temperatura, o solvente utilizado e a concentração.
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A forma enol pode apresentar mais do que uma configuração, tal não acontece na forma ceto pois esta possui apenas uma configuração.
Geralmente, nas formulações existe predominantemente a forma enólica que absorve a radiação UVA na região dos 340-365nm. A forma cetónica absorve a radiação do tipo UVC (é a radiação que causa mais danos ao ser humano) e absorve radiação na região dos 260-280nm.
No ano de 1997, a agência federal Food and Drug Administration (FDA), aprovou a presença deste composto na formulação de produtos cosméticos e perfumes numa concentração máxima de 3%. De acordo com o Regulamento (CE) Nº 1223/2009[23], a concentração máxima permitida é agora de 5%.
ii. Salisol OMC (Ethylhexyl Methoxycinnamate)
Este filtro é bastante utilizado na cosmética devido ao seu elevado coeficiente de absortividade molar em diferentes solventes, principalmente ao nível da radiação UVB normalmente aos 310nm. Embora seja um filtro solar, sempre que este é exposto à radiação UV, devido ao isomerismo há uma diminuição da fotoproteção[26].
Este filtro pode ser também chamado de Octinoxate ou por metoxinamato de octilo, cuja estrutura química está representada na Figura 16.
Figura 16- Estrutura química da molécula Octinoxate[26].
iii. Benzofenona
O uso de benzofenonas, cetonas aromáticas, em produtos cosméticos e perfumaria foi aprovado pela FDA na década de 80. A benzofenona, também conhecida por Oxibenzona, é um filtro
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orgânico de radiação solar com a capacidade de absorver radiação UVA e UVB na região dos 270-350nm. Embora sejam alérgenos, apresentam uma baixa incidência de dermatite de contacto[27].
2.7. Maceração
Um perfume além do etanol e da essência contém outros compostos, como antioxidantes, filtros UV e por vezes até corantes, esta composição permitem que no fim de todo o processo produtivo se obtenha um produto estável e de qualidade.
Após a produção do perfume, isto é, após se misturarem todos os constituintes do perfume, este é sujeito a uma maceração, que consiste numa espécie de envelhecimento do perfume. Este processo, tem como principal função eliminar o intenso odor do etanol de modo a intensificar a perceção das notas olfativas características do óleo essencial que constitui o perfume. Esta intensificação das notas olfativas, deve-se ao facto de ocorrerem alterações durante o processo de maceração, alterações como, a variação na concentração de determinadas substâncias e a precipitação de componentes insolúveis na solução. As propriedades organoléticas do perfume são definidas durante este processo.[28]
Este processo é realizado em cubas, onde o perfume permanece durante um período de tempo pré-determinado pelo fabricante e não deve ser confundido com o procedimento que permite obter a matéria-prima, óleo essencial, também chamado de maceração.
Geralmente, o perfume é deixado em maceração à temperatura ambiente durante algumas semanas ou até meses, de forma a assegurar que o perfume adquire propriedades olfativas de maior qualidade, isto porque não existe nenhum estudo sobre o tempo de maceração ao qual o perfume deve ser sujeito. Após terminar este processo, o perfume é colocado a temperaturas baixas onde permanece durante um determinado período de tempo para posteriormente sofrer uma filtração a frio com o intuito de remover possíveis impurezas e partículas que estejam em suspensão.
A maceração é um processo é longo e caro, o que leva a que muitos produtores de perfumes não incluam este processo nas suas produções[29], a única consequência é que o produto acabado apresenta baixa qualidade em relação aos produtos que sofrem maceração.
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2.8. Filtração
O processo de produção de um perfume pode ser extremamente longo dependendo dos critérios que o fabricante estabelece e também devido aos processos que sofre.
A filtração do perfume é realizada posteriormente ao processo de envelhecimento do perfume, maceração, por diversas razões. O processo de maceração é extremamente importante para realçar as notas do perfume, contudo, durante este procedimento o perfume sofre algumas alterações químicas. Os óleos essenciais são misturas complexas, na sua constituição estão presentes ceras e resinas que a baixas temperaturas não são solúveis em água e etanol (solventes polares) ficando assim partículas em suspensão. Estas partículas não interferem de forma alguma na qualidade do perfume, mas em suspensão conferem ao perfume um aspeto turvo. O recurso a este processo permite assim garantir que o perfume fica com um aspeto límpido e transparente. Estudos feitos apontam para que a filtração a frio acelere a maceração, isto porque alguns componentes da essência têm maior solubilidade a baixas temperaturas.
2.9. Estabilidade dos perfumes
Tal como outros produtos cosméticos, desde que é produzido até que termina o seu prazo de validade, o perfume pode sofrer diversas alterações físicas e químicas que afetam a sua estabilidade. Alterações essas que podem ser aceleradas por diversos fatores. Fatores estes que podem contribuir para que haja alteração na estabilidade do perfume, podendo esses fatores ser classificados como intrínsecos, isto é, são devidos à formulação e ao processo de fabrico do perfume, ou como extrínsecos, como é o caso do armazenamento (material e condições), transporte entre outros[30]. Tendo em conta estes fatores, é de extrema importância fazer se o estudo da estabilidade do perfume com o intuito de se aperfeiçoar as formulações, de se escolher o material e recipientes de armazenamento mais adequados, prolongar prazos de validade e manter as propriedades organoléticas.
Estes testes são realizados sob condições de armazenamento especificas com o intuito promover o envelhecimento do perfume e também perceber o comportamento e as mudanças que possam ocorrer, num curto período de tempo, ao longo do seu prazo de validade. A necessidade de realizar testes de estabilidade aplica-se quando ocorre o desenvolvimento de um novo produto, uma produção piloto ou uma alteração da formulação inicial do produto. Podem também ser
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implementados, quando há mudança no procedimento de produção, da matéria prima utilizada ou quando é necessária a validação de novos métodos de produção ou de equipamentos novos. 2.9.1. Fatores Extrínsecos
Um perfume após a sua produção sofre um processo de envelhecimento, maceração, que tem como objetivo promover a eliminação do excesso de álcool e realçar as características odoríferas. Durante este processo o perfume pode sofrer alterações das suas propriedades que não se devem à sua composição e formulação, mas sim a fatores como as condições de armazenamento a que o produto é submetido, nomeadamente[30]:
a) Tempo
O processo de maceração, ou de envelhecimento do perfume, pode durar semanas ou meses dependendo do fabricante do perfume, uma vez que não há um procedimento específico e definido para este processo. Durante o período de tempo a que o produto é submetido a este estágio, este pode sofrer alterações das propriedades organoléticas (cor e odor) e também nas propriedades físico químicas.
b) Temperatura
O perfume normalmente é sujeito a uma amplitude de temperaturas que pode ir dos 0 aos 40 ºC. Estas oscilações de temperaturas, normalmente as mais elevadas, podem afetar propriedades como a viscosidade, aspeto cor e odor.
As temperaturas mais baixas normalmente promovem alterações físicas no perfume, como por exemplo turvação, precipitações e cristalizações. Estas alterações são essencialmente devidas a micropartículas oriundas das essências, que a baixas temperaturas precipitam e provocam turbidez ao perfume.
c) Luz e Oxigénio
As essências são extremamente sensíveis e pouco estáveis daí que, não devem ser expostas diretamente à luz solar e/ou ultravioleta.
Um perfume exposto a radiação ultravioleta, e associado à presença de oxigénio, promove a degradação de componentes da formulação e formação de radicais livres que originam reações
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de oxidação-redução. Estas reações fazem com que haja a oxidação do perfume, esta altera as propriedades organoléticas, proporcionando ao perfume um odor desagradável, o chamado ranço. Devido a esta instabilidade, os perfumes devem ser armazenados adequadamente de forma a reduzir a exposição à radiação ultravioleta, podendo ainda, durante a formulação e produção do perfume, adicionar-se antioxidantes com o intuito de diminuir ou retardar a oxidação.
d) Material de acondicionamento
Os recipientes de armazenamento do perfume, tanto os utilizados no processo de produção como o do frasco do perfume, devem ser neutros, escuros e opacos de forma a evitar a exposição do produto à luz. Além disso o recipiente deve ser, preferencialmente, de metal no processo de produção e o frasco em é vendido de vidro. Embora, antes do armazenamento, devam ser feitos testes de compatibilidade entre o material do recipiente e o perfume.
e) Transporte
O transporte é um fator de instabilidade, isto porque, devido à agitação e vibração pode ocorrer separação das fases do perfume. Outros fatores que podem interferir durante o transporte são a variação de temperaturas, que como já foi referido anteriormente, pode alterar algumas propriedades (viscosidade, cor e odor) e também a pressão, no caso do transporte aéreo, gerando expansão do perfume, que pode provocar o rebentamento do recipiente quando não existe espaço. 2.9.2. Fatores Intrínsecos
Os fatores intrínsecos que podem afetar a estabilidade do perfume, são aqueles que estão associados à formulação/composição do perfume e ao material de armazenamento.
Os ingredientes usados na formulação do perfume (etanol, essências, fixadores, entre outros) podem ser incompatíveis entre si e/ou com o material dos recipientes de armazenamento. Assim, surgem incompatibilidades que podem ser de origem física ou química[30].