w w w . e l s e v i e r . p t / r p s p
Artigo
original
Construc¸ão
de
uma
escala
de
capacidade
para
cuidar
em
paliativos:
processo
de
validac¸ão
de
conteúdo
Carla
Reigada
a,∗,
José
Luís
Pais-Ribeiro
a,
Anna
Novellas
be
Edna
Gonc¸alves
caDepartamentodePsicologia,FaculdadedePsicologiaeCiênciasdaEducac¸ãodaUniversidadedoPorto,Portugal;Servic¸odeCuidados
Paliativos,CentroHospitalardeSãoJoão,EPE,Porto,Portugal
bUniversidadedeBarcelona;InstitutoCatalãdeOncologia,Barcelona,Espanha cServic¸odeCuidadosPaliativos,CentroHospitalardeSãoJoão,EPE,Porto,Portugal
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sobre
o
artigo
Historialdoartigo: Recebidoa14demaiode2013 Aceitea3dejunhode2015 On-linea21deagostode2015 Palavras-chave: Validac¸ãodemedidas Cuidadospaliativos Capacidadesfamiliares Validadedeconteúdo
r
e
s
u
m
o
Emcuidadospaliativos(CP)éessencialapostarnobem-estar.Oobjetivodesteestudoé apresentaroprocessodeconstruc¸ãoevalidac¸ãodeconteúdodaescaladecapacidadepara cuidarempaliativos(ECCP).Criou-seumalistade58itensquefoiavaliadaporprofissionaise porumgrupodecuidadoresemCP,comrecursoàtécnicadeíndicedevalidadedeconteúdo eàtécnicapensaralto,respetivamente.Opré-testeobteveconcordânciadevariáveisem 47itens,sendoquenenhumobtevevalor<3.Osresultadosmostramqueoinstrumentoé dotadodevalidadedeconteúdo,consistenteesuscetíveldeseraplicadoàpopulac¸ãoalvo. ©2015TheAuthors.PublicadoporElsevierEspaña,S.L.U.emnomedaEscolaNacional deSaúdePública.EsteéumartigoOpenAccesssobalicençadeCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Development
of
an
instrument
to
assess
the
capacity
for
families
to
provide
home
care:
content
validation
process
Keywords: Validationofmeasures Palliativecare Familyabilities Contentvalidity
a
b
s
t
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c
t
Inpalliativecareitisimportanttopromotethewellbeing.Theaimofthisstudyistopresent thecreation/validationprocessofthescaleforCapacitytoCareinPalliativeCare(ECCP). 58itemswerecreatedandthendiscussedandmeasuredbyagroupofexpertsandcaregivers ofPC,usingtheContentValidityIndexandCognitiveDebriefingtechniques.Thepeer-test reachedanagreementon47items,noneofwhichobtainedavalue<3.Thisstudyshows thattheinstrumentisendowedwithcontentvalidity,whichallowsustoconcludethatitis aconsistentinstrumentliabletobeappliedtothetargetpopulation.
©2015TheAuthors.PublishedbyElsevierEspaña,S.L.U.onbehalfofEscolaNacionalde SaúdePública.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
∗ Autorparacorrespondência.
Correioeletrónico:[email protected](C.Reigada). http://dx.doi.org/10.1016/j.rpsp.2015.06.002
0870-9025/©2015TheAuthors.PublicadoporElsevierEspaña,S.L.U.emnomedaEscolaNacionaldeSaúdePública.EsteéumartigoOpen AccesssobalicençadeCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
SegundoaOrganizac¸ãoMundialdeSaúde(OMS),oscuidados paliativos(CP)devemfocarasuaatenc¸ãoeintervenc¸ãonão apenasnodoente,mastambémnafamília1.Domesmomodo
quesejustificaarealizac¸ãododiagnósticoclíniconodoente (problemasfísicos,psíquicos,sociaiseespirituais),étambém essencialqueseavaliemasnecessidadesdogrupofamiliar ondeeleseencontrainserido,sendoestevistocomoatrave mestraaolongodoprocessodedoenc¸a.
Cuidardealguémemfimdevidaacarretaumacarga acres-cida narotina de quemcuida e, consequentemente,o seu bem-estarésuplantadoporefeitos negativos,demoradose exigentes2.Muitasvezesa(in)capacidadedosfamiliares
cui-dadoresparalidarcomasdimensõescoadunadasaocuidado inviabilizaamanutenc¸ãododoenteemcasa,mesmoqueseja esta a vontade de ambos. Persiste então a ideiade que a investigac¸ãoaplicadaàsnecessidadesecapacidadesda famí-liaéhojefundamentalemproldeumaassistênciamelhorada ehumanizada2,3.
Reigadaetal.4estiveramnestalinhadeorientac¸ãoquando
realizaramumestudoempíricoqualitativoassentena groun-dedtheory(GT)onde, recorrendoà técnicade gruposfocais comfamiliaresdedoentesoncológicospaliativos,obtiveram uma lista de indicadores de capacidades e incapacidades dafamíliaparacuidar.Esteinstrumento(check-list)é enten-didopelosautorescomoumelementofacilitadorparauma equipa de CP, na medida em que permite a identificac¸ão da «incapacidadechave» que deve sertrabalhada,fazendo jusaumaintervenc¸ãoprecoce,direcionadaepersonalizada. Nesse estudo foram identificadas 4dimensões (eixos) que comportamfatores(categorias)condicionantesàcapacidade paracuidar:o eixoda prática(internamento, ajudas técni-cas,recursossociais/saúde,CP,apoiopsicológico,deslocac¸ão, despesasnodomicílio);oeixorelacional(vínculos,perda, pri-vacidade,intimidade,apoioaocuidador,partilha);oeixoda experiênciainterna(sentimentos,estratégiasdecoping,afeto, sofrimento,morte,apoiopsicológico)eoeixodoestadode saúde (recuperac¸ão, sintomas, informac¸ão sobre a doenc¸a, vulnerabilidadedocuidador)4. Esteconjuntode variáveis é
defendidopelosautorescomoaquelesquepermitemounãoa famíliacuidar.Foiapartirdesteestudoquesurgiuodesafiode criaraescaladecapacidadeparacuidarempaliativos(ECCP) porformaaidentificar,medirevalidarasreferidasvariáveis. Diversosautoressalientamautilidadedosinstrumentosde investigac¸ãoemsituac¸õesdifíceis5,6.Hudson7 realizouuma
revisão sistemática da literatura com o objetivo de identi-ficaros instrumentosde avaliac¸ãoaplicáveis afamílias de doentesemCP.Nos110artigosestudados,62instrumentos foram identificadossendo que apenas43% foram original-mente desenvolvidos num contexto de CP e somente 24% encontram-setraduzidosparaoutroidioma.Estaestatística nãoincluiosinstrumentosquevisamavaliaracompetência eapreparac¸ão dos cuidadores,como aCaregivers Compe-tenceScale(CCS)8,CaregivingMastery(CM)9,Preparedeness
forCarevigingScale(PCS)10.
A CCS foi desenvolvida por Pearlin et al.8 nos Estados
UnidosAméricaepretendemedirapercec¸ãoqueos cuida-dores têmem relac¸ãoao seu desempenho. Foicriada com
basenumaamostrade cuidadoresdepessoascom demên-cia e écomposta por4 itens com resposta tipo Likertque varia de «nada competente» (0) a «muito competente» (3). A sua consistência interna é considerada aceitável (Alpha Cronbach0,86).Asquestões1.Howcompetentdoyoufeel?, 2. Howself-confident?, 3. Howmuchdo you feel that you havelearnedtodealwithdifficultsituations?,4.Howmuch doyoufeelthatallinall,youareagoodcaregiver?,integram esteinstrumentoeestãoassentesemalgumasvariáveiscomo autoestima,percec¸ãodacompetênciaeresiliência.
AescalaCM9 estáintimamenterelacionadacomaideia
deconstructospsicossociaistaiscomosentimentode auto-controloeautoeficácia,o queporsuavezestáarrolado ao nívelde stresseedepressãonos cuidadores.ACM permite avaliarapercec¸ãodoscuidadoresrelativamenteàsua capaci-dade/eficiênciaparacuidar,naáreadadoenc¸adeAlzheimer. Desenvolvida em 1989, na Austrália, trata-se de um ins-trumento que integra 5 escalas diferentes que avaliam o conhecimento,aexaustão,oimpacto,asatisfac¸ãoea ideolo-giadoscuidadoresemrelac¸ãoaoseupapeldecuidar.Noque respeitaaoconhecimento(mastery)aescalaintegra12itens eregista um AlphaCronbach de 0,59 (consistênciainterna baixa/inaceitável)11.
Porúltimo,aPCS,criadaem1990porArchboldetal.10com
cuidadoresdepessoascomdoenc¸aoncológica,éumaescala deautoavaliac¸ãocom8itensqueavaliaapercec¸ãodocuidador relativamenteàsuapreparac¸ãoparaprestarcuidadosfísicos, apoioemocional,bemcomolidarcomoestresse.As respos-tasestãoclassificadasde0(nadapreparado)a4(muitobem preparado)eapresentaumaconsistênciainternadeelevadaa moderada(AlphaCronbachvariaentre0,86-0,92)12.
Estes seriam os instrumentos mais adequados à temá-tica do presente estudo – a capacitac¸ão familiar –, mas, paraalémdeteremsidocriadoscombaseembibliografiae nãonaexperiênciavivida,ositensqueasconstituemficam muito aquémdas variáveis encontradasno estudode Rei-gada etal.4, oquedesde logojustificou acriac¸ãoda ECCP.
A escalade Zarit13 queseencontra validadapara alíngua
portuguesaemPortugalnumcontextodeCPétambém con-siderada um bom instrumento para medir a exaustão do cuidador.
A criac¸ãode uminstrumentode medida exigeprecisão porpartedoinvestigadore,alémdisso,paraquemec¸a efe-tivamenteaquiloquesepretendemedir,oinstrumentodeve serconsideradoconsistenteeválido.Entende-sepor consis-tência a medida de confianc¸a que uminstrumento traduz quando aplicadorepetidamente emsituac¸ões semelhantes refletindo resultados similares, oque indiciaque o instru-mentoéestável14.Noquerespeitaàvalidade,espera-seque
oinstrumentomec¸aoquerealmentepretendemedirepara issodeve serconsideradonosdiferentes tiposde validade: validadefacial,validadede conteúdo,validadedecritérioe validade deconstrcuto15.A validadefacial eavalidade de
conteúdopodemsercomprovadasatravésdaanálisedo ins-trumentoporumgrupodepessoascomexperiênciapráticano fenómenoemestudo(estratégiadejulgamento).Oíndicede validac¸ãodeconteúdo(IVC)éumadastécnicasquepermite avaliar a concordânciados especialistasface a um instru-mentodemedida,relacionandooconteúdoestudadoeograu demedida daamostra14.OIVCéconseguidopelasomada
concordânciado nível dositens (I-IVC), isto é, somandoo númerodeitensavaliadospelosespecialistascomvalor≥3 edividindo-oposteriormentepelonúmerototalderespostas. Estatécnicapressupõeque,quandoexistam6oumais peri-toshaja,nomínimoparacadaitem,umgraudeconcordância de80%entreosavaliadores.Destaforma,oitempoderáser consideradoválido.Aindaemrelac¸ãoaonúmerode especia-listasaenvolvernaamostra,aconselha-seumnúmeroentre 3-10especialistaserecomenda-sequeopré-testeseja avali-adopelomenosem2momentosdistintos,permitindoassim asuareformulac¸ãocomvistaaomelhoramentodositensque aconsituem16.
Outratécnica defendidapelosinvestigadoresda áreada qualidadedevidaéatécnicadopensaralto(PA).Nesta,os par-ticipantessãoconvidadosarefletir(pelaescritaoupelodebate oral) sobre determinado tema; no contexto de desenvolvi-mentodeinstrumentosdeavaliac¸ão,ogrupodeparticipantes refletesobreosignificadoeacompreensãodecadaitem,que porsuavezseencontrarelacionadoaumacategoria (variá-vel).Estatécnicaéconsideradasistemáticaepretenderealc¸ar aspetosquecarec¸amdecomentáriosquantoàcompreensão dapalavraedasintaxe.Atualmenteosmétodoscognitivossão frequentementeutilizadosna criac¸ãode pré-questionários, poispermitemcompreender,completaremelhorara compre-ensãodealgumviésemresultadosquantitativos17.
Opresenteestudopretendeavaliaravalidadefacialea vali-dadedeconteúdodaECCP,desenvolvidapelosinvestigadores combasenosindicadoresdecapacidadedecuidarem doen-tesoncológicospaliativos(ICCDOP)apresentadosporReigada etal.4.
Método
Estudodescritivodenatureza metodológicamistaque des-creveoprocessodeconstruc¸ãoevalidac¸ãodeconteúdode umaescalacomrecursoàtécnicaIVCePA.Oprojetofoi apro-vadopelo ConselhoCientíficodaFaculdade dePsicologia e CiênciasdaEducac¸ãodaUniversidadedoPorto,Comissãode éticaeConselhodeinvestigac¸ãodoCentroHospitalardeSão João(CHSJ),EPE.Arecolhadedadosfoirealizadanosmeses dejaneiroesetembrode2012.
Paraaselec¸ãodosparticipantesnoestudofoiutilizadauma amostraporconveniênciae/ouintencional:
Grupo um (G1) – profissionais de saúde com formac¸ão e experiência em CP, conhecedores das necessidades dos familiarescuidadoresdedoentesoncológicospaliativos (espe-cialistas); constituído por 4 médicos, 5 enfermeiros e um psicólogo(n=10)doServic¸odeCuidadosPaliativos(SCP)do CHSJ,EPEqueforamconvidadosparaparticiparnas2fasesda investigac¸ão.Nomáximoresponderam7pessoasnaprimeira fasee8nasegundafase.
Grupo2(G2)–Foramselecionados10familiares cuidado-resdedoentesseguidospeloSCPCHSJtendocomocritérios deinclusão:serfamiliarcuidador,maiorde18anos,biológico ounão,implicadoouresponsávelpeloscuidadosdopaciente oncológicopaliativo;ter disponibilidade/interesseem parti-ciparnoestudo;nãoseencontrarnumprocessodelutopor mortedeentequerido.Foramexcluídostodosaquelesquenão cumpriamoscritériosdeinclusão.
Procedimentos
Identificac¸ãoeoperacionalizac¸ãodasvariáveis
Para a construc¸ão dos itens da ECCP foram consideradas as seguintes variáveis que se encontram integradas em diferentes dimensõestal como já descrito anteriormente4:
internamento; ajudastécnicas; recursossociais/saúde; cui-dadospaliativos;apoiopsicológico(inadequado);deslocac¸ão; despesanodomicílio;recuperac¸ão;sintomas;vulnerabilidade docuidador;vínculos;perda;privacidade;intimidade;apoio ao cuidador; partilha de experiências; saber cuidar; senti-mentodeseguranc¸a;esperanc¸a;medo;impotência;angústia; tristeza;obrigac¸ão;responsabilidade;revolta;culpa; solidão; descontroleemocional;amor;nostalgia/saudade;estratégias decoping;afeto;sofrimento;morte.
Elaborac¸ãodositens
Para cada indicador foram criadas 2 afirmac¸ões (itens), à excec¸ão de 14 indicadores integrados no eixo da experi-ência interna por serem claramente objetivos. Cada item encontrava-se respetivamente marcado ao indicador espe-cífico que se pretendia medir e as respostas eram dadas numaescaladeLikertcomalternativasde1-5,entre«nunca» a «sempre» ou entre «nada» a «bastante». A sequência dositens encontrava-seorganizadada seguinteforma: pri-meiro pelo eixo da prática (14 itens correspondentes a 7indicadores), seguidadoeixodeestadode saúde(8 itens correspondentesa4indicadores),oeixorelacional(14itens correspondentesa7indicadores)eoeixoexperiênciainterna (22itenscorrespondentesa18indicadores).Cinquentaeoito itensforamcriadosnatotalidade.
Debatedopré-teste(validadefacialevalidade deconteúdo)
Apósaelaborac¸ãodositens,iniciou-seoprocessodevalidac¸ão facialedeconteúdodoinstrumento.Numprimeiromomento o pré-teste foi discutido pelo G1 com uma reflexão falada acercadecadaitem(PA).Posteriormente,opré-testefoi envi-ado paracada umdosparticipantes do G1 via e-maile foi solicitado que cada um individualmente medisse de 1-5 a clareza (C) e objetividade (O) de cada item. Pretendeu-se avaliar se os itens estavam redigidos de forma simples e nãoambígua(1=«semclareza»e5=«bastanteclaro»)eem quemedidacadaitemavaliava/mediaoindicadorrespetivo (1=«semobjetividade»e5=«bastanteobjetivo»).Naprimeira fasefoitambémpedidoaosparticipantesdoG1que comentas-semcadaitemesugerissemasalterac¸õesquelhesparecessem pertinentes.Opré-testefoidepoismodificadocomas suges-tões dosespecialistas,sendo asegunda versãoenviadaaos mesmos15diasdepoisparaquesecotassenovamentecada itemquantoàCeO.Nestasegundafasejánãoforam con-templados comentários.Deseguidafoi criadaa versãoum doinstrumentoquefoi aplicadoaos10familiares cuidado-res(populac¸ãoalvo –G2)que,napresenc¸adoinvestigador, lerameresponderamemvozaltaaoquestionárioapontando ecomentandooquecadaitemlhespedia(técnicaPA).Nesta
fasefoisolicitadoaosparticipantesquesugerissemalterac¸ões easescrevessemnopróprioinstrumento.
Os dados foram analisados com recurso ao programa Microsoft Excel 2010. Para avaliar a concordância entre os especialistas foram considerados os itens que obtive-ramI-CVI≥80%comvalores≥4(«muito/bastanteclaros»e «muito/bastanteobjetivos»).
Resultados
Aapreciac¸ãodoG1compreendeuumaanálisequeadveiodo debateeconfrontoescritoentreosparticipantes(PA),oque permitiumelhorarasquestõesteste,querrelativamenteàsua clarezaqueràsuaobjetividade.OPApermitiuumamelhor compreensãoeredac¸ãode cada iteme,porconseguinte, a possibilidadedeobterumarespostamaisfidedigna.
Entendeu-sehaverconcordânciadevariáveis(CV)quando ositensapresentaramsimultaneamenteconcordânciaquanto àCeO.
Atabela1ditaapercentagemde concordânciaentreos especialistasconvidados.Seteespecialistas(nomáximo) res-ponderamdeformaquantitativano1.◦momentodaavaliac¸ão dositense8no2.◦momento.Noquerespeitaàavaliac¸ão qua-litativa(feitasomenteno1.◦momento),todososespecialistas realizaramosseuscomentários.Porexemplo,emrelac¸ãoao itemA1«Quandoomeufamiliarnecessitadeinternamento, tenhoresposta»oespecialistaapreciou-odaseguinteforma: «Como a decisão final de internar égeralmente médica
parece--meimportanteacrescentar:quandopensoque...»;ouentãoem relac¸ãoaoitemC18*«Seicuidardomeufamiliar»o especia-listaentendeu«ArespostaémuitoSim/Não»esugeriuaseguinte alterac¸ão:«Sintoqueseicuidardomeufamiliar».
Évisívelpelatabela1queno1.◦momentoobteve-se ime-diatamenteumaCVem24itens.Noquerespeitaàclareza, 34itensapresentaramumI-IVC≥80%equantoàobjetividade 37itens.Apenas4itensforam medidospelosparticipantes comvalores<3(A2;C15;C16*;D19.14/15).
Nosseuscomentáriosesugestões,osespecialistasforam deopiniãoqueositensA1,A2,A3,A4,A5*,B8*,B10*,B11,B11*, C14*,C16*,C18*,D19.1,D19.9,D19.14/15,D20eD20*podiamser melhoradosquantoàclarezaeositensA2,A3,A5*,A6*,A7*, B8*,B11, B11*,C13, C14,C15,C16*, D19.1,D19.9,D19.14/15, D20*,D21*eD22*beneficiavamdemaiorobjetividadecomvista aeliminarasdúvidasemrelac¸ãoàmedic¸ãodavariável.Os especialistasforamunânimesrelativamenteànecessidadede exemplificaroconceitodeajudastécnicaspresentenoitem A2.OitemB9*foioquemaisdúvidasuscitou,masoqueteve menossugestõesdereformulac¸ão.
Opré-testefoi entãoreformuladotendo emcontaestes primeirosresultados eanova versãofoidevolvida aos par-ticipantesdoG1(especialistas).
Trinta e três itens não registaram CV ≥80%, mas não sofrerammodificac¸õessignificativasquantoaoI-IVC(≥80%) (tabela 2). O item C18 reaparece nesta tabela por ter sido respondido apenaspor 2especialistasna primeira fase da validac¸ãodopré-teste.
NasegundafasedoestudofoiconseguidaumaCV≥80% em 23 dos 33 itens em falta. No que respeita à clareza, 27itensapresentamumI-IVC≥80%,sendoqueosrestantes
5nãoobtiveramvalores<3;equantoàobjetividade,28itens apresentam umI-IVC≥80%,sendoque osrestantes 4não obtiveramvalores<3.
Emsuma,os58itensdopré-testeatingiramumaCVem 47itens(I-IVC≥80%).Dos11itensquenãoconseguiramobter umaCV≥80%,5nãoatingiram(n=3)oudiminuíram(n=2) nasuaclarezae6nãoatingiram(n=3)oudiminuíram(n=3)a suaobjetividade.Assim,podemsermelhoradosquantoàsua clarezaositensD19.12,B9*,A1,A7*,A3equantoàsua obje-tividadeositensB8*,A5*,A2;B10,B10*,C16,salvaguardando quenenhumdelesobteveumvalor<3.
Noquerefereaos10 familiarescuidadoresselecionados (G2),9eram dogénero femininoeummasculino.Amédia de idades era de 39 anos (min. 23, max. 75;DP=15,1) e a maioriaeramcasados(70%).Sessentaporcentodos partici-pantesresidiam noPortoenoqueserefere àsrelac¸ões de parentescoforamosfilhosquemaisparticiparamnoestudo (60%),seguindo-seoscônjuges(n=3)eumaneta.Ograude escolaridadedosparticipantesvariava:2licenciados,2como 12.◦ano,2como9.◦ ano,umcomo7.◦ano;2tinhama4
.a classeeumtinhaa3.aclasse.
Cadaquestionáriodemorouemmédia23minutosparaser comentadoepreenchido.Osresultados obtidosforam ana-lisados deforma qualitativa, com destaqueparaos pontos positivosamelhorarsegundoosfamiliares(tabela3).
Discussão
A procura pela melhoria diária do bem-estar psicossocial dofamiliar cuidadoréumaprioridadeatualnosCP18. Este
estudosurgenessalinhadeinvestigac¸ão,namedidaemque após umaanálisedosinstrumentosexistentesparaavaliar familiarescuidadoresverificou-seacarênciadeferramentas sobreobem-estareosofrimentonestegrupoalvo,emborase reconhec¸aquetalpassamuitoparaalémdaquantificac¸ão7.
A ECCP criada e apresentada neste estudo tem a par-ticularidade de poder identificar a incapacidade-chave a ser trabalhada jáque cada item medeuma (in)capacidade específica4.Porexemplo,oitemA1*–Quandopensoqueomeu
familiarnecessitadeserinternado,seioquefazer–pretendemedir seocuidadorseencontrainformadodadinâmicadosistema desaúde.OuentãooitemC18*–Sintoqueseicuidardomeu fami-liar–quepretendeavaliarseocuidadorsesentepreparado paracumprirtarefasmaispráticascomo odar banho,gerir medicac¸ãoeposicionarodoente.Reigadaetal.4identificaram
noseuestudoempíricoqueteracessoágilaointernamento hospitalar(informac¸ão)podeaumentaracapacidadepara cui-dar,assimcomoteracertezadequecumpremasboaspráticas parasatisfazerasnecessidadesbásicasdoseufamiliardoente. Estesexemplosconcretosservemparademonstrarapotencial aplicac¸ãodaECCPaumcuidador.Oresultadopassariapela identificac¸ãodestasvariáveisatestandoasuacapacidade(ou não)paracumpri-las.Seefetivamenteocuidadorsemostrasse incapazdelevaracaboestastarefaspoder-se-iaconcluirquea suacapacidadeparacuidar,naquelemomento,estaria dimi-nuídaedificultada.Porém,umavezidentificadaavariável, oprofissionalpoderiaensinar-lheosprocedimentos necessá-riosdemodoatornarocuidadormaiscapaz.
Tabela1–Concordânciarelativamenteàclareza(C)eobjetividade(O)dos58itensiniciais(1.◦momento)
Clareza Objetividade
Experts(n.◦) Conc(%) Experts(n.◦) Conc(%)
Dimensãoprática
A1Quandoomeufamiliarnecessitadeinternamento,tenho
resposta
4 25 7 100
A1*Quandoomeufamiliarnecessitadeserinternado,seioque
fazer
5 40 6 100
A2Semprequesintonecessidade,tenhoacessoaajudastécnicas 5 20 7 57
A2*Asajudastécnicasquetenhoemcasa,ajudamacuidar 5 20 7 57
A3Quandonecessito,consigofalarcomaequipadesaúdesobre
meufamiliar
5 40 7 71
A3*Quandonecessitodeajudadasinstituic¸õesdoestado(centro
desaúde,hospital,seguranc¸asocial...),tenhoresposta
4 75 6 100
A4SintoqueaequipadeCuidadosPaliativosmeajudaacontinuar
acuidardomeufamiliar
5 80 7 100
A4*Quandonecessitodaequipadecuidadospaliativos,tenho
resposta
5 80 7 86
A5Quandonecessitodeajudadeumpsicólogotenhoresposta 5 80 7 86
A5*Oapoiodoservic¸odepsicologiaajuda-meacuidardomeu
familiar
5 40 7 43
A6Quandoomeufamiliarprecisademimeupossodeslocar-me
parairtercomele(a)
5 80 7 71
A6*Asdeslocac¸õesquefac¸oparacuidaromeufamiliarafetama
minharotina
6 83 6 50
A7Consigoassegurarasminhasdespesasdesaúde 5 60 7 86
A7*Adoenc¸adomeufamiliarfezcomqueasminhasdespesas
aumentassem
5 100 6 67
Dimensãoestadodesaúde
B8Quandoomeufamiliarestábem,aproveitoessediaaomáximo
comele
4 100 7 86
B8*Perturba-meveromeufamiliarapiorar 5 40 7 14
B9Conhec¸o/identificoossintomasqueresultamdadoenc¸adomeu
familiar
4 100 6 67
B9*Seioquefazerparacontrolarossintomasdomeufamiliar 3 67 5 20
B10Estouinformado(a)acercadasituac¸ãoclínicadomeufamiliar 5 100 7 100
B10*Estouinformadodagravidadedadoenc¸adomeufamiliar 5 80 7 71
B11Tenhocapacidadefísicaepsicológicaparacuidardomeu
familiar
5 60 6 83
B11*Tenhomuitosproblemaspessoaisquenadatêmavercoma
doenc¸adomeufamiliar
5 20 6 50
Dimensãorelacional
C12Arelac¸ãocomomeufamiliardoenteéboa 4 100 6 83
C12*Omeufamiliarpartilhaacontecimentosepensamentos
comigo
5 100 6 83
C13Souumapessoaquevaisempreàluta 5 80 6 67
C13*Consigoveroladopositivodeumasituac¸ãodifícil 5 80 6 100
C14Tenhoprivacidadequandoestoucomomeufamiliar 5 80 7 86
C14*Sintoqueaminhavidasetornoupúblicaparaosoutros 5 40 7 43
C15Cuidardomeufamiliartemfeitosentir-memaispróximo
dele(a)
5 80 6 50
C15*Sintoqueomeufamiliargostadesercuidadopormim 5 100 6 83
C16Tenhofamíliaeamigosquemeajudamalidarcomadoenc¸a
domeufamiliar
5 100 7 86
C16*Seeutivesseadoenc¸adomeufamiliar,quantaspessoasme
apoiariam?
4 75 6 33
C17Consigopartilharaminhaexperiênciadecuidarcomosoutros 5 80 7 100
C17*Consigopartilharacontecimentosepensamentoscomomeu
familiar
5 100 6 83
C18Sintoqueomeufamiliarestábemcuidadopormim 2 100 1 100
C18*Seicuidardomeufamiliar 5 60 6 100
Dimensãoexperiênciainterna
Tabela1–(Continuac¸ão)
Clareza Objetividade
Experts(n.◦) Conc(%) Experts(n.◦) Conc(%)
D19.2Sentiesperanc¸a 5 80 7 100
D19.3Sentimedo 5 100 7 100
D19.4Senti-meimpotente 4 100 6 100
D19.5Sentiangústia/ansiedade 4 100 6 100
D19.6Sentitristeza 3 100 6 83
D19.7Sintoquesouobrigadoacuidar 5 80 7 71
D19.8Sintoresponsabilidadeemcuidardomeufamiliar 4 75 6 100
D19.9Sentiraiva/revolta 3 33 5 80
D19.10Senticulpa 4 75 6 100
D19.11Sentisolidão 4 100 6 83
D19.12Sinto-medescontrolado(a)quandopensoquevoucuidar
domeufamiliar
4 75 6 100
D19.13Quandocuidosintoamor 4 100 6 100
D19.14e15Sentinostalgia/saudade 4 25 4 100
D20Tenhoestratégiasparalidarcomosofrimento 5 60 7 86
D20*Encontrosoluc¸õesparaqueomeubem-estarmelhore
nodia-a-dia
5 60 7 57
D21Admiroomeufamiliarpelapessoaqueé 4 100 6 100
D21*Omeufamiliaréumapessoacomqualidades 5 60 6 50
D22Seilidarcomomeusofrimento 5 100 7 86
D22*Seilidarcomosofrimentodomeufamiliar 5 100 7 71
D23Tenhomedoqueomeufamiliarmorra 5 100 7 100
D23*Tenhomedodamorte 5 80 7 86
Algunsautoresdefendem queeste tipodeempowerment
familiar,istoé,capacitaralguémnumadeterminadatarefaou dimensão,podefortalecerapessoademodoamelhor enfren-tarasituac¸ãodolorosaemqueseencontra.Alémdisso,pode influenciarpositivamenteoperíodoanteseapósamortedos entesqueridosajudando-osasobreviveràperda19.Neste
sen-tido,umdosmotivosparaoinsucessodasintervenc¸ões na famíliadeve-seàfaltadeobjetividadenosinstrumentosde avaliac¸ãoaplicados.Muitasvezesestesnão provocamuma mudanc¸a,masapenasdetetamnecessidades6.
Dotadadevalidadede conteúdo,onde81% dos58itens apresentaramumaI-IVC≥80%eondeositensfinaisforamno mínimoconsideradosclaroseobjetivos(>3),aECCPrevelaser uminstrumentoconsistenteedinâmicopossíveldeserusado naáreadosCP,maisconcretamentenotrabalhocom familia-resdedoentesoncológicosemfimdevida.Esteinstrumento mostrou-semuitoprático,poispermitiuacimadetudoqueos participantesfalassememvozaltadaquiloquemaisos preo-cupa,osseusreceioseassuasverdadeiras«incapacidades»e necessidades,jáqueoitemassimdesafiava.
Esteúltimoaspetoédeextremaimportânciaquando fala-mosemCP.Tercapacidadeepossibilidadedeexpressãopode contribuirparaoprocessodeassimilac¸ão/adaptac¸ãodeuma situac¸ãonãonormativaquesurgenociclovitalfamiliar4.
Mui-tos cuidadores ficam isolados quandocuidam eperdem a suainterac¸ãosocial,oquetrazconsequênciasàsuasaúdee bem-estar20.Ahierarquiadasnecessidadesapresentadapela
pirâmidedeMasloweadaptadaparaosCP21mostra-nosde
forma simplesque as necessidadessociaissão vitais, pois trazemumsentimentodepertenc¸aaumacomunidade. Par-tilharajudaarelativizarosofrimentoepromoveoprocesso deaceitac¸ão4. Contudo, omodocomo asnecessidadessão
suprimidasdependesempredacapacidadefísica,psicológica, socialouespiritualdecadaindivíduo22.
Previamente à criac¸ão da ECCP, foram estudadas 3 escalas específicas que visam avaliar as capacidades dos cuidadores7–10. Depois de solicitar ao autor a CCS, foi
possível verificarque estanão permiteavaliarquestões de dimensão prática (tais como, ter acesso a recursos soci-ais/saúde e fatores económicos), nem permite a avaliar a dimensãorelacional(vínculos,privacidade,intimidade,etc.). Para alémdisso,aCCS pareceserumaescala quepodede serusadanoâmbitodaentrevistadadoqueasperguntassão muitogeraiseoprofissionalteriadeinvestiralgumtempoaté encontrar a verdadeira incapacidade-chave.Embora parec¸a práticadopontodevistaestrutural,acabapornãooserdo pontodevistatemporal.
A CM foi também solicitada ao respetivoautor no sen-tidodeserapreciada,masnãofoipossívelfazê-loemtempo útil. De qualquer forma, entendemos que como o índice de Cronbach se mostrava inaceitável, os itens da escala apresentavam-seheterogéneosedefiniamestruturas multifa-toriais,optamospornãoaconsiderar.APCSsuscitougrande interesse no nosso grupode investigac¸ão. Para alémde se apresentar estruturalmentebem conseguido,integra várias dimensõescontempladasnoestudodeReigada4.Noentanto,
aopc¸ãofoirejeitadaquandoverificamosqueoinstrumento nãoperguntasobrenecessidadesouhabilidadesespecíficas.
Éimportantereferirqueasescalasanteriormente referi-das foramcriadas hácercade25 anosesomente umaem contextodedoentesoncológicos.Nenhumadelasfoicriada comapopulac¸ão-alvodesteestudoeemboraaCCSjátenha sidovalidadaemCP,carecedeitensqueaprofundemoutras dimensões.Outroaspetoinquietanteéofactodeteremsido desenvolvidas fora da Europa, registando assimculturas e tradic¸õesmuitodiferentesnonossocontexto.Assim,aECCP surgeda necessidadedehaver umaescala demedida com aplicabilidade práticano contexto concretodosCP esurge
Tabela2–ItensquenãoobtiveramCVno1.◦momento(n=33) Clareza Objetividade Experts (n.◦) Conc (%) Experts (n.◦) Conc (%) Dimensãoprática
A1Quandoconsideroqueomeufamiliarnecessita
deinternamento,tenhoresposta
7 71 7 86
A1*Quandopensoqueomeufamiliarnecessitadeserinternado,
seioquefazer
7 100 7 100
A2Quandoomeufamiliarprecisadeajudastécnicas(p.ex.cama
articulada,cadeiraderodas,etc.)tenhoacessoaelas
7 100 8 75
A2*Pensoqueasajudastécnicas(camaarticulada,cadeirasanita
ououtra)ajudamacuidar
7 100 7 86
A3Quandonecessito,consigofalarcomomédico,enfermeiroou
outroprofissionaldesaúdesobreomeufamiliar
7 100 7 86
A3*Quandonecessitodeajudadocentrodesaúde,dohospitalou
dosservic¸ossociaistenhoresposta
7 71 7 100
A5*Oapoiodopsicólogo(a)ajuda-meacuidardomeufamiliar.
*responderapenasseestiveraseracompanhadoporumpsicólogo(a)
7 100 7 71
A6Quandoomeufamiliarprecisademimeupossodeslocar-me
parairtercomele(a)
7 100 7 100
A6*Oscuidadosaomeufamiliarobrigamadeslocac¸õesqueafetam
aminharotina
7 86 7 86
A7Consigoassegurarasdespesascomoscuidadosaomeufamiliar
quandoele(a)seencontraemcasa
7 86 6 83
A7*Oaumentodasdespesascomasaúdedomeufamiliaralteroua
minharotinaouhábitos
7 71 6 83
Dimensãoestadodesaúde
B8*Aperdadecapacidadesdomeufamiliarfaz-mesentirmal 6 100 7 71
B9Conhec¸o/identificoossintomasqueresultamdadoenc¸adomeu
familiar
7 100 7 100
B9*Sinto-mepreparado(a)parafazerfaceaossintomasdomeu
familiar
7 57 7 86
B10Estouinformado(a)acercadasituac¸ãoclínicadomeufamiliar 7 100 7 71
B11Sinto-mecomcapacidadefísicaepsicológicaparacuidar
domeufamiliar
7 100 7 100
B11*Existemoutrosproblemaspessoaisqueinterferemnaminha
capacidadeatualdecuidardomeufamiliar
7 86 7 100
Dimensãorelacional
C13Sintoquesouumapessoacomforc¸aparalidarcomas
dificuldades
7 100 7 100
C14Apesardoaparecimentodadoenc¸a,sintoqueaprivacidade
domeufamiliarcontinuaaserpreservada
7 100 7 100
C15Sintoqueomeufamiliarsesente«envergonhado»aoser
cuidadopormim
7 100 7 100
C16*Sintoqueoscuidadosqueprestoaomeufamiliarsão
valorizadospelosoutros
7 86 7 86
C18Sintoqueomeufamiliarestábemcuidadopormim 7 100 7 100
C18*Sintoqueseicuidardomeufamiliar 7 100 7 100
Dimensãoexperiênciainterna
D19.1Sentiseguranc¸a 7 100 7 100
D19.7Sentiquesouobrigadoacuidar 7 100 7 100
D19.8Sentiresponsabilidadeemcuidardomeufamiliar 7 100 6 100
D19.9Sentiraiva/revoltaporestarapassarestasituac¸ãocomomeu
familiar
7 100 7 100
D19.10Senticulpa 7 100 7 100
D19.12Sinto-meaperderocontroloquandopensoquetenho
decuidardomeufamiliar
6 67 7 100
D19.14e15Sentinostalgia/saudadedosmomentossemadoenc¸a
domeufamiliar
7 86 7 100
D20Sinto-mecapazdegeriromeusofrimento 7 86 7 100
D20*Nodia-a-diaencontroestratégiasparacuidardemim 6 83 7 86
Tabela3–Aspetospositivoseamelhorardeacordocom osfamiliares(G2)-avaliac¸ãoqualitativadoinstrumento
I-Aspetospositivos
Nogeralalinguagemmostrou-seacessíveleprática;
Oinstrumentofoibementendidopelosparticipantescom
excec¸ãodeumindivíduocujofamiliarseencontravanuma
condic¸ãoclínicacomplexa(Foimantidooapoioemocional,sem
avanc¸arcomoobjetivodainvestigac¸ão);
Nogeralosparticipantesgostaramdeserabordadossobreestas
questõespoisositenspromoveramareflexãoeaexpressãode
sentimentos,paraalémdeque,foramalvosdeumaintervenc¸ão
personalizada. II-Aspetosamelhorar
Aopiniãodamaioriadosparticipanteséquedeveriahaveruma
opc¸ãoemcadaitemde«nãoaplicável»ou«aindanãoteve»ou
«aindanãoprecisei»principalmentenoquerespeitaaositens
A1,A2,A3,A5;
AmaioriaentendequeaquestãoA3*deveriaserdivididaou
retiradavistoquefoiidentificadacomosendo,decertaforma,
repetidapelaA3;
Aspessoasquepreenchemautonomamenteoinstrumento,
sentemliberdadeparaescreveralguns«slogans»oupequenos
comentáriosemcadaitem:«...sim,masporenquanto»;«...claro
émeupai».
Foiperceptívelduranteaaplicac¸ãodoinstrumentoqueos
participantessentiamdificuldadeemselecionararesposta
pretendida.Osparticipantessugeriramoutraformatac¸ãodo
instrumento.
Propostasdealterac¸ãodesintaxe:
A1–Questiona-se:«masnosCP?»
A1*–«....poderáviranecessitar...»
A3*–«Quandonecessitodealgumacoisa...»
A5–Questiona-se:«Porquêumpsicólogo?»(refere-seaogostar
desertratadodeumaformaholística)
A7–«Consigomelhorar...»;«Nestemomento...»
B9*–«...paraidentificar...»
C15–«...sentevergonhaaoser...»
C17–Questiona-se:«quetipodeassuntos?»
C18–Questiona-se:«quetipodecuidado?»
D19.12–«Hojesinto-me...»;«Sinto-metentadoaperder...»
D23*–«Eusinto...»;«Sintomedodesofrer.»
tambémcomafinalidadedotreinodasincapacidadesdo cui-dador.
OfactodeECCPcontemplarorecursoauma metodolo-giadeinvestigac¸ãomista(oquenãoseverificounacriac¸ão da CCS,CMePCS) vemtrazerumavisãomaisabrangente e autêntica23,24. Os métodos de pesquisa mistos oferecem
umaoportunidadeparaexploraraprofundadamenteum fenó-menotendoemconta2visõesdiferentes.Nocasoconcretoda criac¸ãodeuminstrumentodemedida,aabordagem quan-titativa pode comprovar estatisticamente quais e quantas mudanc¸asocorreramduranteoprocessodecriac¸ão,enquanto osdadosqualitativosprocuramajudaraentenderoporquê dessasmudanc¸as23,24.
Limitac¸ões
do
estudo
Consideramospossíveislimitac¸õesnesteestudoadiferenc¸a donúmerodeparticipantesdoG1(especialistas)daprimeira paraasegundafaseeofactodeaprimeiraversãodo instru-mento se encontrar estruturada pordimensões (ver ponto 2– Elaborac¸ão dosItens). Daanálise dosquestionários foi
possívelperceberqueadistribuic¸ãodositenspoderácarecer deseralteradaemproldeumamelhorerápidainterpretac¸ão dosdados.
Outropassoimportanteparaqueesteinstrumentopossa serconsideradoválidoefiáveléprocederàsuavalidac¸ão psi-cométrica queosautoresassumemseropróximoestudoa realizar.Assugestõesdeixadaspelosparticipantesdeforma qualitativa serão tidas em conta nas próximas etapas da investigac¸ãodeformaagarantirqueoinstrumentomec¸ao queésupostomedir13.
Conclusão
Obem-estardapessoadoenteefamíliadependemdefatores pessoais,culturais,físicos,sociais,psicológicoseespirituais. Aformacomoestaspessoaslidamcomosofrimentodepende dasuacapacidadeeestratégiasdeadaptac¸ãoquevãosendo adquiridaseaprendidasaolongodotempo19.
AECCPéuminstrumentoquepoderá,noseu resultado final,promoveracapacitac¸ãodaquelesquedesejam,masnão podem outêm dificuldadeemcuidar dosseus,epretende seruminstrumentopráticoeútilaosprofissionaisdesaúde envolvidos nos cuidadosa pessoasem CPe familiares, tal comoficoudemonstradonesteestudo.
Conflito
de
interesses
Osautoresdeclaramnãohaverconflitodeinteresses.
Agradecimentos
EstudopatrocinadopelaBolsadeInvestigac¸ãoIsabelLevyda Associac¸ãoPortuguesadeCuidadosPaliativos.
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