UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Qualidade de Projectos de Edifícios de Habitação: Proposta de
Aspectos a Avaliar em Portugal
Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil
João Pedro Patrício Teixeira Júlio
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Qualidade de Projectos de Edifícios de Habitação: Proposta de
Aspectos a Avaliar em Portugal
João Pedro Patrício Teixeira Júlio
Dissertação apresentada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para cumprimento dos requisitos à obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil, realizada sobre a orientação científica da Professora Anabela Gonçalves Correia de Paiva e da Professora Caroline Elisabeth Dominguez, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Labor improbus omnia vincit
I
AGRADECIMENTOS
Às Professoras Doutoras Anabela Paiva e Caroline Dominguez, orientadoras deste trabalho, pelo seu empenhamento e pelos conhecimentos transmitidos ao longo da realização deste trabalho.
Aos Professores Barbosa Vieira e Jorge Faustino pela preciosa ajuda na análise das carências do sector da construção e pela sua contribuição na discussão da primeira proposta de aspectos a avaliar.
A todos os colegas e amigos, do passado e presente, pelo apoio e amizade demonstradas no decorrer da elaboração deste trabalho.
Aos meus pais e irmão pelo constante incentivo e pelo apoio incondicional.
III
RESUMO
Um edifício constitui um sistema muito complexo, o que implica que a avaliação da sua qualidade também o seja, uma vez que cada um dos vários intervenientes nesse processo tem a sua própria noção de qualidade, guiada pelos seus interesses, principalmente financeiros.
O objectivo desta dissertação consiste em elaborar uma proposta de aspectos a avaliar na análise da qualidade de edifícios de habitação, a aplicar na fase de projecto. Deve ser uma proposta de fácil aplicação, pouco extensa e de fácil interpretação.
Este trabalho tem como base o estudo de alguns métodos existentes fora da Europa, como o CASBEE ou o LEED e o trabalho realizado neste âmbito em Portugal, como é o caso do Sistema Líder A.
A metodologia seguida neste trabalho para elaborar a proposta dos aspectos a avaliar, teve como ponto de partida os critérios analisados nos métodos referidos, os quais foram seleccionados de acordo com a sua presença nos diferentes métodos.
A partir dos critérios encontrados foi feita uma primeira proposta dos aspectos a avaliar, que sofreu alguns ajustes mediante consultas feitas a especialistas da área da construção, dando esta consulta origem à versão final dos aspectos a avaliar, constituída por aspectos tais como: custo de exploração do edifício, proximidade a infra-estruturas básicas, a classe energética, sistemas de reutilização de águas pluviais.
Foram ainda definidas as fichas de avaliação dos aspectos dos custos de exploração e manutenção do edifício.
Palavras-chave: qualidade, método de avaliação, aspectos a avaliar, edifícios de
V
ABSTRACT
A building is a very complex system, what implies that the evaluation of its quality becomes a complex process. Moreover, the various actors involved in this process have their own concept of quality, influenced by their interests, namely financial.
The objective of this dissertation consists in the elaboration of a proposal for the aspects to be evaluated for assessing the quality of residential buildings, in the design phase. This proposal should be easy to apply, easy to understand, and should contemplate a moderate number of aspects to be evaluated.
This work is based on the analysis of some existing methods, used outside Europe, like CASBEE and LEED, and on the work developed in this field in Portugal, namely on the Líder A system.
The methodology followed in this work consisted on analyzing the studied methods, and choosing the criteria that are most commonly used, and well adapted to our reality.
A draft proposal for the aspects to be evaluated was first developed. Some adjustments to this proposal were performed after presenting and discussing this proposal with specialists in the construction area. This lead to a new version of the proposal of the aspects to be evaluated. In this last proposal, evaluation sheets for the building operation costs and maintenance have been developed.
ÍNDICE GERAL
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS ... I RESUMO ... III ABSTRACT ... V ÍNDICE GERAL ... VII ÍNDICE DE FIGURAS ... XI ÍNDICE DE TABELAS ... XII
CAPÍTULO1 INTRODUÇÃO ... 3
1.1 Considerações iniciais ... 3
1.2 Objectivos do trabalho ... 4
1.3 Metodologia ... 4
1.4 Estrutura da dissertação ... 5
CAPÍTULO 2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE PROJECTOS DE EDIFÍCIOS ... 9
2.1 Introdução... 9
2.2 Métodos de Avaliação da Qualidade de Edifícios de Habitação em Países fora da Europa ... 11 2.2.1 CASBEE (Japão) ... 11 2.2.1.1 Como Surgiu ... 11 2.2.1.2 Objectivos ... 12 2.2.1.3 Características do Método ... 12 2.2.1.4 A quem se destina ... 13 2.2.1.5 Quem avalia ... 13 2.2.1.6 O Método de Avaliação ... 13 2.2.1.7 Critérios Avaliados ... 15
2.2.1.8 Exemplo de uma ficha de avaliação ... 17
2.2.1.9 Resultados da Aplicação do Método ... 19
2.2.2 CONQUAS (Singapura) ... 19
2.2.2.1 Como surgiu ... 19
2.2.2.2 Objectivos ... 20
2.2.2.4 Quem avalia ... 20
2.2.2.5 O Método de Avaliação ... 21
2.2.2.6 Critérios Avaliados ... 22
2.2.2.7 Exemplo de ficha de avaliação ... 24
2.2.2.8 O seu Custo ... 25
2.2.2.9 Resultado da Aplicação do Método ... 25
2.2.3 LEED (EUA) ... 25 2.2.3.1 Como surgiu ... 26 2.2.3.2 Objectivos ... 26 2.2.3.3 A quem se destina ... 27 2.2.3.4 Quem avalia ... 27 2.2.3.5 O Método de Avaliação ... 27 2.2.3.6 Critérios Avaliados ... 28
2.2.3.7 Exemplo de ficha de avaliação ... 31
2.2.3.8 O seu Custo ... 32
2.2.3.9 Resultados da Aplicação do Método ... 32
2.2.4 HK – BEAM (Hong Kong) ... 33
2.2.4.1 Como surgiu ... 33 2.2.4.2 Objectivos ... 34 2.2.4.3 A quem se destina ... 34 2.2.4.4 Quem avalia ... 34 2.2.4.5 O Método de Avaliação ... 35 2.2.4.6 Critérios Avaliados ... 36
2.2.4.7 Exemplo de ficha de avaliação ... 39
2.2.4.8 O seu Custo ... 39
2.2.4.9 Resultados da Aplicação do Método ... 40
2.3 Propostas de Métodos e Métodos de Avaliação da Qualidade de Edifícios de Habitação em Portugal ... 40
2.3.1 Método de Avaliação da Qualidade de Projectos de Edifícios de Habitação Proposto pelo Prof. Moreira da Costa ... 40
2.3.1.1 Como surgiu ... 41
2.3.1.2 Objectivos ... 41
2.3.1.3 A quem se destina ... 41
2.3.1.5 O Método de Avaliação ... 42
2.3.1.6 Critérios Avaliados ... 43
2.3.1.7 Exemplo de ficha de avaliação ... 45
2.3.1.8 Resultados da Aplicação do Método ... 46
2.3.2 Proposta de João Branco O. Pedro ... 46
2.3.2.1 Como surgiu ... 46 2.3.2.2 Objectivos ... 46 2.3.2.3 A quem se destina ... 47 2.3.2.4 Quem avalia ... 47 2.3.2.5 O Método de Avaliação ... 47 2.3.2.6 Critérios Avaliados ... 50
2.3.2.7 Exemplo de uma ficha de avaliação ... 50
2.3.2.8 Resultados da Aplicação do Método ... 52
2.3.3 Líder A (Portugal) ... 52 2.3.3.1 Como surgiu ... 52 2.3.3.2 Objectivos ... 53 2.3.3.3 A quem se destina ... 53 2.3.3.4 Quem avalia ... 53 2.3.3.5 O Método de Avaliação ... 54 2.3.3.6 Critérios Avaliados ... 55 2.3.3.7 O seu Custo ... 57
2.3.3.8 Resultados da Aplicação do Método ... 57
2.4 Análise Comparativa dos Métodos de Avaliação da Qualidade Estudados ... 58
2.4.1 Análise comparativa dos métodos ... 58
CAPÍTULO 3 PROPOSTA DOS ASPECTOS A AVALIAR ... 67
3.1 Metodologia utilizada ... 67
3.2 Aferição dos aspectos a avaliar ... 75
3.2.1 Aferição... 76
3.3 Significado dos aspectos definidos ... 78
3.4 Forma de Avaliação ... 85
3.4.1 Escala de avaliação ... 85
3.5 Exemplo de avaliação de dois aspectos... 86
3.5.1 Ficha de avaliação dos Custos de Exploração ... 87
CAPÍTULO 4 CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO ... 93 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 97
ÍNDICE DE FIGURAS
Fig. 1. Definição de fronteira proposta pelo CASBEE [6] ... 14
Fig. 2. Fórmula do resultado final no CASBEE [5] ... 14
Fig. 3. Exemplo de ficha de avaliação no método de Moreira da Costa... 45
Fig. 4. Fórmula para o cálculo de um ponto de vista do método proposto por João Branco O. Pedro ... 49
Fig. 5. Critérios avaliados no método proposto por J. B. Pedro ... 50
Fig. 6. Exemplo de ficha de avaliação Método J. B. Pedro ... 51
Fig. 7. Exemplo de ficha de avaliação Método J. B. Pedro (Continuação) ... 52
Fig. 8. Ciclo de avaliação [4] ... 58
Fig. 9. Primeira proposta para as categorias e áreas de avaliação ... 70
Fig. 10. Categoria proposta (Aspectos Construtivos) ... 71
Fig. 11. Novas categorias e áreas de avaliação propostas... 72
Fig. 12. Primeira proposta dos aspectos a avaliar ... 75
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Critérios avaliados no CASBEE-NC ... 15
Tabela 2. Níveis do critério Utilização da Energia Renovável Convertida ... 17
Tabela 3. Esforços a avaliar neste critério ... 18
Tabela 4. Pesos das diferentes categorias do CONQUAS ... 21
Tabela 5. Critérios avaliados na versão 7 do CONQUAS ... 22
Tabela 6. Forma da avaliação no critério “Armaduras” ... 24
Tabela 7. Taxas cobradas para aplicação do CONQUAS ... 25
Tabela 8. Níveis de avaliação no LEED-NC ... 28
Tabela 9. Critérios avaliados na versão 2.2 do LEED-NC ... 28
Tabela 10. Níveis de avaliação proposto pelo HK-BEAM ... 36
Tabela 11. Critérios avaliados na versão HK-BEAM 4/04 ... 36
Tabela 12. Escala do descritor proposta por Costa (1995)... 42
Tabela 13. Critérios analisados na proposta de método do Prof. Moreira da Costa 43 Tabela 14. Escala de descritores definida por J. B. Pedro (2000) ... 48
Tabela 15. Versão 1.2 Líder A ... 55
Tabela 16. Tabela Síntese dos métodos ... 60
Tabela 17. Tabela com as categorias e áreas de avaliação dos métodos... 68
Tabela 18. Critérios existentes nos vários métodos ... 72
Tabela 19. Categoria Aspectos do Local... 79
Tabela 20. Categoria Ambiente Interior... 80
Tabela 21. Categoria Materiais ... 81
Tabela 22. Categoria Energia ... 82
Tabela 23. Categoria Utilização da Água ... 83
Tabela 24. Categoria Aspectos Construtivos ... 83
Tabela 25. Categoria Aspectos Económicos ... 84
Tabela 26. Escala de avaliação da proposta apresentada ... 85
Tabela 27. Pontuação do Critério Custos de Exploração ... 87
Capítulo I
1 INTRODUÇÃO
1.1 Considerações iniciais
O sector da construção civil é o “barómetro” da economia portuguesa, sendo uma área que contribui para uma considerável quantidade dos empregos existentes e para uma dinâmica económico-financeira importante, no entanto deveria ser mais eficiente e disponibilizar um maior número de informação para os seus intervenientes [1].
A construção de edifícios de habitação corresponde a uma importante fracção do sector da construção. Embora Portugal tenha uma baixa taxa de rendimentos per capita comparando com outros países europeus, a percentagem de pessoas que habitam em casa própria é surpreendentemente alta. Em Portugal a posse de casa própria é considerada bastante importante no património familiar [2], correspondendo, em muitos casos, o seu valor a vários anos de salários do agregado familiar. Ainda assim, usualmente, a sua aquisição é feita recorrendo a menos informação do que aquando da compra de um automóvel. Isto acontece porque a existência de especialistas e sistemas de avaliação da qualidade de edifícios de habitação é escassa.
O futuro da construção em Portugal toma proporções preocupantes, tanto pela conjuntura económica negativa como pela baixa qualidade dos empreendimentos construídos. Embora neste aspecto algumas medidas tenham sido tomadas, hoje em dia os utilizadores das habitações possuem outras preocupações que não exclusivamente o seu preço. No entanto a falta de abertura às novas necessidades por parte de alguns promotores, principalmente devido ao custo dessas inovações, impede em parte a melhoria do parque habitacional.
A não existência, em Portugal, de um método ou sistema de avaliação da qualidade de edifícios abrangente, torna-se um entrave à construção de qualidade tão necessária e ansiada nos dias de hoje. Num país como Portugal esta inexistência inviabiliza uma qualidade mais elevada das habitações, porque ainda domina a mentalidade, por parte de muitos promotores e construtores civis, de que “o que não é obrigatório não se faz!”.
Apesar de algumas medidas começarem a aparecer, como a certificação energética, elas ainda não são suficientes para suprir as deficiências existentes na forma de construir.
Assim, há bastante a fazer para que a qualidade média dos edifícios de habitação aumente no nosso país. No entanto a grande concorrência que existe actualmente no sector da construção, bem como o maior grau de exigência do utilizador obrigam em parte, a um aumento da sua qualidade.
Neste sentido é importante a implementação de sistemas que permitam avaliar a qualidade dos edifícios de habitação, logo na fase de projecto. Será nesta fase que as grandes alterações ao parque habitacional podem ser integradas, além de que caso seja necessário realizar alterações para satisfazer os critérios de avaliação, esta é a altura ideal.
1.2
Objectivos do trabalho
O objectivo da presente dissertação consiste em desenvolver uma proposta de aspectos a avaliar na análise da qualidade de edifícios de habitação de fácil implementação. Tendo por base os diversos métodos de avaliação existentes em países fora da Europa, e o trabalho efectuado nesta matéria em Portugal.
1.3
Metodologia
Para cumprir os objectivos acima mencionados a metodologia utilizada neste trabalho consistiu numa pesquisa bibliográfica, no levantamento dos diversos métodos de avaliação da qualidade de edifícios de habitação existentes em países fora da Europa, assim como o trabalho realizado em Portugal nesta área.
Realizou-se uma análise crítica e comparativa entre os diferentes métodos desenvolvidos no estrangeiro e o trabalho desenvolvido em Portugal. Com base nesta análise, foi elaborada uma proposta de aspectos a avaliar a introduzir num futuro método de avaliação da qualidade de projectos de edifícios de habitação. A proposta foi alvo de teste junto de especialistas do sector da construção. Após este teste foi elaborada a proposta final.
Por último foi definido o processo de avaliação de um dos aspectos contemplados na proposta dos aspectos a avaliar.
1.4
Estrutura da dissertação
Para além deste capítulo o presente trabalho compreende mais quatro capítulos, estruturados da seguinte forma:
No segundo capítulo é feita a análise de alguns métodos de avaliação da qualidade de edifícios existentes em países fora da Europa, e propostas de métodos e métodos existentes em Portugal. Ainda é feita a análise comparativa e crítica dos vários métodos estudados neste capítulo.
No terceiro capítulo é desenvolvida uma proposta dos aspectos a avaliar por um método de avaliação da qualidade de projectos de edifícios de habitação, assim como o seu teste junto de alguns especialistas do sector da construção. Neste capítulo é, ainda elaborada uma ficha de avaliação, a título de exemplo, de um aspecto avaliado nesta proposta.
As conclusões e sugestões para trabalhos futuros são apresentadas no quarto e último capítulo.
Capítulo II
2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE
PROJECTOS DE EDIFÍCIOS
2.1
Introdução
A habitação é uma peça vital na vida de qualquer pessoa.É fundamental que ela proporcione qualidade de vida, satisfaça as expectativas dos utilizadores e se enquadre na sua conjuntura futura.
A satisfação dos utentes é directamente proporcional à qualidade habitacional, por isso os intervenientes no processo construtivo (promotores, construtores, projectistas, entidades financiadoras, etc.) devem ter em atenção este aspecto.
Vários aspectos influenciam a compra ou arrendamento de uma habitação:
As razões de compra prendem-se maioritariamente com as necessidades de abrigo, conforto, lazer, estatuto social, investimento imobiliário.
Formação de novo agregado familiar ou transformação do existente;
Alteração das condições económicas familiares, alojamento para trabalhadores ou estudantes deslocados;
A maior parte das noções de qualidade relacionam a qualidade com a satisfação dos requisitos dos consumidores. Segundo a norma British Standard BS4778 [3], “qualidade é a totalidade das características de um produto ou serviço que se reflectem na sua capacidade de satisfazer necessidades especificadas ou implícitas”. Uma habitação deve corresponder às necessidades dos seus utilizadores, e os métodos de avaliação devem ter em atenção esta noção. Devem avaliar de forma a não só garantirem uma boa qualidade construtiva mas dar uma grande importância ao que os utilizadores esperam de uma habitação.
O conceito de qualidade é um conceito complexo, já que existem muitos interesses conforme as entidades envolvidas no projecto, construção e exploração das habitações. Como os seus interesses são diferentes, os seus objectivos finais também diferem, dos quais se seguem alguns exemplos [4]:
Utilizadores – conveniência, qualidade de vida, custo; Construtores – construção, custo;
Arquitectos – projectos, aspectos estéticos, custo; Engenheiros – estrutura, construção, custo; Promotores – negócio, custo;
Bancos, sociedades de investimento imobiliário – financiamento, custo; Imobiliárias – transacção, custo;
Políticos – financiamento, aspectos sociais.
Conflitos podem ocorrer de acordo com as diferentes visões de cada entidade. Como cada entidade dá uma maior importância a certos aspectos, por vezes estas diferentes perspectivas tornam a avaliação da qualidade das habitações um sistema complexo e muito difícil de se aplicar.
Uma habitação não é um meio imutável, isto é, as suas funções podem ser alteradas ao longo dos anos. Desde a sua funcionalidade, uso, manutenção até a aspectos económicos e ambientais.
Por outro lado, os avanços tecnológicos aumentaram os standards construtivos e voltam as atenções para outros aspectos, como o conforto que as habitações podem proporcionar aos seus utilizadores, a sua versatilidade, a sua eficiência energética, a sua sustentabilidade e o seu impacto ambiental no local de implantação.
Vários países sentiram a necessidade da criação de ferramentas que pudessem ajudar a medir a qualidade dos edifícios de habitação. Com a criação de métodos de avaliação, a implementação de normas e leis, alguns países subiram a fasquia do nível de qualidade das suas construções. Deixaram de considerar a qualidade das habitações como uma noção abstracta e tornaram-na uma medida tangível.
A seguir serão revistos os esforços realizados em alguns países fora da Europa, no sentido de utilizar métodos de avaliação da qualidade de edifícios, e as propostas efectuadas em Portugal para que as habitações aumentem o nível de qualidade.
2.2
Métodos de Avaliação da Qualidade de Edifícios de Habitação em
Países fora da Europa
2.2.1 CASBEE (Japão)
A procura recente no Japão de edifícios sustentáveis levou ao aparecimento do método CASBEE “Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency” [5] (Sistema Detalhado de Avaliação para a Eficiência Ambiental dos Edifícios). Este método avalia meticulosamente a qualidade dos edifícios e pontua a prestação ambiental do edifício em análise, cobrindo aspectos como: o conforto interior, o local do edifício, utilização de materiais e equipamentos que poupem energia ou possam causar um menor impacto ambiental. A avaliação CASBEE é dividida em cinco níveis: Excelente (S), Muito Bom (A), Bom (B+), Suficiente (B-), Fraco (C).
2.2.1.1 Como Surgiu
Desde a segunda metade dos anos oitenta, o sector da construção no Japão tem caminhado para a promoção dos edifícios sustentáveis, sendo desenvolvidas diversas técnicas para avaliar a prestação ambiental dos edifícios. A criação e desenvolvimento do CASBEE foram levados a cabo por um projecto conjunto entre a indústria, o governo e universidades com a participação do ministério do território, infra-estruturas e transporte (MLIT) do Japão, em 2001. No seguimento foi criado o JSBC (Japan Sustainable Building Consortium), que juntamente com os seus afiliados foram encarregues da gestão do CASBEE, sendo o seu escritório central no Institute for Building Environment and Energy Conservation (IBEC). Desde 2002 várias categorias do CASBEE foram criadas incluindo CASBEE para novas construções, CASBEE para edifícios existentes, CASBEE para renovações, CASBEE para desenvolvimento urbano, CASBEE para o efeito “ilha de calor”1
e CASBEE para habitações separadas. Hoje a difusão do método e futuras alterações estão sob a alçada do plano de acção ambiental do MLIT (Junho de 2004) e do plano, aprovado em 28 Abril de 2005, para atingir os objectivos do Protocolo de Quioto.
1 O efeito “ilha de calor” [6] é causado por um conjunto de reacções físicas, entre as quais está o facto das
superfícies urbanas (arruamentos, edifícios etc.) absorverem o calor transportado pela radiação solar, aquecendo e aumentando deste modo a temperatura à escala local.
2.2.1.2 Objectivos
O CASBEE foi desenvolvido para acompanhar o ciclo de vida do edifício, desde o ante-projecto até à pós-construção. Para isso possui quatro ferramentas base, englobadas na chamada “CASBEE Family”, cada uma com os seus propósitos. Estas são, “CASBEE for Pre-design” (ainda em desenvolvimento), “CASBEE for New Construction”, “CASBEE for Existing Building” e “CASBEE for Renovation”. Cada uma possui um público específico e uma finalidade diferente (escolas, escritórios, apartamentos, etc.).
O “CASBEE for Pre-design” existe para auxiliar o dono de obra, os projectistas, os responsáveis pelo planeamento e todos os intervenientes na fase de ante-projecto. Tem duas funções: ajuda os aspectos importantes relativos ao impacto ambiental do projecto e também à escolha do local de implantação do edifício, avalia a prestação ambiental do projecto na fase de ante projecto.
O “CASBEE for New Construction” avalia a partir dos projectos e antecipa as prestações do edifício. Ajuda os projectistas (Arquitectos e Engenheiros) a melhorar o valor do BEE (“Building Environmental Efficiency”, Eficiência Ambiental do Edifício) durante a fase de projecto. Também serve como referência quando existe uma avaliação realizada por terceiros.
O “CASBEE for Existing Building” tem como objectivo a avaliação de modificações levadas a cabo no edifício ocorridas pelo menos um ano após a sua construção, sendo desenvolvido para a avaliação dos imóveis já existentes.
Num mercado como o japonês em que a procura pela reabilitação de edifícios está a crescer o “CASBEE for Renovation” oferece uma resposta. Pode ser usado para criar propostas de manutenção do edifício, para melhorias do empreendimento e para uma renovação do edifício. Esta ferramenta foi desenvolvida para verificar a melhoria em relação a anteriores renovações. Tanto esta ferramenta como a anterior destinam-se a auxiliar as autoridades legais.
2.2.1.3 Características do Método
Deve ser estruturado de forma a garantir as melhores notas aos edifícios de alta qualidade, e dar incentivos aos projectistas e a outras entidades envolvidas;
Deve ser o mais simples possível;
Deve poder ser aplicado a edifícios com um leque variado de funções;
Deve ter em consideração questões e problemas peculiares do Japão e da Ásia. 2.2.1.4 A quem se destina
Muitas empresas privadas, empresas de construção, gabinetes de projectos, promotores imobiliários têm usado de forma voluntária este método para avaliarem o comportamento ambiental dos seus edifícios, tendo-se conseguido uma ampla utilização do método.
Recentemente várias autoridades locais introduziram o CASBEE na sua regulamentação para edifícios, de forma a encorajarem a construção de “edifícios verdes”. Os governos locais obrigam os donos dos novos edifícios a anunciar a nota obtida na avaliação através do método CASBEE, como forma de garantia em relação à sua politica ambiental.
2.2.1.5 Quem avalia
O CASBEE requer um técnico com experiência e conhecimento na avaliação da prestação ambiental do edifício. Para isso foi estabelecido o Sistema de Registo de Profissionais Acreditados do CASBEE. Para os profissionais se tornarem acreditados, devem frequentar um curso de treino e realizar um exame. Em todo o Japão existiam até Novembro de 2007, 1600 profissionais acreditados.
2.2.1.6 O Método de Avaliação
O CASBEE considera dois espaços, o interior e o exterior, divididos por uma fronteira imaginária. Sendo assim existem duas categorias principais de avaliação, uma para os impactos ambientais causados fora da fronteira hipotética (Figura 1), isto é, no espaço público. E a outra que analisa a melhoria das condições de vida dos utilizadores no edifício. A avaliação é feita através da atribuição de um nível a cada critério de avaliação, existem níveis de 1 a 5. De acordo com a prestação do edifício nesse critério de avaliação é lhe atribuído um desses níveis.
Fig. 1. Definição de fronteira proposta pelo CASBEE [6]
A avaliação do CASBEE abrange os campos da eficiência energética, eficiência de recursos, o ambiente exterior e o ambiente interior. Estes campos são distribuídos pelas duas categorias principais Q (Qualidade ambiental do edifício) e LR (Carga ambiental do edifício), subdividindo-se cada uma delas em outras categorias. A categoria Q é subdividida em Q1 ambiente interior, Q2 qualidade de serviços, Q3 ambiente exterior do local. A categoria LR é subdividida em LR1 energia, LR2 materiais e recursos e LR3 ambiente exterior ao local. Todos os itens pertencentes a estas categorias recebem um coeficiente de acordo com o seu peso na avaliação, o somatório de todas as notas multiplicadas pelos coeficientes dá lugar ao total dessa categoria. Para o cálculo das duas categorias principais também é utilizado o mesmo princípio. O resultado da qualidade ambiental do edifício e da carga ambiental do edifício é apresentado através de gráficos de barras, dados numéricos e na forma de gráficos em radar, que mostra o perfil de qualidade do edifício em análise.
Assim sendo o resultado final deste método o BEE “building environmental efficiency” (eficiência ambiental do edifício) é calculado através do resultado do Q e do LR de acordo com a seguinte fórmula:
𝐵𝐸𝐸 = 𝑄 ∶ 𝑄𝑢𝑎𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝐴𝑚𝑏𝑖𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝐸𝑑𝑖𝑓𝑖𝑐𝑖𝑜 𝐿𝑅 ∶ 𝐶𝑎𝑟𝑔𝑎 𝐴𝑚𝑏𝑖𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝐸𝑑𝑖𝑓𝑖𝑐𝑖𝑜 =
25 × (𝑆𝑄 − 1) 25 × (5 − 𝑆𝐿𝑅)
SQ – Pontuação da Categoria Q SLR – Pontuação da Categoria LR
Este resultado pode surgir na forma numérica ou em gráfico, onde os valores do Q aparecem no eixo dos Y e o LR no eixo dos X, encontrando-se assim o posicionamento do BEE. A partir do BEE torna-se possível classificar o edifício em análise segundo a classe C, classe B-, classe B+, classe A e classe S, como já foi referido.
2.2.1.7 Critérios Avaliados
Os critérios avaliados pela versão “CASBEE for New Construction”, edição de 2008 [7]: são apresentados na tabela 1.
Tabela 1. Critérios avaliados no CASBEE-NC
Q1 - Ambiente Interior Ambiente Sonoro Ruído Isolamento sonoro Absorção sonora Conforto Térmico
Controlo da temperatura em divisões Controlo da Humidade
Tipo do sistema de Ar Condicionado
Luz e Iluminação Luz Natural Medidas anti-brilho Nível de iluminação Ajuste de luz Qualidade do Ar Controlo da Origem Ventilação Plano de Operações Q2 - Qualidade de Serviço Habilitações do Serviço Funcionalidade e Utilização Amenidade Gestão da Manutenção Durabilidade e Fiabilidade Resistência a Sismos
Ciclo de vida dos Componentes Fiabilidade
Flexibilidade e Adaptabilidade
Adaptabilidade do Pé Direito do Piso Flexibilidade da Distribuição de Cargas no Piso
Adaptabilidade dos acessos Q3 - Ambiente Exterior no
Local
Preservação e Criação de Biótopo Paisagem
Características Locais e Amenização do Exterior
Atenção ao Carácter Local e Melhoria do Conforto
Melhoria do Ambiente Térmico no Local
LR1 – Energia
Carga Térmica do Edifício Utilização de Energia Natural
Uso Directo de Energia Natural Conversão para Uso de Energias Renováveis
Eficiência nos Sistemas de Serviços do Edifício
Sistema AVAC Sistema de Ventilação Sistema de Iluminação
Sistema de Abastecimento de Água Quente Elevadores
Equipamentos para Melhorar a Eficiência Energética
Operações Eficientes Monitorização
Operações e Gestão de Sistemas
LR2 - Recursos e Materiais
Recursos Hídricos Poupança de Água
Águas da Chuva e Águas Cinzentas
Redução da Utilização de Materiais Não Renováveis
Redução da utilização de Materiais Continuação da Utilização de Esqueletos Estruturais Existentes, etc.
Uso de Materiais Reciclados como Materiais Estruturais
Uso de Materiais Reciclados como Materiais não Estruturais
Madeiras Provenientes de Florestas Sustentáveis
Esforços para o aumento da Reutilização de Componentes e Materiais
Evitar o Uso de Materiais Com componentes Poluentes
Uso de Materiais sem Substancias Prejudiciais
Evitar CFC's e Halons
LR3 - Envolvente Exterior
Considerar o Aquecimento Global Considerações no Ambiente
Local
Poluição do Ar Efeito “Ilha de Calor”
Cargas nas Infra-estruturas Locais Considerações na Envolvente
Próxima
Ruído, Vibração e Odor
Obstrução da Luz Solar e Estragos do Vento
2.2.1.8 Exemplo de uma ficha de avaliação
Conversão para Uso de Energias Renováveis
Fases de avaliação2 Tipo de construção3 PD Off . Sch . Rtl . Rst. Hal . Hsp . Htl . Fct . Apt ED e CC Off . Sch . Rtl . Rst. Hal . Hsp . Htl . Fct . Apt Condições de aplicação
Aplicado a todos os tipos de edifício na fase de projecto para edifícios sem “Apartamentos” e para “Apartamentos” em todas fases de avaliação.
Tabela 2. Níveis do critério Utilização da Energia Renovável Convertida
PD ED e CC
Tipo de Construção
Off . Sch . Rtl . Rst. Hal . Hsp . Htl .
Fct . Apt Apt
Nível 1 Sem nível de correspondência Sem nível de correspondência Nível 2 Sem nível de correspondência Sem nível de correspondência
Nível 3
Dos esforços avaliados, qualquer dos métodos é usado, mesmo que apenas parcialmente.
0 MJ/m2*yr ≤ [utilização de energia renovável]4
< 1MJ/m2*yr
Incluir o uso planeado para propósitos monumentais, bem como o uso como energia.
Nível 4 Qualquer um dos métodos é usado na maioria dos edifícios.
1MJ/m2*yr≤ [utilização de energia renovável]
< 15 MJ/m2*yr Nível 5
Dos esforços a serem avaliados, dois ou mais métodos são aplicados à maioria do edifício.
15MJ/m2*yr ≤ [utilização de energia renovável]
2 PD – Projecto preliminar; ED – Projecto de execução; CC – Construção completa.
3 Off. – Escritórios; Sch. – Escolas; Rtl. – Retalhistas; Rst. – Restaurantes; Hal. – Halls; Hsp. – Hospitais;
Fct. – Fábricas; Apt. – Apartamentos.
4
Esforços a serem avaliados:
Tabela 3. Esforços a avaliar neste critério
Nº Conteúdo
1 Utilização da luz solar: Planeamento para uso de sistemas solares em detrimento de equipamentos de produção de electricidade (Ex.: painéis solares, etc.)
2 Utilização de aquecimento solar: Planeamento efectivo para o uso de sistemas de aquecimento (Painéis solares térmicos, tubos de vácuo).
3
Utilização de calor não aproveitado: Planeamento para utilização de calor não utilizado, de forma a melhorar a eficiência nos equipamentos de aquecimento (bombas de calor que utilizam água de poços ou água de rios, etc.)
4 Outros: Planeamento para a utilização da natureza em outros sistemas.
Comentário
Células solares, painéis solares e outros métodos para converter energia natural em electricidade ou calor devem ser avaliadas como uso de energia renovável convertida.
Avalia os esforços do uso de energia natural convertida, de forma apropriada à escala, à finalidade do edifício e às suas condições circundantes.
Faz uma avaliação quantitativa dos esforços do projecto na sua fase preliminar para o uso de energia natural, considerando a escala de implementação no edifício e a forma como os métodos são usados.
Se as medidas foram usadas mesmo parcialmente, deverão ser avaliadas com nível 3. Se forem aplicadas à maioria do edifício (50% ou mais da área do piso) e seja espectável um considerável impacto e um real efeito de poupança de energia, deverão ser avaliados como nível 4 ou 5.
Para apartamentos em particular, a avaliação da conversão para uso, considera principalmente medidas tomadas para blocos inteiros, enquanto o uso directo de energia natural considera principalmente as medidas tomadas em cada fracção, (a forma do apartamento, indica se há possibilidade de instalação de aquecimento central no telhado comum, e se sistemas individuais para cada fracção são raros).
Na fase preliminar de projecto, usar os mesmos critérios de avaliação nos restantes tipos edifícios, que não apartamentos.
Ainda, a avaliação nas fases de projecto de execução e finalização de construção de “Apartamentos” deverá ser baseada na quantidade de energia natural utilizada por unidade de área do piso, considerando unidades de uso de energia convertida e conversão para energia primária.
2.2.1.9 Resultados da Aplicação do Método
O número de pedidos de registo entregues nos governos locais até Março de 2007 ascende aos 1400. Até Dezembro de 2007 foram certificados 23 edifícios pelo sistema de avaliação CASBEE, entre eles estão os edifícios sede da Toyota e da Nissan.
2.2.2 CONQUAS (Singapura)
O método CONQUAS “Construction Quality Assessment System” [8] (Sistema de Avaliação da Qualidade de Construção) foi desenvolvido em Singapura, tendo por objectivo a avaliação da qualidade em edifícios. Avalia essencialmente a qualidade da mão-de-obra durante e após construção do edifício, que o CONQUAS considera como um factor de grande importância para garantir a confiança de futuros compradores.
Este método pode ser utilizado tanto para os promotores imobiliários estabelecerem metas para os seus construtores, assim como para avaliar o edifício após a sua conclusão.
A sua avaliação assenta em três componentes principais, trabalhos estruturais, trabalhos arquitectónicos e trabalhos mecânicos e eléctricos.
Embora não seja um método de avaliação em fase de projecto, a sua presença é importante para enquadrar uma avaliação dos aspectos construtivos de um edifício.
2.2.2.1 Como surgiu
Foi desenvolvido pelo BCA “Builiding and Construction Authority (Autoridade para a Construção e Edifícios), uma agência do ministério do desenvolvimento nacional de
Singapura, em cooperação com várias agências públicas e com vários profissionais da construção de Singapura.
A sua primeira versão foi lançada em 1989. Em 2008 foi publicada a sétima e actual versão do CONQUAS, tendo sido periodicamente melhorado, em 1990, 1992, 1995, 1998, 2003, 2005, para acompanhar as inovações tecnológicas e em resposta à crescente procura de qualidade dos edifícios dos habitantes de Singapura.
2.2.2.2 Objectivos
Este método foi desenvolvido com o objectivo de elaborar e aplicar um sistema de avaliação da qualidade standard para os empreendimentos de construção. De modo a tornar o processo de avaliação objectivo, é realizado através da utilização de amostras representativas de todo o empreendimento, verificação do trabalho realizado está de acordo com as normas e especificações da mão-de-obra. Por fim assegura-se que a avaliação possa ocorrer com um custo e em tempo razoáveis.
2.2.2.3 A quem se destina
O CONQUAS serve de auxílio aos projectistas e aos utilizadores, quando é necessário verificar a qualidade do trabalho realizado na construção do edifício. É uma avaliação obrigatória em todos os edifícios públicos de Singapura, mas é opcional para os edifícios privados.
2.2.2.4 Quem avalia
A avaliação do edifício é efectuada por peritos do BCA, peritos esses que são submetidos a um curso intensivo para garantir uma avaliação consistente e competente.
A avaliação acontece através de visitas ao local, a partir de um sistema de amostras, que representem todo o edifício. Por exemplo num empreendimento de apartamentos, é avaliado um em cada quatro, desta forma considera-se que o apartamento avaliado demonstra todas as soluções existentes nos restantes.
2.2.2.5 O Método de Avaliação
O processo de avaliação é realizado por amostragem: são avaliadas zonas que representam todo o edifício (como referido atrás), sendo esses locais escolhidos pelo perito através das plantas e desenhos do local.
A pontuação será dada aos trabalhos realizados nos locais analisados pela primeira vez. Se existirem alterações ou melhoramentos aos inicialmente analisados a pontuação não será alterada. Isto porque o CONQUAS tenta encorajar os construtores a “fazerem os trabalhos bem à primeira vez”.
A avaliação é feita através de um formulário que o perito preenche na sua visita à obra. No formulário o perito tem três hipóteses para o preenchimento de cada item, cumpre os requisitos do CONQUAS, é atribuído um “”. Se não cumprir, é atribuído um “”, ou então se esse item não é aplicável nesse edifício essa rubrica fica em branco. A pontuação final é dada de acordo com a relação de “” e o número total de itens analisados, logo os itens em branco não são considerados nesta relação.
Os edifícios estão divididos em categorias, dependendo da sua utilização. As componentes de avaliação têm pesos diferentes segundo essas categorias.
Tabela 4. Pesos das diferentes categorias do CONQUAS
Componentes Categoria A Comércio, Indústria, Instituições e outros. Categoria B Comércio, Indústria, Instituições e outros. Categoria B Habitações Privadas Categoria C Habitações Públicas Categoria D Moradias Unifamiliares Trabalhos Estruturais 25% 30% 25% 35% 30% Trabalhos Arquitectónicos 55% 60% 65% 60% 65% Trabalhos Eléctricos e Mecânicos 20% 10% 10% 5% 5% Pontuação CONQUAS 100% 100% 100% 100% 100%
Em geral todos os edifícios com sistema central de ar condicionado com torres de arrefecimento, ou outros sistemas de arrefecimento, etc. são classificados como categoria A, os restantes são classificados como categoria B, C e D
A avaliação é dividida em três componentes principais, trabalhos estruturais, trabalhos mecânicos e eléctricos, sendo ambas avaliações efectuada durante o processo construtivo. E trabalhos arquitectónicos, avaliados após a construção do edifício. Estas são divididas em vários critérios a avaliar.
Como se pode verificar no quadro anterior cada uma destas componentes a avaliar tem um peso diferente na nota final, sendo o mais importante em todas as categorias de edifícios os trabalhos arquitectónicos, seguido dos trabalhos estruturais e por fim os trabalhos mecânicos e eléctricos.
A análise das três componentes, divididas em vários itens a avaliar, é feita de forma individual, sendo cada uma delas pontuada para cem porcento. Assim sendo só após a sua pontuação individual é que se chega à pontuação final ponderada.
2.2.2.6 Critérios Avaliados
Os critérios avaliados na actual da versão 7 [8] são apresentados na tabela 5.
Tabela 5. Critérios avaliados na versão 7 do CONQUAS
Trabalhos Estruturais
Estruturas em Betão Armado
Cofragem Varões de Aço Betão Terminado Qualidade do Betão Qualidade das Armaduras Teste para Uniformidade do Betão
Teste para Recobrimento do Betão Estruturas Metálicas Perfil Completo/Componente Parcialmente Montado Plataformas Metálicas Tolerância da Construção Corrosão e Protecção Contra Incêndio
Relatórios dos testes à Soldadura
Betão Pré Esforçado
Cabos e Ancoragem Protecções
Esforço e Calda de Betão Descolamento Trabalhos de Arquitectónicos Acabamentos do Interior Pisos Paredes Interiores Tectos Portas Janelas Componentes Cobertura Parede Exterior Trabalho Exterior Materiais e Testes Funcionais
Trabalhos Mecânicos e Eléctricos
Elementos Eléctricos
Condutas Embutidas Cabos Principais Condutas de Superfície Calhas de Caminhos de Cabos Quadros de Distribuição AVAC Sistema de Ventilação Bomba Torre de arrefecimento Máquina de Arrefecimento Tubagens Unidades Separadas/ Ar condicionado Conforto do ar condicionado Canalização
Condutas para Fogo Amortecedores Condutas Corta-fogo Condutas flexíveis Conectores flexíveis
Protecção contra incêndio
Rede de incêndio em Carga e Seca
Sprinkler
Alarme de Incêndio Rede de incêndio Armada
Canalização e Sanitários
Tubagens embutidas Tubagens expostas Tanque de água Bomba
2.2.2.7 Exemplo de ficha de avaliação
Parte 1: Estruturas de Betão Armado
Tabela 6. Forma da avaliação no critério “Armaduras”
Item Padrões
2 Armaduras (Construída no
local e Pré Fabricada)
2a Armaduras principal e secundária
1) De acordo com os projectos estruturais (números/tamanhos).
2) Espaçamento entre varões não deve ser maior que o especificado.
2b Ancoragens e comprimentos de sobreposição
1) Comprimento de sobreposição requerido não deve ser menor que o especificado.
2c
Recobrimento 1) De acordo com as especificações, com tolerância de +5mm.
2d Ligações, estribos e varões de montagem
1) De acordo com o projecto estrutural (números/tamanhos).
2) Espaçamento das ligações não deve exceder o indicado.
2e Condições das armaduras 1) As armaduras devem estar seguras e devidamente montada no local.
2) As armaduras devem estar livres de corrosão, da queda do betão, etc.
A percentagem obtida por este critério dependerá do cumprimento dos parâmetros apresentados na tabela 6.
2.2.2.8 O seu Custo
As taxas cobradas para a aplicação deste método pelo BCA, são apresentadas na tabela 7.
Tabela 7. Taxas cobradas para aplicação do CONQUAS
Área Bruta do Piso (m2) Taxas do CONQUAS
≤ 5,000 US$ 10,000
5,001 – 6,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 12,000
(incremento de US$ 2,000) 9,001 – 10,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 20,000
(incremento de US$ 1,000) 19,001 – 20,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 30,000
(incremento de US$ 1,000) 29,001 – 30,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 40,000
(incremento de US$ 1,000) 39,001 – 40,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 50,000
(incremento de US$ 1,000) 49,001 – 50,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 60,000
(incremento de US$ 1,000) 59,001 – 60,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 70,000
(incremento de US$ 1,000) 69,001 – 70,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 80,000
(incremento de US$ 1,000) 79,001 – 80,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 90,000
(incremento de US$ 1,000) 89,001 – 90,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 100,000 (incremento de US$ 1,000) 99,001 – 100,000
(por cada 1,000 ou parte extras)
US$ 110,000 (incremento de US$ 1,000)
> 109,00 US$ 120,000
2.2.2.9 Resultado da Aplicação do Método
Desde o lançamento do CONQUAS em 1989, entre empreendimentos públicos e privados, foram sujeitos a avaliação pelo BCA mais de 2238 empreendimentos.
2.2.3 LEED (EUA)
O sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) [9], foi desenvolvido nos Estados Unidos como sistema de avaliação ambiental dos edifícios. É um sistema voluntário e tem como meta a avaliação do desempenho ambiental do edifício como um todo, tendo em conta o seu ciclo de vida.
É um sistema mundialmente difundido, com projectos em desenvolvimento em quarenta e um países, incluindo o Canadá, Brasil, México e Índia.
O LEED está disponível em diversas versões, dependendo da sua finalidade, nomeadamente:
LEED-NC (New Construction and Major Renovations – Novas Construções e Grandes Renovações);
LEED-EB (Existing Buildings – Edifícios Existentes); LEED-CI (Commercial Interiors – Interiores Comerciais);
LEED-CS (Core and Shell Development – Desenvolvimento de Núcleo e Casca); LEED-H (Home – Casas Individuais);
LEED-ND (Neighborhood Development – Desenvolvimento da Vizinhança). Das versões referidas será alvo de análise aqui a LEED-NC, para as novas construções e grandes renovações.
2.2.3.1 Como surgiu
Logo após a formação nos Estados Unidos do U.S. Green Building Council (USGBC) em 1993, os seus membros perceberam que a indústria da construção sustentável necessitava de um sistema que definisse e avaliasse os edifícios “verdes”. Em menos de um ano criaram um comité composto por vários intervenientes do sector da construção tendo como objectivo o desenvolvimento deste sistema.
Nasceu assim o primeiro programa piloto LEED, a chamada versão 1.0 do LEED, lançado no Congresso dos membros do USGBC em Agosto de 1998. Após extensas alterações, em Março de 2000 foi lançado o LEED versão 2.0, seguindo-se em 2002 a versão 2.1 e a versão 2.2 em 2005.
2.2.3.2 Objectivos
O LEED foi desenvolvido com as seguintes metas:
Definir “edifício verde”, ao estabelecer um padrão comum de medição; Promover práticas integradas de design do edifício como um todo;
Premiar os avanços ambientais no sector da construção; Estimular a competição “verde”;
Fomentar a sensibilidade dos consumidores sobre os benefícios dos edifícios verdes;
Validar os progressos através do controlo de uma entidade independente; Contribuir para a crescente base de conhecimentos sobre edifícios verdes.
2.2.3.3 A quem se destina
O LEED destina-se a arquitectos, promotores imobiliários, engenheiros, arquitectos paisagistas, decoradores, construtores, agências governamentais. Em suma, a todos os intervenientes do sector da construção, de forma a tornarem a construção sustentável. Existem também alguns governos locais e estatais que adoptaram o LEED nos seus edifícios públicos, assim como, algumas agências federais como os Departamentos da Defesa, da Agricultura, Energia e de Estado.
2.2.3.4 Quem avalia
As equipas de projectistas interagem com o Green Building Certification Institute (GBCI) para efectuar registos dos empreendimentos e para a sua posterior certificação. O GBCI foi estabelecido em 2008 como uma entidade independente, mas suportada pelo USGBC. O GBCI administra todos os registos e certificações de edifícios “verdes”.
A certificação LEED é obtida após submissão de documentos que garantam o cumprimento dos requisitos do método LEED, e do pagamento do registo e das taxas de certificação do empreendimento. A certificação é atribuída somente pelo Green Building Council, que é o responsável pelo sistema LEED. Recentemente a entrega da documentação necessária pode ser efectuada electronicamente, através do preenchimento de documentos online.
2.2.3.5 O Método de Avaliação
Este método funciona como um sistema de pré-requisitos e créditos. O processo de certificação LEED deve ocorrer preferencialmente na fase inicial de projecto.
Para que um edifício possa receber a certificação LEED tem que ir de encontro a todos os pré-requisitos e atingir um número mínimo de créditos para obter o nível mais baixo da certificação LEED.
O resultado da sua avaliação é dado por intermédio de uma nota global, sendo esta a soma dos créditos atingidos em todas as categorias. As categorias de avaliação no sistema LEED aqui analisado, LEED para novas Construções e Grandes Renovações na sua versão 2.1, são:
Locais Sustentáveis;
Eficiência na utilização de Água; Energia e Atmosfera;
Materiais e Recursos;
Qualidade do Ambiente Interior; Processo de Design e Inovação.
Estas categorias estão divididas em sessenta e nove critérios, possuindo cada um deles um ou dois créditos a serem atribuídos aquando do seu cumprimento. De acordo com os créditos atingidos existem quatro níveis progressivos.
Tabela 8. Níveis de avaliação no LEED-NC
Nível de Avaliação Créditos Necessários
Certificação 26-32
Prata 33-38
Ouro 39-51
Platina 52-69
2.2.3.6 Critérios Avaliados
Na tabela seguinte encontram-se os critérios avaliados pela versão 2.2 do LEED-NC:
Tabela 9. Critérios avaliados na versão 2.2 do LEED-NC
Categorias Critérios Créditos
Locais Sustentáveis
Erosão e Controlo da Sedimentação Requisito
Selecção do local 1
Desenvolvimento Urbano (Cálculo da evolução da densidade
Desenvolvimento de locais ambientalmente contaminados por actividades outrora aí existentes (Brownfield site é a
classificação atribuída pela EPA a este tipo de locais.)
1 Transporte Alternativo, Acessos a transportes públicos 1 Transporte Alternativo, Infra-estruturas específicas para
bicicletas & Infra-estruturas para troca de roupa / equipamento 1 Transporte Alternativo, Estações alternativas para
abastecimento de combustíveis 1
Transporte Alternativo, Capacidade do Parque 1 Redução dos distúrbios provocados pela construção do
projecto no local, sobretudo zonas verdes, Protecção e Recuperação de Espaços Abertos
1 Redução dos distúrbios provocados pela construção do
projecto no local, Desenvolvimento da Pegada Ecológica do edifício
1 Gestão de Situações de Mau Tempo, com chuva forte. Taxa e
Quantidade (Plano de redução de fluxo de água em terrenos significativamente permeáveis> 50%)
1 Gestão de Situações de Mau Tempo, com chuva forte.
Tratamento (Boas práticas para remoção dos sólidos suspensos totais e de fósforo total.)
1 Paisagem e Design exterior para reduzir zonas localizadas de
calor, Superfícies exteriores 1
Paisagem e Design exterior para reduzir zonas localizadas de
calor, Superfícies cobertas das Construções 1 Redução da saída de radiação de luz directa, do local do
edifício 1
Eficiência na utilização de Água
Eficiência na utilização de Água, Redução em 50% (elevada eficiência do equipamento de irrigação e redução do consumo de água potável para irrigação)
1 Eficiência na utilização de Água, Não utilizar água potável
(e.g. utilizar um sistema de captura de água da chuva) ou não efectuar irrigação.
1 Tecnologias inovadoras de tratamento, no local, dos efluentes
do edifício. 1
Redução na utilização de água, Redução em 20% 1 Redução na utilização de água, Redução em 30% 1
Energia e Atmosfera
Instruções fundamentais dos sistemas do edifício. Requisito Desempenho energético mínimo (de acordo com a
regulamentação). Requisito
Redução de CFC's no equipamento do sistema de ar
condicionado e ventilação. Requisito
Desempenho energético optimizado, Redução de 20% para edifícios novos e de 10% para edifícios existentes
(relativamente às normas ASHRAE/IESNA 90.1-1999, secção 11).
2 Desempenho energético optimizado, Redução de 30% para
edifícios novos e de 20% para edifícios existentes
(relativamente às normas ASHRAE/IESNA 90.1-1999, secção 11).
2
Desempenho energético optimizado, Redução de 40% para edifícios novos e de 30% para edifícios existentes (relativamente às normas ASHRAE/IESNA 90.1-1999, secção 11).
Desempenho energético optimizado, Redução de 50% para edifícios novos e de 40% para edifícios existentes
(relativamente às normas ASHRAE/IESNA 90.1-1999, secção 11).
2 Desempenho energético optimizado, Redução de 60% para
edifícios novos e de 50% para edifícios existentes
(relativamente às normas ASHRAE/IESNA 90.1-1999, secção 11).
2 Energias renováveis, Contribuição em 5% 1 Energias renováveis, Contribuição em 10% 1 Energias renováveis, Contribuição em 20% 1
Instruções adicionais 1
Degradação da Camada do Ozono 1
Medição e Verificação 1
Energia Verde (fontes de energia renováveis) 1
Materiais e Recursos
Recolha e Armazenamento de Materiais Recicláveis (locais
específicos para) Requisito
Reutilização do Edifício, Manutenção de 75% das linhas gerais
de estrutura do edifício. 1
Reutilização do Edifício, Manutenção de 100% das linhas
gerais de estrutura do edifício. 1
Reutilização do Edifício, Manutenção de 100% das linhas gerais de estrutura do edifício e de 50% de outros
componentes, como o interior das paredes, coberturas do chão e tecto.
1 Gestão dos resíduos de construção, 50% para reciclagem ou
recuperação. 1
Gestão dos resíduos de construção, 75% para reciclagem ou
recuperação. 1
Reutilização de recursos, demonstrar que 5% dos materiais de
construção são recuperados 1
Reutilização de recursos, demonstrar que 10% dos materiais de
construção são recuperados 1
Conteúdo reciclado dos materiais, 25% dos materiais de
construção deverão ter o conteúdo reciclado exigido 1 Conteúdo reciclado dos materiais, 50% dos materiais de
construção deverão ter o conteúdo reciclado exigido 1 Materiais Locais / Regionais, 20% dos materiais de construção
deverão ser manufacturados localmente 1
Materiais Locais / Regionais, 20% dos materiais de construção deverão ser manufacturados localmente; destes, 50% deverão ser extraídos, adquiridos ou recuperados.
1 Materiais rapidamente renováveis, 5% dos materiais de
construção 1
Madeira certificada, 50% dos materiais de construção 1
Qualidade do Ambiente Interior
Desempenho mínimo da Qualidade do Ar Interior
(relativamente às normas ASHRAE 62-1999) Requisito Controlo interior do fumo do tabaco (locais onde é proibido o
consumo do tabaco e, nos locais específicos para fumadores, assegurar que o sistema de ventilação é independente das áreas de não fumadores)
Requisito Monitorização do Dióxido de Carbono (CO2) 1
Plano de Gestão da Qualidade do Ar Interior, durante a
construção 1
Plano de Gestão da Qualidade do Ar Interior, após a
construção 1
Materiais de baixa emissão de COV's, Adesivos e Selantes 1 Materiais de baixa emissão de COV's, Tintas 1 Materiais de baixa emissão de COV's, Tapetes 1 Materiais de baixa composição em resina de
ureia-formaldeído, Materiais com madeira na sua composição 1 Controlo de fontes de poluentes e de químicos no interior do
edifício 1
Capacidade de controlar os sistemas, criar áreas de operação para controlo dos vários sistemas, no perímetro regularmente ocupado
1 Capacidade de controlar os sistemas, controlos individuais do
fluxo de ar, temperatura e iluminação, fora do perímetro regularmente ocupado.
1 Conforto Térmico, de acordo com ASHRAE 55-1992 1 Conforto Térmico, Sistema de Monitorização Permanente da
temperatura e da humidade 1
Iluminação Natural e Vistas, Iluminação natural para 75% dos
espaços 1
Iluminação Natural e Vistas, 90% dos espaços têm acesso a
vistas 1
Processo de Design e Inovação
Inovação no Design, Informação sobre medidas inovadoras incorporadas no projecto e quais os seus benefícios sustentáveis.
1 a 5
2.2.3.7 Exemplo de ficha de avaliação
Eficiência na utilização de Água - Tecnologias inovadoras de tratamento, no local, dos efluentes do edifício.
Intenção
Reduzir produção de águas residuais e procura de água potável, ao mesmo tempo que se aumenta a recarga do aquífero local.
Requisitos
OPÇÃO 1
Reduzir o uso de água potável na condução dos esgotos dos edifícios em 50% através de equipamentos de baixa conservação de água (urinóis, casas de banho), ou utilização de
água não potável (água da chuva, águas dos banhos e águas residuais tratadas, quer no edifício, quer pelo município)
OU
OPÇÃO 2
Tratar 50% das águas residuais no local de acordo com normas de entidades independentes. A água tratada deverá ser infiltrada ou tratada no local.
Estratégias e Tecnologias potenciais
Especificar equipamentos de alta eficiência e equipamentos secos, como sistemas de sanitas com compostagem e redução do volume de água residuais através de urinóis que não utilizam água. Considerar a reutilização de águas pluviais e águas cinzentas para a condução dos esgotos ou para sistemas de tratamento no local de águas residuais (mecânicos e/ou manuais). Opções para tratamento no local de águas residuais incluindo sistemas compactos de nutrientes biológicos, construção de zonas húmidas e sistemas de elevada eficiência.
2.2.3.8 O seu Custo
O LEED tem dois custos associados, um para o registo do processo e outro para a taxa da certificação LEED. Para o registo, o preço para membros USGBC é de 450 dólares e para não membros é 600 dólares. Já o preço médio de uma certificação é cerca de 2000 dólares, dependendo da dimensão do empreendimento.
2.2.3.9 Resultados da Aplicação do Método
O LEED já atingiu, nos Estados Unidos, uma ampla aceitação no mercado imobiliário, tendo sido já registados mais de seis mil projectos de empreendimentos. Os empreendimentos certificados ultrapassam os oitocentos na totalidade das suas versões.
Os empreendimentos certificados pelo sistema LEED perfazem cerca de novecentos e quinze mil milhões de metros quadrados de área.
2.2.4 HK – BEAM (Hong Kong)
O método HK-BEAM “Hong Kong Building Environmental Assessment Method” [10] (Método de Avaliação Ambiental de Edifícios de Hong Kong) nasce da vontade em tornar os edifícios em Hong Kong sustentáveis. Cobre todos os tipos de edifícios novos e existentes, residenciais, comerciais, públicos e industriais. Pode ser utilizado desde a fase de projecto até à pós-construção dos edifícios, estando preparado para uma grande densidade de construção em altura, uma característica de Hong Kong.
Sendo o clima de Hong Kong subtropical e húmido e de zona urbana bastante densa, este método realça a importância da qualidade do ar focando a atenção em aspectos como os relacionados com a ventilação interior. Os sistemas de refrigeração e a luz natural são de grande importância para qualidade do ar interior, um critério considerado essencial para a qualidade de vida das pessoas, critério este que o HK-BEAM considera como um dos mais importantes na sua avaliação.
Incluindo preocupações ambientais, económicas e sociais, este método tem como objectivo subir a fasquia na qualidade dos edifícios, promovendo de forma voluntária a sua aplicação. Tenta convencer os potenciais clientes que apesar dos custos da avaliação, esta será uma mais-valia, por ser um instrumento de medição da verdadeira prestação do edifício.
A avaliação é feita através de créditos, atingidos sempre que os critérios de avaliação são satisfeitos. Quando isso não acontece os clientes recebem sugestões para poderem satisfazer esse critério.
2.2.4.1 Como surgiu
Em 1996 foram criados dois métodos de avaliação, um para projectos de edifícios de escritórios novos e outro para os já existentes. Estes métodos tiveram por base o método britânico BREEAM. Em 1999 foram remodelados e foi criado um novo método de avaliação para os grandes edifícios habitacionais.
Apesar de já terem sido desenvolvidos os referidos métodos, só em 2002 é que foi estabelecida a HK-BEAM Society, uma organização independente sem fins lucrativos, que
passou a gerir e desenvolver o método HK-BEAM. Esta organização é composta por agentes imobiliários e outros intervenientes no sector da construção de Hong Kong. Criada a partir da REDA (The Real Estate Developers Association of Hong Kong), o desenvolvimento do HK-BEAM é financiado pelas taxas das avaliações e pelas contribuições de membros e associados da HK-BEAM Society.
As versões “New Buildings” (Edifícios Novos) e a “Existing Buildings” (Edifícios Existentes), utilizadas actualmente, desenvolvidas em 2004, resultaram de vários melhoramentos das versões “piloto”, com o mesmo nome, lançadas em Junho de 2003.
Em 2008 o nome HK-BEAM foi alterado para apenas BEAM.
2.2.4.2 Objectivos
O BEAM tem como meta o aumento da qualidade dos edifícios de Hong Kong, estimula a procura de edifícios sustentáveis, pretende que os edifícios diminuam o seu impacto no ambiente durante o seu ciclo de vida, procura que as considerações ambientais sejam tomadas em conta logo na escolha do local de construção e indica um conjunto de critérios sobre a prestação do edifício que podem ser seguidos pelos donos de obra e por promotores.
2.2.4.3 A quem se destina
Destina-se a todos os intervenientes do sector da construção de Hong Kong, de maneira a incentivá-los a construírem edifícios com uma melhor qualidade ambiental, reduzindo o seu impacto no ambiente.
Os destinatários do BEAM são essencialmente promotores imobiliários, departamentos governamentais, universidades, institutos de investigação e outros clientes privados.
2.2.4.4 Quem avalia
A entidade responsável pela certificação do método BEAM é uma organização sem fins lucrativos e independente o “Business Environmental Council” (BEC), que responde perante o Comité executivo do HK-BEAM Society.
Este método é um método voluntário e nem todos os critérios analisados necessitam de um perito BEAM para os avaliar. Para alguns deles basta uma pessoa qualificada para a sua análise, que através de documentação, dados e relatórios os verifica em nome do cliente. Outros critérios, podem ser verificados através de um perito BEAM.
Sempre que haja a necessidade de uma revisão técnica da avaliação efectuada, esta pode ser submetida ao Comité Executivo do HK-BEAM Society para uma análise detalhada.
2.2.4.5 O Método de Avaliação
O processo de avaliação do edifício pode acontecer em qualquer fase do processo de construção, mas a etapa mais indicada para iniciar o processo será a fase de projecto. Pois nesta fase será possível aos projectistas fazerem alterações ao edifício, de modo a melhorar a sua prestação final. A avaliação só termina após a construção do edifício, pois muitos dos critérios só podem ser avaliados durante ou após a construção.
O método de avaliação está dividido em categorias principais de avaliação. Por sua vez essas categorias dividem-se em outras subcategorias. As categorias principais são: o local, os materiais, o uso de energia, a utilização da água e a qualidade do ambiente interior.
Este método é constituído por um sistema de créditos. Assim, os créditos estão distribuídos por critérios que pertencem a cada uma das subcategorias. Desde que os critérios sejam satisfeitos esses créditos são lhe atribuídos, se isso não acontecer a pontuação será zero. Cada um dos critérios a avaliar pode contribuir com um ou mais créditos sempre que o pretendido seja atingido.
Por exemplo a subcategoria isolamento do ruído tem dois créditos para atribuição, um se for atingido o que é exigido para o isolamento de ruído entre compartimentos e espaços e outro crédito para o isolamento do ruído entre pisos. Assim sendo, a este item podem ser atribuídos um, dois ou nenhum crédito, caso sejam atingidos um, dois ou nenhum dos critérios.
Os créditos atribuídos ao longo da avaliação têm todos o mesmo peso na nota global, não existindo factores de ponderação para as diversas categorias. Por conseguinte, a avaliação