Modelo de gestão de risco de liquidez para Banestes
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(2) MODELO DE GESTÃO DE RISCO DE LIQUIDEZ PARA O BANESTES S.A..
(3) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO DE NEGÓCIO COM ÊNFASE EM CONTROLE DE GESTÃO. MODELO DE GESTÃO DE RISCO DE LIQUIDEZ PARA O BANESTES S.A.. Dissertação. a. ser. apresentada. ao. Programa de Pós - Graduação em Engenharia. de. Produção. da. Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção. Vitória, ES 2003.
(4) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO DE NEGÓCIO COM ÊNFASE EM CONTROLE DE GESTÃO. Ranieri Feres Doellinger. MODELO DE GESTÃO DE RISCO DE LIQUIDEZ PARA BANESTES S.A.. Vitória, 02 de maio de 2003.. Prof. Antônio Diomário de Queiroz, Dr. Coordenador do Curso. Banca Examinadora:. _____________________________________ Prof. Emílio Araújo Menezes, Dr. Orientador. _____________________________________ Prof. Francisco de Resende, Dr.. _____________________________________ Profª Rosilene Marcon, Dra.. _____________________________________ Prof. Newton Carneiro A. da Costa Lima, Dr..
(5) Ao amigo, Carlos Sá, e amiga, Rita Cuman (in memoriun) que sempre me incentivaram nos momentos mais difíceis e principalmente aos meus pais, Jalile e Hermano, que semearam os princípios da ética, do trabalho e da humildade, os quais carrego por toda vida..
(6) Agradecimentos. Ao Professor Emílio Araújo Menezes, Dr. pelo privilégio de realizar este estudo acadêmico sob sua orientação, indicandome os caminhos a serem percorridos,. Ao. Professor. Francisco. Baima. de. Resende, Dr. pela dedicação durante a orientação deste estudo, sempre me auxiliando a atingir os objetivos propostos,. Ao. Professor. Antônio. Diomário. de. Queiroz, Dr. pela brilhante coordenação de um curso de elevada qualidade à distância, sem o qual eu jamais poderia participar,. Ao Banestes S.A que participou como âncora. do. informações. estudo. de. caso,. técnicas. cujas. passadas. propiciaram o desenvolvimento do Modelo de Gestão de Risco de Liquidez.. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para realização deste estudo..
(7) RESUMO. A atividade financeira praticada pelos bancos é bastante sensível às condições econômicas. As Instituições Financeiras na função de intermediadores de recursos junto aos seus clientes e mercado, captando e aplicando, assumem diferentes níveis de risco, de liquidez e mercado, devido aos descasamentos de recursos financeiros originados entre ativos e passivos. A dinâmica de fluxos de entradas de recursos internos e externos tem aumentado as movimentações financeiras nos bancos, conseqüentemente, aumentado os riscos das carteiras.. O Órgão regulador, no caso do Brasil, O Banco Central, objetivando controlar o risco sistêmico do mercado determinou, em dezembro de 2000, através da Circular nº 2.804, que as Instituições Financeiras possuíssem sistemas de controles de risco de liquidez consistentes e passíveis de verificação. Nesse caso, após a determinação do Órgão Regulador, aliado à necessidade do Banco em possuir controle do risco de liquidez, o Banestes desenvolveu um instrumento de gestão de liquidez, subdividido em (1) Fluxo de caixa - que apura, de forma financeira, o saldo de caixa para um período de 90 dias, através das movimentações das carteiras de produtos e serviços do banco, (2) GAP Descasamento de valores, prazos, taxas e moedas - que verifica os descasamentos das carteiras de captação e aplicação de recursos, os cálculos de durations ativas e passivas e duration GAP, e (3) VAR - Value At Risk - apura o valor em risco ocasionado pelas taxas de juros prefixadas ocorridas nas captações e aplicações de recursos das carteiras do banco.. Os três subsistemas em conjunto formam o instrumento de gestão do risco de liquidez do Banestes que, de acordo com suas particularidades operacionais, serão apresentados de forma teórica e prática isoladamente no decorrer do trabalho..
(8) ABSTRACT. The financial activity performed by banks is very sensitive to the economic conditions. The Financial Institutions which intermediate resources between the market and their customers , captating and applying, assume diferent levels of liquidity and market risks, because of the discrepancies in the financial resources originated between assets and liabilities. The dynamic flow of internal and external resources entries has been increasing the banks financial activities and consequently rising their portfolios’ risks. The regulatory entity, in Brazil’s case The Central Bank of Brazil, aiming to control the market systemic risk established , on december/2000 through its circular letter no.2.804, that. the financial institutions must have a consistent liquidity risk. controlling system subject to verification. In this case, after the regulatory entity determination, added to the necessity of having liquidity risk control, Banestes developed a liquidity management instrument, divided in (1) Cash Flow – which investigate the cash balance on financial basis for a period of 90 days by analysing the bank’s products and services portfolios’ activity, (2) GAP – discrepancies of amounts, terms, rates and currencies – which verifies the discrepancies between resources captation and investments, the active and passive durations and GAP duration calculation, and (3) VAR – Value At Risk – investigate the value at risk occasioned by fixed interest rates occured in the captation and investment of the bank’s portfolios resources.. The three subsystems altogether constitute Banestes’ liquidity risk management instrument which according to its operational particularities will be presented in a theoretical and practical basis separately in the course of this survey..
(9) ÍNDICE DE TABELAS. Tabela 01 - Exemplo de cálculo de duration de ativos e passivos Tabela 02 – Informações do Sistema de Renda Fixa Tabela 03 – Informações do Sistema de Depósito à Vista Tabela 04 – Informações do Sistema de Depósito à Prazo Tabela 05 – Informações do Sistema de Depósito de Poupança Tabela 06 – Informações do Sistema de Letras Hipotecárias Tabela 07 – Informações do Sistema de Leasing Tabela 08 – Informações do Sistema de Crédito Imobiliário Tabela 09 – Informações do Sistema de Crédito Comercial Tabela 10 – Informações do Sistema de Crédito Industrial Tabela 11 – Informações do Sistema de Crédito Rural Tabela 12 – Informações do Sistema de Câmbio Tabela 13 – Modelo de Demonstração de Reservas Bancárias Tabela 14 - Previsões da Carteira de Depósito à Vista Tabela 15 - Previsões da Carteira de Depósito a Prazo Tabela 16 - Previsões da Carteira de Depósito de Poupança Tabela 17 - Previsões de Movimentação da Carteira das Letras Hipotecárias Tabela 18 - Previsão de Movimentação da Carteira do Fundo de Investimento Tabela 19 - Previsões das Movimentações da Cobrança Tabela 20 - Previsões de Movimentações da Arrecadação ICMS Tabela 21 - Previsões das Movimentações do Repasse da Arrecadação – ICMS Tabela 22 - Previsões das Movimentações de Arrecadação – DARF Tabela 23 - Previsões das Movimentações do Repasse da Arrecadação – DARF Tabela 24 - Previsões das movimentações da Carteira de Cartão de Crédito Tabela 25 - Previsões das Movimentações da Carteira de Leasing Tabela 26 - Previsões das Movimentações da Carteira Imobiliária Tabela 27 - Previsões das Movimentações da Carteira de Crédito Comercial Tabela 28 - Previsões das Movimentações da Carteira de Crédito Industrial Tabela 29 - Previsões das Movimentações da Carteira de Crédito Rural Tabela 30 - Previsões das Movimentações da Carteira de Câmbio Tabela 31 - Previsões das Movimentações das Despesas Administrativas Tabela 32 - Previsão dos Depósitos Tabela 33 - Previsão de Saques Tabela 34 - Demonstrativo Gerencial de Caixa Tabela 35 - Demonstrativo Gerencial de Caixa em Títulos Tabela 36 - Demonstrativo Final dos Saldos de Caixa Tabela 37 - Relatório 1 de Descasamento GAP Tabela 38 - Apresentação Tabela por moeda Tabela 39 - Apresentação Tabela por índice Tabela 40 - Relatório 2 Descasamento GAP. 59 68 69 69 70 71 71 72 73 73 74 74 78 86 86 86 87 87 87 88 88 88 89 89 89 90 90 90 91 91 91 92 92 96 100 103 110 112 112 113.
(10) Tabela 41 - Relação de vértices e taxas Tabela 42 - Carteira Renda Fixa Tabela 43 – Fluxo Consolidado por prazo Tabela 44 – Resultados das alocações aos vértices Tabela 45 – Resultados apurados Tabela 46 – Resultados do coeficiente de relação. 119 119 120 122 123 124.
(11) ÍNDICE DE ANEXOS. Anexo 1 Anexo 2 Anexo 3 Anexo 4 Anexo 5. Tabela de Taxas de Juros – Estrutura a Termo – ANDIMA Construção da Estrutura a Termo das Taxas de Juros Circular nº 2.972 do Banco Central do Brasil Resolução nº 2.804 do Banco Central do Brasil Nota Técnica BACEN – Circular nº 2.972. 138 147 160 170 175.
(12) ÍNDICE DE FIGURAS. Figura 01 Figura 02 Figura 03 Figura 04 Figura 05. Fluxo de Caixa Fluxo de Caixa Classificação das transações que envolvem caixa por atividades Modelo de Sistema de Gestão de Risco de liquidez Banestes Fluxograma de Fluxo de Caixa. 46 52 54 64 93.
(13) ÍNDICE DE GRÁFICO. Gráfico 01. Demonstrativo Final dos Saldos de Caixa. 103.
(14) ÍNDICE DE QUADROS. Quadro 01 Quadro 02. Modelo de Demonstração de Caixa em Títulos Modelo de Demonstração Gerencial de Caixa. 80 83.
(15) SUMÁRIO. 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 2 2.1 2.1.2 2.2 2.2.1 2.3 2.4 2.4.1 2.4.2 2.4.3 2.5 2.6 2.7 2.7.1 2.7.2 2.8 2.9 2.9.1 2.10 3 3.1 3.1.1 3.1.2 3.1.2.1 3.1.2.2 3.1.2.3 3.1.3 3.1.4 3.1.4.1. RESUMO ABSTRACT. 07 08. CONSIDERAÇÕES INICIAIS INTRODUÇÃO FORMULAÇÃO DO PROBLEMA CRONOLOGIA JUSTIFICATIVA OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS METODOLOGIA ESTRUTURA DO TRABALHO LIMITAÇÕES FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA BANCOS COMERCIAIS E MÚLTIPLOS: FUNDAMENTOS E FUNÇÕES Bancos como entidades que visam ao lucro LIQUIDEZ Causas de risco de liquidez CAPITAL E RISCO RISCOS DIRETAMENTE LIGADOS À LIQUIDEZ Risco de mercado Risco de crédito Risco de liquidez PLANEJAMENTO DE LIQUIDEZ MENSURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE UM BANCO A RISCO DE LIQUIDEZ FLUXO DE CAIXA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE LIQUIDEZ Estrutura do fluxo de caixa para instituição financeira Saldos de caixa e de títulos negociáveis GAP COMO ANÁLISE DE POSIÇÕES ATIVAS E PASSIVAS DURATION COMO INSTRUMENTO DE MEDIDA DE SENSIBILIDADE E HEDGE Duration GAP VAR como ferramenta de gestão de risco de mercado - taxas pré fixadas ESTUDO DE CASO SISTEMA DE GESTÃO DO RISCO DE LIQUIDEZ Estrutura do sistema de gestão do risco de liquidez Fonte dos dados Sistema de produtos Sistema de serviços Sistemas de empresas coligadas Base de dados Instrumentos de análise Fluxo de caixa. 17 17 21 23 26 27 28 29 30 31 31 33 36 37 39 41 41 42 42 43 44 45 47 50 54 55 57 59 62 63 63 64 64 65 65 65 66 66.
(16) 3.1.4.2 3.1.4.3 3.2 3.2.1 3.3 3.3.1 3.3.1.1 3.3.1.2 3.3.1.2.1 3.3.1.3 3.3.1.3.1 3.3.1.3.2 3.3.2 3.3.3 3.3.3.1 3.3.4 3.3.5 3.3.6 3.3.6.1 3.3.6.2 3.4 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.4.3.1 3.4.3.2 3.4.4 3.5 3.5.1 3.5.1.1 3.5.2 3.5.3 3.6 4 4.1 4.2. GAP VAR - value at risk DO FORNECIMENTO DAS INFORMAÇÕES DA BASE DE DADOS PELOS DIVERSOS SISTEMAS DO BANCO E EMPRESAS Arquivos dos sistemas de produtos e de serviços do banco OPERACIONALIZAÇÃO DOS DIVERSOS INSTRUMENTOS DE GERÊNCIAMENTO DE RISCO DE LIQUIDEZ Fluxo de caixa Caixa Caixa reserva Modelo de apuração do caixa reserva Caixa títulos Modelo de controle de saldo de caixa em títulos públicos Das definições de dos itens que compõem o modelo de apuração do caixa títulos Caixa a partir das informações geradas pelos produtos e serviços Modelos de apuração do caixa diário Das definições dos itens que compõem o modelo de apuração do caixa diário Das previsões de cenários de movimentação para o fluxo de caixa Demonstração do fluxograma do fluxo de caixa Desenvolvimento do fluxo de caixa Dos resultados apresentados no demonstrativo gerencial de caixa e seus reflexos no demonstrativo de caixa em títulos Índice de liquidez corrente (ILC) GAP DESCASAMENTOS DE MOEDAS, TAXAS, PRAZOS E VALORES Duration de ativos e passivos e duration GAP Funcionalidade do sistema "GAP - descasamentos de moedas, prazos e valores" Operacionalização do sistema GAP GAP entre captações e aplicações de recursos Apresentação dos relatórios com resultados Cálculo das duration’s: ativo, passivo e GAP VAR – VALUE AT RISK Desenvolvimento do sistema "VAR - Value At Risk" Premissa básica do VAR Procedimento de cálculo do VAR Operacionalização do sistema VAR QUANTO AO ATENDIMENTO AO NORMATIVO BACEN RESOLUÇÃO Nº 2804 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES. 66 67. REFERÊNCIAS ANEXOS. 135 138. 67 67 75 75 75 76 77 79 80 80 81 82 83 84 93 94 94 103 104 105 107 107 108 109 112 116 116 117 117 118 126 132 132 134.
(17) 17 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS. 1.1 - INTRODUÇÃO. O Banestes S.A é um banco múltiplo, que atua no desenvolvimento do Estado do Espírito Santo, com pontos de atendimento em todos os seus municípios, e em quatro Estados da Federação.. Sua principal característica é a regionalidade; o que não impede que suas iniciativas estejam diretamente ligadas ao processo de globalização da economia.. Como regional entende-se um banco identificado e comprometido com o mercado capixaba, voltado para o atendimento de demandas específicas da economia do Estado, principalmente no que se refere às necessidades de micro, pequena e média empresas e pessoa física.. A vocação varejista se expressa na comercialização de produtos de rede, tratando as operações mais sofisticadas de engenharia financeira como questão de oportunidade.. O portifólio de produtos, expandido pelas empresas que compõem o sistema financeiro Banestes, apresenta-se da seguinte forma: •. Crédito Rural, Industrial e Imobiliário;. •. Crédito Comercial;. •. Operações de Câmbio;. •. Leasing Banestes;. •. Cartão de Crédito Banestes Visa Internacional;. •. Mercado Aberto;. •. Carteira de Seguros;. •. Intermediação de compra e venda de ativos financeiros;.
(18) 18 •. Fundos de Investimento Financeiro de Renda Fixa e Variável;. •. Cobrança;. •. Home Banking;. •. Arrecadação de Tributos.. Compondo o consolidado Banestes S.A, apresentamos, a seguir, as empresas coligadas: •. BANESTES LEASING S.A - Arrendamento Mercantil;. •. BANESTES SEGUROS S.A;. •. BANESTES CORRETORA DE SEGUROS S.A;. •. BANESTES DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A;. •. BANESTES ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS E CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.. Cabe ao Banestes, como instituição financeira comercial, o objetivo precípuo de proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários para financiar, a curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas.. Assim como o Banestes, os bancos comerciais formam o grupo mais importante de instituições depositárias, tanto em termos de número quanto de tamanho. Desempenham funções semelhantes às instituições de poupança, ou seja, descontam títulos; realizam operações de abertura de crédito simples ou em conta corrente (contas garantidas); realizam operações especiais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio internacional; captam depósitos à vista e a prazo fixo (CDB e RDB); obtêm recursos junto às instituições oficiais para repasse aos clientes; obtém recursos externos para repasse; efetuam prestações de serviços, inclusive mediante convênios com outras instituições. Sobre isto Fortuna (1998, p.22) comenta:.
(19) 19 Os bancos comerciais são intermediários financeiros que recebem recursos de quem tem e os distribuem através do crédito seletivo a quem necessita de recursos, naturalmente criando moeda através do efeito multiplicador do crédito.. Um banco, mais bem entendido como um intermediário financeiro, atua operacionalmente com base em duas grandes decisões financeiras: ativodecisões de investimento(aplicações) - e passivo - decisões de financiamento (captações ).. Os recursos alocados aos ativos geram benefícios econômicos, definidos por receitas da intermediação financeira, e os valores registrados nos passivos produzem despesas com intermediação financeira.. É por meio desse processo de intermediação financeira que se forma o spread (resultado bruto) de um banco, ou seja:. Spread Bancário = Receita de Intermediação - Despesas de Intermediação. De outra maneira, a taxa de juros cobrada ao tomador de recursos visa fundamentalmente remunerar o titular da poupança, cobrir os riscos e demais custos da operação e despesas administrativas, além de gerar um resultado que remunere o capital investido na instituição.. Os recursos passivos de um banco, pelo princípio da minimização do risco, são levantados por meio de operações casadas com ativos em termos de prazo, moeda e taxa.. O descasamento deliberado em operações de intermediação financeira justifica-se como uma forma de alavancar os resultados da instituição. No entanto, essas estratégias envolvem maior risco, demandando um controle bastante próximo das operações.. ( 1.1 ).
(20) 20 O descasamento das operações pode também ocorrer diante de falta de alternativa de negócios no mercado. Por exemplo, uma instituição que deseja atender a uma solicitação de empréstimo para resgate em dois meses, não encontrando disponibilidade de poupança de mesmo prazo no mercado, pode decidir captar por um mês.. Nessa posição assumida, evidencia-se um descasamento de prazos, tornando-se necessárias duas captações seguidas de 30 dias para lastrear a operação ativa de 60 dias. Evidentemente, se a taxa de juros de mercado subir, a rentabilidade do banco se reduz, ocorrendo o contrário na hipótese de uma retração nas taxas de juros.. Essa ilustração evidencia, de forma muito simples, o risco com que a instituição financeira convive ao operar com ativos e passivos descasados.. Por esse motivo, verificou-se nos últimos anos, nova concepção na gestão de riscos, buscando conhecer os fatores que podem ameaçar uma instituição financeira, sejam eles decorrentes de riscos de mercado, riscos de crédito, riscos operacionais ou riscos legais.. Então, clientes e órgãos reguladores, acionistas e funcionários, preocupam-se com a. possibilidade de ocorrência de eventos indesejáveis nas instituições. financeiras, como: perdas inesperadas e não suportáveis em operações de crédito ou em súbitas mudanças da conjuntura econômica, provocando danos à reputação, interrupção ou redução de receitas, etc.. Portanto, o estudo de caso proposto está centrado na instituição financeira Banestes, em razão da necessidade do desenvolvimento de instrumento capaz de gerenciar e controlar o Risco de Liquidez da Instituição, bem como administrar os descasamentos, por prazo, taxas e moedas, originados nas diversas modalidades.
(21) 21 de operações financeiras ativas e passivas que a instituição pratica, e ainda, por estar enquadrada dentre as regras que regem o Sistema Financeiro Nacional.. 1.2 - FORMULAÇÃO DO PROBLEMA. Eminentemente, na formulação do problema para o estudo de caso "Modelo de Gestão de Risco de Liquidez para o Banestes", considerando sua finalidade e competitividade do setor, observou-se o disposto na resolução nº 2804, do Banco central do Brasil, de 21 de dezembro de 2000.. O Banestes S.A deverá efetuar diariamente avaliação de seu saldo de caixa, para um prazo mínimo de 90 dias analisar os descasamentos das carteiras de captação e aplicação de recursos, considerando prazos, taxas e valores. Dessa forma, deverá adotar, no mínimo, os seguintes procedimentos: •. Manter, de forma adequadamente documentada, os critérios e a estrutura estabelecidos para o controle do risco de liquidez;. •. Elaborar análises econômico-financeiras que permitam avaliar o impacto dos diferentes cenários na condição de liquidez de seus fluxos de caixa, levando em consideração, inclusive, fatores internos e externos à instituição;. •. Elaborar relatórios que permitam o monitoramento dos riscos de liquidez assumidos;. •. Realizar avaliações voltadas à identificação de mecanismos e instrumentos que permitam a obtenção dos recursos necessários a reversão de posições que coloquem em risco a situação econômico-financeira da instituição, englobando as alternativas de liquidez disponíveis nos mercados financeiro e de capitais;.
(22) 22 •. Realizar periodicamente testes de avaliação dos sistemas de controles implantados, incluindo testes de estresse, teste de aderência e quaisquer outros que permitam a identificação de problemas que, de alguma forma, possam comprometer o equilíbrio econômico-financeiro da instituição;. •. Promover a imediata disseminação das informações e análises empreendidas sobre o risco de liquidez detectado aos diversos setores diretivos e gerenciais da instituição, bem como das conclusões e providências adotadas;. •. Estabelecer plano de contingência contendo estratégias de administração de situações de crise de liquidez.. Os controles internos deverão contemplar e estarem capacitados a identificar: •. Os riscos de cada instituição individualmente; e. •. Os riscos do conglomerado em termos consolidados.. Todas análises, informações e relatórios deverão ficar à disposição do Banco Central do Brasil, na sede da instituição e, quando for o caso, na sede da instituição líder do conglomerado.. Nesse caso, deverá ser designado diretor responsável pela Resolução 2804 que dispõe sobre risco de liquidez.. A manutenção da liquidez é vital para uma instituição financeira. Os bancos públicos, como o Banestes, tiveram enorme papel na construção civil do Estado do Espírito Santo, na geração de moradias para a população de média e baixa renda.. O que queremos exemplificar, até como medida de descasamento de fluxo de caixa, é que o funding para operações de crédito imobiliário é a nossa caderneta de poupança..
(23) 23 O que ocorre é um brutal descasamento de fluxo de prazo dado que os poupadores têm recursos praticamente à vista, enquanto os financiamentos são efetuados para longo prazo (30 anos).. Assaf Neto (2000, p.261), comenta:. É importante notar, em conseqüência, que as atividades fundamentais das instituições financeiras de captar e emprestar fundos dão origem a resultados com diferentes níveis de risco. Dificilmente o conhecido casamento entre os fundos ativos e passivos dos bancos apresentam condições e características idênticas em termos de prazo, taxas de juros e garantias. A partir principalmente da década de 80, os bancos passaram a conviver com maiores riscos no intuito de auferir lucros mais volumosos. Para os bancos, seus passivos são obrigações líquidas e certas; seus ativos, não obstante, estão inseridos em expectativas de um fluxo de caixa esperado (futuro).. 1.3 - CRONOLOGIA. A partir da implantação do Plano Real, em julho de 1994, e com o processo de globalização da economia, o CMN - Conselho Monetário Nacional foi obrigado a regulamentar em 17/08/94, através da resolução nº 2.099, a definição de Limites Mínimos de Capital Realizado e Patrimônio Líquido da Instituição, com o objetivo macro de enquadrar o mercado financeiro aos padrões de solvência e liquidez internacionais que foram definidos em julho de 1988, em acordo assinado na Basiléia, Suíça, pelos bancos centrais dos países que compõem o grupo dos dez.,. O resultado desse primeiro esforço foi de limitar a capacidade de alavancagem das instituições financeiras.. As operações ativas, ponderadas pela qualidade creditícia, não deveriam ser superiores a determinado múltiplo do patrimônio Líquido Ajustado (PLA)..
(24) 24 A recomendação internacional recomendada pelo BIS foi de que o PLA da instituições deveria ser superior a 8% das operações ativas ponderadas pelo seu percentual predeterminado de risco (Apr).. Pelas condições da economia brasileira, o Banco Central do Brasil requereu das instituições PLAs superiores a 11% dessas operações.. Esse acordo de capitais foi aperfeiçoando ao longo desses anos motivo de amplo debate para reformulação, incentivado pelo próprio BIS, dadas as profundas alterações no ambiente e na maneira de as instituições financeiras operarem.. A Resolução nº 2.212 do BC, de 11/95, alterou aspectos da Resolução nº 2.099, de forma a viabilizar o Proer (Programa de estímulo à reestruturação e ao fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), com objetivos básicos de assegurar a liquidez e solvência do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses de depositantes e investidores.. Com o objetivo de aperfeiçoar o modelo de adequação de capital, recomendado pelo Comitê de Supervisão Bancária do BIS, no que tange ao controle dos riscos de crédito das operações de SWAP, o Conselho Monetário Nacional, através da Resolução nº 2.399 e das Circulares nºs 2.770 e 2.771, de 30/07/97, do Banco Central do Brasil, estabeleceram novos métodos para o cálculo do fator de risco de crédito dessas operações quando realizadas por instituições financeiras.. A partir daí, o fator de risco correspondente a cada operação passou a ser calculado em função das volatilidades dos ativos envolvidos e do seu índice de correlação.. Cada instituição financeira poderá alavancar operações de SWAP com fator de risco equivalente a cinco vezes o seu patrimônio líquido (PL). Dessa forma, para.
(25) 25 cada R$ 100,00 colocados em risco em operações com derivativos, o banco terá de possuir um PL mínimo de 20,00.. Em maio de 1999, foram editadas duas medidas relativas às chamadas Regras da Basiléia que determinam a elevação dos limites mínimos de capital realizado para essas instituições e a inclusão do risco de mercado referente a exposições em moedas estrangeira e em ouro. Essa medida completa os passos mais importantes da agenda voltada para o gerenciamento de risco no âmbito do sistema financeiro. Na prática, a norma significou uma nova redação para o anexo IV à Resolução nº 2.099, no qual encontra-se a fórmula de apuração do PLE Patrimônio Líquido Exigido das instituições, que passou a referir-se à estrutura do passivo e contas de compensação, além da consideração das operações ativas dessas instituições.. Dando continuidade ao processo de adequação ao receituário internacional para a regulamentação prudencial de instituições financeiras, o Banco Central, através da Resolução nº 2.692, de 24/02/2000, estabeleceu que o cálculo do PLE das instituições financeiras, passe a englobar o risco de mercado decorrente da exposição das respectivas operações ativas e passivas à variação das taxas de juros praticadas no mercado.. Com a fórmula para o cálculo do PLE - Patrimônio Líquido Exigido das instituições financeiras considerando medidas de risco de operações de crédito, operações de derivativos (swaps), operações com ouro e moeda estrangeira e taxas de juros (VAR), o Banco Central como regulador do mercado, passou a instrumento de monitoramento. sobre. as. instituições. financeiras,. mantendo. um. melhor. gerenciamento dos bancos, como forma de evitar situações que venham surpreender o mercado causando prejuízos ao Banco Central e à economia do país..
(26) 26 Deve-se ressaltar que, em 1998, o CMN deliberou sobre a implantação e implementação de sistemas de controles internos efetivos e consistentes nas instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central, surgindo então a resolução 2554, de 24 de setembro de 1998. Essa Resolução apontou para a necessidade do gerenciamento de riscos, em especial, dos operacionais nas instituições financeiras brasileiras.. Em 21 de dezembro de 2000, o CMN estabeleceu que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem manter sistemas de controle estruturados em consonância com seus perfis operacionais, periodicamente reavaliados, que permitam o acompanhamento permanente das posições assumidas em todas as operações praticadas nos mercados financeiro e de capitais, de forma a evidenciar o risco de liquidez decorrente das atividades por elas desenvolvidas.. 1.4 - JUSTIFICATIVA. O Banestes possui uma carteira diversificada de produtos ativos e passivos. Por ser um banco múltiplo, sua estrutura está composta de carteira de crédito comercial, crédito imobiliário, entre outras. Para gerar funding para essas carteiras, o banco necessita de captar recursos junto a clientes e mercado, em diversas modalidades de operações, com diferentes índices de remuneração, prazos e valores, para atender suas necessidades básicas de uma instituição financeira.. Na sua forma essencial de operar, captando recursos e emprestando, ou seja, intermediando recursos, através se uma gama variada de produtos, o banco assume diversos tipos de riscos como: crédito, mercado e descasamentos de fluxos, que não havendo. gerenciamento e controle, podem, em determinado. momento, gerar resultados inesperados, capazes de afetar diretamente o fluxo de caixa da instituição, comprometendo seu nível de liquidez..
(27) 27 Um volume significativo de seus resultados provém principalmente das oportunidades de ganhos promovidas pelo descompasso de taxas e prazos, indexadores e de suas captações e aplicações.. Nesse aspecto é importante assinalar que uma caracteristica de atuação dos bancos no Brasil são os elevados riscos que assumem ao trabalharem com múltiplos e diferentes indexadores de correção das operações de captações e aplicações de recursos.. Conforme Assaf Neto (2000, p.260), o conflito liquidez e rentabilidade é bastante evidente nas atividades dos bancos ao procurarem, ao mesmo tempo, manter seus recursos aplicados em ativos rentáveis e conviverem com folga financeira suficiente para atender a toda demanda de seus depositantes e aplicadores.. Como forma de atender à exigência do Banco Central do Brasil, através da Resolução nº 2.804, de 21 de dezembro de 2000, bem como, as necessidades de administrar os recursos do banco, "é importante possuir um instrumento gerencial (fluxo de caixa), capaz de avaliar e controlar, diariamente, os saldos de caixa da instituição para um período, verificando os descasamentos dos fluxos das carteiras ativas e passivas considerando as diferentes moedas e prazos de liquidação, como forma de evitar situações que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição.. 1.5 - OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS. O objetivo geral do trabalho é mostrar um instrumento para o Banestes, capaz de gerenciar e controlar, diariamente, os saldos de caixa, os descasamentos, de prazos, valores e moedas, oriundos das diversas operações ativas e passivas praticadas na instituição..
(28) 28 Os objetivos específicos são: •. Avaliar a liquidez através de fluxo de caixa;. •. Avaliar os fluxos de descasamentos dos produtos ativos e passivos, considerando seus indexadores e vencimentos;. •. Calcular, a partir da estrutura a termo das taxas de juros, os valores presentes (VPL) dos fluxos ativos e passivos, a duration dos produtos do ativo e dos produtos do passivo, por índice de remuneração e a duration GAP (descasamento entre ativo e passivo de mesmo indexador);. 1.6 - METODOLOGIA. Para o desenvolvimento deste projeto, foi elaborado um estudo de caso. Em primeiro momento, por meio de pesquisa bibliográfica e documental em livros nacionais, estrangeiros, revistas especializadas, jornais, Internet e consultas a outras Instituições Financeiras e entrevistas a gestores de produtos e serviços do banco.. Na seqüência, em atendimento aos normativos do Banco Central do Brasil, foi construído um modelo de avaliação do risco de liquidez.. Para apresentação do referido modelo foi utilizada uma Instituição Financeira Estatal. que detém uma gama variada de negócios financeiros, que é o. BANESTES - S.A - Banco do Estado do Espírito Santo.. Para elaboração e análise do modelo, foram apresentadas as seguintes etapas, onde os números utilizados foram simulados, observando sempre as regras da instituição e as legislações vigentes:.
(29) 29 a) Exemplos das carteiras dos produtos de captações e aplicações de recursos da instituição, mostrando a distribuição de valores de acordo com os índices de remuneração e prazos de duração;. b) Apresentação da formação do saldo de caixa do banco;. c) Apresentação dos GAP's por categoria ativo/passivo, por carteira e por indexador;. d) Cálculo dos valores em risco - VAR, por vértice e global;. e) Apresentação de estratégia para tomada de decisão, objetivando a minimização dos riscos, através de operações de hedge sobre os descasamentos, pela análise através da metodologia de duration.. 1.7 - ESTRUTURA DO TRABALHO. Este estudo acadêmico está organizado em seis capítulos que são apresentados a seguir:. Primeiro capítulo: Definição do trabalho, apresentando a contextualização, a formulação problema, a cronologia, as justificativas pela escolha do tema, os objetivos gerais e específicos do trabalho, a metodologia utilizada, a estrutura do trabalho e as limitações;. Segundo capítulo: Apresenta a fundamentação teórica do tema abordado, construído através de pesquisas, tais como: livros nacionais, estrangeiros, revistas especializadas, jornais, Internet e consultas a outras Instituições Financeiras;. Terceiro capítulo: Este capítulo detalha o estudo de caso. São efetuadas apresentações de planilhas considerando, os negócios financeiros efetuados pelo.
(30) 30 banco, os descasamentos de índices e prazos, simulações de cenários, cálculos das duration's do ativo, passivo e duration GAP, de modo que a Instituição Financeira utilize os instrumentos, como forma de controlar os riscos de liquidez e obter maiores ganhos financeiros, através do gerenciamento de suas carteiras de captação e aplicação de recursos;. Quarto capítulo: Nele, são efetuadas, as conclusões e as recomendações para estudos futuros;. Referências: A referência bibliográfica utilizada no estudo do projeto apresentado;. 1.8 - LIMITAÇÕES. No desenvolvimento desta dissertação, observam-se algumas limitações. São elas: •. Os procedimentos propostos foram elaborados com a finalidade de atender uma Instituição Financeira Estatal, que além de atuar nos negócios voltados para sua atividade primordial, que é a intermediação de recursos, atua na parte social do estado. Essa instituição possui uma forma mais conservadora de atuar em seus negócios. Para utilização do modelo proposto em uma Instituição Financeira que possui atuação mais agressiva para negócios, como por exemplo, o uso constante de derivativos, caberia ao modelo, algumas adaptações.. •. No decorrer do trabalho, dadas questões éticas e de sigilo bancário da Instituição, consideramos valores financeiros hipotéticos para utilização nos modelos..
(31) 31 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo serão apresentados os conceitos básicos e a fundamentação teórica do que será visto na apresentação do instrumento “Modelo de Gestão de Risco de Liquidez para o Banestes”.. Procurou-se adotar como referência de pesquisa, livros, artigos, textos, resenhas, manual. operacional,. Resoluções,. Circulares. como. forma. de. buscar. o. embasamento necessário para um melhor entendimento do assunto.. 2.1 – BANCOS COMERCIAIS E MÚLTIPLOS: FUNDAMENTOS E FUNÇÕES. Dentro do contexto de economia monetária, um banco pode ser entendido como uma instituição financeira que executa basicamente duas atividades.. A primeira é a promoção do mecanismo de pagamentos dentro da sociedade; e a outra é a de ser um intermediário financeiro que recebe recursos de agentes econômicos superavitários e os transfere, dentro do âmbito de seus ativos (empréstimos, aplicações em títulos etc.), aos agentes carentes de liquidez.. Em nível microeconômico, o banco comercial/múltiplo é tratado como uma entidade econômica com finalidades lucrativas, tendo como produto a moeda adquirida por meio de operações de captações financeiras. O objetivo principal da instituição, obtido por um processo racional de tomada de decisões financeiras, é maximizar sua riqueza dentro de um ambiente conjuntural e regulatório que lhe é imposto.. Conciliando com a visão macroeconômica descrita inicialmente, um banco pressupõe a execução de duas funções. A primeira é a função de demanda de seus produtos (aplicações processadas pela instituição e relacionadas em seus ativos), a qual se apresenta dependente da atividade da economia, das taxas de juros de mercado, dos serviços disponíveis etc..
(32) 32. A outra função executada pelo banco é a de captação financeira, sendo definida pelo nível de depósitos, custos etc., essa função revela-se como uma obrigação do banco, estando registrada em contas de passivo.. Tobin (1977, c.6) descreve que a função essencial de todos os intermediários financeiros,. inclusive. os. bancos. comerciais. e. múltiplos,. é. satisfazer,. simultaneamente, o portifólio de preferências dos vários agentes econômicos. De um lado, se encontram os tomadores de recursos que desejam incrementar sua riqueza (patrimônio líquido) de ativos reais (estoques, imóveis, equipamentos etc.).. De outro lado, encontram-se os credores (emprestadores de recursos) que objetivam fundamentalmente manter a essência de seu patrimônio em ativos de valorização estável e com nível mínimo de risco. As obrigações dos tomadores de recursos constituem os ativos dos intermediários financeiros, sendo seus passivos os ativos dos aplicadores de recursos.. Nesse enquadramento, as. instituições. tomam. recursos. no. mercado,. a. determinada taxa de juros, e aplicam a outra taxa maior. O diferencial de taxa (taxa de aplicação menos taxa de captação), denominado de spread, deve permitir que a instituição cubra seus vários dispêndios e produza resultado final que remunere adequadamente o capital investido.. Por outro lado, os bancos mantêm ativos com menor grau de conversibilidade em dinheiro e maior risco que seus passivos. Em verdade, boa parte dos passivos bancários é originada de depósitos correntes, cujos valores podem ser exigidos a qualquer momento, enquanto seus ativos são caracteristicamente resgatados em data preestabelecidas..
(33) 33 O diferencial de taxas (spread) descreve o desempenho econômico da instituição, enquanto o equilíbrio entre a liquidez dos elementos ativos e passivos reflete o objetivo da posição financeira. O sucesso na gestão dessas variáveis depende, essencialmente, da competência e do potencial do banco em negociar prazos e taxas de juros com os agentes, do nível de inadimplência de seus devedores, do comportamento do mercado e de eventuais garantias governamentais com relação à segurança e liquidez das instituições financeiras.. 2.1.2 – Bancos como entidades que visam o lucro. No contexto macroeconômico, os bancos comerciais múltiplos são avaliados como instituições capazes de gerar meios de pagamento, sendo, em conseqüência, inseridos no controle monetário da economia.. A preocupação central da política monetária com os bancos é sua prerrogativa de criar moeda escritural, exercendo pressões sobre a liquidez de todo o sistema.. Em nível de sistema financeiro, os bancos são tidos como participante de sua função básica de transferir recursos de agentes com capacidade de poupança para os agentes carentes de financiamento.. No ambiente das instituições financeiras, ainda, o fluxo de fundos tem origem geralmente. nas. unidades. familiares,. sendo. os. tomadores. de. dinheiro. principalmente as empresas privadas e o setor público.. Os. serviços. essenciais. ao. funcionamento. da. economia. executadas. caracteristicamente pelo sistema financeiro por meio dos bancos são descritos da seguinte forma:.
(34) 34 •. Mecanismo de. pagamentos. por. meio. de. diversos. instrumentos. de. transferência de fundos(cheques, movimentações eletrônicas de dinheiro, etc.); •. Sistema de crédito aos vários agentes econômicos;. •. Criação de moeda;. •. Oferta de alternativas rentáveis para aplicações em poupanças.. É reconhecido, por outro lado, que um dos principais problemas na gestão dos bancos é sua responsabilidade perante os interesses sociais da economia.. Os serviços oferecidos por um banco têm profunda influência em todo o sistema, sendo suas funções básicas de crédito, pagamento, captação de poupanças e criação de moeda escritural fundamentais ao funcionamento da economia.. Diante dessa realidade, o funcionamento dos bancos requer alguma forma de aprovação das autoridades monetárias, passando a instituição a operar dentro de um contexto de controle dos objetivos econômicos e engajamento deles (política monetária, desenvolvimento econômico, balanço de pagamentos, etc.). A idéia do banco comercial e múltiplo como uma organização que objetiva o lucro é configurada ao identificar-se a moeda como seu produto básico de negociação, cujos fornecedores são os agentes superavitários da economia.. Foi demonstrado em itens precedentes que, diante de seus aspectos típicos de atuação, a capacidade de entradas de recursos nos bancos tende a crescer, respeitados certos limites, de conformidade com o aumento dos empréstimos concedidos..
(35) 35 Essa característica da instituição sugere sua convivência com os efeitos de um multiplicador de seus negócios.. Nesse contexto, Tobin (1977, c.6) descreve o banco como uma empresa tomadora de decisões racionais que visam à maximização de seus resultados. Sendo crédito o objetivo da demanda de seus produto básico – o dinheiro de seus depositantes e aplicadores -, suas atividades financeiras essenciais são dependentes de inúmeros fatores, citando-se o nível de poupança de economia, as taxas de juros, os custos da instituição entre outros.. Rose e Frazer (1988) descrevem os bancos comerciais (e demais intermediários financeiros) como empresas similares a outras organizações, que utilizam determinados imputs – terra, trabalho, capital e habilidades gerenciais – com o intuito de atender aos mais variados tipos de serviços demandados por seus clientes.. Para atuar em ambiente de concorrência, as instituições financeiras desenvolvem suas estratégias de mercado visando maximizar seus resultados operacionais.. Os serviços financeiros oferecidos pelos bancos são gerenciados de maneira a minimizar. seus. custos. e. expandir. o. volume. de. suas. aplicações. e,. conseqüentemente, de suas receitas.. Nesse enfoque, os bancos controlam seus custos de captação e administrativos de forma a se capacitarem a oferecer dinheiro a seus clientes a preços (taxas) mais atraentes. Suas aplicações, por outro lado, são efetuadas visando apurar o mais alto retorno possível da intermediação.. Para tanto, é dada prioridade, obedecidas evidentemente as regulamentações legais e os objetivos estratégicos de conduta da instituição, a diversificação dos ativos, de forma a manter estruturas que privilegiam as aplicações mais rentáveis..
(36) 36. 2.2 – LIQUIDEZ. A liquidez dos bancos reflete a capacidade financeira da instituição em atender prontamente toda demanda por recursos de caixa. A posição de liquidez revela, mais especificamente, a habilidade de uma instituição gerar caixa de maneira a atender adequadamente as suas obrigações financeiras.. A manutenção de caixa no âmbito de uma instituição financeira tem por objetivo atender ao fluxo de pagamento de despesas operacionais, cobrir resgates de seus depositantes,. manter. reservas. compulsórias,. e. atender. solicitações. de. empréstimos e financiamentos.. Uma preocupação sempre presente na avaliação de uma instituição financeira é a presença de disponibilidades de caixa nos diversos momentos em que os recursos são demandados.. Leite (1994, p.68), define liquidez como sendo a capacidade da empresa em pagar pontualmente seus compromissos financeiros. Em outras palavras, a liquidez de uma empresa é o grau de capacidade que ela tem, em determinado momento, de atender aos seus compromissos, a curto prazo, através da realização de seus ativos Circulantes. Portanto, essencialmente, a análise da liquidez das empresas está centrada no estudo detalhado da composição e magnitude de seus Ativos e Passivos Circulantes.. Segundo Assaf Neto (2000, p.279), o conceito mais amplo de liquidez abrange as dimensões patrimoniais da instituição financeira, envolvendo comparações entre ativos e passivos..
(37) 37 Nessa idéia, a determinação do nível mais adequado de liquidez de uma instituição é uma tarefa complicada, requerendo uma avaliação mais ampla, dentro do contexto das fontes e aplicações de recursos, o que geralmente extrapola as informações trazidas pelos demonstrativos contábeis usualmente publicados.. Em verdade, a liquidez de uma instituição financeira é um conceito relativo, influenciado principalmente pelo grau de maturidade, qualidade e negociabilidade de seus elementos patrimoniais.. 2.2.1 – Causas de risco de liquidez. As Instituições Financeiras, que desempenham o papel de intermediadores de recursos junto aos clientes, apresentam-se como entidades portadoras de grande potencial de assumir uma posição de liquidez.. Ao captarem recursos junto a clientes e mercado na venda de seus produtos, como exemplo, CDB – Certificado de Depósito Bancário, LH – Letras Hipotecária e aplicarem em ativos como empréstimos na carteira comercial e financiamentos imobiliários, assumem diferentes níveis de risco, face aos descasamentos originados nos recursos entre ativos e passivos, devido às distintas características de prazos, taxas e garantias de cada operação.. Os bancos, na sua forma de operar, procurando, ao mesmo tempo, manter seus recursos aplicados em ativos rentáveis e conviverem com folga financeira suficiente para atender a toda demanda de seus. depositantes e aplicadores,. passam a viver com conflito de liquidez e rentabilidade.. A manutenção da liquidez pelos bancos não costuma ser uma tarefa fácil. A principal dificuldade centra-se na estrutura de seus ativos, os quais variam muito em termos de liquidez. Alguns ativos transformam-se rapidamente em caixa a.
(38) 38 baixo custo, enquanto outros têm maior maturidade, sendo onerosa sua liquidez imediata.. De uma forma geral, o controle de liquidez dos bancos é processado com base em uma análise associada às suas captações e aplicações. Mais especificamente, uma administração adequada dos grupos dos ativos e passivos desenvolve-se, de maneira conjunta, como resultado do grau de interdependência das decisões financeiras tomadas pela instituição.. A origem dos problemas dos bancos localiza-se, basicamente, nos rendimentos de seus ativos confrontados com o custo de seus passivos, ou na geração de uma liquidez insuficiente para fazer frente ao fluxo de desembolsos líquidos de caixa.. À medida que essas dificuldades de natureza econômica e financeira surgem, a instituição vê-se pressionada a solucionar rapidamente o problema, sob pena de sujeitar o banco a riscos maiores.. O risco de liquidez, conforme Saundrs (2000, p.327), resulta de duas causas – uma associada aos passivos e outra associada aos ativos. A primeira verifica-se sempre que os titulares de passivos de uma IF, como depositantes ou segurados, tomam a iniciativa de converter seus. direitos. financeiros. em. dinheiro. imediatamente.. Quando os titulares de passivos exigem dinheiro retirando seus depósitos, a IF vêse obrigada a captar fundos adicionais ou liquidar ativos para cobrir as retiradas. O ativo mais líquido de todos é o caixa; as IFs usam esse ativo para pagar diretamente os titulares de direitos que desejam fazer retiradas.. Entretanto, as IFs tendem a minimizar seus saldos de caixa porque não rendem juros. Para gerar receita de juros, a maioria das IFs investe em ativos menos líquidos e/ou de prazo de vencimento mais longo..
(39) 39. Embora a maioria dos ativos possa ser convertida em caixa, cedo ou tarde, para alguns ativos isso só pode ser feito a um custo elevado, quando o ativo precisa ser liquidado imediatamente.. O preço que o detentor do ativo é obrigado a aceitar para a venda imediata pode ser muito inferior ao que seria obtido se houvesse um prazo mais longo para negociar a venda.. Em conseqüência, alguns ativos só podem ser vendidos a preço de liquidação, ameaçando assim a solvência da IF. Alternativamente, em lugar de liquidar ativos, uma IF pode optar por comprar ou tomar fundos adicionais por empréstimo.. A segunda fonte de risco de liquidez está no lado do ativo, em conseqüência de compromissos de empréstimo. Um compromisso de empréstimo permite a um tomador sacar fundos de uma IF (durante o período de compromisso), sempre que assim o deseje.. Quando há saques num compromisso de empréstimo, o IF precisa cobri-lo no balanço imediatamente; isso gera uma demanda de liquidez.. Tal como ocorre com retiradas de passivos, uma IF pode satisfazer essa necessidade de liquidez reduzindo seus saldos de caixa, vendendo outros ativos líquidos, ou tomando fundos adicionais por empréstimo.. 2.3 – CAPITAL E RISCO. A atividade dos negócios bancários é bastante sensível às condições econômicas, à política monetária e ao comportamento das taxas de juros, os quais apresentamse em constante mutação..
(40) 40 Conceitualmente, o montante de capital próprio a ser mantido por uma instituição financeira é fortemente dependente do risco assumido em seus negócios, devendo ser suficiente para cobrir eventuais perdas que possam ocorrer.. Assaf Neto (2000, p. 281), define que em instituições financeiras, a função mais consagrada do patrimônio líquido é financiar suas aplicações em ativo permanente e, por meio de excessos de recursos próprios, lastrear financeiramente as necessidades mínimas de investimento operacional em giro. Segundo ele:. a definição do montante adequado de capital de um banco é de difícil dimensionamento prático, diante principalmente de sua dependência por fatores que não podem também ser determinados com exatidão, como seu nível de risco. Algumas tendências podem, todavia, ser extraídas dos demonstrativos contábeis, sem contudo tornarem-se informações perfeitas.. Ainda de acordo com Assaf Neto (2000, p. 282), fundamentalmente, a idéia de risco está presente em todos os negócios, determinada principalmente pela incapacidade de se predizer o futuro.. Um banco, apesar de operar sob certos condicionantes legais e de política monetária, atua na maioria de seus segmentos de negócios em ambiente de livre concorrência, tomando suas decisões de maneira direcionada ao objetivo de otimização do retorno de seus ativos.. Nesse contexto, são tomadas decisões de duas categorias de risco: risco operacional e risco financeiro.. O risco operacional é definido pela qualidade e estabilidade dos fluxos de resultados esperados da instituição, os quais são influenciados pela situação política do país, pela evolução das taxas de juros e dos indexadores de preços, pelo nível de atividade do mercado etc..
(41) 41 Esse risco é incrementado quanto menor for a participação de capital próprio atuando como funding dos ativos. O uso de recursos provenientes de depósitos e outras obrigações passivas, que compõem o denominado risco financeiro, introduz uma incerteza maior aos resultados esperados da instituição, reduzindo sua qualidade.. Segundo Assaf Neto (2000, p.282), a avaliação do risco total de um banco (operacional e financeiro) é desenvolvida pelo estudo da estrutura dos portfólios ativos e passivos e suas relações principalmente em termos de prazo, moeda e taxa.. As. decisões. ativas. (aplicações). e. passivas. (captações). são. interdependentes, sendo a variável risco seu aspecto mais crítico. Algumas medidas podem ser implementadas pela instituição visando reduzir o risco (diversificação de suas carteiras, por exemplo), sendo a capitalização a decisão mais eficiente.. Dessa forma, a análise do risco de uma instituição financeira envolve necessariamente a determinação apresentada de indicadores dos relatórios contábeis, a maioria deles baseada na relação entre o patrimônio líquido e os depósitos, empréstimos e ativo total.. 2.4 – RISCOS DIRETAMENTE LIGADOS À LIQUIDEZ. 2.4.1 Risco de mercado. Advém de oscilações imprevistas nos preços dos ativos financeiros e nas taxas de câmbio e, principalmente, de juro.. Jorion (1998, p. 13), define que, os riscos de mercado surgem de mudanças nos preços (ou volatilidades) de ativos e passivos financeiros, sendo mensurados pelas mudanças no valor das posições em aberto ou nos ganhos. Os riscos de mercado incluem o risco de base, que ocorre quando mudam ou falham as.
(42) 42 relações entre os produtos usados para hedge, e o risco relativo, relacionado a um índice de referência.. O risco da taxa de juros pode ser definido como o efeito de mudanças nas taxas de juros no valor de um único ativo, no valor do portfólio de ativos e o portfólio de passivos que lastreiam os ativos e , por último, na diferença representada pelo patrimônio líquido. Essas diferenças são denominadas gap.. 2.4.2 Risco de crédito. Relaciona-se a possíveis perdas pelo não cumprimento de um contrato por uma das partes; as perdas, neste caso, referem-se aos recursos que não mais serão recebidos.. Segundo Jorion (1998, p. 14), os riscos de crédito surgem quando as contrapartes não desejam ou não são capazes de cumprir suas obrigações contratuais. Seu efeito é medido pelo custo de reposição de fluxos de caixa, caso a outra parte fique inadimplente. Em termos mais genéricos, o risco de crédito também pode causar perdas quando a classificação dos devedores é rebaixada pelas agências especializadas, o que normalmente causa redução no valor de mercado de suas obrigações.. 2.4.3 Risco de liquidez. Ocorre quando um ativo real ou instrumento financeiro não pode ser vendido ou liquidado com relativa rapidez ou sem acarretar forte prejuízo; ou quando uma das partes resolva antecipar o fechamento de uma posição, acarretando na venda de parte se seus ativos.. Os riscos de liquidez podem ser divididos em risco de liquidez de mercado/produto e risco de liquidez de fluxo de caixa/obtenção de recursos. Jorion (1998, p.15)..
(43) 43. O risco de liquidez de mercado/produto surge quando uma transação não pode ser conduzida pelos preços de mercado prevalecentes, devido a uma atividade insuficiente de mercado.. O risco de liquidez de fluxo de caixa/obtenção de recursos refere-se à impossibilidade de cumprir as obrigações relativas aos fluxos de caixa, o que pode forçar a liquidação antecipada de contratos, transformando perdas escriturais em perdas reais. O risco de obtenção de recursos pode ser controlado através do planejamento adequado das necessidades, que podem ser administradas pela limitação dos intervalos entre os fluxos de caixa e também por meio de diversificação.. O Banco Central do Brasil apresenta sua definição de risco de liquidez como sendo,. a ocorrência de desequilíbrios entre ativos negociáveis e passivos exigíveis – “descasamentos” entre pagamentos e recebimentos - que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição, levando-se em consideração as diferentes moedas e prazos de liquidação de seus direitos e obrigações (BACEN – Resolução nº 002804, artigo2, 2000).. 2.5 – PLANEJAMENTO DE LIQUIDEZ. Planejar é uma das tarefas mais importantes do gestor. Por meio do planejamento é que se realiza uma gestão eficaz. Administrar uma empresa sem planejar suas atividades é como pilotar uma aeronave sem fazer o plano de vôo: fica sujeito a um pouso forçado a qualquer momento e lugar, podendo sofrer apenas um grande susto ou ter destruição total. Se não planejar suas atividades, o gestor corre o risco de ser surpreendido por imprevistos e colocar a empresa em grandes dificuldades, ou, até mesmo, levá-la à falência. O planejamento se faz necessário.
(44) 44 em todas as atividades da empresa, mas, principalmente, nas atividades da área financeira.. "O planejamento financeiro formaliza o método pelo qual as metas financeiras devem ser alcançadas" Ross (1995, p. 525).. Na visão de Welsch (1996, p. 255), o planejamento e controle das disponibilidades, normalmente, devem estar relacionados a três dimensões temporais diferentes:. 1. Planejamento a longo prazo quando a ocorrência de fluxos correspondentes às dimensões dos projetos de investimento e à dimensão temporal do plano de resultados a longo prazo (geralmente cinco anos); 2. Planejamento a curto prazo quando a ocorrência de fluxos está enquadrada no plano anual de resultados; 3. Planejamento operacional, em que as entradas e saídas de caixa são projetadas para o mês, a semana ou o dia seguinte.. Na visão de Saunders (2000, p. 325), o planejamento de liquidez é um componente essencial da previsão (e da capacidade de enfrentamento) de problemas de liquidez. Especificamente, permite aos administradores a tomada de decisões importantes de captação de recursos antes da ocorrência de eventos relativamente previsíveis. Esse planejamento pode reduzir o custo de fundos (com a determinação de uma combinação ótima de recursos) e minimizar o excesso de reservas que um banco precise manter.. 2.6 – MENSURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE UM BANCO A RISCO DE LIQUIDEZ. A gestão financeira, para ser eficaz, precisa estar sustentada e orientada por um planejamento de suas disponibilidades. Para isso, o gestor precisa de instrumentos confiáveis que auxiliem a otimizar os rendimentos dos excessos de.
(45) 45 caixa ou a estimar as necessidades futuras de financiamentos para que possa tomar decisões certas e oportunas. A sobrevivência e o crescimento da empresa são conseqüências de um planejamento que envolve volume de vendas com margens de lucros que remunerem, de forma satisfatória, o capital investido e um plano de recebimentos e pagamentos intercalados com boa margem de segurança do primeiro para o segundo, garantindo, assim, a viabilidade e a permanência da empresa no mercado.. Saunders (2000, p. 327), comenta que,. o risco de liquidez pode resultar de perdas de depósitos ou de novas solicitações de empréstimos e da necessidade subseqüente de reagir a elas por meio da liquidação de ativos ou da captação de novos recursos. Portanto, o administrador de um IF deve ser capaz de medir posição, em termos de liquidez, em bases diárias, se possível. Uma ferramenta útil é uma demonstração de liquidez que enumere as fontes e aplicações de liquidez e, assim, apresente uma medida da posição da IF em termos de liquidez.. Nesse contesto, o fluxo de caixa tem se apresentado como uma das ferramentas mais eficazes na gestão financeira das empresas, como afirma Zdanowicz (2000, p. 19), "O fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período.". 2.7 – FLUXO DE CAIXA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE LIQUIDEZ. O termo fluxo de caixa é também indentificado pela expressão inglesa cash flow, mas outras denominações são utilizadas: orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais, fluxo monetários e movimento de caixa..
(46) 46 Uma forma bastante simples de representar o fluxo de caixa, está disposta na figura a seguir:. CAIXA. INGRESSO. 1 2 3 4 5 6 .... DESEMBOLS. 1 2 3 4 5 6 .... Figura 01 - Fluxo de Caixa Fonte: (Zdanowicz, 2000, p. 25). Segundo Zdanowicz (2000, p. 37), dá-se o nome de fluxo de caixa de uma empresa ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período determinado.. O fluxo de caixa é um dos principais instrumentos de análise e avaliação da liquidez de uma empresa, auxiliando na percepção da movimentação dos recursos em um determinado período.. A projeção do fluxo de caixa permite a antecipação de eventuais necessidades de caixa, bem como uma melhor aplicação dos recursos disponíveis, buscando alternativas mais rentáveis, e ainda, permite analisar a forma como a empresa desenvolve sua política de captação e aplicação de recursos.. Ainda segundo Zdanowicz (2000, p. 28), o fluxo de caixa é o instrumento mais importante para o administrador financeiro, pois através dele, pode-se identificar as necessidades ou não de recursos financeiros a serem captados pela empresa. De acordo com a situação econômico-financeira da empresa ele irá diagnosticar e.
(47) 47 prognosticar os objetivos máximos de liquidez e de rentabilidade para o período em apreciação, de forma quantificada em função das metas propostas.. Em geral, o objetivo de qualquer empresa é maximizar, a longo prazo, o retorno dos recursos utilizados.. Portanto, deve ser adotada uma boa estratégia empresarial de maximização da eficácia de utilização dos recursos disponíveis a qualquer momento pela empresa. Por outro lado, deve ser adotada também uma política de administração financeira voltada para o curto prazo, visando à manutenção de um grau de liquidez condizente com os compromissos assumidos pela empresa.. As receitas obtidas na aplicação dos recursos em ativos de maior liquidez são inferiores às obtidas com a aplicação dos recursos em ativos. de prazo mais. longo, proporcionando um custo para manutenção dessa liquidez.. Existe portanto um trade-off entre os benefícios associados à liquidez e custo de mantê-la, o que torna evidente que a boa gestão da liquidez implica na manutenção de um saldo mínimo em caixa, com amplo domínio das entradas e saídas, a fim de evitar situações inesperadas.. Zdanowicz (2000, p. 133), considera que o fluxo de caixa é um dos instrumentos mais eficientes de planejamento e controle financeiros, o qual poderá ser elaborado de diferentes maneiras, conforme as necessidades ou conveniências de cada empresa, a fim de permitir que se visualize os futuros ingressos de recursos e os respectivos desembolsos.. 2.7.1 - Estrutura do fluxo de caixa para instituição financeira. Numa visão moderna e buscando atender às necessidades do banco aumentando a capacidade informativa das movimentações de recursos dentro da instituição,.
(48) 48 está sendo proposto um modelo de fluxo de caixa discriminado por produtos e serviços, que aproprie os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa segundo regime de caixa.. Finalmente, Zdanowicz (2000, p. 133) diz que a implantação do fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa, segundo o regime de caixa, isto é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão ocorrer os ingressos e desembolsos de caixa.. Considerando que a instituição financeira tem como atividade principal a intermediação financeira e prestação de serviços, a estruturação de um modelo gerencial de medição de liquidez tem como premissa, avaliar o saldo de caixa, diariamente, para um período de 90 dias, a partir de valores estimados de entradas e saídas dos produtos e serviços, informados, automaticamente, pelas unidades do banco gestoras dos produtos e serviços.. Assim, o fluxo de caixa é um retrato fiel da composição da situação financeira da empresa. É imediato e pode ser atualizado diariamente, proporcionando ao gestor uma radiografia permanente das entradas e saídas de recursos financeiros da empresa, para o período analisado.. O fluxo de caixa evidencia tanto o passado como o futuro, o que permite projetar, dia a dia, a evolução do disponível (caixa), de forma que se possam tomar, com a devida antecedência, as medidas cabíveis para enfrentar a escassez ou excesso de recursos.. Para se ter um melhor controle da gestão financeira do caixa, é necessário analisar o fluxo de caixa realizado e o projetado.. A finalidade do fluxo de caixa realizado é mostrar como se comportaram as entradas e saídas de recursos financeiros da empresa em determinado período. O.
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