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Pastor Virtual de Caprinos

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Universidade de Aveiro Departamento deElectr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica, 2019

Dinis Martins

Falc˜

ao

Pastor Virtual para Caprinos

Virtual Shepherd for Goats

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Universidade de Aveiro Departamento deElectr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica, 2019

Dinis Martins

Falc˜

ao

Pastor Virtual de Caprinos

Virtual Shepherd for Goats

Disserta¸c˜ao apresentada `a Universidade de Aveiro para cumprimento dos re-quisitos necess´arios `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Engenharia Eletr´onica e Telecomunica¸c˜oes, realizada sob a orienta¸c˜ao cient´ıfica de Doutor Ant´onio Manuel Duarte Nogueira, Professor Auxiliar do Departamento de Eletr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica da Universidade de Aveiro, e do Doutor Pe-dro Alexandre de Sousa Gon¸calves, Professor Adjunto da Escola Superior de Tecnologia e Gest˜ao de ´Agueda e com a colabora¸c˜ao de Lu´ıs Miguel Tom´e N´obrega, aluno do Programa Doutoral MAP-i nas Universidade do Minho, Aveiro e Porto.

Este trabalho ´e financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regio-nal (FEDER), atrav´es do Programa Operacional Competitividade e Interna-cionaliza¸c˜ao(COMPETE2020) do Portugal 2020. [Projeto SHEEPIT com no 017640(POCI-01-0247-FEDER-017640)]

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o j´uri / the jury

presidente / president Professor Doutor Ant´onio Jos´e Ribeiro Neves Professor Auxiliar, Universidade de Aveiro

vogais / examiners committee Professor Doutor Pedro Alexandre de Sousa Gon¸calves Professor Adjunto, Universidade de Aveiro (Coorientador)

Professor Doutor Rui Pedro Sanches de Castro Lopes

Professor Coordenador da Escola Superior de Tecnologia e Gest˜ao do Instituto Polit´ecnico de Bragan¸ca (Arguente Principal)

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agradecimentos / acknowledgements

´

E com muito gosto que aproveito esta oportunidade para agradecer a to-dos os que me ajudaram ao longo do percurso acad´emico, cheio de altos e baixos. Agrade¸co ao professor Ant´onio Nogueira que me ajudou durante a elabora¸c˜ao deste documento; um agradecimento especial a toda a equipa do projeto SheepIT, em especial ao professor Pedro Gon¸calves pelo apoio, dedica¸c˜ao e ajuda no desenvolvimento deste trabalho, mas tamb´em por contribuir para a minha evolu¸c˜ao profissional. Ao professor Paulo Pedreiras pelo apoio dado tendo em vista o objetivos tra¸cados no decorrer deste pro-jeto, e por todos os ensinamentos que me transmitiu. Um grande abra¸co ao Lu´ıs Miguel N´obrega que se disponibilizou para ler este documento e me ajudou a melhor´a-lo e que, em conjunto com o Jos´e Pereira, responderam a todas as minhas d´uvidas com muita paciˆencia. Abra¸co ao Maykol San-tos pela sua ajuda nos momenSan-tos em que trabalhamos junSan-tos e pela sua amizade. Um abra¸co tamb´em para o Rui Guedes que, apesar de estar a realizar a sua disserta¸c˜ao, nunca se negou a ajudar-me. Agrade¸co tamb´em ao Rui Morais pelas muitas vezes que me permitiu que o incomodasse ap´os os dias de trabalho. Gostaria de agradecer `a minha fam´ılia, os meus pais, `

a minha irm˜a, cunhado e o(a) futuro(a) sobrinho(a) pelo infinito apoio que me deram durante estes anos. Um especial obrigado `a Daniela Fonseca por ser uma pessoa maravilhosa, por me ter sempre motivado a continuar e por ter aguentado os meus desesperos.

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Palavras Chave Redes sem Fios, Internet das Coisas, Monitoriza¸c˜ao Animal, Alarmes

Resumo O projeto SheepIT consistiu no desenvolvimento de um sistema para a uti-liza¸c˜ao de ovinos para a remo¸c˜ao de esp´ecies infestantes, garantindo a se-guran¸ca de frutos e folhas. Para controlar o rebanho, foram desenvolvidas coleiras compostas por sensores e atuadores que monitorizam o comporta-mento animal e o condicionam. Atrav´es da an´alise dos dados dos sensores presentes nas coleiras, caso o animal esteja a alimentar-se das videiras, ´

e-lhe aplicado um estimulo, inicialmente sonoro, mas que, em caso de per-sistˆencia, passa a um est´ımulo el´etrico. As coleiras comunicam periodica-mente com n´os fixos de uma rede e estes com uma gateway. A informa¸c˜ao, ap´os processada pela gateway, ´e enviada para uma plataforma computaci-onal residente na Cloud de forma a poder ser tratada e disponibilizada ao utilizador na forma de um website. No ˆambito desta disserta¸c˜ao ´e proposto um sistema de gera¸c˜ao de alarmes atrav´es da an´alise do comportamento dos animais em Tempo-Real. O sistema desenvolvido permite reduzir o es-for¸co necess´ario para vigiar os animais durante o pastoreio, notificando o respons´avel pelo rebanho atrav´es de uma plataforma web local, via Email e SMS. Os alarmes implementados permitem ao utilizador endere¸car as se-guintes situa¸c˜oes: pˆanico dos animais, bateria baixa nas coleiras ou nos far´ois, detetar ausˆencia de comunica¸c˜oes por parte das coleiras, identificar se os animais cometeram um elevado n´umero de infra¸c˜oes, averiguar se um animal ficou sem coleira e possibilitar a dete¸c˜ao de poss´ıveis problemas no hardware equipamento.

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Keywords Wireless Sensor Networks, Internet of Things, Animal Monitoring, Alarms

Abstract The SheepIT project consisted in the development of a system to deploy sheep to remove weeds while ensuring the safety of fruits and leaves. In order to control the flock, collars composed of sensors and actuators were developed. These collars monitor and condition the behaviour of the sheep. Through the analysis of the data in the collars’ sensors, and should the animal be feeding of the vines, a stimulus is applied. Initially, this stimulus is auditory but if they persist in this behaviour, an electric stimulus is ap-plied. The collars periodically communicate with fixed nodes of a network, and these nodes then communicate with a gateway. The information, after being processed by the gateway, is sent to a computing platform, lodged in the Cloud, which allows it to be treated and made available to the user through a website.

In the scope of this thesis, a system to generate alarms is proposed through the analysis of the animal’s behaviour in Real-time. The developed system allows the reduction of the effort necessary to keep watch over the animals during the pasturing season since the flock’ shepherd is notified through a local web platform, email and SMS. The alarms which were implemen-ted allow the user to address the following situations: animals’ panic, low battery in the collars or beacons, absence of communications from the col-lars, identification of animals who committed a high number of infractions, discerning if an animal is collarless and allowing the detection of possible hardware malfunctions.

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Conte´

udo

Conte´udo i

Lista de Figuras iii

Lista de Tabelas v

Gloss´ario vii

1 Introdu¸c˜ao 1 1.1 Motiva¸c˜ao . . . 1 1.2 Objetivos . . . 2 1.3 Estrutura da Disserta¸c˜ao . . . 3 2 Projeto SheepIT 5 2.1 Arquitetura geral . . . 5 2.1.1 Coleiras . . . 6 2.1.2 Far´ois . . . 10 2.1.3 Gateway . . . 10 2.2 Rede de Sensores . . . 13 2.3 Plataforma Computacional . . . 15 2.4 Alarmes . . . 16

3 Solu¸c˜oes de Monitoriza¸c˜ao Animal 17 3.1 Projetos Cient´ıficos . . . 17

3.2 Solu¸c˜oes Comerciais . . . 25

3.3 Discuss˜ao . . . 27

4 Arquitetura e Implementa¸c˜ao 29 4.1 Arquitetura geral do sistema de alarmes . . . 29

4.2 Taxonomia . . . 30

4.2.1 Alarmes associados aos dispositivos . . . 31

4.2.2 Alarmes associados aos animais . . . 32

4.2.3 Alarmes associados aos animais e/ou dispositivos . . . 33

4.3 Implementa¸c˜ao . . . 34

4.3.1 Alarmes associados aos dispositivos . . . 35

4.3.2 Alarmes associados aos animais . . . 38

(14)

5 An´alise de Resultados 45

5.1 Cen´ario de Testes . . . 45

5.2 An´alise Temporal . . . 47

5.3 Medi¸c˜ao e compara¸c˜ao de recursos . . . 50

5.4 Escalabilidade . . . 51

5.5 An´alise da Dete¸c˜ao . . . 54

6 Conclus˜oes 57

(15)

Lista de Figuras

2.1 Arquitetura Geral do SheepIT [7] . . . 6

2.2 Coleira do SheepIT . . . 7

2.3 Diagrama de blocos das coleiras [5] . . . 7

2.4 Distˆancia do pesco¸co ao ch˜ao [5] . . . 8

2.5 Angulos tri-dimensionais . . . .ˆ 9 2.6 Farol . . . 10

2.7 Diagrama geral da Gateway [7] . . . 11

2.8 Prot´otipo da Gateway . . . 12

2.9 M´odulos internos da Gateway . . . 13

2.10 Estrutura de Macro-Ciclo [2] . . . 14 2.11 Estrutura micro-ciclo [2] . . . 15 2.12 Arquitetura CCP . . . 16 3.1 Fluxograma do sistema [29] . . . 18 3.2 Coleira do aritgo [25] . . . 18 3.3 Metodologia proposta em [25] . . . 19 3.4 Coleiras propostas em [24] . . . 20 3.5 Fluxograma da solu¸c˜ao [30] . . . 21 3.6 Arquitetura da solu¸c˜ao [26] . . . 21 3.7 Sensores na solu¸c˜ao [20] . . . 23 3.8 Arquitetura da solu¸c˜ao [20] . . . 23 3.9 Algoritmo de decis˜ao [20] . . . 24

3.10 Simula¸c˜ao do algoritmo de decis˜ao [20] . . . 24

3.11 Coleiras . . . 25

3.12 M´etodos de notifica¸c˜ao ao utilizador . . . 26

4.1 Posicionamento do sistema de alarmes na Gateway . . . 29

4.2 Esquema simplificado dos m´odulos do sistema de alarme . . . 30

4.3 Taxonomia do Sistema de Alarmes . . . 31

4.4 Diagrama de sequˆencia para alarmes de ausˆencia . . . 34

4.5 Fluxograma do algoritmo dos alarmes . . . 35

5.1 Posicionamento dos tempos a analisar no Fluxograma . . . 48

5.2 An´alise dos tempos . . . 49

5.3 Tempo cumulativo dos alarmes . . . 49

5.4 Exemplo da informa¸c˜ao fornecida pelo comando top . . . 50

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5.6 Percentagem de CPU utilizado pela raspberry . . . 53

5.7 Tempo cumulativo . . . 54

5.8 Alarme plataforma web . . . 54

5.9 Email do alarme ausˆencia . . . 55

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Lista de Tabelas

2.1 Estados da postura dos animais . . . 8

2.2 Especifica¸c˜oes da coleira do SheepIT . . . 9

2.3 Tipos de micro-ciclos atualmente definidos [13] . . . 14

3.1 N´ıveis de alarmes do sistema descrito no artigo [20] . . . 23

3.2 Resumo das carater´ısticas das Solu¸c˜oes Comerciais . . . 27

4.1 Valores Limares Bateria . . . 37

4.2 Valores Limares Alarme de Infra¸c˜oes . . . 40

4.3 Valores Limares Ausˆencia . . . 42

5.1 Valores para o alarme de bateria . . . 46

5.2 Valores para o alarme de coleiras perdidas . . . 46

5.3 Valores para o alarme de infra¸c˜oes . . . 46

5.4 Valores para o alarme de pˆanico . . . 47

5.5 Valores para o alarme de ausˆencias . . . 47

5.6 Tempos da rece¸c˜ao de mensagens . . . 48

5.7 Tempos da rece¸c˜ao de mensagens . . . 52

5.8 N´umero de valores de acelera¸c˜ao dinˆamica . . . 52

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Gloss´

ario

AHMS Animal Health Monitoring System. AMQP Advanced Message Queuing Protocol. B2B Beacn To Beacon.

BS Beacon Synchro. C2B Collar To Beacon.

CCP Cloud Computational Plataform. CDC Central Data Center.

CSMA Carrier Sense Multiple Access. CTMP Continuous Time Markov Processes. FIFO First In, First Out.

GB GigaByte.

GPRS General Packet Radio Service. GPS Global Positioning System.

GSM Global System for Mobile Comunications. IoT Internet of Things.

MAC Medium Acess Layer. MC Macro-ciclo.

mG miliGauss.

NIC Network Interface Card. PR Pairing Request.

RAM Random Access Memory.

RSSI Received Signal Strength Indicator. SMS Short Message Service.

(20)

SW Synchronization Window. TAW Turn Around Window.

TCP Transmission Control Protocol. TDMA Time Division Multiple Access. uC Micro-ciclo.

VTW Variable Traffic-type Window. WSN Wireless Sensor Network. WSS Wireless Sensor System.

(21)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

Esta disserta¸c˜ao foi desenvolvida no ˆambito do projeto SheepIT [1], cujo objetivo ´e o controlo e remo¸c˜ao de infestantes em ´areas agr´ıcolas, recorrendo ao uso de animais, sendo estes monitorizados e condicionados por um sistema baseado em tecnologias de Internet das Coisas (IoT).

1.1

Motiva¸

ao

O controlo de infestantes nas vinhas tem vindo a tornar-se cada vez mais dispendioso. A utiliza¸c˜ao de herbicidas no controlo de infestantes n˜ao s´o traz consequˆencias negativas a n´ıvel ambiental, como tamb´em ´e um processo que necessita de ser repetido v´arias vezes ao longo do ano e com recurso a alfaias agr´ıcolas. O recurso a animais, essencialmente ovinos e caprinos, para a remo¸c˜ao e controlo de esp´ecies infestantes nas culturas agr´ıcolas, especialmente nas vinhas e no tojo das matas, ´e uma pr´atica antiga que ainda hoje ´e eficaz. Assim, o pastoreio evita o custo da limpeza, acrescenta benef´ıcios associados ao setor agropecu´ario, aumenta a fertilidade dos solos pela incorpora¸c˜ao de mat´eria orgˆanica natural e ainda melhora a estrutura do solo, devido `a redu¸c˜ao do impacto no mesmo pela utiliza¸c˜ao de m´aquinas.

Por´em, a pr´atica do pastoreio, outrora muito utilizada, ´e atualmente um processo caro, exigente e com escassez de m˜ao de obra, tornando-se assim impratic´avel. Da mesma forma, ´e invi´avel a remo¸c˜ao das infestantes por processos manuais com recurso a utens´ılios agr´ıcolas em espa¸cos que n˜ao podem ser mecanizados, tanto pela inacessibilidade das m´aquinas como pelo acentuado declive dos terrenos.

O abandono do pastoreio levou `a intensifica¸c˜ao do uso de herbicidas que trazem con-sequˆencias negativas, tanto para o ambiente como para a sa´ude humana. Como consequˆencia desta utiliza¸c˜ao, pode ser referido o aumento da eros˜ao dos solos, devido `a remo¸c˜ao da co-bertura vegetal, a destrui¸c˜ao da estrutura do solo, a contamina¸c˜ao dos cursos de ´agua com consequˆencias sobre a fauna e flora, a contamina¸c˜ao dos len¸c´ois fre´aticos devido `a penetra¸c˜ao de res´ıduos em profundidade e o aumento de res´ıduos nos alimentos com repercuss˜oes nefastas para os seres humanos.

O grande desenvolvimento tecnol´ogico levou ao aparecimento de novas solu¸c˜oes, em todos os sectores da sociedade, capazes de serem aplicadas tamb´em na agricultura. Cada vez mais os conceitos Internet das coisas (IoT) e Rede de Sensores (WSN) se incorporam na ´area agr´ıcola, contribuindo para solu¸c˜oes mais eficazes na ajuda aos produtores. Neste ˆambito, existem j´a variadas solu¸c˜oes com diferentes caracter´ısticas e funcionalidades. O projeto SheepIT [1] ´e

(22)

um exemplo pr´atico de uma solu¸c˜ao inovadora nesta ´area.

A solu¸c˜ao desenvolvida no ˆambito do projeto permite controlar a postura dos animais, limitando a sua capacidade de aceder a ramos ou frutos nas videiras, tendo sido tamb´em desenvolvidas ferramentas de apoio ao maneio dos animais, como uma rede de sensores e uma plataforma web para consulta de informa¸c˜ao relativa aos animais e equipamentos. Desta forma, ´e ent˜ao poss´ıvel o uso de rebanhos para controlar o crescimento de infestantes nas vinhas. Para al´em dos inerentes ganhos ambientais, econ´omicos e produtivos, a solu¸c˜ao apresenta diversas caracter´ısticas vantajosas, nomeadamente:

• Flexibilidade - o sistema pode ser movido facilmente entre diferentes terrenos; • Autonomia elevada - os dispositivos transportados pelas ovelhas apresentam um

au-tonomia elevada, permitindo evitar constantes carregamentos;

• Monitoriza¸c˜ao da sa´ude animal - o sistema permite a obten¸c˜ao de taxas de mobi-lidade que permitem monitorar o comportamento animal, com potencial interesse do ponto de vista da sa´ude do rebanho.

No ˆambito do projeto foram j´a desenvolvidos, testados e documentados diferentes m´odulos inerentes `as necessidades da solu¸c˜ao. Entre eles, destacam-se o sistema de monitoriza¸c˜ao e controlo de postura animal [5, 9, 11, 12], o sistema de comunica¸c˜ao [2, 6, 7, 8] e o sistema de localiza¸c˜ao de baixo consumo [4, 10]. O desenvolvimento do sistema de alarmes vem complementar a solu¸c˜ao, contribuindo para um mais acess´ıvel maneio animal. Um sistema de alarmes permite ao agricultor ser rapidamente notificado aquando da existˆencia de situa¸c˜oes an´omalas relacionadas, n˜ao s´o com o comportamento animal mas tamb´em com o estado dos dispositivos envolvidos.

1.2

Objetivos

O principal objetivo do presente trabalho consiste no desenvolvimento de um sistema de alarmes e sua integra¸c˜ao no sistema de monitoriza¸c˜ao do SheepIT. Este sistema, baseado nos dados recolhidos pelos diferentes dispositivos, dever´a permitir notificar o utilizador atrav´es de um website, e-mail e/ou SMS acerca das seguintes situa¸c˜oes:

• Animais ausentes;

• Situa¸c˜oes de pˆanico animal; • N´umero elevado de infra¸c˜oes; • Coleiras perdidas;

• Poss´ıveis problemas de hardware; • Dispositivos com bateria baixa.

Assim a disserta¸c˜ao assenta nas seguintes tarefas que se encontram associadas aos objetivos da mesma:

(23)

• Apresenta¸c˜ao e an´alise da arquitetura da solu¸c˜ao SheepIT por forma a possibilitar a incorpora¸c˜ao do sistema de alarmes;

• Desenvolvimento do sistema de alarmes; • Integra¸c˜ao e testes do sistema;

• Valida¸c˜ao em contexto real.

1.3

Estrutura da Disserta¸

ao

Ap´os o presente cap´ıtulo introdut´orio, o restante documento est´a organizado da seguinte forma:

• Cap´ıtulo 2: Apresenta um breve introdu¸c˜ao ao projeto SheepIT, nomeadamente no que diz respeito `a sua arquitetura;

• Cap´ıtulo 3: Neste cap´ıtulo ´e realizada uma revis˜ao bibliogr´afica de sistemas de alarmes existentes, tanto a n´ıvel comercial, como a n´ıvel de investiga¸c˜ao;

• Cap´ıtulo 4: A arquitetura do sistema de alarmes ´e apresenta e discutida, desde a sua taxonomia at´e `a sua implementa¸c˜ao e respetiva integra¸c˜ao no sistema j´a desenvolvido. • Cap´ıtulo 5: Neste capitulo s˜ao apresentados e analisados os resultados dos testes

realizados ao sistema de alarmes.

• Cap´ıtulo 6: Os resultados s˜ao discutidos, as conclus˜oes apresentadas e o trabalho futuro detalhado.

(24)
(25)

Cap´ıtulo 2

Projeto SheepIT

Neste capitulo ´e realizada uma introdu¸c˜ao ao projeto SheepIT, `a sua arquitetura, dispo-sitivos constituintes e respetiva intera¸c˜ao.

2.1

Arquitetura geral

O sistema desenvolvido no ˆambito do projecto SheepIT, tem como grande objetivo aju-dar os produtores viticulas no controlo das infestantes. Este sistema tem como principais carater´ısticas:

• Delimita¸c˜ao ´area geogr´afica: facilidade para os utilizadores na defini¸c˜ao da ´area de pastoreio;

• Peso, tamanho e autonomia: as ovelhas s˜ao animais relativamente pequenos, pelo que os dispositivos eletr´onicos tˆem um tamanho e peso reduzidos, n˜ao causando des-conforto `as ovelhas;

• Dete¸c˜ao de postura: a postura dos animais deve ser monitorizada. E necess´´ ario monitorizar em particular a posi¸c˜ao da cabe¸ca, no sentido de analisar se o animal se est´a a alimentar de ervas (comportamento pretendido), ou se est´a a alimentar-se de frutos ou ramos da videira (comportamento indesejado).

• Est´ımulos: Os animais devem ser avisados quando adoptam comportamentos indese-jados.

• Processamento local: a postura e posi¸c˜ao do animais deve ser obtida constantemente, para que lhe possa, caso necess´ario, ser aplicado o est´ımulo correto;

• Recolha de dados: O sistema deve recolher dados de cada um dos animais, sendo os mesmos processados e guardados, para permitir obter a informa¸c˜ao individual de cada ovelha, tal como a informa¸c˜ao do rebanho;

• Infraestrutura de comunica¸c˜ao: esta infraestrutura deve suportar a presen¸ca de milhares de animais num espa¸co reduzido, isto ´e, de poucos hectares;

• Personaliza¸c˜ao e expansibilidade: o sistema deve permitir, caso necess´ario, a inte-gra¸c˜ao adicional de sensores.

(26)

Figura 2.1: Arquitetura Geral do SheepIT [7]

Para permitir dar resposta aos requisitos enumerados, a arquitetura da solu¸c˜ao (Fi-gura 2.1) assenta na integra¸c˜ao de diferentes m´odulos, nomeadamente:

• A rede de sensores, constitu´ıda por um conjunto de dispositivos (coleiras, far´ois e ga-teway), permite a comunica¸c˜ao entre os n´os da rede, sendo que cada n´o tem uma fun¸c˜ao espec´ıfica:

- As coleiras, colocadas nos animais, recolhem dados sensoriais e aplicam est´ımulos; - Os far´ois, que se encontram nas zonas de pastagem, permitem comunica¸c˜ao entre as coleiras e a gateway assim como permitem a localiza¸c˜ao do rebanho na ´area de pastoreio;

- A gateway ´e o elemento agregador de informa¸c˜ao, interagindo com a plataforma computacional atrav´es da Internet.

• A plataforma computacional, que pode residir na Cloud, e tem por fun¸c˜ao receber, analisar e guardar os dados recebidos;

• A interface com o utilizador (acess´ıvel via telem´ovel, tablet e computador), permite a comunica¸c˜ao com o utilizador do estado dos animais, a sua localiza¸c˜ao e a poss´ıvel dete¸c˜ao de situa¸c˜oes an´omalas.

2.1.1 Coleiras

As coleiras, cuja caixa ´e ilustrada na Figura 2.2a e cujo hardware ´e ilustrado na Fi-gura 2.2b, s˜ao n´os m´oveis transportados pelos ovinos ou caprinos que tˆem como objetivo detetar e condicionar a postura do animal. O sistema da Coleira implementado ´e constitu´ıdo por 4 blocos fundamentais, como ´e ilustrado na Figura 2.3. O bloco de processamento ´e o m´odulo central do sistema que comunica com os sensores, atuadores e o m´odulo de comu-nica¸c˜oes, capaz de recolher dados dos sensores, por forma a que seja poss´ıvel determinar a postura do animal e ativar ou desativar est´ımulos. Assim, as coleiras s˜ao compostas por um r´adio, um micro controlador, sensores, atuadores e uma bateria.

As coleiras possuem um conjunto de vantagens e caracter´ısticas que s˜ao imprescind´ıveis para a viabilidade da solu¸c˜ao, nomeadamente:

(27)

• Eficiˆencia Energ´etica: as coleiras tˆem um baixo consumo energ´etico, devido `a es-colha minuciosa a n´ıvel de hardware, na sua constru¸c˜ao e implementa¸c˜ao, m´etodos de comunica¸c˜ao, localiza¸c˜ao, sensores e atuadores.

• Efic´acia: estes dispositivos s˜ao eficazes uma vez que, n˜ao s´o analisam e condicionam o comportamento dos animais, como tamb´em comunicam regularmente `a rede o seu estado em tempo real;

• Tamanho e peso: as coleiras, desde o seu peso, tamanho, forma e a maneira como s˜ao fixadas, n˜ao interferem na mobilidade, postura e bem-estar do animal.

(a) Interior das Coleiras

(b) Exterior das Coleiras

Figura 2.2: Coleira do SheepIT

Figura 2.3: Diagrama de blocos das coleiras [5]

Como mencionado anteriormente o m´etodo de localiza¸c˜ao ´e um dos fatores que contribui para o consumo energ´etico e, no sentido de reduzir o consumo, o m´etodo utilizado consiste no Received Signal Strength Indicator (RSSI). Inicialmente considerou-se a utiliza¸c˜ao do GPS. No entanto, este sistema tem um consumo energ´etico elevado, e uma vez que o sistema r´adio j´a era necess´ario para a comunica¸c˜ao entre os dispositivos, a sua utiliza¸c˜ao para inferir uma estimativa da localiza¸c˜ao animal traz vantagens significativas em termos de consumo energ´etico e custo da solu¸c˜ao [4].

No que se refere ao condicionamento da postura animal, este ´e efetuado em duas fases. Numa primeira fase, obtˆem-se os valores medidos pelos sensores da coleira, nomeadamente um

(28)

transdutor de ultrassons e um aceler´ometro. Estes dados s˜ao processados, recorrendo a um algoritmo de monitoriza¸c˜ao animal. ´E poss´ıvel distinguir os estados dos animais enumerados e descritos na Tabela 2.1). A segunda fase consiste em aplicar est´ımulos aos animais caso uma infra¸c˜ao seja detetada. Os est´ımulos podem ser sonoros ou el´etricos, sendo que inicialmente ´e emitido um aviso sonoro e caso o animal persista em infra¸c˜ao, ´e ent˜ao aplicado um esti-mulo eletrost´atico. A conjuga¸c˜ao do mecanismo de monitoriza¸c˜ao (leitura dos sensores) e do mecanismo de condicionamento (aplica¸c˜ao de est´ımulos) estabelece o algoritmo de controlo, elemento central da solu¸c˜ao.

Estados S´ımbolo Defini¸c˜ao Standing S O animal est´a parado

Eating E O animal est´a a comer do ch˜ao Moving M O animal est´a em movimento lento Running R O animal est´a a correr Infracting I O animal est´a a cometer infra¸c˜oes

Tabela 2.1: Estados da postura dos animais

Ultrassons

Um dos sensores incorporado na coleira ´e um transdutor de ultrassons. Este permite medir a distˆancia do pesco¸co do animal ao ch˜ao e representa um dado importante para a an´alise do comportamento e postura dos animais. Tal como se pode observar na Figura 2.4, a distˆancia at´e ao ch˜ao, medida pelo transdutor de ultrassons, varia consoante a posi¸c˜ao da cabe¸ca e, consequentemente, consoante a atividade do animal. A da esquerda: o animal est´a numa posi¸c˜ao de descanso, o que tipicamente corresponde a uma situa¸c˜ao em que o pesco¸co est´a `a altura do dorso do animal. Na situa¸c˜ao do meio, o animal est´a a alimentar-se do ch˜ao, e portanto, a distˆancia ´e muito menor do que no caso anterior. Por fim, no caso mais `a direita, o animal est´a a alimentar-se de videiras, e portanto a distˆancia ao ch˜ao ´e mais elevada do que nas posi¸c˜oes anteriores.

Figura 2.4: Distˆancia do pesco¸co ao ch˜ao [5]

O m´odulo de ultrassons escolhido para coleira tem a referˆencia K-14WP1e, sendo que as principais caracter´ısticas podem ser encontradas em [36]. Destas ´e importante mencionar que a frequˆencia central ´e de 40 kHz, a sensibilidade do eco ´e superior a 100 mV e o tempo de decaimento ´e inferior a 1.3 ms. A valida¸c˜ao deste sensor para efeitos de utiliza¸c˜ao n˜ao ´e apresentada na disserta¸c˜ao de Morais [12]. Em suma, a sua gama de funcionamento ´e [25:90]

(29)

cm, permitindo, portanto, medir as distˆancias expect´aveis.

Aceler´ometro

Para monitorizar a posi¸c˜ao e o movimento das ovelhas, ´e utilizado um aceler´ometro de trˆes eixos ortogonais. Este permite medir as acelera¸c˜oes est´aticas e dinˆamicas, em miliGauss (mG),do pesco¸co, e, consequentemente do animal.

Os ˆangulos tri-dimensionais (Pitch, Roll e Heading) s˜ao obtidos atrav´es das componentes da acelera¸c˜ao est´atica, medidos pelo aceler´ometro, permitindo definir o posicionamento e orienta¸c˜ao do pesco¸co das ovelhas e os seus c´alculos podem ser encontradas na Sec¸c˜ao 4.2.4 do trabalho em [5]. Na Figura 2.5 pode-se observar o movimento realizado por cada um dos ˆ

angulos e os eixos que os afetam. O ˆangulo Pitch, rota¸c˜ao no eixo do X, permite estimar a inclina¸c˜ao do pesco¸co. O ˆangulo Roll, rota¸c˜ao no eixo do Z, indica o movimento circular `a medida que o animal se move. O ˆangulo Heading, rota¸c˜ao no eixo Y, indica a movimenta¸c˜ao lateral do pesco¸co do animal.

Figura 2.5: ˆAngulos tri-dimensionais do posicionamento dos animais [12]

Em suma, a lista dos perif´ericos principais utilizados pela coleira, assim como algumas das suas caracter´ısticas s˜ao sumariadas na tabela 2.2.

Microcontrolador PIC32MX170F256D [32] da Microship

ROM Microcontrolador 256 kB

SRAM Microcontrolador 64 kB

Flash Auxiliar Microcontrolador 3 kB

Comunica¸c˜ao Radio Frequˆencia (RFM22B) [31]

Frequˆencia RF 868 MHz

Peso 270 g

Dimens˜oes 80 x 80 x 50 mm

Acelerometro ADXL345 [38]

Transdutor de Ultrassons K-14WP10 [36]

Est´ımulos Sonoros Transdutor ABT-414-RC da PRO-SIGNAL [39] Est´ımulos El´etricos M´odulo TW-DC-DP da Tianwang

(30)

2.1.2 Far´ois

Os far´ois (Figura 2.6) s˜ao dispositivos fixos que s˜ao instalados estrategicamente nas ´areas de pastoreio de forma a que todas as coleiras estejam ao alcance de pelo menos um farol. Os far´ois recebem os dados das coleiras e encaminham estes dados para a gateway. Os far´ois tˆem tamb´em a fun¸c˜ao de assegurar a sincroniza¸c˜ao de toda a rede assim como permitem a implementa¸c˜ao de um mecanismo de localiza¸c˜ao baseado em RSSI.

As coleiras, por norma, movem-se nas zonas de cobertura de um ou mais far´ois, que s˜ao constitu´ıdos por um r´adio, um micro controlador e um GPS, sendo que este ´ultimo permite obter a localiza¸c˜ao absoluta dos far´ois. Apesar de os far´ois serem est´aticos, foram desenhados de forma a poderem ser mudados facilmente de local, caso o pastor pretenda mudar a ´area de pastoreio. O hardware que constitui os far´ois ´e igual ao das coleiras, com exce¸c˜ao dos sensores e atuadores que n˜ao s˜ao montados no hardware dos far´ois.

Figura 2.6: Farol

2.1.3 Gateway

A gateway, cuja arquitetura ´e descrita no artigo [7], desempenhando um papel importante no controlo do acesso `a rede, permitindo o relay de informa¸c˜ao presente na rede de sensores para a plataforma computacional e interface do utilizador. Ao observar-se a Figura 2.1 pode-se verificar que a gateway funciona como um componente de intera¸c˜ao entre a rede de sensores, a plataforma computacional e o utilizador.

Na maioria dos casos existe apenas um dispositivo gateway. Estes dispositivos, n˜ao s˜ao movidos frequentemente, e por norma encontram-se em lugares de f´acil acessibilidade. Ent˜ao, pode-se assumir que as gateways n˜ao est˜ao sujeitas `as mesma restri¸c˜oes de tamanho e con-sumo energ´etico que os far´ois, e particularmente que as coleiras. Logo, as gateways podem usar melhor hardware, tanto em termos de processamento como em termos de capacidade de armazenamento, o que ´e essencial para habilitar a realiza¸c˜ao dos servi¸cos acima mencionados. Considerando a complexidade dos servi¸cos suportados, foi implementada numa plataforma embutida a correr em Linux. Como se pode observar na Figura 2.7, a gateway permite a intera¸c˜ao com o utilizador atrav´es do WIFI/Bluetooth, disponibilizados atrav´es de placas de interface `a rede. A gateway tamb´em cont´em um modulo do farol, interligado com o

(31)

microcon-trolador embutido atrav´es de uma interface s´erie. O m´odulo do farol assegura a conformidade com o esquema de comunica¸c˜oes da rede de sensores. O bloco Network Interface Card (NIC) permite conetar a gateway com a plataforma computacional.

Figura 2.7: Diagrama geral da Gateway [7]

Na Figura 2.8 pode ser observado o prot´otipo funcional da gateway j´a desenvolvido. Na Figura 2.9 podem ser observados os m´odulos que constituem a gateway, cujas fun¸c˜oes s˜ao:

• Interface da Porta Serie - ´E uma interface que permite receber ou enviar dados para os far´ois. Tamb´em permite que a informa¸c˜ao seja convertida para ser disponibilizada para o bloco de processamento;

• Bloco de Processamento - Este bloco permite que os dados enviados pela interface da porta s´erie sejam processados, criando-se o timestamp e disponibilizando os dados para o algoritmo de localiza¸c˜ao e armazenando-os na mem´oria partilhada;

• Algoritmo de Localiza¸c˜ao - Este bloco permite localizar as coleiras, usando os valores de RSSI de pelo menos 3 far´ois, que s˜ao enviados para os algoritmos de trilatera¸c˜ao e ap´os a sua valida¸c˜ao ´e devolvida a estimativa da posi¸c˜ao da coleira;

• Mem´oria Partilhada - Mem´oria que guarda informa¸c˜ao para que seja acedida pela thread de rece¸c˜ao e processamento de dados, display, Web Socket Local, thread do menu, de localiza¸c˜ao e aquela que permite gerir os alarmes;

• FIFO- Os dados processados s˜ao colocados numa fila, FIFO, para serem publicados num servidor AMQP, neste caso RabbitMQ;

• RabbitMQ [34] - Armazena os dados enviados numa fila, de forma a que possam ser consumidos pela plataforma de processamento incorporada na plataforma computacio-nal (Apache Spark );

(32)

• Apache Spark [35] - ´e uma estrutura que permite receber, interpretar, persistir, vali-dar e criar um hist´orico de mensagens em tempo real;

• AMQP - Servidor que permite armazenar os dados processados provenientes da FIFO e os alarmes gerados pela thread que gere os alarmes;

• Menu - Permite que o utilizador possa enviar comandos para as coleiras, para que estas realizem opera¸c˜oes, como ativar ou desativar algoritmos;

• Web Socket Local - ´e uma tecnologia que permite a comunica¸c˜ao bidirecional por canais full-duplex sobre um ´unico socket Transmission Control Protocol (TCP); • Display - Permite ao operador verificar, localmente e sem recorrer `a interface web, a

posi¸c˜ao dos far´ois e das coleiras.

Figura 2.8: Prot´otipo da Gateway

Como muitos locais de pasto se encontram em locais remotos, o acesso permanente `a Internet pode n˜ao ser garantido, e al´em disso existem alguns servi¸cos em que o tempo de resposta deve ser baixo. A gateway deve ter a capacidade de suportar alguns desses servi¸cos, nomeadamente:

• Alarmes - O m´odulo desenvolvido no decorrer desta disserta¸c˜ao. Caso ocorram si-tua¸c˜oes an´omalas, estes devem ser lan¸cados o mais depressa poss´ıvel. A gateway adquire dados de todos os animais, para que tenha uma vis˜ao global que permita correlacionar os dados recebidos, sendo ent˜ao o local privilegiado para a dete¸c˜ao de situa¸c˜oes an´omalas. Por exemplo, se uma ovelha desaparecer de todos os far´ois, isso pode significar que esta tenha fugido; se as ovelhas demonstrarem um comportamento em que todas est˜ao a correr, pode significar que o rebanho se encontra sob ataque. Estes s˜ao apenas al-guns exemplos de situa¸c˜oes que devem resultar em alarmes que devem ser enviados ao utilizador para que possa intervir;

• Administra¸c˜ao - a interface local da web, para permitir realizar tarefas de adminis-tra¸c˜ao no site (por exemplo, definir at´e que altura os animais est˜ao autorizados a se alimentar, se as restri¸c˜oes est˜ao ativas ou n˜ao), consultar hist´orico de dados e dados em tempo real. Esta interface permite ainda ativar interven¸c˜oes t´ecnicas, tais como ajustar

(33)

Figura 2.9: M´odulos internos da Gateway

os parˆametros de comunica¸c˜ao aos crit´erios espec´ıficos encontrados no terreno (tipo de terreno, dimens˜ao do rebanho, entre outros), assim como permitir o debug dos n´ıveis dos sistema atrav´es da rede.

2.2

Rede de Sensores

A intera¸c˜ao entre as coleiras, far´ois e gateway ´e poss´ıvel atrav´es de uma rede de sensores, cuja arquitetura e escalabilidade te´orica da rede ´e proposta em [6]. Adicionalmente, e consi-derando que os requisitos desta solu¸c˜ao poder˜ao ser aplicados a outras solu¸c˜oes, o trabalho de Temprilho et al. [8, 2], prop˜oe a defini¸c˜ao de uma arquitetura de comunica¸c˜oes especialmente desenhada para este tipo de cen´arios.

As escolhas feitas a n´ıvel de hardware e protocolo de comunica¸c˜oes foram realizadas com vista a que se cumpram os requisitos do projeto. De forma simplificada, as principais carac-ter´ısticas do protocolo de comunica¸c˜oes implementado s˜ao:

• Toda a rede comunica na mesma banda de frequˆencia, 868 MHz;

• As comunica¸c˜oes s˜ao maioritariamente baseadas em Time Division Multiple Access (TDMA), isto ´e, as coleiras e os far´ois tˆem tempos de recep¸c˜ao e transmiss˜ao definidos. Este esquema de comunica¸c˜ao permite evitar colis˜oes e evitar fen´omenos de overhearing, contribuindo para significativas poupan¸cas a n´ıvel de consumo de energia;

• Para comunica¸c˜oes espor´adicas, tais como o registo de dispositivos na rede, o sistema utiliza um esquema baseado em Carrier Sense Multiple Access (CSMA);

• De acordo com os dados a transmitir e a pol´ıtica MAC (TDMA ou CSMA) associada, foram definidos frames temporais de comunica¸c˜ao denominadas de uC;

(34)

uC - Tipo Objetivo Politica MAC Pairing Request (PR) Emparelhamento de

Dispositivos CSMA

Collar-to-Beacon (C2B) Comunica¸c˜ao das coleiras

(n´os moveis) TDMA

Beacon-to-Beacon (B2B) Comunica¸c˜ao entre far´ois TDMA Tabela 2.3: Tipos de micro-ciclos atualmente definidos [13]

• Existem atualmente trˆes tipos de uCs (descritos na Tabela 2.3), podendo ser adicionados mais caso seja necess´ario;

• S˜ao permitidas sequˆencias peri´odicas de uCs, formando um macro-ciclo (MC), que ´e repetido ao longo do tempo (Figura 2.10).

Figura 2.10: Estrutura de Macro-Ciclo [2]

A Figura 2.11 representa o padr˜ao de comunica¸c˜ao de um uC, sendo que estes s˜ao compos-tos por uma Synchronization Window (SW), seguido de uma Turn Around Window (TAW) e de uma Variable Traffic-type Window. A SW tem como prop´osito a sincroniza¸c˜ao da frame do uC. A TAW ´e reservada para a maior parte do processamento. Por fim, o objetivo da VTW ´e permitir a troca dos diferentes tipos de tr´afego e na qual as comunica¸c˜oes s˜ao realizadas atrav´es de TDMA ou CSMA.

At´e ao momento foram j´a definidas uma s´erie de mensagens que s˜ao trocadas entre os dispositivos do sistema. Algumas destas s˜ao comuns a todos os tipos de uC enquanto ou-tras est˜ao diretamente associadas ao uC. Mais concretamente, est˜ao definidas as seguintes mensagens:

• Beacon Synchro (BS): Estas mensagens s˜ao emitidas periodicamente por cada Farol durante a SW em todos os uCs.Estas transportam a sua identifica¸c˜ao e informa¸c˜ao relativa ao esquema do tipo de comunica¸c˜oes que vai ocorrer. Os n´os que recebem este tipo de mensagens, usam-nos para se sincronizarem com a rede;

• Collar To Beacon (C2B):

Estas mensagens s˜ao enviadas pelas Coleiras nos uC C2B e cont´em a sua identifica¸c˜ao, assim como todos os dados dos sensores e outros parˆametros tais como o n´umero de infra¸c˜oes e a percentagem de bateria;

(35)

Figura 2.11: Estrutura micro-ciclo [2]

Estas mensagens s˜ao transmitidas entre far´ois durante os uC B2B. Sumariamente, es-tas mensagens permitem o encaminhamento dos dados recebidos das Coleiras para a Gateway.

2.3

Plataforma Computacional

A plataforma computacional permite uma centraliza¸c˜ao dos dados recolhidos, assim como o desenvolvimento de aplica¸c˜oes capazes de facilitar a intera¸c˜ao entre o utilizador e os dispo-sitivos.

Esta plataforma computacional encontra-se acess´ıvel atrav´es da Internet podendo residir na Cloud ou em servidores locais. Permite tamb´em tratar, analisar e armazenar os dados reco-lhidos assim como permite aos diferentes intervenientes (pastores, agricultores, etc.) consultar os dados relativos ao seu rebanho. A plataforma implementa ainda ferramentas de aprendi-zagem autom´atica, possibilitando a identifica¸c˜ao de dados, como padr˜oes de comportamento, antever situa¸c˜oes de risco e doen¸cas.

A plataforma computacional, cuja arquitectura ´e descrita em [3], est´a ilustrada na na Figura 2.12. Esta permite receber, processar e guardar os dados obtidos pelas gateways e disponibiliza a informa¸c˜ao de forma resumida ao utilizador. No sentido de garantir escalabi-lidade com o aumento do n´umero de instala¸c˜oes, animais e equipamentos, foi desenhado um protocolo de comunica¸c˜ao Advanced Message Queuing Protocol (AMQP) recebe e reencami-nha mensagens entre diferentes entidades. O broker RabbitMQ-based [34]), consiste numa fila de mensagens que ficam dispon´ıveis para serem processadas por ordem de chegada por uma ferramenta de processamento de dados, o Apache Spark [35]. Neste persiste o fluxo de dados em Tempo-Real no reposit´orio de dados da plataforma. Al´em disso, a infraestrutura permite a incorpora¸c˜ao de mecanismos de minera¸c˜ao de dados e bibliotecas de aprendiza-gem autom´atica [3], o que pode ser usado para prever certos eventos, tais como doen¸cas nos animais ou nas vinhas.

A estrutura de processamento ´e poss´ıvel atrav´es de um servidor de administra¸c˜ao de regras, que tamb´em subscreve t´opicos de fluxo do broker para implementar um sistema de alarme central, que pode ser usado como complemento ao m´odulo gerador de alarmes implementado no gateway.

Finalmente, a plataforma computacional tamb´em inclui uma RESTful API no sentido de permitir o acesso e comunica¸c˜ao com a web e interfaces de utilizadores m´oveis.

(36)

Figura 2.12: Arquitectura da Cloud Computational Plataform (CCP) [7]

2.4

Alarmes

O projeto SheepIT possui uma serie de m´odulos j´a implementados, mas peca pela falta de um sistema local de alarmes que auxilie o utilizador no dia a dia na dete¸c˜ao e tratamento de situa¸c˜oes an´omalas. De facto, apesar de a arquitetura da gateway descrita na Sec¸c˜ao 2.1.3, contemplar um sistema de alarmes, este nunca foi desenvolvido. Assim, de forma a corrigir esta lacuna, o presente trabalho prop˜oe a implementa¸c˜ao, valida¸c˜ao e integra¸c˜ao de um m´odulo de gera¸c˜ao de alarmes. Este sistema permite gerar alarmes que s˜ao enviados ao utilizador, contendo informa¸c˜ao adicional sobre o tipo de alarme, a data e a hora do alarme, a sua prioridade e o dispositivo onde ocorre.

O sistema de alarmes implementado ´e integrado na gateway e permite, atrav´es da an´alise de dados (acelera¸c˜ao dinˆamica, ˆangulos de inclina¸c˜ao, estado dos animais, bateria dos dispo-sitivos e n´umero de infra¸c˜oes) detetar diferentes tipos de alarmes:

• Pˆanico individual ou do rebanho; • Ausˆencias;

• Coleiras perdidas;

• Problemas no equipamento; • Bateria;

• Infra¸c˜oes sonoras ou electrost´aticas.

No Cap´ıtulo 4 encontra-se detalhada a arquitetura da solu¸c˜ao conjuntamente com a sua implementa¸c˜ao e integra¸c˜ao.

(37)

Cap´ıtulo 3

Solu¸

oes de Monitoriza¸

ao Animal

Neste cap´ıtulo s˜ao abordadas as solu¸c˜oes propostas em projetos de investiga¸c˜ao, assim como solu¸c˜oes comerciais existentes no mercado destinadas `a monitoriza¸c˜ao de rebanhos em tempo real e, particularmente, `a gera¸c˜ao de alarmes em fun¸c˜ao das situa¸c˜oes em que estes se encontram.

3.1

Projetos Cient´ıficos

O sistema apresentado em [29] tem como objetivo a preven¸c˜ao da ca¸ca ilegal de tigres e le˜oes. Para tal ´e proposto um dispositivo eletr´onico que ´e constitu´ıdo por um sensor de ritmo card´ıaco, um m´odulo GPS, um m´odulo GSM e um microcontrolador alimentado por uma fonte DC regulada a 5V. Os dados obtidos pelo sensor de ritmo card´ıaco em conjunto com os dados da localiza¸c˜ao e o timestamp s˜ao processados pelo microcontrolador e uma mensagem de alerta ´e enviada para o centro de processamento atrav´es do m´odulo GSM.

Um estudo biol´ogico do comportamento destes animais sugeriu que o ritmo card´ıaco varia de 56 a 97 batimentos por minuto em condi¸c˜oes normais. Um ritmo card´ıaco elevado est´a associado a duas situa¸c˜oes distintas: ou o animal est´a a ca¸car ou est´a a ser ca¸cado. De forma similar, um ritmo card´ıaco baixo implica que, ou o animal est´a a dormir ou foi aplicado um tranquilizante. Assim, a an´alise do ritmo card´ıaco permite detetar situa¸c˜oes de poss´ıvel perigo para o animal, informando os guardas florestais quando tal ´e detetado. Adicionalmente, e por forma a permitir uma r´apida localiza¸c˜ao do animal , tamb´em a posi¸c˜ao dos animais obtida atrav´es do GPS ´e transmitida.

A Figura 3.1 ilustra o fluxograma do funcionamento do sistema. Tal como se pode obser-var, o primeiro passo ´e a leitura do batimento card´ıaco, localiza¸c˜ao e timestamp de quando recebe os valores. Posteriormente, verifica-se se o batimento est´a fora dos valores regulares. Em caso afirmativo, ´e necess´ario verificar a altura do dia em que se encontra. Caso estejamos perante um cen´ario diurno, se o valor do ritmo card´ıaco for superior a um limiar definido e se n˜ao for detetado movimento, ´e gerado um alarme. Da mesma forma, caso estejamos perante um cen´ario noturno e n˜ao for detetado movimento tamb´em um alarme ´e gerado. Contraria-mente, caso o batimento card´ıaco esteja dentro dos padr˜oes normais, e se, independentemente de ser de dia ou de noite, houver registo de movimento, ent˜ao nenhum alarme ´e gerado.

Em [25], os autores tˆem como objetivo desenvolver um sistema que seja capaz de notificar o pastor quando as vacas entram em cio, usando dados obtidos atrav´es de aceler´ometros incor-porados em coleiras (Figura 3.2). Os dados destes dispositivos s˜ao utilizados para identificar

(38)

Figura 3.1: Fluxograma do sistema [29]

o aumento dos n´ıveis de atividade das vacas (inquieta¸c˜ao, aumento da distˆancia percorrida) e assim encontrar associa¸c˜oes com eventos de cio registados.

A Figura 3.3 descreve o fluxograma da solu¸c˜ao desenvolvida. Para facilitar a dete¸c˜ao de situa¸c˜oes de cio nas vacas, foram colocados aceler´ometros nas patas do machos, sendo assim

(39)

Figura 3.3: Metodologia proposta em [25] para dete¸c˜ao do cio em vacas

poss´ıvel detetar os instantes em que os machos tentam efetuar a c´opula, situa¸c˜oes diretamente associadas aos cios. Adicionalmente, este sistema permite ainda agrupar as atividades regis-tadas e quantific´a-las (em baixas, m´edias e altas). De seguida, foram colocados dispositivos electr´onicos para monitorizar a atividade dos animais. Foram medidos os impulsos f´ısicos resultantes dos movimentos da cabe¸ca e pesco¸co, que resultam das mudan¸cas na acelera¸c˜ao. Em casos de alta atividade, as intensidades das atividades s˜ao medidas e comparadas com o desvio da atividade de referˆencia para detectar eventos de cio nas vacas.

O trabalho apresentado em [24] tem como objetivo a preven¸c˜ao de roubo de bovinos atrav´es da an´alise do comportamento dos mesmos. O sistema desenvolvido permite, atrav´es do uso de um GPS incorporado numa coleira (Figura 3.4), obter a localiza¸c˜ao dos bovinos e a sua velocidade. Foi considerado no artigo que a fronteira da cerca era o local de maior risco em caso de roubo, ent˜ao a dete¸c˜ao de roubo ´e poss´ıvel atrav´es da an´alise do tempo em que um vaca permanece perto da fronteira, comparando esse tempo com um valor limiar obtido atrav´es de dados recolhidos em contexto real. O Continuous Time Markov Processes CTMP ´e aplicado ao padr˜ao do movimento de uma vaca no sentido de encontrar a probabilidade de a mesma estar numa posi¸c˜ao perto da fronteira. Estas coleiras permitem igualmente a transmiss˜ao da posi¸c˜ao dos animais atrav´es de uma rede sem fios de baixo consumo. O r´adio utilizado ´e um Xbee emissor-recetor de radiofrequˆencia, que comunica utilizando o protocolo Zigbee na banda de 2.4 GHz.

(40)

(a) Coleira na vaca (b) Componentes da coleira Figura 3.4: Coleiras propostas em [24]

O sistema apresentado em [30] tem como objetivo a dete¸c˜ao de estados de Musth [40] em elefantes (consiste num estado de elevada agressividade dos elefantes, acompanhada por um grande aumento das hormonas reprodutoras) e o cio em caprinos. O sistema proposto consiste no desenvolvimento de um mecanismo baseado em tecnologias IoT que inclui m´odulos para detetar o estado dos animais e enviar mensagens aos utilizadores. O cio nas cabras ´e de dif´ıcil dete¸c˜ao, por vezes os pastores falham em detetar, pois algumas cabras n˜ao apresentam altera¸c˜oes significativas nos seus comportamentos. A falha na dete¸c˜ao do cio pode afeta a produtividade, pois obriga o agricultor a esperar pelo pr´oximo ciclo, de forma a usar o animal para procria¸c˜ao.

´

E proposto o uso de um sensor para obter as varia¸c˜oes de temperatura corporal dos animais, sendo depois esses valores encaminhados para um Raspberry Pi para tratameto.

No caso dos elefantes, a subida gradual da temperatura ´e um dos sintomas dos estados de Musth. Assim, caso o sistema detete esta subida de temperatura, ´e enviado um alerta, atrav´es de GSM, aos utilizadores respons´aveis pela sua monitoriza¸c˜ao, incluindo donos, autoridades e, se necess´ario, ao departamento ambiental.

No caso dos caprinos, o cio ´e definido pela elevada varia¸c˜ao da temperatura. Ao serem detetadas essas varia¸c˜oes o utilizador ´e notificado utilizando o mesmo m´etodo utilizado no sistema de monitoriza¸c˜ao dos elefantes, isto ´e, recorrendo a um m´odulo GSM. Esta informa¸c˜ao permite aos produtores aumentar a efetividade do processo de reprodu¸c˜ao.

A implementa¸c˜ao deste sistema assenta nos seguintes m´odulos:

• Wireless Sensor System (WSS) & Raspberry PI: O dispositivo est´a colocado no corpo do animal, de preferˆencia no pesco¸co. Os valores das temperaturas s˜ao en-caminhados para o Raspberry Pi. O algoritmo analisa continuamente os dados, sendo que quando deteta varia¸c˜oes de temperatura superiores a um valor limiar, envia uma notifica¸c˜ao para o utilizador para serem tomadas as devidas medidas;

• Sistema de comunica¸c˜ao e aplica¸c˜ao para telem´ovel: O sistema comunica com o utilizador as varia¸c˜oes que ocorrem no animal. A aplica¸c˜ao permite aos donos dos animais registar os seus pr´oprios animais;

• Central Data Center (CDC): A informa¸c˜ao, incluindo temperatura e n´ıveis de es-trog´enio ´e guarda num servidor para que possa ser acedida a qualquer altura e por diversos dispositivos.

(41)

A intera¸c˜ao entre os m´odulo em cima descritos pode ser observada de forma simplificada na Figura 3.5. Os dados de temperatura s˜ao obtidos e convertidos na coleira. Posteriormente, s˜ao enviados para o CDC onde s˜ao guardados e analisados. Por fim, consoante as situa¸c˜oes, as autoridades podem ser notificadas.

Figura 3.5: Fluxograma do sistema de dete¸c˜ao de Musth nos elefantes e cio nas cabras[30]

O sistema apresentado em [26] tem como objetivo n˜ao s´o melhorar a sa´ude dos animais, mas tamb´em identificar e prevenir doen¸cas nos mesmos, sejam estas por motivos end´ogenos ou devido a ataques biol´ogicos. A implementa¸c˜ao do m´odulo de sensores foi feita recorrendo a um dispositivo Zigbee e um Arduino. Para visualiza¸c˜ao dos dados, uma interface Graphical User Interface foi desenvolvida.

O sistema permite a dete¸c˜ao de diferentes parˆametros fisiol´ogicos dos animais, tais como a rumina¸c˜ao e o ritmo card´ıaco, assim como a monitoriza¸c˜ao de parˆametros ambientais, entre

(42)

os quais a humidade e a temperatura. Para permitir a monitoriza¸c˜ao e transmiss˜ao de todos estes parˆametros, o sistema incorpora 4 grandes m´odulos (Figura 3.6):

• M´odulo do Sensor de rumina¸c˜ao (Sensor module-1 ): permite analisar o processo digestivo no animal. O s´ındrome de rumina¸c˜ao ´e uma condi¸c˜ao cr´onica caracterizada pela regurgita¸c˜ao da maioria da refei¸c˜ao ap´os a ingest˜ao. O m´odulo do sensor de ru-mina¸c˜ao ´e composto por um sub-m´odulo de Zigbee, um microcontrolador PIC18F4550 ([27]) e respetivo sensor.

• M´odulo do Sensor de Ritmo card´ıaco (Sensor module-2 ): indica o impacto que o stress e a agita¸c˜ao tˆem num animal. Neste caso a medi¸c˜ao do ritmo card´ıaco ´e realizada atrav´es de um m´etodo indireto ou n˜ao invasivo. Pois os m´etodos n˜ao invasivos tˆem a vantagem de n˜ao influenciar negativamente a condi¸c˜ao do animal. Este m´odulo ´

e composto por transmissor T56H [28] e el´etrodos.

• M´odulo do Sensor de humidade (Sensor module-3 ): Os fatores ambientais, como a humidade, tˆem de ser cuidadosamente monitorizados pois afetam o metabolismo e o comportamento dos animais. Os parˆametros de humidade afetam diretamente ou indiretamente a performance e a sa´ude dos animais. O fator ambiental ´e constitu´ıdo por temperatura, movimento do ar, humidade e calor gerado pela radia¸c˜ao. N´ıveis impr´oprios de temperatura e humidade podem afetar negativamente os resultados. A humidade deve estar contida entre os 30% e os 70%. A humidade tem um grande impacto na sa´ude dos animais. O m´odulo do sensor de humidade ´e composto por um sub-m´odulo de Zigbee, um microcontrolador PIC18F4550 [27] e respetivo sensor. • M´odulo do Sensor de temperatura (Sensor module-4 ): Foi usado um term´ıstor

para medir a temperatura corporal do animal. O termistor ´e um componente altamente sens´ıvel. O corpo tem de se manter a uma temperatura constante, dentro de um pe-queno intervalo, para que todos os sistemas biol´ogicos funcionem devidamente. Uma mudan¸ca na temperatura do corpo ´e sinal de problemas de sa´ude. A temperatura cor-poral ´e diferente para diferentes tipos de animais. O m´odulo do sensor de temperatura ´

e composto por um sub-m´odulo de Zigbee, um microcontrolador PIC18F4550 [27] e respetivo sensor.

O sistema apresentado em [20] tem como objetivo a dete¸c˜ao e prote¸c˜ao de ataques efe-tuados contra ovinos e caprinos. Na Tabela 3.1 podem ser observados os diferentes tipos de alarmes que podem ser despoletados, bem como o tipo de notifica¸c˜ao a que d˜ao origem.

A monitoriza¸c˜ao do animal ´e efetuada com recurso a dois parˆametros: temperatura cor-poral e ritmo card´ıaco. A Figura 3.7 ilustra o posicionamento destes sensores no animal. Existe uma coleira acoplada ao pesco¸co do animal e que cont´em um sensor de temperatura para registo da temperatura corporal do mesmo. Conectados tamb´em a esta coleira, existem dois el´etrodos, um em cada pata da frente do animal, e que permitem monitorizar os sinais vitais dos animais.

(43)

N´ıvel de Alarme Descri¸c˜ao Consequˆencia 1 Presen¸ca de parceiros na ´epoca do cio Notifica pastor

2 Dete¸c˜ao de roubo Notifica pastor e

pol´ıcia

3 Presen¸ca de animais selvagens Notifica pastor e unidade de controlo animal 4 Dete¸c˜ao de qualquer tipo de fen´omeno

natural, entre os quais incˆendios e cheias

Notifica pastor e servi¸cos de emergˆencia Tabela 3.1: N´ıveis de alarmes do sistema descrito no artigo [20]

Figura 3.7: Posicionamento dos Sensores da solu¸c˜ao descrita em [20]

Para comunica¸c˜ao dos dados monitorizados, o sistema utiliza um protocolo de comunica¸c˜ao sem fio, o ZigBee [22], que ´e baseado na norma IEEE 802.15.4 [23]. Este protocolo tem como principal caracter´ıstica o baixo consumo de energia, sendo ideal para comunica¸c˜oes em que a baixa transmiss˜ao de dados e pequeno alcance n˜ao sejam um entrave, maximizando assim o tempo de vida dos dispositivos da rede.

A Figura 3.8 resume a estrutura da rede do sistema assim como o hardware utilizado. O sistema utiliza uma plataforma Waspmote [21], isto ´e, uma plataforma open source que permite a integra¸c˜ao de m´odulos de comunica¸c˜ao sem fios e sensores de forma aut´onoma. O Waspmote ´e composto por um microcontrolador ATmega 1281 que opera na frequˆencia dos 8 MHz e que apresenta pequenas dimens˜oes e peso (73,5 x 51 x 13 mm e 20 gramas).

(a) Estrutura da rede sem fios (b) Waspmote e a sua bateria

(44)

De forma a tornar o dispositivo o mais aut´onomo poss´ıvel a n´ıvel energ´etico, um sistema de carregamento baseado em energia solar ´e utilizado. Quando anoitece, o regulador de controlo de energia ativa o rel´e que controla a conex˜ao da bateria ao n´o do sensor, habilitando a conex˜ao sem fios com o ponto de acesso.

O mecanismo que controla a gera¸c˜ao de alarmes est´a ilustrado na Figura 3.9 . Tal como se pode observar, sempre que um novo evento ´e detetado, um contador ´e incrementado (Mes-sage). Sempre que este contador atinge um valor de 5, o evento que despoletou a mensagem ´e guardado e o alarme identificado atrav´es dos dados dispon´ıveis numa Base de Dados. Ap´os identificar o alarme, este ´e gerado, podendo ser disponibilizado de forma visual, sonora e /ou comunicado via General Packet Radio Service (GPRS) ao utilizador.

Figura 3.9: Algoritmo de decis˜ao [20]

Na Figura 3.10, pode-se observar os resultados da simula¸c˜ao do algoritmo de decis˜ao. Inicialmente, um alarme individual ´e gerado aos 50 segundos, criando a primeira mensagem de aviso. Uma vez que passam 5 minutos sem qualquer registo de alarme, o valor do alarme volta a 0. Contrariamente, no segundo 390, v´arios alarmes individuais s˜ao despoletados num espa¸co inferior a 5 minutos. Consequentemente, o n´umero de mensagens de alerta aumenta, sendo que quando chega `as 5, o alarme ´e despoletado.

(45)

3.2

Solu¸

oes Comerciais

No mercado existem diversas solu¸c˜oes que permitem gerar alarmes associados `a monito-riza¸c˜ao animal. Alguns dos v´arios sistemas dispon´ıveis no mercado s˜ao Cattle Watch [14], Cowlar [15], Digitanimal [16], Cow Monitoring|Afimilk [17], FarmRanger [18] e Nofence [19]. Tal como a solu¸c˜ao SheepIT, todas estas solu¸c˜oes baseiam o seu sistema de monitoriza¸c˜ao em coleiras que s˜ao acopladas aos animais. A informa¸c˜ao ´e obtida atrav´es de sensores colocados na coleira, sendo esta informa¸c˜ao enviada para servidores onde ´e guardada e analisada. O resultado desta an´alise permitente ao utilizador saber qual o estado do animal, incluindo a existˆencia de cio e de situa¸c˜oes an´omalas, tais como roubo de animais, poss´ıveis problemas de sa´ude ou at´e a situa¸c˜oes em que o animal se encontre fora dos limites de uma cerca (nos casos em que esta situa¸c˜ao se aplique). Tipicamente, o utilizador ´e notificado sobre cada uma destas situa¸c˜oes atrav´es de mensagens, email ou aplica¸c˜oes para telem´ovel. A Tabela 3.2 resume algumas das propriedades das solu¸c˜oes enumeradas, propriedades essas que passamos seguidamente a descrever.

Os sistemas Cowlar e Cow Monitoring|Afimilk foram desenvolvidos unicamente para vacas enquanto que o sistema Nofence foi desenvolvido para cabras e est´a previsto que em 2020 tamb´em esteja dispon´ıvel para ovelhas e vacas. O Cattle Watch ´e um sistema desenvolvido para poder ser utilizado em vacas, ovelhas e cabras. J´a os sistemas Digitanimal e FarmRanger permitem uma maior gama de utiliza¸c˜ao, podendo ser utilizados em cavalos, vacas, cabras, ovelhas e animais selvagens. O m´etodo de envio da informa¸c˜ao difere de solu¸c˜ao para solu¸c˜ao. Por exemplo, na Cow Monitoring|Afimilk e na Nofence a informa¸c˜ao ´e enviada usando GSM. As baterias deste tipo de solu¸c˜oes tipicamente tˆem de apresentar elevadas autonomias. No caso da Digitanimal, esta pode variar entre 6 meses a 2 anos, a farmranger tem autonomia de 12 semanas e na Nofence as baterias podem durar 30 dias sendo estas alimentadas atrav´es de pain´eis solares. As restantes solu¸c˜oes n˜ao apresentam dados acerca da autonomia dos seus dispositivos.

A solu¸c˜ao Cattle Watch tem como principal objetivo a preven¸c˜ao do roubo de animais [14]. A coleira, ilustrada na Figura 3.11a, cont´em um GPS para localiza¸c˜ao do animal , um

(a) Cattle Watch

[14] (b) FarmRanger [18]

(46)

m´odulo de GPRS para transmiss˜ao de dados e um painel solar para carregar as baterias. O GPS ´e tamb´em utilizado para providenciar um sistema de GeoFencing, isto ´e, um sistema que implementa um mecanismo de cerca virtual. Como caracter´ısticas adicionais, o sistema permite contar os animais assim como monitorizar sua sa´ude.

J´a a solu¸c˜ao FarmRanger [18], cuja coleira pode ser observada na Figura 3.11b, tem como principal objetivo alertar para a presen¸ca e ataque de predadores e poss´ıveis roubos de animais. Uma das caracter´ısticas distintivas deste sistema ´e que requer apenas a coloca¸c˜ao de uma coleira em alguns elementos do grupo de animais, uma vez que quando ladr˜oes ou predadores se aproximam dos animais, todo o rebanho reage, atrav´es de comportamos de stress diferentes dos normais. Situa¸c˜oes de stress e pˆanico do animal s˜ao detetadas atrav´es de sensores presentes na coleira, alertando o utilizador atrav´es de SMS. O GPS incorporado na coleira permite ao agricultor saber a localiza¸c˜ao da coleira que gerou o alarme, possibilitando assim uma r´apida interven¸c˜ao. A FarmRanger n˜ao necessita de esta¸c˜oes no terreno, pois as coleiras comunicam por GPRS diretamente com o telem´ovel do agricultor.

A solu¸c˜ao desenvolvida pela Cowlar [15] tem como objetivo a monitoriza¸c˜ao de gado bovino, permitindo acompanhar eventos de cio, gravidez e a sa´ude dos mesmos. As coleiras desta marca s˜ao de carregamento ´unico e possuem uma autonomia de 6 meses. A comunica¸c˜ao ´e realizada por GSM (cerca de 3.2 Km desde a esta¸c˜ao base). As notifica¸c˜oes (Figura 3.12b) s˜ao realizadas via SMS, email, aplica¸c˜ao de telem´ovel ou via p´agina web.

J´a a Cow Monitoring|Afimilk [17] desenvolveu um sistema capaz de detetar o roubo, o cio e sa´ude das vacas. A comunica¸c˜ao ´e realizada via GSM. As notifica¸c˜oes (Figura 3.12a) s˜ao enviadas para uma aplica¸c˜ao de Smartphone e p´agina Web. A coleira foi projetada de forma a que a dura¸c˜ao da bateria seja entre 18 a 22 anos.

A Digitanimal [16] possibilita a monitoriza¸c˜ao e localiza¸c˜ao (via GPS) de v´arias esp´ecies de animais, permitindo notificar o utilizador via aplica¸c˜ao para Smartphone, sobre os seguintes

(a) Cow Monitoring|Afimilk [17] (b) Cowlar [15] Figura 3.12: M´etodos de notifica¸c˜ao ao utilizador

(47)

cen´arios: n´ıveis de stress, doen¸cas, roubo, predadores, limite da cerca e animais perdidos. A autonomia das coleiras vai desde os 6 meses a 2 anos, dependendo do tipo de utiliza¸c˜ao.

A Nofence [19] implementou uma coleira que incorpora um GPS e um pa´ınel solar para carregar a bateria. O grande objetivo desta solu¸c˜ao ´e o desenvolvimento de uma cerca virtual que pode ser definida pelo utilizador atrav´es de um mapa interativo dispon´ıvel na aplica¸c˜ao da solu¸c˜ao. Quando o animal se aproxima dos limite da cerca, a coleira imite um aviso sonoro, que ´e seguido de um choque se o animal persistir no caminho que segue. As notifica¸c˜oes s˜ao transmitidas utilizando GSM.

Sistema Tecnologia

localiza¸c˜ao Autonomia

Alcance /

Tec. Comunica¸c˜ao Alarme Notifica¸c˜ao Cattle Watch GPS 10 anos 6/7 km

3G/GPRS

Roubo, Doen¸cas, Hostilidade, Cio, Gravidez

Mensagem e Aplica¸c˜ao Cowlar NA 6 meses 3.2 km

GSM Doen¸cas, Cio, Gravidez

Mensagem, Email, Aplica¸c˜ao, Web Digitanimal GPS 6 meses a 2 anos Sigfox/GSM

Doen¸cas, N´ıveis de Stress, Roubo, Predadores, Cerca,

Animal Perdido

Aplica¸c˜ao e PC Cow Monitoring /

Afimilk NA 18 a 22 anos GSM Sa´ude, Roubo, Cio Aplica¸c˜ao e PC FarmRanger GPS 12 Semanas GPRS Roubo, Predadores Mensagem, Chamada,

Aplica¸c˜ao Nofence GPS 30 dias GSM Cerca Mensagem, Aplica¸c˜ao

Tabela 3.2: Resumo das carater´ısticas das Solu¸c˜oes Comerciais

3.3

Discuss˜

ao

Como pode ser observado nas Sec¸c˜oes 3.1 e 3.2, existem diversas solu¸c˜oes, tanto a n´ıvel cient´ıfico como a n´ıvel comercial, que permitem monitorizar e consequentemente gerar dife-rentes tipos de alarmes. Ap´os um estudo intensivo das solu¸c˜oes mencionadas, foi poss´ıvel tra¸car um conjunto de alarmes ´unicos e enquadrados na solu¸c˜ao SheepIT.

Efetivamente, apesar da grande diversidades de solu¸c˜oes encontradas, existem dois requi-sitos que nenhuma das tecnologias apresentadas resolve. Por um lado, nenhum sistema pode ser diretamente utilizado pela solu¸c˜ao do SheepIT desenvolvida. Existem tamb´em alarmes que nenhum dos trabalhos implementa, nomeadamente:

• coleiras perdidas;

• n´umero elevado de infra¸c˜oes; • problemas de hardware.

Existem dois alarmes que, devido `a grande necessidade da sua existˆencia, podem ser encon-trados em muitos dos artigos e foram tamb´em implementados no decorrer da disserta¸c˜ao:

• pˆanico;

• ausˆencia de animais.

Por fim, existe uma outra lacuna no estado de arte das solu¸c˜oes apresentadas, nomeada-mente o facto de n˜ao existir uma taxonomia clara e objetiva que possa ser aplicada a sistemas de alarmes de monitoriza¸c˜ao animal.

(48)
(49)

Cap´ıtulo 4

Arquitetura e Implementa¸

ao

Neste capitulo ´e descrita a arquitetura e implementa¸c˜ao do sistema de alarmes proposta para a solu¸c˜ao SheepIT. De acordo com os requisitos definidos, ´e proposta a implementa¸c˜ao de alarmes relacionados com os animais, os dispositivos e de ausˆencia.

4.1

Arquitetura geral do sistema de alarmes

O objetivo desta disserta¸c˜ao ´e o desenvolvimento de um sistema de alarmes que tire partido da an´alise dos dados recolhidos pelos diferentes dispositivos da rede. Estes dados s˜ao agregados na gateway e, como tal, ´e este o dispositivo respons´avel por todo o sistema de alarmes (tal como previsto na arquitetura da gateway apresentada na Sec¸c˜ao 2.1.3).

Os dados recolhidos atrav´es das coleiras e far´ois, e armazenados na gateway, s˜ao analisa-dos em tempo-real pelo sistema, permitindo a emiss˜ao de alarmes sobre potenciais situa¸c˜oes cr´ıticas. Em suma, os alarmes permitem identificar diversas situa¸c˜oes, tais como: a dete¸c˜ao de um baixo n´ıvel de bateria nos dispositivos, a poss´ıvel perda de coleiras, a dete¸c˜ao de si-tua¸c˜oes de pˆanico, poss´ıveis problemas de hardware e a ausˆencia de animais na ´area definida. Conforme a importˆancia das situa¸c˜oes detetadas, um n´ıvel de prioridade ´e atribu´ıdo, entre baixo, m´edio e alto.

(50)

Figura 4.2: Esquema simplificado dos m´odulos do sistema de alarme

O funcionamento simplificado do sistema de alarmes dentro da gateway est´a exposto na Figura 4.1. Assim, o m´odulo de alarmes acede `a mem´oria partilhada da Gateway para ter acesso aos dados recolhidos pelo sistema, valida-os, analisa-os e, em caso de se estar perante uma situa¸c˜ao de alarme, notifica as entidade respons´aveis, atrav´es de SMS, email ou aplica¸c˜ao web. Mais concretamente, o sistema de alarmes ´e composto por trˆes grandes componentes (Figura 4.2): i) numa primeira fase ´e realizada a leitura e valida¸c˜ao de dados presentes na mem´oria partilhada, ou seja, s˜ao obtidos os dados relativos aos animais e/ou dispositivos; ii) ´e executado um algoritmo de decis˜ao que permite identificar o tipo e prioridade do alarme; iii) ap´os dete¸c˜ao e atribui¸c˜ao do n´ıvel de prioridade ao alarme, este ´e gerado, podendo ser enviado por SMS caso seja de alta prioridade ou simplesmente apresentado como notifica¸c˜ao na p´agina web local da gateway.

A estrutura da sec¸c˜ao dos alarmes na p´agina web, cuja implementa¸c˜ao foi realizada em conjunto com Maykol Santos, foi desenvolvida de acordo com as necessidades do utilizador, de forma a que a informa¸c˜ao apresentada seja de f´acil compreens˜ao e apenas apresente os dados necess´arios para a resolu¸c˜ao dos alarmes. Para cada alarme ´e passada informa¸c˜ao acerca da data e hora em que ´e gerado, o dispositivo e/ou animal a que se refere, o tipo de alarme, o n´ıvel de prioridade e, em certos casos, informa¸c˜ao adicional que auxilie na compreens˜ao do alarme em quest˜ao.

4.2

Taxonomia

A taxonomia proposta para o sistema de alarmes da solu¸c˜ao ´e apresentada na Figura 4.3. Esta permite n˜ao s´o identificar os diferentes tipos de alarmes definidos, como tamb´em a sua dependˆencia com os parˆametros necess´arios para gerar estes alarmes. Para gerar qualquer um dos alarmes, s˜ao necess´arios os identificadores de dispositivos e/ou animais e os timestamp dos identificadores quando guardados na gateway, .

Foram ent˜ao definidos trˆes grandes grupos de alarmes e que s˜ao detalhados nas subsec¸c˜oes que se seguem, nomeadamente:

• Alarmes associados aos dispositivos; • Alarmes associados aos animais;

(51)

Figura 4.3: Taxonomia do Sistema de Alarmes

4.2.1 Alarmes associados aos dispositivos

Este tipo de alarmes, tal como o nome indica, est˜ao diretamente associados ao estado dos dispositivos. Nesta categoria definiram-se as seguintes situa¸c˜oes alarm´ısticas: bateria baixa, problemas de hardware e coleiras perdidas.

Bateria

Os alarmes relacionados com a bateria dos dispositivos destinam-se a identificar se os mesmos se encontram com bateria baixa. Esta situa¸c˜ao ´e cr´ıtica visto permitir ao gestor dos equipamentos gerir os carregamentos das baterias, assim como detetar situa¸c˜oes em que o equipamento esteja a ficar sem bateria em pleno funcionamento (o que pode comprometer a seguran¸ca das vinhas e/ou dos animais).

Para a dete¸c˜ao destes alarmes, ´e essencial saber o identificador do dispositivo e a percen-tagem de bateria. Desta forma, realiza-se uma leitura da percenpercen-tagem de bateria de cada um dos ID’s presentes na mem´oria partilhada. Por fim, para que este alarme seja gerado, comparam-se os valores das percentagens da bateria com valores limiares que s˜ao configur´aveis pelo administrador do sistema.

Problemas de Hardware

Estes alarmes permitem que o utilizador seja notificado caso exista um poss´ıvel problema com o hardware dos equipamentos, mais concretamente nas coleiras. Um sensor deixar de fun-cionar ou ter um funcionamento deficiente pode comprometer todo o sistema, sendo portanto

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