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T V C Â M A R A D E B A U R U

PAPEL SOCIAL DO CANAL LEGISLATIVO

E SUAS RELAÇÕES COM A COMUNIDADE LOCAL

Umesp - Universidade Metodista de São Paulo

Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social

São Bernardo do Campo / SP

2004

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CARLOS JORGE BARROS MONTEIRO

T V C Â M A R A D E B A U R U

PAPEL SOCIAL DO CANAL LEGISLATIVO E SUAS RELAÇÕES COM A COMUNIDADE LOCAL

Dissertação de Mestrado apresentado para o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Curso de Mestrado, da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP.

Orientadora: Profa. Dra. Cicília M. Krohling Peruzzo

UMESP - Universidade Metodista de São Paulo

Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social

São Bernardo do Campo / SP

2004

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D E D I C A T Ó R I A

Mãe Bárbara e pai Flávio; Karla,

Paulo, Flávia, Cleofas e

Marquinhos: meu complemento.

Sílvia, uma mulher especial;

Uel, Avinho, Luqueta e Mércia:

sobrinhos e cunhada; incentivo

absoluto.

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A G R A D E C I M E N T O S

Dra. Cicília Peruzzo – Mestre. Exímia na arte de ministrar conhecimento. Serena, firme e consciente na lida da orientação. Meus passos nos estudos e pesquisas avançaram muitos degraus.

A colega de academia e pesquisa, Carla Pollake - solidária e determinada.

Aos professores da pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo - Dra. Sandra Reimão, Dr. Joseph M. Luyten, Dr. José Marques de Melo. Produtores de conhecimento sobre a comunicação. Sinto- me privilegiado pelas aulas de mestres do conhecimento comunicacional contemporâneo.

Colegas da TV Câmara (Adriana, Adão, Miguel, Rubens, Nélson, Malacrida, Machado, Schutte, Alex, Cris, Pedro e Sérgio), obrigado. Nosso trabalho em equipe teve o único fim de democratizar a informação em Bauru.

Vereador-Presidente da Câmara Municipal de Bauru no biênio 1997-1998 Luiz Carlos Valle; créditos pela determinação por criar um instrumento democrático de informação e educação com a participação da cidade. A obediência literal da lei 8.977 e exigência de que nosso projeto da TV Câmara atendesse à cidade e não a interesses partidários.

Paulo Madureira (1999-2000), Walter Costa - in memoriam – (2001-2002) e Renato Purini (2003-2004), vereadores-presidentes que deram seqüência ao trabalho do parlamentar Luiz Carlos Valle. Apoiaram, investiram e confiaram à nossa equipe a responsabilidade de produzir e transmitir programas educativos, culturais e eventos políticos que entraram para a história de Bauru.

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S U M Á R I O

Resumo ...6 Abstract ...7 Resumen...8 Introdução...9 Procedimentos Metodológicos ...11

CAPÍTULO 1 – Democracia via satélite ...15

1. Relação do Global com o Local ...16

1.2. Sociedades interligadas ...20

1.2.1. A televisão integrando sociedades ...24

CAPÍTULO 2 – Televisão no Brasil ...24

1.1. As redes nacionais, agora, internacionais ...25

1.2.Redes Regionais ...28

1.3. Televisão Pública...33

1.4. Mídia em Bauru ...36

1.4.1. O pioneirismo no interior paulista: no ar, TV Bauru ...37

CAPÍTULO 3 – Política eletrônica ...41

1. Política, educação e cultura na televisão ...41

2. Canais legislativos no mundo ...46

3. Canais Básicos de Utilização Gratuita no Brasil...49

4. Canais legislativos no Brasil ...56

CAPÍTULO 4 – TV Câmara de Bauru ...70

1.1. A cidade na TV ...71

1.5. Política, informação e entretenimento ...87

1.6. Papel social da TV Câmara de Bauru ...91

1.7. Perspectivas do canal público local ...98

Considerações Finais ...103

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R E S U M O

Esta pesquisa analisa a TV CÂMARA – canal legislativo municipal da cidade de Bauru, SP. Os objetivos foram levantar as formas de uso do canal, analisar o conteúdo da programação produzida e veiculada para a realidade bauruense, suas contribuições sociais na construção da consciência cidadã e a aceitação do canal junto ao telespectador. Os procedimentos metodológicos incluíram a observação participante, que consistiu no acompanhamento interno das atividades do canal de março de 2002 a fevereiro de 2003 e em julho de 2003. A pesquisa documental que ofereceu dados sobre estratégias da programação e entrevistas, as quais permitiram colher informações sobre participação da comunidade nos programas e sua percepção sobre o papel do canal televisivo no município. Conclui-se que o canal abriu um considerável leque de opções na televisão local. A cidade se enxerga quando assiste o canal legislativo. Ainda assim a TV Câmara precisa se solidificar no meio em que atua. A participação da sociedade pode ser ampliada com mais programas e ainda de forma mais direta, inclusive na elaboração de pautas. O mais importante: o canal é um instrumento público.

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A B S T R A C T

This research analyses the TV CÂMARA, a legislative channel of Bauru, a city located in São Paulo, Brazil. Its purpouse is based on a search for the channel’s uses, analisyng the programations contents, the process of production and transmition, the social contributions on the contruction of citizen’s conscience and finally, its acception by the viewer. The medotological procedures included the participant observation, consisted in follow day by day the TV’s activities from March 2002 from February 2003, and July 2003. The documental research had given several informations about the strategies and interviews, which permited the knowledge about comunity participation in the propgrams and the perception about the role of the channel in the city. The fact is that TV CÂMARA has been increasing the options in the local TV broadcasting. The city viewers can see themselves watching the legislative programation. Nevertheless the channel needs to set its existence in the communication field. The society participation can be increased with new programs and more directly, through the guidelines organization. The most important thing is: the legislative channel is a public instrument that must be used by the local population.

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R E S U M E N

Esta investigación analiza la TV CÂMARA, el canal legislativo municipal de la ciudad de Bauru, en São Paulo, Brasil. Los objetivos fueron levantar las formas de uso del canal, analizar el contenido de la programación producida y propagada para la realidad. Sus contribuciones sociales en la construcción del conciencia ciudadano y la aceptación del canal junto al espectador. Los procedimientos metodológicos incluyerón la observacion participante, que consistió en el acompañamiento interno de las actividades del canal de Marzo de 2002 a Febrero de 2003 y Julio de 2003. La investigación documental ofreció datos de las estrategias de programación y de las entrevistas, que permitiran la recopilacion de informaciones sobre la participación de la comunidad en los programas y su opinión acerca del función de la tele en la ciudad. Concluye que el canal he ampliado las opciones de la televisión local. La ciudad puede ver a si misma cuando asiste al canal legislativo. Todavía es necesario que la TV CÂMARA sea más solida donde actúa. La participación de la sociedad puede ser aumentada con nuevos programas y de forma más directa, con elaboración de las pautas. El más importante és: el canal puede ser uno instrumento público fortemente utilizado por la población local.

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I N T R O D U Ç Ã O

Por que criar canais de televisão nas casas legislativas brasileiras? Serão esses canais realmente úteis ao país? A lei que os criou data de 6 janeiro de 1995, sendo regulamentada pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, apenas em 15 de abril de 1997. Mesmo assim algumas casas legislativas, como a Assembléia dos Deputados do Estado de Minas Gerais articulou a criação do seu canal já em 30 de novembro de 1995. Depois vieram os canais do Senado e da Câmara Federal. Se analisados pelo prisma de investimento financeiro, esses canais de televisão poderão se mostrar vilões de uso do dinheiro público. Muitos canais foram criados sem que antes os poderes legislativos federais, estaduais e municipais tivessem a iniciativa de esclarecer a sociedade quais as reais utilidades desse poderoso instrumento de comunicação. Não foi sem motivos que muitos cidadãos se mostraram surpresos com a novidade. Ainda mais num país que se acostumou a entender implantação de emissoras de televisão como investimento de alto custo. De fato, investir em televisão requer estudos de mercado para analisar a viabilidade de retorno financeiro. Esse não é o caso dos canais legislativos brasileiros, que têm estrutura suficiente para produzir, gerar e transmitir programação de cunho informativo -educativo, esclarecendo a sociedade sobre as atividades nas casas legislativas; não apenas assuntos de cunho político, mas pautas que envolvam as comunidades no debate de assuntos diversos. Se feita uma pesquisa simples, comparando a grade de programação dos diversos canais espalhados pelo Brasil, imediatamente será constatada uma surpresa para quem desconhece como esses canais funcionam: grande parte dos programas aborda temas variados, como ecologia, saúde, música, educação, atualidades e até política. Sim, por que os canais há muito já entenderam que não só de política vive a sociedade. Lazer e informação diversificada vai sempre estar na pauta do dia. Criar canais de televisão nas casas legislativas é salutar a educação do país. Então, esses canais são de fato úteis à sociedade sem atrelamento comercial. Não são canais alternativos; são canais informativos.

O primeiro capítulo mostra a relação das sociedades globais e locais e a intervenção da televisão como instrumento integrador das comunidades mundiais. O capítulo dois discorre sobre as redes de televisão nacionais, regionais, os canais públicos e educativos; a mídia em Bauru e a histórica criação da TV PRG – 8, primeiro canal de televisão do

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interior da América Latina. Política e televisão se fundem no terceiro capítulo, quando é abordada em detalhes, a lei 8.977, que criou os Canais Básicos de Utilização Gratuita. Os canais legislativos é um deles. Abordamos ainda as atividades de diversos canais legislativos espalhados pelo mundo. O quarto capítulo fecha a pesquisa mostrando o funcionamento do canal de Bauru, as formas de uso e as perspectivas para democratização do acesso aos canais legislativos a toda comunidade.

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Procedimentos Metodológicos

O presente estudo analisa a TV Câmara de Bauru, um dos primeiros canais de televisão legislativa do Brasil a funcionar com vinte horas de programação diária. São produzidos e veiculados mais quatro horas de programas locais de segunda a sábado. A grade é completada com a retransmissão da Rede Sesc-Senac e da TV Assembléia Legislativa de São Paulo, inclusive aos domingos. Os objetivos desta pesquisa são de mostrar como funciona um canal de televisão legislativa, sua estrutura e interação com a comunidade de Bauru, SP. Pretendemos entender de que forma esse canal cumpre seu papel como previsto em lei. Observar se existe manipulação e uso político-partidário ou pessoal do canal por parte dos membros da Câmara Municipal. Nosso pressuposto é de que os canais são instrumentos públicos prestadores de serviços. Chegou-se a imaginar que os canais legislativos poderiam competir ou tirar audiência de emissoras comerciais, quando na verdade esses canais foram criados para produzir e dirigir suas programações exclusivamente para prestação de serviço; formação e informação da sociedade.

Para entendermos o funcionamento e explicar a trajetória da TV Câmara de Bauru, optamos em trabalhar com a pesquisa participante, que consiste na inserção do pesquisador no ambiente estudado. A pesquisa foi realizada no período de março de 2002 a fevereiro de 2003 e em julho de 2003. Contudo, minha ligação com o canal existe desde que foi criado até meu afastamento voluntário em 2 de agosto de 2003. Mesmo tendo desenvolvido grande parte do projeto e participado diretamente das atividades do canal, como técnico, repórter ou diretor, procurei manter a visão e o equilíbrio de pesquisador.

“Esse tipo de pesquisa está interessada em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá -los e interpretá-los.”(Rudio, 1996, p.57). Assim, nos

colocamos na posição de observador, para entender e classificar os fenômenos surgidos através da atuação da TV Câmara de Bauru.

“Na comunicação não existe sujeito passivo”. (FREIRE, 1979a p.67). Partindo dessa afirmação do pensador e educador Paulo Freire, optei por trabalhar meu projeto de

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pesquisa de mestrado sustentado na metodologia da pesquisa participante. Tal metodologia teve seu uso intensificado no Brasil após a década de 60, do século XX. Paulo Freire atribui duas características básicas à pesquisa: relação de reciprocidade entre sujeito e objeto e relação dialética entre teoria e prática. (apud SILVA, 1986 p.44).

“Separada da prática, a teoria é puro verbalismo inoperante: desvinculada da teoria, a prática é ativismo cego” (FREIRE, 1978a p.135).

Com a observação participante, trabalhamos as coordenadas metodológicas a seguir: acompanhamos por meio de observação direta, o canal. Observamos os critérios de escolha das pautas dos programas; quais os temas mais debatidos no canal; o nível de acesso à produção e participação da comunidade na grade programação etc. Tais observações foram feitas durante todo mês de julho de 2003. Sou funcionário (jornalista) do corpo efetivo da TV Câmara. Fui eu quem desenvolveu o projeto de implantação do canal bauruense entre os meses de julho a dezembro de 1996. Acompanhei todo o processo de implantação do canal. Tenho acesso a toda documentação e materiais produzidos. Em fevereiro de 2001 fui nomeado diretor substituto da TV Câmara de Bauru. Até fevereiro de 2003 eu apresentava um programa de entrevistas e produzia outros materiais para a grade do canal. Desde então estou licenciado do canal e desenvolvendo outras atividades acadêmicas em São Paulo (capital). Desse modo, o conhecimento adquirido nesse período subsidiou a elaboração deste trabalho. Contudo, durante o mês de julho de 2003 realizamos o complemento da observação participante; ocasião em estive em atividades normais da rotina de trabalho.

Teresa Haguette (1990, p.60-61) diz que Schwartz e Schwartz entendem que a observação participante não é apenas um “instrumento de captação de dados, mas funciona também como instrumento de modificação do meio pesquisado, ou seja, de mudança social”. Quando me propus a trabalhar cientificamente este tema, quis entende r melhor o papel social de um instrumento público a serviço da comunidade. Adotei a metodologia da pesquisa participante por acreditar que na relação de pesquisador com objeto de estudo haveria interação e aprendizado mútuo. Essa premissa de mutualidade (de Schwartz e Schwartz) “é considerada a definição mais completa, por que aceita a presença constante do

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observador no contexto observado como a interação face a face como pré-requisitos da observação participante (...)”. Haguette (1990, p.60-61)

Haguette (1990, p.61) alerta ainda que, por não adotar instrumentos específicos que direcionem a pesquisa – como roteiros de entrevistas ou questionários -, a observação participante requer ponderações quanto à responsabilidade do pesquisador. Ela cita cinco fatore s externos que podem interferir nos resultados: 1) o viés sócio -cultural do observador (auto- inserção no tempo e no meio pesquisador); 2) o viés profissional/ideológico (seletividade da observação do pesquisador); 3) o viés interpessoal (visão do pesquisador a partir de suas emoções e defesas e como ele verá a interação humana); 4) o viés emocional do pesquisador (necessidade de confirmar suas hipóteses, fazendo-as ‘valer’ como ‘corretas’, mesmo que para isso seja necessária adequação do real); 5) e o viés normativo em que o comportamento humano pode levar o observador a formar juízos de valor que podem prejudicar a coleta de dados, sua análise e interpretação.

Para não incorrer em nenhum desses casos, procurei estar atento à condição de pesquisador em busca de um retrato fiel do tema pesquisado. Evitar ser passional, ampliando a visão para atuação de um instrumento público criado para servir ao público. Consciente também de que a constante dinâmica do quadro político da cidade vai refletir sempre na atuação do canal; não de forma controlada ou manipulada, mas na cobertura ampla ou pequena de eventos com envolvimento da comunidade. É imprescindível relatar aqui um fato atípico aos meios de comunicação administrados por agentes públicos. A TV Câmara de Bauru é reconhecidamente um instrumento de comunicação política da cidade, mas não recai sobre o canal acusações comprovadas de manipulação por parte de seus dirigentes. Além da constante vigilância da mídia comercial, os 21 vereadores se sentem “fiscais” de uso do canal. A diversidade de partidos políticos representados no legislativo bauruense funciona como uma espécie de cuidado a mais dos parlamentares quando estavam no ar ou quando solicitavam à equipe do canal alguma gravação. Em alguns momentos de discussões ou votações polêmicas, no plenário da Câmara, diversos meios de comunicação fizeram cobertura ao vivo dos fatos. Por não estar plenamente adaptado ao excesso de uso de equipamentos de rádios e televisões ligados simultaneamente, em alguns momentos o prédio do legislativo apresentou problemas elétricos, ficando parte das salas sem energia elétrica. Justamente o plenário de discussões da Câmara e a central da técnica

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da TVC ficaram às escuras. Por diversas vezes atendemos muitos telefonemas de telespectadores criticando o canal por sair do ar e insinuando a possível intencionalidade. Em todos as situações, o vereador que presidia a sessão interrompeu as discussões até que o sistema elétrico fosse restabelecido.

Esta pesquisa se constitui num estudo de caso sobre a TV Câmara de Bauru, SP. Assim, além da pesquisa participante incluímos outros procedimentos para o levantamento dos dados: pesquisa documental - estudos dos documentos de criação do canal, portarias internas sobre seu funcionamento etc e entrevistas com o atual presidente e três ex-presidentes da Câmara Municipal de Bauru, o ex-diretor e o diretor atual da TV. Foram feitas entrevistas com lideranças de entidades organizadas como: UAMB – União das Associações de Moradores de Bauru (Misael dos Santos – presidente); Conselho de Usuários de Transporte Coletivo de Bauru (Rubens de Souza – presidente); FACESP – Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Veruska Franklin - presidente). Essas entidades participam ou participaram de programas ou transmissões feitas pelo canal. As entrevistas foram feitas através de perguntas abertas o que permitiu respostas “livres” dos entrevistados. Esse tipo de entrevista possibilitou identificar a aceitação do canal e quais grupos políticos ou comunitários têm maior participação na programação da TV Câmara.

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C a p í t u l o 1

Democracia via satélite

No Brasil, não faz muito tempo que a população só assistia na televisão o que lhe era imposta pelo departamento de programação de emissoras das grandes redes de TV. Claro, que essa realidade ainda não mudou completamente. Gradativamente a sociedade brasileira vem aprendendo a lidar com certas vias de liberdade na comunicação. Esse processo avança paralelamente ao acesso às novas tecnologias disponíveis no Brasil e no mundo. A televisão por cabo vem sendo pesquisada e analisada a cada dia. Embora Wilson Dizard Jr., no livro A Nova Mídia (2000), retrate especificamente dados do mercado norte-americano desse sistema de televisão é possível se fazer um retrato do impacto desse sistema de transmissão. Televisão a cabo: Os perigos do sucesso. Assim foi batizado o sexto capítulo do livro de DIZARD (2000, p.163). Discutindo TV por cabo o autor recorre a dados para mostrar o considerável crescimento desse mercado e diz que “A TV a cabo é o principal elo da mídia com o mundo exterior em mais de 60% dos lares americanos. (...) Na virada do século, o cabo está assumindo um novo papel como um importante meio de conexão com a Internet e outros avançados serviços digitais”. Comparar a realidade norte-americana com a brasileira não se justifica pela grande desproporcionalidade de ambos os mercados. Em suas realidades próprias, Brasil e EUA têm estado próximos na busca de conquista de mercado de TV por cabo e outras modalidades de TV por assinatura. Trazendo essa discussão para a realidade brasileira, Murilo César Ramos (apud BOLAÑO, 1999, p.177) em Globalização e Regionalização das Comunicações argumenta que “O sistema Telebrás e as operadoras atuais e futuras de TV a cabo deveriam ser orientadas a estender suas redes visando não só o atendimento de informação e entretenimento, mas também a integração, como diz a Lei do Serviço de TV a cabo, das novas redes ao Sistema Nacional de Comunicações”. Mais que isso; de certa forma, o assinante regula os canais por cabo. Já em 2 de abril de 1995 quando a televisão paga estava se instalando por aqui, Renato Faleiros, assinou uma matéria no caderno Telejo rnal do jornal “O Estado de S. Paulo ” em 2 de abril de 1995 abordando a necessidade dos canais pagos produzirem programas que mostrem fatos locais. O lead da matéria de Renato: o maior desafio da TV por cabo

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brasileira é a produção local de programas para preencher centenas de canais espalhados por regiões tão distintas unidas apenas pela cultura das tradicionais redes. “O consumidor de pay tv brasileira, como o de qualquer outro país, vai querer mesmo é ver a sua cidade, fazer o seu shopping tour, divertir-se com o seu futebol, saber das notícias que afetem diretamente a sua vida e entrar nos programas interativos”, escreveu o jornalista. Nove anos se passaram e muitas operadoras de tv por assinatura ainda insistem em priorizarem o excesso de canais que veiculam programas de realidades distantes dos seus assinantes. Parece que as operadoras repassaram essa responsabilidade aos canais locais.

Embora as discussões obrigatoriamente passem pelo campo político é a sociedade em geral que vai ser beneficiada ou não, com a exploração da tecnologia de TV por cabo e outras tantas que surgirem. Assim, muitas comunidades vêem nesse instrumento uma alternativa aos canais tradicionais que operam em sistema aberto, até então pouco preocupados em melhorar suas programações. Com a aprovação da chamada lei do cabo (8.977), de 6 de janeiro de 1995, os ânimos de diversas organizações sociais vislumbraram dias melhores quanto às possibilidades de maior acesso a esses novos meios. Foram criados canais de tevês específicos e segmentados.

1.1. Relação do Global com o Local

As discussões sobre redes globais, nacionais e mídias locais são abrangentes e complexas, mas extremamente fundamentais. Uma não pode estar separada da outra; ambas se completam e são por demais úteis à sociedade.

Entre o global e o local temos o regional. Na década de 1970, com o avanço da tecnologia e a expansão das redes chegou-se acreditar que a predominância das grandes corporações de comunicação tomaria para si o controle e monopólio da informação. Emissoras de rádios e de tevês que até então produziam para comunidades próximas, se viram diante da forte ameaça das grandes redes. Quando a Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicações, então pertencente ao Governo Federal, lançou os satélites Brasilsat (A1 e A2) nos anos de 1985 e 1986, respectivamente, o país de fato entrou em rede nacional, através dos satélites nacionais. As grandes emissoras de rádio e tevês com suas

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“cabeças de redes” instaladas principalmente em São Paulo e Rio de janeiro tiveram penetração imediata em grande parte dos receptores espalhados pelo Brasil. Por cerca de 500 reais (em valores atuais), era possível instalar nos telhados de prédios e casas e muitas vezes em jardins, uma antena parabólica com capacidade de receber mais de uma dezena de canais de tevês e mais alguns de rádios. Claro que essa nova realidade foi festejada por muitos que até então “pegavam” apenas uma ou duas emissoras de rádio ou de tv com qualidade de transmissão técnica e programação sofríveis. As comunidades afa stadas dos grandes centros foram as principais “beneficiadas”. Naquela época um pantaneiro1 do Mato Grosso já poderia assistir ao jogo de seu time preferido e também ao telejornal paulista sensacionalista mostrando a violência da grande cidade. O país entrou em rede nacional e também global já que os satélites internacionais também estão integrados ao B1. Com isso, os fatos que se passavam em locais distantes, agora poderiam ser vistos praticamente em tempo real aqui no Brasil e no mundo. A histórica “queda” do Muro de Berlin, em 1989 foi mostrada ao vivo pela televisão e pelo rádio para o mundo inteiro.

Na década de 1990 muito se discutiu sobre os prós e contras da globalização. Essa nova realidade desmobilizaria as sociedades e grupos regionais? O global forçaria o regional desaparecer? Octavio IANNI (1999, p.29) observa que a “em vez de ser obstáculo à globalização recria a nação (...) O globalismo tanto incomoda o nacionalismo como estimula o regionalismo”. Portanto, não há que se temer ao global. Todas as sociedades têm suas particularidades e são baseadas em cima do local que seu cotidiano se processa. Renato ORTIZ (1999, p.59) entende que três pontos fortalecem o local: a proximidade geográfica do lugar, o cotidiano; a familiaridade (no aspecto afetivo e enraizamento) e a

diversidade (uma realidade que não se contrapõe ao global, mas é parte integrante).

Indiretamente essas citações nos remetem à existência dos meios de comunicação locais. Os Canais Básicos de Utilização Gratuita são exemplos reais de que global e local têm espaços próprios. Basta ver o considerável aumento, a cada dia, dos canais de tevês legislativos, das tevês universitárias, das tevês comunitárias, presentes nas ofertas das operadoras de televisão por assinatura.

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1

Homem morador das regiões alagadas na maior parte do ano nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, situados na região centro oeste do Brasil.

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No sistema aberto, os canais educativos locais contribuíram intensamente na integração de pequenas cidades, pois eram remotas as possibilidades de investimento de emissoras comerciais. As cidades sempre quiseram ter seus canais próprios de comunicação. Os pequenos jornais, semanais ou mensais, funcionam como uma espécie de canal de integração comunitária. Mesmo tendo uma infra-estrutura de comunicação local considerável, a cidade de Bauru abriu espaço para uma emissora de televisão educativa local. A TV Preve repete o sinal da TV Educativa do Rio de Janeiro, mas ainda assim têm programas locais. Muitas cidades de menor porte espalhadas pelo país têm em seus canais educativos locais o ponto de integração televisiva. Desde de dezembro de 1997, a cidade de Santa Bárbara d’Oeste, SP, se vê pela tela da TV Cultura, cana 43 UHF. O canal foi criado para ser a “nova imagem da cidade”. No ano de 2000, alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba, sob orientação do professor Dr. Adolpho Queiroz, fizeram uma pesquisa para saber o que a população barbarense pensava sobre seu canal de televisão local. Foram entrevistadas 983 pessoas em vários pontos da cidade. Entre várias perguntas da pesquisa destacamos três, com suas respectivas respostas. Primeira: “Na sua opinião, a TV Cultura é um serviço:” Indispensável (15,16%); Importante (80,98%); Pouco representativo (3,87%). Segunda: “Na sua opinião, a programação da TV Cultura é:” Democrática (72,60%); Engajada (22,26%); Discriminadora (5,15%). Terceira pergunta selecionada: “Na sua opinião, a TV

Cultura está contribuindo para a informação da população e o desenvolvimento da cultura local? :” Sim (93,08%); Não (6,92%). Este resultado mostra que os barbarenses entendem

que seu canal de televisão local retrata a cidade e os fatos que acontecem ali. Estes dados foram registrados no livro publicado pelo pesquisador, Paulo César D’Elboux, no livro

Cultura para todos, 2000:

“Imediatamente adotada pela população, a TV Cultura passou a integrar o cotidiano do barbarense, com seu Telejornal diário, com os programas esportivos, com a transmissão de eventos, com seus registros de história e política e com a cobertura completa de todos os acontecimentos da cidade”.

Quase sempre esses canais são geridos por Fundações, Prefeituras ou Universidades. Muitos canais educativos locais geridos por fundações têm presença maciça de políticos participando da administração ou interferindo diretamente nessas fundações.

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A importância dos canais educativos locais ganha extrema visibilidade quando mostra, além de entrevistas com personalidades da cidade, as festas organizadas por grupos culturais locais.

A importância da mídia local e comunitária vem sendo salientada na academia. Não apenas no mero sentido de ocupar espaço e mostrar o que acontece no âmbito local. É mais que isso. É necessário dar uma certa atenção à mídia comunitária por se tratar de uma tendência que ocorre em movimento correlato, que além de ter suas especificidades, irradia luzes que, algum modo, podem ter inspirado manifestações mais comprometidas socialmente por parte da mídia local”. (Peruzzo, 2003, p.3).

Cicília Peruzzo tem se dedicado a analisar a mídia local e compreender suas manifestações na sociedade contemporânea. Ela constata que essa nova realidade de valorização do local não se dá pelo mero acaso, mas por duas circunstâncias de interesses: o mercadológico e o interesse real de contribuir para desenvolvimento comunitário. É salutar então que não se coloque no mesmo bojo as mídias local e comunitária. A mídia local aborda temas gerais do cotidiano urbano, com suas tragédias e generalidades, etc., enquanto a mídia comunitária é pautada no “interesse mais específico de segmentos sociais (...); a mobilização social e a educação informal”, afirma Peruzzo, 2003, p.1. Mas, afinal quando um meio de comunicação de fato é local? Apenas quando mostra as pessoas e os fatos inerentes a uma cidade, ou grupos específicos? Outro questionamento: o aspecto local atua de forma oposta ao global? Seria o espaço local um campo restrito, controlado? Essas abordagens vão estar sempre presentes quanto se trata de comunicação, política ou geografia; enfim, são complexas. Para Renato Ortiz (apud Peruzzo, 2003, p.3) ‘o local’ induz a idéia de “delimitação territorial de hábitos cotidianos”. Se analisado no sentido de proximidade física, a realidade pode mudar sensivelmente. Devemos considerar também o aspecto cultural já que muitas sociedades estão próximas fisicamente e com atitudes cotidianas próprias; peculiares. Entra aqui, o fator identidade social presente nas questões local ou global. Então, ser um meio de comunicação local não o habilita a atuar como porta voz das comunidades em que atua. Os canais legislativos devem ter essa consciência plena

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1.2. Sociedades interligadas

Agora que a “santa” tecnologia já havia nos dado a benção do acesso ao mundo pelos satélites, as sociedades suplicam por algo mais próximo. Querem ver a si próprios. Isso mesmo; querem assistir o que acontece na sua região, sua cidade, no seu bairro.

Antes de 1990, muitas cidades do interior do Brasil não dispunham de emissoras locais de rádios. As regiões Sul e Sudeste sempre foram melhores servidas de emissoras. Mesmo assim muitas cidades ainda apelavam para os alto-falantes das igrejas ou carros de som que circulavam pelas ruas fazendo propaganda móvel ou informando assuntos de interesse da comunidade. Até os dias atuais essa realidade ainda é comum em muitos municípios. Nas décadas de 1980 e 1990 foram instaladas muitas rádios ilegais, também chamadas de piratas, em muitas cidades de porte médio. Em algumas cidades também foram montados até pequenos canais de televisão sem autorização legal. Claro que o objetivo de quem fez isso não era transgredir as complexas leis que regulamentam as telecomunicações brasileiras. Essas atitudes são reflexos puros de grupos sociais com sede de informação sobre sua própria realidade. Cicília Peruzzo (1998a, p.147) constata esse processo.

Dos alto-falantes caminhou-se para as rádios comunitárias e das TV´s de Rua para os canais comunitários e Universitários, no sistema de televisão a cabo (...) A comunicação comunitária, tal como se apresenta na década de 90, tem suas raízes nas manifestações comunicacionais que marcaram época na sociedade brasileira, no contexto das transformações ocorridas a partir da década de 70. Dos movimentos sociais foram trazidos princípios e experiências, tais como de participação e democracia que vão ajudando a configurar as novas experiências.

Essa realid ade ganhou fôlego com a Constituição Federal de 1988 e com diversos eventos organizados para tratar da democratização da informação. O Fórum Nacional pela

Democratização da Comunicação pode ser considerado o carro-chefe dessa discussão. As

cabeças pensantes desse Fórum são representantes de diversas entidades da sociedade civil. A ex-deputada federal pelo PT - Partido dos Trabalhadores de São Paulo, Irma Passoni é uma das articuladoras para mudar as complexas e obstacularizantes leis do Ministério das Comunicações, no núcleo de concessão de emissoras de rádio e televisão. Em 1992, a então

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deputada federal, Irma Passoni presidiu a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal onde trabalhou intensamente pela democratização dos meios.

1.3. A televisão integrando sociedades

Fazer televisão não é tão difícil quanto alguns podem acreditar. A cada dia, a tecnologia televisual se espalha pelo país, facilitando o acesso de grupos e entidades interessadas em produzir vídeos, documentários ou apenas se divertir. No Brasil, os canais comunitários e universitários veiculam muitas produções independentes. São excelentes porta-vozes do saber acadêmico, também, já que alguns abrem espaço para produções em parceria com a comunidade em geral. A professora Dra. Marília Franco (1998, p.121) foi coordenadora acadêmica da TV USP (Universidade de São Paulo) e uma das pioneiras no trabalho e pesquisa sobre esse meio no Brasil disse que

“Os Canais Universitários abrem o mais preciso espaço de ampliação desse exercício de atualização do discurso acadêmico. Sem esse mergulho no mundo contemporâneo das mídias, a palavra da ciência estava correndo o risco de virar um dialeto em extinção.”

Os canais segmentados têm buscado rechear suas grades com programas alternativos. No Rio de Janeiro existe a TV Pinel – na verdade é um núcleo de produção de vídeo do Instituto Philippe Pinel, que faz tratamento psiquiátrico. Implantada em 1996, a TV Pinel é usada como parte dos programas de recuperação dos pacientes, que se envolvem diretamente na produção de vídeos. Em 2001 foi iniciada uma parceria que possibilitou a veiculação desses programas no Canal Comunitário carioca e no Canal Saúde (que também transmite via satélite, pelo sistema Tecsat). O acesso ao Canal Saúde é pago e o Canal Comunitário está na lista dos Canais Básicos de Utilização Gratuita3, previsto na lei 8.977, que diz o seguinte: Capítulo V, Art. 23 g): um canal comunitário aberto para utilização

livre por entidades não governamentais e sem fins lucrativos.

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3

A lei 8.977 sancionada pelo Presidente da República em 6 de janeiro de 1995, prevê os Canais Básicos de Utilização Gratuita. São seis tipos de canais de televisão prestadores de serviços. Os acesso a esses canais é gratuito aos assinantes de tv paga, independente do pacote escolhido. Mais detalhes sobre a lei ver capítulo 3.

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Com o avanço da tecnologia é natural que os costumes das sociedades também passem por transformações. No geral, é esperado que tais mudanças sejam para melhor. As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pela popularização da televisão no Brasil.

O tal aparelhinho não era mais um caríssimo objeto de desejo como na década de 1940, quando grande parte da população enfeitava suas salas com as telas reluzentes. É bem verdade que até a primeira metade de 1980 a grande maioria dos aparelhos receptores ainda operavam em preto e branco.

As imagens antológicas que marcaram a televisão brasileira nos últimos anos, agora percorrem o mundo em uma velocidade tempestiva. O índ io baiano Gildo Terena ajoelhado suplicando aos policiais que não avancem sobre os manifestantes que bradavam contra o governo de Fer nando Henrique Cardoso quando das comemorações dos 500 anos do Brasil, em 2000, numa estrada de acesso à cidade de Porto Se guro é um exemplo banal se comparada com outros exemplos. Apenas para aguçar nossas mentes: a tragédia do ônibus 174, em 12 de junho no Rio de Janeiro, também em 2000; as muitas rebeliões nos presídios do Brasil e nas Febem paulista; Em 2003, o policial que suicida em frente ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Tudo isso, a população pôde ver ao vivo, em cores e via satélite. No cenário internacional, existem muitos exemplos históricos. Os ataques de 11 de setembro de 2001; as guerras “ao vivo” serão eternizadas nas mentes dos telespectadores pelo mundo.

Pensar a televisão nas décadas que antecederam o sistema de redes é algo desanimador. No livro “A TV aos 50”, Gabriel PRIOLLI (2000, p.17) relata o drama das emissoras quando se tratava da distribuição de seus programas:

Na sua primeira década, a TV teve uma configuração claramente insular. Surgiu em São Paulo e expandiu-se, já em 1951, para o Rio de Janeiro. Em 1953 atingiu Belo Horizonte, nos anos seguintes chegou a Porto Alegre, Curitiba, salvador, Recife, Campina Grande, Fortaleza, São Luis, Belém e Goiânia. Em cada uma dessas cidades, entretanto, era transmitida uma programação diferente, ainda que a maioria das estações fosse de propriedade de uma mesma empresa, as Emissoras Associadas, de Assis Chateaubriand (...).

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Com isso, cada emissora tinha suas próprias produções, além do que recebia de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na verdade o que havia era uma salada. Não existia nem rede nem programação local definida. Como o videoteipe ainda não havia chegado por aqui, a solução era improvisar mesmo.

Mas voltemos ao satélite. No ano de 1982, sim por que antes disso, apenas alguns poucos programas eram transmitidos simultaneamente via Embratel. Era o esquema torre-a-torre, ou seja, tráfego de sinal terrestre pelo sistema de microondas. Naquele ano o Brasil se inseriu definitivamente na transmissão de tv por satélite. Foi exatamente a TV Bandeirantes, com sede na capital paulista, que passou a operar sua programação de rede, via satélite, através do TV SAT, interligado ao Intelsat americano. Criada em 1967, só em 1977, a Bandeirantes entra no sistema de rede, ainda que através do sistema de microondas. Em seu rastro vieram as demais emissoras de tevês. O Brasil caiu na rede.

O país pode estar integrado, mas o continente, nem tanto. Quando as operadoras brasileiras de televisão por assinatura começaram a funcionar por aqui, o assinante ficou surpreso com tanta oferta de canais. Além dos tradicionais canais europeus e americanos, o Brasil pôde assistir canais mexicanos (Telehit, Ritmosom, Canal De Las Estrelas e Eco), do Chile (TV Chile) e da Argentina (América). Pouco tempo depois esse canais sumiram da tela dos assinantes brasileiros. As operadoras justificaram a retirada argumentando o baixo índice de interesse pelas programações latinas. Novos canais europeus e americanos ocuparam o espaço latino e nossa integração continental pela tela da reluzente tevê foi pelos ares.

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C a p í t u l o 2

Televisão no Brasil

Quando o paraibano Francisco De Assis Chateaubriand acreditou que o Brasil tinha espaço para possuir uma emissora de televisão, desabou sobre ele uma enxurrada de críticas. Os americanos, detentores de tecnologia no setor, desdenharam. Isso não é nenhuma novidade quando se trata de pioneiros. Os acomodados ou incompetentes são os primeiros da fila a puxar o coro do pessimismo. Chatô não se deixou abalar, inclusive pelo desprezo do engenheiro russo, naturalizado americano, David Sarnoff, fundador da RCA (Radio Corporation of America). Em 1948 o paraibano propôs a Sarnoff a compra de equipamentos para implantação da televisão em cores. Naquela época nem a CBS

(Television Network) e NBC (National Broadcasting Company), grandes redes americanas -

ainda não operavam em cores. Desaconselhado a não investir no negócio, Chatô fez o contrário. Trouxe a televisão, mas em preto e branco mesmo já que o sistema de cores ainda estava em fase de teste.

Em depoimento publicado no livro “TV Ao Vivo” organizado por Cláudio MACEDO, Ângela FALCÃO e Când ido José Mendes de ALMEIDA (1988, p.27), Valter Clark destaca que a qualidade da tv brasileira se deve ao pioneirismo do "jagunço genial", como era conhecido Chatô:

A televisão no Brasil foi absolutamente pioneira na América latina. Já em 1950 foi inaugurada, em São Paulo, a TV Difusora, canal 3, o que representou o grande movimento positivo da televisão. Nesse período, a televisão brasileira viveu um de seus momentos mais bonitos, por que a TV difusora, depois convertida em TV Tupi, canal em vez de procurar traduzir programas de rádio para a televisão, surgiu com uma linguagem própria (...) Foi uma televisão muito importante, mas talvez até avançada demais dentro da perspectiva que as próprias condições técnicas permitiam.

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Sobre a criação da televisão brasileira prevalece o folclore de que esse fato foi uma “aventura”. Sandra REIMÃO (2000, p.69), cita expressão de J. Straubhaar (1983) afirmando ter sido sim uma “aventura comercial do capital privado”. O que era investido não seguia caminho cego sem retorno. Atrás desse investimento veio um lastro de novos investimentos:

A TV, que começara de maneira improvisada, em poucos meses contara com grandes anunciantes que, através de agências de publicidade, começam a atuar mais seriamente nesse novo veículo (...) É também poucos meses após a implantação da TV Tupi que se inicia a fabricação de aparelhos de TV no Brasil - os televisores Invictus (...) O fato de ter sido o capital privado e, no caso, familiar, o instrumento de implantação da TV no Brasil, não implica que esta já tenha nascido dentro de um oligopólio. A TV Tupi integrava os Diários Associados, de propriedade de Assis Chateaubriand, que era um império; uma grande cadeia de órgãos de divulgação que chegou a compreender quase 100 empresas, sendo 33 jornais, 25 emissoras de rádio, 22 emissoras de televisão, uma editora, 28 revistas, duas agências de notícia, três empresas de serviço, uma de representação, uma agência de publicidade, duas fazendas, três gráficas e duas gravadoras de disco. (Straubhaar apud REIMÃO, 2000, p.69).

O argumento do russo-americano sobre a tal aventura do paraibano caiu por terra. Anos depois o pioneiro ficou conhecido como “O Rei do Brasil”. Tudo isso, graças a sua forte influência na política nacional e fácil trânsito entre as grandes personalidade e autoridades mundiais.

1.1. As redes nacionais, agora, internacionais

Há muito tempo o Brasil vem sendo referência quando o assunto é televisão. Seja no aspecto de qualidade de produções, seja no domínio das técnicas, improvisações ou de inovações nas transmissões de grandes acontecimentos e eventos. Já no ano de 1982 o mundo “entrou em rede” para acompanhar a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil. Em 1985, o mundo assistiu o primeiro Rock’in Rio1. E desde a década de 1970 o mundo já assistia a etapa brasileira da corrida automobilística de Fórmula 1. Na década de 1970 a

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tecnologia disponível nas emissoras nacionais era muito inferior às disponíveis aos países do chamado primeiro mundo.

Mesmo assim os profissionais daqui executavam suas atividades com reconhecida competência. Com o aumento do número de satélites nacionais e internacionais as transmissões se tornaram rotina e atividade simples. Os custos de geração de sinal via satélite já não eram absurdamente exorbitantes, como antes. Só para se ter uma idéia, o valor das cotas de patrocínio de eventos internacionais como olimpíadas e copas do mundo de futebol eram comercializadas com a grande preocupação de custear a enorme infraestrutura montada por cada emissora mais as horas de aluguel de usos de satélites. Dependendo da localização do evento é comum ser utilizado dois e até três satélites para que o sinal seja recebido em tempo real em nossos aparelhos de tevê.

Nesse campo, o Brasil demonstra pleno domínio de operacionalização do sistema de transmissão via satélite. Com a chamada era da globalização intensificada na década de 1990 o Brasil definitivamente não apenas se firmou como “globalizado” como também entrou no campo de gerador de sinal de satélite para o mundo. As emissoras brasileiras criaram canais de televisão específicos para o mundo globalizado. Desde de 1999, as

Organizações Globo têm o canal de televisão Globo Internacional, gerado do Rio de

Janeiro para o mundo, com programação mesclada com a grade de seus canais veiculados apenas no Brasil. De São Paulo é gerada a programação do Record Internacional, inaugurada em 1o. de junho de 2003, canal da TV Record. Em janeiro de 2004, a TV Bandeirantes divulgou que está preparando o lançamento de um canal internacional de notícias que vai ser transmitido na língua espanhola, para concorrer diretamente com o grupo da tevê norte americana CNN (Cable News Network ) em seu canal de programação em espanhol.

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1

Festival de rock que aconteceu em janeiro de 1995, com dez dias de duração, na cidade do Rio de Janeiro. Apresentaram-se bandas e a cantores famosos de diversos países. Posteriormente aconteceram as versões 1991, 2001 e 2004 na cidade de Lisboa, Portugal.

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Mesmo antes de o Brasil cair na rede mundial dos canais internacionais, grandes emissoras do mundo já dispunham desse sistema. Fora de seus países de origem, o acesso aos canais internacionais se dá pelo sistema de tv por assinatura. Veja no quadro abaixo, alguns exemplos de canais internacionais:

Inglaterra BBC World

Alemanha Deusche Welle Internacional Canadá TV5 Internacional

EUA ESPN, MTV, CNN Internacional, CNN Espanhol, Fox, Fox News, Sony, TNT, Boomberg, Discovery Channel, National Geographic e outros.

Itália RAI Internacional Japão NHK Internacional Portugal RTP Internacional

Muitos telespectadores não se dão conta, mas a grande maioria dos canais internacionais que ve iculam suas grades em espanhol e são oferecidos no sistema de cabo do Brasil estão instalados na Argentina, México, Venezuela e no Brasil, além de suas bases no país de origem. Outro fato comum aos grandes canais internacionais é a instalação de canais de televisão em outros países ou estabelecer associação com canais locais, que funciona como espécie de franquia. A programação é mesclada com produções internacionais e nacionais. O canal americano MTV (Music Television) têm canais em diversos países, além do Brasil e EUA. Aqui, o MTV verde amarelo é associado ao Grupo Abril. ESPN Brasil, National Geographic, Discovery Channel e outros são mais exemplos de canais internacionais com estrutura montada no Brasil e com programação em português.

Além da inevitável expansão global, os grupos de comunicação sabem que canais internacionais têm um grande potencial de mercado mundial. Os canais não querem “marcar território”, mas conquistar mercado além de suas fronteiras. Sabem também que as sociedades fazem questão de serem retratadas em seus canais locais, mas não abrem mão de saber o que está acontecendo no mundo. E querem ver isso na língua oficial de origem.

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1.2. Redes regionais

Quando a televisão foi instalada por aqui, muitos não acreditavam que o mercado do Brasil estivesse preparado para manter o negócio por muito tempo. Era um empreendimento caro e uma grande novidade. Dois pontos que desanimavam muitos investidores. O país era atrasado em muitos aspectos. Nossa política interna não era estável, a saúde da população vez por outra era facilmente abalada com uma simples gripe e a integração nacional parecia ser algo surreal. Desembarca a novidade eletrônica e pipocam várias emissoras nas principais capitais e algumas cidades de porte médio do Brasil. Na década de 1950 alguns empresários e políticos e políticos-empresários já possuíam jornais e/ou detinham concessões de rádios. O caminho natural desses homens de negócios era enveredar pela trilha do desconhecido na esperança de que algum dia o investimento no escuro desse resultado positivo. Inicialmente os canais produziam localmente a maioria de suas grades de programações. As emissoras de Assis Chateaubriand já formavam uma pseudo-rede. Chamada de Rede Associadas, em 1956 o grupo tinha emissoras instaladas em Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Campina Grande (PB), Fortaleza, São Luiz, Belém e Goiânia. A TV Tupi já funcionava no Rio de Janeiro desde 20 de janeiro 1951. A inexistência da transmissão via satélite era o principal motivo da pouca agilidade das emissoras. A chamada Rede Associada na verdade funcionava através do sistema de distribuição de fitas pelo malote dos correios ou através de transportadoras. Quando o avião atrasava ou a rota do vôo era alterada para outra cidade, a programação dos canais sofria alterações. No caso das novelas, o atraso das cópias de fitas era solucionado com a reprise do capítulo do dia anterior. As emissoras, que eram as irmãs pobres dos conglomerados e verdadeiros ralos de engolir dinheiro das rádios e jornais, começaram conquistar mercado e ter maior participação na fatia do bolo publicitário. Em 1956, as três emissoras de TV de São Paulo (Tupi, Record e Paulista) arrecadaram mais que as treze emissoras de rádio da capital.

A década de 1960 ficou marcada no setor das comunicações com o projeto de integração do Governo Federal. Criada em 1965, antes mesmo que o Ministério das Comunicações, em 1967, a Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicações -, com sede na cidade do Rio de Janeiro foi o maior divisor de águas no campo das comunicações no Brasil. A inauguração da Rede Nacional de Microondas, em 1968 foi outro grande salto

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de tecnologia para o país. Imediatamente as emissoras se prepararam para entrar em rede, por via terrestre. No ano seguinte, a TV Globo lança o “Jornal Nacional” e torna-se a primeira emissora a transmitir regularmente e m rede nacional.

O cenário estava mais que pronto para entrar no ar o sistema de redes. Foi o que aconteceu. São Paulo e Rio de Janeiro se firmaram como cidades-sede das “cabeças de rede”2 das grandes emissoras.

A grade de programação da TV Globo mais sua organização administrativa, contribuíram para que o número de emissoras afiliadas crescesse rapidamente. Nessa época os canais regionais já estavam melhores estruturados e também cresceram, surgindo daí algumas redes regionais. A TV Gaúcha, do Grupo RBS – Rede Brasil Sul de Comunicação, que foi implantada em 1962é uma das primeiras emissoras que se firmaram como rede regional. Além do grupo gaúcho, vários empresários de outros Estados e regiões do Brasil montaram redes regionais de considerável importância.

Tanto no aspecto da cobertura geográfica e também pela forte influência política e social nas regiões em que estão instaladas. Inversamente, a outrora colossal Rede Associada, da TV Tupi entrava em decadência chegando ao ponto de, no dia 14 de julho de 1980 ter sua concessão cancelada pelo Governo Federal.

A internet chegou para auxiliar emissoras na cobertura em nível global. Quase todos os canais brasileiros de televisão já transmitem também pela rede mundial. Mas o caminho para o estágio atual durou alguns anos e fez história.

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Veja algumas redes regionais do Brasil:

RBS – Rede Brasil Sul de Comunicação, nasceu em 1957 quando Maurício Sirotsky Sobrinho assumiu como sócio a direção da Rádio Gaúcha. Tão logo foi criada a TV Globo em 1965, a RBS passou a ser sua afiliada. Já em 1969, o grupo RBS estava estruturando a primeira Rede Regional de Televisão do país, com a inauguração da TV Caxias no interior do Rio Grande do Sul. A RBS é uma empresa que atua em vários segmentos da comunicação nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A estrutura do grupo é composta de 6 jornais, 22 estações de rádio, o Clic RBS (portal de internet com conteúdo regional), uma empresa de marketing de precisão - RBS Direct e em sociedade com a TV globo, a NET Sul, operadora de tv por cabo. É a maior rede regional de televisão do país. Integram o grupo ainda, 17 emissoras de televisão afiliadas TV Globo, dois canais de TV comunitária e uma operação no segmento de agro-negócio (Canal Rural), transmitindo para todo o Brasil no sistema de cabo e através de parabólica não codificada. Até hoje o grupo é de propriedade da família Sirotsky.

Rede Amazônica – Na região Norte do Brasil existe uma rede de comunicação tão grande e bem estruturada quanto outros grupos de regiões mais desenvolvidas. A Rede Amazônica foi fundada por Phelippe Daou em 1973. O grupo detém um imenso conglomerado de empresas de comunicação e eventos. A TV Amazonas é uma das principais empresas do grupo e chama para si a iniciativa de ter sido “a primeira geradora em cores, no Brasil” (www.portaldaamazonia.com.br, 2004). Com sede em Manaus, o grupo cresceu e se expandiu para outros estados da região. Cresceu tanto que montou uma sucursal em Brasília. A Rede Amazônica cobre toda a região norte, com exceção dos Estado do Pará e Tocantins. São 5 emissoras de TV que geram programação via satélite para Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Além dos canais afiliados à TV Globo, o grupo mantém um canal de televisão independente que cobre todo o Brasil. É o

Amazonsat que pode ser captado por antenas parabólicas não codificadas em todo Brasil e

em alguns países fronteiriços da região Norte do Brasil. Este canal já fez coberturas de diversos eventos internacionais que envolvem a Amazônia. Desde de 1997 tem parceria com rede de televisão americana CNN para veiculação de matérias jornalísticas. Naquele

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ano, dois repórteres do Amazonsat produziram matérias especiais sobre o Festival Folclórico de Parintins. O canal brasileiro diz que existe para “mostrar a Amazônia como ela é. Sem fantasias ou cores diferentes. Mostrar a nossa verdade, com a cara e a voz da Amazônia”. No sítio da empresa na internet consta ainda que

“A rede registra hoje 800 empregados nas várias categorias profissionais: jornalistas, radialistas, engenheiros, técnicos, pessoal administrativo, motoristas, técnicos em marketing, designers, artistas e contatos para venda dos espaços da programação. Todos os setores da rede são informatizados, tanto na sede da Empresa, em Manaus, como nas outras afiliadas e sucursal de Brasília.”

EPTV - Emissoras Pioneiras de Televisão. Inaugurada em 1o. outubro de 1979, a EPTV atua no interior do estado São Paulo e sul de Minas Gerais. Criada pelo empresário José Bonifácio Coutinho Nogueira, que também trabalhou na fundação e foi o primeiro presidente da TV Cultura de São Paulo. O grupo tem quatro canais de televisão que cobre as regiões de Campinas - sede da empresa - Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha, em Minas Gerais. São 292 municípios atingidos pelo sinal das emissoras do grupo. Os canais da EPTV produzem e veiculam diversos programas voltados para o mercado paulista. Alguns desses programas são comercializados com afiliadas da TV Globo, no Estado. Além da forte produção regional, a tv tem produzido alguns documentários especiais que são veiculados pela TV Globo em rede nacional, como o “Globo Repórter”.

RPC - Rede Paranaense de Comunicação, com sede em Curitiba foi fundada em 1960 pelo empresário e jornalista Francisco Cunha Pereira Filho, diretor da empresa desde 1960. Opera empresas de rádio, televisão e internet. Suas emissoras de tv têm geradoras em 8 cidades do estado.

Grupo Mirante de Comunicação – De propriedade da família do senador José Sarney, o grupo se fortaleceu na década de 1980, época em que o parlamentar esteve na presidência da República. O grupo, praticamente monopoliza os meios de comunicação no Maranhão. São rádios e emissoras de televisão espalhadas pelo Estado. Um grande jornal

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impresso e um portal de internet, baseados na capital, São Luiz. A rede de canais de televisão é composta de 4 geradoras e várias retransmissoras no Estado.

A Rede Bahia é dos grupos maiores grupos de comunicação regional do Brasil. São 15 empresas de propriedade da família do senador Antonio Carlos Magalhães. As 6 emissoras de televisão cobrem a região metropolitana de Salvador e 221 municípios do Estado da Bahia. O carro-chefe do grupo é a TV Bahia, fundada em 10 de março de 1985, época em que seu proprietário era Ministro das Comunicações. Depois de uma intensa disputa judicial com a TV Aratu de Salvador, o novo canal toma para si o direito de retransmitir a programação da TV Globo na Bahia. Em 31 de dezembro de 2000 foi inaugurada a TV Salvador, com programação voltada apenas para o mercado da região metropolitana de Salvador.

TV TEM – cobre 49,3% do estado de São Paulo. Mais detalhes no item 1.4.1.

A característica comum das redes regionais acima é que todas retransmitem a programação da TV Globo, ora gerada na central do Rio de Janeiro, ora em São Paulo. As outras redes nacionais também penetram em muitas cidades do Brasil através de filiadas e afiliadas, que em alguns casos também são redes regionais, só que de menor porte que as parceiras da TV Globo.

Além das redes regionais parceiras da TV Globo, o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão -, também expande seu sinal no Brasil através de emissoras regionais que funcionam no sistema de pequenas redes. Inaugurada em 19 de agosto de 1981, a Rede de Sílvio Santos é hoje a segunda maior emissora em cobertura nacional em número de emissoras filiadas e afiliadas. São 113 no total, cobrindo 98% da população do Brasil. Veja a seguir, a principais emissoras que compõem redes regionais que retransmitem a programação do SBT:

A TV RTP - Rede de Televisão Paraense é composta de quatro emissoras que cobrem diversas cidades do Estado do Pará.

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A TV Allamanda é uma rede regional que cobre várias cidades do Estado de Rondônia. É composta de cinco emissoras.

A TV Alterosa foi criada em 1962 e tem sua base em Belo Horizonte, Minas Gerais. Dois anos depois de criado foi incorporado pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand. Atualmente opera com quatro emissoras, mas seu sinal cobre todo o Estado de Minas Gerais desde 1996, através do satélite Brasilsat B1. O projeto de expansão foi batizado de “Minas Integrada”. O grupo, que é chamado de Sistema Estaminas de

Comunicação é a empresa de comunicação mais forte de Minas Gerais. Além das quatro

emissoras de televisão integram o grupo: os jornais “Estado de Minas” e “Diário da

Tarde”, a “Rádio Guarani FM”, o “Teatro Alterosa” e a produtora de comerciais Alterosa Cinevídeo.

TV A Crítica foi inaugurada em 2 de junho de 1971, com o antigo nome de TV Baré, numa alusão à nação indígena que habitava a região da capital Manaus. O grupo é composto de três emissoras de televisão e o jornal “A Crítica”, de maior circulação no estado do amazonas. Visando cobrir as muitas cidades de difícil acesso terrestre, o grupo investiu no sistema RC-SAT (Rede Calderado Satélite).

A TV Ponta Negra foi inaugurada em 4 de fevereiro de 1990. Tem mais cinco emissoras no Estado do Pará e detém ainda o controle da Rádio Ponta Negra. É uma rede regional de pequeno porte.

1.3. Televisão Pública

A história da televisão educativa brasileira nasce na verdade como TV Universitária. A pioneira entrou em operação no ano de 1967, na cidade do Recife, PE. Nasceu com TV Universitário do Recife, gerida pela Universidade Federal de Pernambuco. A partir de então surgiram canais educativos pelo país.

As diversas redes de canais educativos públicos e educativos do Brasil têm mantenedores variados. Alguns são sustentados pelos governos federal, estaduais,

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municipais ou por fundações. O estado de São Paulo, com a Rede Cultura e Minas Gerais com a Rede Minas, operando via satélite desde 1995, respectivamente. Ambas as redes têm muitos programas com a cara e cultura de seus estados. Cresceram e firmaram parcerias com outras emissoras ou canais por cabo. Para se ter uma idéia da malha da rede pública de televisão, veja o caso da Rede Minas: têm emissoras em 62 cidades que repetem seu sinal para mais de 200 municípios mineiros e ainda para duas retransmissoras fora de Minas. A TV Apoio, em Brasília, canal 43 UHF e o CNUB - Canal Universitário de Bauru, SP, pelo sistema do cabo. A Rede Cultura têm retransmissoras em 20 Estados mais Brasília, DF. A Cultura não chega ser uma rede regional. O fato de estar instalada na capital paulista acaba predominando a cobertura dos fatos que acontecem na grande São Paulo. O Interior do estado é retratado em documentários e algumas matérias esporádicas. Não existem equipes fixas que cobrem o interior. Mesmo assim a TV Cultura mantêm equipes próprias em Brasília e eventualmente recebe e veicula materiais gerados por outros canais educativos afiliados ou que mantém parcerias.

A Rede Brasil (TVE) não pode ser considerada rede regional por ter uma programação centralizada em sua sede, na cidade do Rio de Janeiro, mesmo tendo uma única filiada em São Luiz do Maranhão e cinco geradoras (Maceió / AL, Alfenas e Juiz de Fora / MG, Teresina / PI e Brasília-DF). Existem ainda 131 estações geradoras espalhadas pelo Brasil. O quadro de cobertura é grande, mas o conceito de rede de integração nacional da TV Educativa não se justifica, já que a participação, em rede, dos canais coligados é muito pequena. Além disso, algumas emissoras de pequeno porte firmam parcerias com a TV Educativa apenas para aumentar o tempo de suas grades e simplesmente repetem, na íntegra, vários programas produzidos no Rio de janeiro. Com sede em São José do Rio Preto (SP), a Rede Vida é o principal exemplo desse caso. Vale observar que as três redes públicas operam no sistema de parabólicas com acesso não codificado. Onde não existe repetidora, uma antena parabólica ajustada tecnicamente na faixa de freqüência correta capta seus sinais. Desde de 1998 os canais educativos brasileiros se uniram para formar a RPTV – Rede Pública de Televisão. Assim é comum a troca de programas entre os canais pelo Brasil.

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Em Brasília, existe a TV NBR – TV Nacional Brasil, que transmite programas da Rede Brasil e da TV Cultura de São Paulo. A NBR também gera muitas coberturas de eventos políticos que acontecem na capital federal.

Com o funcionamento dos canais legislativos federais (TV Senado e TV Câmara) e estaduais (TV´s Assembléias e Legislativas), esse leque de canais aumentou consideravelmente.

O conceito de rede entre as emissoras brasileiras se popularizou depois do advento do satélite. Muitas emissoras têm apenas uma sede geradora de programação, sem filiadas ou afiliadas. Ao entrarem no sistema de transmissão via satélite, adotam o termo “rede”. Na verdade são redes de apenas um canal.

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1.4. Mídia em Bauru

Os órgãos de comunicação de Bauru surgem e desaparecem com relativa constância, principalmente os sítios eletrônicos. A listagem abaixo tem uma particularidade com relação aos donos ou gestores dos meios de comunicação de Bauru: apenas cinco deles têm vínculo assumido com políticos profissionais1. Mas no contexto geral, todos os meios de comunicação de Bauru abrem espaços considerável para todas as correntes políticas.

A seguir, a relação dos meios de comunicação existentes no período entre março de 1998 a julho de 2003 - fase final desta pesquisa. São vinte e seis órgãos de comunicação. Todos com prod ução local:

I M P R E N S A E M B A U R U

MÍDIA IMPRESSA RÁDIOS AM RÁDIOS FM CANAIS DE TV PORTAIS WEB Jornal da Cidade Auriverde Unesp FM TV Record5 imodelo.com6 Diário de Bauru2 Bandeirantes 94 FM TV Tem baurutem.com.Br Revista Atenção Jovem P an FM 96 TV Prevê aginterior.com7 Revista Cadência3 Universal Universal FM

TV Câmara tvtem.com

Revista Atenção e Revista Já4 Veritas FM Canal Universitário de Bauru CNUB8 Canal + FM

Comunitária

TV Comunitária de Bauru TV COM9

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1

Jornal da Cidade; Auriverde; FM 96; TV Prevê e TV Comunitária de Bauru - TV COM.

2

O jornal Diário de Bauru foi desativado em dezembro de 1999.

3

Desativada em 2003.

4

Revistas de publicação mensal que enfocam o colunismo social da cidade.

5TV Record foi inaugurada em Bauru em maio de 1999. Antes o canal 4 era ocupado pela TV São

Paulo Centro (que repetiu os sinais da Rede Manchete e depois Rede Bandeirantes). Antes de TV São Paulo Centro, a emissora se chamava TV FR (Fausto Rocha), que repetiu a programação da Rede OM (Organizações Martinez), depois batizada de CNT (Central Nacional de Televisão) com sede em Curitiba, Paraná.

6

www.tvmodelo.com.br. Sítio oficial da antiga emissora. Retirado do ar a partir de abril de 2003 quando a emissora passou a se chamar TV Tem.

7

Desativada em 2003.

8

O Canal Universitário de Bauru – CNUB é composto pela Universidade Paulista, (UNIP), Universidade do Sagrado Coração, (USC) e Faculdades Integradas de Bauru, (FIB).

9

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Segundo informações da NET Bauru10 existem na cidade cerca de dezoito mil pontos de assinantes instalados. A própria operadora de TV por cabo usa esse número multiplicando por quatro, sugerindo que em cada ponto de assinante, pelo menos mais três pessoas têm acesso ao sistema. Com isso, o número potencial de telespectadores da TV Câmara salta para setenta e dois mil. É um número alto frente às sessenta e três poltronas disponibilizadas nas galerias da Câmara Municipal de Bauru para que o público possa acompanhar as sessões e reuniões públicas.

1.4.1. Pioneirismo no interior paulista: no ar, TV Bauru

A cidade de Bauru está localizada na região central do Estado de São Paulo. Sua emancipação política se deu em 1896. Em 2003, a população da cidade somava 331.982 habitantes (www.ibge.gov.br, 2004). A cidade se desenvolveu11 sustentada no tripé de três empresas ferroviárias: Sorocabana, Ferrovia Paulista e Noroeste do Brasil. Pelos trilhos da ferrovia chegaram à cidade gente de muitas regiões do Brasil e do exterior – principalmente italianos, portugueses e árabes. E foi um italiano nato que fez história nas comunicações da cidade. João Simonetti implantou o primeiro sistema de alto falante na cidade. A primeira concessão de rádio de Bauru, também conseguida por Simonetti, foi outorgada em 26 de abril de 1935. Anos depois o pioneiro do rádio trouxe para Bauru, uma emissora de TV. O estigma de pioneirismo é muito presente no cotidiano da cidade. A comunidade enche o peito quando fala que o primeiro astronauta brasileiro, major da aeronáutica, Marcos César Pontes, está se preparando nos laboratórios da NASA , EUA, para ir ao espaço. Fala ainda que o Jornal da Cidade foi o primeiro jornal do interior paulista a ser impresso em off set – um avanço para o setor.

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10 dados extra-oficiais passados por telefone em abril de 2003, pois a operadora em Bauru se reserva

o direito de não emitir qualquer algum documento por escrito, alegando que são informações reservadas.

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Creditamos essa importância por Bauru ser uma cidade de porte médio no estado mais desenvolvido do Brasil. O reflexo dessa realidade social colabora para a manutenção de diversos canais de tevê – instrumento de custo elevado.

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Bauru tem uma participação considerável na história da comunicação brasileira, principalmente quando se trata do meio TV. Está registrada como data oficial de inauguração da TV PRG-8 canal 2, em 1o. de agosto de 1960. Mas nos meses anteriores já haviam sido feitas diversas transmissões experimentais.

O imigrante italiano João Simonetti tinha o dia 30 de maio de 1886 como data oficial de nascimento na cidade de Dois Córregos, interior de São Paulo.

Na verdade, a origem italiana fora alterada em cartório para que não houvesse problemas com a concessão da Rádio PRG-8, outorgadas apenas a brasileiros natos como já rezava a Constituição Federal na época.

A PRG-8 foi inaugurada em 26 de abril de 1935. Em 1957, Simonetti obteve outra concessão. Dessa vez foi a Rádio Terra Branca FM, inaugurada em 13 de janeiro de 1958. Não chegou a operar regularmente por que eram raríssimos os aparelhos que operavam na moderna freqüência.

Essas iniciativas de instalar rádios e canal de TV em Bauru estavam calcadas na confiança do forte movimento comercial que Bauru abrigava na década de 1950.

O marco histórico de Bauru ter montado o primeiro canal de televisão local fora do eixo das capitais, tem rendido diversas citações bibliográficas e até orgulho na cidade. Hoje a TV PRG-8 chama-se TV TEM (afiliada da TV Globo). Fundada como PRG 8, João Simonetti não suportou o alto custo de manutenção da emissora e a vendeu para as OVC - Organizações Victor Costa, que mudou o nome para TV Bauru.

Em 1975, foi a vez de Roberto Marinho comprar o canal e o rebatizou de Rede Globo Oeste Paulista e depois, TV Modelo. Atualmente chama-se TV Tem. A penúltima troca se deu em outubro de 1998. Na noite do dia 17 aconteceu um show musical em praça pública, com a dupla caipira “César e Paulinho” para marcar o fato. O argumento do novo nome foi justificado pelo pioneirismo e valorização da programação regional. Matéria do jornal da Cidade diz que “a comunidade será beneficiada com uma programação mais

voltada para a região e cobertura jornalística de maior abrangência, tudo com tecnologia de primeira e grandes investimentos” (Jornal da Cidade, 16 out. 1998, p.12).

Até 2002 a emissora pertencia ao grupo da TV Globo, da família Marinho, quando foi vendida para o jornalista (ex-empregado da TV Globo) e empresário do setor esportivo,

Referências

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