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CONDIÇÕES DO MERCADO DE TRABALHO NO SETOR DE SERVIÇOS NORDESTINO

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CONDIÇÕES DO MERCADO DE TRABALHO NO SETOR DE

SERVIÇOS NORDESTINO

Loraine Menêses dos SantosIvan Targino Moreira♦ Palavras-Chave: Reestruturação Produtiva; Setor de Serviços

Resumo

O processo de reestruturação produtiva pelo qual passam as economias capitalistas gera uma série de transformações tecnológicas e mudanças no processo de trabalho, que afetam tanto os setores de bens materiais quanto os imateriais. Nesse contexto, em meio às mudanças ocorridas no mercado de trabalho, destaca-se a redução dos postos de trabalho nos setores agrícola e industrial, e a expansão no setor de serviços. Deve-se notar que, enquanto, nas economias mais desenvolvidas, a expansão das atividades terciárias associou-se às mudanças dos novos processos tecnológicos, com a criação de ocupações que exigiam trabalhadores multifuncionais e mais qualificados, nos países economicamente atrasados, como o Brasil, tal expansão tem sido vista como um quadro de deficiência e atraso dos demais setores econômicos. Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar os impactos da reestruturação produtiva no setor de serviços nordestino, partindo da caracterização e observação de seu comportamento evolutivo no período entre 1990 e 2003. Tal análise constituiu-se inicialmente na apresentação do impacto da reestruturação produtiva no mercado de trabalho, passando, posteriormente, para a avaliação do processo de absorção de mão-de-obra no setor de serviços nordestino. A partir da análise dos dados da PNAD e da RAIS, verificou-se que o processo de terciarização no Nordeste, assim como no Brasil, está associado principalmente à expansão dos serviços tradicionais, intensivos de mão-de-obra. Desse modo, a melhoria em variáveis, como o nível de instrução, está mais relacionada à baixa oportunidade de empregos nessa região do que a um aumento da exigência de maior qualificação profissional por parte das empresas frente ao processo de reestruturação.

Trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú - MG – Brasil, de 18 a 22 de setembro de 2006.

Mestranda em economia pelo CME/UFPB. ♦

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CONDIÇÕES DO MERCADO DE TRABALHO NO SETOR DE

SERVIÇOS NORDESTINO

Loraine Menêses dos SantosIvan Targino Moreira

1. O Impacto da Reestruturação Produtiva no Mercado de Trabalho

A partir da década de setenta, observou-se um processo de reestruturação produtiva1, marcado pela introdução de inovações tecnológicas e por novas políticas de gestão do trabalho. Esse processo foi introduzido inicialmente em economias avançadas e se disseminou gradativamente pelas menos desenvolvidas, afetando tanto os setores de bens materiais quanto os imateriais.

De acordo com HARVEY (1998:140), o processo de reestruturação produtiva pelo qual passam as economias mundiais baseia-se na flexibilização dos processos de trabalho, do mercado de trabalho, dos produtos e dos padrões de consumo. No âmbito do processo de trabalho, observar-se que a flexibibilidade se concretizou pela introdução de novas tecnologias - como a microeletrônica e a informática - que permitiu a programação de máquinas e equipamentos para a obtenção de uma produção variada e não mais inteiramente padronizada. Assim, uma empresa poderia orientar a sua produção conforme as flutuações da demanda e a instabilidade dos mercados (GOUNET, 1999; BENKO, 1996).

Neste contexto, outra tendência notada com o emprego de novas tecnologias foi a redução do porte das empresas (desintegração vertical), que se tornaram mais especializadas com o intuito de conseguirem maior competitividade e produtividade. Dessa forma, as economias de escala, buscadas na produção fordistas, foram sendo substituídas por economias de escopo. Por outro lado, observou-se a ampliação da subcontratação, na forma de terceirização, como alternativa para a redução de custos (KON, 1999; HARVEY, 1998).

Além da necessidade de se atender a um público que pedia produtos diferenciados, em pequenas quantidades, o acirramento da competição por novos mercados fez as empresas adotarem novos métodos de organização do trabalho. Dentre as inovações no interior da firma pode-se mencionar o plano de metas, o just-in-time, o kanban e os programas de qualidade total. Segundo DRUCK (1999:40), enquanto o just-in-time significa produzir no momento certo a quantidade demandada exata, com o mínimo de recursos possíveis, o kanban, por sua vez, é um sistema de informações dos vários estágios de produção e estoque, que permite as empresas trabalharem com estoque zero.

Na esfera do trabalho, por sua vez, a busca pela flexibilidade, de acordo com BENKO (1996:120), dar-se-ia na organização do trabalho, como flexibilidade funcional, e no mercado de trabalho, como flexibilidade numérica.

Na flexibilidade funcional, as empresas modificariam as tarefas efetuadas por seus empregados em virtude de mudanças na demanda e na tecnologia. Nesse caso, a utilização de

Trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú - MG – Brasil, de 18 a 22 de setembro de 2006.

Mestranda em economia pelo CME/UFPB. ♦

Professor da Universidade Federal da Paraíba – UFPB/CAMPUS 1. 1

Por reestruturação produtiva entende-se o processo de formação de um novo padrão industrial, que tem, como elemento chave, mudanças na base técnica da produção e nas relações de trabalho a partir do chamado sistema de produção flexível.

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novos métodos de organização do trabalho exigiria o emprego de uma mão-de-obra mais qualificada, polivalente e comprometida com os resultados da empresa. Diante disso, para uma vertente de pesquisadores (AMADEO, 1998), a introdução de novas tecnologias teria melhorado a qualificação da mão-de-obra, visto o aumento da demanda por parte das empresas pela maior qualificação profissional.

Contudo, a visão acima não é consensual entre os pesquisadores. Há outra vertente (ANTUNES, 2002; POCHMANN, 2001) que afirma que a reestruturação produtiva estaria criando efeitos nocivos aos trabalhadores, intensificando as condições de exploração da força de trabalho, ao eliminar o trabalho improdutivo, que não cria valor. Nesse contexto, o aumento da qualificação profissional não estaria associado à existência de requisitos adicionais no conteúdo dos postos de trabalho, mas sim à grande oferta de mão-de-obra, que faria que trabalhadores qualificados aceitassem empregos com baixa remuneração e que exigem menor escolaridade.

Já na flexibilidade numérica, por sua vez, as empresas ajustariam com facilidade e rapidez o número de empregados e o nível de salários, para enfrentarem as flutuações na demanda. Convém salientar que, vários estudos que analisam o impacto da reestruturação no mercado de trabalho (DEDECCA, 2001; HARVEY, 1998) mostram que essa forma de flexibilidade tem promovido a redução dos empregos estáveis nas empresas, em favor do aumento do uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado. Dessa forma, percebe-se que a busca das empresas por maior flexibilidade foi completada pela menor intervenção do Estado na regulamentação das relações trabalhistas, que tornou possível para as empresas imporem contratos e jornadas de trabalho mais flexíveis.

Além disso, as transformações ocorridas nas relações de trabalho associadas à introdução de novos processos tecnológicos, ao aumentarem a fragmentação no interior da classe trabalhadora, enfraqueceram o poder dos sindicatos, o que, por sua vez, deu mais liberdade às empresas para regular as condições de uso e remuneração da força de trabalho (ANTUNES, 2002).

Cabe ainda destacar que, em meio às mudanças ocorridas no mercado de trabalho relacionadas à reestruturação produtiva, uma tendência que tem chamado a atenção de pesquisadores é a redução dos postos de trabalho nos setores agrícola e industrial, e a expansão no setor de serviços2.

2. Evolução do Emprego Terciário

Em meio ao contexto econômico atual, destaca-se a expansão da participação do setor de serviços no produto e no nível de emprego em vários países, independente do estágio de desenvolvimento em que eles se encontram. Embora, nos países mais desenvolvidos, o processo de terciarização3 da economia tenha sido observado no período pós-guerra, foi nos anos setenta que esse processo se intensificou e ficou mais evidente (HARVEY, 1998:148). Pode-se ver pela Tabela 1 uma redução da participação relativa dos empregos nos setores agrícola e industrial e um aumento da importância do setor de serviços tanto em países desenvolvidos, como E.U.A e Alemanha, quanto nos denominados em desenvolvimento, como Brasil e México.

2

Os termos setor de serviços e setor terciário serão tratados como sinônimos. A definição do setor de serviços baseia-se na classificação de Fisher-Clark (apud KON, 1999), na qual corresponde ao resíduo da produção econômica após a mensuração dos setores agropecuário e industrial.

3

Cabe destacar que terciarização e terceirização se tratam de fenômenos diferentes. Por terciarização, entende-se o aumento da importância do entende-setor de entende-serviços na economia, entende-seja na geração de renda entende-seja como fonte de ocupação de mão-de-obra. Terceirização, por sua vez, trata-se de externalizar atividades que antes eram realizadas dentro da mesma firma.

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Tabela 1

Distribuição Percentual da Força de Trabalho por Setores. E.U.A, Reino Unido, Japão, México, Alemanha e Brasil:1980–2000

De acordo com ALMEIDA (1973:35), para alguns autores, baseados na teoria dos estágios de desenvolvimento de Rostow4, a expansão do setor de serviços verificada nas economias (desenvolvidas ou não) é um indício que essas economias estariam se encaminhando para uma “sociedade pós-industrial”. Com base nesse raciocínio, como o setor de serviços seria composto por bens superiores5, o crescimento da renda implicaria em aumento mais do que proporcional do consumo de serviços. Todavia, faz-se necessário comentar que o crescimento do setor de serviços em economias menos desenvolvidas não sinaliza que elas estejam alcançando estágios de desenvolvimento compatíveis com os observados nas economias avançadas.

4

Para Rostow, após a economia ter atingido certo grau de complexidade no setor industrial, as atividades terciárias tenderiam a se tornarem relativamente mais importantes. A intensificação da importância do setor de serviços se daria nos últimos estágios de desenvolvimento: elevado consumo em massa e pós-consumo.

5

A elaticidade-renda da demanda (Er) é uma medida da sensibilidade da demanda à variações na renda do

consumidor. Quando Er < 0, o bem é considerado inferior, por outro lado, se 0 <Er < 1, o bem é considerado

normal. E, por fim, Er > 1, o bem é considerado superior.

Participação (%)

ANO Agropecuário Indústria Serviços

E.U.A 1980 3,55 30,76 65,69 1990 2,86 26,45 70,70 2000 2,56 23,18 74,26 2004 1,60 20,80 77,60 Reino Unido 1980 2,58 37,22 60,20 1990 2,13 32,29 65,58 2000 1,53 25,32 73,15 2004 1,27 22,16 76,56 Japão 1980 10,42 35,34 54,24 1990 7,22 34,07 58,71 2000 5,06 31,23 63,71 2004 4,52 28,40 67,08 México 1991 26,82 23,08 50,10 2000 18,05 26,75 55,20 2004 16,40 24,82 58,78 Alemanha 1991 4,21 40,25 55,54 2000 2,70 33,06 64,24 2004 2,33 30,81 66,86 Brasil 1980 29,95 25,48 44,56 1991 22,71 23,60 53,69 2000 18,70 21,44 59,86

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Nesse sentido, para outros autores, o processo de terciarização da economia poderia está atrelado ao diferencial de produtividade entre os setores industrial e serviços. Dado que o crescimento da produtividade dos serviços seria inferior ao da produção manufatureira, um aumento homogêneo da demanda na economia promoveria o crescimento do emprego no setor de serviços, que teria de contratar mais, em virtude da defasagem de produtividade.

Contudo, é necessário salientar que o setor de serviços é composto por atividades bastante heterogêneas. De maneira geral, as atividades terciárias são tidas como trabalho-intensivas, ou seja, são baseadas especialmente em mão-de-obra e utilizam pouco capital. Entretanto, com o processo de reestruturação produtiva, alguns segmentos do setor de serviços tornaram-se capital-intensivos, como por exemplo, telecomunicações e intermediação financeira. Dessa forma, embora o setor de serviços seja, de modo geral, trabalho-intensivo e, por isso, apresenta menores ganhos de produtividade, o raciocínio do diferencial de produtividade não se aplica a todo o terciário (SANTOS e JORGE, 2006).

Por outro lado, pode-se atribuir parte da expansão dos serviços com base no aumento da demanda por serviços ao produtor, gerado pela reestruturação produtiva. Desse modo, é necessário notar que a adoção de métodos de produção flexível, aliada aos processos de concentração e centralização de capital, aumentaram a necessidade da criação de uma rede de empresas de serviços auxiliares. Nesse contexto, cabe destacar a expansão da exportação de serviços (financeiros, consultoria, auditoria, entre outros) e o incremento de sua participação no investimento estrangeiro direto, no caso específico do Brasil, especialmente nas atividades de telecomunicações e intermediação financeira (ALMEIDA, 2000).

Além disso, pode-se mencionar também a prática da terceirização por parte das empresas, como alternativa para a redução de custos. Tal prática abrange tanto serviços modernos que utilizam mão-de-obra qualificada quanto serviços tradicionais que empregam mão-de-obra semiqualificada. Todavia, a terciarização não representa uma boa justificativa para a expansão do setor de serviços, pois ela não gera efeito quantitativo sobre o emprego total, apenas deslocamento setorial.

Nesse sentido, faz-se necessário observar que, o crescimento da importância dos serviços nas economias capitalistas pode está menos relacionado ao processo de terceirização e mais ao aumento da interdependência da produção de bens e serviços, criado pelas novas exigências industriais. Para MELO (1998:4), “o uso de novas tecnologias vem exigindo o aparecimento de novos serviços e fazendo de muitos deles insumos fundamentais para os demais setores econômicos, particularmente para a indústria”.

Nesse contexto, é necessário notar que, enquanto, nas economias mais desenvolvidas, as atividades terciárias que ganharam maior importância na estrutura ocupacional foram aquelas associadas às mudanças no paradigma técnico-produtivo, que exigem uma mão-de-obra com maior qualificação profissional, nos países economicamente atrasados, por sua vez, o crescimento do setor de serviços tem sido visto como um quadro de deficiência e atraso dos demais setores econômicos. Portanto, nas economias menos desenvolvidas, em virtude da incapacidade dos setores agrícola e industrial de absorverem mão-de-obra, cabe ao setor de serviços assumir o papel de amortecedor social (POCHMANN, 2001:57).

Em virtude de ganhos de produtividade no setor agrícola e à busca de maiores rendimentos nas cidades, os trabalhadores ocupados nesse setor abandonariam o campo. Esta força de trabalho não qualificada vinda do campo é absorvida inicialmente pelo setor de serviços, permanecendo nele por certo tempo, para adquirir o preparo para assumir atividades que requisitam maior qualificação, deslocando-se eventualmente para o setor secundário. A mão-de-obra que permanece no setor terciário acaba trabalhando em serviços tradicionais, intensivos de mão-de-obra pouco qualificada e com baixa remuneração, e em pequenas e médias empresas de base familiar.

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Participação (%)

ANO Agropecuário Industrial Serviços

1970 21,0 27,4 51,6 1980 17,3 29,3 53,4 1985 16,2 30,2 53,6 1990 12,8 27,5 59,7 1995 10,2 20,0 69,8 2000 (US$) 9,4 35,6 55,0

Fonte : Boletim Conjuntural do Nordeste. SUDENE

No Brasil, de acordo com vários autores (ROGGERO, 1998; KON, 1992), o processo de terciarização tem sido relacionado especialmente à dinâmica da atividade industrial e à urbanização. Diante disso, pode-se dizer que a saída da força de trabalho do campo para a cidade, ao promover a concentração de pessoas e atividades, aumenta a demanda por atividades terciárias, como transporte, por exemplo.

Além disso, estudos que analisam a economia de serviços (MELO, 1998; KON, 1997), destacam que o aumento da importância do setor de serviços na estrutura ocupacional deve-se principalmente à expansão dos serviços tradicionais, intensivos de mão-de-obra pouco qualificada e com baixa remuneração. Cabe ainda salientar, o crescimento de trabalhadores que trabalham por conta própria, sem carteira assinada, e de pequenas e médias empresas de base familiar que são trabalho-intensivas.

2. 1. Condições do Mercado de Trabalho no Setor de Serviços Nordestino

No que concerne a região Nordeste, observa-se que entre 1970 a 2000, o setor de serviços representou o setor mais dinâmico da região Nordeste, representando mais 50% do PIB regional, como mostra a Tabela 2, que apresenta a participação setorial na produção nordestina de 1970a 2000. Contudo, deve-se notar que embora a participação dos serviços na produção regional tenha aumentado, durante as décadas de oitenta e noventa sua taxa de crescimento vem diminuindo (Ver tabelas 2 e 3).

Pode-se ainda observar pela Tabela 2 que a importância do setor agropecuário na composição do PIB nordestino vem diminuindo desde a década de 70, e manteve-se em queda até o ano de 2000, quando registrou uma participação de 9,4%.

Tabela 2

Participação do PIB Setorial no PIB Global da Região Nordeste do Brasil- 1970/2000

No que se refere ao setor industrial nordestino, observa-se que no período entre 1970/85 as atividades industriais aumentaram a participação no produto regional, representando em 1985, 30,2% do PIB. De acordo com SANTANA (2001), durante esse período notou-se uma mudança no direcionamento das políticas industriais no Nordeste. Enquanto, no período entre 1970/74, buscou-se diversificar a estrutura industrial e modernizar as indústrias tradicionais (com o intuito de permitir maior autonomia à economia nordestina), entre 1975/1980, por sua vez, as políticas industriais tinham o objetivo de explorar os recursos naturais da região, contribuindo, assim, para a integração da produção nacional.

Nesse contexto, na segunda metade dos anos oitenta teria ocorrido apenas a maturação dos investimentos realizados no Nordeste, sem grandes alterações da estrutura produtiva.

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Período Agropecuário Industrial Serviços Total

1970-80 5,4 9,1 10,2 8,7

1980-90 1,5 1,0 4,6 3,3

1990-99(1) -1,6 4,0 3,5 3,0

Fonte: Tabela extraída do Boletim Conjuntural do Nordeste do Brasil. SUDENE (1)Dados Preliminares para os anos de 1990- 1999

Participação (%)

ANO

Agropecuário Industrial

Serviços

1970 62,54

10,63

26,83

1980 49,85

16,08

34,06

1991 37,56

15,89

46,55

2000 31,70

15,47

52,83

Fonte: Elaboração Própria a partir dos Censos Demográficos de 1970,1980,1991e 2000. IBGE

Dessa forma, a Tabela 3 permite observar que durante os anos oitenta, período de recessão para a economia brasileira, a taxa de crescimento de todos os setores produtivos no Nordeste caiu, destaque para o setor industrial que alcançou uma taxa de crescimento de apenas 1%.

Tabela 3

Taxa Média Anual de Crescimento do PIB real do Nordeste, segundo os setores econômicos - 1970 – 1999 (%)

Durante a segunda metade dos anos oitenta e o início dos anos noventa, a participação industrial na composição do PIB regional manteve-se em queda. Tal tendência pode ser explicada pela abertura da economia brasileira, realizada na primeira metade dos anos noventa, na qual, as empresas brasileiras, para não entrarem em falência, viram-se forçadas a passarem por um processo de reestruturação produtiva, com o intuito de ganharem competitividade.

Os dados apresentados pela Tabela 2 mostram uma recuperação da atividade industrial no Nordeste na segunda metade dos anos noventa, representando em 2000, 35,6% do PIB regional. A taxa média de crescimento da indústria nordestina foi na década de noventa de 4%, quase o dobro da indústria nacional, que foi de 1,9%6.

Quanto à evolução do emprego, deve-se notar que a tendência do aumento da participação da força de trabalho no setor de serviços e da redução do emprego no setor agrícola e industrial observada para a economia brasileira, também se verifica na região nordestina, como mostra a Tabela 4.

Tabela 4

Distribuição da Força de Trabalho por Setores. Nordeste:1970-2000

No Nordeste, o crescimento do emprego terciário aparenta está ligado a atividades tidas como trabalho-intensivas que não exigem alta qualificação profissional, com baixa remuneração, e aos investimentos do governo. Segundo dados da RAIS7, apesar da tentativa

6

Dado extraído do Boletim Conjuntural do Nordeste do Brasil. SUDENE 7

Convém salientar que, como os dados da RAIS abrange apenas o emprego formal, não é possível obter informações sobre o emprego informal, que tem um papel importante na absorção de mão de obra no setor de serviços. Optou-se, a partir das informações da RAIS, dividir o setor de serviços em oito subsetores: COM (comércio varejista e atacadista), INST FINANC (instituições de crédito, seguros e capitalização), ADM TEC PROF (com. e administração de imóveis, valores mobiliários, serviços técnico- profissionais), TRAN E COM

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1990 1995 2000 2003 ATIVIDADES

ECONÔMICAS Nº Part.% Nº Part.% Nº Part.% Nº Part.%

COM 415099 16,17 464320 16,42 628678 18,86 756.623 19,23

INST FINANC 109.971 4,28 80.920 2,86 60.062 1,80 61.501 1,56 ADM TEC PROF 197.942 7,71 223.459 7,90 310.571 9,32 400.578 10,18 TRAN E COM 131.192 5,11 191.690 6,78 189.622 5,69 186.272 4,73 ALOJ COMUNIC 337.426 13,14 215.551 7,62 333.889 10,02 395.918 10,06 MED ODON VE 66.486 2,59 153.937 5,44 140.899 4,23 164.010 4,17 ENSINO 49.558 1,93 210.014 7,43 142.359 4,27 160.830 4,09 ADM PUBLIC 1.259.847 49,07 1.287.485 45,54 1.526.055 45,80 1.808.908 45,97 Total 2.567.521 100 2.827.376 100 3.332.135 100 3.934.640 100

Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados da RAIS-on line

ATIVIDADES ECONÔMICAS

1990/1995 1995/2000 2000/2003 90/2003

COM 1,89 5,18 4,74 4,38

INST FINANC -4,98 -4,85 0,59 -4,07

ADM TEC PROF 2,04 5,64 6,57 5,16

TRAN E COM 6,52 -0,18 -0,44 2,54 ALOJ COMUNIC -7,20 7,57 4,35 1,15 MED ODON VE 15,02 -1,46 3,87 6,66 ENSINO 27,21 -6,27 3,10 8,77 ADM PUBLIC 0,36 2,87 4,34 2,62 Total 1,62 2,78 4,24 3,10

Fonte: Elaboração Própria. RAIS- on line

do Estado, nos últimos anos, de cortar gastos, incentivando a saída de funcionários públicos, o emprego no setor público apresentou um percentual de participação superior a 45,0 % no período de 1990-2003, como mostra a Tabela 5. Deve-se notar que, a forte presença do Estado dar, em parte, uma maior estabilidade ao emprego nos serviços frente às oscilações da economia, absorvendo uma boa parte da mão-de-obra nas atividades de saúde, educação, segurança, entre outras.

Tabela 5

Distribuição do Emprego Formal por Atividades Terciárias. NE -1990-1995-2000-2003

Dentre os segmentos do setor de serviços na região, o COM, tida como uma atividade que exige pouca qualificação, foi o segundo segmento que mais empregou nesse setor, durante o período de 1990 a 2003. Além disso, ele foi o segundo segmento que mais cresceu entre 2000 a 2003 e o quarto, de 1990 a 2003 (Ver Tabela 6).

Tabela 6

Taxa de Média Geométrica de Crescimento, por atividade econômica, do número de pessoal ocupado no setor de serviços do Nordeste –1990/2000

(transporte e comunicação), ALOJ COMUNIC (serviços de alojamento, alimentação, reparação, manutenção, redação), MED ODON VE (serviços médicos, odontológicos e veterinários), ENSINO e ADM PUBLIC (administração pública direta e autárquica). Cabe mencionar que uma limitação dos dados da RAIS é que apenas abrangem o emprego formal na economia.

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Escolaridade 90 Part. % 2003 Part. % Var. % Analfabeto 128.748 5,14 41.777 1,06 -208,18 4ª série incompleta 264.324 10,55 243.313 6,18 -8,64 4ª série completa 294.540 11,76 213.392 5,42 -38,03 8ª série incompleta 242.116 9,67 312.914 7,95 22,63 8ª série completa 337.682 13,48 481.748 12,24 29,90 2º grau incompleto 188.462 7,52 269.207 6,84 29,99 2º grau completo 687.553 27,45 1.539.178 39,12 55,33 Superior incompleto 78.425 3,13 156.425 3,98 49,86 Superior completo 283.038 11,3 676.686 17,2 58,17 Total 2.504.888 100 3.934.640 100 36,34

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

Além da ADM PUBLIC e do COM, outros segmentos que possuem importância na ocupação da mão-de-obra são os de ALOJ COMUNIC, e ADM TEC PROF. Ambos os segmentos alternam-se durante os anos para ocupar a terceira posição na participação no emprego terciário formal. Contudo, pode-se vê pela Tabela 5 que somente o ADM TEC PROF e o COM foram os segmentos que aumentaram sua participação no setor de serviços durante todo o período analisado.

Com respeito aos segmentos de ENSINO e MED ODON VE, deve-se comentar que no período entre 1990 a 2003, foram as atividades que apresentaram as maiores taxas de crescimento, destaque para ENSINO que cresceu 8,77%. Entretanto, a partir da segunda metade da década de noventa, tais segmentos apresentam redução na participação do emprego formal no setor de serviços nordestino.

Já INST FINANC e TRAN E COM foram segmentos que apresentação redução de suas participações no emprego terciário da região nordestina. Como se pode vê na Tabela 6, o segmento INST FINANC, em especial, teve uma taxa de crescimento de –4,07%. Nesses segmentos, segundo estudos a nível nacional, o uso de novas tecnologias implicou na eliminação de numerosos postos de trabalho, em virtude do aumento da produtividade, e a exigência por uma mão-de-obra cada vez mais qualificada. Tal fato provoca a remoção no mercado de trabalho de uma importante parcela de trabalhadores com baixos níveis de escolaridade.

Tabela 7

Nível de escolaridade do pessoal ocupado no setor de serviços. NE:1990-2003

Contudo, no período entre 1990 e 2003, não só o emprego formal no setor de serviços nordestino cresceu 3,10%, como também aumentou o nível de escolaridade da mão-de-obra empregada nesse setor. A partir da Tabela 7, percebe-se uma redução percentual de trabalhadores com níveis de formação inferior ao 2º grau completo, em contraposição a um aumento da participação de ocupados com 2º grau completo, superior incompleto e superior completo. Tal comportamento também foi verificado nos segmentos que mais empregaram no setor de serviços (Ver Tabelas 8 e 9).

Tabela 8

Nível de Escolaridade da mão-de-obra ocupada nos segmentos que mais empregaram no setor de serviços nordestino – 1990

(10)

Escolaridade ADM PUB % COM % ADMTECPRO % ALOJCOM % Analfabeto 23.870 1,32 4060 0,54 5.071 1,27 6.352 1,6 4ª série incompleta 138.726 7,67 28335 3,74 30.517 7,62 29.107 7,35 4ª série completa 105.248 5,82 30801 4,07 29.136 7,27 28.275 7,14 8ª série incompleta 98.255 5,43 74021 9,78 46.428 11,59 49.139 12,41 8ª série completa 164.018 9,07 111119 14,69 73.362 18,31 71.855 18,15 2º grau incompleto 63.758 3,52 97034 12,82 31.233 7,8 41.980 10,6 2º grau completo 668.791 36,97368740 48,73 145.386 36,29 129.528 32,72 Superior incompleto 80.135 4,43 18555 2,45 16.840 4,2 10.600 2,68 Superior completo 466.107 25,77 23958 3,17 22.605 5,64 29.082 7,35 Total 1.808.908 100 756623 100 400.578 100 395.918 100

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

Faz-se necessário destacar que, a melhoria no nível de escolaridade da mão-de-obra empregada no setor de serviços formal não implica em dizer que o processo de terciarização da economia nordestina esteja associado às mudanças no paradigma técnico-produtivo, que exigem uma mão-de-obra com maior qualificação profissional. Tal melhoria pode refletir principalmente um quadro de baixa oportunidade de empregos nessa região, forçando trabalhadores qualificados aceitarem empregos com baixa remuneração e que não exigem alta escolaridade.

Tabela 9

Nível de Escolaridade da mão-de-obra ocupada nos segmentos que mais empregaram no setor de serviços nordestino - 2003

Desse modo, como se pode notar pela Tabela 10, em um espaço relativamente curto (trezes anos), o salário médio pago ao trabalhador empregado no setor de serviços formal teve uma redução de 45,13 pontos percentuais. Dentre os segmentos do setor terciário, apenas o MED ODON VE apresentou uma elevação da renda média para 5,97%. Todos os trabalhadores empregados em 2003 na demais atividades terciárias depararam-se com um rendimento médio inferior ao recebido em 1990.

Escolaridade ADM PUB % COM % ADMTECPRO % ALOJCOM % Analfabeto 75.792 6,21 12438 3,06 14.314 4,36 17.170 8,78 4ª série incompleta 120.231 9,85 39.239 9,64 43.985 13,39 32.593 16,67 4ª série completa 135.323 11,09 40.895 10,05 55.759 16,98 23.350 11,94 8ª série incompleta 81.981 6,72 61.889 15,21 42.831 13,04 20.174 10,32 8ª série completa 164.259 13,46 67.026 16,47 44.227 13,47 22.013 11,26 2º grau incompleto 60.788 4,98 59.455 14,61 23.990 7,3 16.484 8,43 2º grau completo 370.487 30,36107.93226,52 58.140 17,7 43.691 22,34 Superior incompleto 29.914 2,45 8.165 2,01 8.566 2,61 6.741 3,45 Superior completo 181.469 14,87 9.942 2,44 36.614 11,15 13.323 6,81 Total 1.220.244 100 406.981 100 328.426 100 195.539 100 Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

(11)

Gráfico 1

Nível de escolaridade, por atividade econômica, do emprego terciário formal. NE: 1990- 2003

Fonte: Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

É necessário destacar que, as atividades terciárias que mais empregaram entre 1990 e 2003, também foram aquelas que tiveram maior redução da renda média, ADM TEC PROF de -74,71% e ALOJ COMUNIC de -55,50%. Outro fato que merece destaque refere-se ao segmento de INST FINANC que, além de ter apresentado a maior redução dos postos de trabalho, registrou a terceira maior redução da renda média. Entretanto, apesar de tal redução, os trabalhadores deste segmento continuaram recebendo a maior remuneração paga dentre as

2003 0 10 20 30 40 50 60

Analfabeto 4ª série incompleta

4ª série completa 8ª série

incompleta

8ª série completa 2º grau

incompleto

2º grau completo

Superior

incompleto Superior completo

ADMPUB ENSINO MEDODO ALOJ COMUNIC

TRAN E COMUN ADM TEC PROF INST FINANC COM

1990 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Analfabeto 4ª série incompleta

4ª série completa 8ª série

incompleta

8ª série completa 2º grau

incompleto

2º grau completo

Superior incompleto Superior completo

ADM PUBLICA ENSINO MED ODON VET ALOJ COMUNIC TRAN E COMUN ADM TEC PROF INST FINANC COM

(12)

ATIVIDADES ECONÔMICAS 1990 2003 Var .% 1990/2003

COM ATAC 2,61 1,81 -44,20

COM VAR 3,4 2,44 -39,34

INST FINANC 16,29 10,88 -49,72

ADM TEC PROF 4,56 2,61 -74,71

TRAN E COM 5,12 3,53 -45,04 ALOJ COMUNIC 2,97 1,91 -55,50 MED ODON VE 2,52 2,68 5,97 ENSINO 4,23 3,31 -27,79 ADM PUBLIC 4,08 3,41 -19,65 Total 4,31 2,97 -45,12

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

Escolaridade COM ATACADCOM VAREJ ADM TEC PROF ALOJ COMUNIC

Analfabeto 1,73 1,71 2,43 1,88 4ª série incompleta 1,81 1,71 2,15 1,65 4ª série completa 1,96 2,15 2,61 1,8 8ª série incompleta 2,02 2,35 2,9 1,93 8ª série completa 2,24 2,87 3,53 2,47 2º grau incompleto 2,55 3,16 5,85 2,53 2º grau completo 3,21 4,71 4,98 3,39 Superior incompleto 5,04 8,52 8,7 4,4 Superior completo 7,47 12,34 15,8 7,83 Total 2,61 3,4 4,56 2,97

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

atividades terciárias, que equivale quase ao dobro que se paga aos trabalhadores empregados nesse setor como um todo.

Tabela 10

Remuneração Média , por atividade econômica do setor de serviços, paga em dezembro. NE: 1990-2003

Dentre as quatro atividades que possuem maior participação no emprego terciário, a ADM PUBLIC é a que melhor remunera seus trabalhadores. Já COM, ADM TEC PROF e ALOJ COMUNIC foram os segmentos que apresentaram menor remuneração média dentre o setor de serviços, chegando a ficar a baixo da média paga neste setor em 2003. Diante disso, percebe-se, que o aumento da importância do setor de serviços na estrutura ocupacional deve-se principalmente à expansão dos deve-serviços tradicionais, intensivos de mão-de-obra pouco qualificada e com baixa remuneração.

Tabela 11

Remuneração Média , por escolaridade, dos segmentos do setor de serviços que mais empregam NE: 1990

Comparando as Tabelas 11 e 12, nota-se que o processo de terciarização na região nordeste, como no Brasil, não está associado à reestruturação produtiva. Desse modo, o aumento no grau de instrução dos trabalhadores empregados no setor de serviços formal reflete principalmente a precarização do mercado de trabalho, na qual, a grande oferta de mão-de-obra obriga os trabalhadores buscarem maior grau de instrução.

(13)

Escolaridade COM ATACAD COM VAREJ ADM TEC PROF ALOJ COMUNIC Analfabeto 1,34 1,29 1,42 1,13 4ª série incompleta 1,46 1,51 1,59 1,17 4ª série completa 1,5 1,78 1,67 1,28 8ª série incompleta 1,49 1,66 1,69 1,38 8ª série completa 1,53 1,83 1,85 1,39 2º grau incompleto 1,55 1,88 1,85 1,45 2º grau completo 1,84 2,5 2,62 1,89 Superior incompleto 3,06 5,13 3,71 3,19 Superior completo 4,89 7,35 9,99 5,89 Total 1,81 2,44 2,61 1,91

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da RAIS- on line

0 10 20 30 40 50 60 70

comércio de mercadorias prestação de

serviços serviços auxiliares da atividade

transporte e comunicação

social

administração

publica

conta própria não remunerados com carteira assinada

Tabela 12

Remuneração Média , por escolaridade, dos segmentos do setor de serviços que mais empregam NE: 2003

Dessa forma, enquanto, em 1990, um trabalhador com 2º grau completo recebia no segmento de ALOJ COMUNIC uma renda média equivalente a 3,39 salários mínimos, em 2003, por sua vez, esse mesmo trabalhador recebia apenas 1,89. Observar-se, portanto, uma perda significativa do poder de compra dos trabalhadores empregado nesse segmento.

Gráfico 2

Posição na Ocupação no Setor de Serviços: Nordeste - 1992(*)

(*) Como proporção dos empregados no setor de serviços Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados da PNAD 92.

(14)

0 10 20 30 40 50 60

comércio de mercadorias prestação de

serviços serviços auxiliares da atividade

transporte e comunicação

social

administração

publica

conta própria não remunerados com carteira assinada

Pode-se também a analisar a qualidade do emprego terciário nordestino pelos gráficos 2 e 3, que mostram a participação de trabalhadores por conta própria, sem remuneração e sem carteira assinada nesse setor. Como visto, do total do pessoal ocupado no setor de serviços em situação de conta-própria, a maior parte se concentra nas atividades de comércio e prestação de serviços. Tais atividades também concentram a maior parte de pessoas ocupadas sem remuneração.

Além disso, nota-se também que, no período entre1992 a 2003, reduziu a participação de pessoas ocupadas com carteira assinada na administração pública e nos serviços sociais. Por outro lado, faz-se necessário mencionar a expansão da participação de pessoas ocupadas com carteira assinada nas demais atividades terciárias.

Gráfico 3

Posição na Ocupação no Setor de Serviços: Nordeste - 2001(*) %

(*) Como proporção dos empregados no setor de serviços Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados da PNAD 2001.

3. Conclusão

O processo de reestruturação produtiva pelo qual passaram as empresas brasileiras, nos anos noventa, tem dividido opiniões em relação à capacidade dos serviços de absorverem a mão-de-obra excedente dos demais setores econômicos, visto que a introdução de novas tecnologias promoveu uma tendência declinante dos postos de trabalho nos segmentos de Intituições Financeiras e, Transporte e Comunicações, no período entre 1990 e 2003, no Nordeste. Tal tendência também foi verificada para o caso do Brasil.

(15)

Nesse sentido, se por um lado, a reestruturação produtiva aumenta a demanda por serviços criando novos postos de trabalho, pelo outro lado, elimina um número considerável de emprego, em virtude do aumento da produtividade e da maior exigência com o nível de qualificação da mão-de-obra.

Na região nordestina, os segmentos dos serviços que mais empregaram, depois da administração pública, são aqueles tidos como trabalho-intensivos e que têm a tradição de empregarem uma força de trabalho pouco qualificada e com baixa remuneração. Entretanto, pela análise da escolaridade dos trabalhadores das atividades terciárias, observou-se se uma redução percentual dos ocupados com níveis de formação inferior ao 2º grau completo, em contraposição a um aumento da participação de ocupados com de 2º grau, superior incompleto e superior completo.

Entretanto, o aumento do grau de instrução dos trabalhadores empregados no setor de serviços formal não indica que o processo de terciarização na região nordeste, como no Brasil, esteja associado à reestruturação produtiva. Na verdade, tal aumento reflete principalmente a precarização do mercado de trabalho, na qual, a grande oferta de mão-de-obra obriga a baixa oportunidade de empregos nessa região, obriga trabalhadores qualificados a aceitarem empregos com baixa remuneração e que não exigem alta escolaridade. Nesse sentido, observou-se a redução da remuneração média da maior parte dos trabalhadores empregados no setor de serviços formal.

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