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EUTANÁSIA SOB A ÓTICA DO DIREITO

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UDF – CENTRO UNIVERSITÁRIO DO DISTRITO FEDERAL COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

BRUNA ARAÚJO SALES DA SILVA

EUTANÁSIA SOB A ÓTICA DO DIREITO

BRASÍLIA 2019

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Bruna Araújo Sales da Silva

EUTANÁSIA SOB A ÓTICA DO DIREITO

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Coordenação de Pesquisa e Produção Científica do Centro Universitário do Distrito Federal - UDF, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Direito. Orientador: Prof. Dr. Sidio Rosa de Mesquita Júnior.

Brasília 2019

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Araújo Sales da Silva, Bruna.

Título : EUTANÁSIA SOB A ÓTICA DO DIREITO/ Bruna Araújo Sales da Silva. – Brasília, 2019.

xx f. (ou “p.” se impresso frente e verso)

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Coordenação de.Direito. do Centro Universitário do Distrito Federal - UDF, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Direito Orientador: Sidio Rosa de Mesquita Júnior

1.Direito Penal. A eutanásia sob a ótica do Direito.

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Autora: Bruna Araújo Sales da Silva Título: Eutanásia sob a ótica do direito

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Coordenação de Pesquisa e Produção Científica do Centro Universitário do Distrito Federal - UDF, como

requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Direito. Orientador: Prof. Dr. Sidio Rosa de Mesquita Júnior.

Brasília, de de 2019

Banca Examinadora

_

Sidio Rosa de Mesquita Júnior

Doutor em Direito Orientador

_

Nome do Examinador

Titulação e instituição a qual é filiado

Nome do Examinador

Titulação Instituição a qual é filiado

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Em primeiro lugar agradeço a Deus e a Virgem Maria por ter me sustentado até aqui depois devo tecer agradecimentos em especial a minha querida mãe que foi meu sustentáculo nessa longa jornada, agradeço também ao meu noivo que esteve ao meu lado mesmo quando não tinha tempo para ficar com ele pois estava debruçada sobre os livros, e por todo apoio a mim despendido. Agradeço também a meu melhor amigo que esteve comigo durante esses 5 anos. Agradeço ao meu tio Sr.Raimundo, pois sem ele não teria começado essa nova etapa na minha vida e que se encerra através desse

trabalho. Em último mas não menos importante agradeço aos meus professores que compartilharam comigo e com meus colegas de turma todo conhecimento obtido durante suas vidas.

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RESUMO

O presente trabalho, irá se ocupar a respeito de um dos assuntos mais polêmicos, , a fim de dissecar alguns pontos a respeito da eutanásia, longe de encerrar este assunto tão amplo e cheio de opiniões buscará demonstrar que os argumentos contra essa prática são bem mais fortes que aqueles favoráveis, demonstrando que ela é um crime cometido às escuras onde pessoas que detém de poder momentâneo na vida de alguém cometem esse ato pois sabem que não terão qualquer tipo de reprimenda, embora seja crime. Esta pesquisa irá girar em torno dos diversos pontos de vista existentes,a eutanásia será tratada como um assunto de altíssimo grau de importância pois qualquer pessoa está sujeita a ser vítima dela.

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ABSTRACT

Keywords: The present work will deal with one of the most controversial subjects, in

order to dissect some points about euthanasia, far from closing this subject so wide and full of opinions will try to demonstrate that the arguments against this practice are much more strong than those favorable, demonstrating that this practice is a crime committed in the dark where people who hold momentary power in someone's life commit this act because they know they will not have any kind of reprimand, although it is a crime. This research will revolve around the various points of view, euthanasia will be treated as a matter of the highest degree of importance as anyone is subject to it.

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SUMÁRIO

1. Introdução; 2. Historicidade da Eutanásia;3. Diferença entre eutanásia, distanásia e ortotanásia; 4.Estudo de como a eutanásia é tratada em outros países; 5. O direito à vida em confronto com o Princípio da Dignidade da Pessoa humana; 6. Influência da

religião; 7. Argumentos prós econtras; 7.1 Favoráveis;7.2 Desfavoráveis; Referências.

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1. INTRODUÇÃO

O presente projeto de pesquisa irá contribuir para que o direito à vida seja visto por uma ótica extremamente positiva, além de ajudar a compor as diversas opiniões sobre esse assunto, contribuir para o esclarecimento sócio-jurídico e ético a respeito desse tema, demonstrar que a eutanásia apesar de ser uma prática comum não deve ser aceita. Além de ajudar a diminuir as controvérsias existentes a respeito do tema, é um assunto de grande relevância pois adentra dois princípios importantíssimos para o ordenamento jurídico brasileiro.

A eutanásia embora não seja muito comentada nos jornais ou quase não se vê assuntos relacionados a essa prática nas principais pautas, ela acontece rotineiramente nos hospitais.

É um crime cometido às escuras onde pessoas que detém poder momentâneo na vida de alguém cometem esse ato pois sabem que não terão qualquer tipo de reprimenda ou algo do tipo, a verdade é que a eutanásia é um homicídio investido de uma justificava egoística há quem diga que se descriminalizado poderá acarretar muitas consequências pois abrirá portas para o cometimento de outros crimes com a mesma justificativa de piedade. A eutanásia é um assunto de altíssimo grau de importância pois qualquer pessoa está sujeita a ser vítima dela.

É um assunto que gira em torno do maior bem do ser humano, a vida, que deve ser preservada em todos os seus aspectos até quando esta estiver sobre grande sofrimento e é principalmente ai que o Estado deverá preserva-la e não se livrar ou deixar que se livrem dela, pois apesar do sofrimento causar grande dores, as vezes o fato de permanecer vivo é tão gratificante que supera qualquer dor.

Existem muitas divergências a respeito desse assunto, pois a eutanásia é criminalizada no Brasil e a pessoa que pratica este ato poderá responder de acordo com o tipo de eutanásia cometido por, homicídio privilegiado em razão do relevante valor moral/social pois na maioria dos casos essa prática é realizada com base em um sentimento extremo de piedade para com o outro e também poderá responder por auxilio ao suicídio e a depender do caso conseguir o perdão judicial.

Acontece que há um confronto evidente entre o princípio do direito à vida e

à dignidade da pessoa humana, quando se fala em eutanásia, pois há quem diga que

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mesmo que esta vida esteja em uma situação completamente difícil , essa parte da doutrina defende também que não existe um direito a morte e somente o direito à vida, pois o a morte estaria baseada em um interesse enquanto a vida alicerçada sobre a necessidade, e interesse não é direito por outro lado necessidade sim.

De outro modo a dignidade da pessoa humana disposta no art. 1º, inc. III da Constituição Federal, que garante o bem estar dos indivíduos, bem como respeito seja por qualquer uma de suas escolhas, é um princípio no qual é muito usado para justificar a eutanásia, os autores que defendem a eutanásia dizem que todos têm direito a uma morte digna e que prolongar o sofrimento de alguém que está em estado terminal, com alguma doença incurável e com dores constantes fere esse princípio.

Desse modo o problema de pesquisa desse trabalho de curso irá girar em torno desse confronto de princípios quando se trata do tema “eutanásia” , a pergunta central é:

– Eutanásia, morte digna, homicídio ou auxilio ao suicídio?

2. BREVE HISTORICIDADE DA EUTANÁSIA

A morte é a única certeza da vida, frase dita por tantas pessoas e que exprime em apenas uma linha toda a vida humana, desde sempre a humanidade soube que quando se nasce a única coisa absoluta é que se vai morrer, no entanto a hora e a data ninguém conhece, porém a jornada pode ser encurtada, e a eutanásia faz parte de um desses métodos de abreviação da morte.

O termo eutanásia foi criado no século XVII por Francis Bacon na sua obra “Historia vitaes et mortis”, para ele a eutanásia seria a única forma de tratar doenças incuráveis, de certo modo a morte foi vista por esse autor como um verdadeiro e único remédio para sofrimentos extremos.1

Desde os primórdios a humanidade repudia o sofrimento pois este sempre ou quase sempre vem acompanhado da morte.

Como ensina Royo- villanova y Morales, antigamente os filhos tinham o

1 GUIMARÃES, Marcelo Ovídio Lopes. Eutanásia: novas considerações penais. São Paulo: USP, Tese

de doutorado, 2008. p. 13-14. Disponível em: <https://teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-

07072010-151229/publico/TESEDoutorado_Eutanasia_CapituloII_ParaEntregaTese.pdf>. Acesso em:

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dever de matar seus pais que já estavam com idade avançada. Há ainda quem diga que a morte do Rei Saul narrada na Bíblia, se trata de um dos primeiros relatos de eutanásia uma vez que este pediu para seu escudeiro que o matasse com um golpe de espada para que se visse livre da Prisão.

A eutanásia desde muito tempo esteve envolta no conceito de Justiça, para aqueles que são a favor dessa prática e a maior motivação é aquela de estar fazendo a justiça, para aquele que está sofrendo, este conceito que gira em torno da justiça existe desde o ano 462.A.C, como bem explica Maria de Fátima Freire de Sá:

O valor do individuo era reconhecido pelos créditos que possuía, além do poder que dispunha e a comprovação de tal assertiva está em algumas disposições da lei supramencionada que, a par de outros dispositivos, permitia a morte e o acorrentamento de seres humanos, ao claro objetivo de que fosse feita justiça, nas situações em que devedores não cumprissem o compromisso de saldar as dividas.2

A prática da eutanásia na maioria dos casos é cometida pela junção de dois fatores, o peso que aquela pessoa está causando a um determinado grupo e o sofrimento pelo qual ela está passando, ensejando com a morte do individuo uma dupla sensação de alívio e justiça.

3. EUTANÁSIA, ORTOTANÁSIA E DISTANÁSIA

A eutanásia é conceituada como “o ato de matar uma pessoa doente ou ferida sem esperanças de recuperação por razões de piedade”. Conforme o Conselho Federal de Medicina (1998, p.172),3 “Eutanásia é um ato médico que, ao utilizar-se de

meios para evitar a dor e o sofrimento, acaba por abreviar a vida”.4

A eutanásia, mais bem traduzida como “boa morte” é praticada em países legalizados principalmente por especializados na área da saúde, como um meio de cessar o sofrimento de algum paciente considerado em estado de sofrimento extremo e sem perspectiva de vida. No Brasil, apesar de criminalizada em alguns hospitais ela

3 De Sá, Maria de Fátima. Direito de morrer: Eutanásia, Suícidio Assistido . Belo Horizonte: Del Rey,

2005. p. 28.

4 KAPLAN, Harold I.; SADOCK, Benjamin GREBB, J.; Jack A. Compêndio de psiquiatria: ciências do

comportamento e psiquiatria clínica. 7 ed. Porto Algre. Rio Grande do Sul. Greupo A: Artmed, 2012. p. 87. In, YAMAGUTI, Igor Issami. A constitucionalidade da eutanásia: a dignidade da pessoa humana do paciente e o direito à vida. Disponível em: <https://www.unaerp.br/documentos/1811-eutanasia-1/file>. Acesso em: 19.10.,2019, às 2h.

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ainda é praticada com o apelido de “SPP” ou “ se parar parou”, onde médicos aconselham técnicos e enfermeiros a deixarem seus pacientes que se encontram em estado terminal ou vegetativo a não fazerem atos de ressuscitação.

A prática da eutanásia pode ser realizada por ato omissivo ou ativo, como bem explica Anderson Rohe:

A eutanásia ativa/direta, pela provocação direta da morte para atenuar a dor e a eutanásia passiva/indireta, também conhecida por ortotanásia, que vem a permitir o exercício do direito de se opor ao prolongamento artificial da própria vida.5

Ainda nesse contexto, Jose lldefonso Bizzato ensina:

A palavra eutanásia é de origem grega, significa “morte doce, morte calma”, tendo sida empregada pela primeira vez por Francis Bacon, no Século XVII. Do grego eu e Thanatos, que tem por significado ‘a morte sem sofrimento e sem dor’ – para outros a palavra eutanásia também expressa: morte fácil e sem dor, morte boa e honrosa, alivio da dor, golpe de graça, morte direta e indolor, morte suave, etc.6

Pelo exposto, este ato nada mais seria do que uma forma de abreviação da morte, como método de acabar com o sofrimento alheio que aos olhos de quem pratica é passível de compaixão. O fato é que este tema nunca será tratado de forma totalmente positiva ou de forma totalmente negativa, tendo em vista que ele gira em torno de um conceito subjetivo e que parte de um pensamento particular criado, seja por aspectos ideológicos, sociais, políticos ou religiosos. A eutanásia no Brasil é crime, não está expressamente conceituada no Código Penal Brasileiro, porém aplica-se o seguinte preceito:

Homicídio

Art. 121. Matar alguem:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos. Caso de diminuição de pena

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

Para que haja de fato a prática do crime, com a causa de diminuição de

5 RÖHE, Anderson. O paciente terminal e o direito de morrer. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004. 6 BIZZATO, José Ildefonso. Eutanásia e responsabilidade médica. 2. ed. São Paulo: Editora de Direito,

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pena é necessário que estejam presentes os requisitos caracterizadores da eutanásia que a diferencie da prática do homicídio, sendo eles a compaixão, estado incurável do paciente acompanhada de sofrimento intenso e sem nenhuma perspectiva de melhora.

Conforme ensinou Nelson Hungria:

O legislador brasileiro não se deixou convencer pelos argumentos que defendem, no tocante ao homicídio piedoso, a radical impunibilidade ou a faculdade do perdão judicial. Rejeitou, assim, o exemplo dos Códigos Penais sociético e uruguaio.7

Na nossa acepção brasileira, de base judaíco-cristã, o direito de tirar a vida é consequência do direito de criar a vida. Assim, se somente Deus nos dá a vida, somente ele poderá tirá-la.

Já a ortotanásia tem seu conceito ligado ao fato de uma ação omissiva, onde deixa-se de aplicar tratamentos, ou medicamentos aqueles pacientes que estão em um estado avançado de alguma doença incurável, sem nenhuma perspectiva de vida e que estão em grande sofrimento, é um método onde não há nenhuma interferência direta na morte da pessoa, deixando com que esta morra de forma natural . Conforme ensina Anderson Rohe :

A supressão de medicamentos ou de meios artificiais para o prolongamento inútil de uma vida em estado vegetativo aliviaria a dor e o desgaste físico e emocional da família do paciente. Evitaria, ainda sérios problemas de ordem financeira, há quem diga que entre ação e omissão a intenção será sempre a mesma – reinando apenas uma discussão filosófica sobre o assunto.8

Dessa forma, a diferença entre a eutanásia e a ortonasia está na forma de ação do agente, o primeiro agindo de forma ativa por alguma ação e o segundo de forma omissiva deixando de tratar determinada pessoa. Ao contrário da eutanásia a ortotanásia segundo o Conselho Federal de Medicina é permitida,

Porém, isto foi alvo de ação do Ministério Público do Distrito Federal, uma vez que foi alegado afronta ao Código Penal requerendo por conta disso a suspensão da resolução e com isso foi concedida uma liminar que a suspendeu, porém em 2010 essa liminar foi derrubada voltando então a valer a resolução ora citada, tal artigo

7 HUNGRIA, Nelson. Comentários ao código penal. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1958. Vol. V, p. 127. 8 RÖHE, Anderson. O paciente terminal e o direito de morrer. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004.

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atacado continha texto que falava mais abertamente a respeito da ortanásia, após a ação do MPDFT foi editada Resolução do Conselho Federal de Medicina n. 2.217, de 27.9.2018 que trouxe essa prática de maneira mais discreta, ao dispor no art. 41:

Parágrafo único. Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal.

Nessa esteira há que se falar ainda da Distanásia, que nada mais é que o contrário da Eutanásia, uma vez que esta abrevia a morte de alguém, a outra prolonga a vida tida como “inútil”, Leo pessini explica da seguinte forma:

A questão de fundo é definir quando uma determinada intervenção médica não mais beneficia o doente em estado crítico, terminal, em estado vegetativo, persistente , ou o neonato concebido com sérissimas deficiências congênitas , e torna-se portanto fútil e inútil . A

12insistência em implementá-la vai resultar numa situação que

caracterizamos como distanásica.9

Para alguns autores essa prática de Distanásia, representa crueldade e até mesmo falta de compaixão, já que segundo essa corrente não há sentido no prolongar a vida de alguém que de qualquer forma irá morrer, trata-se para essa ideia de uma ação inútil e desnecessária para aqueles que estão sofrendo, vejamos o que diz Maria Helena Diniz :

Trata-se do prolongamento exagerado da morte de um paciente terminal ou tratamento inútil. Não visa prolongar a vida, mas sim o processo da morte. Para Jean-Robert Debray, é o comportamento médico que consiste no uso de processos terapêuticos cujo efeito é mais nocivo do que o mal a curar, ou inútil, porque a cura é impossível, e o benefício esperado é menor que os inconvenientes previsíveis.10

Desta forma, conclui-se então que a Distanásia se contrapõe aos dois conceitos expostos anteriormente, uma vez que esta está ligada ao prolongamento da vida, e as outras a abreviação da morte.

4. A EUTANÁSIA EM OUTROS PAÍSES

O primeiro País Europeu a Legalizar a Eutanásia foi a Holanda no ano de

9 Pessini, Leo. Distanásia: Até quando prolongar a vida?”. São Paulo: Editora do Centro Universitáio São

Camilo:Loyola, 2001. p. 163.

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2002 por meio da Lei sobre a Cessação da vida a pedido e o suicídio assistido, esta lei determina criminoso aquele que pratica o ato a pedido de alguém, mas isenta se houver acordo entre dois médicos e pedido expresso do Paciente, neste país é autorizado a Eutanásia a pedido de pessoas a partir de 12 anos, sendo menores aqueles entre 12 e 16, apenas com o consentimento dos pais.

Desde a data de 2002 quando essa pratica foi legalizada na Holanda já ocorreram diversas mortes, no entanto algumas receberam maior visualização. Uma delas com grande repercussão foi a história de Noa Pethoven que após solicitar a eutanásia devido a transtornos psiquiátricos agravados por abuso sexual, veio a morrer de inanição pois não obteve êxito ao solicitar a Eutanásia. O fato é que mesmo em países legalizados, ainda existem mortes por doenças que apesar de serem consideradas curáveis, possuem um elevado grau de sofrimento e dor psicológica.

Segundo Pesquisa Publicada pela Revista El País em 2017 foram feitas 1.882 eutanásias, no ano de 2016 chegaram a 6.091, ou seja, 4% de todas as mortes registradas (148.973) no país.11

Ao contrário da Holanda, na Colômbia a eutanásia é proibida sendo tipificada como homicídio piedoso no artigo 326 do Código Penal Colombiano, apesar de ser considerado crime, uma decisão em maio de 1997 foi contra, onde a Corte Constitucional do País decidiu pela isenção da responsabilidade, Goldim bem explica a respeito do caso:

O magistrado que propôs a discussão, Carlos Gaviria, é ateu e defensor da eutanásia. Ele aceita que o médico pode terminar com a vida de um paciente que esteja em intenso sofrimento. O juíz Jorge Arango propôs que a liberdade é o direito maior, a vida sem liberdade não tem sentido. Outro juíz, Eduardo Cifuentes, propôs que a liberdade e a vida não se opõem. Acrescentou que esta proposta somente poderia ser levada a cabo em pacientes terminais, plenamente informados sobre sua condição de saúde. Os demais juízes - Alexander Martinez, Fabio Moro e Antonio Barrera - acompanharam o voto dos juízes Jorge Arango e Eduardo Cifuentes, de apoio à proposta de Carlos Gaviria. Desta forma, a possibilidade de não ser processado por homicídio, quando for misericordioso, foi

11 FERRER, Isabel. Holanda, onde morrer bem é parte do cotidiano: em 2016, 4% das mortes do país

aconteceram por eutanásia, quase todas praticadas pelo médico. Madrid: El País, Internacional,

4.9.2019, às 17h39. Disponível em:

<https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/31/internacional/1504197638_959922.html>. Acesso em: 19.10.2019, às 2h20.

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aprovada do 6 votos contra.12

A pena pela prática desse crime é de 6 meses a 3 anos, e apesar de sua criminalização, conclui-se que mesmo disposto em lei a pratica da Eutanásia pode ser interpretada e punível ou não a depender de cada caso.

Há quem diga que o ato permitido em diversos países como Holanda, Bélgica, Suiça, EUA e Canadá, não se trata definitivamente de Eutanásia e sim de Suicídio Assistido, onde o paciente ingere medicamentos prescritos pelos próprios médicos com o objetivo de ceifar sua vida.

5. O PRINCIPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA EM CONFRONTO COM DIREITO A VIDA

A dignidade da pessoa humana surgiu muito antes desta ser incluída no nosso ordenamento jurídico, os filósofos há muito discutem a respeito deste tema, na leitura da Obra de Melina Girardi Fachin, ela cita um trecho de um pensamento de São Tomás de Aquino o primeiro filósofo a cunhar a expressão “dignitas humanas “para ele a dignidade é inerente ao homem, como espécie; e ela existe in actu só no homem enquanto indivíduo”.13

A dignidade da pessoa Humana está positivada na Constituição da Republica em seu artigo Art 1º, inciso III que garante o bem estar dos indivíduos, bem como respeito seja por qualquer uma de suas escolhas, tal príncipio é de extrema importância para a sociedade, principalmente por que dele derivam vários outros como; legalidade pois para que a dignidade do ser não seja violada há que se punir nos termos da lei e há que se garantir todos os princípios fundamentais que também asseguram a dignidade da pessoa humana, insignificância já que o cometimento de um crime cujo valor seja ínfimo e preencha os requisitos para se encaixar no principio da insignificância não deve ser punido já que tal ato não gera para ninguém graves prejuízos ou sequer algum prejuízo , dentre tantos , quais sejam alteridade, confiança, adequação social, intervenção mínima, fragmentariedade, proporcionalidade, humanidade, necessidade e ofensividade.

12 GOLDIM, José Roberto. Eutanásia: Uruguai. Disponível em:

<https://www.ufrgs.br/bioetica/eutanuru.htm>. Acesso em: 19.10.2019, às 2h40.

13 FACHIN, Melina Girardi. Fundamentos dos direitos humanos: teoria e práxis na cultura da tolerância. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 34.

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Fernando Capez expõe o seguinte:

De pouco adiantaria assegurar ao cidadão a garantia de submissão do poder persecutório à exigência prévia de definição legal , se o legislador , tivesse liberdade para eleger de modo autoritário e livre de balizas quais os bens jurídicos merecedores de proteção , ou seja, se pudesse a seu bel-prazer, escolher, sem limites impostos por princípios maiores, o que vai ser e o que não vai ser crime.

O direito penal é muito mais do que um instrumento opressivo em defesa do aparelho estatal. Exerce uma função de ordenação dos contatos sociais, estimulando práticas positivas e refreando as perniciosas e, por essa razão não pode ser fruto de uma elucubração abstrata...14

O princípio ora em destaque possui uma importância tão grande que se ele deixa de ser aplicado o cidadão ficará à mercê de injustiças e se tornará incapaz de inserir-se ou de identificar-se dentro da sociedade.

A grande questão quando se fala em Dignidade da Pessoa Humana é, até onde ela se estende e que ela realmente significa?

O fato é que as divergências existentes a respeito deste assunto possuem grande leque, nesta esteira se pode expor:

Importa não olvidar que o direito poderá exercer papel crucial na sua proteção e promoção, não sendo, portanto, completamente sem fundamento que se sustentou até mesmo a desnecessidade de uma definição jurídica da dignidade da pessoa humana, na medida em que, em última análise, se cuida do valor próprio, da natureza do ser humano como tal.15

Não existe uma definição jurídica para dignidade da pessoa humana, pois esta possui uma amplitude gigantesca e não há como ser restrita a um determinado conceito, mas o que se sabe é que a Dignidade e Humanidade, caminham juntas e se uma é atacada ou deixa de existir a outra consequentemente tem também seu fim.

A respeito da Eutanásia, este princípio também recai sobre ela já que todo o cidadão possui sobre si o direito a este principio, porém o que não se sabe é se este conceito cabe realmente para se justificar o ato eutanásico, para mais explicar a respeito disso Flademir Jeronimo Belinati Martins diz:

Em síntese, temos que a dignidade efetivamente constitui qualidade inerente de cada pessoa humana que a faz destinatária do respeito e

14 Capez. Fernando.Curso de Direito Penal: parte geral. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. v. 1, p. 27. 15 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do

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proteção tanto do Estado, quanto das demais pessoas, impedindo que ela seja alvo não só de quaisquer situações desumanas ou degradantes, como também garantindo-lhe direito ao acesso a condições existenciais mínimas.16

Para aqueles que justificam a eutanásia no princípio da dignidade da pessoa humana, se baseiam no fato de que a pessoa que está em grande sofrimento e sem esperanças de vida não deve ser obrigada a continuar algum tipo de tratamento que prolongue sua existência a troco de nada, e se ela está em intenso sofrimento sendo obrigada pelo Estado a continuar viva mesmo não querendo, ou causando sofrimento para aqueles que a acompanham, o princípio da dignidade da pessoa

humana não está sendo aplicado a ela.

A medicina está em constante evolução e o que não é curável hoje, ou o que um tratamento não cura hoje, amanhã já pode ser diferente, o fato é que a morte é algo definitivo tanto para quem morre quanto para aqueles que ficam e pôr fim a ela pode ser pôr fim a uma possível cura até então inexistente.

Já nessa lógica, há que se refletir a respeito do princípio que garante a todos o direito à vida, vida esta em qualquer condição, pois bem se por um lado existe a dignidade da pessoa humana como um princípio basilar, do outro existe o direito à vida em todas as situações, e então surge a seguinte indagação: de qual lado mais pesa a balança e qual desses dois princípios possuem maior valor?

Para responder a estas perguntas, comecemos por conceituar o direito à

vida, que é aquele do qual deriva todos os outros, pois se não existe vida não há

porque existirem direitos que a resguardem. Ele encontra-se resguardado constitucionalmente no título dos Direitos e Garantias Fundamentais, art. 5º, caput, vejamos:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)

Pois bem, tal direito possui as características de irrenunciabilidade e inviolabilidade, ou seja tanto não se pode feri-lo quanto não se pode renuncia-lo auferindo a própria morte, tirando então a conclusão de que o ser humano possui

16 MARTINS, Flademir Jerônimo Belinati. Dignidade da pessoa humana: princípio constitucional

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direito a vida e não sobre a vida, por isso a eutanásia entra em confronto com esse princípio basilar, já que independentemente do estado em que a vida se encontre se ainda se respira ainda existe a vida.17

6. INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO

Muito se sabe sobre a vida, mas pouco se sabe sobre a morte, as incertezas, reflexões, perguntas sobre o que acontece após a morte possuem um leque de possíveis respostas.

Uma pesquisa feita pela rede Worldwide Independent Network of Market Research (WIN) no ano de 2012 revelou que somente 16% da população mundial não possui religião, ou seja 84% da população segue alguma crença, o que consequentemente faz com que o mundo seja todo construído com base na religião.

Com a eutanásia não é diferente, sendo importantíssimo fazer uma abordagem deste assunto nas quatro maiores religiões do mundo, como Judaísmo, Budismo, Islamismo e Cristianismo. É fato que o ser humano precisa encontrar algum sentido na vida, alguma forma de consolo na hora do sofrimento, de calmaria, de esperança e de amor, todas essas coisas são pregadas por diversas religiões, de formas diferentes, porém quase sempre com o aspecto da vida protegido de forma muito forte.

Cada religião possui uma série de normas e regras para se seguir, criando assim diversos pensamentos enraizados cada um com base em sua respectiva crença, no judaísmo não é diferente, para a tradição judaica que possui um livro de ensinamentos chamado Talmud, que contém disposições para auxiliar os fiéis em situações concretas .

No judaísmo existe uma distinção entre o prolongamento da vida, e o prolongamento da agonia, ou seja, para os judeus é proibido a eutanásia ativa, por ser considerada para eles um assassinado, vejamos os ensinamentos do Rabino Immanuel Jakobovits:

A lei judaica autoriza, talvez até exija, o afastamento de qualquer fator

17 GOETTEN, Glenda Frances Moraes. Eutanásia X direito à vida: o artigo questiona se a eutanásia

prevista no anteprojeto do Código Penal pode ser considerada uma ameaça ao direito à vida, consagrado no artigo 5º da Constituição. 15.3.2002. Disponível em:

<https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/600/Eutanasia-X-Direito-a-vida>. Acesso em: 19.10.2019, às 22h05.

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estranho ao próprio paciente ou não – que possa artificialmente retardar sua partida na fase final. Pode-se argumentar que tal modificação implica a legalidade de apressar a morte de um doente incurável em agonia aguda retirando-lhes os medicamentos que lhe mantêm a continuidade da vida por meios artificiais – caso também considerado na filosofia moral católica. Nossas fontes apenas se referem a casos nos quais é esperada a morte iminente, portanto, não está completamente claro se tolerariam esta moderada forma de eutanásia – embora isso possa não ser excluído.18

Para tal religião, conforme se vê, a eutanásia deve ser vista de acordo com cada caso independentemente, de forma que o prolongamento de um sofrimento ou agonia mais conhecido como distanásia, não é necessário enquanto que a abreviação da vida e o desligamento de aparelhos ou qualquer outro modo de não preservação da vida nos casos de eutanásia é proibido para esta religião.

Já para o Budismo, que para alguns estudiosos é considerado mais uma filosofia de vida do que propriamente uma religião, já que esta seita não tem como centro e não prega a existência ou não de um Deus criador, este ato não é visto como algo ruim, pois para esta religião as pessoas possuem o direito de determinarem quando devem ou não morrer, vejamos:

O budismo reconheceu há tempos o direito de as pessoas determinarem quando deveriam passar desta existência para a seguinte. O importante aqui, não é so o corpo vive ou morre, mas se a mente pode permanecer em paz e harmonia consigo mesma. A tradição Jado (a terra pura) tende a dar ênfase à continuidade da vida enquanto a tradição zen tende a sublinar a importância do momento e a maneira de morrer. Os budistas japoneses demonstraram uma preocupação com a morte, inclusive maior que a dos seus vizinhos. Os japoneses valorizavam mais a paz da mente e a honra da vida do que uma vida longa.19

Para o budismo o suicídio não é punível e dependendo do caso nem mesmo o auxílio ou o incentivo a pratica deste ato, se tiver amparado no sentimento de compaixão e no objetivo de uma morte digna onde ela chegará independentemente de qualquer coisa, e o sofrimento, agonia de alguém esteja em um determinado ponto que não se tenha outro sentimento a não ser a compaixão e a vontade de vê-la livre de tal pesar, ou seja, assim como já dito a eutanásia continua sendo como um alívio

18 SÁ, Maria de Fátima Freire de. Direito de Morrer: eutanásia, suicídio assistido. 2. ed. Belo Horizonte:

Del Rey, 2005.

19 PESSINI, Léo. A eutanásia na visão das grandes religiões mundiais (Budismo, Islamismo, Judaísmo

e Cristianismo). Disponível em: <http://www.mpsnet.net/portal/Polemicas/pol032.htm>. Acesso em: 19.10.2019, às 23h07.

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duplo, as vezes até mais para aquele que pratica o ato do que para o que está passando pela situação.

Nessa esteira, chega então o islamismo que significa submissão, submissão esta a Deus e a Sua vontade. O principal documento que trata a respeito desse assunto sob a visão islâmica é a Declaração Islâmica de Direitos Humanos, que traz o direito à vida, que para essa religião, assim como o Cristianismo deve ser preservado em todo e qualquer aspecto, vejamos um trecho retirado da Suna (tradição dos ditos e ação dos profetas):

Se alguém matar uma pessoa isto deve ser considerado como se tivesse matado todas as pessoas. E se alguém mantiver com vida outra pessoa é como se tivesse mantido com vida todas as pessoas.20

E, no verso 32 da Suna consta: “E não mateis a vós mesmos! Deus procede misericordiosamente convosco!”

Dessa forma, já se vê a desaprovação ao suicídio, no entanto quando se trata ortotanásia, vê se uma flexibilização um pouco maior, já que no Código Islâmico de ética Médica, é tido como proibido, manter a vida de alguém em sofrimento intenso e a qualquer custo, para melhor compreensão, faz-se necessário trazer um dos trechos do código acima citado:

A vida humana é sagrada(...) não deve ser tirada voluntariamente, exceto nas indicações específicas de jurisprudência islâmica, as quais estão fora do domínio da profissão médica. O médico não tirará a vida, mesmo quando movido pela compaixão . O médico na defesa da vida, é aconselhado a perceber os limites e não transgredi-los. Se é cientificamente certo que a vida não pode ser restaurada, então é uma futilidade manter o paciente em estado vegetativo utilizando-se de medidas heroicas de animação ou preserva-las por congelamento ou outros métodos artificiais. O médico tem como objetivo manter o processo da vida e não o processo do morrer. Em qualquer caso ele não tomará nenhuma medida para abreviar a vida do paciente (...) Em relação ao paciente incurável, o médico fará o melhor para cuidar da vida, prestará bons cuidados, apoio moral e procurará livrar o paciente da dor e aflição.21

Se em determinado momento, fala-se em o dever do médico de não tirar a vida do paciente nem mesmo movido pela compaixão, por outro lado traz-se a noção

20 Suna, As mulheres, verso 29.

21 Cf. PESSINI, Léo. A eutanásia na visão das grandes religiões mundiais (Budismo, Islamismo,

Judaísmo e Cristianismo). Disponível em: <http://www.mpsnet.net/portal/Polemicas/pol032.htm>. Acesso em: 19.10.2019, às 23h07.

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de não preservação da vida tida como inútil, no seu estado vegetativo e sem perspectiva de vida, conclui-se então que para a religião Islâmica, a eutanásia ativa é definitivamente proibida, enquanto que a ortotanásia conhecida também como eutanásia passiva, pode ser considerada.

O cristianismo , a maior religião do mundo e a que dentro da Igreja Católica tem o mais vasto conteúdo da eutanásia, para a igreja Católica a eutanásia é condenada, já que esta prática colide com os ensinamentos da Bíblia, que diz que a vida é um dom de Deus e só Ele, pode e tem o poder de tirá-la, este assunto é tão forte para o Catolicismo que quando se fala em suicídio, diz-se que este é o único pecado que é considerado como imperdoável, por ser um ato atentatório ao próprio Deus.

Na cidade do México, no ano de 2017 foi aprovada a eutanásia em sua constituição, após tal aprovação a Igreja Católica publicou um Informativo da Arquidiocese da Cidade do México especificando que a Sagrada Escritura é clara ao assinalar que a vida é um dom de Deus. Clareando o fato de sua posição, ao dizer que o governo deve fazer o possível para ajudar na conservação da própria vida e a dos demais .

O Papa Pio XII, posicionou-se a respeito do tema, aduzindo não ser obrigatório utilizarem-se todos os meios terapêuticos para tentar a cura, sendo lícito abster-se de procurá-los. Mencionando isso, o Papa Francisco afirma que a eutanásia é sempre ilícita.22

Ou seja, se por um lado tem-se a proibição total da eutanásia ativa, por outro a distanásia é probida e vista como algo prejudicial, já que conforme o texto citado acima os meios ordinários para se manter a vida de alguém devem ser aplicados, sejam esses meios entendidos como aqueles proporcionais ao tratamento de alguém, enquanto que meios extraordinários e que causem um pesar, ou grande sofrimento para o paciente podem ser dispensados quando já iniciou-se o processo de morrer.

Para a Religião católica o sofrimento deve ser visto como algo bom, já que

22 JUANA, Álvaro. A eutanásia sempre é ilícita porque procura a morte, afirma o Papa Francisco.

17.11.2017, às 10h. Disponível em: <https://www.acidigital.com/noticias/a-eutanasia-sempre-e-ilicita-

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somente através dele é possível chegar a salvação, tudo isso baseado no fato de que Jesus ao dar sua vida pelo povo, teve que sofrer dezenas de vezes para então expiar. “Quem vive o seu sofrimento no Senhor fica mais plenamente configurado com ele“.23

A eutanásia para esta religião, é vista não pelo aspecto de compaixão e sim como uma perversidade, principalmente quando praticado e solicitado pela família do moribundo, pois esta deveria cuidar e esperar a morte natural.

7. ARGUMENTOS PRÓS E CONTRA

O direito a morte digna e o direito à vida, tal confronto talvez seja tão velho que tenha surgido com a humanidade, já que a morte sempre esteve em discussão desde os primórdios, o fato é que talvez essa discussão nunca tenha fim, por isso a eutanásia é um assunto de extrema relevância.

Os que defendem o direito a morte digna, baseiam- se no fato de que todos tem direito de escolha especialmente por que segundo essa corrente nem mesmo o Estado possui o direito de escolher quem deve ou não morrer. O direito à vida então estaria em patamar de igualdade com o direito a dignidade da Pessoa Humana, já que a penosidade de uma vida sem qualquer esperança até então de cura, seria demais sofrida para a vítima e também para a família, Nesse sentido:

Os que defendem a eutanásia o fazem como um verdadeiro "direito de morrer com dignidade", ante uma situação irremediável e penosa, e que tende a uma agonia prolongada e cruel. Desse modo, seria concedida aos médicos a faculdade de propiciar uma morte sem sofrimento ao paciente portador de um mal sem esperança e cuja agonia é longa e sofrida. O problema da morte piedosa ou por compaixão ao enfermo incurável e dolorido, consciente do estado de sua doença, que deseja abreviar seus sofrimentos, seria visto como um ato de humanidade e justiça. Admitem até que o médico poderia chegar à eutanásia como um meio de cura, pois curar para tal entendimento não é só sanar, é aliviar também. E que o médico que administra uma dose letal de medicamento não pretende propriamente a morte do paciente, mas o alívio dos seus sofrimentos. Admitem, ainda, que o homem goza, dentre seus direitos, do privilégio de dispor de sua própria vida, quando, por sua livre e espontânea vontade, desistir de viver. Com esse pensamento, chegam a aceitar que o indivíduo pode dispor, em qualquer situação, de sua existência, muito mais quando gravemente enfermo e em doloroso sofrimento. Não haveria um delito a punir-se, mas um alívio na angústia e no sofrimento torturante.24

23 ROHE, Anderson Rohe. O paciente terminal e o direito de morrer . ed. Lumen Juris.2004 24 FRANÇA, Genival Veloso de. Eutanásia: um enfoque ético-político. . Disponível em:

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Diante disso, a eutanásia seria então um ato de bondade e compaixão para aquele que sofre, não só para ele como também para a sua família, causando dessa forma um duplo alívio. Aqueles que defendem esse ponto de vista baseiam-se no fato de que a morte seria uma escapatória de um sofrimento que pode ser encerrado com a morte, e que embora o Estado tenha o dever de preservar a vida este não deve querer que alguém queira sob qualquer circunstância fazer gozo dela.

No livro o Direito de Matar (Da Eutanásia à pena de morte), do autor Aristo Licurzi este cita:

A ultima vitória da medicina- frente à sua impotência científica- quando é impossível triunfar sobre o mal incurável, será o adormecer o agonizante na tranquila sonolência medicamentosa que leva ao letargo e à mortetotal, suavemente. Será uma bem triste vitória, em verdade, porém, por seu conteúdo de altruísmo, sua profunda generosidade humana, chega a adquirir o valor das vitórias espirituais de uma religião.

Além disso, para esse ponto de vista a eutanásia seria uma forma de peneira, onde aqueles que não possuem mais uma expectativa de vida, deveriam ser descartados já que estariam ocupando leitos de hospitais que poderiam estar sendo ocupadas por outras pessoas que possuíssem uma maior expectativa de vida, talvez uma forma cruel de pensamento, porém faz parte de um dos argumentos apresentados pelos apoiadores desta prática.

Os desfavoráveis a Eutanásia, têm como base inegável de suas opiniões a religião, já que esta sempre foi uma das maiores fontes de modelagem e criação de pensamentos . Assim como já dito durante este artigo, a vida para aqueles que são contra a Eutanásia significa o maior bem dado ao ser humano, e o mais precioso, ir contra a vida é ir contra toda uma concepção de criação Divina. Para começar a explanar a respeito dessa segunda corrente vejamos:

Sejam quais forem os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundos. É moralmente inadmissível. Assim, uma ação ou uma omissão que, em si ou na intenção, gera a morte a fim de suprimir a dor, constitui um assassinato gravemente contrário a dignidade da pessoa humana e ao respeito pelo Deus vivo, seu Criador. O erro do juízo no qual se pode ter caído de boa fé não muda a natureza deste assassinato, que

<http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/download/295/434>. Acesso em: 22,10,2019, às 1h30.

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sempre deve ser proscrito e excluído.25

Vê-se que esta declaração faz questão de colocar que está falando sobre a eutanásia ativa, aquela em que se interfere diretamente na vida de alguém provocando sua morte. Ainda nesse contexto, Jiménez de Asúa já ensinava que existem diferentes tipos de eutanásia, segundo a vontade do agente, quais sejam: libertadora, eliminadora e econômica.26

A eutanásia libertadora – também denominada terapêutica – tem por escopo livrar o doente de um sofrimento insuportável, que de um outro modo não pode ser contido. Para Asúa, a morte de pacientes cinconscientes em virtude de acidentes, por exemplo, quando se presume que, ao despertarem, sofrerão demasiadamente com a situação, também será libertadora.

É eliminadora a eutanasia eugênica ou selecionadora, a qual visa à supressão de portadores de anomalias genéticas de expressão física ou mental, de vítimas de doenças contagiosas e de criminosos, buscando a melhoria da espécia e do grupo social.

A eutanásia econômica promove a morte de doentes mentais, de idosos, de inválidos e de indivíduos em coma ou em estado vegetativo, aproximando-se da eugenia. Seu objetivo será minimizar o consumo de recursos que eles vinham consumindo.27

Além do primeiro argumento já apresentado, existe o fato de que a eutanásia seria como uma prática de higienização de raça, ou seja aqueles que não servissem mais para exercer o seu papel dentro da sociedade não devem mais ser preservado, uma vez que sua função não mais existe, seja ela pois encerrada por alguma anormalidade ocorrida que fez determinada pessoa entrar em algum estado vegetativo, ou considerado fora do padrão de determinado grupo.

Além disso, existe também o argumento de que a Medicina está em constante evolução, e ninguém possui a capacidade de dizer que uma doença é

25 Menezes. Evandro Corrêa. Direito de matar. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1997. p. 96.

26 ASÚA, Luis Jimenez de. Libertad de amar y derecho a morrir: ensayos de un criminalista sobre

eugenesia y eutanasia. 7. ed. Buenos Aires: Depalma, 1992. p. 409-411.

27 Apud ESPÍRITO SANTO, André Mendes. Ortotonásia e o direito à vida digna, 2009. p. 83-84.

Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp086624.pdf>. Acesso em: 22.10.2019, às 15h38.

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incurável para sempre, já que o que hoje é considerado incurável amanhã pode vir a ser passível de tratamento.

Ademais, aqueles que se vêm em uma situação de total incapacidade e submissão a medicina acreditam estar em segurança já que os médicos fazem juramento no qual prometem cuidar da vida do próximo e preserva-la a fim de obter uma cura.

Nesse sentido, ainda debate-se pelo argumento de que a compaixão não deve ser vista como um motivo para se retirar a vida de alguém e que este motivo, se considerado poderia a vir influenciar na prática de outros crimes, buscando a sustentação por exemplo de um homicídio com compaixão, ou de qualquer outro crime. O fato é que de verdade, a eutanásia não está ligada somente a vida de alguém que se vê em um estado de sofrimento, mas sim no envolvimento de toda uma família, amigos e etc. Este ato portanto não se refe apenas a uma pessoa, não está somente envolto ao redor de um paciente e sim de todo um grupo.

Além de tudo isso, há que se lembrar que a Eutanásia não possui aprovação pelo nosso Código Penal, sendo portanto crime, muitas vezes encaixado dentro do próprio homicídio com uma determinada razão social e relevante valor moral, mas mesmo assim trata-se de um ato atentatório contra a vida Humana e que poderia então abrir um vasto leque, caso fosse aceito para a prática de diversos outros crimes também contra a vida.

6. CONCLUSÃO

Diante de todo o exposto, conclui-se por este trabalho que a Eutanásia é um assunto de grande relevância, que possui diversos pontos a serem considerados, sendo talvez quase impossível para o nosso ordenamento conseguir balancear o que mais pesa, o direito à vida ou a dignidade da Pessoa Humana, já que ambos andam juntos, e em alguns casos não podendo sequer distingui-los.

A ortotanásia, aquela que já tão bem explicada no decorrer deste artigo, não está ligada a um ato ativo para o praticamente e sim, uma segunda forma de tratar uma vida inútil, de maneira menos severa deixando portanto a vida seguir o seu rumo sem qualquer intervenção, tendo para os adeptos da religião um pouco mais de sentido, já que não se interfere diretamente na morte e sim apenas deixa-se de tratar ou de medicar a fim de evitar um sofrimento desnecessário.

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Conclui-se também que o direito à vida é indisponível e não possui exceções e nem deve, pois a aprovação de uma prática como essa poderá abrir enormes lacunas para que se cometam crimes contra à vida, afinal a eutanásia é um homicídio vestido com a capa da desculpa de que foi praticado em misericórdia e piedade ao próximo, ademais a medicina está em constante evolução e uma doença que não possuí cura hoje poderá ser curável amanhã, a verdade é que a vida jamais deve ser banalizada ou esquecida.

A Exposição de motivos da Parte Especial do Código Penal elucida claramente que o relevante valor moral, como honoris causa, poderá priviliar o homicídio, mas continuará homicídio, in verbis:

40. (...) Ainda quando ocorra a honoris causa (considerada pela lei vigente como razão de especial abrandamento da pena), a pena aplicável é a de homicídio.

Apesar de todo o sofrimento pelo qual determinada pessoa esteja passando, talvez ela tenha como pedido principal o direito a sua vida, talvez um dia a mais vivido por ela seja uma conquista já que a ninguém deve ser tirado a esperança de uma possível cura, pois a vida não é previsível nem mesmo para os médicos, dizer que alguém vai morrer de qualquer forma e por isso deve ser privada de viver seus últimos, ou não, dias é uma visão somente daqueles que estão fora do corpo do paciente.

Mesmo com a criminalização da eutanásia no Brasil, e a vida alicerçada na Constituição Federal, embora não mencionada nos jornais e demais meios de comunicação de massa, ela acontece diariamente, fato este contado por profissionais da saúde, especificamente por Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros, que conforme relatos se veem obrigados a agir em prol de uma vida por determinação do Médico, tal ato é chamado de SPP – Se Parar Parou . E infelizmente não há como se punir pois muitas vezes não há como se provar, ou estes agentes não procuram denunciar pois isto já tem se tornado algo comum neste meio.

As divergências existentes a respeito desse assunto só se encerrarão quando o ordenamento jurídico criar uma tipificação especifica a respeito da eutanásia de forma clara, tratando inclusive de suas classificações. Ou se de fato descriminalizar tal ato. Para que a descriminalização ou regulação aconteça deverá ser feito uma ampla pesquisa a respeito das consequências que isso irá causar, sejam elas

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positivas ou negativas, possivelmente as negativas serão maior pois a eutanásia embora tenha suas justificativas encerra o ciclo da vida, de forma definitiva, pois a morte é a única coisa que não tem volta.

Há aqueles que digam que não cabe ao Estado intervir na morte de alguém, porém esse argumento deve ser definitivamente afastado, com o perigo de gerar consequências desastrosas, já que se a vida não fosse tratada pelo Estado, todos os crimes que há envolvessem teriam que ser descriminalizados, todas as formas que embora não sejam completamente eficazes de se proteger uma vida deveriam ser esquecidas, a humanidade não está e nunca estará preparada para viver sem regras, sem leis e sem princípios, principalmente daqueles que tratam do bem maior que temos. A tudo deve ser dado seu devido valor, e quanto mais valor se tem mais proteção se exige, por isso e por tantos outros argumentos é que a vida deverá ser sempre protegida, em todo e qualquer circunstância, principalmente para aqueles mais vulneráveis.

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REFERÊNCIAS

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Referências

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