2.1 PROCESSOS E ATRIBUTOS DO MEIO FÍSICO
2.1.1 Geologia
A bacia do rio Uruguai está assentada em derrames basálticos da Formação Serra Geral. Subordinadamente ocorrem depósitos de sedimentos conglomeráticos e arenitos diversos dispostos em discordâncias erosivas (formações sedimentares de origem eólica da Formação Botucatu).
O trecho estudado se situa no extremo sul da bacia do Paraná (Brasil) ou Chaco-Paranaense (Argentina), a qual foi formada em uma depressão intercratônica preenchida por sedimentos e rochas vulcânicas de idade pós-devoniana, localizada entre o arco de Assunção e o escudo do Rio Grande do Sul.
Sobre essas estruturas se depositaram sedimentos desde o Devoniano até o Permiano. Durante o período Juro-Cretáceo ocorreram os grandes derrames de lavas basálticas de tipo fissural (Formação Serra Geral, no Brasil, ou Miembro Posadas, na Argentina). Ocorrem também intercalações de arenitos eólicos (Formação Botucatu no Brasil; Arenitos Misiones, no Paraguai; Arenitos Taquarembó, no Uruguai; e Formações Curuzú Quatiá e Solari, na Argentina). A espessura deste conjunto de rochas vulcânicas e sedimentares ultrapassa 5.000 metros no Brasil.
O soerguimento desta depressão durante o Terciário provocou uma intensa erosão com o desenvolvimento de uma ampla rede de drenagem, cujos principais coletores foram o rio Paraná, no centro da bacia, e o rio Uruguai em sua margem oriental. Como consequência, a sedimentação subsequente foi restringida a esporádicos depósitos cenozóicos, descontínuos ou de pequena espessura. A sedimentação mais recente (quaternária) ocorre nos leitos atuais dos grandes rios e é constituída por argilas, siltes, areias e cascalhos, sob a forma de aluviões.
Os estudos geológicos realizados nesta etapa de inventário tiveram como objetivo gerar um mapa de unidades geológicas a partir da informação e cartografia disponível. Utilizaram-se planos geológicos do Brasil e da Argentina em escalas 1:500.000 a 1:1.000.000. O mapa INV.URG-GE.77-MP.4002, Tomo 21, apresenta as principais estruturas geológicas da área de estudo.
2.1.1.1 Litologias e Unidades Geológicas
A Formação Serra Geral constitui a unidade litológica dominante do trecho limítrofe da bacia, aflorando maciçamente no trecho norte, enquanto que no sul se apresenta em forma de afloramentos esparsos na região. De modo geral apresenta-se quase sempre acompanhada de uma cobertura sedimentar de espessura variável.
Distinguem-se dois tipos texturais principais de basaltos: os densos e os vesículo-amigdaloidais. Comumente entre eles se intercalam arenitos em cunhas ou bolsões, com ou sem metamorfismo térmico, além de brechas basálticas.
A alteração dos minerais do basalto pode produzir materiais do tipo expansivo do grupo da montmorillonita, em especial a nontronita, com importantes implicações para a engenharia.
O sílex amorfo, que também se observa nos basaltos preenchendo fissuras ou vesículas, pode apresentar elevada reatividade com os álcalis do cimento.
Os arenitos intercalados, às vezes quartzíticos, possuem estratificação cruzada com textura média a grosseira.
A Formação Fray Bentos aflora no trecho inferior do rio Uruguai (região de San Pedro) e é constituída por argilas calcíferas e margas de cor rosa, com presença também de arenitos, loess e limonitas.
A Formação Ituzaingó é composta de areias e arenitos friáveis de cor ocre com lentes argilosas de cor verde cinzenta e amarelada. É frequente a laminação diagonal e cruzada. Aflora na região de San Pedro e pode apresentar espessuras de 12 a 15 metros.
A Formação Pampiana constitui uma das rochas matriz dos solos do trecho inferior. São constituídas por areias siltosas e silte argilosos, com nódulos de manganês. As areias são predominantemente quartzíticas com pouca mica, cujas espessuras não superam os 5 metros.
A Formação Misiones corresponde em geral aos solos residuais e/ou transportados de constituição silto-argilosa a argilo-siltosa de coloração avermelhada com concreções lateríticas. As espessuras maiores se encontram afastadas do curso fluvial, podendo chegar a 16 metros.
Tectônica
A Bacia do Paraná, em seu extremo SO, apresenta uma complexa fossa tectônica entre dois núcleos antigos na qual se depositou, no Paleozóico Inferior e até o final do Cretáceo, uma potente sequência de sedimentos e derrames de lava. A presença deste conjunto indica a ocorrência de um prolongado processo de subsidência que, em seu final, entrou em fase de inversão, permitindo a ação dos agentes de erosão e o afloramento de todas as formações.
Todo esse conjunto apresenta uma pequena inclinação, em torno de 5º, com direção SSO.
Os alinhamentos mais representativos apresentam orientações N30ºE e N20ºO a N56ºO, e controlam em grande parte o curso do rio Uruguai.
Durante os trabalhos de campo efetuados nesta etapa não foi possível detectar estas estruturas nas zonas dos eixos, devido à persistente cobertura de solo. Tal detalhamento é fundamental para a evolução dos estudos dos futuros empreendimentos.
2.1.1.2 Sismicidade
A área de estudo é tectonicamente estável desde o ponto de vista sismológico, já que é tipicamente uma zona intraplaca.
Foram registrados no mapa geológico os epicentros de sismos históricos registrados na área de estudo, os quais surgem de dados históricos e de catálogos de fontes tais como: Barrocal et
al. (1984), Boletim Sísmico Brasileiro, Observatorio de La Plata e ISC (Centro Sismológico
Internacional).
O INPRES (Instituto Nacional de Prevención Sísmica da Argentina) qualifica a área como de Coeficiente Sísmico Zonal igual a zero (Co = 0).
Na bibliografia mundial há casos citados de sismos induzidos por formação de grandes represas, por isso em projetos de magnitude são considerados Sismos Básicos de Projeto, como coeficientes de segurança do projeto diante destes eventos.
2.1.1.3 Recursos Minerais
A área de estudo apresenta explorações de recursos minerais entre os que merecem ser citados:
- Minerais pesados, gemas, metais, gesso, concentrações aluminosas e de ferro, asbestos, materiais para construção, basaltos, rípio, areias, argilas para cerâmica, solos (para tijolos, telhas, etc.) mármores e caliças, e hidrocarbonetos, gás e carvão mineral, sendo que estas últimas explorações não se encontram nas proximidades do rio Uruguai.
Entre as proximidades do rio Uruguai, as principais explorações estão na margem esquerda (Brasil) em Porto Lucena, na margem direita (Argentina) em Itacaruaré (fábrica de tijolos) e na zona entre Oberá e Santa Rita (canteira de basaltos, Cantera Ibarra). Também na margem direita encontra-se outra exploração, nas proximidades de Santa Maria.
Em nível de inventário não se registraram explorações industriais de importância na área próxima ao rio Uruguai. Sem embargo, há ocorrências na área de estudo como um todo. Sobre o território brasileiro existem abundantes autorizações de buscas, exploração e atividades em curso na área da bacia, inclusive as de menor escala junto a licenças gestadas e a outorgar. Em território argentino as explorações mineiras são de terceira a quarta ordem de importância.
2.1.2 Geomorfologia
Os estudos geomorfológicos realizados na área caracterizaram as geoformas presentes, os relevos e suas vinculações com as litologias aflorantes ou subjacentes, as coberturas detríticas, aluvionais, a dinâmica fluvial da área, além de determinar os processos de acumulação ou dissecção atuantes.
Também foram estudados os condicionantes morfotectônicos a fim de que, em conjunto com as geoformas e relevos, facilitassem a caracterização da estabilidade das encostas, a suscetibilidade à erosão e as áreas de maior risco de permeabilidade.
Como característica geomorfológica geral tem-se a presença de planos estruturais horizontais ou sub-horizontais que aumentam em altitude de sul a norte. Cada um destes níveis corresponde às superfícies dos derramamentos basálticos dominantes na área e, em menor grau, aos níveis sedimentares de origem eólica interestratificados.
Essa configuração morfoestrutural dá lugar a duas regiões geomorfológicas principais, uma a sul e outra a norte, separadas por uma área intermediária de transição.
Genericamente a região pode ser assim descrita:
Região sul: relevo de colinas baixas, separadas por sistemas fluviais com fundo de vales largos. Distinguem-se dois níveis de altitudes horizontais. Predomínio dos processos de degradação/deposição sobre os processos de degradação/erosão.
Região norte: relevo abrupto integrado por uma sucessão de planaltos e colinas irregulares, definindo três ou mais níveis de altitude horizontais. Predomínio dos processos de degradação/erosão sobre os processos de agradação/acumulação.
Região central: zona de transição onde as características são intermediárias entre as regiões sul e norte.
Os diferentes níveis de altitude estão cobertos por solo, sobretudo na região sul. Na região norte afloram bancos resistentes que definem planícies estruturais.
Essas características se vinculam com as estruturas presentes e têm regulado a evolução da paisagem juntamente com as características climáticas atuantes na área, potencializando os processos morfológicos, tais como: intemperismo, ação fluvial e, principalmente, remoção de massa. No mapa INV.URG-GE.77-MP.4003, Tomo 21, são apresentadas as unidades geomorfológicas presentes na área de estudo.
a) Unidades morfológicas
− Domínio de Morros e Serras baixas;
− Domínio de Colinas amplas e suaves;
− Domínio de Colinas dissecadas e Morros baixos;
− Planaltos e Chapadas baixas;
− Escarpas estruturais erosivas;
− Superfícies aplainadas, retocadas ou degradadas;
− Planícies fluviais ou fluviolacustres.
As primeiras três unidades (Domínio de Morros e Serras baixas, Domínio de Colinas amplas e suaves e Domínio de Colinas dissecadas e Morros baixos) conformam a maior parte superior e ocidental da bacia.
Os Planaltos e Chapadas baixas e Escarpas estruturais erosivas aparecem na parte mais ocidental da bacia e ocupando superfícies menores
As Superfícies aplanadas, retocadas ou degradadas e as Planícies fluviais ou fluviolacustres conformam a parte inferior e oriental da bacia, e todas as planícies fluviais da rede de drenagem da região.
Os distintos níveis de altitude estão cobertos de solo, sobretudo na região sul, enquanto que na região norte surgem bancos resistentes que definem planícies estruturais.
b) Processos Atuantes e Regiões
Desde o ponto de vista dos processos erosivos e de deposição pode ser dito que existem três áreas diferenciadas na bacia:
- Região sul: relevo de colinas baixas, separadas por sistemas fluviais com fundo de vales largos. Distinguem-se dois níveis de altitude horizontais desde Monte Caseros a Colonia e Garabi – Garruchos, excetuando a região da planície elevada de
Característica: Predomínio dos processos de agradação / depositação sobre
os processos de degradação / erosão.
- Região norte: relevo abrupto integrado por uma sucessão de chapadas e colinas irregulares, que definem três ou mais níveis de altitudes horizontais. Zona desde Concepción de la Sierra até os Saltos do Moconá, incluindo a planície elevada de Apóstoles.
Característica: Predomínio dos processos de degradação / erosão sobre os
processos de agradação / acumulação.
- Região central: zona de transição onde as características são intermediárias entre as regiões sul e norte. Zona entre Garruchos e Azara e áreas contíguas.
- Regiões fluviais: as superfícies aplainadas, retocadas ou degradadas e as planícies fluviais ocupam as margens dos cursos fluviais de toda a área de estudo.
Característica: Processos de dissecção, redes de drenagem e
acumulação-agradação.
- Regiões de embasamento metamórfico e unidades rochosas: aparecem na parte ocidental brasileira da área de estudo. São unidades de idade pré- cambriana, paleozóica e mesozóica.
O caráter geomórfico geral está dado, então, por: 1) chão dos vales, 2) colinas e 3) chapadas, que se vinculam com as estruturas presentes, que tem regulado a evolução da paisagem com as características climáticas (áreas subtropicais), e que atuaram potencializando os processos morfológicos atuantes, tais como meteorização, ação fluvial e remoção em massa principalmente.
2.1.2.2 Dinâmica Superficial
Além dos processos de erosão – deposição descrita e atuante na área, a bacia de estudo do rio Uruguai está submetida a processos erosivos potencializados pela ocupação e uso da terra.
Há um maior efeito dos processos de lavagem em manto diante das chuvas torrenciais e processos de remoção em massa em taludes, devido ao efeito dos desmontes e cultivos realizados nas pendentes de morros e colinas nestas áreas. Isto produz a saturação de algumas redes menores de drenagem e afluência de maior material sedimentário nas depressões inter-colinas e nos cursos fluviais, com sua consequente influência nos processos de maior transporte e deposição / sedimentação em toda a bacia.
Este efeito é marcadamente maior sobre a margem esquerda do rio Uruguai, em território brasileiro, que sobre as áreas de margem direita, na Argentina.
2.1.3 Erodibilidade
Com base nas estruturas geológicas e feições geomorfológicas que ocorrem na área de estudo foram definidas categorias quanto à suscetibilidade a erosão dos solos, de acordo a resistência e contribuição do material clástico existente.
Permeabilidade
Os estudos tiveram como objetivo estabelecer com critério geológico-geotécnico, áreas de diferente permeabilidade, definindo a mesma como a capacidade de permitir o fluxo de água através de si e dependendo disto, infiltrar-se nos materiais presentes ou escorrer superficialmente.
Determinaram-se, então, 5 categorias de permeabilidade:
Muito alta: Depósitos Atuais, do Terciário e do Quaternário. Conglomerados, areias, finos inconsolidados.
Alta: Depósitos Atuais, do Terciário e do Quaternário. Conglomerados, areias, finos inconsolidados com menor grau de alteração que a classe Muito Alta.
Média: Depósitos Pleistocênicos e Holocênicos (Quaternário) pouco consolidados.
Baixa: Derramamentos de lavas basálticas, arenitos quartzíticos intercalados e embasamento metamórfico de idades Pré-cambriana a Cretácea com algum grau de fratura e alteração.
Muito baixa: Derramamentos de lavas basálticas, arenitos quartzíticos intercalados e embasamento metamórfico de idades Pré-cambriana a Cretácea.
Estabilidade
Foram estudadas as características das unidades geológicas presentes em interação com as características físicas do meio e a ação antropogênica, a fim de determinar na bacia de estudo áreas estáveis e instáveis. Foram definidas duas classes:
Áreas instáveis: áreas de superfícies menores nas ribeiras dos rios principais e afluentes importantes e zonas de taludes empinados com movimentos de reptação em massa. São áreas com capacidade de acomodamentos diante de flutuações da represa, por mecanismos de embebimento, geração de tensões intersticiais e redução dos ângulos de fricção e coesão dos materiais que as compõem.
São as áreas menores dos taludes em Planaltos e Chapadas baixas e Escarpas estruturais erosivas que estão distantes das represas, e as áreas de Superfícies aplanadas, retocadas ou degradadas e Planícies fluviais ou fluviolacustres nas margens dos cursos fluviais.
Áreas estáveis: o resto da bacia. Abrange as chapadas, os relevos de colinas, os planaltos, morros, colinas e depressões amplas.
São as áreas maiores da bacia (caracterizados como os Domínios de Morros e Serras baixas, Domínios de Colinas amplas e suaves e os Domínios de Colinas dissecadas e Morros baixos e Planaltos e Chapadas baixas).
Os estudos realizados foram orientados para definir categorias em relação a resistência a erosão e aporte de material clástico, a partir das unidades geológicas presentes na área de estudo. No mapa INV.URG-GE.77.MP-4006, Tomo 21, são apresentadas as categorias estabelecidas de acordo com os seguintes critérios:
Muito alta: Sedimentos inconsolidados do Quaternário e áreas de cursos e planícies fluviais de toda a bacia, mesmo entre áreas rochosas pré-cambrianas e paleozóicas.
Alta: Sedimentos inconsolidados do Quaternário e áreas de cursos e planícies fluviais de toda a bacia, mesmo entre áreas rochosas pré-cambrianas e paleozóicas. Difere da anterior por possuir um menor grau de alteração.
Alta média: Sedimentos inconsolidados do Quaternário e Terciário e planícies fluviais, mesmo entre áreas rochosas pré-cambrianas e paleozóicas.
Média alta: Sedimentos inconsolidados do Quaternário e Terciário
Média: Sedimentos medianamente consolidados e unidades rochosas com alta fratura e alteração.
Média baixa: Unidades rochosas com pouca alteração e sedimentos de diversos tipos cimentados com carbonatos, sílice, etc.
Baixa média: Unidades rochosas desde o pré-cambriano até o Cretáceo. Basaltos, arenitos e rochas metamórficas com pouco grau de alteração.
Baixa: Unidades rochosas desde o pré-cambriano até o Cretáceo. Basaltos, arenitos e rochas metamórficas inalteradas e sem fratura evidente.
2.1.4 Solos e Capacidade de Uso
2.1.4.1 Solos
a) Introdução
A pedologia é uma ciência relativamente recente que tenta diferenciar regionalmente e descrever as características dos diferentes solos, descrevendo as características morfológicas, físico-químicas, hidrológicas e mineralógicas das diferentes camadas que se estendem sobre o material original. Desde seus início têm-se consolidado diferentes metodologias de classificação que não permitem correlacionar as categorias.
O estudo de solo foi realizado pelo Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA), da Argentina, e, para tanto, foram consideradas as classificações de solos adotadas na Argentina e no Brasil.
Para a classificação de solos da Argentina, o INTA considerou os alinhamentos do sistema americano conhecido como SOIL Taxonomy (SSS-USDA 1975), entendendo que este sistema permitia caracterizar com propriedade os solos deste país.
No caso do Brasil, as classificações internacionais não resultavam úteis, uma vez que se verifica uma predominância de solos desenvolvidos em condições de clima tropical e não temperado e, por isto, os brasileiros tiveram que desenvolver um sistema próprio de classificação.
b) Classificação de solos da área do projeto
O sistema americano conhecido como SOIL Taxonomy (SSS-USDA 1975) apresenta um modelo de relações genéticas entre os solos e está estruturado em um esquema hierárquico de 6 categorias.
As categorias superiores possuem poucas divisões definidas em termos gerais e amplos por meio de umas poucas características diferenciadoras, nas categorias inferiores há um grande número de divisões.
De maior a menor nível de generalização, as categorias do SOIL TAXONOMY são Ordem, Subordem, grande Grupo, Subgrupo, Família e Série. As Ordens são dez, cujos caracteres diferem de acordo com o tipo e a intensidade com que têm atuado os processos de formação. Cada ordem se divide por sua vez em 10 subordens que se distinguem entre si com base naquelas propriedades que exercem maior controle sobre os processos de formação dominantes na atualidade (clima, material original e atividade biológica são exemplos deste tipo de controle), os Grandes Grupos, dentro de cada subordem, estão definidos por propriedades dos solos que proporcionam uma influência adicional sobre os processos genéticos atuantes. Estes grandes grupos se dividem, por sua vez, em Subgrupos cujas propriedades representam desvios dentro do que se considera o conceito central do grande Grupo. Como divisões dentro do subgrupo se encontram a Família e a Série, que definem características mais específicas.
No Atlas de solos realizado pelo INTA em escala 1:500.000 em sua versão digital foram identificadas classes até o nível de Subgrupo.
As propriedades selecionadas para caracterizar os diferentes Subgrupos foram: drenagem, salinidade, sodicidade, risco e características de erosão, profundidade do solo, classes texturais, pedregosidade e rochosidade, perigo de alagamento e inundação, fertilidade natural, acidez, teor de alumínio intercambiável e conteúdo de plintita.
A classificação americana tem tido várias aproximações. O levantamento da Argentina foi realizado atendendo os critérios da 7ª aproximação americana.
O sistema brasileiro de classificação se baseia, fundamentalmente, nos atributos morfopedogênicos, que são os indicadores dos processos de formação do solo. Apresenta também um sistema hierárquico (que, ao contrário do sistema americano, é descendente) e é aberto, habilitando a incorporação de novas classes de solos à medida que vão se relevando. Encontra-se na atualidade no estágio de 4ª aproximação (Ordem, Subordem, grande Grupo e Subgrupo).
Os solos são classificados com base no horizonte diagnóstico de superfície (A chernozêmico, A proeminente, etc.) e de sub-superfície (considerando neste caso o horizonte B: B latossólico, B textural, etc.).
O sistema americano também descreve o horizonte diagnóstico de superfície e o de sub-superfície, mas o horizonte de superfície (epipedon: mólico, úmbrico, ócrico, etc.) não é equivalente ao horizonte A descrito pelo sistema brasileiro.
Os limites de solos do Brasil foram digitalizados do mapa de solos compilado pelo DERMA no ano 2002, em escala 1:1.000.000, com base em cartas levantadas pelo IBGE, v33 de 1986. Cada uma das classes, ou associações de classes identificadas, foi tomada da mesma fonte.
Em 2005, a Embrapa publicou uma versão atualizada do Sistema de Classificação de solos do Brasil (com 4ª grau de aproximação) na qual algumas categorias da classificação anterior foram trocadas e no caso dos Alissolos a classe foi suprimida. A nova classificação conta com 13 ordens e 44 subordens.
No Quadro 2.1.4.1-1, são apresentadas as mudanças produzidas.
Quadro 2.1.4.1-1. Comparação da classificação de solos da EMBRAPA (BR) em 1999 e 2005
EMBRAPA 1999 EMBRAPA 2005 ALISSOLOS A. Crômicos A. Hipocrômicos Classe extinta ARGISSOLOS A. Acinzentados A. Amarelos A. Vermelhos A. Vermelho-Amarelos ARGISSOLOS A. Bruno-acizentados A. Acizentados A. Amarelos A. Vermelhos A. Vermelho-Amarelos CAMBISSOLOS C. Hísticos C. Húmicos C. Háplicos CAMBISSOLOS C. Hísticos C. Húmicos C. Flúvicos C. Háplicos CHERNOSSOLOS C. Rêndizicos C. Ebânicos C. Argilúvicos C. Háplicos CHERNOSSOLOS C. Rêndizicos C. Ebânicos C. Argilúvicos C. Háplicos ESPODOSSOLOS E. Cárbicos E. Ferrocárbicos ESPODOSSOLOS E. Humilúvicos E. Ferrihumilúvicos E. Ferrilúvicos GLEISSOLOS G. Tiomórficos G. Sálicos G. Melânicos G. Háplicos GLEISSOLOS G. Tiomórficos G. Sálicos G. Melânicos G. Háplicos LATOSSOLOS L. Brunos L. Acinzentados L. Amarelos L. Vermelhos L. Vermelho-amarelos LATOSSOLOS L. Brunos L. Acinzentados L. Amarelos L. Vermelhos L. Vermelho-amarelos LUVISSOLOS L. Crômico L. Hipocrômicos LUVISSOLOS L. Crômico L. Háplicos PLANOSSOLOS P. Nátricos P. Hidromórficos P. Háplicos PLANOSSOLOS P. Nátricos P. Háplicos
EMBRAPA 1999 EMBRAPA 2005 PLINTOSSOLOS P. Pétricos P. Argilúvicos P. Háplicos PLINTOSSOLOS P. Pétricos P. Argilúvicos P. Háplicos VERTISSOLOS V. Hidromórficos V. Ebânicos V. Cromados VERTISSOLOS V. Hidromórficos V. Ebânicos V. Cromados 14 ORDENS 44 SUBORDENS 13 ORDENS 44 SUBORDENS
O Quadro 2.1.4.1-2 mostra as correlações entre a nova versão e as classificações anteriores usadas pela EMBRAPA.
Quadro 2.1.4.1-2. Correlação entre Classificações de Solos Usadas pela EMBRAPA (BR)
Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (2005) Classificações anteriormente usadas na Embrapa Solos
ARGISSOLOS
RUBROZEM, PODZÓLICO BRUNO-ACINZENTADO DISTRÓFICO ou ÁLICO, PODZÓLICO VERMELHO-AMARELO DISTRÓFICO ou ÁLICO. Ta, e alguns PODZÓLICOS VERMELHO-AMARELOS DISTRÓFICOS ou ÁLICOS Tb (com limite mínimo de valor T de 20 cmolc/kg de argila). PODZÓLICO VERMELHO-AMARELO Tb, pequena parte de TERRA ROXA ESTRUTURADA, de TERRA ROXA ESTRUTURADA SIMILAR, de TERRA BRUNA ESTRUTURADA e de TERRA BRUNA ESTRUTURADA SIMILAR, com gradiente textural necessário para B textural, em qualquer caso Eutróficos, Distróficos ou Álicos, e mais recentemente o PODZÓLICO VERMELHO-ESCURO Tb com B textural e PODZÓLICO AMARELO.
CAMBISSOLOS
CAMISSOLOS EUTRÓFICOS, DISTRÓFICOS e ÁLICOS Ta e Tb. Exceto os com horizonte A chernozêmico e B incipiente EUTRÓFICOS Ta. CAMBISSOLOS EUTRÓFICOS, DISTRÓFICOS e ÁLICOS Ta e Tb. Exceto os com horizonte A chernozêmico e B incipiente EUTRÓFICOS Ta.
CHERNOSSOLOS BRUNIZEM, RENDZINA, BRUNIZEM AVERMELHADO e BRUNIZEM
HIDROMÓRFICO.
ESPODOSSOLOS PODZOL, inclusive PODZOL HIDROMÓRFICO.
GLEISSOLOS
GLEI POUCO HÚMICO, GLEI HÚMICO, parte do HIDROMÓRFICO CINZENTO (sem mudança textural abrupta), GLEI TIOMÓRFICO e SOLONCHAK com horizonte glei.
LATOSSOLOS LATOSSOLOS, excetuadas algumas modalidades anteriormente identificadas, como LATOSSOLOS PLÍNTICOS.
LUVISSOLOS
BRUNO NÃO CÁLCICO, PODZÓLICO VERMELHO-AMARELO
EUTRÓFICO Ta, PODZÓLICO BRUNO-ACINZENTADO EUTRÓFICO, e os PODZÓLICOS VERMELHO-ESCUROS EUTRÓFICOS Ta.
NEOSSOLOS LITOSSOLOS, SOLOS LITÓLICOS, REGOSSOLOS, SOLOS ALUVIAIS e AREIAS QUARTZOSAS (Distróficas, Marinhas e Hidromórficas).
NITOSSOLOS
TERRA ROXA ESTRUTURADA, TERRA ROXA ESTRUTURADA SIMILAR, TERRA BRUNA ESTRUTURADA, TERRA BRUNA
ESTRUTURADA SIMILAR e alguns PODZÓICOS VERMELHO ESCUROS Tb e alguns PODZÓLICOS VERMELHO-AMARELOS Tb.
ORGANOSSOLOS
SOLOS ORGÂNICOS, SOLOS SEMI-ORGÂNICOS, SOLOS
TIOMÓRFICOS TURFOSOS e parte dos SOLOS LITÓLICOS TURFOSOS como horizonte hístico com 30 cm ou mais de espessura.
Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (2005) Classificações anteriormente usadas na Embrapa Solos
PLANOSSOLOS PLANOSSOLOS, SOLONETZ-SOLODIZADO e HIDROMÓRFICOS
CINZENTOS que apresentam mudança textural abrupta.
PLINTOSSOLOS
LATERITAS HIDROMÓRFICAS, parte dos PODZÓLICOS PLÍNTICOS, parte dos GLEI HÚMICO e GLEICO POUCO HÚMICO PLÍNTICOS e alguns dos possíveis LATOSSOLOS PLÍNTICOS.
VERTISSOLOS VERTISSOLOS, inclusive os hidromórficos.
Em uma tentativa de correlacionar ambos os sistemas, no mesmo manual do sistema de classificação EMBRAPA 2005, descrevem-se os diferentes tipos de solo, de acordo com a classificação brasileira e seu equivalente aproximado dentro da classificação americana e da FAO, os que se sintetizam no Quadro 2.1.4.1-3.
Não obstante, esta aproximação é só em nível de Ordens, ou seja, o primeiro nível dos seis estabelecidos na classificação de Soil Taxonomy.
Quadro 2.1.4.1-3. Correlação entre os Sistemas de Classificação de Solos
SiBCS FAO FAO-WRB SOIL TAXONOMY
Neossolos ---- --- Entisols
(Neossolos
Quartzarênicos)
Arenosols Arenosols (Quartzipsamments)
(Neossolos Regolíticos) Regosols Regosols (Psamments)
(Neossolos Litólicos) Leptosols Leptosols (Lithic... Orthents) (Lithic... Psamments)
(Neossolos flúvicos) Fluvisols Fluvisols (Fluvents)
Vertissolos Vertisols Vertisols Vertisols
Cambissolos Cambisols Cambisols Inceptisols
Chernossolos Chernozems Kastanozems Phaeozems Greyzems Chernozems Kastanozems Phaeozems --- ----
Molisols (apenas os Ta) ---
Luvissolos Luvisols Luvisols Alfisols, aridisols (Argids)
Argissolos Acrisols Luxisols Alisols Acrisols Lixisols Alisols Ultisols Oxisols (Kandic)
Latossolos Ferralsols Ferralsols Oxisols
Espodossolos Podzols Podzols Spodosols
Planossolos Planosols Planosols Alfisols
(Planossolos Nátricos) Solonetz Solonetz Natr (ust-ud) alf
(Planossolos Háplicos) Planosols Planosols Albaquults, albaqualfs, plinthaqu (alf-ept-ox-ult)
Plintossolos Plinthosols Plinthosols Subgrupos Plinthic (várias
classes de Oxisols, Ultisols, Alfisols, Entisols, inceptisols)
Gleissolos Gleysols Gleysols Entisols
SiBCS FAO FAO-WRB SOIL TAXONOMY
(Gleissolos Sálicos) Solonchaks Solonchaks Aridisols, entisols (Aqu-sulfa-hydra-salic)
Organossolos Histosols Histosols Histosols
Nitossolos Nitisols Lixisols Alisols Nitisols Lixisols Alisols
Ultisols, Oxisols (Kandic), Alfisols
Não classificados no Brasil ---- Anthrosols Andosols ---- Gypsisols Calcisols Cryosols Anthrosols Andosols Umbrisols Gypsisols Durisols Calcisols Gelisols ---- Andisols ---- Vários subgrupos de Aridisols
Vários Grandes Grupos
Dura de Alfisols, Andisols,
Aridisols, Inceptisols, etc. Vários subgrupos de Vertisols, Molisols, Inceptisols, Alfisols, etc.
Também há antecedentes de tentativas de relacionar os sistemas de classificação de solos, como, por exemplo, no estudo de Viabilidade do projeto Garabi de 1987, onde a partir de estudos de solos, propuseram-se, como aproximações, algumas relações entre as classificações do Brasil e Argentina.
O INTA entendeu que não há informação suficiente para estabelecer relações entre os níveis de classificação considerando-se os diferentes alcances, critérios e requerimentos próprios de cada país, que fundamentaram ditas classificações e que se delinearam nos pontos anteriores.
Pelo exposto, o mapa de pedologia (INV.URG.-GE.77-MP.4005, do Tomo 21) é apresentado para os distintos tipos de solos com suas respectivas denominações de origem.
Distinto foi o caso na descrição da Capacidade de uso da Terra, onde embora também se difira na definição das categorias, as mesmas são de estrutura mais simples, o que tem permitido uma aproximação entre ambas, e que fica refletido no capítulo correspondente.
c) Solos Lado Argentino
A descrição de solos do lado argentino foi tomada do Atlas de Suelos de la República
Argentina, realizado pelo INTA em escala 1:500.000, no âmbito do projeto PNUD Arg 85/019, e
publicado em 1990 em versão impressa. Os limites das diferentes unidades foram tomados da versão digital realizada pelo INTA, em 1996. Estes limites foram postos sobre informação de satélite (imagens Landsat e RADAR), adequando e corrigindo seu registro espacial para uma melhor localização e desenho de rios, lagunas, serranias, etc.
A classificação de solos do INTA foi realizada seguindo os alinhamentos do sistema americano conhecido como SOIL Taxonomy (SSS-USDA 1975) descrito anteriormente.
Dentro da área em estudo foram identificadas, na província de Misiones, as seguintes unidades de solos em nível de Ordenes: Alfissolos, Entissolos, Molissolos e Ultissolos.
Província de Misiones
A Alfissolos
Udalfes
AQ Rodudalfes
A principal característica destes solos é a de apresentar um horizonte argílico de cor vermelha escura (hue dominante de 2,5 YR). Sua drenagem é de boa a moderada, são muito profundos e de boa fertilidade natural.
Apresentam uma sequência de horizontes A1, B1t, B 2 t, B3 t e C. O horizonte A1, é ócrico (por cor), argiloso; o B2t é argílico, levemente textural, argiloso, com de iluviação visíveis, com estrutura moderada a forte e de cor vermelha escura. O horizonte C apresenta restos de basalto temporizado, envolvido na fração terra fina de cor vermelha escura, e seu teto se define entre 150 e 200 cm de profundidade.
Localizam-se na região de relevo fortemente ondulado, no espaço que separa o Pediplano do Paraná da região montanhosa. Também é identificado nos estriamentos da chapada preservada ao rio Uruguai.
Sua geomorfologia está caracterizada pela presença de colinas com cumes suaves e pendentes de 5 a 10%. Sua principal restrição é a suscetibilidade à erosão hídrica, com limitações moderadas para cultivos comuns e aptos para espécies perenes. O uso atual é florestal e agrícola, em pequenas superfícies.
• AQ-2. – Associação de solos Rodudalfes (50%) em colinas; Rodualfes, moderadamente profundos (30%) em colinas e meias colinas; Hapludoles ênticos (20%) em escarpas a vias de água.
• AQ-5. – Associação de solos Rodudalfes (40%) em zonas de pendentes; Kandiudultes ródicos (30%) em colinas e meias colinas; Eutrocreptes dístricos (20%) em sopés de pendentes a vias de água; Afloramento Rochoso (10%) em setores de cúspide de escarpa.
AQ Rodudalfes moderadamente profundos
Estes solos se apresentam na região de relevo fortemente ondulado a colinado, no degrau que separa o pediplano do Paraná da região montanhosa. Dentro desta se localizam nas proximidades de Alem e, em menor proporção, na região de zonas, fundamentalmente sobre o Paraná, ademais se localizam no sul da província, na chapada preservada e seus contrafortes. Suas características estão fortemente influenciadas por sua geomorfologia, colinas e meias colinas com pendentes curtas de 8 a 15% e a erosão hídrica. Além disso, apresentam-se setores coluviais sub-recentes, algo estabilizados, com pendentes maiores a 10% associados a escarpas com solos pedregosos.
A sequência de horizontes desta fase dos Rodudalfes é A1, B1, B2t, Cr e R. Os horizontes diagnósticos são: um epipedon ócrito (por cor) franco argiloso e um B2t argílico de cor vermelha escura, argiloso, com estrutura moderada a forte com sinais de iluviação e concreções de ferro, escassas a abundantes, na parte inferior do perfil se destaca a ação do escorrimento do tipo
sub-superficial, médio a rápido que corre sobre o horizonte R, por breves lapsos coincidentes com as chuvas. O horizonte Cr contém fragmentos de basalto em decomposição que ocupam até 60% da matriz e seu teto aparece entre 50 e 150 cm de profundidade.
A fase moderadamente profunda dos Rodudalfes se define assim devido ao teto do horizonte Cr normalmente não superar 100 cm medidos desde a superfície. São solos moderadamente bem drenados e bem providos de nutrientes com escorrimento médio a rápido.
Por suas limitações de profundidade e suscetibilidade à erosão hídrica são aptos para florestamento, já que as raízes podem penetrar. Apresentam severas limitações por elevado gradiente e erosão hídrica para uma produção adequada e sustentada de cultivos anuais; são moderadamente aptos para cultivos perenes adaptados à zona, em função da espessura do solum.
A fase moderadamente profunda dos Rodudalfes se apresenta como dominante na unidade cartográfica AQ-3 e se encontra associada nas unidades AQ-2, Mjen-6, Mjen-29, 4, UTrd-7 e UVrd-1, em todos os casos como componente subordinado.
• AQ-3. – Associação de Rodudalfes, moderadamente profundos (50%) em colinas e meias colinas; Etrocreptes dístricos (30%) em ladeiras e sopé de ladeiras a vias de água, Kandiudultes ródicos (20%) em colinas e meias colinas.
AQ Rodudalfes severamente erodidos
Esta fase dos Rodudalfes se caracteriza pela ausência do horizonte A devido aos efeitos da erosão hídrica. Frequentemente a sequência de horizontes é B1, B2t e R, o B1 é franco argilo arenoso, o B2t argílico, é argilo arenoso, de cor parda avermelhada escura, fortemente estruturado e com evidencias de iluviação. Na capa R o basalto é dominante e se encontra em processo de edafização, seu teto normalmente não supera 50 cm de profundidade. São bem drenados, ácidos, com cascalhos grossos e finos da superfície.
Localizam-se na região de relevo montanhoso do sul de Misiones, no departamento de Alem, ocupando as pendentes desgastadas por erosão hídrica.
Apresentam limitações muito severas para a produção sustentada de cultivos comuns e perenes adaptados à zona, sua melhor utilização é para florestamento em função de seu estado de degradação atual.
A fase severamente erodida dos Rodudalfes se associa como componente subordinado na unidade cartográfica MJen-31.
AL Kandiudalfes
Alrd Kandiudalfes ródicos
A característica principal destes solos é a de apresentar um horizonte Kandico de cor vermelha escura e com muito pouco contraste de cor entre os estados úmido e seco.
São bem drenados, sumamente profundos, ácidos com boas condições físicas para o desenvolvimento radical, de mediana a alta fertilidade química.
A sequência de horizontes mais comum é A1, B1t, B2t, B3t, Cr e R. O horizonte A1 é argiloso ócrito (pois frequentemente não cumpre os requisitos de cor para um epipedon mólico), com uma espessura que varia de acordo a seu grau de erosão hídrica atual – entre 10 e 25 cm. No caso de perfis com um A1 superficial lhe continua frequentemente um horizonte A3 mais estruturado e compacto. Após o A1 se apresenta um B1t levemente textural, com sinal de iluviação na matriz, o B2t argiloso Kandico reflete com exatidão as características deste horizonte rico em argilas de baixa atividade, com um CIC menor a 16 Cmol (+) Kg-1 argila e um CIC efetivo menor a 12 Cmol (+) Kg -1 argila (soma de bases mais alumínio intercambiável). Apresenta vernizes de iluviação e estruturas em forma de bloco moderadas a fortes, e escassas concreções de ferro: os limites com os sub-horizontes são graduais e sua permeabilidade é moderada.
Estes solos estão amplamente distribuídos na região do pediplano parcialmente disectado do vale do Paraná e na zona de “campos” ou pediplano parcialmente disectado sem vegetação arbórea, que engloba todo o sul de Misiones e penetra na província de Corrientes, conformando o conjunto de solos denominados “terra vermelha”. Sua geomorfologia é a de colinas com pendentes médias de 3 a 8% e são muito suscetíveis à erosão hídrica.
Apresentam muito boas condições para cultivos perenes como erva mate, chá, Tung e cítricos (localizado nas proximidades de Montecarlo) e para florestamento.
Os Kandiudalfes ródicos são dominantes na unidade cartográfica AXrd-1, e se associam nas unidades Byrd-3, UTrd-5 e UGtc-1, em todos os casos como componente subordinado.
Além disso, foram caracterizados solos moderadamente profundos com a mesma sequência de horizonte. O B2t pode apresentar escassos fragmentos de basalto em decomposição e cristalino. O B3 argiloso moderadamente estruturado apresenta fragmentos de basalto que aumentam sua proporção no horizonte Cr, também argiloso e com uma quantidade de cascalhos grossos, seixos e pedras que podem ocupar 50% da matriz; frequentemente o basalto está em decomposição, é poroso, quebradiço de cor vermelha amarelada e com argila vermelha escura.
O horizonte R apresenta dominância de pedras e seixos sobre os cascalhos.
A característica distintiva é que o teto do horizonte Cr está entre 150 e 200 cm, constituindo, assim, a fase moderadamente profunda dos Kandiudalfes ródicos do pediplano do Paraná, que tem uma espessura de solum muito superior a 2,5 m.
São bem drenados, fortemente ácidos, de moderada permeabilidade e bem providos de nutrientes.
Estes solos se localizam na região de relevo fortemente ondulado a colinado, com predomínio no setor norte da província, nas bacias do Uruguai e San Antonio. Além disso, apresentam-se na região de relevo montanhoso fortemente e nos contrafortes da chapada, preservada em todos os casos por uma forte influência por erosão passada e atual.
Apresentam-se em meias colinas com pendentes curtas de até 10% e em áreas inclinadas de setores coluviais sub-recentes modelados por erosão hídrica; justamente sua principal limitação é a suscetibilidade à erosão hídrica, o uso florestal é sua melhor aptidão, enquanto apresenta severas limitações para os cultivos comuns e são moderadamente aptos para cultivos perenes.
• Alrd-1. – Associação de solos Kandiudalfes ródicos (60%) em colinas; Distrocreptes líticos (20%) em setores de colina e sopés de colina; Haplacueptes húmicos (20%) em vales estreitos entre colinas.
• Alrd-5. – Associação de solos Kandiudalfes ródicos moderadamente profundos (50%) em colinas e meias colinas; Rodudalfes (20%) em pendentes; Udortentes típicos (20%) em setores escarpados; Afloramento rochoso (10%) em setores de cúspide de escarpa.
AM Kanhapludalfes
AMrd Kanhapludalfes ródicos
A sequência de horizontes característica deste Subgrupo é: A1, B1, B2t, B3t, Cr e R. Os horizontes diagnósticos são: um epipedon ócrito (por cor), argiloso e um horizonte Kandico B2t, argiloso com sinais de iluviação, moderadamente estruturado, em forma de bloco e com 10 / 20% da matriz ocupada por cascalhos grossos e seixos de basalto pouco meteorizados. Este horizonte não supera 40 cm de espessura e através de um B3t argiloso, passa-se a um Cr da mesma textura e 40 a 60% da matriz ocupada por cascalhos e seixos de basalto meteorizado. O teto da capa R se denota ao redor de 100 cm e apresenta mais de 80% da matriz ocupada por cascalhos e seixos. Este Subgrupo se particulariza pela presença de um horizonte Kandico de cor vermelha escura e de um contato paralítico que se manifesta antes de 150 cm de profundidade.
São solos bem drenados, moderadamente profundos, muito fortemente ácidos e de permeabilidade moderada. O desenvolvimento do sistema radical está limitado pela profundidade ao basalto.
Estão localizados na região de relevo fortemente ondulado a colinado, no setor oriental de Misiones, correspondente ao vale do rio Uruguai, desde as cercanias do Moconá, até um pouco mais ao sul de San Javier. Também se apresenta na região de relevo montanhoso fortemente, pertencente à bacia do arroio Soberbio e afluentes. Ocupa posições de meias colinas, com pendentes médias e curtas de 8 a 12%.
Devido a suas limitações por gradientes, profundidade, suscetibilidade à erosão hídrica, a produção de cultivos comuns e perenes da zona se apresenta severamente restringida. Em troca, sua aptidão é boa para a atividade florestal.
Os Kanhapludalfes ródicos são dominantes nas unidades cartográficas que levam o símbolo AMrd e se associam nas unidades EOtc-3 e UTrd-2 como componente subordinado.
• AMrd -1. Associação Kanhapludalfes ródicos (40%) em meias colinas com pendente de 8 – 12%; Kandiudultes ródicos (30%) em colinas e meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Udortentes típicos (20%) em setores escarpados; afloramentos rochosos (10%) em setores de cúspide de escarpa.
• AMrd-2. Associação de solos Kanhapludalfes ródicos (30%) meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Hapludoles ênticos (30%) em setores escarpados a vias de água com afloramento rochoso; Kandiudultes ródicos (20%) em colinas e meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Kanhapludalfes ródicos (20%) em pendentes.
E ENTISSOLOS
Ortentes
EO Udortentes EOtc Udortentes típicos
Estes solos amplamente distribuídos na região de relevo montanhoso apresentam uma sequência de horizonte A1, A/C, Cr e R. O A1 franco argiloso a argiloso, é superficial de cor parda avermelhada escura ócrito e com brita e cascalhos finos de basalto. O A/C de 15 a 40 cm de espessura apresenta de 30 a 60% da matriz ocupada por cascalhos grossos e finos, brita e em menor proporção seixos de basalto em estado de decomposição, de cor vermelha amarelada cuja porcentagem aumenta em profundidade.
A capa R frequentemente apresenta seu teto entre 50 e 100 cm da superfície, e sua característica distintiva é a de evidenciar até 90% da matriz pedras seixos e cascalhos em estado de decomposição quebradiços, pelo qual não constitui um contato lítico; esta característica os separa dos Udortentes líticos.
São bem drenados de escorrimento rápido, superficiais, moderadamente profundos e muito bem providos de bases devido à intensa meteorização do basalto.
Apresentam-se na região de relevo montanhoso intensamente, na de relevo fortemente ondulado ou colinado, e como inclusão na chapada preservada.
Estes solos predominam nas pendentes de escarpas de cerros e de colinas a cursos de água, com gradientes de 20 a 40%.
Por suas graves limitações são inaptos para cultivos comuns sob lavoura convencional, não obstante, utilizam-se pequenas superfícies em agricultura de subsistência com tração a sangue. No caso de que a selva subtropical nativa esteja degradada por desmontagem excessiva são aptos para florestar com pinhos, devido ao alto grau de fratura do basalto. Por último, definem-se como não aptos para espécies perenes como erva mate e chá.
Os Udortentes típicos são dominantes nas unidades cartográficas que levam o símbolo EOtc e se associam nas unidades Alrd-2, Alrd-3, Alrd-4 e Alrd-5: AMrd-1; MJen-29, UTrd-1, UTrd-2 e UTrd-6 e UTtc-1. Em todos os casos são dados como componente subordinado.
• EOtc-3. Associação de Urdontentes típicos (50%) em setores escarpados a vias de água; Kanhapludalfes ródicos (20%) em meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Kandiudultes ródicos (20%) em colinas e meias colinas com pendentes de 5 a 8%; afloramento Rochoso (10%) em pendentes.
• EOtc-4. Associação de solos Urdontentes típicos (50%) em setores escarpados e cerros com afloramentos rochosos; Hapludoles ênticos (20%) em setores escarpados e cerros com afloramentos rochosos; Eutrocreptes dístricos (20%) em ladeiras e sopé de ladeiras a vias de água; Kandiudalfes ródicos moderadamente profundos (20%) em setores coluviais fortemente ondulados e em zonas de pendentes.
M MOLISSOLOS
Acuoles
MC Argiacuoles
MCve Argiacuoles vérticos
A sequência de horizontes destes solos de vales aluviais é: A, A3, B2t e B3t; suas características principais se definem pela presença de um epipedon mólico, argiloso e um horizonte B2t argílico, argiloso, com moteados precisos e características vérticas com abundantes vernizes de fricção e conteúdos de argila superiores a 35 % em sub-horizontes que totalizam mais de 50 cm de espessura.
São imperfeitamente drenados, inundáveis, de condições físicas adversas para uma exploração normal das raízes.
Localizam-se exclusivamente na região dos Vales Secundários com depósitos aluviais e integram complexos de solos, tanto no norte (departamento Iguazú), como no sul da província, onde são mais frequentes, constituindo setores baixos, inundáveis e alagáveis, como é o caso do arroio Garupá.
Devido às graves limitações por excesso de umidade, somente são aptos para pecuária extensiva sobre campo natural e eventualmente para cultivos especiais como o arroz.
Os Argiacuoles vérticos são dominantes na unidade cartográfica MCve-4 e se associam como componente subordinado na unidade MCab-3.
• MCve-4. – Argiacuoles vérticos (30%) em baixos; Argiacuoles típicos (30%) em planos com pendentes muito suaves; Albaqualfes vérticos (30%) em planos com pendentes muito suaves. Afloramento rochoso (10%).
Udoles
MJ Hapludoles
MJen Hapludoles ênticos
Estes solos predominam na região de Relevo Montanhoso Fortemente e se caracterizam por apresentar-se em setores escarpados ou inclinados, com pendentes dominantes de 20 a 40%. Sua evolução edafogenética é incipiente e somente se manifesta através dos processos de humificação – mineralização da matéria orgânica. Tratam-se de processos dinâmicos em ambientes de Selva Subtropical, que têm derivado na formação de um horizonte órgano – mineral- epipedon mólico, como uma característica diagnóstica.
A sequência de horizontes mais frequentes é: O1/O2, A1, A/C e R. Os horizontes orgânicos constituídos por restos de folhagem em distintos estados de decomposição apresentam uma espessura variável que normalmente não supera 10 cm, e podem estar presentes em setores de selva muito degradada. Este subgrupo se caracteriza por ter epipedon mólico (A1 e A/C) geralmente de textura franca, pardo avermelhado escuro com fragmentos de basalto em decomposição e ausência de um horizonte B câmbico. A pedregosidade manifesta-se desde a superfície e se incrementa na matriz do horizonte A/C, até ocupar mais de 90% do horizonte R;
este fato define um contato paralítico, frequentemente localizado entre 50 e 100 cm de profundidade. Este material é fraturado, quebradiço e facilmente penetrado por raízes de diversas espécies da floresta nativa, como também por florestais implantados como os pinhos.
São solos bem drenados, superficiais a moderadamente profundos, com muito alta dotação de nutrientes, por causa da meteorização do Basalto com a conseguinte liberação de elementos alcalino – térreos. Sua pedregosidade é severa e evidenciam muito alta suscetibilidade à erosão hídrica.
Apresentam-se principalmente na Região de Relevo montanhoso; em setores colinados da região de relevo fortemente ondulado e finalmente em escarpas a cursos de água da zona do rio Paraná.
Apresentam muito graves limitações devido à forte pendente e pedregosidade. Só são aptos para a exploração racional da selva nativa, manejo que inclui o rápido reflorestamento com pinhos em razão do perigo de deterioro do recurso por erosão hídrica se estiver desprovido de sua flora protetora ou nativa.
Os Hapludoles ênticos são dominantes em todas as unidades cartográficas que levam o símbolo MJen e se associam às unidades AQ-2, AMrd-2 e EOTC-4, como componente subordinado. Por último, participam como inclusão na unidade cartográfica UTrd-5.
• MJen-6. Associação de solos Hapludoles ênticos (70%) em setores escarpados; Rodudalfes moderadamente profundos (30%) em depósitos coluviais fortemente ondulados.
• MJen -8. Associação de solos Hapludoles ênticos (70%) em setores escarpados com afloramentos rochosos; afloramento rochoso (30%), em setores de cúspide de escarpa. • MJen-29. Hapludoles ênticos (40%) em setores escarpados, cerros com afloramentos
rochosos; Udortentes típicos (20%) em setores escarpados e cerros com afloramento rochoso; Eutrocreptes dístricos (20%) em sopé de ladeiras a vias de água; Rodudalfes moderadamente profundos (20%) em depósitos coluviais fortemente ondulados e em pendentes.
• MJen-31. Complexo de solos composto por Hapludoles ênticos (60%) em colinas com pendentes curtas; Rodudalfes, severamente erodidos (20%) em pendentes; Hapludalfes líticos (10%) em setores escarpados; afloramentos rochosos (10%) em setores de cúspide de escarpas.
U ULTISSOLOS
Humultes
UG Kandihumultes
UGtc Kandihumultes típicos
Correspondem ao conjunto de solos denominados “terra vermelha” com uma sequência de horizontes: Ap, A12, B2t. O horizonte A é ócrico, argiloso, bem provido de matéria orgânica, pardo avermelhado escuro. O B2t argiloso, bem desenvolvido, cumpre com os requisitos de um horizonte Kándico, isto é, incremento de argila e capacidade de intercâmbio catiônico menor de 16 cmol (+) Kg¹ de argila.
São sumamente profundos, bem drenados, de cor vermelha intensa, com boas condições físicas para o desenvolvimento do sistema radical, ligeira a fortemente ácidos e de mediana fertilidade.
Sua limitação principal para a produção de cultivos comuns é o perigo de erosão hídrica, pelo qual é conveniente encarar práticas de manejo tendentes a prevenir dito risco. São muito aptos para cultivos perenes como erva mate, chá e florestais. O uso atual é agrícola, florestal e pecuário.
Localizam-se principalmente no Pediplano parcialmente, sem vegetação arbórea (zona de campos) e na região de relevo fortemente ondulado –setor sul- mais degradado por erosão hídrica. Em sua geomorfologia participam colinas cupuliformes, com pendentes de 3 a 8%.
Os Kandihumultes típicos são dominantes nas unidades cartográficas que levam o símbolo UGtc e se associam na unidade cartográfica POum-1 como componente subordinado.
• UGtc-1. – Associação de solos Kandihumultes típicos (50%) em colinas; Kandiudalfes ródicos (30%) em colinas; Distrocreptes líticos (20%) em setores de meia colina a sopé de colina.
• UGtc-3. – Associação de Kandihumultes típicos (40%) em colinas; Distrocreptes líticos (20%) em setores de meia colina a sopé de colina; Hapludoles líticos (20%) em colinas aplanadas e setores escarpados; Argiacuoles típicos (10%) em colinas aplanadas; afloramento rochoso (10%) em colinas aplanadas.
Udultes
UT Kandiudultes ródicos UTrd Kandiudultes ródicos
Integram o grupo de solos denominados “Terra vermelha”, e cobrem uma importante superfície da província. A sequência de horizontes mais característica é: A1, B1, B2 e B3. O A1 é um epipedon ócrico, argiloso, frequentemente com menos de 50% de saturação com bases. O horizonte B é Kándico ou argílico, com uma CIC menor de 16 cmol (+) Kg¯ ¹ de argilas e uma CIC efetiva menor de 12 cmol (+)Kg-¹ de argila (soma de bases mais alumínio), na maior parte de sua espessura; sua textura é argilosa, com incrementos graduais com a profundidade, fato que em alguns casos permite definir horizontes levemente texturais. São moderadamente estruturados, de cor vermelha a vermelha escura em todo o perfil, e frequentemente mais friáveis em profundidade.
São bem drenados, sumamente profundos, muito fortemente ácidos e com valores de alumínio intercambiável em profundidade que às vezes superam 2 meq%. Possuem baixa dotação em nutrientes e boas condições físicas para o desenvolvimento do sistema radical.
São dominantes no Pediplano parcialmente e na Chapada Central Preservada, ademais, acompanham outros solos nas regiões: Contrafortes da Chapada e Pré-montanhosa, na zona do vale do rio Uruguai, em posição de colinas com 3 a 8% de pendente, principalmente médias.
Sua limitação mais destacada em função da pendente é a moderada a severa suscetibilidade à erosão hídrica, o que associado à fertilidade natural baixa, restringe a escolha de cultivos comuns, requerendo em todos os casos práticas de conservação dos solos para prevenir deteriorações por erosão hídrica. Apresentam boa aptidão para cultivos perenes adaptados
como erva mate, chá e tung, com moderada incorporação de insumos (fertilizantes e emendas) e são muito aptos para o florestamento.
Os Kandiudultes ródicos são dominantes em todas as unidades cartográficas que levam o símbolo UTrd e se associam nas unidades: AQ-3, AQ-5, AMrd-1, AMrd-2, EOtc-3 e EUtc-2, como componente subordinado.
• UTrd-2. – Associação de solos Kandiudultes ródicos (50%) em colinas e meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Kanhapludalfes ródicos (20%) em meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Hapludoxes ródicos (20%) em colinas altas; Udortentes típicos e afloramento rochoso (10%) em escarpas a vias de água.
• UTrd-4. – Associação de solos Kandiudultes ródicos (60%) em colinas e meias colinas; Rodudalfes moderadamente profundos (25%) em pendentes de 3 a 10%; Hapludoxes ródicos (10%) em cumes de colinas; Afloramento Rochoso (5%) em sopé de pendentes. • UTrd-5. – Associação de solos Kandiudultes ródicos (50%) em colinas e meias colinas;
Kandiudalfes ródicos (40%) em colinas; Hapludoles ênticos (10%) em escarpas a vias de água.
• UTrd-6. – Complexo de solos de Kandiudultes ródicos (50%) em colinas e meias colinas com pendentes de 5 a 8%; Hapludoxes ródicos (30%) em cumes colinas; Udortentes típicos e afloramento rochoso (10%) em áreas inclinadas a vias de água; Kanhapludultes ródicos (10%) em meias colinas e pendentes de 8 a 12%.
• UTrd-7. – Complexo de solos de Kandiudultes ródicos (40%) em colinas e meias colinas; Rodudalfes (30%) moderadamente profundo em pendentes; Argiudoles típicos (20%) em setores colinados; Hapludoles líticos (10%) em setores colinados.
UV Kanhapludultes
UVrd: Kanhapludultes ródicos
Estes solos se localizam principalmente na região dos contrafortes da chapada central preservada e, em menor proporção, como inclusões nas unidades cartográficas onde predominam os solos vermelhos profundos da região da chapada e a planície suavemente ondulada com afloramento rochoso. Sua posição mais frequente é a das meias colinas com pendentes de 5 a 12% e moderada a severa suscetibilidade à erosão hídrica.
São solos bem drenados moderadamente profundos a profundos, fortemente ácidos de mediana fertilidade química e o desenvolvimento radical está em relação à profundidade a que se encontre o contato paralítico.
Estes solos de cor vermelha se caracterizam por estar afetados por erosão hídrica, circunstância que determina um perfil com menos de 150 cm. Até o basalto parcialmente descomposto.
A sequência de horizontes é A1, B1, B2, Cr. O A1 é ócrito argiloso. O horizonte B2 é Kándico, argiloso moderadamente estruturado e evidencia um contato paralítico (horizonte Cr), frequentemente dentro dos 150 cm desde a superfície. Estas duas últimas características e sua cor vermelha escura definem este subgrupo. Se não se realizarem práticas de conservação para atenuar os efeitos da erosão hídrica podem apresentar severas a muito severas limitações para a produção sustentada de cultivos comuns. Sua vocação principal é a florestal e são moderadamente aptos para cultivos perenes.
Os Kanhapludultes ródicos são dominantes em todas as unidades cartográficas que levam o símbolo UVrd e se associam nas unidades AMrd-2, Mali-2, UTrd-1 e UTrd-6 como componente subordinado.
• UVrd-1. – Associação de solos Kanhapludultes ródicos (50%) em relevo ondulado e colinas; Rodudalfes moderadamente profundos (30%) em colinas e meias colinas; Udortentes líticos (10%) em setores colinados a cursos de água; afloramento rochoso (10%) em setores de cúspide de escarpa.
• UVrd-2. – Associação de solos Kanhapludultes ródicos (50%) em meias colinas; Kandiudalfes ródicos moderadamente profundos (30%) em setores coluviais fortemente ondulado colinas e meias colinas; Eutrocreptes dístricos (15%) em ladeiras e sopé de ladeiras a vias de água; afloramento rochoso (5%) em setores de cúspide de escarpas.
Província de Corrientes
Na província de Corrientes, dentro da área em estudo, foram identificadas as seguintes unidades de solos a nível de Ordens: Alfissolos, Entissolos, Molissolos, Inceptissolos e Ultissolos.
A ALFISSOLOS
Aqualfes
AF Ocraqualfes
AFae Ocraqualfes aéricos
Apresentam uma sequência de horizontes A1, 2B3t e C. O A1 é ócrico e de cores claras, franco a franco limoso; o B2t é argílico, fortemente estruturado e com moteados ferruginosos abundantes e precisos. São moderadamente profundos, muito fortemente ácidos, imperfeitamente drenados e de lenta permeabilidade.
Localizam-se em planícies de relevo subnormal, inundáveis, o que favorece a gênesis e posterior presença de rasgos hidromórficos no perfil. É destacável a manifestação de erosão reticular (malezal).
Localizam-se na região dos Malezales do Iby-baí e em menor proporção na região de Colinas y Llanuras del Noreste.
Apresentam limitações que os restringem para a realização de cultivos comuns; seu uso atual é a pecuária extensiva sobre campo natural e em menor proporção o cultivo do arroz.
Os Ocraqualfes aéricos são dominantes na unidade cartográfica AFae-1, e se associam nas unidades AEgl-6, Aprd-2, APrd-3, Idea-4 e UGtc – 2 como componente subordinado.
• Afae-1.- Associação de Ocraqualfes aéricos (60%), em planos com água quase permanente; Haplacuentes aéricos (30%) em plano hidromórfico e Natraqualfes típicos (10%), em planos de terraço com vegetação arbórea.
AFaerum Ocraqualfes aérico úmbricos
Apresentam uma sequência de horizontes A1, B2t e B3t. O A1 é ócrico, areno franco, escuro a muito escuro e úmido, detalhe que o diferencia dos aéricos, com menos de 50% de saturação de base. O B2t é argílico, franco argiloso arenoso, fortemente ácido e de permeabilidade lenta.
Localizam-se em planícies de relevo subnormal inundáveis e com moderada erosão de tipo reticular (malezal). Localizam-se na região dos Malezales do Iby-baí na região Oriental ou Planície de Erosão.
Apresentam limitações que os restringem para a realização de cultivos comuns; seu uso atual é a pecuária extensiva sobre campo natural e em menor proporção o cultivo do arroz.
Os Ocraqualfes aéricos úmbricos são dominantes na unidade AFaeum – 1 e se encontram associados na unidade EB: ag-1 como componente subordinado.
• AFaeum-1. – Ocraualfes aéricos úmbricos (50%) e Glosaqualfes típicos (30%) em plano hidromórfico com malezales; Humacueptes fluvacuênticos (20%) em planícies com hidromorfismo acentuado com malezales.
Udalfes
AP Paleudalfes
APrd Paleudalfes ródicos
Este subgrupo apresenta uma sequência de horizontes A1, B1t, B2t B3t. O horizonte A1 é ócrico, areno franco a franco arenoso. Destaca-se pelo B2t (argílico) de cor vermelha com escassa diferença entre estado seco e úmido, tem grande espessura e textura franco argilo arenosa. São profundos, bem drenados, com boas condições para o desenvolvimento das raízes e fortemente ácidos.
Localizam-se nos Albardones de las Terrazas del río Uruguay, Rio Aguapey e nos pseudo albardões da depressão do Iberá, com pendentes de 1 e 3%, o que os faz moderadamente suscetíveis à erosão hídrica.
Seu uso atual é agrícola, florestal e pecuário, com escassas limitações –erosão- para os cultivos comuns, pelo qual é aconselhável a adoção de práticas de manejo conservacionista para frear o processo e preservar o recurso.
Os Paleudalfes ródicos são dominantes em todas as unidades cartográficas que levam o símbolo APrd e se associam às unidades APtc-1 e EC:ag-1, como componente subordinado.
• APrd-1. – Associação de solos de Paleudalfes ródicos (50%) em colinas; Paleudultes plínticos (30%) em setores de meia colina e baixa; Udipsamentes tapto árgicos (20%) em colinas.
• APrd-2. – Associação de Paleudalfes ródicos (40%) e Paleudalfes típicos em Albardões; Ocraqualfes aéricos (30%) em planícies com hidromorfismo acentuado.
• APrd-3. – Associação de Paleudalfes ródicos (40%), Rodudalfes em Albardões e Ocraqualfes aéricos (30%) em planícies com hidromorfismo acentuado.
APtc Paleudalfes típicos
O horizonte A1 é ócrico, franco arenoso; o horizonte B2t é argílico, franco argiloso arenoso, bem desenvolvido e de cor vermelha. São profundos, bem drenados, com boas condições físicas para o desenvolvimento radical e fortemente ácidos. A sequência de horizontes que apresentam é: A1, B1, B2t, B3t e C.
Localizam-se nos albardões em forma de colinas dos rios Aguapié e Uruguai, com pendentes de 3 a 10%, o que os faz de moderada a severamente suscetíveis à erosão hídrica. Pertencem às regiões naturais das Terrazas del río Uruguay e das Colinas y Llanuras del Noreste.
Devido aos fortes gradientes acima mencionados, apresentam severas limitações para a produção de cultivos anuais comuns pela alta suscetibilidade à erosão hídrica. São em troca muito aptos para cultivos perenes florestais.
Os Paleudalfes típicos são dominantes nas unidades cartográficas que levam o símbolo APtc, e estão associados às unidades APrd-2 como componente subordinado.
• APtc-1 - Associação Paleudalfes típicos (40%) e Paleudalfes ródicos (30%) em albardões, Haplacueptes aéricos (30%) em planícies com hidromorfismo acentuado. • APtc-2 - Associação de solos Paleudalfes típicos (40%), Hapludultes psamênticos (30%)
e Hapludoles líticos (30%) localizados em albardões.
AQ Rodudalfes AQ Rodudalfes
Este grande Grupo, do qual até a hoje não se conhecem Subgrupos, apresenta uma sequência de horizontes Ap, A12, A13, B1 e B2t. O horizonte A1 é areno franco, ócrico e de 50cm de espessura, o B2t, de cor vermelha, é franco argilo arenoso (argílico) e bem desenvolvido. São solos profundos, bem drenados, com boas condições físicas para o desenvolvimento radical e fortemente ácidos em profundidade.
Localizam-se em colinas fortemente onduladas associadas com afloramentos de arenitos e basaltos na subregião Tres Cerros, dentro da região de Malezales do Iby-Baí e em albardõe dos terraços do rio Uruguai.
Devido à posição que ocupam na paisagem apresentam moderada a severa suscetibilidade à erosão hídrica, pelo qual têm sérias limitações para a produção de cultivos anuais comuns; são aptos para cultivos perenes e muito aptos para florestais, o uso atual pecuário extensivo é o predominante.
Os Rodudalfes são dominantes em todas as unidades que levam o símbolo AQ e se associam na unidade APrd-3 como componente subordinado.
• AQ-1. – Associação de Rodudalfes (60%) em setores escarpados; Afloramento rochoso (40%) de arenito e basalto.
• AQ-4. – Associação de Rodudalfes (40%); Hapludalfes tapto árgicos (30%); Hapludoles líticos (30%) em albardões.
E ENTISSOLOS
Acuentes
EB Fluvacuentes
EB:ag Fluvacuentes tapto árgicos.
Apresentam uma sequência de horizontes A1, A/C e IIB2t. O A1 é franco arenoso de 50 cm de espessura. O IIB2t (argílico) evidencia uma descontinuidade litológica e é franco argilo arenoso a argiloso bem desenvolvido. São imperfeitamente drenados, fortemente ácidos, com capa freática suspendida, próxima à superfície.
Estão localizados na região natural dos Malezales do Iby-Baí ocupando as planícies de relevo subnormal, com escorrimento lento, inundáveis e hidromorfismo acentuado.
Têm muito graves limitações para a produção de cultivos comuns; seu uso atual é pecuária extensiva sobre campo natural.
Os Fluvacuentes tapto árticos são dominantes em todas as unidades cartográficas que levam o símbolo EB:ag, e se associam na unidade MIac-14 como componente subordinado.
• EB:ag-1 – Associação de Fluvacuentes tapto árgicos (40%) em planícies com hidromorfismo acentuado; Ocraqualfes aéricos úmbricos (30%) em planos hidromórficos com malezal; Paleudultes psamênticos (30%) no albardão do Aguapey.
EC Haplacuentes
EC:ag Haplacuentes tapto árticos
Apresentam uma sequência de horizontes A1, A/C e IIB2t. O material sobreposto ao horizonte argílico enterrado é areno franco a franco arenoso e de 60 a 80cm de espessura, com moteados abundantes e concreções de ferro-manganês, o qual denota a ação de uma capa freática pendurada que flutua muito próximo da superfície. O horizonte IIB2t que evidencia uma descontinuidade litológica é argilo arenoso a argiloso, de baixa permeabilidade e em alguns casos com plintitas na matriz. São imperfeitamente drenados, moderadamente profundos e fortemente ácidos.
Localizam-se em planícies de relevo subnormal, inundáveis, localizadas no terraço do rio Uruguai e na região dos Malezales do Iby-Baí.
Não são aptos para cultivos devido a suas limitações por excesso de umidade. Aptos para pecuária extensiva.
• ECag-1- Associação de Haplacuentes tapto árticos (50%) em planícies com hidromorfismo acentuado; Paleudalfes ródicos (30%) Albardão; Hapludoles líticos (20%) em albardão.