EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA VARA CÍVEL DA 1 ª SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO

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Texto

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ______ VARA CÍVEL DA 1 ª SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pela Procuradora da República signatária, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 127, “caput”, e 129, da Constituição Federal, art. 6º, inciso VII, alíneas “a” e “d”, da Lei Complementar 75/93 e nos artigos 1º e 5º da Lei 7.347/85, propor

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

em face de:

CONSELHO FEDERAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS - COFECI,

inscrito no Cadastro Geral de Contribuintes com o nº 62.658.737/0001-53, Brasília, DF, autarquia federal que disciplina e fiscaliza o exercício da

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profissão de Corretor de Imóvel, instituída pela Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978 e regulamentada pelo Decreto nº 81.871, de 29 de junho de 1978, com endereço no SDS – Edifício Boulevard Center, salas 201/210, CEP 70391-900,

CONSELHO REGIONAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS DA 2ª REGIÃO, inscrito no Cadastro Geral de Contribuintes sob o n]

62.655.246/0001-59, autarquia federal, instituída também pela Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, Rua Pamplona, 1200, Jardim Paulista, São Paulo, SP, CEP 01405-001,

pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:

I – DOS FATOS

A presente ação civil pública tem por objetivo a defesa da ordem jurídica e de interesses coletivos, consubstanciados nos direitos fundamentais dos cidadãos de livre exercício da profissão de corretor de imóveis, limitado, apenas, pelo atendimento às qualificações profissionais que a Lei 6.530/1978 estabelece, afastando, de conseguinte, os efeitos das Resoluções-COFECI nº 957/2006 e nº 1.044/2007, as quais dispõem respectivamente “sobre a competência do Corretor de Imóveis para a elaboração de parecer técnico de avaliação imobiliária e dá outras providências” e “altera disposições da Resolução-Cofeci nº 957/2006, que instituiu o Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários – CNAI”, e os efeitos do Ato Normativo-COFECI nº 01/2006.

O Conselho Federal de Corretores de Imóveis, por meio da Resolução nº 957/2006, em flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade, estabelece que a elaboração de “Parecer Técnico para determinação do valor de mercado de imóvel” pelo Corretor de Imóveis só será permitida para aqueles regularmente inscritos em um “Cadastro Nacional de Avaliadores

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Imobiliários – CNAI”, organizado e gerido pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis.

Esta Resolução também extrapola os limites autorizados à regulamentação da lei ao introduzir a possibilidade de o Conselho Federal de Corretores de Imóveis exigir aprovação prévia em prova de conhecimentos sobre avaliação mercadológica de imóveis como requisito para o deferimento ou renovação da inscrição do Corretor de Imóveis no referido Cadastro de Avaliadores Imobiliários, inclusive cobrando taxas para tanto.

Por fim, cria o “selo certificador” a ser fornecido pelo Conselho Regional “da jurisdição” do corretor de imóveis como requisito essencial para validade do “Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica”, também facultando a cobrança pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de “taxa não excedente a 10% (dez por centro) do valor da anuidade base do exercício”.

Em função disto, o Ministério Público Federal, nos autos do procedimento administrativo nº 1.34.001.003931/2006-10 (doc. 08), iniciado a partir de notícia encaminhada por perito judicial em avaliações imobiliárias da cidade de Cruzeiros, no Estado de São Paulo, solicitou informações ao Conselho Federal de Corretores de Imóveis – COFECI, que sustentou a legalidade da Resolução nº 957/2006, bem como ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo – CRECI 2 ª Região, que alegou ser órgão subordinado ao Conselho Federal, devendo, portanto, cumprir e fazer cumprir a referida Resolução (docs. 01 e 02).

Deste modo, não restou outra alternativa senão a propositura da presente ação civil pública, a fim de condenar os réus a obrigação de não fazer, consistente em deixar de exigir dos profissionais corretores de Imóveis o disposto na ilegal Resolução COFECI nº 957/2006, com alteração dada pela Resolução COFECI nº 1044/2007, e o ilegal ato normativo-COFECI nº 001/2006, que “normatiza a inscrição no CNAI – Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e seus consectários, criados pela Resolução-Cofeci nº 957/2006, e dita outras providências”.

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II – DO DIREITO

II.1. DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE, DA LIBERDADE AO TRABALHO E AOS TERMOS DA LEI nº 6530/78 (artigos 1º, 2º, 4º, 5º , 6º, 7º e 13º, 14º da Resolução/ COFECI nº 957/2006)

O artigo 5º, XIII, da Constituição Federal, o qual estabelece que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,

atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”, é norma de

eficácia contida, na lição de José Afonso da Silva1, ou seja, norma de eficácia

plena que admite, por parte do legislador infraconstitucional, o estabelecimento de restrições válidas ao direito nelas consagrado. Até que existam tais restrições, o direito pode ser exercido plena e eficazmente. Por esta razão, Michel Temer prefere designar estas normas como sendo de eficácia restringível2.

Assim, o estabelecimento de restrições gerais a liberdades constitucionais, conquanto autorizado, exige, em contrapartida, a prévia anuência da sociedade, por meio de seus representantes parlamentares, e do titular do Poder Executivo. Destarte, a palavra “lei” constante do dispositivo constitucional, demanda interpretação em sentido estrito. Exige respeito ao devido processo legislativo.

Oportunas são as lições do ilustre José Afonso da Silva:

“O princípio é o da liberdade reconhecida. No entanto, a Constituição ressalva, quanto à escolha e exercício de ofício e profissão, que ela fica sujeita à observância das “qualificações profissionais que a lei exigir”. Há, de fato, ofícios e profissões que dependem de capacidade especial,

1 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 15º ed. São Paulo: Malheiros, 1998. 2 TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional, 14º ed. São Paulo: Malheiros, 1998.

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de certa formação técnica, científica ou cultural. Compete privativamente à União legislar sobre condições para o exercício de profissões (art. 22, XVI). Só lei federal pode definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões”3.

A Lei 6.530, de 12 de maio de 1978, que regula a profissão de Corretor de Imóveis, dispõe em seus artigos 2º e 5º:

“Art. 2º. O exercício da profissão de Corretor de Imóveis será permitido ao possuidor de título de Técnico em

Transações Imobiliárias” (grifos meus)

“Art. 3º . Compete ao Corretor de Imóveis exercer a

intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à

comercialização imobiliária.

Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei” (grifos meus)

Já o Decreto nº 81.871, de 29 de junho de 1978, que regulamenta a Lei nº 6.530/1978, declara em seu artigo 1º:

“Art. 1º - O exercício da profissão de Corretor de Imóveis, em todo o território nacional somente será permitido:

I – ao possuidor do título de Técnico em Transações Imobiliárias, inscrito no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da jurisdição; ou,

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II – ao Corretor de Imóveis inscrito nos termos da Lei nº 4.116, de 27 de agosto de 1962, desde que requeira a revalidação da sua inscrição”.

Infere-se que a Lei nº 6.530/78, bem como o Decreto nº 81.871/78, exigem como requisito para o desenvolvimento de atividades concernentes à elaboração de pareceres quanto à comercialização imobiliária,

apenas que o corretor de imóvel seja: 1) portador de título de Técnico em Transações Imobiliárias e 2) inscrito no Conselho Regional de Corretores de Imóveis.

No entanto, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis, julgando ser de sua atribuição complementar a lei por meio das Resoluções-COFECI nº 957/2006 e nº 1.044/2007, extrapolou os parâmetros legais. Confira-se:

Resolução COFECI nº 957/2006:

“Art. 1º – A elaboração de Parecer Técnico para determinação do valor de mercado de imóvel será permitida ao Corretor de Imóveis, observado o disposto na presente Resolução.

Parágrafo Único – Entende-se por Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica o documento elaborado por Corretor de Imóveis no qual é apresentada, com base em critérios técnicos, análise de mercado com vistas à determinação do valor comercial de um imóvel, judicial ou extra-judicialmente.”

“Art. 2º – É competente para elaboração de parecer técnico de avaliação mercadológica o Corretor de Imóveis, pessoa física, regularmente inscrito em Conselho Regional de Corretores de Imóveis e com

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inscrição válida no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários que seja, cumulativa ou alternativamente:

I) possuidor de diploma de curso superior em gestão imobiliária ou equivalente;

II) possuidor de certificado de conclusão de curso de avaliação imobiliária (redação dada pela Resolução-COFECI nº 1044/2007

Parágrafo Único – Somente serão aceitos, para fins de inscrição no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários, os certificados de cursos reconhecidos pelo

COFECI ” (grifos meus)

Ora, depreende-se da simples leitura dos artigos acima transcritos, que foram criadas obrigações e foram restringidos direitos sem apoio em lei, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico.

De fato, não pode a resolução estabelecer como requisito para que o Corretor de Imóveis opine sobre valor de mercado de determinado imóvel, sua inscrição no “Cadastro Nacional de Avaliadores”, também criado pela citada resolução, porque tal exigência não consta da Lei nº 6.530/78.

Não lhe cabe tampouco determinar que somente a pessoa física possuidora de diploma de curso superior em gestão imobiliária e/ou possuidora de certificado de conclusão de curso de avaliação imobiliária inscrita nesse cadastro possa ofertar o parecer, uma vez que a Lei que regula a profissão de Corretor de Imóveis não estabelece esses requisitos.

De acordo com a Lei nº 6.530/78, para elaboração de pareceres quanto à comercialização imobiliária, basta que o corretor de imóvel seja portador de título de Técnico em Transações Imobiliárias e inscrito no Conselho Regional de Corretores de Imóveis.

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Desta forma, o Conselho Federal, ao introduzir, por meio de resolução, diversos requisitos para que o Corretor de Imóveis opine sobre o valor de mercado de determinado imóvel, inclusive ofertando parecer para determinação do valor de mercado de imóvel, desbordou dos limites de regulamentação da lei, violando os princípios constitucionais da legalidade e do livre exercício da profissão, pois ninguém deve ser obrigado a se

inscrever no “Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários”, a possuir diploma de curso superior em gestão imobiliária ou equivalente e/ou certificado de conclusão de curso de avaliação imobiliária reconhecidos pelo Cofeci, se essas exigências não constam da lei.

Sem questionar o “mérito” da Resolução nº 957/2006, que segundo o Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2 ª Região, Sr. José Augusto Viana Neto, visou “qualificar melhor os profissionais corretores para opinar sobre o valor de mercado” (doc. 03), aspecto que não adentramos, o certo é que a Resolução viola os princípios constitucionais da legalidade e do livre exercício profissional.

Estes requisitos constantes da Resolução para exercício profissional dos Corretores de Imóveis não se coaduna com o poder-dever de fiscalização que incumbe aos Conselhos de Fiscalização Profissional.

O seu poder normativo cinge-se, à finalidade de interpretar a sua norma criadora e a expedição de atos para bem executá-la, não podendo restringir direitos com a expedição de atos que sirvam de lastro para a limitação do exercício profissional do Corretor de Imóveis, cujo caminho

próprio para sua estatuição é a lei em sentido formal, promanada do Congresso Nacional.

Com efeito, a garantia constitucional de liberdade de exercício profissional só pode ser limitada quanto às qualificações profissionais pelo mecanismo constitucionalmente instituído, isto é, só lei federal pode definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões.

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Por conseguinte, também ilegais todos os dispositivos do

Ato Normativo – COFECI nº 001/2006, que normatiza a inscrição no CNAI – Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e seus consectários,

criados pela Resolução – Cofeci nº 957/2006.

Vale transcrever os arts. 6º e 9º do ato normativo:

“Art. 6º – Somente aos Corretores de Imóveis regularmente inscritos no CNAI será lícito emitir Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica – PTAM na forma preconizada por este Ato Normativo.

Parágrafo único – O PTAM deverá conter, no mínimo, os requisitos listas no modelo contido no Anexo III” “Art. 9º – A emissão de PTAM por corretor de Imóveis sem registro no CNAI não será reconhecida pelos Conselhos Federal e Regionais de Corretores de Imóveis”

A Resolução nº 957/2006 também padece de inconstitucionalidade e ilegalidade quando faculta ao Conselho Federal de Corretores de Imóveis exigir dos Corretores de Imóveis a aprovação prévia

em prova de conhecimentos sobre a avaliação mercadológica de imóveis

para deferir a inscrição e/ou renovação no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e, consequentemente expedir os respectivos Certificados de Registro de Avaliador Imobiliário, pois não há qualquer previsão legal nesse sentido, verbis:

“Art. 4º - Compete ao Conselho Federal de Corretores de Imóveis organizar, gerir, manter e compartilhar com os Conselhos Regionais o Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários, bem como expedir

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Certificados de Registro de Avaliador Imobiliário para Corretores de Imóveis nele inscritos.”

“Art. 5º - Para inscrição no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários o Conselho Federal poderá exigir aprovação prévia em prova de conhecimentos sobre avaliação mercadológica de imóveis”

“Art. 7º. A todo Corretor de Imóveis registrado no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários será expedido Certificado de Registro contendo:

I- nome por extenso do Corretor de Imóveis;

II- menção ao Conselho Regional em que está escrito, número e data de inscrição;

III- tipo de habilitação profissional para inscrição no Conselho Regional (redação dada pela Resolução Cofeci nº 1044/2007)

IV- órgão expedidor do título de conclusão de curso de avaliação imobiliária, se houver; (redação dada pela Resolução Cofeci nº 1044/2007

V- data limite de validade do Certificado de Registro; (redação dada pela Resolução Cofeci nº 1044/2007) VI- data de expedição do Certificado de Registro e assinaturas do profissional, do Presidente e do Diretor Secretário do Conselho Federal (redação dada pela Resolução Cofeci nº 1044/2007)

A exigência de aprovação prévia em exame de suficiência por meio de resolução também fere o princípio da reserva de lei e restringe inconstitucional e ilegalmente o exercício profissional dos corretores de imóveis que atendem às qualificações exigidas em lei para ofertar parecer de avaliação mercadológica.

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Nesse sentido também a jurisprudência:

TRF 5º Região: “ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. EXAME DE SUFICIÊNCIA INSTITUÍDO PELA RESOLUÇÃO Nº 691/2001. MATÉRIA RESERVADA À LEI EM SENTIDO ESTRITO. PREVISÃO NA LEI 5.517/68. AUSÊNCIA. 1 –

Sem base legal, é defeso à autoridade agravada, fundamentando–se na Resolução 691/2001, impedir o exercício profissional dos agravantes; 2 – O “ Exame de Certificação profissional não encontra qualquer correspondência no diploma legal regente da matéria

(lei 5517/68) 3 – Agravo Provido” (TRF 5º Região, 3ª

Turma, AG 41300 – CE, Processo 200205000043848, j. 27/02/2003, Relator Des. Federal Paulo Gadelha, DJ 17/04/2003, p 302).

TRF 3 ª Região : “PROCESSUAL CIVIL E

ADMINISTRATIVO – PRELIMINAR – COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL – CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE – EXIGÊNCIA POR RESOLUÇÃO – EXAME DE SUFICIÊNCIA PARA REGISTRO – IMPOSSIBILIDADE – REQUISITO NÃO PREVISTO EM LEI – PRELIMINAR AFASTADA, REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO IMPROVIDAS. 1) A preliminar argüida deve ser afastada, sendo a Justiça Federal competente para julgar o processo, pois o art. 58 e parágrafos da Lei 9649/98, que dispunha que os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas seriam exercidos em caráter privado foi suspendido cautelarmente pelo STF por meio da ADINMC nº 1717 – DF. 2) O Conselho não pode,

mediante simples resolução, exigir requisito que não consta da lei que regula a matéria, inovando e violando limites estabelecidos. 3) Remessa Oficial e Apelação

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improvidas ”(TRF 3ª Região 3ª Turma MAS 208782SP,

PROC 200061120011543, Rel. Cecília Marcondes, j 30/04/2003, v.u., DJ 4/6/2003. P. 290) negritei

STJ: “RECURSO ESPECIAL. CONSELHO REGIONAL

DE CONTABILIDADE. NATUREZA JURÍDICA AUTARQUIA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RESOLUÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. APROVAÇÃO EM EXAME DE SUFICIÊNCIA PROFISSIONAL PARA REGISTRO NOS CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE. EXIGÊNCIA NÃO PREVISTA EM LEI. NÃO CABIMENTO. “O Superior Tribunal de Justiça entende

que os Conselhos Regionais de Fiscalização do exercício profissional têm natureza jurídica de autarquia federal e, como tal, atraem competência da Justiça Federal nos feitos de participem (CF/88, art. 109, IV)” (AGREsp nº 314.237/DF, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 09.06.2003). O Conselho Federal de Contabilidade extrapolou a previsão legal ao estabelecer, por Resolução, a aprovação em exame de suficiência profissional como requisito para o registro nos Conselhos Regionais. Com efeito, tal exigência não está prevista no Decreto-lei n. 9.295/46, que apenas dispõe, em seu artigo 10, que cabe aos referidos órgãos fiscalizar o exercício da profissão e organizar o registro dos profissionais. A atividade de fiscalizar é completamente distinta do poder de dizer quem está ou não apto ao exercício de determinada atividade profissional. Trata-se, pois, de entidades distintas, não se subsumindo uma no conceito de outra, nem mesmo quanto à possibilidade de atividades concêntricas. De qualquer forma, impende frisar que somente a lei poderá atribuir a outras entidades, que não escolas e faculdades, capacidade e legitimidade para dizer sobre a

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aptidão para o exercício dessa ou daquela profissão. O legislador, quando entende ser indispensável a realização dos aludidos exames para inscrição no respectivo órgão de fiscalização da categoria profissional, determina-o de forma expressa. Nesse sentido, cite-se o artigo 8º, IV, da Lei n. 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), que exige a aprovação em Exame de Ordem para inscrição como advogado na Ordem dos Advogados do Brasil. Recurso especial não

conhecido. (STJ, 2ª Turma, RESP 503918 – MT Proc.

200201688412, REL MIN Franciulli Netto, j. 24/06/2003, v.u. DJ 08/09/2003, p. 311). negritei

Consigne-se ainda que, além de o Conselho Federal estatuir por ato infra-legal requisitos para o exercício profissional não previstos em lei, o Conselho estabelece, neste mesmo ato infralegal, que a transgressão a quaisquer dispositivos da Resolução 956/2007 será considerada infração ética de natureza grave. Confira-se o teor do art. 14 da Resolução 957/2006, com alteração dada pela Resolução 1044/2007, estabelece :

“Art. 14 – A transgressão a quaisquer dos dispositivos desta Resolução, especialmente no que respeitar ao comportamento ético do Avaliador, será considerada infração ética de natureza grave, nos termos definidos pela Resolução – Cofeci nº 362/92 (Código de Ética Profissional) (grifos meus)

Deste modo, padecem de ilegalidade os artigos 1º, 2º, 4º, 5º , 6º, 7º e 13º, 14º da Resolução/ COFECI nº 957/2006, com redação dada pela Resolução nº 1044/2007, e o respectivo ato normativo Cofeci- 01/2006, que normatiza a inscrição no CNAI.

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II.2. DA ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DO SELO CERTIFICADOR (artigos 3º, 8º ao 12 da Resolução/ COFECI nº 957/2006, alterada pela Resolução COFECI nº 1044/2007)

Cumpre destacar, outrossim, que, por meio da referida Resolução, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis criou o selo certificador a ser fornecido pelo Conselho Regional da “jurisdição” do Corretor de Imóvel como requisito essencial para a validade do Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica, “ad litteram”:

“Art. 3º- O parecer técnico de avaliação mercadológica deverá conter, sob pena de nulidade, os seguintes requisitos mínimos:

I) identificação do solicitante; II)objetivo do parecer técnico;

III) identificação e caracterização do imóvel; IV) indicação da metodologia utilizada; V) valor resultante e sua data de referência;

VI) identificação, breve currículo e assinatura do Corretor de Imóveis;

VII) selo certificador fornecido pelo Conselho Regional

de Corretores de Imóveis (...)” (grifos meus)

“Art. 8º – É requisito essencial para validade do Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica a afixação, no documento, de selo certificador fornecido pelo Conselho Regional da jurisdição.

Parágrafo Único – O selo certificador terá numeração individual e seqüenciada, com mecanismo que permita autenticação e certificação de código de segurança.”

“Art. 9º – O Conselho Regional de Corretores de Imóveis poderá cobrar, para o fornecimento do selo certificador,

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taxa não excedente a 10% (dez por cento) do valor da anuidade-base do exercício.”

“Art. 10 – O fornecimento do selo certificador, em três vias, condiciona-se ao preenchimento, pelo Avaliador, de Declaração de Avaliação Mercadológica em documento eletrônico ou de papel fornecido sem ônus pelo Conselho Regional.

§1º – O Conselho Regional deverá arquivar uma via da Declaração de Avaliação Mercadológica, juntamente com uma via do correspondente selo certificador.

§2º – O selo certificador fica vinculado à Declaração de Avaliação Mercadológica, vedada a utilização de qualquer outro para o Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica correspondente.

§3º – O selo certificador poderá ser emitido eletronicamente.”

“Art. 11 – São responsabilidades do Avaliador:

I) requerer junto ao Conselho Regional a expedição do selo certificador;

II) fixar o selo certificador nas respectivas vias do Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica” (redação dada pela Resolução-COFECI nº 1044/2007)”

“Art. 12 – O Corretor de Imóveis Avaliador deverá manter em arquivo, por 05 (cinco) anos, cópias do Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica, da Declaração de Avaliação Mercadológica e do vinculado selo certificador, os quais deverão ser apresentados, se e quando solicitados pelo Conselho Regional, no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis”.

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Referidos dispositivos violam o Princípio da Legalidade na medida em que os particulares só são obrigados a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei e, ainda, sob o pretexto de regulamentar a elaboração de pareceres técnicos pelos corretores de imóveis, indubitavelmente extrapolam o disposto na Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, que sequer prevê a existência de um selo certificador para validade do parecer de avaliação mercadológica.

Desse modo, os artigos 3º, 8º ao 12º da Resolução/ COFECI nº 957/2006 configuram limitação ao livre exercício profissional dos Corretores de Imóveis.

II.3. DA ILEGALIDADE DAS TAXAS E OUTROS VALORES (artigos 6º e 9º da Resolução/ COFECI nº 957/2006)

Para a execução dos serviços previstos na Resolução-COFECI nº 957/2006 a serem prestados pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis – COFECI e pelos Conselhos Regionais, também foi disciplinada nessa Resolução a cobrança de taxas:

“Art. 6º - Para cada um dos serviços abaixo relacionados será recolhida, através do sistema bancário em conta corrente do Conselho Federal, taxa em valor correspondente a 30% (trinta por cento) do valor-base da anuidade da pessoa física no exercício:

I) inscrição para prova de conhecimentos sobre avaliação mercadológica de imóveis;

II) registro ou renovação de registro no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários.”

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poderá cobrar, para o fornecimento do selo certificador, taxa não excedente a 10% (dez por cento) do valor da anuidade-base do exercício”.

Oportuno trazer à baila os ensinamentos de Luíza Hickel Gamba a respeito da natureza jurídica das taxas cobradas pelos conselhos de fiscalização profissional:

“Taxa é espécie tributária que tem fato gerador vinculado à atuação estatal representada pelo exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte ou posto a sua disposição (arts. 145, II, da CF, e 77 do CTN).

...

Tendo em mira que a inscrição no conselho competente é requisito indispensável ao regular exercício da profissão e que o porte e a apresentação da carteira profissional são obrigatórios quando solicitados, assim

como obrigatória é também a anotação de responsabilidade técnica nos casos que a lei determina, não se tem dúvida de que tais atividades ou serviços são compulsórios ao contribuinte. Também não se tem dúvida de que tais atividades ou serviços são típicos do Estado, porquanto ligados ao exercício do poder de

polícia, nem de que podem eles ser especificados ou

divididos em relação a cada um dos usuários. E a remuneração da atividade de polícia ou de serviços públicos compulsórios, específicos e divisíveis somente é possível por meio de taxa, de polícia ou de serviço, como classificadas na doutrina.

Com efeito, em face da compulsoriedade do serviço e, conseqüentemente, da obrigação de remunerá-lo quando essa remuneração está prevista em lei, outra

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não pode ser a natureza jurídica dessa remuneração.

Enquadrando-se no conceito legal de tributo, disposto no art. 3.º do CTN, bem como na regra constitucional que delimita a competência para a instituição das taxas, a remuneração devida pelo exercício do poder de polícia no ato de inscrição ou de registro no conselho e na anotação de responsabilidade técnica, assim como a remuneração pela utilização dos serviços de expedição ou substituição de carteira profissional e de expedição de certidão, têm natureza jurídica genérica de tributo e específica de taxa”4

Desta feita, referida resolução é também manifestamente inconstitucional e ilegal quanto à previsão de taxas, uma modalidade de tributo, tendo em vista que é vedada a exigência de tributo sem lei que o estabeleça, consoante artigo 150, inciso I, da Carta Magna:

“Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...)”

Esse é o posicionamento da Jurisprudência:

“Processual civil e administrativo - preliminar não apreciada na sentença - possibilidade de apreciação pelo tribunal quando do julgamento - ilegitimidade

4 GAMBA, Luísa Hickel. Natureza Jurídica das Receitas dos Conselhos de Fiscalização Profissional. In:

FREITAS, Vladimir Passos de (Coord). Conselhos de Fiscalização Profissional: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 133/134.

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passiva do CRC - inocorrência - Conselho Regional de Contabilidade - anuidades - fixação, por resolução, de valores além dos limites impostos por lei - impossibilidade - art. 1 Lei n. 6994/82 extinção MVR (lei n. 8.177/91) - instituição pela lei n. 8.178/91 de tabela para conversão dos valores que constavam na legislação em vigor em MVR. Atualização monetária por índices oficiais a partir do valor estabelecido nesta lei para o MVR. Preliminar afastada, remessa oficial, tida por ocorrida e apelação improvidas.

1. Questões sobre as quais não se forma preclusão, tais como pressupostos processuais e condições da ação, podem ser examinadas de ofício pelo tribunal. 2. Embora cumprindo orientação do Conselho Federal de Contabilidade, é o conselho regional de contabilidade o órgão responsável pela cobrança de anuidade e, portanto, o respectivo presidente, a autoridade capaz de corrigir a ilegalidade contra a qual se insurgem os impetrantes, razão pela qual não merece acolhida a tese arguida em preliminar.

3. A anuidade paga ao CRC tem natureza jurídica de taxa em razão do poder de polícia exercido por tal conselho, devendo, portanto, submeter-se ao princípio da legalidade. O conselho não pode, mediante simples resolução, afrontar o disposto na lei que regula a matéria, inovando e violando limites já estabelecidos.

4. O artigo 1 da lei n. 6.994/82 estabeleceu que o valor das anuidades seria o fixado pelo respectivo órgão federal, observando-se o limite máximo, para a pessoa física, de duas vezes o maior valor de referência - MVR vigente no país.

5. Mesmo extinto o MVR pela lei n. 8.177/91, é possível determinar-se o valor atual equivalente a 2 MVR e, portanto da anuidade devida ao CRC, com base na

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tabela estabelecida pela lei nº 8.178/91, sendo efetuada sua atualização monetária pelos índices oficiais.

6. Preliminar afastada, remessa oficial, tida por ocorrida e apelação improvidas.

(Tribunal Regional Federal da Terceira Região, classe: ams - apelação em mandado de segurança, processo: 93.03.034472-3, uf: sp, orgão julgador: terceira turma, data da decisão: 14/04/1999, documento: trf300047288, fonte dj, data:09/06/1999, página: 301, dj data:09/06/1999, página: 302, relatora juíza Cecilia Marcondes, decisão por unanimidade, afastar a preliminar arguida e negar provimento à apelação e à remessa oficial, tida por ocorrida)” (negritei).

Cumpre ressaltar que a Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, autoriza a fixação de multas, anuidades e emolumentos devidos aos Conselhos Regionais (artigo 16, inc. VII e § 1º e 2º), não havendo disciplina para registro ou renovação de registro do Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e para o fornecimento do selo certificador e tampouco houve a previsão na Lei, conforme já exposto exaustivamente nos itens anteriores, de prova de conhecimentos, de Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários ou de selo certificador. Assim, resta claro que quaisquer valores cobrados pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis e pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis para esses fins são ilegais.

Deste modo, ilegais os artigos 6º e 9º da Resolução/ COFECI nº 957/2006.

III – DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

A Lei 9.649/98, que disciplina os serviços de fiscalização das profissões regulamentadas, preceitua, em seu art. 58, § 8º, que compete à

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Justiça Federal a apreciação das controvérsias que envolvam os conselhos de fiscalização das profissões regulamentadas, quando no exercício dos serviços a eles delegados.

É certo que os conselhos de fiscalização das profissões exercem função delegada pelo Poder Público Federal e, portanto, de interesse público. Daí a competência da Justiça Federal5.

Ademais, reconhece-se a competência da Justiça Federal quando cuidar-se de ação promovida pelo Ministério Público Federal. Nesse sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL – PARTE – COMPETÊNCIA – JUSTIÇA FEDERAL. Se o Ministério Público é parte, a Justiça Federal é competente para conhecer do processo”. (1ª Seção CC 4.927-0 – DF, Proc.

Humberto Gomes de Barros, DJ 4/10/1993).

IV – DA LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

A legitimidade ativa do Parquet Federal decorre do disposto na Constituição Federal, nos artigos 127, “caput”, e 129, incisos II, III e IX, que atribuem ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, o zelo pelo respeito dos Poderes Públicos aos direitos assegurados pela Constituição e a promoção da ação civil pública para a proteção de interesses difusos e coletivos.

5 ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. CONSELHOS PROFISSIONAIS. PROCESSOS

DISCIPLINAR E ÉTICO. COMPETÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. CLASSIFICAÇÃO COMO ENTIDADE AUTÁRQUICA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR (ART. 109, I E IV, DA CF/88). JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES.- “O Superior Tribunal de Justiça entende que os Conselhos Regionais de fiscalização do exercício profissional têm natureza jurídica de autarquia federal e, como tal, atraem a competência da Justiça Federal nos feitos de que participem. (CF/88, Art. 109, IV)”. AGResp nº 314.237 / DF, Proc. 200201688412, Rel. Min. Franciulli Netto, j. 24.06.2003, v.u. , DJ 08/09/2003, p. 311)

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Direito coletivo, em sentido estrito, é aquele cujo objeto é indivisível e a titularidade é determinável. Trata-se de direito pertencente a um grupo, uma categoria de pessoas, cuja titularidade pode ser determinada. O direito coletivo tem como elemento, também, a existência de um vínculo jurídico entre os titulares do direito, isto é, uma relação jurídica - base que os una e dê causa ao direito em discussão.

Ora, o direito ao livre exercício profissional dos corretores de imóveis se submete à definição de direito coletivo. Cuida-se do interesse comum a um grupo determinado de pessoas ligadas por uma relação jurídica base: a natureza e o exercício da atividade profissional, que vem sendo restringido ilegalmente pelo Conselho Federal e pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis, ao aplicar a Resolução nº 957/2006, alterada pela Resolução nº 1044/2007 e atos normativos derivados.

O Conselho Federal e o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2ª Região exercem função pública, por delegação do Poder Público Federal e, nessa qualidade, submetem-se à atuação do Ministério Público Federal quando incorrerem em desbordo dos limites constitucionais de sua atuação.

V – DA LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONSELHO FEDERAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS E DO CONSELHO REGIONAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS DA 2ª REGIÃO

A Lei 6.530/1978, que cria os Conselhos Federal e Regionais de Corretores de Imóveis, além de definir as atribuições de corretor de imóveis, estabelece nos arts. 5º e 16, as atribuições do Conselho Federal.

Diz o art. 5º : “O Conselho Federal e os Conselhos

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Corretor de Imóveis, constituídos em autarquia, dotada de personalidade jurídica de direito público, vinculada ao Ministério do Trabalho, com autonomia administrativa, operacional e financeira...”

A presente ação é ajuizada contra entidades de fiscalização profissional – o Conselho Federal de Corretores de Imóveis e o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2ª Região. O primeiro instituiu a Resolução nº 957/2006, a Resolução nº 1044/2007 e o Ato Normativo-Cofeci nº 01/2006 e ambos devem dar cumprimento ao conteúdo das referidas resoluções e ato normativo.

VI – DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

Dispõe o art. 273 do Código de Processo Civil:

“Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:

I- haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou

II- fique caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu” (grifos meus)

A prova inequívoca da verossimilhança do pedido, decorre das próprias razões expostas nesta inicial e, especialmente, da manifesta inconstitucionalidade e ilegalidade das Resoluções-COFECI nº 957/2006 e 1044/2007 e do Ato Normativo- COFECI nº 01/2006.

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O periculum in mora é também claro, pois enquanto inexiste mandamento judicial que impeça o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2ª Região e o Conselho Federal de Corretores de Imóveis de aplicar a Resolução nº 956/2006, alterada pela Resolução nº 1044/2007 e o Ato Normativo nº 01/2006, vários Corretores de Imóveis sofrerão limitação ilegal ao seu livre exercício profissional.

Vale frisar que os referidos atos normativos estabelecem que pareceres em desacordo ao que estatuem não terão validade, e que a transgressão a quaisquer de seus dispositivos pelos Corretores configuram infração ética de natureza grave.

Dessa forma, presentes os requisitos do artigo 273, caput e inciso I, do Código de Processo Civil, requer o Ministério Público Federal

digne Vossa Excelência de conceder, após a manifestação dos representantes judiciais das partes ex adverso (no prazo de 72 horas previsto no art. 2º da Lei nº 8.437/92), a tutela antecipada, para obrigar os réus a:

a) a não aplicarem a Resolução nº 956/2006, a Resolução nº 1044/2007 e o Ato Normativo nº 01/2006;

b) se absterem de exigir, para a elaboração de Parecer Técnico para determinação do valor de mercado de imóvel, que os profissionais Corretores de Imóveis: b.1.) se inscrevam no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e cumulativamente ou alternativamente, b.1.1.) apresentem diploma de curso superior em gestão imobiliária ou equivalente; b.1.2) apresentem certificado de conclusão de curso de avaliação imobiliária;

c) se absterem de exigir a realização de qualquer prova de conhecimentos sobre avaliação mercadológica de imóveis

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para inscrição no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários;

d) se absterem de exigir o “selo certificador” para validade do Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica;

e) se absterem de exigir quaisquer taxas ou valores previstos com base na referida Resolução;

f) comprovarem perante esse Juízo, no prazo de 5 (cinco) dias, a contar da intimação, as medidas adotadas para o cumprimento da ordem judicial referentes aos itens supra. Para a remota hipótese de descumprimento, pede seja fixada multa diária de R$10.000,00 (dez mil reais), a ser revertida ao Fundo de Direitos Difusos Lesados.

E para que se dê cumprimento, pede sejam intimados pessoalmente o Sr. Presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis e o Sr. Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2ª Região, ambos por fax e o primeiro por carta precatória, sob pena de responsabilização penal e por improbidade administrativa.

VII – DO PEDIDO

Em razão do exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer:

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2) seja julgado procedente o pedido, com a respectiva confirmação da tutela antecipada, para o fim de condenar o Conselho Federal de Corretores de Imóveis e o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 2ª Região em obrigação de não fazer, consistente em:

a) não aplicar a Resolução nº 956/2007, a Resolução nº 1044/2007 e o Ato Normativo nº 01/2006.

b) não exigir, para a elaboração de parecer sobre avaliação do valor de mercado de imóvel, que os profissionais Corretores de Imóveis: b.1.) se inscrevam no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários e cumulativamente ou alternativamente, b.1.1.) apresentem diploma de curso superior em gestão imobiliária ou equivalente; b.1.2) apresentem certificado de conclusão de curso de avaliação imobiliária;

c) não exigir a realização de qualquer prova de conhecimentos sobre avaliação mercadológica de imóveis;

d) não exigir o “selo certificador” para validade do parecer de avaliação mercadológica;

e) não exigir quaisquer taxas ou valores previstos com base na Resolução nº 956/2007, Resolução nº 1044/2007 e o Ato Normativo nº 01/2006.

3) o julgamento antecipado da lide, nos termos do art. 330, inciso I, do Código de Processo Civil, por tratar-se de questão unicamente de direito. Caso seja diverso o entendimento desse D. Juízo, protesta pela

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produção de todos os meios de prova em direito admitidos, a serem especificados oportunamente.

Dá-se à causa o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais).

Nestes Termos, P. Deferimento.

São Paulo, 27 de setembro de 2007.

ADRIANA DA SILVA FERNANDES

PROCURADORA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO

Seguem com a inicial os seguintes documentos:

1- Informações COFECI 2 - Informações CRECI 3 - Ata de Reunião 4- Lei nº 6.530/78 5- Resolução Cofeci - 957/2006 6- Resolução Cofeci - 1044/2007 7- Ato Normativo Cofeci – 01/2006

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Referências

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