Roteiro: “A Casa”
Autor: Alexandre Santos Lobão Personagens:
Samael Duncan: Homem branco, imensamente gordo, que usa muletas para se mover, uma imensa enciclopédia viva de vários assuntos, memória fotográfica e é um inexplicável conquistador de mulheres para o assombro da humanidade... Entre trinta e quarenta anos, uma pequena cicatriz do lado esquerdo do rosto, perto do olho. Não fuma. É uma pessoa essencialmente séria, embora de vez em quando surpreenda as pessoas em volta com rasgos de humor – muitas vezes negro. Tem um grande conhecimento das ciências ocultas, e está sempre envolvido com problemas de ordem sobrenatural. Ana Sortego: Uma cigana típica, embora não estereotipada. De uma beleza simples (não exagerada). Como todas as mulheres, tem uma certa queda por Samael; e recorre a ele quando se envolve em problemas com o oculto.
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Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Close no rosto e mão de Samael, de noite e chovendo. Ele olha um endereço em sua mão, onde aparece o nome de uma praça de Petrópolis. Ele não tem guarda-chuva.
Samael (pensando): “Só mesmo a Ana para convencer-me a sair de casa de noite, dirigir na chuva do Rio até Petrópolis para ouvir mais uma de suas histórias!”
2 Cena vista por trás, mostrando as costas de Samael, que se aproxima da entrada de uma barraca que está montada na praça.
3 Samael exatamente na mesma posição do quadro anterior (para dar a sensação de rapidez), porém a entrada já está aberta e Ana aparece no lado de dentro.
Ana: “Samael! Eu senti que você vinha chegando! Entre, saia desta chuva” 4 Samael sentado em uma cadeira simples, que
parece precária demais para agüentar seu peso. No outro lado de uma mesa simples, Ana está se sentando e sorrindo para ele, enquanto lhe oferece uma fotografia.
Samael: “Ana, você realmente me chamou em uma hora bastante imprópria; não estou no melhor dos meus humores.... Espero que não seja mais uma falsa aparição ou coisa assim!”. Ana: “Não se preocupe. A coisa aqui é bastante séria! Veja aqui uma foto...”
Página 2
Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Quadro grande, tomando a página inteira, com os dedos de Samael segurando pelo canto. A foto de uma casa antiga, aparentemente abandonada, está sendo vista ao ar livre (podem haver detalhes da paisagem apresentados nos canto da página); está chovendo; se for possível, fazer uma gota batendo sobre a foto. A foto tem uma margem branca. A casa, na foto, aparece circundada por alguma espécie de fumaça negra; formando rostos (apenas visíveis para o bom observador).
Título (continuação da fala de Ana – “A Casa” aparece em destaque, pois é o título da história): “d’A Casa”
Texto na margem inferior da foto: Psicografia: Alexandre Lobão - Fotografias: <incluir nome do desenhista>
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Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Samael olhando para a casa, com a foto na mão. Não há a fumaça vista na foto. Um portão quebrado o separa do jardim mal cuidado. No escuro, é possível divisar a apenas a silhueta da casa ao fundo. Quadro grande (altura de dois quadros, largura de um quadro).
Texto (este e os textos a seguir são continuação da conversa anterior de Samael e Ana): “Não parece muito amigável... Foi você quem tirou a foto?”
Texto em itálico: “Sim, eu queria ter certeza de que era este o lugar”
2 Visão de cima, onde aparece a casa totalmente visível devido a um relâmpago, e Samael atravessando o portão e se dirigindo à casa. Quadro grande (altura de dois quadros, largura de um quadro) ao lado do quadro 1.
Texto: “E essa fumaça negra...?”
Texto em itálico: “Apenas reflexos do mal que está lá dentro”.
3 Silhueta de Samael contra a porta aberta, vista de dentro da casa. Ele se apóia na bengala com uma mão e a outra mão está no bolso ou em uma pequena bolsa que ele esteja carregando.
Texto: “Alguma pista do que seja?”
Texto em itálico: “Fui atraída a Petrópolis pela história desta casa e de uma antiga maldição de ciganos que pairava sobre ela”
Samael (pensamento ou fala): “Onde está a maldita lanterna?”
4 Perna de Samael andando atrás do feixe de luz da lanterna, que ilumina o chão da casa, bastante sujo. Atrás de Samael ficam marcadas suas pegadas e marca de bengala na poeira.
Texto: “Maldição cigana? Isso não é mais a sua especialidade que a minha?”
Texto em itálico: “Samael, você reparou nos rostos na fumaça? O que quer que esteja atrás disso, é muito forte para mim. Eu preciso de sua ajuda!”
Samael (pensamento ou fala): “Sem pegadas... Faz muito tempo que ninguém vem aqui!” Página 4
Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Samael na frente de uma mesa antiga, raspando a
grossa poeira com uma das mãos. Texto: “E você chegou a descobrir algo mais sobre a origem desta maldição?” Texto em itálico: “Tudo que me disseram é que um cigano roubou o dono da casa e foi morto, há mais de cem anos. Pouco depois, todos que viviam aqui desapareceram; e quem se aventurou a entrar na casa não retornou”
Samael (pensamento ou fala): “Acho que vou precisar de um pequeno truque para chegar ao coração deste problema”
2 Samael batendo uma mão contra a outra (a bengala está apoiada em um dos braços); levantando um monte de poeira.
Texto em itálico: “Obviamente, faz muito anos que ninguém se arrisca a entrar na casa... ” Samael (pensamento ou fala): “Um meta-fogo-fátuo deve dar conta do recado”
3 Samael gesticula e um pequeno fogo aparece
sobre a mesa. Texto: “E porque você acha que eu vou conseguir sair de lá?” Texto em itálico: “Primeiro, porque eu estarei aqui esperando você voltar...”
4 Samael ao lado da mesa acompanha com os olhos o pequeno fogo que salta da mesa ao chão, deixando uma pequena trilha incandescente no ar.
Texto em itálico: “E, depois... Você é Samael Duncan! Quem seria mais qualificado?” 5 Quadro estreiro, na mesma linha e no mesmo
ponto de vista que os dois próximos - Visão de Samael: Fogo caminha em um corredor escuro, iluminando parcamente as coisas ao seu redor.
Texto: “Só falta um beijo para você conseguir me convencer...”
6 Quadro estreiro - Visão de Samael: Corredor
escuro, sem o fogo. Samael: “O que? Onde ele foi?” 7 Quadro estreiro - Visão de Samael: Foco da
lanterna ilumina o corredor escuro, mostrando uma porta ao lado do corredor onde o fogo entrou.
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Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Quadro grande tomando a página inteira, apresentando o porão da casa. Uma mesa no centro do aposento, onde se encontra sentado (de costas para a cena, em primeiro plano) um boneco de ventríloquo. Encostadas em todas as paredes, silhuetas parecendo de pessoas se amontoam, como cadáveres resultantes de um massacre. Sobre a mesa pende um lustre antigo de velas que iluminam o boneco. Ao fundo se vê a escada que desce do andar de cima, onde dos primeiros degraus o guarda aponta sua lanterna para baixo. Ao fundo, o desenho da escada desce do topo da página até embaixo (da direita para a esquerda), sendo que a noção de tempo neste quadro é representada por três figuras de Samael: Uma no topo da escada apontando a lanterna para baixo, uma no meio da escada apontando a lanterna para o lado esquerdo, e a última no fim da escada,
apontando a lanterna para o canto direito. Sob a luz das lanternas, é possível observar com detalhes os diversos bonecos jogados pelos cantos da sala, com roupas antigas, dos tipos mais diversos.
Samael: “Mas que diabos...? Como estas velas podem estar acesas?”
Samael 2: “E o que é isso? Samael 3: “Bonecos??”
2 Sobreposto sobre o primeiro quadro, canto superior esquerdo: rosto do boneco de ventríloquo, os olhos totalmente abertos olham para cima (como se olhassem para o guarda no topo da escada)
3 Sobreposto sobre o primeiro quadro, centro da página: rosto do boneco de ventríloquo, os olhos olham para cima e ligeiramente para o lado (como se olhassem para o guarda no meio da escada)
4 Sobreposto sobre o primeiro quadro, canto inferior direito: rosto do boneco de ventríloquo, os olhos olham para o lado (como se olhassem para o guarda no fim da escada)
Página 6
Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Foco da lanterna, mostrando o corpo de um homem trajado como cigano. Praticamente é só o esqueleto, com alguns restos de cabelo e pele, mas a roupa é claramente cigana. É possível ver uma marca de tiro na testa da caveira.
Samael: “Este parece ser o cigano... Ele não parece ter tido muito tempo para lançar uma maldição”
2 No foco da lanterna, aparece a arma no chão. No canto do quadrinho, aparece um pedaço do corpo de um boneco vestido em roupas antigas, inclusive sua mão, perto da arma.
Samael: “E esta parece ser a arma do crime... Mas o que são estes bone...”
3 Samael sendo atirado na parede, sem nada visível o empurrando. A bengala voa longe. 4 Dois quadros ligeiramente superpostos: O rosto
sobre este um quadro no rosto do boneco, com olhos arregalados e boca aberta, onde se podem ver seus dentes de madeira.
5 Quadro sem bordas, lado a lado na página: Samael, com os cotovelos elevados e os braços pendentes, como se fosse um boneco. À sua volta, flutuam os outros bonecos da sala. Em um dos lados do quadro, o rosto do boneco aparece de perfil, encarando o Samael. Samael olha para a bengala, caída no chão.
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Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Samael é movimentado como um boneco, flutuando (close da cintura para cima). Seu rosto denota toda a dor que ele sente.
Samael: grita de dor 2 Samael sendo jogado para o lado, como um
boneco peso em fios. Guarda: grita de dor 3 Quatro quadros sucessivos, finos, lado a lado na
página, apresentando uma sequência: 1. a mão de Samael se esticando e pegando a bengala,
2. a mão de Samael começando a levantar a bengala,
3. uma lâmina sai do fundo da bengala 4. A bengala / lâmina corta o ar.
Guarda: “Filho…” Guarda: “da…” Guarda: “Puta! …”
4 Rosto do boneco de ventríloquo e a trajetória da bengala passando na altura de seu pescoço. A bengala já passou, pela linha de movimento não é possível saber se a bengala acertou o boneco ou não.
5 Close no boneco, cujo rosto denota uma expressão de raiva.
Página 8
Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Mão de Samael segurando a bengala. Esta página é composta apenas de quadros pequenos, para dar uma dinâmica de velocidade à cena. 2 Rosto do boneco, cujo rosto denota uma
expressão de raiva.
3 Mão de Samael, menor, tentando segurar a bengala que começa a cair
4 Rosto do boneco, cujo rosto denota uma expressão de raiva.
5 Mão de Samael, pequena e já sendo de madeira, como de um boneco controlado por fios. A bengala aparece já saindo do quadrinho, como se estivesse caindo ao chão.
6 Rosto do boneco, cujo rosto denota uma expressão de raiva.
7 Close no rosto de Samael, transformado em boneco. Seus olhos são arregalados e apresentam uma expressão de dor. 8 Rosto do boneco, cujo rosto denota uma
expressão de raiva. Nesta última imagem, um pequeno filete de sangue aparece no pescoço do boneco, que foi efetivamente cortado pela lâmina
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Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Quadro pequeno: Cabeça do boneco caindo para trás. Sangue sai profusamente do corte. 2 Quadro pequeno: O rosto de Samael como
boneco..
3 Três quadros pequenos:
1. A mão de Samael como boneco 2. A mão de Samael humana, porém
pequena.
3. A mão de Samael, tamanho normal. 4 Samael, encurvado e apoiado na bengala, vomita
ou dá um grande suspiro, como alguém que tivesse muito tempo sem respirar. À sua volta, várias pessoas estão se levantando, olhando para si mesmas, suas mãos, etc.
5 Um homem vestido com roupas antigas dá um grito na frente de Samael e estica os braços para Samael, que está ligeiramente ferido na testa.
Homem: grita 6 Homem vestido com roupas antigas se aproxima
se Samael, ainda gritando, porém já está bem mais velho.
Homem: grita – seu grito vai ficando mais fraco. 7 Esqueleto do homem vestido com roupas antigas
cai aos pés de Samael. Samael: “Está terminado” Página 10
Quadro Imagem Diálogo / Texto
1 Samael sentado na cadeira na barraca de Ana. Ela passa um pano úmido pela sua testa, limpando o ferimento.
Ana: Me perdoe, Samael. Não imaginei que você iria se machucar...
2 Ana ajudando Samael a tirar o casaco. Samael: Ai... Devagar! Levei uma boa pancada nas costas!
3 Ana por trás de Samael, falando em sua orelha s
sorrindo ligeiramente. Ana: Neste caso, acho que eu vou ter que fazer a minha massagem cigana especial!... 4 Samael, sorrindo, puxa Ana, que cai sentada em
seu colo. Samael: Eu nunca ouvi falar de uma “massagem cigana especial”. 5 Rosto de Ana e de Samael se aproximando para
um beijo. Ana: “Viu como mesmo você ainda tem algo para aprender?” 6 Quadro totalmente negro Samael: “Mal posso esperar...”