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A história secreta: do romance para os quadrinhos

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Academic year: 2021

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A HISTÓRIA SECRETA:

Do Romance para os Quadrinhos

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CURITIBA 2017

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL

CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO

CAMILA LISSA OTAGUIRI 1614312

A HISTÓRIA SECRETA:

Do Romance para os Quadrinhos

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso superior de Tecnologia em Design Gráfico do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Orientador: Prof. Esp. Francis Rodrigues da Silva

CURITIBA 2017

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por

Camila Lissa Otaguiri – 1614312

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no dia 28 de novembro de 2017 como requisito parcial para a obtenção do título de TECNÓLOGO EM DESIGN GRÁFICO, do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A aluna foi arguida pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo, que após deliberação, consideraram o trabalho aprovado.

Banca Examinadora: Prof. Ed Marcos Sarro (Dr.)

Avaliador

DADIN – UTFPR

Profa. Waleska Chagas Sieczkowski Pacheco (MSc.) Convidada

DADIN – UTFPR

Prof. Francis Rodrigues da Silva (Esp.) Orientador

DADIN – UTFPR

Prof. André de Souza Lucca (Dr.) Professor Responsável pelo TCC DADIN – UTFPR

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AGRADECIMENTOS

À M. e W. pelo amor e apoio independente da situação. Pela firmeza, e criação. Por mostrar sua visão de mundo. Pelos abraços. Pelas viagens. Pelos conselhos. Pelas caronas.

À T. pela companhia sempre. Pelas flores. As vivas e as secas. Por dividir um novo mundo. Pelos livros. Por me apresentar à Donna Tartt. Por me apresentar à Shaun Tan. Pelas músicas. Diálogos. Por assistir 101 dálmatas comigo sem enjoar nem reclamar. Pelos sorvetes às 21:49. Pelos tombos de skate. Pelos dias que a gente acorda cedo pra ir no mercado, desiste e volta a dormir. Pelos dias que a gente acampa na sala, porque tão bom. Pelos copos.

À K., L., L. pela parceria. Pelas noites juntos, e pelos dias também. Pelos picnics. Músicas. Danças. Comidas. Bebidas. Pelo apoio. Pelos rolês. Pelos churras. Pelas risadas. Pelos abraços. Pelas quarta-feiras. De novo, pelas comidas. E pelo anel do humor, que eu sempre quis ter.

À P., G., F., H., H., E., M., M., Y., S. pela companhia, com certeza. Pelos bares. Sentar no meio fio. Pegar ônibus. Encontrar na rua e ficar feliz. Pelas ideias. Pelos trabalhos. Pelas peixadas. Mesmo não nos vendo muito mais, o sentimento não muda e vocês com certeza marcaram o começo disso tudo, e não poderiam ficar de fora.

À E. e C., que mesmo longe, nunca deixaram de estar por perto.

À K., F., Y., T. sempre quietinhos, mas muito, muito iluminados e amados. À K., J., M., K., F., M. pelo apoio.

À F. pela atenciosidade na orientação neste trabalho.

Ao pequeno A. que nem cheguei a conhecer, mas que já amei tanto e que fica na memória. Que me mostrou que nem sempre a vida é justa, mas que temos que seguir mesmo assim.

E àqueles que mesmo não tendo colocado o nome aqui, não quer dizer que eu goste menos.

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“Alguns livros devem ser degustados, outros são devorados. Apenas poucos são mastigados e digeridos totalmente.” Cornelia Funke.

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RESUMO

OTAGUIRI, Camila L. A História Secreta: Do romance para os quadrinhos. 2017. Monografia: Tecnologia em Design Gráfico – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2017.

Este trabalho apresenta o processo de adaptação para a linguagem de quadrinhos Graphic Novel do romance chamado A História Secreta, escrito por Donna Tartt e publicado em 1992. Para isso, foi necessária a fundamentação teórica a respeito das histórias em quadrinhos e dos elementos desta linguagem, bem como um breve estudo a respeito das histórias em quadrinhos. Foi também necessário fazer uma pesquisa a respeito das Graphic Novels e da Adaptação como um processo. O desenvolvimento do projeto foi baseado na metodologia de trabalho proposta por Eisner e por McCloud, onde se foi produzido o estudo de personagens, um roteiro, um Storyboard, o Layout final, incluindo os balões com as falas dos personagens. Além desses processos propostos pelas metodologias estudadas, tornou-se necessário o acréscimo de duas etapas: a análise de quadrinhos similares e a produção de um Moodboard. O produto deste trabalho, além da fundamentação teórica presente nesta monografia, é uma Graphic Novel de 72 páginas, com a adaptação dos primeiros capítulos da obra original A História Secreta.

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Comic Books and its elements. It was also necessary to make a research about Graphic Novels and about Adaptation as a process. The development of this Project was based on the work methodology suggested by Eisner and by McCloud, which was produced the study of charcters, the script, the Storyboard, the final layout, which includes the speech balloons. Besides the processes proposed by these methodologies, it was necessary to include two steps: the analysis of similar Graphic Novels and the production of a Moodboard. The final product of this project, besides this monograph, is a 72 illustrated pages Graphic Novel, which includes the adaptation of the first chapters of The Secret History.

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Vidas Secas em Graphic Novel ... 14

FIGURA 2 – Encadeamento dos Quadrinhos ... 19

FIGURA 3 – Exemplo de Quadrinho ... 20

FIGURA 4 – Requadros ... 20

FIGURA 5 – Disposição dos Quadrinhos ... 21

FIGURA 6 – Plano Panorâmico ... 21

FIGURA 7 – Plano Geral ... 22

FIGURA 8 – Plano Americano ... 22

FIGURA 9 – Plano Médio ... 23

FIGURA 10 – Close ... 23

FIGURA 11 – Plano Detalhe ... 23

FIGURA 12 – Balões ... 24

FIGURA 13 – Tipografia Escrita à mão ... 25

FIGURA 14 – Sentido da Leitura ... 26

FIGURA 15 – Específica da Palavra ... 27

FIGURA 16 – Específica da Imagem ... 27

FIGURA 17 – Específica da Dupla ... 27

FIGURA 18 – Interseccional ... 27

FIGURA 19 – Interdependente ... 28

FIGURA 20 – Paralela ... 28

FIGURA 21 – Montagem ... 28

FIGURA 22 – Pictogramas da Cultura Egípcia ... 29

FIGURA 23 – Pintura Rupestre ... 30

FIGURA 24 – The Yellow Kid ... 30

FIGURA 25 – Capitão América ... 32

FIGURA 26 – Homem Aranha ... 33

FIGURA 27 – A Contract With God ... 34

FIGURA 28 – Bear ... 35

FIGURA 29 – Mafalda – Tirinha ... 36

FIGURA 30 – Calvin e Haroldo ... 37

FIGURA 31 – Super Man – Comic Book ... 37

FIGURA 32 – Blue is the Warmest Color – Graphic Novel ... 37

FIGURA 33 – Maus ... 39

FIGURA 34 – Castelo de Areia ... 40

FIGURA 35 – Umbigo sem Fundo ... 40

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FIGURA 47 – Moodboard ... 57

FIGURA 48 – Imagem Moodboard ... 58

FIGURA 49 – Imagem Moodboard 2 ... 59

FIGURA 50 – Imagem Moodboard 3 ... 60

FIGURA 51 – Henry Winter... 61

FIGURA 52 – Bunny Corcoran ... 62

FIGURA 53 – Francis Abernathy ... 63

FIGURA 54 – Charles Macaulay ... 64

FIGURA 55 – Camilla Macaulay ... 65

FIGURA 56 – Richard Papen ... 66

FIGURA 57 – Personagens Coadjuvantes ... 66

FIGURA 58 – Roteiro, segundo Eisner ... 68

FIGURA 59 – Trecho de A História Secreta ... 69

FIGURA 60 – Trecho do Roteiro ... 69

FIGURA 61 – Trecho do Roteiro 2 ... 70

FIGURA 62 – Roteiro Desenhado ... 71

FIGURA 63 – Layout da Página ... 72

FIGURA 64– Alternativa de Pintura 1 ... 73

FIGURA 65– Alternativa de Pintura 2 ... 73

FIGURA 66– Alternativa de Pintura 3 ... 74

FIGURA 67– O Enterro das Minhas Ex ... 74

FIGURA 68 – Não era você que eu esperava ... 75

FIGURA 69– Alternativa de Pintura 4 ... 75

FIGURA 70 – Alternativa de Pintura 5 ... 76

FIGURA 71 – Página Ilustrada ... 77

FIGURA 72 – Testes de Tipografia ... 78

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FIGURA 74 – Quadrinho com a Tipografia Aplicada ... 79

FIGURA 75 – Onomatopeia ... 80

FIGURA 76 – Alternativa de Capa - Colagem ... 81

FIGURA 77 – Capas do Romance Original ... 82

FIGURA 78 – Alternativa de Capa da Graphic Novel ... 82

FIGURA 79 – Primeira Impressão... 84

FIGURA 80 – Erros de Impressão ... 84

FIGURA 81 – Livro Impresso ... 85

FIGURA 82 – Páginas do Livro Impresso ... 86

FIGURA 83 – Tela de Serigrafia ... 86

FIGURA 84 – Impressão em Serigrafia ... 87

FIGURA 85 – Capa antes da Serigrafia ... 87

FIGURA 86 – Capa depois da Serigrafia ... 88

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3.1.1 Requadros ... 19

3.1.2 Sons ... 24

3.1.3 Sentido da Leitura ... 25

3.1.4 Combinação de Textos e Imagens ... 26

3.2 HISTÓRIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS ... 29

3.3 GRAPHIC NOVELS ... 36 3.4 ADAPTAÇÕES ... 41 4. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ... 46 4.1 ANÁLISE DE SIMILARES ... 46 4.2 A HISTÓRIA ... 52 4.3 MOODBOARD ... 54 4.4 PERSONAGENS ... 60 4.5 ROTEIRO ... 67 4.5.1 Roteiro Desenhado ... 70 4.6 LAYOUT ... 71 4.7TIPOGRAFIA ... 78 4.8 CAPA ... 80 4.9 PROJETO GRÁFICO ... 83 5. ORÇAMENTO ... 89 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 91 ANEXO A ... 93 ANEXO B ... 103

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1 INTRODUÇÃO

As Histórias em Quadrinhos (HQ) podem ser consideradas um rico meio de literatura, isso porque conta com dois importantes tipos de arte: o da escrita e o da ilustração. Este trabalho de conclusão de curso utiliza desta linguagem para adaptar para a linguagem gráfica dos quadrinhos o romance literário “A História Secreta”, escrito pela autora americana Donna Tartt. Isso permitirá que o público de quadrinhos possa conhecer a história do romance, e também com que os fãs do romance possam ter contato com outra forma de leitura.

Para o desenvolvimento do trabalho foi realizada uma fundamentação teórica para se entender o que são as histórias em quadrinhos seus elementos, fazendo uma pesquisa também focando em Graphic Novels e em Adaptações. O projeto dos quadrinhos utilizou como base a metodologia de trabalho proposta por Eisner e por McCloud, que definiram a importância de se ter o estudo de personagens, a criação de um roteiro, de um Storyboard até se chegar ao Layout final. Após esses processos de criação dos quadrinhos, trabalhou-se com o projeto gráfico, de modo a buscar a melhor maneira de impressão da Graphic Novel.

1.1 PROBLEMA

Atualmente as adaptações têm sido muito utilizadas por meios de se contar histórias, sendo que muitos filmes e seriados que são produzidos todos os anos são baseados em obras de literatura.

Filmes adaptados de obras preexistentes – literatura, quadrinhos,

pintura, etc. – já dominam boa parte da produção do cinema mundial, ganhando destaque, até mesmo, em importantes premiações como o Oscar, o Globo de Ouro e o Emmy (HUTCHEON, 2006).

Apesar da adaptação para o cinema ser a mais conhecida pelo público espectador em geral, é importante lembrar que não é o único meio de fazê-lo. Outros meios de cultura também utilizam deste recurso, como peças de teatro, jogos e histórias em quadrinhos. A adaptação de linguagens é, de acordo com Hutcheon (apud FERREIRA 2014, p.16), um processo de recriação, que consiste em reinterpretar uma obra, ajustando-a e transferindo de uma forma

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rascunhos, construir os personagens, definir a diagramação das páginas, enfim, entender todo o processo de produção de um romance gráfico.

Para a realização da adaptação, será necessário pesquisar sobre o processo de transformar o conteúdo em estilo narrativo para a linguagem da arte sequencial. Espera-se com isso, tornar o conteúdo da obra original mais atrativo para os consumidores de quadrinhos, assim tornando a obra mais conhecida entre o público leitor.

1.2 OBJETIVO GERAL

O objetivo deste TCC é criar um projeto gráfico em formato de Graphic Novel, sendo ele uma adaptação dos primeiros capítulos do romance A História Secreta, escrito por Donna Tartt.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

● Investigar o processo de adaptação de um livro para a linguagem dos quadrinhos.

● Analisar os primeiros capítulos do romance A História Secreta, identificando características dos personagens, cenários e outros elementos do texto a serem adaptados para a ilustração;

● Analisar Graphic Novels similares; ● Definir um estilo de ilustração;

● Desenvolver um Storyboard, a fim de planejar a narrativa, organizando

1 Dessa forma, pode-se ter tanto 20 quanto 500 páginas, de acordo com o especialista em

Histórias em Quadrinho, Andreas Platthaus, em entrevista a Gunther Birkenstock, do site DW, made for minds. Disponível em <http://www.dw.com/> extraído em 17 de maio de 2017.

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as ilustrações em sequência;

● Produzir a arte final da Graphic Novel;

● Realizar o projeto gráfico do protótipo em formato de livro da adaptação da Graphic Novel.

1.4 JUSTIFICATIVA

Assim como uma adaptação cinematográfica é interpretada como uma nova forma de visão sobre uma obra de literatura, acontece também com as outras formas de adaptação, como em videogames, seriados, peças de teatro e, no caso deste trabalho, na linguagem dos quadrinhos. De acordo com o crítico literário colunista da Uol2, Costa Pinto, ler uma adaptação de literatura em HQ causa uma sensação semelhante à de ver uma versão cinematográfica. Segundo Costa, há pessoas que procuram a adaptação para saber sobre o que o livro se trata, conhecer o enredo e também os personagens.

Apesar de ser menos que no cinema, não são poucas as obras literárias que ganham uma versão em Graphic Novel. “Vidas Secas”, do autor brasileiro Graciliano Ramos é um exemplo disso. Os quadrinhos, ilustrados pelo quadrinista Guazzelli nascido no Rio Grande do Sul em 1962 (Figura 1), não só contém a clássica e angustiante narração da famosa obra nacional que trata da vida de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de lugar a outro para fugir da seca, mas conta principalmente com contornos em tons escuros nas ilustrações de estética expressionista para ressaltar o tema dramático da história, como se, assim, as páginas pudessem expressar a dor sofrida pela família de personagens. A linguagem dos quadrinhos, misturando as ilustrações com o texto, permite ao leitor enxergar a cena retratada, o que na leitura do romance, está relacionada ao seu imaginário, além de conter técnicas de ilustração que podem envolver o leitor emocionalmente.

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Figura 1 – Vidas Secas em Graphic Novel. Fonte: GUAZELLI (2015)

De acordo com Silva (2001, p.2), a relevância nas histórias em quadrinhos se encontra nas imagens; como por exemplo, nas cores, as ambiências criadas pelas sombras, pelos enquadramentos. Estes são elementos que trazem sensações e emoções ao espectador, e que não podem ser explorados tão detalhadamente em outra linguagem de literatura. Outras obras de literatura também ganharam suas versões em quadrinhos, como Hamlet, de William Shakespeare, Hobbit, de J. R. R. Tolkien, Crepúsculo, de Stephanie Mayer, Coraline, de Neil Gaiman, entre outros.

Para a crítica literária Oksana Liskovaya, de acordo com a sua coluna “A magia da adaptação dos livros ao cinema” do blog chamado Voz da Rússia, a importância da adaptação de uma obra está na ajuda de entender momentos importantes do texto, ou seja, uma pessoa pode passar a entender melhor um livro depois de conhecer sua adaptação. Ainda de acordo com ela, “Há pessoas que simplesmente têm dificuldade de ler e, nesse caso, a adaptação é mais uma forma de elas se aproximarem da grande literatura”. Para Iannone (1994), as Histórias em Quadrinhos, juntamente com os livros, são instrumentos saudáveis para estimular a imaginação e o raciocínio.

Uma adaptação bem feita pode vir a ser o motivo para o leitor se interessar pela leitura da obra original. O caminho contrário também acontece já que existem fãs da obra original que sentem curiosidade em ver como seria sua atmosfera recriada visualmente. Além disso, a leitura dos quadrinhos permite ao leitor encontrar detalhes, tanto no cenário, quanto na história em si,

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que possam ter passado despercebidos durante a primeira leitura.

Dessa forma, a linguagem dos quadrinhos pode trazer a população, um estímulo a leitura. De acordo com Santos (2011, p.47), os quadrinhos podem ser muito importantes para consolidar o hábito e o prazer de ler, que é, de acordo com a pesquisa feita pelo Ibope, Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística, um hábito muito pouco consolidado na população brasileira. Esse meio de leitura - que une texto com imagem - interage diretamente com o imaginário, preenchendo as expectativas do leitor e o preparando para a leitura de outras obras. Ainda segundo Santos, a experiência de folhear as páginas de uma revista de quadrinhos pode gerar e perpetuar o gosto pelo livro impresso, independentemente de seu conteúdo.

Nunca é demais lembrar que a prática da leitura é um princípio de cidadania, ou seja, leitor cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são as suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar aberto às conquistas de outros direitos necessários para uma sociedade justa, democrática e feliz. (SILVA. 2003, p.24)

Busca-se com este trabalho de conclusão, a oportunidade de criar um projeto diferente daqueles que foram trabalhados durante as disciplinas do curso Tecnologia em Design Gráfico da UTFPR. A ideia é não somente colocar em prática conhecimentos de ilustração, diagramação, editoração e produção gráfica já aprendidos, mas também explorar novas técnicas e fundamentos que não se teve a oportunidade de conhecer ainda, tais como técnicas de criação e estruturação de uma história em quadrinhos, como a criação do roteiro e do Storyboard, elaboração de rascunhos e layout final, diagramação dos quadrinhos, processo de fechamento do arquivo e, finalmente, chegando até a impressão do livro.

A história escolhida para a adaptação é A História Secreta, romance escrito por Donna Tartt, nascida em 1963 nos Estados Unidos. Este foi o escolhido para ser adaptado para uma Graphic Novel por diversos motivos. A história tem uma trama envolvente, com mistério e um ar melancólico acerca de um grupo de alunos em um câmpus, envolvidos no assassinato de um amigo. A história começa já falando sobre o assassinato, mas volta no tempo para mostrar como os personagens chegaram àquele momento, o que

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trabalham com a descrição de personagens poderia gerar frustração em leitores já fãs do romance ao se deparar com a edição em quadrinhos. Uma vez que vago, provavelmente o personagem desenhado pelo quadrinista não ficaria “do jeito que o fã imaginou”. Por causa disso, a força com que a autora descreve cada um dos personagens principais acabou por ter uma grande importância na escolha da história.

Por fim, Tartt atingiu o seu auge de reconhecimento após ganhar o prêmio de excelência Pulitzer de Ficção norte-americano em 2014 com sua obra “O Pintassilgo”, publicado em 2013. A adaptação seria um meio de divulgar e enaltecer o seu primeiro romance, que a introduziu no universo da escrita em 1992, 22 anos antes de ser nominada ao prêmio.

As justificativas que ressaltam a importância deste trabalho vão desde a importância que as histórias em quadrinhos podem trazer, seja ele como um meio de trazer mais valor à história original, ressaltando detalhes que dessa vez terão mais importância, ou também como um meio de estimular o espectador à leitura.

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2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Para que o trabalho obtivesse um bom desenvolvimento, foi realizada fundamentação teórica para entender o que são as histórias em quadrinhos e os elementos deste estilo de literatura, como os requadros, a representação de sons. Além disso, foi necessária uma breve pesquisa sobre o histórico das histórias em quadrinhos de modo a entender o seu trajeto e transformações, com foco no estilo de quadrinhos nomeado Graphic Novel.

Após a fundamentação teórica, começou-se o trabalho de produzir o projeto de quadrinhos em si. Para isso, tornou-se necessário basear-se na metodologia de trabalho descrita por Eisner (1989). De acordo com o autor uma das etapas mais importantes na criação de uma história em quadrinhos é o roteiro, que pode ser feito escrito e também desenhado. Esta segunda opção é também conhecida por quadrinistas como Storyboard. De acordo com o Eisner o roteiro é quando a história é “decomposta”, ou seja, nele será especificado todas as informações que o desenhista precisa ter para criar as ilustrações descrevendo cada quadrinho, especificando o que a cena vai retratar, quais são as falas dos personagens e a narrativa do quadrinho. O objetivo do roteiro desenhado é o mesmo, mas este conta com esboços rudimentares das páginas, onde os requadros, movimentos e posições dos personagens serão definidos.

Em complemento à metodologia de trabalho de Eisner, McCloud (2005) auxiliou na criação do layout e da arte final, que são feitos a partir de um roteiro pronto. É no momento do layout em que a arte do roteiro desenhado será refinado e se tornará pronto para finalização, quando se acrescentará os balões de falas e narração.

De modo a complementar as metodologias propostas pelos autores, notou-se a necessidade de acrescentar mais duas etapas de trabalho, além da geração de alternativas para a capa da Graphic Novel. A primeira etapa acrescentada foi a análise de Graphic Novels similares, para que se pudesse compará-los e destacar as melhores características de cada livro analisado. E por fim, a outra etapa acrescentada foi a criação de um Moodboard (painel semântico), que é um quadro de imagens que serve de inspiração e

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Novels e nos meios de adaptação.

3.1 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Muito se discute sobre o conceito de Histórias em Quadrinhos. O real objetivo, no entanto, não é criar uma definição limitada para elas, e sim fazer um levantamento das características que faz uma história ser considerada uma história em quadrinhos.

As histórias em quadrinhos comunicam numa linguagem que se vale de experiência visual comum ao criador e ao público. Pode-se esperar dos leitores modernos uma compreensão fácil da mistura imagem - palavra e da tradicional decodificação do texto. A história em quadrinhos pode ser chamada "leitura" num sentido mais amplo que o comumente aplicado ao termo. (EISNER, 1989, p.7).

Eisner (1989, p.7) define Histórias em Quadrinhos como arte sequencial, sendo ela uma forma artística e literária, que lida com a disposição de figuras ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma ideia (EISNER, 1989, p.5).

De acordo com Silva (2001) as Histórias em Quadrinhos são uma forma de arte que combina imagem e texto que, através do encadeamento de quadros (FIGURA 2), narra uma história ou ilustra uma situação. Neste tipo de linguagem pode-se observar a utilização de dois códigos: o linguístico e o das imagens, que são complementares para a leitura dos quadrinhos.

Os quadrinhos são uma seqüência. O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido apenas depois de visto o anterior; a ação contínua estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ação logicamente coerente (Klawa e Cohen, apud SILVA, 2001, p.1).

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Figura 2 – Encadeamento de quadrinhos Fonte: THOMPSOM (2003)

Uma característica semelhante com o cinema que a linguagem dos quadrinhos traz é a sequência de quadros. A diferença é que uma vez que nos filmes as imagens estão em movimento constante, nos quadrinhos, elas são estáticas. De acordo com Acevedo (1990), a história em quadrinhos carece de movimento, mas o sugere. É o leitor que lhe dá movimento e continuidade em sua imaginação.

Os quadrinhos são um meio de comunicação que possui características próprias. Para se desenvolver uma história em quadrinhos é preciso entender todos os seus elementos, como representar os requadros, enquadramentos e sons. Estes podem apresentar infinitas formas de história para história, mas são características que atuam como suporte para uma narração nesta linguagem.

3.1.1 REQUADRO

De acordo com Eisner (1989, p. 43), o requadro serve para conter a visão do leitor, nada mais. Sua função principal é servir de moldura dos quadrinhos, sendo usada para dividir as cenas de uma página (FIGURA 3).

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ser utilizado como linguagem não-verbal da arte sequencial. Embora não exista nenhuma convenção de consenso universal para a expressão do tempo, o “caráter” do traçado pode criar sugestões sobre a narrativa. Enquanto o traçado retangular e reto representa tempo presente, um quadro desenhado em formato de nuvem pode remeter a sonhos, pensamentos ou lembranças. Bem como a ausência de requadros pode expressar espaço ilimitado (FIGURA 4).

Figura 4 – Requadros Fonte: Eisner (1989, p.47)

Eisner (1989, p.88) diz que no momento de compor o quadrinho é necessário envolver perspectiva e disposição dos elementos do quadrinho. Para isso, é necessário preocupar-se com o tom e a emoção que se deseja passar ao leitor. Para que se consiga apresentar o que está acontecendo no quadro e orientar o leitor estimulando a sua emoção, o artista deve utilizar o quadrinho como um palco, controlando o ponto de vista do leitor (FIGURA 5).

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Figura 5 – Disposição dos Quadrinhos Fonte: EISNER (1989, p.88)

Silva (2001, p.3) complementa: o quadro representa o espaço, e para se mostrar ao leitor o que é importante que veja, é necessário trabalhar com enquadramentos. De acordo com o autor, os seis enquadramentos mais importantes são o Panorâmico, Plano Geral, Plano Americano, Plano Médio, Close e Plano Detalhe.

O Panorâmico é o plano aberto, tendo a finalidade de mostrar ao leitor o ambiente em que se passa a história. (FIGURA 6)

Figura 6 – Plano panorâmico

Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p. 287)

O Plano geral é o plano em que mostra o corpo inteiro do personagem. (FIGURA 7)

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Figura 7 – Plano geral

Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p.122)

O Plano americano é mais “fechado” que o geral, a parte superior do personagem, acima dos joelhos. (FIGURA 8)

Figura 8 – Plano americano Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p.20)

O Plano médio é o enquadramento à altura do peito do personagem. (FIGURA 9)

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Figura 9 – Plano médio

Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p.179)

O Close é o enquadramento que foca no rosto do personagem. (FIGURA 10)

Figura 10 – Close

Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p.314)

O Plano detalhe, como o nome já diz, é utilizado para mostrar apenas um detalhe, como os olhos de um personagem. (FIGURA 11)

Figura 11 – Plano detalhe

Fonte: MALLEY, Brian Lee O’ (2014, p.314)

De acordo com Silva (2001, p.3), a utilização destes diferentes tipos de planos em uma história tem uma carga expressiva e deve ser definida

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que delimita o que é quadrinho e o que não é. Eisner (2001, p.27) complementa dizendo que há diversas formas de representá-los, e cada forma tem um significado diferente. Segundo Eisner, quando o balão é arredondado e com a linha do contorno contínua, geralmente representa uma fala em tom normal. Já quando esta linha é tracejada, significa que o personagem está sussurrando, falando em voz baixa. A linha que sai do balão é chamada rabicho, ela liga a fala ou pensamento ao personagem que o está fazendo.

Figura 12 – Balões Fonte – EISNER (2001, p.27)

Outro ponto a ser destacado é a tipografia utilizada na criação dos quadrinhos. Ela é utilizada nos quadros de narração, vozes, pensamento e onomatopeias da história, onde o tamanho da letra pode informar diferentes intensidades de voz. Não há fonte recomendada para este tipo de forma de literatura, inclusive existem vários autores que optam por utilizar fontes cursivas, muitas vezes escritas pelo próprio ilustrador para dar uma característica única a suas obras.

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Figura 13 – Tipografia escrita à mão. Fonte: PEDROSA, Cyril (2007)

Nota-se, então, que em uma forma de linguagem em que não haja emissão de sons, é necessário utilizar de elementos gráficos, como balões e tipografia para tentar representá-los. Dessa forma, a maneira como esses elementos são representados na ilustração pode alterar drasticamente a maneira como o leitor interpreta a mensagem.

3.1.3 SENTIDO DA LEITURA

Diferente do espectador de um filme, que é impedido de ver o quadro seguinte, uma vez que os quadros são exibidos um por vez, o leitor dos quadrinhos tem o controle total sobre a história, podendo em uma página dar uma olhada no último quadrinho já que todos os quadrinhos estão ao seu alcance ao mesmo tempo. Eisner (1989, p. 40) relata sobre essa dificuldade a ser enfrentada pelo artista sequencial. Segundo ele, resta ao artista apenas esperar pela cooperação do leitor de ler a história no sentido correto.

Existem dois tipos de sentido de leitura conhecidos. O ocidental (FIGURA 14), onde a leitura é feita de cima para baixo, da esquerda para a direita e o oriental, onde a leitura é feita de cima para baixo, da direita para a esquerda (EISNER, 1989, p.41)

Este, idealmente, é o fluxo normal do olhar do leitor. Na prática, porém, essa norma não é absoluta. Frequentemente o espectador dá

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Figura 14 – Sentido da leitura Fonte – EISNER (1989, p.41)

Conforme o que foi apresentado, percebe-se que tornou-se necessário para os quadrinistas, padronizar o sentido de leitura de uma história em quadrinho para que não haja dificuldade para o leitor compreender a ordem dos acontecimentos da narrativa ao se deparar com um novo livro.

3.1.4 COMBINAÇÃO DE TEXTO E IMAGENS

De acordo com McCloud (2008, p. 130), as combinações entre texto e imagem podem ser classificadas em 7 categorias: Específica da Palavra, Específica da Imagem, Específica da Dupla, Interseccional, Interdependente, Paralela e Montagem.

A “específica da palavra” é quando as palavras proporcionam tudo o que o leitor precisa saber, enquanto as imagens ilustram aspectos da cena que está acontecendo. (FIGURA 15)

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Figura 15 – Específica da Palavra Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

A segunda é a “específica da imagem”, quando as imagens proporcionam tudo o que você precisa, enquanto as palavras acentuam aspectos da cena que está sendo exibida. (FIGURA 16)

Figura 16 – Específica da Imagem Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

A terceira categoria é “específica da dupla”, quando palavras e imagens transmitem aproximadamente a mesma mensagem. (FIGURA 17)

Figura 17 – Específica da Dupla Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

De acordo com McCloud, a “interseccional” é quando palavras e imagens atuam juntas em alguns sentidos, além de oferecerem informações interdependentes. (FIGURA 18)

Figura 18 – Interseccional Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

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A sexta categoria de McCloud é “paralela”, quando palavras e imagens seguindo trilhas aparentemente diversas, sem intersecção. (FIGURA 20)

Figura 20 – Paralela Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

A última categoria é “montagem”, quando palavras e imagens são combinadas pictoricamente. (FIGURA 21)

Figura 21 – Montagem Fonte – MCCLOUD (2008, p.130)

É importante lembrar que essas categorias não têm importância para o leitor. Elas foram classificadas de modo a mostrar ao quadrinista as diversas maneiras que ele pode usar para se passar a mensagem que o quadrinho deseja mostrar.

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3.2 BREVE HISTÓRIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Desde os primórdios, o ser humano utiliza de ilustrações para contar histórias. McCloud (1995, p.14) considera que os pictogramas da civilização egípcia (FIGURA 22), criados em 1330 a.C, devem ser considerados a origem dos quadrinhos, isso porque as imagens eram representadas em sequência, justapostas e contavam uma história.

Figura 22 – Pictogramas da cultura egípcia.

Fonte: Disponível em <http://www.crystalinks.com> extraído em 17 de maio de 2017.

Já Ianonne (1994, p.10) vai além. De acordo com ele, estudiosos apontam as inscrições que nossos antepassados deixaram nas cavernas, no período pré-histórico, como a origem mais remota das histórias em quadrinhos, pois assim como os egípcios, usa-se a justaposição de imagens de modo a narrar um acontecimento.

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Figura 23 – Pintura Rupestre

Fonte: Disponível em <revistaepoca.globo.com>. Extraído em outubro de 2016.

É por isso que muito se discute sobre como elas surgiram. De acordo com Weiner (2003, p.1), apesar de algumas publicações de quadrinhos já terem sido feitas antes, considera-se que o surgimento dos quadrinhos modernos foi em 1895, com a publicação do cartum The Yellow Kid, de Richard F. Outcault, nascido em 1863 nos EUA. (FIGURA 24). Weiner diz que nenhuma publicação antes chamara tanto a atenção do público quanto essa. Os quadrinhos da época - que hoje conhecemos como tirinhas - eram publicados em jornais e revistas como uma forma de humor e entretenimento.

Figura 24 – The Yellow Kid Fonte – cartoons.osu.edu

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Quim, publicado pelo italiano naturalizado brasileiro Ângelo Agostini, nascido em 1843. A história foi publicada em 30 de janeiro de 1869, 26 anos antes The Yellow Kid de Richard F. Outcault. (PATATI e BRAGA, 2006, p.22)

Ainda no século 19, algumas dessas tirinhas publicadas em jornais americanos passaram a ser compiladas em formato de livros e revistas, o que ocasionou uma mudança no público alvo, que já não era mais limitado a adultos consumidores de jornais (PATATI e BRAGA, 2006, p.24).Desde então, a popularidade dos quadrinhos só passou a crescer, e mesmo tendo sido em um meio popular, como o jornal, os quadrinhos começaram a exigir um meio exclusivo deles. As tirinhas, que ganhavam continuidade sempre na edição seguinte dos jornais, passaram a ser publicadas sem interrupção em um formato maior.

Segundo o autor Jones (2006, p.30), a década de 30 e 40 do século XX ficou conhecida como a Era de Ouro dos Quadrinhos. Foi marcada pela criação de histórias de terror e, principalmente, dos heróis patrióticos com superpoderes como Superman, Capitão América e Mulher Maravilha, que são publicados e consumidos até os dias de hoje. Nessa mesma época acontecia a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), e o tom das histórias buscava aliviar a tensão da guerra. Além disso, ideais antinazistas eram explorados nas histórias de modo que a população conseguisse assimilar a informação. O inimigo do Capitão América era o próprio ditador nazista Adolf Hitler (FIGURA 25).

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Figura 25 – Capitão America Fonte – Disponível em

<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c7/Captainamerica1.jpg> extraído em 03 de maio de 2017.

Weiner (2003, p. 3) diz que com o fim da guerra, parecia não haver um inimigo a ser confrontado, deixando os criadores incertos quanto ao próximo passo a ser tomado em relação aos quadrinhos.

Segundo o autor Cirne (2000, p.59) a Era de Prata dos Quadrinhos aconteceu nos anos 1960 e 1970. Após ter sofrido um forte abalo e declínio de popularidade nos anos 1950, os quadrinhos buscaram apresentar grande evolução em seu conteúdo. Os heróis começaram a enfrentar não mais unicamente os supervilões, mas também os conflitos internos, o que fez as tramas amadurecerem. É nesta época que surgem os heróis mais humanos que tinham problemas como uma pessoa comum, como os personagens Homem Aranha, Homem de Ferro, Demolidor, X-Men. Isso fazia com que o público se identificasse com eles, pois até então os super-heróis eram figuras que sintetizavam perfeição. Com isso, a quantidade de leitores voltava a crescer, provocando, inclusive, o surgimento de lojas especializadas em vendas de quadrinhos.

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Figura 26 – Homem Aranha

Fonte – Disponível em <https://d1466nnw0ex81e.cloudfront.net/n_iv/600/675301.jpg> extraído em 03 de maio de 2017.

Outro grande marco para a este período foi a publicação de “A Contract with God and other Tenement Stories” de Will Eisner (FIGURA 27), considerada a primeira Graphic Novel moderna (WEINER, 2003, p.17). É importante destacar que o termo Graphic Novel já era usado anos antes de Eisner, mas foi ele quem o popularizou. Ainda de acordo com o Weiner:

Não só o conteúdo era novo para os leitores de quadrinhos, a apresentação também foi nova. Ao invés de povoar as páginas com painéis detalhando os movimentos dos personagens, os desenhos eram grandes, com foco na expressão facial, e os painéis abriram-se, quase além da página. (WEINER, 2003, p.17)

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Figura 27 – A contract with god Fonte: Disponível em

<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/43/A_Contract_with_God_-_Baronet_trade_paper.jpg> extraído em 03 de maio de 2017.

Ao mesmo tempo, surgiram nos Estados Unidos e na Europa trabalhos independentes, com maior liberdade artística do que as publicações até então conhecidas (PATATI; BRAGA, 2006, p.101). Estas novas revistas, foram outro meio para apresentarem novos artistas e mostrarem que não só grandes editoras podiam produzir quadrinhos.

Segundo Patati e Braga (2006, p. 149) a Era de Bronze começa no início dos anos 1970 com assuntos mais densos e pesados que a era anterior, como por exemplo o uso de drogas. Nas obras deste período é possível identificar um crescente cuidado não só em seu conteúdo com temas de maior complexidade, por se dirigir a um público mais maduro, mas também na forma de estrutura artística e visual. É neste período também, que o universo dos heróis dá mais visibilidade a personagens de outras etnias, como negros e orientais, o que raramente acontecera até então no ocidente. Esta variedade

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também se fez notar nas publicações: os super-heróis não monopolizavam tanto as vendas e passaram novamente a dividir espaço com publicações de terror, ficção científica, humorística, aventura, entre outros. (PATATI; BRAGA, 2006, p.149).

Ainda de acordo com Patati e Braga (2006), nos anos 1980 começa a Era Moderna dos Quadrinhos que dura até hoje, com autores reinventando os heróis mais clássicos e revolucionando as formas de se contar uma história em quadrinhos. As tramas passam a contar com temáticas mais pesadas e os autores ganham tanto reconhecimento quanto suas próprias obras.

O final dos anos 1990 e começo do século 21 foi marcado pelo uso da internet. Artistas passaram a publicar material por conta própria em seus próprios sites ou blogs para que pudessem ser divulgados (MCCLOUD, 2006, p.25). Isso fez com que artistas desconhecidos pudessem ser descobertos por cada vez mais expectadores ou até mesmo editoras. Um exemplo disso é a artista brasileira Bianca Pinheiro, que publicava páginas da sua história Bear (FIGURA 28) em suas redes sociais e acabou sendo descoberta por uma editora e contratada para publicar a sua história.

Figura 28 – BEAR

Fonte: Disponível em <http://bear-pt.tumblr.com/> extraído em 17 de maio de 2017.

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Ramos (2014, p.203) enxerga os quadrinhos como um hipergênero, ou seja, um campo maior que teria uma linguagem comum a uma gama de gêneros autônomos, como as tiras cômicas tais como Mafalda (FIGURA 29), de Quino, Calvin e Haroldo (FIGURA 30), de Bill Watterson, as tiras seriadas, as tiras cômicas seriadas, as tiras livres, as charges, os cartuns e a série de temas possíveis a serem desenvolvidos nas histórias em quadrinhos mais longas tais como Superman (FIGURA 31), da DC Comics, faroeste, autobiografia, eventos históricos, jornalismo em quadrinhos, fotonovela, drama, guerra, mistério, detetive, ficção científica, super-heróis, entre tantos outros.

Figura 29 – Mafalda - Tirinha

Fonte: Disponível em

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Figura 30 – Calvin e Haroldo

Fonte: Disponível em < http://locomotiva26.com.br/no-diva-dos-personagens-calvin-e-haroldo/> extraído em 27 de setembro de 2017.

Figura 31 – Super Man – Comic Book

Fonte: Disponível em <hqrock.wordpress.com> extraído em 17 de maio de 2017.

Existem autores que dizem não acreditar na necessidade de separar as Graphic Novels e os comic books (quadrinhos) em geral, como McCloud (2005). Já para outros, elas devem ser vistas como semelhantes, porém separadas. Weiner (2003, p.xi) define Graphic Novels como quadrinhos com a extensão de um livro, feitas para serem lidas como uma história. Eisner (1999)

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característica de uma linguagem.(EISNER, 1999, p.7)

Sieczkowski (2011, p.16) analisa essa diferença, sendo a maneira como é trabalhada a linguagem visual e a preferência de temáticas. Nas Graphic Novels, segundo a autora, existe uma experimentação diferenciada das possibilidades dentro da linguagem visual em termos de cores, traço, organização dos elementos visuais, e temas mais ligados a questões de condições humanas, enquanto nas HQs geralmente são explorados temas fantásticos de super-heróis, voltados principalmente ao entretenimento. Ainda assim, reforça que isso não pode ser levado como regra, pois a maior parte dos argumentos dados pode ser rebatida com contraexemplos.

Considerando Graphic Novels como uma forma de quadrinhos que trabalha com temas mais complexos que as outras HQs, pode ser citada a publicação Maus (FIGURA 33) que é uma Graphic Novel escrita por Art Spiegelman lançada em 1986 pela Editora Companhia das Letras. Conta a história de Vladek Spiegelman, um judeu polonês que sobreviveu a um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos, ganhando o Prêmio Pulitzer de literatura.

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Figura 33 – Maus, de Art Spiegelman.

Fonte: Disponível em <saraiva.com> extraído em 02 de Junho de 2017.

Já o especialista em HQ Andreas Platthaus, em entrevista a Günther Birkenstock do site DW made for minds3, discorda: para ele, nada mudou em termos de conteúdo. O que difere as Graphic Novels de HQs é puramente técnico. A Graphic Novel pode ser contada num formato não pré-fixado, que não se oriente pelos formatos clássicos de revista. Sendo o tamanho da página que determina o que é um Graphic Novel. Outra característica é que a extensão não é fixada, podendo ter 20 ou 500 páginas. A Graphic Novel Castelo de Areia (FIGURA 34), de Frederick Peeters e Pierre Oscar Lévy, por exemplo, tem 104 páginas. Já a Graphic Novel Umbigo sem fundo (FIGURA 35), de Dash Shawn, conta com 720 páginas.

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Figura 34 – Castelo de Areia

Fonte: Disponível em <saraiva.com> extraído em 02 de Junho de 2017.

Figura 35 – Umbigo sem Fundo

Fonte: Disponível em <saraiva.com> extraído em 02 de Junho de 2017.

Dessa forma, de acordo com Ramos (2014, p. 202) vê-se, então, que a Graphic Novel funciona como uma espécie de etiqueta sobre aspectos do conteúdo, mais maduro e direcionado a um leitor adulto e supostamente apreciador de livros. Ainda de acordo com o autor, esse rótulo funciona como uma “capa”, que ofusca as reais características do gênero apresentado.

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Segundo Ramos o autor, esse rótulo influencia os aspectos formais do texto do gênero. Essa interpretação lança um novo problema para os estudiosos do assunto: “distinguir as tipologias de gêneros que vêm dos usuários das que são elaboradas pelos pesquisadores”. É isso que ocorre com a Graphic Novel. De acordo com o autor, ela seria um rótulo atribuído a determinadas produções em quadrinhos, ganhando falsos ares de gênero e escondendo as reais características do gênero que contém.

Como se pode ver, a definição de Graphic Novel é incerta, o que gera dúvidas e discussões sobre se há ou não a distinção entre quadrinhos e Graphic Novels e sobre se uma é ou não inferior a outra. Enquanto para alguns, a Graphic Novel é diferenciada apenas por características técnicas, outros dizem que o próprio conteúdo de uma Graphic Novel geralmente é mais relevante e complexo, ou até mesmo, que o nome Graphic Novel não passa de um rótulo.

3.4 ADAPTAÇÕES

As adaptações vêm sendo estudadas por diversos autores, como Roland Barthes, Linda Hutcheon e Robert Stam, que apesar de dissertarem sobre o mesmo assunto, complementam o estudo com informações e opiniões diversificadas.

Barthes (apud SOUSA, 2012) define adaptar como uma forma de analisar ou ler uma obra literária. Barthes defende que a adaptação é construída sobre os sentidos dos leitores do texto original, permitindo múltiplas interpretações, sendo possível criar infinitas adaptações geradas a partir de uma mesma fonte. A obra literária Coraline (2002), de Neil Gaiman, por exemplo, foi adaptada tanto para um filme de animação em stop motion, quanto para Graphic Novel.

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Figura 36 – Coraline – Original (2002)

Fonte: Disponível em <http://www.skoob.com.br> extraído em 01 de junho de 2017.

Figura 37 – Coraline – Animação (2009)

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Figura 38 – Coraline – Graphic Novel (2002)

Fonte: Disponível em <www.popcultcha.com.au> extraído em 25 de maio de 2017.

Hutcheon (2006) diz que as adaptações estão em todo lugar nos dias atuais. Dessa forma, a autora questiona se devemos mesmo considerar adaptações como trabalhos secundários: “A rotulação da obra adaptada como inferior ou cópia da original é derivada de uma concepção pejorativa sobre o próprio processo de adaptação. Para ela, adaptar não significa necessariamente ser fiel a obra original e a fidelidade tão pouco deve ser critério de julgamento das adaptações. De acordo com o dicionário MICHAELIS, adaptar significa: “encaixar, tornar apto, ajustar, alterar, o que pode ser feito de diferentes maneiras.” Nota-se, por exemplo, que na adaptação da obra infanto-juvenil literária Crepúsculo, de Stephanie Mayer, para Graphic Novel, muitas cenas da obra literária foram cortadas quando transformadas em quadrinhos, uma vez que se viu a necessidade de retirar cenas menos importantes para tornar o conteúdo atrativo para a linguagem dos quadrinhos e dos filmes. Os acontecimentos da história se dão de maneira mais dinâmica e resumida. Isso não torna a leitura inferior ou infiel, apenas ajustada.

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Figura 39 – Crepúsculo – Graphic Novel

Fonte: Disponível em <http://bookthingo.com.au> extraído em 25 de maio de 2017.

De acordo com Plaza (1938, p. 28), a tradução é, em primeiro lugar, uma forma. Essa tradução como forma propõe problemas complexos e concebê-la como tal significado regresso à obra original que deve se encontrar com a lei que determina a “traduzibilidade” de uma obra. Mas do mesmo modo que nenhum dado do conhecimento pode ser ou ter pretensões a ser objetivo quando se contenta em reproduzir o original, nenhuma tradução será viável se tiver somente como foco ser uma reprodução parecida à original.

Ainda de acordo com Plaza (1938), embora a tradução seja transparente, pois não oculta a obra original nem rouba sua atenção, todo tradutor tem o objetivo secreto de superação do original que se manifesta tentando complementá-lo, aprimorando seus sentidos e ou tocando o original num ponto tangencial do seu significado, para depois de acordo com a lei da fidelidade na liberdade, continuar a seguir o seu próprio caminho que daria o da tradução criativa.

A operação tradutora como trânsito criativo de linguagens nada tem a ver com a fidelidade, pois ela cria sua própria verdade. (PLAZA, 1938, p.1)

Já Hutcheon (2006) entende a adaptação como a transposição de uma obra, uma espécie de transcodificação, ou seja, transformar a leitura de um

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meio de comunicação para outro. Dessa forma, pode-se então, contar uma história sob um ponto de vista diferente ou ainda expor uma nova interpretação. Como se trata de um processo de recriação, entende-se a adaptação por meio de um processo de (re)interpretação, processo no qual primeiramente se apropria do texto fonte para depois recriá-lo. Hutcheon ainda busca entender a adaptação como uma forma de intertextualidade, ou seja: “o texto baseia-se em outros textos para se criar, existindo completamente por meio de uma relação intertextual com os primeiros”.

Stam (2000, p.5) discute a questão da adaptação de obras literárias para o cinema. Assim como defende Hutcheon, para ele, a crítica lida com as adaptações de uma forma muito moralista, usando termos como infidelidade, violação e vulgarização para descrever adaptações que, não alcançam o objetivo de ser “fiel” ao original. De acordo com Stam, para superarmos esta crítica, é necessária a percepção de que quando classificamos uma obra como infiel ao original expressamos, na verdade, nosso desapontamento ao sentirmos que a adaptação falha ao captar o que os leitores consideram aspectos fundamentais da narrativa, temática e estética da fonte literária. “É necessário enxergarmos a adaptação não como subordinada à obra de partida, mas sim entendê-la como uma nova obra, produto de outro ato criativo, com suas próprias especificidades”. (STAM, 2000, p.5)

Independente do meio em que é feita, seja quadrinhos, cinema, games ou teatro, a adaptação é um meio de (re)interpretar e (re)criar uma obra, seja ela literária ou não. A adaptação contempla possibilidades de popularizar a obra original e seu conteúdo transcrevendo-o de uma linguagem para outra, de modo a atingir diferentes públicos e aumentar a sua notoriedade.

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A adaptação em Graphic Novel trata das 105 primeiras páginas do livro, o equivalente aos dois primeiros capítulos da história do livro “A História Secreta”, totalizando 72 páginas ilustradas.

4.1 ANÁLISE DE SIMILARES

Para se desenvolver uma Graphic Novel com uma base concreta, tornou-se necessário analisar livros similares, ou seja, que já foram publicados e conhecidos entre o público leitor.

Foram escolhidos os livros: Retalhos, de Craig Thompson; a adaptação Vidas Secas, de Eloar Guazzelli; Três Sombras, de Cyril Pedrosa; Pílulas Azuis, de Frederick Peeters; e Repeteco, de Bryan Lee O’Malley. Estes livros foram os escolhidos por serem considerados livros muito famosos entre o público leitor. Retalhos está na estante virtual de 8559 pessoas na rede social brasileira Skoob4 e Pílulas Azuis está com 3093 leitores. Além de Graphic Novels famosas, buscou-se analisar livros bem diferentes uns dos outros, em relação a cores, traços, requadros para analisar como cada elemento se comportava melhor e, assim, determinar quais características seriam utilizadas neste trabalho. Dessa forma, as categorias a serem analisadas foram letreiramento (se foi feita manualmente ou com fonte digital), dimensões do livro, disposição dos quadrinhos por página, uso das cores, e a capa, ou seja, itens que deverão ser definidos no desenvolvimento deste projeto. Para este passo, todas as Graphic Novels citadas foram lidas e devidamente analisadas.

4 Disponível em <skoob.com.br> acesso em 17 de maio de 2017. O Skoob é uma rede social

que funciona como uma estante virtual, onde as pessoas podem categorizar livros como “lidos”, “lendo”, “quero ler”, “abandonados” e escrever resenhas escritas por outros usuários.

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Retalhos – Craig Thompson- 2009

Figura 40 – Retalhos (2009) Fonte: Craig Thompson

Sinopse: Uma das Graphic Novels mais premiadas dos últimos tempos, Retalhos é um relato autobiográfico. Thompson retrata sua própria história, da infância até o início da vida adulta, numa cidadezinha de Wisconsin, Estados Unidos. Seu crescimento é marcado pelo temor a Deus — transmitido por sua família, seu colégio—, que se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar pelo desenho. Com a adolescência, seus desejos se expandem e acabam tomando forma em Raina com quem começa a relação que mudará a visão que ele tem da família, de Deus, do futuro e, enfim, do próprio amor. Letreiramento: fonte digital

Dimensões: 16x23cm

Disposição dos quadrinhos: é variada, mas na maior parte das páginas há três colunas de quadrinhos. Os quadrinhos têm um contorno preto que é um pouco tremido, o que dá a sensação de que ter sido feito à mão livre.

Cores: preto e branco

Capa: Personagens principais trocando olhares. É uma cena de um dos quadrinhos do livro, mas para a capa a ilustração foi colorida nas cores complementares laranja e azul.

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Figura 41 – Vidas Secas (2015) Fonte: Eloar Guazzzelli

Sinopse: A Graphic Novel une o traço do premiado quadrinista Eloar Guazzelli ao texto clássico do autor brasileiro Graciliano Ramos. Com roteiro de Arnaldo Branco — responsável pela adaptação em HQ. A história da jornada da família de retirantes sertanejos em busca de água, comida e melhores condições de vida ganha ritmo. Respeitando o texto original, esta Graphic Novel transforma e dá nova dimensão ao romance, consolidando-o como a história de um Brasil, infelizmente, mais que atual.

Letreiramento: fonte digital Dimensões: 19x24,5cm.

Disposição dos quadrinhos:São dispostos de forma variada conforme a página. Em geral, os quadros são compridos, sendo um quadro só ocupando o comprimento inteiro da folha. Média de 4 quadrinhos por página.

Cores:marrom, preto e branco

Capa: A capa é quase apenas tipográfica, com exceção dos personagens ilustrados pequenos no canto da capa.

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Três sombras – Cyril Pedrosa - 2008

Figura 42 – Três Sombras (2008) Fonte: Cyril Pedrosa

Sinopse: Joachim e seus pais levam uma vida tranquila em uma pequena casa no campo. A aparição de três sombras no alto de uma colina, no entanto, corrói a harmonia da vida em família e enche os pais de dúvidas. Seriam viajantes? Por que estão rondando a casa? A cada tentativa de aproximação, as figuras misteriosas desaparecem. Logo, eles percebem que as sombras estão ali para buscar Joachim. Recusando-se a aceitar esse fato, o pai foge com o filho em uma viagem febril e desesperada, sempre com as sinistras sombras em seu encalço.

Letreiramento: fonte digital / onomatopeia escrita manualmente Dimensões: 15,8x21,4cm

Disposição dos quadrinhos: São dispostos de forma variada, mas em grande parte são dispostos em 3 colunas de 2 quadrinhos cada. O contorno é preto e tortuoso, o que dá a impressão de ter sido desenhado à mão livre.

Cores: preto e branco

Capa: Floresta escura, ao fundo personagens principais caminhando. Dá à história uma sensação de mistério.

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Figura 43 – Pílulas Azuis (2015) Fonte: Frederick Peeters

Sinopse: Frederik Peeters conta sobre seu encontro e sua história com Cati, envolvendo o vírus do HIV que entra em cena e muda tudo, e todas as emoções contraditórias que ele tem de aprender a gerenciar: amor, raiva, compaixão.

Letreiramento: fonte digital Dimensões: 16,9x23,9cm

Disposição dos quadrinhos: 3 colunas de 2 quadros cada, podendo às vezes juntar 2 quadros de modo a formar 1 maior. O contorno do quadrinho é espesso e tremido, dando a impressão de ter sido feito à mão livre.

Cores: preto e branco

Capa: personagens principais sentados em um sofá, que flutua em um mar azul. As cores da capa são as cores complementares azul e laranja.

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Repeteco – Bryan Lee O’Malley - 2014

Figura 44 – Repeteco (2014) Fonte: Bryan Lee O’Malley

Sinopse: A vida de Katie vai muito bem. Ela é uma chef talentosa, dona de um restaurante de sucesso e com grandes planos para a vida. De repente, em um único dia ela perde uma grande chance de negócios, sua melhor garçonete se machuca e um ex-namorado charmoso aparece para complicar ainda mais a situação. Quando tudo parece perdido e Katie já não enxerga mais uma solução, uma misteriosa garota aparece no meio da noite com a receita perfeita para uma segunda chance. E assim, Katie ganha um repeteco, na vida e precisará lidar com as consequências de suas melhores intenções.

Letreiramento: fonte digital Dimensões: 15x20,3 cm

Disposição dos Quadrinhos: É feita de maneira aleatória. Em comparação com os outros livros analisados, este é diferente por conter vários quadrinhos pequenos por página, enquanto os outros eram quadros maiores em menor quantidade. As margens das páginas são grandes, tendo um grande espaço de respiro. O contorno dos quadros é preto e bem reto, dispensando a ideia de que tenha sido feito à mão.

Cores: colorido

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este recurso, o que provavelmente será seguido para a capa deste trabalho.

4.2 O LIVRO A HISTÓRIA SECRETA

A História Secreta foi escrita pela norte americana Donna Tartt, nascida em 1963, nos Estados Unidos. O romance foi a sua primeira história a ser publicada, em 1992, quando a autora tinha 30 anos.

Figura 45 – Donna Tartt

Fonte: Disponível em <http://www.languageisavirus.com/> acesso em maio de 2017.

Tartt publicou em sua vida – até os dias atuais – 3 romances, criando a fama de publicar um livro a cada 10 anos. O mais recente, O Pintassilgo, chegou a ganhar o prêmio Pulitzer em 2014, como livro de ficção, o que fez com que a autora ganhasse maior reconhecimento e seus livros anteriores fossem relembrados.

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O livro é estruturado da seguinte maneira: contém 517 páginas, que são organizadas em 8 extensos capítulos, e os capítulos são divididos em 2 partes. Este projeto adaptará as primeiras 105 páginas do livro, o equivalente a 2 capítulos.

A obra é considerada dos gêneros drama e suspense. Isso significa que se trata de uma história de caráter não cômico, que apresenta um desenvolvimento de fatos e circunstâncias compatíveis com a vida real. Remete também à uma história que traga sentimento de dor, sofrimento, ansiedade ou incerteza.

O título original é “The Secret History” e é narrado pelo jovem californiano Richard Papen, que cresceu na cidade de Plano por pais que não demonstram interesse algum pelo filho ou seus interesses. Quando surge a oportunidade de estudar com bolsa integral em uma seleta universidade em Hampdem, do outro lado dos Estados Unidos, o jovem se muda sem olhar para trás. Portando poucos pertences e quase nenhum dinheiro, Richard se vê rodeado por jovens vindos de famílias muito ricas, que não devem fazer ideia do que é ter pais pertencentes à classe trabalhadora, como ele.

Logo em suas primeiras semanas na escola, Richard tenta se matricular na matéria de grego antigo, mas é rejeitado pelo rigoroso professor Julian Morrow, que limita a sua turma a apenas cinco estudantes: Henry Winter, Bunny Corcoran, Francis Abernathy e os gêmeos Charles e Camilla Macaulay. Curioso, o estudante busca saber mais sobre o fascinante grupo que parece viver isolado em um mundo próprio. Desde a vestimenta, ao modo de conversar, tudo indica que eles são únicos e exclusivos. Isso faz com que Richard sinta vontade de fazer parte daquilo. Saindo de uma cidade tão pequena, ele deseja entrar neste grupo totalmente elitista e refinado.

Quando Richard finalmente consegue se matricular na turma de Julian e passa a estudar grego antigo, o grupo o introduz à sua rotina, regada a muito álcool, cigarros e filosofia. Fazem jantares em suas casas, discutem os gregos, participam de festas orgiásticas em uma casa de campo nos finais de semana. A inocência de Richard faz com que ele não perceba o território desconhecido que está frequentando, o que acaba sendo escondido do leitor também, uma vez que a narrativa é em 1ª pessoa, sendo narrada pelo próprio Richard.

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No prólogo do livro, introdução que precede o primeiro capítulo, já se sabe que o grupo de amigos assassinou Bunny. A história busca revelar o que levou os personagens a planejar e executar o plano, e as consequências desse ato, quando o grupo enfrenta sentimentos de medo e remorso.

Donna Tartt exagera na carga dramática em seu romance, buscando resgatar as bases de tragédias gregas readaptando-as para o mundo contemporâneo e mostrando a devastação moral como a pior desgraça do homem.

Estas informações e a leitura do livro serviram de base para o início do desenvolvimento da adaptação para Graphic Novel.

4.3 MOODBOARD

Um dos primeiros passos para iniciar este projeto, foi a criação de um moodboard, ou painel semântico. Mesmo tratando-se de uma ferramenta geralmente direcionada para outras vertentes do design, como o de produto, o objetivo do moodboard neste trabalho era, por meio do recorte de várias imagens de referências, criar um quadro a fim de organizar ideias e identificar características visuais para, dessa forma, definir um primeiro caminho a ser seguido em relação ao projeto e absorver a atmosfera visual da história.

Segundo McDonagh e Denton (apud. GERENDAat. al., 2014, p.3), o moodboard pode ser definido como um quadro‐ferramenta concebido por meio do processo de recorte de diversas referências visuais. Sua principal função é

5Na mitologia grega, Dionísio é o deus da vegetação, da fertilidade e do vinho. É responsável

do êxtase místico resultante da entrega do corpo às substâncias inebriantes, como bebidas alcóolicas. Disponível em <mitologiaonline.com> acesso em abril de 2017.

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relacionada a inspiração dos designers ou pessoas envolvidas em um projeto. Estes estímulos são normalmente formados por elementos visuais com imagens, cores, desenhos e materiais gráficos. Os autores acreditam que o moodboard pode ser tanto uma ferramenta utilizada para identificar problemas, quanto para solucioná-los.

De acordo com Pereira e Scaletsky (apud. GERENDA et. al., 2014, p.3), acredita‐se que os moodboards possam atuar na transmissão de um mesmo briefing ou ideia, manipulando imagens como significados de comunicação para facilitar relações, acessar sentimentos e expressar valores abstratos.

Faz‐ se importante destacar que ao lidar com moodboards não se está manipulando imagens decompostas e analisadas em fragmentos; pois na realidade, são um conjunto de referências visuais intencionalmente agrupadas que visam representar ou construir novos significados (PEREIRA, SCALETSKY, 2010,

apud. GERENDA at. al, 2014, p.3).

Para Casakin e Goldschidt (apud. GERENDA et. al., 2014, p.3), este tipo de raciocínio reside na transferência da relação de uma situação conhecida (a fonte) para a situação que precisa ser clarificada (o alvo) – de maneira que a identificação de similaridades na relação entre alvo e fonte é responsável pela visualização de possíveis soluções e pensamentos inovadores. Assim, o moodboard é entendido como uma ferramenta de construção de novos significados e não apenas como um simples quadro resultado de colagens de imagens. Esses novos significados associados ao processo de construção de metáforas, podem ser entendidos como conceitos que apoiam o designer no processo de projeto. Além disso, quanto ao layout final, o moodboard serve simultaneamente como um guia que representa a direção que deve ser tomada. Assim, a ferramenta suportada pela natureza semântica de suas referências visuais, é responsável pela organização do pensamento criativo e estimula o raciocínio por analogia (GERENDA at. al., 2014, p.4).

De acordo com Edwards (2009, p.5), a criação de um moodboard se dá por etapas, começando com o conceito do projeto. Prossegue-se à coleta de dados, seleção de imagens, arranjo de imagens (que inclui a edição destas) e finalmente, o período de reflexão, quando se terá que tomar a decisão de refazer algum passo ou finalizar o painel. O autor diz que cada passo pode ser

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Figura 46 – Painel Semântico Fonte – Edwards (2009, p.5)

Com isso em mente, foram selecionadas várias imagens retiradas da internet para a montagem do painel semântico baseado no romance A História Secreta.

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Figura 47– Moodboard Fonte: autora (2017)

As fotos do painel semântico selecionadas para esse projeto são imagens que remetiam às descrições contidas no livro, como as roupas que os personagens usavam, objetos, cenários ou até mesmo cenas completas. Foram selecionadas fotos que facilmente poderiam ser utilizadas para ilustrar o romance A História Secreta, devido à tamanha semelhança de características.

Referências

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