UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL DCSa - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA SAÚDE
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM ENFERMAGEM EM
TERAPIA INTENSIVA
MARITÂNIA LUISA WITTZINSKI
QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇA ARTERIAL
CORONÁRIA
IJUÍ
MARITÂNIA LUISA WITTZINSKI
QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇA ARTERIAL
CORONÁRIA
Artigo de conclusão do curso da pós-graduação Latu senso em Enfermagem em Terapia Intensiva, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, DCSa - Departamento de Ciência da Saúde.
PROF.° Ms. Gilmar Poli Orientador
IJUÍ
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO... 4 2 MÉTODO... 6 3 RESULTADOS... 8 4 DISCUSSÕES... 10 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 13 REFERÊNCIAS... 15Qualidade de vida em pacientes com Doença Arterial Coronária
Life’s quality in patients with Coronary Arterial Disease
Maritânia Luisa Wittzinski1 Gilmar Poli2
RESUMO
Objetivo: Identificar fatores que influenciam na qualidade de vida (QV) em pacientes com doença
arterial coronária (DAC). Método: Pesquisa exploratória, bibliográfica e qualitativa que buscou saber quais os fatores que influenciam na QV em pacientes com DAC. A coleta de dados foi de setembro á dezembro de 2011, nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciência da Saúde (Lilacs) e Revista Brasileira de Cardiologia Intensiva (RBCI). Os descritores usados foram QV após infarto; QV após revascularização miocárdica; QV em portadores de doença coronária e QV. Os critérios de inclusão foram artigos descritos em língua portuguesa publicados em 2001 á 2011, que tratavam acerca do tema em questão. Resultado: O tratamento correto, á aceitação da doença auxilia na prevenção de uma nova intervenção. O comprometimento físico piora a QV dos pacientes pós cirúrgicos inicialmente, mas posteriormente apresentam uma melhora significativa. Mulheres adoecem com mais idade e mais vulneráveis ao tratamento, refletindo na piora da QV. Associação da dislipidemia e hipertensão em pacientes portadores de DAC apresentaram piora na QV. O sedentarismo está relacionado com a piora na QV em pacientes com DAC. Conclusão: O comprometimento físico está associado á piora da QV após tratamento cirúrgico, mas posteriormente uma melhora significativa, mulheres, pacientes com dislipidemia, hipertensão e sedentários apresentaram uma piora na QV. Descritores: Qualidade de Vida; Revascularização; Doença das Artérias Coronárias.
ASTRACT
Aim: Identify reasons that influence on life’s quality (LQ) in patients with Coronary Arterial Disease
(CAD). Methodology: Exploratory research, bibliographical and qualitative that searched to know which factors influence LQ in patients with CAD. The collection of datas was from September up to December 2011 in the following datas’ bases: Scientific Eletronic Library Online (Scielo), Latin-American and Caribbean Center on Health Sciences Information (Lilacs) and Brazilian Journal of Invasive Cardiology (BJIC). The useddescriptors were LQ after heart attack, LQ after coronary artery bypass graft; LQ in coronary disease carriers and LQ. The criteria of inclusion were described articles in Portuguese Language published in 2001 up to 2011 that dealt around the theme. Result: The right treatment up to the disease acceptance helps in prevention from a new intervention. The physical commitment gets worse in the patient’s LQ post-surgical, but later showed a significant improvement. Women get sick older and they are more vulnerable to treatments, reflecting in LQ worsening. Dyslipidemia and hypertension association in patient carriers with CAD showed LQ worsening. The
1
Enfermeira, Discente do Curso de Pós-Graduação de Enfermagem em Terapia Intensiva na Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ e Enfermeira da UTI Adulto do Hospital de
Caridade/Erechim/RS.
2 Enfermeiro, Especialista em Administração de Serviços de Enfermagem, Mestre em Educação nas Ciências,
Docente do Curso de Enfermagem na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ.
sedentary life is linked in LQ worsening in patients with CAD. Conclusion: The physical commitment is associated in LQ worsening after surgery treatment, but latter in a significant improvement, women, patients with dyslipidemia, hypertension and sedentary people showed LQ worsening. Descriptors: Life’s Quality; Revascularization; Coronary Arterial Disease.
1 INTRODUÇÃO
As síndromes coronárias agudas (SCA) são condições caracterizadas pela ocorrência súbita de insuficiência coronária como decorrência da oclusão trombótica de uma ou mais artérias coronárias (MARINO, 2008). São manifestações clínicas e laboratoriais de isquemia miocárdica aguda (BASSAN; BASSAN, 2006), identificadas em três formas: Angina Estável (AE); Angina Instável (AI); Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e suas variações (SOUZA; FAYH; PORTAL, 2011).
Angina estável tem característica de episódios repetitivos de dor torácica, em aperto, com particularidade que pode aparecer com exercícios mais intensos e desaparecer em repouso ou com uso de medicação; a angina instável apresenta a mesma dor, porém eventualmente mais intensa, não desaparecendo após 30 minutos de repouso, podendo manifestar-se em repouso e obtendo melhora parcialmente com uso de medicação (PEDROSO; OLIVEIRA, 2007).
A angina não tratada, com uma restrição do vaso de 50%, pode apresentar risco de ruptura, sequencialmente trombose e oclusão do vaso, ou seja, IAM (OLIVA; PAZ; SOUZA, 2011).
O IAM é a obstrução de uma artéria coronária originada da ruptura de uma placa de ateroma (PEDROSO; OLIVEIRA, 2007). É caracterizado de duas maneiras: IAM com desnivelamento (IAMCST), é a oclusão total coronária trombótica; IAM sem Supra-desnivelamento (IAMSST), é a oclusão parcial da artéria ou oclusão total com revascularização natural(MARINO, 2008).
As doenças cardiovasculares são as principais causas de óbitos no Brasil, correspondendo a 31,88% dos óbitos nas diversas faixas etárias, (DATASUS, 2009), no ano de 2010 79.297 óbitos foram causados por IAM (DATASUS, 2010). O estudo “Fatores de risco para Infarto do miocárdio no Brasil”, demonstrou os seguintes fatores de risco associados ao IAM, dentre estes, classificam-se os não modificáveis: hipertensão arterial sistêmica, história familiar, diabete mellitus, condição socioeconômica, e os modificáveis: tabagismo, sobrepeso, sedentarismo, dislipidemia e consumo de álcool (SLVA; SOUSA;
SCHARGODSKY, 1998). Fatores estes, que quando iniciados na infância e adolescência tem grande perspectiva de manterem-se na idade adulta (SILVA et. al, 2010).
Estas informações denotam a importância da educação para a promoção da saúde e prevenção da doença, que deve ser iniciada ainda na infância e inclui basicamente, mudança do estilo de vida, dos hábitos alimentares e prática regular de exercícios físicos. Uma vez instituídas estas medidas as possibilidades de incidência de doenças arteriais coronárias (DAC), reduzem significativamente. Ressalta-se também que, após instalação destas doenças, as formas de tratamento se reduzem à condição de minimização de riscos e de morbimortalidade exigindo tratamentos em Unidades especializadas de Tratamento Intensivo (UTI) (OLIVA; PAZ; SOUZA, 2011).
Em situações em que há obstrução total ou parcial da coronária, é possível, a partir da análise diagnóstica, optar por, basicamente três tipos de tratamento: a Trombólise química, com uso de trombolíticos; a cirurgia aberta com implante de uma prótese autóloga da safena (ponte de safena); e a angioplastia transluminar percutânea com ou sem o implante do stent.
Neste sentido e considerando a situação de pacientes que sofreram IAM, Knobel (1998) destaca que estes pacientes necessitam de tratamento adequado e imediato, além disso, atitudes devem ser tomadas com vistas à diminuição dos fatores de risco e prevenção de re-estenoses, exigindo, portanto, modificações nos hábitos de vida.
Entende-se que em virtude da revascularização coronariana os pacientes alcançarão melhor qualidade de vida (QV), especialmente em razão da melhora do fluxo coronário e diminuição dos sintomas, porém para a manutenção desta condição será necessária a reeducação, readequação e redefinição dos modos de vida até então estabelecidos. Além disso, é imperioso que o paciente construa conhecimentos suficientes sobre a doença afim de que possa se tornar sujeito ativo dos seus cuidados, o que envolve desde o uso correto de medicações até a prática de exercícios físicos, alimentação balanceada dentre outros (FILHO, 2008).
Nesse sentido Martins; França e Kimura (1996) desenvolveram um estudo com o objetivo de identificar o significado de QV para pessoas com doença crônica e verificar a interferência da doença sobre a QV das mesmas, os autores destacam que.
A partir do diagnóstico de doença crônica, os indivíduos acometidos passam a ter novas incumbências como fazer regime de tratamento, conhecer a doença e lidar
com incômodos físicos; perdas nas relações sociais, financeiras, nas atividades como locomoção, trabalho e lazer, ameaças à aparência individual, à vida e à preservação da esperança (MARTINS; FRANÇA; KIMURA, 1996, P. 6-7).
Os mesmos autores referem que a QV dos indivíduos que convivem com doenças crônicas pode ser interpretada de formas diferentes, dependendo das percepções do próprio sujeito e das relações que este estabelece com o contexto que está inserido e envolvem todas as condições da existência humana, ou seja, bem estar físico, mental, espiritual, cultural e social (MARTINS; FRANÇA; KIMURA, 1996).
Na busca de uma definição mais apropriada sobre o que pode significar QV, buscamos referência na Organização Mundial da Saúde (OMS, 1997, p.01) que a define como “a percepção do indivíduo da sua posição na vida, dentro do contexto cultural e dos valores em que ele vive, bem como em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Entende-se, portanto que a melhor ou pior QV de um indivíduo, está diretamente relacionada com suas percepções, ou seja, da interpretação subjetiva dele próprio.
É perceptível, portanto que uma condição de doença, de qualquer ordem repercute sobre o cotidiano dos sujeitos envolvidos. A partir disso, nos permitimos inferir que um evento cardiológico gera impacto na vida do sujeito acometido com repercussão na QV. Por isso, temos como objetivo deste estudo identificar os fatores que influenciam na QV de pacientes portadores de DAC.
Entendemos que se trata de um tema que tem relevância para os pacientes e para a enfermagem que, enquanto categoria profissional está presente em todos os momentos da vida destes pacientes, seja na atenção primária, no período de internação e esta proximidade possibilita contribuir no cuidado e busca melhor adequação aos novos modos de vida e de viver.
2 MÉTODO
Este estudo se caracteriza como uma pesquisa exploratória, qualitativa e bibliográfica a qual buscou identificar fatores que influenciam na QV de pacientes portadores de DAC.
A pesquisa qualitativa se preocupa com questões que não podem ser quantificadas, trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes, é entendido como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mas por pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes (MINAYO, 2011).
A pesquisa exploratória consiste em possibilitar o desenvolvimento, esclarecimento e mudanças de conceitos e idéias, acerca de um determinado tema (GIL, 2010).
Segundo Gil (2002, p. 44), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Procura explicar um problema por meio de teorias já publicadas, procurando conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes em um determinado assunto, ampliando assim o conhecimento em determinada área.
A Coleta de dados se deu nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciência da Saúde (Lilacs) e Revista Brasileira de Cardiologia Intensiva (RBCI).
Buscou-se entre os meses de setembro á dezembro de 2011, artigos publicados on line, por profissionais de saúde que abordam o assunto proposto pelo estudo. Os descritores utilizados para a busca foram: QV após infarto; QV após revascularização miocárdica, QV em portadores de doença coronária e QV.
Os critérios de inclusão foram artigos publicados na íntegra, descritos em língua portuguesa publicados entre os anos de 2001 e 2011, que tratavam acerca do tema em questão. Foram excluídos os que não se adéquam a estes critérios.
A partir dos descritores: QV após infarto identificou-se oito artigos no Scielo e três no Lilacs; QV após revascularização miocárdica, encontrou-se doze no Scielo e quatro no Lilacs; QV em portadores de doença coronária, quatro no Scielo e dois no Lilacs; QV, trinta e oito artigos em RBCI.
É importante ressaltar que alguns artigos são encontrados em mais de uma base de dados, e do total de artigos identificados foram selecionados seis artigos no Scielo, um no Lilacs e um na RBCI, totalizando assim, oito artigos que se constituem nosso objeto de análise.
Para análise, adotou-se a abordagem qualitativa e o método da análise de conteúdo que, se compõe de três etapas: Pré-análise; Exploração do material e Tratamento dos resultados/Inferência/Interpretação (MINAYO, 2011).
3 RESULTADOS
Para dar evidência e subsidiar a análise criamos um quadro com informações que entendemos relevantes para o estudo, como segue.
Titulo Autores População Resumo Fonte
Preditores de Mudanças na Qualidade de Vida após um Evento Coronariano Agudo Emiliane N. Souza, Alexandre S. Quadros, Rúbia Maestri, Camila Albarrán, Rogério Sarmento-Leite No estudo 281 pacientes foram estudados.
O artigo avaliou a qualidade de vida (QV) dos pacientes após seis meses da internação, relacionando à saúde com evento
coronário agudo. Pacientes que submeteram-se a
revascularização miocárdica através de intervenção coronária percutânea (ICP) ou cirurgia, apresentaram maior escore relacionado aos não revascularizados, com ênfase aos submetidos à cirurgia. Pacientes com dislipidemia e ou hipertensão, demonstraram piora nos escore relacionado à QV. Arq. Bras. Cardiol. 2008 vol. 91, n.4, pp.252-259 Qualidade de Vida em Portadores de Doença Arterial Coronária: Comparação entre Gêneros Maria E. C. de Sampaio Favarato, Desidério Favarato, Whady A. Hueb, José M. Aldrighi O estudo inclui 542 pacientes com DAC.
A DAC é considerada uma das causas mais importantes de incapacitações e podendo levá-las até a morte. O tratamento pode ser de três formas: clínico; cirúrgico ou por angioplastia. A QV desses pacientes pode sofrer alterações. Os pacientes submetidos a procedimento cirúrgico tiveram uma evolução favorável, porém a angioplastia e o tratamento clínico apresentaram melhores resultados na fase inicial do tratamento e queda nas demais avaliações. Na Relação entre gênero, homens apresentaram melhora na QV nos seis meses e progressivamente nos 12 meses, já as mulheres tiveram uma melhora nos seis meses e queda nos 12 meses, como principal causa a depressão.
Rev. Assoc. Méd. Brás. 2006; 52 (4): 236- 241 Qualidade de vida após Revasculariz ação Cirúrgica do Miocárdio, Angioplastia ou tratamento Clínico Myrthes E. Takiuti, Whady Hueb, Shirley B. Hiscock, Célia R. S. da Rocha Nogueira, P. Girardi, Fabio Fernandes, Desiderio Favarato, Neuza Lopes, Jorge C. Borges, Aécio F. T. de Góis, José A. F. Ramires Participara m do estudo 483 pacientes.
A QV vem sendo estudada, afim de melhorar condições clínicas. O estudo avaliou a QV após os diferentes tipos de tratamento, (cirurgia, angioplastia e tratamento clínico), através do questionário SF-36. A presença da melhora na QV foi evidenciada no tratamento de angioplastia, com o retorno mais rápido as atividades diárias comparado aos demais tratamentos. O retorno da angina foi mais evidente no grupo cirúrgico, porém a QV foi mais evidente no mesmo.
Arq. Brás. Cardiol. 2007; 88(5): 537-544 Qualidade de vida em Pacientes com Doença Ateroscleróti Gisele Moriel, Meliza G. Roscani, Luiz S. Participara m do estudo 78 pacientes, sendo 43
Pacientes com DAC, já apresentam uma deficiência na QV, pelo nível elevado de estresse e pela condição de saúde. O estudo associou o escore de prejuízo da QV antes de intervenção coronária percutânea e após 12 meses do procedimento. A QV foi encontrada prejudicada em pacientes
Arq Brás.
Cardiol. 2010; 95(6): 691-697
ca coronariana grave e Estável Matsubara, Ana T. de A. R. Cerqueira, Beatriz B. Matsubara homens e 35 mulheres.
com a DAC grave e estável, com maior relevância em mulheres e pacientes com comorbidades associadas, após 12 meses do procedimento houve também um desfecho desfavorável em mulheres e pacientes com eventos cardiológicos prévios. Avaliação do Estado de Saúde pelo Questionário da Angina de Seattle em pacientes com síndrome coronária Aguda Alexandre S. de Quadros, Emiliane N. de Souza, Rubia Maestri1, Camila Albarran, Carlos A. M. Gottschall, Rogério Sarmento-Leite No total foram 391 pacientes.
Pacientes com SCA podem apresentar características como angina instável, IAMSST ou IAMCST. O artigo avaliou as diferenças na QV dos pacientes, quanto à limitação física e frequência da angina na internação e após seis meses. Observou-se que os pacientes com angina instável apresentaram índices de saúde piores, comparados com os pacientes com IAMSST e IAMCST.
Rev. Bras. Cardiol Intensiva 2011.19(1): 65-71 Associação entre Depressão, Ansiedade e Qualidade de Vida após Infarto do Miocárdio Conceição Lemos, Carlos A.M. Gottschal, Lucia C. Pellanda, Marisa Müller No estudo participara m 168 pacientes.
Grande parte dos pacientes com DAC sofre de depressão ou tem como um risco para á mesma. Este estudo pesquisou a frequência da depressão pós infarto agudo do miocárdio. A partir das análises por meio do teste de QV (WHOQOL), foi relevante o item domínio físico apresentado nos internados, o que torna evidente a fragilidade da QV, o mesmo grupo obteve a ansiedade mais acentuada.
Psic.: Teor e Pesq., Brasília, Out-Dez, VOL. 24 n.4, pp. 471-476 Avaliação da Qualidade de Vida após Infarto Agudo do Miocárdio e suas correlações com o fator de risco hipertensão Arterial Erikson C. Alcântara, Elmiro S. Resende, Lilian K. G. de Paula, Luciana C. Silveira, Mariana D. da Costa Participara m do estudo 96 pacientes com história prévia de IAM
As alterações na QV dos pacientes após IAM está presentes em todos os pacientes. O estudo avaliou os pacientes com os questionários Mac New QLMI e SF-36 e correlacionou com o fator de risco para hipertensão. A QV após evento cardiológico sofre modificações e apresenta-se prejudicada, mais da metade dos pacientes encontra-se com hipertensão após IAM. Rer. Bras. Hipertens. 2007 vol.14 (2): 118-120. Aptidões Cardiorrespir atória e Qualidade de Vida Pós-Infarto em Diferentes Intensidades de Exercícios Magnus Benetti, Cíntia L. P. de Araújo, Rafaella Z. dos Santos O estudo foi realizado com 87 pacientes.
Após eventos cardiológicos pacientes apresentam baixa QV, a reabilitação cardíaca (RC) faz parte do tratamento, os exercícios aeróbicos e as diferentes intensidades são ferramentas relevantes para RC. O estudo revelou que quanto maior a intensidade dos exercícios maior aumento da capacidade funcional e consequentemente melhora QV dos pacientes pós infarto do miocárdio.
Arq. Bra.
Cardiol 2010; 95(3): 399-404.
Figura 1. Instrumento de análise e exploração do material
Dos oito artigos selecionados, esses foram escritos por quatro enfermeiros, entre esses doutores e um mestre, 19 médicos, entre esses doutores e um especialista, quatro psicólogos, entre esses doutores e um mestre, quatro acadêmica, entre esses acadêmicos de fisioterapia e uma de pesquisa, dois fisioterapeutas, um mestre e um graduado, dois profissionais de
educação física, um doutor e um mestre, dois autores sem identificação e seis em mais de um artigo. A identificação do local de trabalho dos 37 autores; desses 17 atuam em Universidades e instituições de ensino, um em universidade e hospital, 12 atuam em Instituições de saúde (hospital, consultório, instituto de coração), sete estudantes e dois não apresentaram local de trabalho. Três dos artigos foram escritos por profissionais do Estado do Rio Grande do Sul, três de São Paulo, um de Santa Catarina e um de Goiás. Dos oito artigos, um foi publicado em 2006; dois em 2007; dois em 2008; dois em 2010 e um em 2011, todos em periódicos.
A metodologia utilizada pelos artigos selecionados foi à qualitativa e quantitativa. A população estudada somou 2.126 pacientes. Em relação aos descritores, sete artigos elencaram qualidade de vida, três, doença arterial coronária/síndrome coronária aguda, dois, infarto do miocárdio/infarto agudo do miocárdio, dois, revascularização miocárdica, dois, angioplastia/angioplastia coronária com balão, dois, depressão e um, aterosclerose coronária, coronariopata, gênero, aspecto psicológico, nível de saúde, angina no peito, fatores de risco, mulheres, exercício, aptidão física, e um artigo não apresentou descritores.
4 DISCUSSÃO
As SCAs são causadas por obstrução coronariana oriundas de trombose, lesões ateroscleróticas e vaso espasmo, podendo manifestar de várias maneiras como: AE, AI, IAM e demais particularidades. Como já visto na introdução, uma restrição do vaso de 50% pode apresentar risco de ruptura, sequencialmente trombose e oclusão do vaso, ou seja, IAM (OLIVA; PAZ; SOUZA, 2011).
Freqüentemente os pacientes com DAC apresentam três á quatro fatores de risco, sendo assim necessário à mudança nos hábitos de vida, (MATOS et. al, 2004). Estas mudanças trazem repercussões sobre a QV destes pacientes.
O tratamento das SCA pode ser de três formas, tratamento clínico que é o uso de trombolítico, intervenção coronária percutânea (ICP) e a cirurgia(PEDROSO; OLIVEIRA, 2007), a escolha do tratamento dependerá do estado clínico do paciente e dos recursos da instituição.
No final das avaliações (na internação, seis, 12, 24, 36 e 48 meses), dos pacientes submetidos às terapêuticas, tratamento clínico, ICP e cirurgia, observaram-se modificações na QV dos pacientes submetidos à ICP e tratamento clínico, apresentando melhora na QV.
Entretanto o grupo de ICP apresentou uma melhora relevante em relação á vitalidade, comparados aos com tratamentos clínicos, mesmo que foram submetidos a novos tratamentos (TAKIUTI et. al, 2007). Ainda neste sentido alguns pacientes após 30 dias do tratamento de ICP necessitaram de novo procedimento (SOUZA et. al, 2008). Alguns pacientes após 12 meses de ICP, tiveram que realizar nova intervenção(MORIEL et. al, 2010).
O uso correto de medicações, aceitação da doença e mudança do estilo de vida se faz necessário após evento cardiológico, para que o paciente se recupere e diminua o risco de nova intervenção.
Os pacientes que submeteram-se ao tratamento de ICP, apresentaram um retorno ao trabalho mais rápido comparado com os pacientes submetido a tratamento cirúrgico (TAKIUTI et, al 2007). Em relação aos pacientes cirúrgicos o comprometimento físico é maior, a recuperação torna-se mais lenta, e o retorno às atividades diária mais demorado, enquanto as intervenções percutânea e clínicas são menos invasivas.
Nos pacientes cirúrgicos a QV apresentou-se prejudicada inicialmente, porém em avaliações posteriores nos seis e doze meses tiveram uma melhora progressiva em relação aos pacientes não cirúrgicos (FAVARATO et. al, 2006). Em relação aos domínios físico e mental no final do estudo observou-se uma melhora acentuada nos pacientes cirúrgicos em relação a outras formas terapêuticas(TAKIUTI et. al, 2007).
É evidente nos estudos analisados que a QV dos pacientes submetidos a correções cirúrgicas é “pior” no período perioperatório e nos primeiros meses subseqüentes; enquanto que, pacientes submetidos à ICP, tem condição inversa, ou seja, melhor QV no período imediato pós o procedimento e primeiros meses subseqüentes, com piora posterior.
No que se referem ao gênero, os estudos apontam que pacientes com DAC grave e estável, submetidos à ICP, avaliados antes do procedimento e após doze meses, em todos os domínios, físico, mental e funcional, no geral a qualidade de vida mostrou-se com escores desfavoráveis, com maior intensidade nas mulheres e pacientes com mais co-morbidades associadas (MORIEL et.al, 2010).
No entanto, em pacientes submetidos á cirurgia a variação nos escores de QV foi à mesma para homens e mulheres, relacionado à limitação física (SOUZA et. al, 2008).
Considerando as variáveis, gênero e idade, os estudos apontam que, mulheres são acometidas por DAC com idade superior aos homens. Segundo Favarato, et.al (2006) a idade das mulheres que submeteram aos três tipos de tratamento, avaliados na fase inicial, aos seis e 12 meses, foi de 3,3 anos a mais que os homens, sendo que a maioria das mulheres não
trabalhava, apresentavam baixa escolaridade e eram aposentadas. O autor refere que isso se deve ao fato de que as mulheres se cuidam mais que os homens, fazendo dietas, cuidando do seu corpo e freqüentando mais os médicos, assim adoecendo com mais idade e em função disso apresentando-se mais vulneráveis no tratamento das SCA, interferindo na QV.
A QV das mulheres e homens mais uma vez apresentaram diferenças nos resultados das avaliações, após submetidos às intervenções terapêuticas, mostrando-se favoráveis nos seis meses, e regredindo nos 12 meses para as mulheres, já os homens foram beneficiados no início e sequencialmente nas avaliações (FAVARATO et. al, 2006). As mulheres referem mais dor, apresentam a saúde mental mais alterada e menor capacidade funcional, apresentando piora na QV (MORIEL et. Al, 2010).
Considerando o fato de que as mulheres sofrem os efeitos e são submetidas a intervenções relacionadas à revascularização de coronárias com idade superior aos homens, após o procedimento a QV destas É “pior” que os homens que respondem melhor após intervenções.
O domínio físico após evento cardiológico está prejudicado na internação do paciente devido suas limitações, isso torna o paciente desconfortável, com ansiedade e frágil em sua QV (LEMOS et. al, 2008). Para um paciente ativo e hígido ficar sem fazer o mínimo de esforço limitado ao leito, desperta ansiedade e desconforto.
A Limitação física é mais prejudicada em pacientes mais jovens e ativos, pois apresentam maior dificuldade em manter repouso no leito, já os pacientes mais idosos conseguem aceitar com mais facilidade a limitação física, pois são menos ativos (MORIEL et. al, 2010).
Um evento cardiológico pode causar um impacto sobre a vida, muitas vezes representando a morte, uma longa caminhada para a recuperação se faz necessário, um dos sintomas evidenciados após o evento é a depressão, tornando o paciente mais frágil, refletindo na QV. Porém sugere que as perturbação da depressão não são desencadeadas pelo evento cardiológico, mas sim por estar presente antes do evento, podendo ser um fator de risco (LEMOS et. al, 2008)
Pacientes avaliados na chegada ao hospital com angina instável, IAMSST e IAMCST, demonstraram, limitação física, freqüência de angina e menor QV com ênfase nos pacientes com angina instável, comparados com os pacientes com IAMSST e IAMCST, porém foram pacientes com angina que tiveram maior melhora dos domínios após seis meses de seguimento (QUADROS et. al, 2011).
Pacientes com dislipidemia apresentam piora na QV, justificada pela modificação nos hábitos alimentares, uso de medicação e muitas vezes no controle dos níveis séricos de colesterol e frustrações com o resultado, pois é considerada um risco para cardiopatas (SOUZA et. al, 2008). Assim como os pacientes hipertensos também foram apontados como desfavoráveis na QV, relacionados aos não hipertensos (SOUZA e. al, 2008)-(ALCÂNTARA et.al, 2007).
Mudanças dos hábitos de vida serão necessários em pacientes que sofreram evento cardiológico, portanto o controle dislipidêmico e da hipertensão serão indispensáveis, pois são fatores de risco importantes para ocorrência de novos eventos contribuindo na piora da QV, caso não tratados. Em relação aos hábitos alimentares, algumas pessoas certamente terão dificuldades e resistência para mudança.
Tratando-se de mudanças dos estilos de vida, além das mudanças nos hábitos alimentares, a prática de exercícios físicos é bem vinda. Por menor intensidade que seja o exercício, sempre há uma melhora na QV e quanto maior a intensidade do exercício prescrito, maior vai ser o beneficio em prol da saúde (BENETTI; ARAUJO; SANTOS, 2010).
O sedentarismo é um grande risco para todas as pessoas, também influencia na piora da QV dos pacientes após evento cardiológico, a atividade física é muito importante na recuperação do paciente, mas está deve orientada por um profissional capacitado para tal, adequando a intensidade conforme possibilidade de cada paciente e respeitando os limites.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Identificou-se que muitos pacientes após procedimento de ICP tiveram que realizar novas intervenções. A mudança no estilo de vida faz a diferença, a aceitação da doença e o tratamento correto, são indispensáveis na recuperação após o procedimento, para evitar as re-intervenções.
Em relação aos tratamentos identificou-se uma piora na QV dos pacientes cirúrgicos inicialmente, após tratamento devido ao comprometimento físico, posteriormente apresentaram uma melhora significativa, na QV, comparados aos não cirúrgicos, porém os pacientes não cirúrgicos apresentaram uma melhora inicial na QV, retorno mais rápido as atividades diárias e uma piora posteriormente na QV.
O domínio físico é prejudicado em todos os pacientes com DAC, porém a limitação física é mais desfavorável nos pacientes mais jovens, geralmente são mais ativos que as pessoas com mais idade, influenciando na piora da QV.
Ressaltamos também que após um evento cardiológico os domínios mental e social são prejudicados, a recuperação torna a pessoa mais frágil, sensível, mais limitada em seu lar, refletindo na piora da QV.
Após o estudo identificou-se também que as mulheres apresentam uma piora na QV após evento cardiológico e intervenções, em virtude que geralmente apresentam esses eventos com mais idade, comparadas com os homens que apresentam melhor QV após eventos e tratamentos cardiológicos.
Verificou-se também que dislipidemia e hipertensão são fatores que influenciam negativamente na QV após eventos cardiológicos. Mudanças nesse sentido devem ocorrer, tornando-se necessário melhorar os hábitos alimentares para assim diminuir os riscos. Mesmo que muitas vezes os pacientes atribuem a essa mudança uma conseqüência negativa, em função da alteração do sabor dos alimentos.
Sabe-se que o sedentarismo é um fator muito relevante no desenvolvimento e, ou agravamento de DAC, atividade física é fundamental para todas as pessoas atuando na promoção, prevenção das cardiovasculares e na reabilitação cardíaca, melhorando a QV e proporcionando o bem estar físico e mental. Em pacientes com DAC as atividades físicas contribuem significativamente na melhora da QV, essas devem ser orientadas pelo profissional responsável, adequando a intensidade conforme possibilidade de cada paciente.
A QV tem a ver com a subjetividade, depende dos valores em que o paciente vive, e que, após um evento cardiológico é necessário que o paciente aceite a sua condição, que muitas vezes é limitante, e a partir desta aceitação, poderá ter melhor ou pior QV.
Por meio deste estudo pôde-se identificar os fatores que influenciam na QV dos pacientes portadores de DAC, contribuindo dessa forma para nós enfermeiros inseridos no atendimento, responsáveis pelas orientações e cuidados a esses pacientes, melhorando a assistência e contribuindo para uma melhora na QV.
REFERÊNCIAS
ALCÂNTARA EC, RESENDE ES, PAULA LKDDE, SILVEIRA LC, COSTA MD. Avaliação da
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