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A 1 010

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Academic year: 2021

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(1)

De Menina a Mulher:

Iniciação Feminina entre os

Handa no Sul de Angola

(2)

Índice

Handa

Localização geográfica

Língua e organização política

O Eumbo – Espaços constituintes

Quotidiano no Eumbo

A importância do gado bovino

A mulher Handa e a sua circunstância

Passagem de Mukaino a Mukai

Estatuto da mulher na comunidade Handa

A relação entre o homem e a mulher no matrimónio

A hegemonia masculina é relativa

O Efuko – Ritual de Iniciação

Omasapelefo – Conversas iniciais

(3)

Os Handa

Localização geográfica:

Situam-se desde o noroeste da Cipungu, passando por

Kakula, com prolongamentos espaciais interruptos até à região da Lola e arredores

O espaço constitui a área tradicional dos Handa, onde

conservam os seus traços culturais relativamente aos meios urbanos

Estima-se que estejam numericamente compreendidos

(4)

Língua e organização política:

Governados pelos Hamba, que exerciam o poder a

partir da ombala

(5)

O Eumbo – Espaços constituintes

Omuwombelo

Elimba ya tembo yeumbo

Elimba lyopokati

Elimba lya citunda

Kasapi ya tembo yeumbo

(6)

O Eumbo – Espaços constituintes

Ondjuwo yokomeso

Ociwnda

(7)

Quotidiano no Eumbo

Economia de auto-subsistência

O homem controla os bens

São submetidos ao controlo jurídico e social do

fundador do eumbo

Comungam as mesmas reverências espirituais

Desenvolvem entre si laços de cooperação e

(8)

A importância do gado bovino

Símbolo de riqueza

Sistema de partilha de herança

Prestígio social, de exuberância, poder e respeito

Usado para fins agrícolas

Moeda de pagamento de dívidas

(9)

Passagem de mukainu a mukai

Os indivíduos do sexo feminino são distinguidos de

forma diferente consoante a etapa de vida em que se encontram:

Mukainu

(6 ou 7 anos)

Caracteriza-se por um penteado: ocitandavala

“(…) consiste numa trança grossa e comprida que parte do cimo da cabeça descendo até à nuca. Como complemento desta, partem da testa para cada um dos lados da cabeça tranças corridas e mais finas que a primeira (…) adornadas de missangas que conferem uma certa graciosidade a cada movimento da cabeça.”

A mulher Handa e a sua

circunstância

(10)

Aprendem os limites do seu comportamento

Conhecem os perigos dos quais se têm de resguardar

Conhecem as actividades sobre as quais é exigida a sua

atenção

É-lhe confiado o cuidado dos irmãos mais novos

Aprende cânticos e jogos infantis

(9 ou 10 anos)

É exigida uma maior atenção à cozinha, aprendendo a

cozinhar alimentos

Conhece os limites relativamente aos relacionamentos

(11)

Mufuko

(11 ou 12 anos)

Nesta fase, inicialmente, muda de penteado

(epando); posteriormente, muda para ehala Tem novas responsabilidades, após o Efuko:

Deve comportar-se como uma mulher adulta

São lhe interditas brincadeiras com o sexo oposto

Passa a ser responsável pela educação dos mais

novos

Passa também a ser responsável pela cozinha e uma

parte do terreno de cultivo

- Começa a despertar o interesse dos homens para o matrimónio

(12)

Ekunga

(Depois de alguns meses)

O antigo penteado é substituído por um novo,

designado por: omakhonkha avali

Entra numa idade “casadoira”

É-lhe também exigida destreza e resultados

(13)

Mukai

Fase simbolizada por um novo penteado:

owakhonkha atatu

Hulukai

O penteado e indumentária mantêm-se

Passa a ter alguma autoridade que lhe é conferida

(14)

Estatuto da mulher na comunidade Handa

Às mulheres Handa não lhes é permitido ocupar cargos

de chefia

Os homens têm sobre as mulheres direitos exclusivos

nas relações sexuais

A noção de mulher está intimamente ligada à noção de

maternidade

“Mulume omulume, mukai ocimboto” (Homem é homem, mulher é sapo)

(15)

A relação entre o homem e a mulher no matrimónio

As mulheres, ao contraírem o matrimónio, deslocam-se

para a casa da família do noivo, onde passam a viver

Dado a sua família de origem ser deixada com um

sentimento de perda e descompensação, é-lhes

entregue pela família do noivo uma dádiva, designada por ovionda

É comum no matrimónio o homem atribuir um novo

nome à esposa

A mulher tem o direito de manifestar desagrado se,

eventualmente, for maltratada pelo marido, podendo até desfazer o matrimónio

(16)

Em caso de adultério, só se dá o divórcio se for a mulher a cometê-lo, não sendo este obrigatório

Quando casa, a mulher designada por mukai, realiza

tarefas de grande responsabilidade familiar e social:

Cuidar dos filhos e do marido, tendo que o respeitar

Receber e tratar cordialmente os parentes do marido

Educar, ajudar, acarinhar e orientar todos os que a

rodeiam, incluindo os mais velhos

Cuida das suas próprias lavras, instrumentos de

trabalho e animais domésticos

Gere individualmente o dinheiro, que ganha com a

venda dos seus produtos e animais

(17)

A hegemonia masculina é relativa

Constatamos o poder e a importância da mulher, nas

relações entre a primeira mulher e as co-esposas

Torna-se conselheira do marido, tanto em relação a

problemas pessoais, como no que diz respeito ao lar e à família

É representante do marido na sua ausência e

acompanhante do mesmo em grandes cerimónias

Pode interferir na escolha de outras esposas para o

(18)

O Efuko – Ritual de Iniciação

Processa-se na fase anterior à do matrimónio

Transição para a idade adulta que se prende,

normalmente, com o período púbere das raparigas

Novos estilos indumentários, de penteado e

(19)

Omasapelefo – Conversas iniciais

Aquando do surgimento do primeiro fluxo menstrual, a

mãe deve comunicá-lo ao pai, que prepara um beberete (omakao) para celebrarem

Contudo, se a rapariga em causa não tiver ainda

passado pelo efuko, deve tratar-se com a máxima brevidade os planos da festa, organizando-se uma reunião familiar (omasapelefo)

O aparecimento do primeiro fluxo menstrual não é

condição obrigatória para que a rapariga seja

submetida ao efuko, pode acontecer antes mesmo de uma plena puberdade

(20)

Ao se aproximarem do período púbere, as raparigas alteram o seu penteado. É-lhes substituído o

ocitandavala pelo epando

Para cada uma das raparigas submetidas ao efuko é

(21)

Organização da cerimónia

A família materna é responsável pela preparação da

bebida para a festa; a família paterna encarrega-se da rês bovina

Para além de se prepararem os alimentos,

providenciam-se os instrumentos e os batuqueiros para animar a festa, bem como a indumentária e

onomphosua para a confecção do penteado típico do efuko

(22)

Personagens da cerimónia

O centro de todo o cerimonial é a mufuko, ou seja, a

iniciada

De entre os parentes da mufuko são escolhidas

pessoas para as funções de:

Ina Yomona

Exercida por uma mulher adulta

Seleccionada entre as irmãs uterinas do pai da

mufuko; também pode ser exercida por uma irmã

colateral do mesmo ou por uma prima materna do pai da mufuko

(23)

Nangunda

Personagem comediante

Apresenta-se com o corpo coberto de cinza, tal

como a mufuko, e tem atadas sobre a cabeça as orelhas da rês bovina sacrificada para a festa

Angaria fundos para a mufuko

Ciyasa Kumbi

Papel geralmente desempenhado por um rapaz

Munido de uma flecha, deve encabeçar sempre o

grupo constituído pela mufuko e outras raparigas

iniciandas (ou não) na sua deslocação matinal e diária do ombelo para o exterior, onde passam o dia

(24)

Kesongo

Primeira das iniciandas do grupo a ser apanhada

para o ritual, caso haja mais de uma mufuko, e a desempenhar várias tarefas

Muiyalui

A sua função é a de ser sempre a primeira do grupo

a começar a comer e a beber durante toda a cerimónia, nas refeições servidas à mufuko

Cififi

Papel desempenhado por um rapaz encarregue

(25)

Estrutura do ombelo

Contrariamente ao que sucede na construção de um

edifício comum, a edificação de um ombelo deve ser feita num só dia

Para a sua construção é indispensável um grande

número de homens, contudo, a cobertura do edifício é feita por uma única pessoa

Mais adiante, com alguns troncos de árvores é erguido

o epandavelo, que possui o formato de uma soleira da porta, com o significado de uma entrada sumptuosa

(26)

Lugar de elevado prestígio social; serve todo o grupo nas suas cerimónias de carácter social, cultural e

religioso

À constituição e função do ombelo estão circunscritos

determinados elementos de natureza vegetal, que revelam o fundamento do efuko:

Omumbolembole

Árvores que dão frutos abundantes, que se

apresentam muito juntos uns dos outros. Característica que simboliza a fecundidade e a multiplicidade

(27)

Ongombe

Tipo de erva que abunda nos currais de gado bovino.

Simboliza a riqueza, alimento e abastança, evidenciando a importância do boi no efuko

Onama

Arbusto cujas fibras são utilizadas pelas mulheres e

que constitui um utensílio doméstico. Simboliza o apelo à feminilidade e à domesticidade

(28)

Trabalho realizado por:

Íris Pinto Jaqueline Cruz Joana Filipa Ferreira

Referências

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