Toxoplasma gondii
Profª Cíntia Moreira Marciliano da CostaPosição sistemática
Classe Ordem Família Gênero
Eucoccidiida Eimeriidae Isospora
Cryptosporidiidae Cryptosporidium Sarcocystidae Sarcosystis Sporozoa Toxoplasma Reino : Protista Sub-reino: Protozoa Filo: Apicomplexa
Toxoplasma gondii
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Distribuição geográfica mundial
•
Alta prevalência sorológica
•
Zoonose frequente em várias espécies de
animais:
–Mamíferos : carneiro, cabra, porco, gatos, outros felídeos e homem –Aves TOXOPLASMOSE: Generalidades INFECÇÃO IMPORTÂNCIA Zoonose Cosmopolita (10-75%)
Infecção crônica assintomática Grande adaptação do parasitaria
Prevalência da infecção humana
Problemas de Saúde Pública: gestante e imunodeprimido Importância veterinária
Toxoplasma gondii
•
Heteroxenos:
–Presença de hospedeiro definitivo (gatos e
felídeos não imunes) e hospedeiro intermediário.
•
Habitat:
–vários tecidos, células (exceto hemácias) e
líquidos orgânicos (saliva, leite, esperma, líquido peritoneal, etc).
Toxoplasma gondii
•
Formas evolutivas:
–Hospedeiro definitivo: ciclo coccidiano – completo com fase assexuada e sexuada (dependendo do habitat).
• Taquizoítos • Bradizoítos • Merozoítos
Ciclo de Vida
Duas fases distintas Fase assexuada
Fase sexuada – epitélio intestinal do gato
Na fase assexuada, um hospedeiro suscetível (homem, por exemplo) ingeri oocistos ou entra em contato com taquizoítos eliminados na urina, leite, esperma, perdigotos, etc., ou, ainda bradizoítos ou taquizoítos encontrados na carne crua, poderá adquirir o parasito e desenvolver a fase assexuada.
As formas que conseguirem sobreviver ao estômago, poderão evoluir, cada esporozoíto ou taquizoíto entrará numa célula e se reproduzirá intensamente (fase proliferativa); romperá a célula, liberando novos taquizoítos, que invadirão novas células. Essa disseminação do parasito no organismo se dá por taquizoítos livres na linfa, no sangue circulando ou, mesmo, por taquizoítos parasitando leucócitos.
Contaminação do hospedeiro
Multiplicação
gato jovem e não imune, se infectando oralmente por oocistos, cistos ou taquizoítos, desenvolverá o ciclo sexuado em seu epitélio intestinal. O tempo decorrido dessa infecção até o aparecimento de novos oocistos em suas fezes (período pré-patente) dependerá da forma ingerida. Este período será de 3 a 5 dias, quando a infecção ocorrer por cistos; 5 a 10 por taquizoítos, e 20 a 24 dias para oocistos.
• Os esporozoítos ou taquizoítos, ao penetrarem no epitélio intestinal do gato, por um processo de esquizogonia, darão origem a vários merozoítos que, por sua vez, se transformarão em gametas (gametogonia). O macrogameta
permanecerá dentro de uma célula epitelial, enquanto que o microgameta sairá de sua célula e irá fecundar o macrogameta, formando o ovo ou zigoto. Esse evoluirá dentro do epitélio, dando origem ao oocisto; depois, a célula epitelial, em alguns dias, se rompe, liberando o oocisto imaturo. Essa forma, através das fezes, alcançará o meio externo e, após um período de cerca de quatro dias, ficará maduro, isto é, apresentará 2 esporocistos e cada um contendo 4 esporozoítos. O gato jovem é capaz de eliminar oocistos durante um mês, aproximadamente, não o fazendo mais depois disto.
Transmissão
• Ocorre através de várias formas do parasito: oocisto em fezes de gato jovens infectados, cistos presentes em carnes, taquizoítos encontados no leite, saliva, esperma, lambedura ou perdigotos ou ainda,
congenitamente.
Patogenia: fase aguda e fase crônica
• Podem ser confundidos com os de uma gripe;
• Em outros, os sintomas incluem febre diária, gânglios intumescidos e espalhados pelo corpo, mas a doença regride em algumas semanas, embora possa voltar se houver queda de resistência porque o
Toxoplasma gondii não é eliminado do organismo.
• Imunodeprimidos - há um tipo grave de toxoplasmose, a
neurotoxoplasmose, que pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada adequada e precocemente.
• A toxoplasmose crônica provoca retinocoroidite severa; fraqueza muscular, perda de peso, cefaléia e diarréia podem estar presentes. Os sintomas são vagos e indefinidos, e o diagnóstico é difícil.
Patogenia
• Ganglionar ou Febril Aguda • Ocular
• Cutânea ou Exantemática
• Cerebroespinhal ou Mningoencefálica • Generalizada
• Congênita:
• É necessário que a mãe esteja na fase aguda da doença ou tenha havido uma reagudização da mesma durante a gravidez. As consequências da toxoplasmose materna par ao feto dependerão do grau de exposição do feto a toxoplasmas, da virulência da cepa a do período da gestação. Sabe-se que 40% a 50% dos fetos infectados acabam morrendo.
Patogenia
•
Congênita ou pré-natal:
–Mãe na fase aguda da doença ou em quadro de reagudização durante a gestação
–Alterações fetais:
• Primeiro trimestre: aborto
• Segundo trimestre: aborto, nascimento prematurocom anomalias classificadas como Síndrome de Sabin – coriorretinite, calcificações cerebrais, perturbações neurológicas, retardamento psicomotor, alterações no
Patogenia
• Pós-Natal
– As formas graves da doença incluem comprometimento
ganglionar, icterícia, hepatoesplenomegalia, edema, miocardite, anemia, lesões oculares,etc.
– Extremamente grave em pacientes imunodeprimidos com sintomas de febre, dor de cabeça, alteração das funções cerebrais como confusão, letargia, alucinações e psicose,perda de memória e coma.
Diagnóstico
• Diagnóstico clínico de difícil realização • Forma aguda:
– Pesquisa de taquizoíto no leite, sangue, líquor, saliva, etc.
– Realização de esfregaço do material centrifugado com coloração pelo método de Giemsa
– Biópsia e realização de cortes histológicos em gânglios enfartados, fígado, baço e músculo corados por
hematoxilinaeosina. (mais indicado para pesquisa de bradizoítos na forma crônica)
Diagnóstico
•
Diagnóstico imunológico:
–Realização de testes imunológicos que detectem anticorpos circulantes que correspondam a fase da doença.
•
IgM:
–Aparecem na primeira semana de infecção com pico até 1 mês.
–Indicam quadro agudo.
Diagnóstico
Método direto
-Imunofluorescência indireta, ELISA, aglutinação, Western blot: • IgM - fase aguda (podem persistir por longos períodos)
• IgG - fase crônica
• Avidez IgG – alta avidez indica doença crônica (afasta doença nos últimos 3-4 meses)
• No RN: IgA, IgM, IgG por Western blot
Tratamento
• Drogas atuam na fase proliferativa (taquizoítos) e não na forma cística
• Tratamento apenas na fase aguda, na toxoplasmose ocular e em indivíduos imunocomprometidos. • Tóxicas em uso prolongado
• Associação de :
– Sulfadiazina: 100 a 125 mg/kg/ dia - via oral. Duas a quatro semanas
– Pirimetamina: 75 a 100mg (10 dias) reduzindo 50 mg (10 dias) e 25 mg / dia
Tratamento
•
Para formas oculares:
–Antiparasitários associado a meticorten –Cloridrato de clindamicina, sulfadiazina e
meticortem
–Alcançam 93% de cura
Epidemiologia
• Distribuição universal
• Taxas de positividade aumentam com a idade dos indivíduos
• Elevadas nas zonas rurais mais do que nas zonas urbanas
• Encontrados em grande número de animais (cão, gato, coelho, carneiro, boi, porco, ratos, galinhas, etc)
Epidemiologia
• Maior contaminação por hospedeiro definitivo:
–Disseminação de 2 a 20 milhões de oocistos em 20 g/fezes
• Aumento dos índices de animais silvestres soropositivos
• Viabilidade dos oocistos durante meses • Infecção de gatos através dos roedores • Infecção de gatos através das fezes
Controle
• Evitar alimentação a base de leite cru, carne crua ou mal cozida de qualquer animal.
• Controle da população de gatos vadios. • Incineração das fezes de gatos.
• Alimentação dos gatos com ração e carne cozida. • Cobertura dos tanques de areia quando não
estiverem em uso.
Plasmodium spp.
Taxonomia
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Reino: Protozoa
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Filo:Apicomplexa
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Classe: Sporozoea
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Ordem: Hemosporidiida
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Família: Plasmodiidae
•
Gêneros: Plasmodium
Plasmodium vivax – febre terçã benigna – 48 hs
Plasmodium ovale – febre terçã benigna – 48 hs – África Plasmodium malariae – febre quartã – 72 hs
- são extenoxenos em relação ao hospedeiro vertebrado - exceção P. malariae que infecta algumas sps de macacos -hospedeiro invertebrado e definitivo:
mosquitos do Gênero Anopheles
Plasmodium
• Distribuição geográfica: mais encontrado em regiões tropicais e
subtropicais. África, Índia e Brasil
• Ciclo biológico:
• Hospedeiro vertebrado –H. intermediário
• Hospedeiro invertebrado – H. definitivo
Hospedeiro invertebrado
Espécies: Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi
Anopheles (Nyssorhynchus) aquasalis Anopheles (Nyssorhynchus) albitarsis Anopheles (Kerteszia) cruzi
Anopheles (Kerteszia) bellator
Hospedeiro invertebrado
•
Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi
–Mais importante espécie transmissora –Domiciliar e antropofílico
–Encontrado desde o México até a Argentina
–No Brasil: todos os estados, exceto regiões secas e áridas e do sul do país.
Ilustração disponível emhttp://www.icb.usp.br/~livropar/img/capitulo2/10.html
Anophelesdarlingi Aedesaegypti Culexpipiens
Plasmodium
•
Hospedeiro vertebrado: homem
•
Transmissão:
–Vetor
–Transfusão de sangue
–Compartilhamento de seringas –Acidente com agulhas
Não ocorre fase exoeritrocítica que ocorre no hepatócitos
Plasmodium
•
Transmissão ocorre em temperaturas entre
20°C a 30 °C com alta umidade relativa do ar.
•
Temperaturas abaixo de 16 °C e acima de 33°C, bem como
altitude acima de 2000 m impossibilitam o ciclo
esporogônico no mosquito.
•
Forma infectante - esporozoíto
Ciclo de vida
• A fêmea do Anopheles durante o repasto
sanguíneo ingere hemácias com formas parasitárias (gametócitos);
• No trato digestivo as hemácias são digeridas e os gametócitos liberados; • No intestino do Anopheles,
os gametócitos evoluem para microgamenta e macrogameta e realizam
• Eles se deslocam para o
revestimento epitelial da parede intestinal do inseto, onde se aloja e passa a se chamar oocineto;
• O oocineto por
multiplicação assexuada formam oocistos;
• O oocisto maduro acaba por romper-se e libertar os esporozoítas que invadem a hemolinfa do inseto que migram para as glândulas
Hemácia com gametócito
Fêmeas de Anopheles sugam hemácias com gametócitos Zigoto Penetração na parede do tubo digestivo Migração para as glândulas salivares Desenvolvimento No tubo digestivo Mosquito infectado
Ciclo de vida
• Durante o repastosanguíneo, a fêmea injeta esporozoítos no hospedeiro vertebrado;
• Na corrente sanguínea, os esporozoítos migram para o fígado, onde fica incubado (10-30 dias) se
reproduzindo assexuadamente; • O hepatócito sofre lise
liberando merozoíto na corrente sanguínea que migram para as hemácias onde vão realizar
esquizogonia;
FÍGADO Hepatócito Invasão do hepatócito Reprodução Assexuada Esporozoítos
Lise dos hepatócitos
Liberação dos protozoários na corrente sanguínea
Ciclo evolutivo – Hospedeiro vertebrado
–Os merozoítos invadem as hemácias –Diferenciação em trofozoítos
–Esquizogonia: esquizonte
–Produção de merozoítos e rompimento da hemácia
Hepatócito destruído pelos protozoários
Penetração dos
protozoários Protozoários destroem as hemácias
Diferenciação em gametócitos
Fêmeas de Anopheles sugam hemácias com gametócitos
Ciclo no hospedeiro invertebrado
Ocorre nas hemácias ou Eritrócitos
nas hemácias
Reprodução assexuada
Protozoário no interior da hemácia
Hemácia com gametócito
Fase eritrocítica
•
Ciclo sanguíneo:
–P.falciparum, P. vivax e P.ovale: 48 horas – febre terçã –P.malariae: 72 horas – febre quartã
–Fonte de nutrição do Plasmodium no ciclo sanguíneo: ingestão de hemoglobina através do citóstoma
Ilustração disponível emhttp://www.dpd.cdc.gov/dpdx/html/ImageLibrary/Malaria_il.htm
Patologia
•
Ciclo eritrocítico responsável pela patogenia.
•
Destruição das hemácias: anemia e hipóxia.
–sequestro esplênico dos eritrócitos alterados
–auto-anticorpos desenvolvidos contra os parasitos e contra os eritrócitos
–antígenos do parasito são adsorvidos na superfície de eritrócitos normais
Mais tarde crises paroxísticas ou acessos maláricos
Acessos periódicos de calafrios (15 min a 1 hora) e febre intensas( 2 a 6 hs);
destruição das hemácias e descarga de substancias tóxicas na circulação sanguínea ao fim de cada ciclo reprodutivo do parasito ( 48hs a 72hs)
Patologia
• Toxicidade pela liberação de citocinas.
• Citoaderência: parasito altera a forma bicôncava do eritrócito
que adere na parede endotelial dos vasos.
• Citoaderência causada pelo P. falciparum: obstrução da
microcirculação em tecido cerebral, hepático e renal.
– Cerebral: cefaléia, hipertermia,vômitos e sonolência – Redução O2: Acidose láctica ocasionada pela hipóxia.
Período de incubação
•
Duração da fase pré clínica:
–Terçã maligna: 12 dias (9 a 15 dias de incubação) –Terçã benigna: 14 dias (10 a 20 dias de incubação) –Febre quartã: 30 dias ( 20 a 40 dias de incubação)
Quadro clínico
•
Paroxismo malárico:
–Ruptura das hemácias com liberação dos merozoítos e pigmentos maláricos
–Manifestações clínicas de frio (30 min a 1 hora), febre que chega a 41°C (1 a 4 horas) e sudorese intensa acompanhada de fraqueza (1 a 2 horas) –As manifestações dependem do ciclo eritrocítico:
Quadro clínico
•
Anemia
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Espleno e hepatomegalia
•
Insuficiência renal aguda
•
Hipoglicemia
–Ação tóxica das citocinas inibem gliconeogênese
•
Icterícia
•
Hemoglobinúria – febre hemoglobinúrica
•
Coma malárico: P.falciparum
Imunidade
•
Indivíduos que vivem em áreas de alta
transmissão desenvolvem anticorpos contra
vários antígenos do parasito e podem
Imunidade inata
•
Grupo sanguíneo Duffy negativo
•
P. vivax
•
Deficiência de G6PD
–Produção de metamoglobina tóxica para o parasito
•
Anemia falciforme ou traço falcêmico
–Níveis baixos de potássio causam a morte do parasito
Imunidade adquirida
•
Recém-nascidos
–Protegidos até 6 primeiros meses de vida. • Presença de IgG materna
Imunidade adquirida
•
Ciclo pré-eritrocítico
–Reposta celular contra a proteína CS e outros antígenos presentes no esporozoito
–Esquizonte: Resposta imune caracterizada pela proliferação de linfócios T CD4+ e CD8+, produção de IFN-y e síntese de óxido nítrico (NO).
Imunidade adquirida
•
Ciclo eritrocítico
–Produção de ac de classe IgG1 e IgG3 –Lise mediada pelo sistema complemento –Aumento de células T CD4+
Diagnóstico
•
Esfregaço sanguíneo delgado e espesso
corado pelo Giemsa
•
Sangue colhido sem anticoagulante para
melhor fixação em lâmina
•
Esfregaço sanguíneo espesso é mais eficiente
para detecção da infecção
•
Esfregaço delgado é mais eficiente para
diferenciação morfológica das espécies.
•
PCR
Tratamento
• Visa a interrupção do ciclo da esquizogonia
sanguínea
• Eliminação das formas latentes teciduais
(hipnozoítos)
• Eliminação das formas sexuadas – bloqueio da
transmissão
• Para o tratamento, deve-se identificar a espécie
Tratamento
• Cloroquina
– Atua sobre as formas sanguíneas e gametócitos de P. vax, P.malariae e P.ovale
• Primaquina
– Atua sobre as formas teciduais - hipnozoítos de P.ovale e P. vivax
– Ativa contra gametócitos de todas as espécies – Ativa contra esporozoítos antes de penetrarem nas
células hepáticas
Tratamento
•
P.falciparum
–Resistência a cloroquina
–Utilização de Quinina + tetraciclina –Mefloquina : esquizonticida sanguíneo –Primaquina: gametocitocidas
Vacinação
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Vacinas antiesporozoíticas
•
Vacinas contra formas assexuadas
–Utilização de antígenos da superfície de merozoítos
•
Vacinas contra formas sexuadas
–Em desenvolvimento