Revelações
sobre
a
Pequena
Idade
do
Gelo
na
península
Ibérica
//PÁGS.
16-19
ZOOM
//
ÔQUE
SE PASSOU
NA
PEQUENA
IDADE
DO
GELO
Investigação
Afinal,
o que aconteceu
na Pequena Idade do Gelo
na
península
Ibérica?
Um artigo publicado agora
faz-nos perceber como
foram esses tempos
dificilmente
repetíveis:
quem
vivia
em grandes
altitudes
foi
obrigado
a abandonar
as terras,
os moinhos
a água foram
destruídos
e as pessoas
passaram
muita fome.
A
destruição
de estradas
impediu
que
os
habitantes
pudessem
movimentar-se
Uma
nova
Idade
do
Gelo?
É
improvável,
diz investigador
A
Pequena Idade do
Gelo
estendeu-se
por cinco
séculos.
22
investigadores
traçaram
asconsequências
do
fenómeno.
E
está
para breve
uma
nova Idade do Gelo?
Não
BEATRIZ DIAS COELHO
beatriz, [email protected]
Unsforam obrigados aabandonar as
suasterras emaltitudes mais elevadas por causa do frio. Outros,
especialmen-tenas zonas urbanas, passaram fome
devido à destruição dos moinhos movi-dos aágua, aosquais recorriam para
moerem oscereais necessários parao
pão.Alguns viram-se impedidos delevar a suavida quotidiana devido à
destrui-ção de estradas epontes. Emuitos
des-sesviram-se mesmo obrigados amigrar para outras terras. Ascausas? Cheias e avalanches.
Estas foram algumas das consequên-cias daLittle IceAge(LIA)
-
conhecida,emportuguês, como Pequena Idadedo
Gelo, oúltimo grande evento frio do
hemisfério norte
-,
trazidas apúblicoestemês no artigo 'The Little Ice Age in
Iberian mountains" ("APequena Idade do Gelo nasmontanhas daPenínsula
Ibérica"), publicado na revista científica Earth-Science Reviews.
Porque é que oartigo éimportante?
Porque, até agora, éomais detalhado de sempre tanto quanto àintensidade como àduração do processo de
arrefecimen-toque ocorreu entre 1300e1850 na
Península Ibérica.
Mas nãosó."Concluímos que as
tem-peraturas eram, em média,
aproxima-damente 1°Cmais baixas do queas regis-tadasem1850eaproximadamente 2° C
maisfria do queosvalores que se veri-ficam hoje", diz ao í opaleoclimatólogo Armand Hernandez, investigador do
Ins-tituto DomLuiz (IDL)daFaculdade de
Ciências da Universidade Lisboa (FCUL)
eumdos autores no estudo.
Ainvestigação No artigo participaram
22 cientistas
-
umpormenor apartir doqual sepodeinferir oníveldedetalhe
da publicação. Entre uma equipa mar-cadamente espanhola, há sangue
portu-guês: oclimatólogo Ricardo Trigo,
tam-bém investigador noInstituto Dom Luiz. Oestudo trazàluzdados científicos, mas também socieconómicos. Mas como
Comparação de ambientes
glaciares durante aPequena
Idade do Gelo e a atualidade
é que osinvestigadores conseguiram chegar a conclusões tão precisas? "Os resultados finais sãomuito impressio-nantes, mas o processo paraosobter foi demorado eduro", dizaoiArmand
Her-nandez. Marco Oliva, daUniversidade
deBarcelona, coordenou otrabalho.
"Todos
concordámos
que era
ótimo fazer
o
estudo.
Mas
foi difícil
lidai-
com
cientistas
de
campos
tão
diferentes"
"As
temperaturas
estão
definitivamente
a
aumentar.
Um
regresso
a
uma
nova
Idade
do
Gelo
é
improvável"
Contactou todos osautores etrocou
várias ideias. Como fontes, usaram cen-tenas de documentos, uns antigos, outros mais recentes, erecorreram a artigos
já
publicados."Todos concordamos queera uma óti-ma ideia fazerestetipo deestudo. Porisso,
dividimos o trabalho de acordo com o nos-saexperiência, dando feedback àsideias doMarco. Depois, comparámos todos os
resultados obtidos e começamos a escre-ver o artigo. Aindaassim, foi difícil lidar
com cientistas de campos de estudo tão
diferentes", explica Hemandez, para quem
osresultados obtidos são"excelentes". ADIMINUIÇÃO DATEMPERATURA "As prin-cipais causas para estas diminuições da
temperatura relacionam-se principal-mente com erupções vulcânicas e redu-ções dairradiação solar".
Esses fatores, explica Hemandez,
"deter-minaram osmodelos de circulação
atmos-férica dominantes sobre aEuropa
Oci-dental e,consequentemente, da Penín-sula Ibérica".
Como o artigo mostra, aPequena
Ida-de doGelo provocou inúmeros
impac-tosna sociedade, sentidos deforma
dife-rente no campo e na cidade. "Em
con-textos rurais, eparticularmente em
regiões altas demontanha, as
condi-çõesclimáticas adversas eram geridas relativamente bem", dizao í o investi-gador catalão.
Jáem ambientes urbanos, "impactos climáticos extremos impediam a popu-lação detrabalhar etinham
repercus-sõesna disponibilidade derecursos". E oproblema, como elucida o
investiga-dor, era que a população da cidade tinha perdido o contacto com avidano cam-po enão tinha habilidade para "obter
recursos de contigência".
umanova idade DOgelo? Otema tem
motivado diversos artigos na imprensa.
Será que estápróxima umanovaIdade
do Gelo? "Sabemos queasmudanças na
órbita ena inclinação daTerra são os
principais responsáveis pela alteração
noclima. Ambos osfatores afetam a
quantidade luzsolar que no verão che-ga aohemisfério norte." Quando essa quantidade diminui, o degeloémenor e oslençóis de gelocomeçam a crescer.
Porsua vez,continua Hemandez, "a luz solarrefletida parao Espaço aumen-ta,aumentando atendência de arrefe-cimento". Eventualmente, uma nova IdadedoGelo surge.
Atualmente, asalterações veirificadas
tanto na órbita como na inclinação da
Terra indicam que o planeta devia estar a arrefecer, mas nãoé issoqueestáa
acon-tecer por vários motivos. Entreeles, expli-ca o paleoclimatólogo, "oefeito de
aque-cimento do CO2 e de outros gasesde
efei-to de estufa", que é mais intenso do que
oefeito dos fatores deordem natural. "Sem interferêcia humana, aórbita e a inclinação daTerra,aligeira
diminui-ção daluzsolar desde a década de 1950 e aatividade vulcânica teriam levado a
um arrefecimento global. Contudo, as
temperaturas estão definitivamente a
aumentar. Umregresso aumaIdade do