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Revelações sobre a Pequena Idade do Gelo

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

Revelações

sobre

a

Pequena

Idade

do

Gelo

na

península

Ibérica

//PÁGS.

16-19

(2)

ZOOM

//

ÔQUE

SE PASSOU

NA

PEQUENA

IDADE

DO

GELO

Investigação

(3)

Afinal,

o que aconteceu

na Pequena Idade do Gelo

na

península

Ibérica?

Um artigo publicado agora

faz-nos perceber como

foram esses tempos

dificilmente

repetíveis:

quem

vivia

em grandes

altitudes

foi

obrigado

a abandonar

as terras,

os moinhos

a água foram

destruídos

e as pessoas

passaram

muita fome.

A

destruição

de estradas

impediu

que

os

habitantes

pudessem

movimentar-se

(4)

Uma

nova

Idade

do

Gelo?

É

improvável,

diz investigador

A

Pequena Idade do

Gelo

estendeu-se

por cinco

séculos.

22

investigadores

traçaram

as

consequências

do

fenómeno.

E

está

para breve

uma

nova Idade do Gelo?

Não

BEATRIZ DIAS COELHO

beatriz, [email protected]

Unsforam obrigados aabandonar as

suasterras emaltitudes mais elevadas por causa do frio. Outros,

especialmen-tenas zonas urbanas, passaram fome

devido à destruição dos moinhos movi-dos aágua, aosquais recorriam para

moerem oscereais necessários parao

pão.Alguns viram-se impedidos delevar a suavida quotidiana devido à

destrui-ção de estradas epontes. Emuitos

des-sesviram-se mesmo obrigados amigrar para outras terras. Ascausas? Cheias e avalanches.

Estas foram algumas das consequên-cias daLittle IceAge(LIA)

-

conhecida,

emportuguês, como Pequena Idadedo

Gelo, oúltimo grande evento frio do

hemisfério norte

-,

trazidas apúblico

estemês no artigo 'The Little Ice Age in

Iberian mountains" ("APequena Idade do Gelo nasmontanhas daPenínsula

Ibérica"), publicado na revista científica Earth-Science Reviews.

Porque é que oartigo éimportante?

Porque, até agora, éomais detalhado de sempre tanto quanto àintensidade como àduração do processo de

arrefecimen-toque ocorreu entre 1300e1850 na

Península Ibérica.

Mas nãosó."Concluímos que as

tem-peraturas eram, em média,

aproxima-damente 1°Cmais baixas do queas regis-tadasem1850eaproximadamente 2° C

maisfria do queosvalores que se veri-ficam hoje", diz ao í opaleoclimatólogo Armand Hernandez, investigador do

Ins-tituto DomLuiz (IDL)daFaculdade de

Ciências da Universidade Lisboa (FCUL)

eumdos autores no estudo.

Ainvestigação No artigo participaram

22 cientistas

-

umpormenor apartir do

qual sepodeinferir oníveldedetalhe

da publicação. Entre uma equipa mar-cadamente espanhola, há sangue

portu-guês: oclimatólogo Ricardo Trigo,

tam-bém investigador noInstituto Dom Luiz. Oestudo trazàluzdados científicos, mas também socieconómicos. Mas como

(5)

Comparação de ambientes

glaciares durante aPequena

Idade do Gelo e a atualidade

é que osinvestigadores conseguiram chegar a conclusões tão precisas? "Os resultados finais sãomuito impressio-nantes, mas o processo paraosobter foi demorado eduro", dizaoiArmand

Her-nandez. Marco Oliva, daUniversidade

deBarcelona, coordenou otrabalho.

"Todos

concordámos

que era

ótimo fazer

o

estudo.

Mas

foi difícil

lidai-

com

cientistas

de

campos

tão

diferentes"

"As

temperaturas

estão

definitivamente

a

aumentar.

Um

regresso

a

uma

nova

Idade

do

Gelo

é

improvável"

Contactou todos osautores etrocou

várias ideias. Como fontes, usaram cen-tenas de documentos, uns antigos, outros mais recentes, erecorreram a artigos

publicados.

"Todos concordamos queera uma óti-ma ideia fazerestetipo deestudo. Porisso,

dividimos o trabalho de acordo com o nos-saexperiência, dando feedback àsideias doMarco. Depois, comparámos todos os

resultados obtidos e começamos a escre-ver o artigo. Aindaassim, foi difícil lidar

com cientistas de campos de estudo tão

diferentes", explica Hemandez, para quem

osresultados obtidos são"excelentes". ADIMINUIÇÃO DATEMPERATURA "As prin-cipais causas para estas diminuições da

temperatura relacionam-se principal-mente com erupções vulcânicas e redu-ções dairradiação solar".

Esses fatores, explica Hemandez,

"deter-minaram osmodelos de circulação

atmos-férica dominantes sobre aEuropa

Oci-dental e,consequentemente, da Penín-sula Ibérica".

Como o artigo mostra, aPequena

Ida-de doGelo provocou inúmeros

impac-tosna sociedade, sentidos deforma

dife-rente no campo e na cidade. "Em

con-textos rurais, eparticularmente em

regiões altas demontanha, as

condi-çõesclimáticas adversas eram geridas relativamente bem", dizao í o investi-gador catalão.

Jáem ambientes urbanos, "impactos climáticos extremos impediam a popu-lação detrabalhar etinham

repercus-sõesna disponibilidade derecursos". E oproblema, como elucida o

investiga-dor, era que a população da cidade tinha perdido o contacto com avidano cam-po enão tinha habilidade para "obter

recursos de contigência".

umanova idade DOgelo? Otema tem

motivado diversos artigos na imprensa.

Será que estápróxima umanovaIdade

do Gelo? "Sabemos queasmudanças na

órbita ena inclinação daTerra são os

principais responsáveis pela alteração

noclima. Ambos osfatores afetam a

quantidade luzsolar que no verão che-ga aohemisfério norte." Quando essa quantidade diminui, o degeloémenor e oslençóis de gelocomeçam a crescer.

Porsua vez,continua Hemandez, "a luz solarrefletida parao Espaço aumen-ta,aumentando atendência de arrefe-cimento". Eventualmente, uma nova IdadedoGelo surge.

Atualmente, asalterações veirificadas

tanto na órbita como na inclinação da

Terra indicam que o planeta devia estar a arrefecer, mas nãoé issoqueestáa

acon-tecer por vários motivos. Entreeles, expli-ca o paleoclimatólogo, "oefeito de

aque-cimento do CO2 e de outros gasesde

efei-to de estufa", que é mais intenso do que

oefeito dos fatores deordem natural. "Sem interferêcia humana, aórbita e a inclinação daTerra,aligeira

diminui-ção daluzsolar desde a década de 1950 e aatividade vulcânica teriam levado a

um arrefecimento global. Contudo, as

temperaturas estão definitivamente a

aumentar. Umregresso aumaIdade do

Referências

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