* Instituto Nacional de Estatística, Direcção Regional do Centro do INE I - INTRODUÇÃO
O turismo desempenha um importante papel no tecido económico do país, quer a nível produtivo, quer a nível de emprego absorvendo aproximadamente 5% da população empregada. Por outro lado, as receitas atribuídas a este sector constituem um forte contributo para o equilíbrio do saldo da Balança de Transacções Correntes.
O sector turístico abrange as actividades de prestação de serviços relacionadas com as viagens de estrangeiros ao país, como são as desenvolvidas pela hotelaria e similares, restauração e agências de viagens.
O presente trabalho visa caracterizar e analisar a actividade turística desenvolvida no nosso país, mais concretamente na Região Centro, no âmbito específico da hotelaria e outros meios de alojamento. A análise assenta na informação estatística sobre o sector turístico disponibilizada pelas “Estatísticas do Turismo”. Os dados apresentados referem-se apenas aos equipamentos recenseados na Direcção-Geral do Turismo (estabelecimentos hoteleiros e outros) e reportam-se geralmente ao ano de 1995, tendo-se, nalguns casos em que se julgou necessário, feito o confronto com o ano anterior.
Salienta-se, contudo, que não se esgota aqui a informação estatística existente no âmbito do turismo, havendo outras publicações do INE sobre este tema, nomeadamente o Inquérito às Férias e o Inquérito aos Gastos dos Estrangeiros não Residentes em Portugal.
A ACTIVIDADE TURÍSTICA
NA REGIÃO CENTRO
Relativamente à organização do estudo, começa-se por efectuar uma breve síntese da evolução do sector nos últimos anos, seguindo-se a apresentação por NUTS II dos principais indicadores turísticos de forma a ser possível analisar a actividade da Região Centro num contexto nacional. Numa segunda parte, prossegue-se a caracterização da actividade turística no caso particular da Região Centro, confrontando-a com o total do país. Neste sentido, procura-se descrever o turismo na óptica da oferta recorrendo-se essencialmente a indicadores de capacidade de alojamento, tentando identificar as zonas de maior implantação turística. Por fim, passa-se a analisar a procura turística observando-se os movimentos de hóspedes e dormidas em todos os meios de alojamento, com especial destaque para as dormidas na hotelaria. Abordam-se também outros indicadores que lhes estão associados - taxa de ocupação-cama anual e estada média -, concluindo-se o estudo com uma breve referência ao fenómeno da sazonalidade inerente à actividade turística.
Evolução da actividade turística - síntese global
O Quadro nº1 conjuga alguns dados relativos ao turismo para os anos de 1993, 1994 e 1995, permitindo tirar algumas conclusões sobre a evolução desta actividade nos últimos anos.
Quadro nº1
Evolução da Actividade Turística em Portugal
Entrada de estrangeiros (milhares) 20 579.3 21 758.9 22 875.2 5.73 5.13
Excursionistas 11 928.9 12 377.9 12 925.0 3.76 4.42
Turistas 8 433.9 9 169.1 9 705.5 8.72 5.85
Estabelecimentos hoteleiros (em 31/07) 1 777 1 728 1 733 -2.76 0.29
Capac. de aloj. na hotelaria (nº camas em 31/07) 198 862 202 442 204 051 1.80 0.79
Procura hoteleira 23 599 738 26 146 418 27 936 842 10.79 6.85
Dormidas de residentes em Portugal 7 423 781 7 361 178 7 579 637 -0.84 2.97
Dormidas de residentes no estrangeiro 16 175 957 18 785 240 20 357 205 16.13 8.37
Dormidas parques de campismo 7 374 541 7 253 464 7 380 081 -1.64 1.75
Taxa de ocupação-cama anual (%) 33.5 36.0 38.0 7.46 5.56
Receitas hoteleiras (mil contos) 147 377 167 259 181 324 13.49 8.41
Tx. de Var. 94 (%)
1993 1994 1995 Tx. de Var. 95
Verifica-se, assim, que em 1995 entraram no país 22 875 milhares de estrangeiros, dos quais 9 706 milhares eram turistas (visitantes que permanecem pelo menos uma noite, num alojamento colectivo ou particular, no lugar visitado). A diminuição do crescimento verificada aponta no sentido de um abrandamento na entrada de turistas em relação ao ano anterior.
Em termos de capacidade de alojamento no conjunto dos estabelecimentos hoteleiros recenseados (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos e aldeamentos turísticos, pousadas, estalagens, motéis e pensões), o crescimento foi reduzido. A capacidade de alojamento é dada pelo número máximo de indivíduos que os estabelecimentos podem alojar sendo determinada pelo número de camas (considerando como duas as de casal). O número de estabelecimentos hoteleiros recenseados, apesar de um ligeiro aumento, não atinge o valor registado em 1993.
Relativamente à procura turística, a evolução do total das dormidas na hotelaria confirma a desaceleração já apontada. Denota-se uma inversão no sentido de crescimento da procura de residentes em Portugal na hotelaria, com um aumento de cerca de 3%. No entanto, em termos relativos o seu peso no total da procura diminui de 31.5% em 1993 para 27.1% em 1995. Observa--se também um crescimento das dormidas de estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros, em resultado do aumento da entrada de turistas.
Através deste quadro é também possível constatar a significativa procura de meios complementares de alojamento como são os parques de campismo.
Em resumo, pode afirmar-se que em 1995 se assistiu, em geral, a um abrandamento do crescimento dos índices globais de ocupação hoteleira, o que naturalmente se reflectiu na evolução das receitas na hotelaria, como também se observa no Quadro nº1.
Posição da Região Centro no todo nacional
Nos Quadros nos 2 e 3 são apresentados os principais indicadores estatísticos sobre o sector turístico
para as 7 NUTS II e total nacional, possibilitando uma comparação inter-regiões, bem como avaliar a importância da actividade turística na Região Centro.
Nº % Nº % Nº % Nº % Quadro nº2
Capacidade Turística por NUTS II em 1995
Norte 379 21.87 12 444 13.83 25 762 12.63 4 965 13.15 Centro 272 15.70 9 004 10.00 19 272 9.44 2 970 7.87 Lisboa 436 25.16 23 472 26.08 49 407 24.21 10 776 28.55 Alentejo 88 5.08 3 100 3.44 6 760 3.31 1 202 3.18 Algarve 378 21.81 32 030 35.59 82 475 40.42 11 833 31.35 Açores 55 3.17 1 655 1.84 3 383 1.66 892 2.36 Madeira 125 7.21 8 296 9.22 16 992 8.33 5 105 13.53 Total 1 733 100 90 001 100 204 051 100 37 743 100 Estabelecimentos hoteleiros
Estabelecimentos Quartos Capacidade Pessoal ao serviço
Quadro nº3
Procura Turística por NUTS II em 1995
O Quadro nº2 retrata a distribuição das infraestruturas turísticas oferecidas, através de variáveis ligadas à capacidade turística (número de estabelecimentos, quartos, capacidade e pessoal ao serviço dos estabelecimentos hoteleiros). Por outro lado, no Quadro nº3, incluem-se as variáveis relacionadas com a procura de alojamento mostrando, na realidade, em que medida a capacidade turística é aproveitada. Temos, então, o número de hóspedes, o número de dormidas, a taxa de ocupação-cama e a estada média na hotelaria, e o número de campistas e dormidas nos parques de campismo. Norte 1 363 754 17.00 2 387 388 8.55 25.5 1.75 323 844 19.65 1 044 061 14.15 Centro 848 675 10.58 1 533 323 5.49 22.1 1.81 361 966 21.96 2 009 795 27.23 Lisboa 2 570 384 32.05 5 863 695 20.99 33.6 2.28 497 296 30.18 2 122 700 28.76 Alentejo 390 766 4.87 659 920 2.36 27 1.69 150 525 9.13 563 715 7.64 Algarve 2 039 697 25.43 13 124 427 46.98 44.1 6.43 300 402 18.23 1 597 196 21.64 Açores 159 519 1.99 408 479 1.46 30.8 2.56 ... ... ... ... Madeira 647 775 8.08 3 959 610 14.17 63.8 6.11 ... ... ... ... Total 8 020 570 100 27 936 842 100 38 3.50 1 647 950 100 7 380 081 100 Nº % Nº % % Nº dias Nº % Nº %
Hóspedes Dormidas Tx. Ocup.cama Estada média Campistas Dormidas
Estabelecimentos hoteleiros Parques de campismo
Um aspecto que desde logo se evidencia é a posição cimeira do Algarve. Com efeito, em termos de capacidade hoteleira, esta região por si só absorve 40.4% do total, apesar dos estabelecimentos (em número) representarem apenas 21.8%, abaixo da Região de Lisboa e Vale do Tejo e até mesmo da Região Norte. Significa isto que o Algarve dispõe de estabelecimentos hoteleiros de maior dimensão, como são exemplo os casos dos apartamentos e aldeamentos turísticos. No que toca à procura hoteleira, e como se pode observar, o Algarve surge ainda com um maior destaque, concentrando 47% do total das dormidas na hotelaria e, consequentemente, atingindo uma elevada permanência média dos turistas nesta região (6.43 dias), muito superior à das restantes regiões com excepção da verificada na Região Autónoma da Madeira (6.1 dias).
Concentrando agora a análise na Região Centro, constata-se uma dinâmica turística pouco significativa. Esta região ocupa o 4º lugar em termos nacionais no que diz respeito ao número de estabelecimentos, quartos e capacidade na hotelaria, registando-se uma diminuição progressiva do seu peso à medida que nos deslocamos da esquerda para a direita no Quadro nº2, o que traduz a pequena dimensão dos estabelecimentos existentes. Os indicadores de procura confirmam o fraco desempenho turístico da Região Centro: o peso das dormidas hoteleiras no total cai quase para metade relativamente ao peso dos hóspedes, representando apenas 5.5%. Este fenómeno tem como explicação o facto da estada média nesta região ser das mais baixas do país (1.8 dias). Se, por outro lado, atentarmos na taxa de ocupação-cama anual, que mede a capacidade de alojamento média utilizada durante o ano, verificamos que é na Região Centro que este indicador atinge o seu valor mínimo.
Aliás, é de salientar os baixos índices de ocupação em todo o país, com excepção das regiões do Algarve e da Madeira. Esta última é a única região que apresenta um valor superior a 50% (63.8%).
Neste contexto, realce para a posição da R.A. da Madeira que mais não reflecte a significativa actividade turística da região, sobejamente conhecida por todos.
Se se considerar apenas a informação relativa aos parques de campismo, detecta-se na Região Centro uma larga preferência por este meio de alojamento. Em termos de peso percentual a Região Centro surge logo atrás da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
II - CAPACIDADE TURÍSTICA
Esta parte do trabalho tem por objectivo caracterizar o turismo na Região Centro sob o ponto de vista da oferta. A partir da análise da capacidade hoteleira de alojamento nas suas diversas vertentes pretende-se aferir acerca das infraestruturas turísticas que a região tem para oferecer ao turista que aqui se desloque.
O Quadro nº4 é composto pelos indicadores de capacidade hoteleira desagregados por tipo e categoria de estabelecimento. A capacidade média por tipo e categoria de estabelecimento obtém-se calculando o quociente entre a capacidade (expressa em camas) e o nº de estabelecimentos correspondente. Os valores da Região Centro aparecem confrontados com os do total do país.
Quadro nº4
Número de Estabelecimentos, Capacidade e Capacidade média, segundo a Categoria dos Estabelecimentos
Total Geral 1 733 100 272 100 204 051 100 19 272 100 118 71 Total Hotéis e outros 782 45.12 94 34.56 159 508 78.17 10 870 56.40 204 116 Hotéis 417 24.06 68 25.00 83 372 40.86 8 590 44.57 200 126 4* e 5* 134 7.73 6 2.21 43 707 21.42 829 4.30 326 138 3* 187 10.79 44 16.18 29 606 14.51 5 975 31.00 158 136 1* e 2* 96 5.54 18 6.62 10 059 4.93 1 786 9.27 105 99 Hotéis - apartamentos 96 5.54 4 1.47 30 166 14.78 953 4.94 314 238 4 * 40 2.31 1 0.37 16 863 8.26 322 1.67 422 322 3 * 48 2.77 3 1.10 10 852 5.32 631 3.27 226 210 2 * 8 0.46 - - 2 451 1.20 - - 306 Apartamentos turísticos 142 8.19 4 1.47 26 801 13.13 581 3.01 189 145 Aldeamentos turísticos 29 1.67 - - 14 296 7.01 - - 493 Pousadas 36 2.08 9 3.31 1 573 0.77 361 1.87 44 40 Estalagens 62 3.58 9 3.31 3 300 1.62 385 2.00 53 43 5 * 6 0.35 1 0.37 407 0.20 38 0.20 68 38 4 * 56 3.23 8 2.94 2 893 1.42 347 1.80 52 43
Total Pensões e Motéis 951 54.88 178 65.44 44 543 21.83 8 402 43.60 47 47 Motéis 14 0.81 4 1.47 1 237 0.61 429 2.23 88 107 3* 10 0.58 4 1.47 983 0.48 429 2.23 98 107 2 * 4 0.23 - - 254 0.12 - - 64 Pensões 937 54.07 174 63.97 43 306 21.22 7 973 41.37 46 46 4 * 104 6.00 16 5.88 6 609 3.24 1 231 6.39 64 77 3* 363 20.95 81 29.78 19 059 9.34 3 967 20.58 53 49 2* 411 23.72 65 23.90 15 818 7.75 2 467 12.80 38 38 1* 59 3.40 12 4.41 1 820 0.89 308 1.60 31 26 Nº % Nº % Nº % Nº % Nº %
País Região Centro
Nº de Estabelecimentos Capacidade Capacidade média
País Região Centro País Região Centro
Conforme se observa, em 1995 na Região Centro estavam em actividade 272 estabelecimentos hoteleiros correspondendo a uma lotação total de 19 272 camas (considerando como duas as camas de casal).
Por categoria, verifica-se que as pensões representam a maior fatia em termos de estabelecimentos (64%), o que já não acontece quando se considera a capacidade existente, pois trata-se de alojamentos de dimensão inferior. A este nível, são os hotéis que detêm uma maior percentagem do total da capacidade de alojamento da região, cerca de 45%, a qual cai maioritariamente nos hotéis de 3 estrelas (70%). Note-se ainda o fraco peso na região dos hotéis de luxo (4 e 5 estrelas) quando comparado com o peso nacional.
Os estabelecimentos de maior dimensão (hotéis-apartamentos, apartamentos e aldeamentos turísticos) revelam ter uma importância diminuta na Região Centro - são tipos de alojamento que se concentram na Região do Algarve.
Pelo contrário, é de salientar a posição das pousadas e estalagens, que apresentam na região uma proporção superior à representada para o país. Trata-se de tipos de alojamento com alguma qualidade, que oferecem boas condições de conforto e comodidade aos seus utilizadores. Situados normalmente fora dos centros urbanos e integrados nas características da respectiva região, estes estabelecimentos constituem na Região Centro uma boa opção em termos de oferta.
Distribuição regional da capacidade de alojamento
O Quadro nº 5 apresenta a distribuição da capacidade hoteleira por NUTS III, agrupando as categorias de estabelecimentos em apenas duas, com diferentes níveis de qualidade e dimensão. Assim, a rubrica “hotéis e outros” inclui, para além dos hotéis, os hotéis-apartamentos, os apartamentos e aldeamentos turísticos, as pousadas e as estalagens. As pensões e os motéis formam a outra rubrica.
São também apresentados os valores referentes aos sete concelhos mais significativos em termos de capacidade hoteleira. São eles: Figueira da Foz, Coimbra, Leiria, Anadia, Aveiro, Viseu e Mealhada, que conjuntamente detêm a “maioria absoluta” da capacidade existente.
Quadro nº5
Capacidade dos estabelecimentos hoteleiros, por categoria dos estabelecimentos segundo as NUTS III
Uma conclusão a tirar do quadro apresentado diz respeito à natural concentração regional da capacidade hoteleira nas NUTS da faixa litoral (Baixo Vouga, Baixo Mondego e Pinhal Litoral) e no Dão Lafões com valores muito distanciados dos das restantes NUTS III. No entanto, quando se passa a observar a capacidade média do total dos estabelecimentos hoteleiros, detecta-se uma relativa homogeneidade, com excepção dos valores das NUTS do Pinhal Interior. A Beira Interior Sul e a Cova da Beira apresentam mesmo valores superiores à média da Região Centro. Tal facto deve-se sobretudo a uma maior dimensão dos estabelecimentos da classe “pensões e motéis”.
Curiosa é a percentagem atribuída ao Pinhal Litoral e a Leiria onde as pensões e os motéis disponibilizam mais de 60% da capacidade de alojamento total com uma capacidade média por estabelecimento considerável. País 204 051 - 159 508 78.17 44 543 21.83 118 204 47 Região Centro 19 272 100.00 10 870 56.40 8 402 43.60 71 116 47 Baixo Vouga 4 024 20.88 2 397 59.57 1 627 40.43 65 114 40 Anadia 1 063 5.52 683 64.25 380 35.75 71 137 38 Aveiro 981 5.09 773 78.80 208 21.20 82 129 35 Mealhada 865 4.49 413 47.75 452 52.25 79 207 50 Baixo Mondego 5 236 27.17 3 353 64.04 1 883 35.96 77 160 40 Coimbra 2 149 11.15 1 404 65.33 745 34.67 80 176 39 Figueira da Foz 2 374 12.32 1 714 72.20 660 27.80 85 171 37 Pinhal Litoral 2 985 15.49 1 158 38.79 1 827 61.21 71 97 61 Leiria 2 009 10.42 786 39.12 1 223 60.88 72 98 61
Pinhal Interior Norte 432 2.24 276 63.89 156 36.11 43 69 26 Dão Lafões 2 770 14.37 1 860 67.15 910 32.85 81 109 54
Viseu 914 4.74 606 66.30 308 33.70 83 121 51
Pinhal Interior Sul 117 0.61 35 29.91 82 70.09 29 35 27 Serra da Estrela 336 1.74 194 57.74 142 42.26 67 97 47 Beira Interior Norte 1 165 6.05 498 42.75 667 57.25 58 100 44 Beira Interior Sul 1 272 6.60 698 54.87 574 45.13 85 116 64 Cova da Beira 935 4.85 401 42.89 534 57.11 78 80 76
Nº % Nº % Nº % Nº Nº Nº
Total Hotéis e Pensões Geral Outros e Motéis Total Geral Hotéis e Outros Pensões e Motéis
Capacidade Capacidade Média
Nota: As percentagens relativas ao total geral são calculadas em coluna, sendo as restantes calculadas em linha. Esta situação repetir--se-à nos Quadros nos 7 e 10, apresentados mais à frente.
De realçar o elevado valor da capacidade média dos “hotéis e outros” no concelho da Mealhada ultrapassando o valor médio nacional.
Por outro lado, no Pinhal Interior Sul o valor daquele grupo é reduzido, pois o único concelho com estabelecimentos hoteleiros recenseados, a Sertã apenas dispõe, para além de poucas pensões, de uma estalagem.
Mapa nº1
Capacidade hoteleira , segundo os concelhos - 31/07/95
> 750 250 - 750 100 - 250 < 100 Nº de Camas
O Mapa nº1 mostra-nos a distribuição da capacidade hoteleira numa perspectiva concelhia. As manchas mais escuras representam os sete concelhos de maior implantação turística, cujos valores foram incluídos no Quadro nº 5.
Num segundo escalão, é visível a importância de concelhos do interior como são Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Covilhã, Guarda e Fundão; já junto à costa encontramos os concelhos da Marinha Grande, Mira e Ílhavo e junto a Viseu sobressaem, também como concelhos representativos em termos de capacidade hoteleira, São Pedro do Sul, Nelas e Mangualde.
Pelo contrário, é possível inferir através do mapa as zonas de fraca concentração hoteleira que se encontram representadas a branco.
Pessoal ao serviço
Os Quadros nos 6 e 7 abordam uma outra característica dos alojamentos, que complementa a
análise da capacidade hoteleira - o pessoal ao serviço nos estabelecimentos -, indicador que pode ser relacionado com o número de estabelecimentos (pessoal por estabelecimento) e com a capacidade de alojamento (pessoal por cama).
Quadro nº6
Pessoal ao serviço nos estabelecimentos hoteleiros, segundo a categoria dos estabelecimentos
Total Geral 37 743 100 2 970 100 21.78 10.92 0.18 0.15 Total Hotéis e outros 31 470 83.38 1 876 63.16 40.24 19.96 0.20 0.17 Hotéis 21 480 56.91 1 522 51.25 51.51 22.38 0.26 0.18 4* e 5* 13 984 37.05 238 8.01 104.36 39.67 0.32 0.29 3* 5 931 15.71 1 047 35.25 31.72 23.80 0.20 0.18 1* e 2* 1 565 4.15 237 7.98 16.30 13.17 0.16 0.13 Hotéis - apartamentos 4 019 10.65 43 1.45 41.86 10.75 0.13 0.05 4 * 2 366 6.27 8 0.27 59.15 8.00 0.14 0.02 3 * 1 389 3.68 35 1.18 28.94 11.67 0.13 0.06 2 * 264 0.70 - - 33.00 - 0.11 Apartamentos turísticos 2 453 6.50 50 1.68 17.27 12.50 0.09 0.09 Aldeamentos turísticos 1 599 4.24 - - 55.14 - 0.11 Pousadas 908 2.41 170 5.72 25.22 18.89 0.58 0.47 Estalagens 1 011 2.68 91 3.06 16.31 10.11 0.31 0.24 5 * 173 0.46 5 0.17 28.83 5.00 0.43 0.13 4 * 838 2.22 86 2.90 14.96 10.75 0.29 0.25
Total Pensões e Motéis 6 273 16.62 1 094 36.84 6.60 6.15 0.14 0.13 Motéis 225 0.60 73 2.46 16.07 18.25 0.18 0.17 3* 179 0.47 73 2.46 17.90 18.25 0.18 0.17 2 * 46 0.12 - - 11.50 - 0.18 Pensões 6 048 16.02 1 021 34.38 6.45 5.87 0.14 0.13 4 * 1 230 3.26 157 5.29 11.83 9.81 0.19 0.13 3* 2 518 6.67 534 17.98 6.94 6.59 0.13 0.13 2* 2 072 5.49 283 9.53 5.04 4.35 0.13 0.11 1* 228 0.60 47 1.58 3.86 3.92 0.13 0.15 Nº % Nº % Nº Nº Nº Nº
País Região Centro
Pessoal Pessoal por Estab. Pessoal por Cama
País Região Centro País Região Centro
Na Região Centro, o pessoal ao serviço na hotelaria ascendia em 1995 a 2 970 trabalhadores, resultando numa média de cerca de 11 trabalhadores por estabelecimento e de 0.15 por cama. No quadro nº6 estes indicadores encontram-se desagregados por categoria de estabelecimento hoteleiro.
Observa-se com naturalidade que o pessoal ao serviço nos estabelecimentos hoteleiros se distribui na sua maioria pelos hotéis, embora na Região Centro o seu o peso relativo seja inferior ao do país. A disparidade é ainda maior quando se considera a agregação “hotéis e outros”, mas com uma explicação já referida anteriormente: o número insignificativo de hotéis-apartamentos e de apartamentos turísticos existentes na Região Centro.
No entanto, observando o rácio “pessoal por estabelecimento”, estes dois tipos de alojamento dispõem de um número reduzido de pessoal comparativamente com o valor registado para o país, mais acentuado no caso dos hotéis-apartamentos. Este facto também se verifica no que respeita aos hotéis, pousadas e estalagens. Para os hotéis, as discrepâncias são mais significativas nos de 4 e 5 estrelas.
Quadro nº7
Pessoal ao serviço nos estabelecimentos hoteleiros, por categoria dos estabelecimentos segundo as NUTS III
País 37 743 - 31 470 83.38 6 273 16.62 21.78 40.24 6.60 0.18 0.20 0.14 Região Centro 2 970 100 1 876 63.16 1 094 36.84 10.92 19.96 6.15 0.15 0.17 0.13 Baixo Vouga 756 25.45 499 66.01 257 33.99 12.19 23.76 6.27 0.19 0.21 0.16 Anadia 173 5.82 113 65.32 60 34.68 11.53 22.60 6.00 0.16 0.17 0.16 Aveiro 160 5.39 124 77.50 36 22.50 13.33 20.67 6.00 0.16 0.16 0.17 Mealhada 206 6.94 128 62.14 78 37.86 18.73 64.00 8.67 0.24 0.31 0.17 Baixo Mondego 604 20.34 386 63.91 218 36.09 8.88 18.38 4.64 0.12 0.12 0.12 Coimbra 307 10.34 215 70.03 92 29.97 11.37 26.88 4.84 0.14 0.15 0.12 Figueira da Foz 192 6.46 119 61.98 73 38.02 6.86 11.90 4.06 0.08 0.07 0.11 Pinhal Litoral 445 14.98 241 54.16 204 45.84 10.60 20.08 6.80 0.15 0.21 0.11 Leiria 286 9.63 147 51.40 139 48.60 10.21 18.38 6.95 0.14 0.19 0.11
Pinhal Interior Norte 86 2.90 60 69.77 26 30.23 8.60 15.00 4.33 0.20 0.22 0.17 Dão Lafões 422 14.21 301 71.33 121 28.67 12.41 17.71 7.12 0.15 0.16 0.13
Viseu 117 3.94 85 72.65 32 27.35 10.64 17.00 5.33 0.13 0.14 0.10
Pinhal Interior Sul 19 0.64 6 31.58 13 68.42 4.75 6.00 4.33 0.16 0.17 0.16 Serra da Estrela 62 2.09 44 70.97 18 29.03 12.40 22.00 6.00 0.18 0.23 0.13 Beira Interior Norte 201 6.77 100 49.75 101 50.25 10.05 20.00 6.73 0.17 0.20 0.15 Beira Interior Sul 228 7.68 159 69.74 69 30.26 15.20 26.50 7.67 0.18 0.23 0.12 Cova da Beira 147 4.95 80 54.42 67 45.58 12.25 16.00 9.57 0.16 0.20 0.13
Nº % Nº % Nº %º Nº Nº Nº Nº Nº Nº
Pessoal Pessoal por Estab. Pessoal por Cama
Total Hotéis e Pensões
Geral Outros e Motéis
Total Hotéis e Pensões Geral Outros e Motéis
Total Hotéis e Pensões Geral Outros e Motéis
No que toca às pensões, a sua pequena dimensão é confirmada pela existência de um menor número de empregados por estabelecimento.
No Quadro nº7 apresentam-se os mesmos indicadores distribuídos por NUTS III e principais concelhos. A observação do total do número do pessoal ao serviço evidencia o valor verificado no Baixo Vouga que emprega mais de um quarto do pessoal ao serviço na região. Aqui destacam-se os valores atingidos por ambos os rácios no concelho da Mealhada, com mais incidência na classe dos hotéis e outros, revelando boas condições de acolhimento nos estabelecimentos aí localizados.
Pelo contrário, o Baixo Mondego apresenta registos por estabelecimento e por cama abaixo da média da região, salientando-se neste sentido o papel da Figueira da Foz.
No interior, assinale-se os registos da Beira Interior Sul e da Serra da Estrela, onde a média dos trabalhadores na hotelaria por estabelecimento e por cama se situa acima da média da região.
III - PROCURA TURÍSTICA
Seguidamente, e após concluída a análise da capacidade turística disponível, importa saber de que modo é que esta é aproveitada. Neste capítulo, visa-se então avaliar a procura turística da Região Centro sob vários pontos de vista, mais concretamente, procura-se caracterizar o turista que visita a região e as suas preferências em termos de alojamento.
Os gráficos seguintes representam, para o país e para a Região Centro, a repartição por tipo de alojamento - hotelaria, parques de campismo e colónias de férias - dos turistas e das dormidas fazendo a separação entre residentes em Portugal e residentes no estrangeiro.
Torna-se assim evidente a preferência dos turistas pelos estabelecimentos hoteleiros, quer no país (81%), quer na Região Centro (67.9%). No entanto, nesta última, o peso dos hóspedes reduz-se em favor, sobretudo, dos campistas. Este facto é mais notório nos residentes no estrangeiro do que nos nacionais.
Gráfico nº1
Hóspedes, Campistas e Colonos, segundo a residência em 1995
100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
Total Portugal Estrangeiro
Hotelaria
Campismo
Colónias de férias
Total Portugal Estrangeiro 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
País Região Centro
Gráfico nº2
Dormidas por tipo de alojamento, segundo a residência em 1995
Total Portugal Estrangeiro Total Portugal Estrangeiro
Hotelaria Campismo Colónias de férias 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
País Região Centro
Relativamente às dormidas, a maior incidência na hotelaria só se verifica para Portugal, já que na Região Centro, são as dormidas nos parques de campismo que predominam, com 53.5% do total. Considerando apenas as pernoitas na região, a preferência de residentes em Portugal pelo campismo sobe para 57%, enquanto que os residentes no estrangeiro optam claramente pela permanência na hotelaria global (60.8%).
As colónias de férias representam um peso pouco significativo no total sendo sempre superior na Região Centro que no total do país, e para os residentes em Portugal.
O Quadro nº8 retoma a abordagem dos hóspedes e dormidas sob o ponto de vista do país de residência, agora apenas para os estabelecimentos hoteleiros, apresentando os dados em valor absoluto e também para 1994 de modo a ser possível o cálculo das variações de um ano para o outro.
Quadro nº 8
Dormidas e hóspedes na hotelaria, segundo a residência, em 1994 e 1995
Total hóspedes 7 694 568 8 020 570 4.24 813 050 848 675 4.38 Portugal 3 370 849 3 481 866 3.29 549 440 591 053 7.57 Estrangeiro 4 323 719 4 538 704 4.97 263 610 257 622 -2.27 Total dormidas 26 146 418 27 936 842 6.85 1 490 676 1 533 323 2.86 Portugal 7 361 178 7 579 637 2.97 1 012 274 1 080 758 6.77 Estrangeiro 18 785 240 20 357 205 8.37 478 402 452 565 -5.40 1994 1995 Var(%) 1994 1995 Var(%)
País Região Centro
Pode concluir-se que a Região Centro, em termos de procura hoteleira, é preferida maioritariamente por residentes em Portugal que representam 70% do total dos 1 533 milhares de dormidas.
Destaca-se a taxa de crescimento negativa verificada na região no que diz respeito a hóspedes e dormidas de residentes no estrangeiro. No entanto, para o total dos hóspedes e das dormidas na região a variação é positiva. Para tal contribui o crescimento dos residentes em Portugal (6.77% no caso das dormidas e 7.57% no caso dos hóspedes) .
Em Portugal, conforme se pode observar, as dormidas na hotelaria ascenderam em 1995 a cerca de 27 937 milhares registando um acréscimo de 6.85% em relação ao ano anterior. Aqui, pelo contrário, a procura externa assume um maior peso (73%) e com tendência para aumentar. As taxas de crescimento dos indicadores referentes aos residentes estrangeiros foram positivas e superiores às dos residentes em Portugal.
Dormidas nos estabelecimentos hoteleiros
Por tipos e categoria de estabelecimentos, as dormidas na hotelaria evidenciaram em 1995 a seguinte estrutura, relatada no Quadro nº 9:
Quadro nº 9
Dormidas na hotelaria, segundo a categoria dos estabelecimentos em 1995
Total Geral 27 936 842 100 1 533 323 100 Total Hotéis e outros 24 650 696 88.24 1 078 662 70.35 Hotéis 12 758 651 45.67 862 499 56.25 4* e 5* 7 417 454 26.55 100 160 6.53 3* 4 155 857 14.88 591 932 38.60 1* e 2* 1 185 340 4.24 170 407 11.11 Hotéis - apartamentos 5 302 992 18.98 75 152 4.90 4 * 3 280 792 11.74 28 812 1.88 3 * 1 683 177 6.02 46 340 3.02 2 * 339 023 1.21 - Apartamentos turísticos 3 808 544 13.63 55 215 3.60 Aldeamentos turísticos 2 109 312 7.55 - Pousadas 273 896 0.98 56 966 3.72 Estalagens 397 301 1.42 28 830 1.88 5 * 70 298 0.25 196 0.01 4 * 327 003 1.17 28 634 1.87
Total Pensões e Motéis 3 286 146 11.76 454 661 29.65 Motéis 127 799 0.46 26 174 1.71 3* 97 633 0.35 26 174 1.71 2 * 30 166 0.11 - Pensões 3 158 347 11.31 428 487 27.94 4 * 660 903 2.37 90 043 5.87 3* 1 393 854 4.99 211 440 13.79 2* 975 507 3.49 116 803 7.62 1* 128 083 0.46 10 201 0.67
País Região Centro
Nº % Nª %
Assinale-se a concentração das dormidas nos hotéis, que na Região Centro detêm a maioria das dormidas. Destas, cerca de 69% efectuaram-se nos estabelecimentos de 3 estrelas. Em segunda posição em termos de dormidas surgem as pensões, constatando-se que as mais representativas são as de 3 estrelas.
De notar os valores assumidos pelas pousadas e estalagens que na região representam cerca de 6% do cômputo geral das dormidas hoteleiras, muito acima do peso conseguido no total do país (cerca de 2%), o que manifestamente revela a importância destes tipos de alojamento na Região Centro.
No âmbito nacional, é de realçar o valor dos estabelecimentos de 4 e 5 estrelas que chamam a si mais de metade das pernoitas nos hotéis.
A incidência das dormidas na hotelaria no grupo dos “hotéis e outros” pode ser observada também a nível regional, através do Quadro nº10 que apresenta para a Região Centro as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros por NUTS III.
Quadro nº10
Dormidas na hotelaria por categoria dos estabelecimentos, segundo as NUTSIII em 1995
País 27 936 842 - 24 650 696 88.24 3 286 146 11.76 Região Centro 1 533 323 100.00 1 078 662 70.35 454 661 29.65 Baixo Vouga 339 643 22.15 260 788 76.78 78 855 23.22 Anadia 88 676 5.78 78 394 88.40 10 282 11.60 Aveiro 87 279 5.69 72 820 83.43 14 459 16.57 Mealhada 75 950 4.95 55 434 72.99 20 516 27.01 Baixo Mondego 416 291 27.15 304 794 73.22 111 497 26.78 Coimbra 238 345 15.54 168 774 70.81 69 571 29.19 Figueira da Foz 132 497 8.64 111 742 84.34 20 755 15.66 Pinhal Litoral 222 043 14.48 115 318 51.93 106 725 48.07 Leiria 135 871 8.86 73 417 54.03 62 454 45.97
Pinhal Interior Norte 31 400 2.05 26 165 83.33 5 235 16.67 Dão Lafões 210 616 13.74 154 603 73.41 56 013 26.59
Viseu 89 462 5.83 63 133 70.57 26 329 29.43
Pinhal Interior Sul 11 724 0.76 3 458 29.50 8 266 70.50 Serra da Estrela 35 507 2.32 29 582 83.31 5 925 16.69 Beira Interior Norte 88 497 5.77 61 469 69.46 27 028 30.54 Beira Interior Sul 97 993 6.39 70 841 72.29 27 152 27.71 Cova da Beira 79 609 5.19 51 644 64.87 27 965 35.13
Total Geral Hotéis e Outros Pensões e Motéis
Nº % Nª % Nº %
Tal como aconteceu aquando do estudo da capacidade turística, o quadro inclui os sete concelhos mais significativos em termos de dormidas na hotelaria que são precisamente os mesmos, embora hierarquicamente a ordem seja diferente. De notar o predomínio das dormidas no concelho de Coimbra absorvendo 15.5% do total da região, com um valor muito destacado dos restantes concelhos.
Por NUTS III, pode dizer-se que as zonas do Baixo Vouga e do Baixo Mondego constituem um pólo de atracção turística reunindo quase metade das pernoitas da região (49.3%). Está aqui bem patente a preferência dos turistas pelas regiões do litoral, o que provavelmente se explica por factores de atracção como melhores condições de acolhimento turístico, proximidade do mar, condições climatéricas mais favoráveis e facilidade nos acessos, entre outros.
No que concerne à repartição por categorias hoteleiras, regista-se que apenas no caso do Pinhal Interior Sul as pensões e os motéis obtêm uma maior percentagem em relação ao total das dormidas nesta NUT III, o que decorre da fragilidade da sua capacidade de alojamento. No Pinhal Litoral constata-se um maior equilíbrio entre os dois agregados hoteleiros em causa.
Dormidas por principais países origem
Retomando a globalidade das dormidas por tipo e categoria do alojamento, parece-nos interessante a apreciar a sua repartição por países de residência que pode ser visualizada no Quadro nº11.
Na realidade, este quadro resulta da desagregação dos valores representados no gráfico nº2 para a Região Centro. O quadro evidencia o domínio dos residentes em Portugal nas dormidas globais na região e a sua preferência pelo campismo.
As dormidas de residentes no estrangeiro aparecem agora repartidas pelos principais países de origem. Observa-se que o primeiro mercado estrangeiro na região, a Espanha, assim como o Reino Unido e a Itália denotam uma apetência para a hotelaria global, escolhendo a seguir aos hotéis propriamente ditos, as pensões. Já a Holanda e a França, pelo contrário, concentram as suas preferências nos parques de campismo. O campismo é também um alojamento muito utilizado pelos espanhóis e pelos alemães. Estes últimos, ocupando a terceira posição no ranking do mercado externo, escolhem a hotelaria como tipo de alojamento preferencial.
Dos países incluídos no Quadro nº11, as dormidas de residentes nos Estados Unidos da América constituem a menor fatia no total das dormidas de residentes no estrangeiro, apresentando uma forte incidência na hotelaria global, salientando-se a importância das pousadas para este mercado.
As pousadas constituem o único tipo de alojamento onde as dormidas de residentes no estrangeiro ultrapassam as dos nacionais, representando, nalguns casos, a segunda escolha dentro da hotelaria total (veja-se os casos da Alemanha, Holanda e dos já referidos E.U.A.)
Por seu lado, as colónias de férias apresentam-se como um tipo de alojamento que acolhe sobretudo os residentes no país, com uma expressão pouco significativa junto dos residentes nos países estrangeiros.
É também possível analisar, do ponto de vista regional, a distribuição por países de residência das dormidas na hotelaria. Neste sentido, apresenta-se o Quadro nº12 que nos dá, à semelhança de quadros anteriores, a desagregação por NUTS III e concelhos mais representativos. As percentagens atribuídas a cada país são calculadas sobre o total de estrangeiros.
Confirma-se, também através do quadro, a supremacia de Portugal relativamente ao estrangeiro nas dormidas na hotelaria da região, contrariamente ao que acontece para o total do país. A nível regional é igualmente visível o domínio do mercado interno, mas com maior evidência nas NUTS do interior. De facto, é no litoral que as discrepâncias entre as dormidas de residentes e não residentes no país são menos notórias, como se poderá observar mais à frente no Mapa nº2.
Relativamente à procura externa, a informação do quadro permite detectar uma diferente ordenação dos países para a Região Centro quando comparada com o total do país. A Espanha e a França surgem na região como os dois primeiros mercados turísticos externos, enquanto que para o conjunto do país são o Reino Unido e a Alemanha que dominam as dormidas de residentes no estrangeiro.
Por NUTS III, é notória a predominância dos espanhóis, exceptuando os casos do Pinhal Litoral e Beira Interior Norte com maior afluência de franceses (18.8 e 29.8%, respectivamente), e da Serra da Estrela onde o país com maior peso é a Alemanha (19.9%).
No Baixo Mondego, do total de dormidas de residentes no estrangeiro, os franceses também representam um peso significativo (17%). De notar que é a região preferida por mais de metade dos espanhóis sendo também o destino favorito dos franceses, alemães, holandeses e italianos. Por outro lado, os residentes no Reino Unido e nos E.U.A. preferem o Baixo Vouga.
No que diz respeito aos concelhos, destaca-se, em Anadia, a presença dos alemães e dos franceses atingindo ambos 54.6% das dormidas de estrangeiros. Na Mealhada, verifica-se uma maior incidência
Estudos
Direcção R egional do Centro Nº Nº Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Total geral 3 754 029 3 009 763 100 744 266 100 175 023 100 52 926 100 103 549 100 154 691 100 63 572 100 46 074 100 21 617 100 Total Hotelaria 1 533 323 1 080 758 35.91 452 565 60.81 118 823 67.89 41 214 77.87 52 603 50.80 76 721 49.60 18 860 29.67 35 534 77.12 20 896 96.66 Hotéis 862 499 575 908 19.13 286 591 38.51 73 077 41.75 30 365 57.37 34 274 33.10 46 482 30.05 10 769 16.94 22 515 48.87 14 395 66.59 Hotéis - apartamentos 75 152 41 854 1.39 33 298 4.47 14 425 8.24 2 809 5.31 765 0.74 5 932 3.83 470 0.74 3 259 7.07 525 2.43 Apartamentos turísticos 55 215 40 977 1.36 14 238 1.91 2 244 1.28 154 0.29 2 843 2.75 5 731 3.70 289 0.45 96 0.21 840 3.89 Motéis 26 174 22 291 0.74 3 883 0.52 951 0.54 131 0.25 404 0.39 489 0.32 469 0.74 598 1.30 49 0.23 Pousadas 56 966 22 862 0.76 34 104 4.58 2 815 1.61 3 451 6.52 6 548 6.32 3 479 2.25 3 569 5.61 3 111 6.75 3 123 14.45 Estalagens 28 830 20 372 0.68 8 458 1.14 1 034 0.59 381 0.72 2 307 2.23 1 568 1.01 438 0.69 447 0.97 165 0.76 Pensões 428 487 356 494 11.84 71 993 9.67 24 277 13.87 3 923 7.41 5 462 5.27 13 040 8.43 2 856 4.49 5 508 11.95 1 799 8.32 Parques de campismo 2 009 795 1 721 265 57.19 288 530 38.77 55 918 31.95 11 554 21.83 50 569 48.84 77 479 50.09 44 386 69.82 10 346 22.46 597 2.76 Colónias de férias 210 911 207 740 6.90 3 171 0.43 282 0.16 158 0.30 377 0.36 491 0.32 326 0.51 194 0.42 124 0.57 País 7 579 637 20 357 205 1 501 969 7.38 5 849 838 28.74 5 127 297 25.19 930 645 4.57 1 452 694 7.14 649 121 3.19 493 288 2.42 Região Centro 1 080 758 452 565 118 823 26.26 41 214 9.11 52 603 11.62 76 721 16.95 18 860 4.17 35 534 7.85 20 896 4.62 Baixo Vouga 230 750 108 893 24 871 22.84 14 210 13.05 12 531 11.51 17 945 16.48 4 368 4.01 5 819 5.34 7 305 6.71 Anadia 72 721 15 955 1 713 10.74 450 2.82 4 208 26.37 4 499 28.20 598 3.75 843 5.28 895 5.61 Aveiro 53 099 34 180 10 800 31.60 4 517 13.22 2 600 7.61 6 070 17.76 680 1.99 2 349 6.87 1 099 3.22 Mealhada 55 793 20 157 3 816 18.93 1 212 6.01 1 629 8.08 1 827 9.06 614 3.05 1 006 4.99 4 169 20.68 Baixo Mondego 217 684 198 607 65 972 33.22 13 022 6.56 19 519 9.83 33 743 16.99 5 515 2.78 20 259 10.20 5 181 2.61 Coimbra 127 736 110 609 30 161 27.27 3 450 3.12 12 548 11.34 15 488 14.00 4 004 3.62 17 993 16.27 3 257 2.94 Figueira da Foz 72 012 60 485 22 215 36.73 8 192 13.54 3 679 6.08 13 807 22.83 1 056 1.75 1 356 2.24 1 168 1.93 Pinhal Litoral 156 684 65 359 11 941 18.27 3 682 5.63 10 549 16.14 12 263 18.76 3 764 5.76 5 466 8.36 4 251 6.50 Leiria 101 505 34 366 8 144 23.70 1 686 4.91 5 442 15.84 5 850 17.02 1 592 4.63 2 285 6.65 2 113 6.15Pinhal Interior Norte 22 964 8 436 1 442 17.09 1 121 13.29 989 11.72 579 6.86 1 029 12.20 657 7.79 647 7.67
Dão Lafões 182 237 28 379 6 227 21.94 4 443 15.66 3 968 13.98 4 098 14.44 1 611 5.68 1 597 5.63 1 440 5.07
Viseu 73 218 16 244 4 138 25.47 786 4.84 1 453 8.94 3 223 19.84 1 302 8.02 985 6.06 1 245 7.66
Pinhal Interior Sul 11 178 546 93 17.03 36 6.59 131 23.99 39 7.14 184 33.70 12 2.20 2 0.37
Quadro nº12 - Dormidas na hotelaria por países de residência habitual segundo as NUTSIII, em 1995
dos norte-americanos (20.7%). Por sua vez, em Coimbra, são os italianos que detêm um peso expressivo (16.3%), atrás dos espanhóis; na Figueira da Foz, Leiria e Viseu os franceses são também o segundo mercado dos concelhos, com participações de 22.8%, 17% e 19.8%.
Pelo que foi dito e através da leitura do quadro, é bem visível a expressiva concentração da procura hoteleira externa nas NUTS do Baixo Mondego e Baixo Vouga que, no seu conjunto, representam 68% do total da Região Centro. Se considerarmos também o Pinhal Litoral o peso sobe então para 82%, sinal de uma inquestionável preferência dos estrangeiros pelo litoral da região.
Esta afirmação é ilustrada pelo mapa nº2, que traduz por concelhos a percentagem das dormidas de residentes no estrangeiro no total das dormidas hoteleiras de cada concelho. Por outras palavras, os concelhos estão representados consoante a proporção das dormidas de estrangeiros no total. Os concelhos a preto correspondem a locais onde dormem proporcionalmente mais residentes no estrangeiro, logo a incidência de portugueses será proporcionalmente menor.
No entanto, é necessário ter algum cuidado na análise do mapa, chamando-se a atenção para o facto de se estarem a representar percentagens. Por exemplo, um concelho que tenha um peso superior a 40% de dormidas de estrangeiros pode, em valor absoluto, ter menos dormidas de estrangeiros que outro situado num escalão abaixo.
Mapa nº2
Dormidas de estrangeiros em percentagem do total dos concelhos, em 1995
> 40 % 20% - 40% 0% - 20%
A branco estão representados os concelhos que não têm estabelecimentos hoteleiros recenseados, ou seja, onde não se efectivaram dormidas, mas também estão todos os concelhos onde apesar de aí se terem realizado dormidas, estas foram em número inferior a 1000, não se considerando portanto ter significância para o efeito.
Confirma-se então que a mancha escura se localiza em concelhos junto ao mar, como são Ovar, Murtosa, Mira, Cantanhede e Figueira da Foz, e também noutros concelhos do litoral: Coimbra, Batalha e Águeda.
Curiosamente, evidencia-se uma mancha cinzenta escura que atravessa a região desde Almeida, onde se situa a zona fronteiriça de Vilar Formoso, até à costa dando conta eventualmente de um percurso efectuado a partir da fronteira.
Taxa de ocupação-cama anual
A taxa de ocupação-cama, calculada para um determinado período de referência, normalmente o ano, relaciona o número de dormidas com o número de camas utilizadas nesse período. É, portanto, um indicador que permite avaliar a capacidade de alojamento média utilizada, ou seja, mede o grau de aproveitamento da capacidade de alojamento.
A taxa de ocupação-cama anual, tal como ela é calculada pelo INE, tem como base o conjunto dos estabelecimentos em funcionamento na época alta (em 31 de Julho). Esta fórmula de cálculo traduz-se num índice médio um pouco reduzido, como traduz-se pode confirmar ao obtraduz-servar os Quadros nos 13 e
14. O índice de ocupação-cama registado na Região Centro foi de apenas 22.1% muito abaixo do verificado no total do país (38%).
No Quadro nº13, os valores da taxa de ocupação-cama anual são apresentados por categoria de estabelecimento. É possível concluir que existe uma relação directa entre o índice de ocupação e a qualidade dos estabelecimentos. Verifica-se assim, que em qualquer categoria, a taxa de ocupação cresce com o número de estrelas. Por outro lado, os valores mais baixos são registados pelas pensões e motéis, enquanto que os mais elevados são atingidos pelas pousadas, hotéis-apartamentos
e hotéis de 4 estrelas. Este facto também se verifica a nível das NUTS III da Região Centro e principais concelhos, conforme se comprova pela observação do Quadro nº 14.
Relativamente às pousadas, o valor da taxa de ocupação na Região Centro consegue alcançar o valor do país, o que só vem confirmar o que foi dito anteriormente a respeito deste tipo de alojamento na nossa região.
Quadro nº13
Taxa de ocupação-cama na hotelaria, segundo a categoria dos estabelecimentos, em 1995
Total Geral 38 22.1 Hotéis 40.9 25.7 5* 39.1 ... 4* 50.4 31.3 3* 36.7 25.7 2 * 31.6 21.7 1* 25.1 ... Hotéis - apartamentos 49.1 24.5 4 * 53.2 28.6 3 * 45.4 22.5 2 * 36.8 Apartamentos turísticos 40.2 26.7 Aldeamentos turísticos 43.3 Pousadas 48.5 49.1 Estalagens 34.3 24.2 Motéis 28.5 18.8 Pensões 21 15.9 4 * 28.5 21.3 3* 20.8 15.6 2* 18 13.8 1* 22.1 13.2
País Região Centro
% %
Por NUTS III, constata-se uma relativa homogeneidade dos valores assumidos pela taxa de ocupação para a hotelaria global, com valores um pouco mais elevados registados no Pinhal Interior Sul e na Serra da Estrela, e no concelho de Coimbra. Por outro lado, é de assinalar os valores extremamente baixos verificados na Figueira da Foz e em Leiria.
Estada média
Um rácio também muito utilizado na caracterização da procura turística é a estada média. Este indicador relaciona o número de dormidas num determinado local com o número de turistas que aí permaneceram medindo, deste modo, o número de dias/noites que os turistas permanecem, em média, num determinado alojamento, região ou país.
Na hotelaria, a estada média é determinada através do quociente entre as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e os hóspedes correspondentes. Fazendo o cálculo para os turistas residentes nos diferentes países e por NUTS III, obtemos os resultados relatados no Quadro nº 15.
Quadro nº14
Taxa de ocupação cama, segundo as NUTS III, em 1995
País 38.0 42.9 20.5 Região Centro 22.1 27.6 15.0 Baixo Vouga 23.4 30.2 13.5 Anadia 23.2 31.9 7.5 Aveiro 24.7 26.2 19.3 Mealhada 24.4 37.3 12.6 Baixo Mondego 22.1 25.3 16.4 Coimbra 30.8 33.4 25.9 Figueira da Foz 15.5 18.1 8.7 Pinhal Litoral 20.7 27.7 16.2 Leiria 18.8 25.9 14.2
Pinhal Interior Norte 20.2 26.3 9.3
Dão Lafões 21.1 23.1 17.1
Viseu 27.2 28.9 23.7
Pinhal Interior Sul 27.8 27.4 28.0
Serra da Estrela 29.4 42.4 11.6
Beira Interior Norte 21.1 34.3 11.3
Beira Interior Sul 21.4 28.2 13.1
Cova da Beira 23.7 35.8 14.5
% % %
Quadro nº15
Estada média nos estabelecimentos hoteleiros por países de residência segundo as NUTS III, em 1995
Conforme se constata, considerando a totalidade dos turistas, a permanência média na hotelaria não chega a atingir, na Região Centro, os dois dias, cifrando-se mais precisamente em 1.8 dias, enquanto que para o país a média registada é de 3.5 dias. Esta disparidade foi já apontada na parte inicial deste trabalho.
Se tivermos em conta apenas os hóspedes residentes em Portugal observamos uma estada média de 2.2 dias para o país. Por outro lado, os turistas estrangeiros permaneceram no nosso país, em média, 4.5 dias: são os ingleses, alemães e holandeses que apresentam estadias mais prolongadas.
Na Região Centro, a estada média de residentes e não residentes é semelhante, sendo de destacar, por países, os residentes no Reino Unido que atingem uma permanência de quase 3 dias.
Por NUTS III, as estadas médias são mais prolongadas no litoral, no Dão-Lafões e na Beira Interior Sul. Analisando os sete concelhos, detecta-se que as menores estadas médias se verificam nas capitais de distrito mais distantes do mar, ou seja, Coimbra e Viseu.
Total Portugal Estrangeiro Espanha R. Unido Alemanha França Holanda Itália EUA
País 3.5 2.2 4.5 2.4 6.8 5.7 2.6 6.1 2.3 2.3 Região Centro 1.8 1.8 1.8 1.8 2.7 1.8 1.8 1.6 1.5 1.5 Baixo Vouga 2.0 2.0 2.0 1.8 2.9 2.3 2.2 1.8 1.8 1.7 Anadia 3.1 3.1 3.5 2.4 2.0 3.8 6.8 2.1 2.3 7.9 Aveiro 1.8 1.7 2.0 1.8 3.2 2.0 1.8 1.5 2.3 1.7 Mealhada 1.7 1.8 1.4 1.5 1.3 1.5 1.4 1.6 1.3 1.5 Baixo Mondego 1.8 1.8 1.9 2.1 3.3 1.6 2.0 1.6 1.3 1.5 Coimbra 1.5 1.7 1.4 1.3 1.7 1.3 1.4 1.4 1.3 1.3 Figueira da Foz 2.6 2.1 3.6 3.4 6.2 3.9 3.5 3.9 2.3 2.7 Pinhal Litoral 2.0 2.2 1.7 1.5 2.1 1.9 1.7 1.8 1.7 1.8 Leiria 2.0 2.2 1.6 1.5 2.0 2.0 1.5 1.3 1.9 1.8
Pinhal Interior Norte 1.3 1.3 1.2 1.0 1.4 1.3 1.2 1.3 1.2 1.1
Dão Lafões 1.9 2.0 1.5 1.3 2.9 2.1 1.2 1.1 1.4 1.1
Viseu 1.4 1.4 1.1 1.1 1.4 1.1 1.1 1.1 1.1 1.1
Pinhal Interior Sul 1.5 1.4 2.0 1.1 6.0 3.1 1.4 2.5 1.2 1.0
Serra da Estrela 1.7 1.8 1.5 1.5 7.7 1.7 1.1 1.1 1.9 1.3
Beira Interior Norte 1.2 1.2 1.1 1.1 1.2 1.2 1.1 1.2 1.2 1.2
Beira Interior Sul 2.0 2.1 1.5 1.5 2.2 1.3 1.4 1.1 1.2 1.2
Cova da Beira 1.5 1.5 1.9 2.0 1.7 1.8 2.1 2.4 3.0 1.3 Nº de dias
Sazonalidade
A sazonalidade é um fenómeno característico dos movimentos turísticos podendo manifestar-se em muitos aspectos, de entre os quais seleccionámos as dormidas e as receitas na hotelaria, representadas no Gráfico nº3, para o país e para a Região Centro.
Gráfico nº3
Dormidas e receitas na hotelaria segundo o mês em 1995 (%)
16.00 14.00 12.00 10.00 8.00 6.00 4.00 2.00 0.00
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Dormidas Receitas 16.00 14.00 12.00 10.00 8.00 6.00 4.00 2.00 0.00
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
País
Em ambos os gráficos se confirma a maior incidência da procura hoteleira, traduzida através do número de dormidas na hotelaria, nos três meses de Verão: Julho, Agosto e Setembro. Na Região Centro, estes meses de época alta absorvem cerca de 38% das dormidas totais, com particular destaque para o mês de Agosto, com uma participação no total da região de quase 16%.
De salientar também o salto verificado no mês de Abril em relação ao mês anterior. Trata-se da época da Páscoa, que normalmente atrai muitos turistas.
Relativamente ao comportamento das receitas hoteleiras, os gráficos traduzem o natural acompanhamento da evolução das dormidas.
IV - CONCLUSÃO
A elaboração deste estudo teve como objectivo retratar a realidade turística desenvolvida no nosso país especificando o caso particular da Região Centro. Pelo que foi observado, conclui-se que apesar da sua importância a nível nacional, o turismo na Região Centro afigura-se como um sector relativamente pouco dinâmico. Detectaram-se também algumas disparidades intra-regionais, tendo-se salientado o domínio exercido pelo litoral da região no tocante à dinâmica turística.
A Região Centro é uma região muito diversificada, em termos físicos mas também socio-económicos, que coloca à disposição do turista que a visita uma grande variedade de opções em termos de oferta, que vão desde a praia, às montanhas, passando pelas estâncias termais e o turismo no espaço rural, não esquecendo os circuitos urbanos.
Por outro lado, esta região dispõe ainda de grandes potencialidades que podem ser aproveitadas do ponto de vista turístico. Em muitos concelhos, sobretudo do interior, o turismo é encarado como um meio de potenciar o desenvolvimento das regiões. Por conseguinte, tem-se assistido à realização de esforços por parte destes concelhos no sentido de criar e melhorar as infraestruturas turísticas de modo a dinamizar o sector turístico. Não se trata apenas de melhores condições a nível de alojamento, mas de toda uma envolvente sócio-cultural que pode ser reforçada através de melhores equipamentos de cultura e lazer imprescindíveis à promoção turística das regiões. Os números parecem relatar, ainda e contudo, a insuficiência desses esforços.