CONSTRUÇÃO E
SUSTENTABILIDADE
Hipólito de Sousa*
COLÉGIO NACIONAL DE ENGENHARIA CIVILREABILITAR / HABITAR
CONGRESSO CONCRETA 2009
1. CONTEXTO GERAL
1.1 – A mudança de paradigma
4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO
5. CONCLUSÕES
• Durante milhares de anos a construção alicerçava-se em
valores tradicionais que perduraram até ao início do século XX :
•Soluções regionais, grande respeito pela geografia e
clima locais
• Emprego de poucos materiais e de proximidade • Concepção orientada para a função e durabilidade • Soluções e tecnologias muito associadas ao saber
fazer duma actividade predominantemente artesanal
2. NOVA ATITUDE
Construção e Sustentabilidade –
Concreta 2009
3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
1.1 – A mudança de paradigma
Construção e Sustentabilidade –
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1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
1.1 – A mudança de paradigma
Construção e Sustentabilidade –
Concreta 2009
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
• O aumento brutal das necessidades de construção das
sociedades em forte desenvolvimento e industrialização produziram uma rotura geral com o quadro anterior:
• Concentração cada vez maior da população em
cidades
• Crescimento das exigências dos utentes no plano
funcional e espacial, com destaque para conforto e infra-estruturas técnicas
• Globalização de processos, soluções e linguagens
arquitectónicas
• Maior importância da estética
1.1 – A mudança de paradigma
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1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Os edifícios ou as obras de engenharia actuais, decisivos para a qualidade de vida que usufruímos, hoje são muito
mais complexos, dão resposta a um conjunto muito maior de exigências, requerem a intervenção dum número elevado de diferentes especialistas, são mais desafiantes e duma forma geral com um maior enfoque na imagem
1.2 – A construção na actualidade
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“. . . The greatest advances in improving human health were the development of clean drinking water and sewage systems. So, we owe our health as much to civil engineering as we do No que respeita às obras de Engenharia Civil
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
1.2 – A construção na actualidade
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1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
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1.2 – A construção na actualidade
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃOConstrução e Sustentabilidade –
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1.2 – A construção na actualidade
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃOinfelizmente as obras apresentam com frequência mais problemas do que seria expectável no nosso estado de desenvolvimento:
• As debilidades de compatibilização entre disciplinas
que concorrem para a materialização das obras tornam-se frequentes, acentuam-se as avarias e o envelhecimento precoce das construções, os custos de exploração e conservação são muito significativos
• Corremos o risco de muitos dos produtos actuais da
construção serem piores do que os que nos legaram
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1.2 – A construção na actualidade
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• A actividade construção consome aproximadamente 50%
dos materiais extraídos da Terra;
•consumo de agregados em Portugal - 8 ton /(ano.hab) •consumo de betão em Portugal – 2,5 ton /(ano.hab) •O Homem ocupa cada vez mais espaço construído:
•mesmo em países como a Alemanha, sem aumento de
população, são urbanizados por dia 129ha;
•o espaço habitável na Alemanha passou de
19m2/pessoa em 1960 para 42 m2/pessoa em 2005
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1.3– Os impactes
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• Nos países industrializados cerca de 40% da energia total é
consumida em edifícios, sendo que na EU, em média, cerca de 50% da energia é importada, em Portugal muito mais.
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1.3– Os impactes
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• A actividade construção é uma das principais actividades
produtoras de resíduos - 750 kg /(ano.hab) em Portugal
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1.3– Os impactes
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• Cerca de 80% da população europeia vive em cidades e
passa a maior parte do tempo no interior dos edifícios
•Os edifícios são um dos principais activos económicos •Uma parcela significativa dos edifícios é antiga e requer
manutenção.
O sector da construção organizou-se para dar resposta a necessidades consideradas incontestáveis, em
consonância com a atitude social que predominou e foi incentivada nas últimas décadas, da procura de
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1.3 – Os impactes
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• Mudança de atitude e procura de equilíbrio
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2.1 – Mudança e procura de equilíbrio
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Desafios:
•aumento da eficiência energética dos edifícios e sistemas
técnicos, recorrendo mais a energias renováveis, reduzindo o consumo de energia, a emissão de gases com efeito de estufa e os efeitos nas alterações climáticas
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2.1 – Mudança e procura de equilíbrio
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Desafios
•seleccionar os materiais e sistemas a empregar levando em
conta a sua performance ambiental
•promover soluções que aumentem a vida útil das
construções, a sua adaptabilidade a novos usos e funções, tirando partido das pré-existências, gerindo e mantendo adequadamente as construções existentes
•privilegiar uma ocupação racional do território criando
ambientes urbanos sustentáveis .
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2.1 – Mudança e procura de equilíbrio
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
•. Necessidades dos Utentes Demolir, construir de novo ou reabilitar? Processo construtivo (promover, conceber, realizar, controlar) Utilização e manutenção Env ol v im e nto té c ni c o Exigências tempo Enquadramento e controlo técnico e legislativo Exigências tempo
A utilização no ciclo de vida das construções
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Construção
Utilização, Manutenção, Reabilitação
Promoção, Concepção e Gestão da Construção
2 a 5 %
30 a 40%
55 a 70%
Importância dos custos ao longo da vida
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Construção e Sustentabilidade –
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Manutenção ditada pelos acontecimentos Degradação progressiva do bem Manutenção correctiva limitada à reparação Ausência de Manutenção preventiva Multiplicação da frequência de avarias
A manutenção é indispensável a qualquer estratégia de
reabilitação
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
•.
Ausência de estratégia – manutenção correctiva
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
•.
Intervenções
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Construção e Sustentabilidade –
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3.1– Importância da manutenção e reabilitação
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
• No enquadramento regulamentar e normativo do sector da
construção as preocupações com a sustentabilidade são ainda escassas:
• exigências ligadas ao Sistema de Certificação Energética
dos Edifícios (SCE)
• obrigatoriedade de gestão de RCD´s
• recomendações mais genéricas associadas, por
exemplo, à durabilidade dos elementos primários das construções.
• Noutros domínios, como por exemplo nos aspectos
associados à reutilização da água, além de não haver ainda incorporação desta preocupação no quadro regulamentar, há
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4.1. – Novo enquadramento precisa-se
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
•Por outro lado a generalidade do nosso quadro legal está
ainda fundamentalmente dirigido para obra nova, criando em muitas situações grandes dificuldades técnicas em
operações de reabilitação, quer ao nível da arquitectura sempre que se pretendem adoptar organizações espaciais menos convencionais, quer ao nível das engenharias
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4.1. – Novo enquadramento precisa-se
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO
Já existam vários métodos que procuram efectuar a avaliação da sustentabilidade ambiental dos empreendimentos:
• Em geral analisam uma série de indicadores e
estabelecem uma classificação qualitativa que tem por base a ponderação de vários pontos de vista
• Duma forma geral carecem ainda de mais
desenvolvimento que permita avaliações objectivas e quantificadas
• A informação sobre os produtos, por exemplo
declarações ambientais, precisa de ser direccionada
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4.2. – Qualificação ambiental
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃOGreen Building Assessment Tool - GBTool 1.3
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1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO Líder A
4.2. – Qualificação ambiental
Requisitos dos utentes
Exigências técnicas de desempenho
Impactes Ambientais, Económicos e Sociais Requisitos técnicos Requisitos funcionais
Análise ciclo de vida (ACV), antes, durante e após utilização
LOCALIZAÇÃO E CLIMA FUNÇÕES ÁREA OCUPAÇÃO VIDA ÚTIL OUTROS CONSUMO DE RECURSOS CONSUMO DE ENERGIA CONSUMO DE ÁGUA POTÁVEL PRODUÇÃO DE RESÍDUOS AMBIENTAIS CONFORTO E QUALIDADE (HIGROTÉRMICA, QUALIDADE DO AR,VENTILAÇÃO, ILUMINAÇÃO) SOCIAIS
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5.1 – Desafios e conclusões
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• O enquadramento normativo chapéu (ISO 14000,
declarações ambientais, etc.) precisa de ser complementado com regras e informação mais aplicável à construção que integre de forma adequada e objectiva os vários aspectos
•Tem que haver um claro direccionamento para a
manutenção e reabilitação do edificado existente, o que carece de enquadramento que privilegie este caminho em vez de o desincentivar
•O meio técnico e a formação profissional precisam
urgentemente de incorporar estas preocupações
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5.1 – Desafios e conclusões
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO• O papel do individuo enquanto utente das construções é
fundamental para a sustentabilidade no domínio da construção
•O equilíbrio entre as necessidades individuais, sociais e de
preservação do habitat e diversidade é muito difícil, pois vai provavelmente implicar alteração de hábitos individuais
para:
• preservar recursos • reduzir a poluição
• reduzir as incomodidades • preservar a saúde
• assegurar conforto visual e térmico, tirando mais
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4.1 – Desafios e conclusões
1. CONTEXTO GERAL 4. ENQUADRAMENTO TÉCNICO 5. CONCLUSÕES 2. NOVA ATITUDE 3. MANUTENÇÃO E REABILITAÇÃO“Quando um número suficiente de pessoas mudar o seu modo de ver as coisas, as soluções tornar-se-ão evidentes de formas que nem conseguíamos imaginar antes de as olharmos com novos olhos. Destruímos muita coisa no mundo devido à nossa cultura, podemos salvar muita coisa mudando a nossa cultura…nas bases culturais dos nossos antepassados podemos encontrar as chaves antigas da
preservação da raça humana e do planeta, sem voltar a viver em cavernas ou cabanas”
•Thom Hartmann in “As últimas horas da antiga luz do sol”