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RESUMO. Vila É Notícia 1

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Academic year: 2021

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Vila É Notícia1

Diana Valentina Gonçalves de ARAÚJO2 Felipe de Sena FREITAS3

José Gabriel Maia da PENHA4 Lara Costa OLIVEIRA5

Luana Silva SEVERO6 Lyvia da Silva ROCHA7

Raoni Souza de Farias Couto do CARMO8 Soriel Braga LEIROS Júnior9

Ismar Capistrano FILHO10

Faculdade 7 de Setembro (Fa7), Fortaleza, CE

RESUMO

O presente trabalho é resultado de um semestre inteiro de reflexões teórico-práticas acerca da comunicação comunitária brasileira. Trata-se do documentário “Vila É Notícia”, elaborado para a verificação final da disciplina de Comunicação Comunitária, do curso de Jornalismo da Faculdade 7 de Setembro (Fa7), cujo conteúdo aborda a iniciativa de um grupo de jovens que se dedicam à prestação de serviço à sua comunidade por meio de um veículo informativo, o jornal “Vila Notícia”, distribuído gratuitamente no bairro Vila Velha, periferia de Fortaleza (CE).

PALAVRAS-CHAVE: comunicação comunitária; imprensa popular; jornalismo; documentário.

1 INTRODUÇÃO

A comunicação é um direito assegurado a todo cidadão brasileiro. Apesar de a concessão ser pública, o espaço dedicado à veiculação de informação no Brasil é há muito tempo comandando por grandes conglomerados midiáticos (LIMA, 2001). Pontos mais afastados dos grandes centros urbanos ou dos bairros de elite nem sempre têm espaço nesses meios, e quanto têm, na maioria das vezes, é mostrado como um local perigoso, sem infraestrutura, uma área marginalizada.

1

Trabalho submetido ao XXI Prêmio Expocom 2014, na Categoria Jornalismo, modalidade Documentário em vídeo.

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Estudante recém-formada do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

3

Estudante do 7º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

4

Estudante do 8º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

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Estudante do 7º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

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Estudante do 8º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

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Estudante do 7º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

8

Estudante do 7º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

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Aluno líder do grupo e estudante do 8º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: [email protected].

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Surge, então, a necessidade de se ter uma nova forma de comunicação para aqueles que muitas vezes não têm voz ativa, ou que, simplesmente, são reprimidos pelos grandes meios de comunicação: a comunicação comunitária.

É esse o ideal usado pelo jornal comunitário “Vila Notícia”, que nasceu dentro da periferia de Fortaleza (CE), para dar voz a quem não tinha e, mais que isso, para mostrar o lado bom da comunidade, tentando desmistificar a visão deturpada muitas vezes mostrada pelos meios de comunicação de massa. É por meio da comunicação comunitária que o periódico leva ao bairro Vila Velha o ideal de coletividade, na busca pela sustentação de uma cultura local e pelo fortalecimento do ideal de cidadania.

O bairro Vila Velha, situado na Regional I, do município de Fortaleza, nasceu em cima de um terreno onde funcionava uma antiga salina. Ali, em 1992, iniciou-se a construção da primeira etapa do conjunto habitacional, sendo as demais etapas construídas em 1993, 1996 e 2000 (BARBOSA, 2009). Segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, o bairro tem mais de 65 mil habitantes.

Localizado em área periférica de uma grande metrópole, o Vila Velha sofre com problemas de infraestrutura, saúde, saneamento básico, educação e violência. Ali, surgiu um jornal comunitário, em 2007, que tinha como papel principal servir de meio de comunicação para a comunidade. Os assuntos abordados no periódico estão ligados ao dia a dia do bairro, aos seus costumes, à sua rotina e aos seus problemas.

O jornal “Vila Notícia” é um exemplo de comunicação comunitária de sucesso. Um veículo pequeno, de baixo custo, mas que consegue levar a casa de moradores daquele bairro informação, e mais que isso, ideal de coletividade, de cidadania de luta por direitos básicos.

1.1 Comunicação Comunitária

O jornal “Vila Notícia” funciona como um canal de reivindicação e de busca por melhorias para os diferentes aspectos sociais que permeiam o bairro Vila Velha. Além disso, promove o que há de bom entre os moradores, estabelecendo uma relação de identificação com a própria comunidade. Desse modo, é possível constatar o vínculo entre o veículo e o seu própria espaço de atuação, pois, conforme afirmam Lahni, Silva, Pereira, e Pelegrini (2009, 21), “quando tratamos de comunicação comunitária nos referimos aos

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veículos de comunicação que são produzidos por uma comunidade e têm conteúdo voltado para ela”.

A cidadania é entendida como uma das consequências do trabalho realizado pela comunicação comunitária. “A crescente participação ativa da população e das organizações sociais sem fins lucrativos na comunicação comunitária é a base indispensável para a real democracia comunicacional e da cultura com vistas à ampliação da cidadania” (PERUZZO, 2007, p. 153).

Ao fazerem referência ao trabalho do edocomunicador Mario Kaplún, as autoras Lahni, Silva, Pereira, e Pelegrini (2009, p. 22), avaliam que a comunicação é definida como “um mecanismo de formação, de organização social e de difusão de conhecimento. Características nem sempre atuantes nos meios de comunicação de massa, mas que se enquadram na prática de comunicação comunitária”.

Ainda, de acordo com Lahni, Silva, Pereira, e Pelegrini (2009, p. 22), a comunicação comunitária se configura como

aquela gerada no contexto de mobilização e organização social dos segmentos excluídos, com a finalidade de superar as desigualdades e instaurar mais justiça social, processo esse que se dá pela participação na comunicação de forma democrática e popular.

Assim, se caracteriza o jornal “Vila Notícia”, funcionando em parceria com a população do bairro e com entidades sociais, como associações e a liga esportiva do Vila Velha, aspectos apresentados no documentário.

1.2 Imprensa popular

O informativo do Vila Velha constitui-se como um exemplo claro de veículo alternativo e popular. Essas definições são geradas, sobretudo, a partir da forte repressão exercida nos veículos durante o regime militar no país, conforme descreve Pedroso (2001, p. 25)

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continuando com a preocupação de contextualizar a imprensa brasileira no início dos anos 80, o golpe de Estado de 1964 representou um novo marco na história da imprensa, não só porque, novamente, mudanças foram provocadas na forma de apresentação da informação jornalística, em função da censura, mas porque provocou o aparecimento da imprensa alternativa ou de resistência ao cerceamento da liberdade de expressão, oportunizando o ressurgimento do jornalismo opinativo, interpretativo, investigativo, de análise, situando-o dentro da problemática estrutural da sociedade.

Para o uso do termo alternativo, fica clara a ideia de se fugir à censura daquela época, uma forma de se continuar informando, mesmo com todos os reveses sofridos pelos profissionais. Já o termo popular surge a partir do trabalho implementado pela imprensa alternativa, uma vez que

a nova forma de produção, distribuição, apresentação, linguagem, estilo, expressão, diagramação da imprensa alternativa possibilitou o ressurgimento de pequenos jornais destinados a apoiar os interesses dos trabalhadores, sindicatos, bairros, comunidades que, atualmente, constituem o que chamo de jornalismo popular (PEDROSO, 2001, p.25)

Assim como o “Vila Notícia”, esse jornais possuem características que os definem, principalmente pela linha de abordagem dos conteúdos e por quem assume a condição de produtor e receptor do que é veiculado, ou seja,

são jornais caracterizados pela possibilidade, deslocamento ou inversão do leitor-receptor-passivo em emissor-enunciador-atuante no processo de realização do jornal; pela emergência das identidades silenciadas na grande imprensa; pela sua transformação em instrumento dos movimentos populares, sem fonte de sustenção no sistema capitalista de produção de bens simbólicos (PEDROSO, 2001, p.25)

Portanto, é notório como o jornal que circula na comunidade do Vila Velha apresenta as características acima mencionadas. Apresenta ao bairro os conteúdos que os moradores se veem neles representados e que, na maioria das vezes, deixam de ser meros leitores e assumem a condição de protagonistas do processo de elaboração das matérias. A iniciativa do grupo de jovens idealizadores do “Vila Notícia” também é prova desse caráter popular, em que agentes da própria comunidade enxergaram no jornal a sua potencialidade enquanto meio informativo e de prestação de serviço.

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1.3 Documentário

O conceito de documentário, em si, ainda é um componente de vaga definição, confundindo-se com cinema, quando verdade e ficção são postos lado a lado. Para Ramos (2008), a partir dos anos 1990 foi-se aceitando gradativamente um consenso de que documentário integra um campo de conhecimento e produção de conteúdo que está além de uma narrativa clássica. Ele está posto dentro de narrativas diversas, se encaixa dentro de um estilo aberto de produção, é o chamado cinema verdadeiro.

Podemos afirmar que o documentário é uma narrativa basicamente composta por imagens-câmera, acompanhadas muitas vezes de imagens de animação, carregados de ruídos, música e fala (mas, no início de sua história, mudas), para as quais olhamos (nós, espectadores) em busca de asserções sobre o mundo que nos é exterior, seja esse mundo coisa ou pessoa (RAMOS, 2008, p.22).

São esses os preceitos levados em conta na montagem desse trabalho. Além de documentário jornalístico, trazem dentro do seu estilo de produção características que norteiam a comunicação comunitária, como a simplicidade na captação de imagens, áudio, sonorização e edição.

2 OBJETIVO

O presente trabalho tem por objetivo mostrar o histórico do jornal comunitário “Vila Notícia”, produzido por moradores do bairro Vila Velha, periferia de Fortaleza. O documentário aponta para a comunicação comunitária como aliada na construção do conceito de cidadania, na luta por direitos básicos, combate à violência, desenvolvimento cultural, político e social de uma comunidade.

Mais que isso, o “Vila Notícia”, assim como muitos veículos de comunicação alternativos espalhados por todas as regiões do Brasil, têm como meio comum democratizar a comunicação, tornando-a acessível a todos os leitores.

3 JUSTIFICATIVA

O documentário oportuniza mostrar um exemplo de projeto de comunicação comunitária de sucesso, que se diferencia dos meios de comunicação de massa, e que

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proporciona de forma simples um espaço de atuação e visibilidade a uma minoria de pessoas.

Diferente do que é retratado na grande mídia, o vídeo mostra o bairro Vila Velha como exemplo de comunidade que se preocupa com a coletividade, com a cidadania, com a educação e com a cultura locais. Sendo isso proporcionado por meio da atuação do jornal comunitário “Vila Notícia”, que além de informar, realiza atividades e mantêm projetos voltados para o desenvolvimento social do bairro.

4 MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS

Visando mostrar um jornal “Vila Notícia” como exemplo de veículo comunitário de sucesso, primeiro realizamos nossa pesquisa entre o período de maio e junho de 2013. De início, selecionamos informações sobre comunicação comunitária e documentário, partindo do geral para o específico. Posteriormente, iniciamos as pesquisas acerca da história do bairro e do próprio jornal.

Em seguida, iniciamos a construção do roteiro e possíveis perguntas a serem feitas nas entrevistas. Depois, foi realizada a gravação do documentário, as gravações dos offs e a edição final do produto.

5 DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO

O vídeo foi filmado em câmera digital e conta com 14 minutos e 45 segundos, apresentando histórico do bairro e suas características. Posteriormente, chega-se à apresentação do jornal, passando a entrevistas com criadores e envolvidos na produção do periódico, além de moradores do bairro.

Em relação ao roteiro, a ideia foi de priorizar a simplicidade na tomada de imagens, na sonorização, na iluminação e na edição para que houvesse, dessa forma, uma identificação imediata do produto com o assunto geral do documentário: comunicação comunitária, marcado pela simplicidade, porém de grande relevância para a solidificação de um viés democrático para a comunicação.

O documentário foi apresentado como verificação final da disciplina de Comunicação Comunitária, no semestre 2013.1, e publicado, posteriormente, no Quinto Andar, o Portal de Produções dos Alunos de Comunicação da Fa7. Nos links, a seguir, matéria sobre o documentário e o acesso direto ao vídeo, respectivamente:

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1. http://quintoandar.fa7.edu.br/blog/fa7-informa/jornal-comunitario-vila-noticia-e-tema-de-documentario-produzido-por-alunos-da-fa7/ 2. http://quintoandar.fa7.edu.br/blog/video/documentario/documentario-vila-e-noticia-mostra-iniciativa-de-jornal-comunitario-no-bairro-vila-velha/ 3. https://www.youtube.com/all_comments?v=9RalARur7Xs 6 CONSIDERAÇÕES

Desde a escolha do formato até a realização das filmagens, entramos em contato com uma ação que exemplifica bem o universo da comunicação comunitária. O jornal “Vila Notícia”, elaborado por iniciativa dos próprios moradores do bairro, fez com que eles mesmos enxergassem no veículo a possibilidade de proporcionar bem-estar àquele grupo.

Pelo documentário, foi possível perceber de perto como a comunidade é sujeito indispensável para a circulação dos conteúdos produzidos pela equipe do jornal. Um jornal que, com características de imprensa alternativa e popular, foge aos padrões convencionais dos grandes veículos ao tocar no cerne das questões da sua comunidade, com prestação de serviço e reivindicação de melhorias para todos.

O surgimento desse tipo de veículo traz à tona uma reflexão importante acerca da democratização da comunicação, em que a figura do receptor e do emissor se misturam a favor da boa informação.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Emília Maciel. Questão da habitação: territórios, poder e sujeitos sociais no Conjunto Vila Velha, Fortaleza. 2009. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Geografia) – Curso de Geografia, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2009.

LAHNI, Cláudia Regina; SILVA, Fernanda Coelho da; PEREIRA, Maria Fernanda França; PELEGRINI, Mariana Zibordi. Aportes teóricos para um estudo sobre a participação na comunicação. In: COUTINHO, Iluska; LEAL, Paulo Roberto Figueira (Org.). Identidades midiáticas. Rio de Janeiro: E-papers, 2009. p. 11-24.

DE LIMA, Venicio Artur. Mídia: teoria e política. Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.

PEDROSO, Rosa Nívea. A construção do discurso de sedução em um jornal sensacionalista. São Paulo: Annablume, 2001.

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PERUZZO, Cicilia Maria Krohling. Televisão comunitária: dimensão pública e participação cidadã na mídia local. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.

RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal... o que é mesmo documentário. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008.

SEVERO, L. Documentário “Vila é Notícia” mostra iniciativa de jornal comunitário no bairro Vila Velha. Quinto Andar, Fortaleza, 19 ago. 2013. Disponível em: < http://quintoandar.fa7.edu.br/blog/video/documentario/documentario-vila-e-noticia-mostra-iniciativa-de-jornal-comunitario-no-bairro-vila-velha/>. Acesso em: 03. Abr. 2014.

SEVERO, L. Jornal comunitário “Vila Notícia” é tema de documentário produzido por alunos da FA7. Quinto Andar, Fortaleza, 29 jun. 2013. Disponível em: < http://quintoandar.fa7.edu.br/blog/fa7-informa/jornal-comunitario-vila-noticia-e-tema-de-documentario-produzido-por-alunos-da-fa7/>. Acesso em: 03 abr. 2014.

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