Efeitos celulares da radiação
Maria Filomena Botelho
Radiossensibilidade
Radiossensibilidade das células
Quando aparecem lesões por radiação a nível do corpo inteiro, significa que houve lesões de sistemas orgânicos, consequência de lesão por radiação de células de um sistema específico
Radiossensibilidade - células
Muito alta
Muito alta
Células pluripotenciais hematopoiéticas (linfócitos e eritroblastos)
Espermatogónia
Células das criptas intestinais
Células pluripotenciais hematopoiéticas (linfócitos e eritroblastos)
Espermatogónia
Células das criptas intestinais Vida curta
Indiferenciadas
Dividem-se regularmente
Acordo com a Lei de Bergonie e Tribondeau
Radiossensibilidade - células
Alta
Alta
Persursores das células da séries hematopoiéticas
Persursores das células da séries hematopoiéticas Dividem-se um número limitado de vezes Algum grau de diferenciação
Radiossensibilidade - células
Média
Média
Células endoteliais Osteoblastos Espermátides Fibroblastos Células endoteliais Osteoblastos Espermátides Fibroblastos Dividem-se irregularmente Esperança de vida muito variávelBaixa
Baixa
Células epiteliais do fígado, rim, glândulas salivares, ...
Condroblastos
Células epiteliais do fígado, rim, glândulas salivares, ...
Condroblastos Vida longa
Não se dividem muitas vezes Grau variável de diferenciação
Radiossensibilidade - células
Muito baixa
Muito baixa
Neurónios Eritrócitos Células musculares ... Neurónios Eritrócitos Células musculares ... Não se dividem Muito diferenciadasRadiossensibilidade - células
A fase do ciclo celular
considerada como a mais radiorresistente é
A zona média da fase S A zona tardia da fase S
Depende da posição do ciclo celular em que a célula se
encontra
As fases do ciclo celular mais radiossensíveis são
Mitose
Radiossensibilidade - células
O núcleo é muito mais radiossensível que o citoplasma O DNA é a parte mais radiossensível da célula
A radiossensibilidade do RNA é intermédia (entre o DNA e a proteína) Lesões provocadas por radiação
sobre um cromossoma podem ser analisadas durante a metafase do ciclo celular
Radiossensibilidade - tecidos
Muito alta
Muito alta
Linfóide Hematopoiético Epitélio espermático Epitélio intestinalAlta
Radiossensibilidade - tecidos
Média
Média
Tecido conjuntivo intersticialVasos finos Cartilagem e osso em crescimentoBaixa
Baixa
Cartilagem e osso maduroEpitélios hepático, renal, pancreático, tiróide a supra-renaisMuito Baixa
Muito Baixa
MúsculoTecido nervosoEfeitos biológicos
Células
Aberrações cromossómicas Mutações
Morte celular
Inibição da divisão celular
Transformação maligna
Morte celular
Inibição da divisão celular
Transformação maligna
→
→
⏐
⏐
→
→
⏐
⏐
Efeitos biológicos
Tecidos
Hipoplasia
Transformação maligna
Alteração da função tissular
Morte
Indução de cancro
Alteração da função tissular
Morte
Indução de cancro
→
→
⏐
⏐
→
→
⏐
⏐
Efeitos biológicos
Corpo inteiro
Alteração dos sistemas • Hematopoiético • Gastrointestinal • Nervoso central Transformação maligna
Cancro
Cancro
→
→
⏐
⏐
→
→
⏐
⏐
Efeitos da radiação
ADN
ADN
<Alterações das ligações entre as bases• Substituição de bases • Adição de novas bases• Retirar de bases existentes <Substituição cruzada
<Single strand break <Double strand break
Inibição temporária ou permanente da síntese de ADN
Inibição temporária ou permanente da síntese de ADN
Síntese de ADN incorrecto
Síntese de ADN incorrecto
Inibição ou prevenção da mitose
Inibição ou prevenção da mitose
Síntese de proteínas incorrectas
Síntese de proteínas incorrectas
Efeitos da radiação
Enzimas
Enzimas
Alterações da estrutura terciária das moléculas
Inibição da actividade enzimática
Inibição da actividade enzimática Disrupção das ligações químicas
Alterações do metabolismo celular
Efeitos da radiação
Lipidos estruturais
(membranas celulares)
Lipidos estruturais
(membranas celulares)
Aumento da permeabilidade ao K+, Na+, ... Aumento da permeabilidade ao K+, Na+, ...Disrupção das ligações moleculares
Alterações da composição intracelular
Alterações da composição intracelular
Alterações do meio extracelular
Alterações do meio extracelular
Riscos das baixas doses de
radiação
Carcinogénese
Carcinogénese
10
-4/cGy
Risco de morte
devido a cancro
Riscos das baixas doses de
radiação
Mutagénese
Mutagénese
10
-4/cGy
Risco de mutações graves
dominantes, ligadas ou
não ao cromossoma X
Outras alterações genéticas
Riscos das baixas doses de
radiação
Efeitos
in
utero
Efeitos
in
utero
10
-3/cGy
Risco primário de
neoplasia post-natal
Exposição a radiação
Riscos de cancro associado
Associações fortes
Leucemia, tiróide, mama, pulmão
Associações fracas
Estômago, esófago, bexiga, linfoma,
glândulas salivares, etc
Risco de radiação
10
6pessoas/cGy
Leucemias
10 – 60 casos
Cancro da tiróide
(radiação externa)
20 – 150 casos
Cancro da mama
30 – 200 casos
Cancro do pulmão
20 – 100 casos
Cancro do osso
3 casos
Outros cancros
10 – 15 casos
Mortes devidas a
Factores físicos e biológicos
que influenciam a irradiação
Quando uma célula é irradiada pode ocorrer
não ocorrer nada
diminuição da velocidade da mitose
morte interfásica
morte celular
Não ocorrer nada
Interacção da radiação
possibilidade ― probabilidade
Não interagir
Interagir
Provocar lesão celular Não provocar
lesão celular
Dentro de uma célula, a interacção da radiação ocorre ao acaso Impossível distinguir entre acções da radiação e outras causas Existência de período de latência
Diminuição da velocidade da mitose
Baixas doses
de radiação mitose celularatrasam a
Conhecido como:
atraso na divisão celular
Não se sabe exactamente o que está por detrás deste abrandamento
Teoricamete, quando há uma alteração da membrana celular, as concentrações de
electrólitos ficam desiquilibradoas
Morte interfásica
Morte da célula antes de entrar em mitose Depende da maneira como a célula é irradiada
Células altamente mitóticas sofrem morte interfásica com
doses mais baixas do que as células que menos mitóticas
Factores que afectam a resposta
celular
Transferência linear de energia - LET
Eficiência biológica relativa - RBE
Relação do enriquecimento em oxigénio - OER
Transferência linear de energia - LET
Quanto maior o LET da radiação, maior é a possibilidade de haver interacção biológica
Energia transferida por unidade de comprimento de percurso Expressa como keV/µm
À medida que a intensidade da ionização aumenta, aumenta a
probabilidade de deposição da energia directamente na molécula biológica, ou seja, de ocorrer lesão celular
Transferência linear de energia - LET
1000,0 Núcleos pesados
100,0 Partículas alfa de 5 MeV
20,0 Neutrões de 2,5 MeV 4,0 Fotões de 10 MeV 3,0 Raios-X diagnósticos 0,3 Electrões de 1 MeV 0,25 Cobalto-60 LET (keV/µm) Tipo de radiação
Comparada com a radiação electromagnética, as
radiações particuladas
têm maior poder ionizante (carga e massa)
Mais probabilidade de interagir com os tecidos Perdem a sua energia rapidamente
Produzem numerosas ionizações numa curta distância
Valores de LET para vários
tipos de radiação
Gama do Cobalto-60
0,25 keV/
µ
Beta de 0,6 KeV
5,5 keV/
µ
Neutrões de fissão
45,0 keV/
µ
baixa
Eficiência biológica
Eficiência biológica
Eficiência biológica relativa - RBE
Descreve quantitativamente o efeito relativo da LET
É uma comparação da dose de radiação em estudo com uma dose
de raios-X de 250 keV que produz a mesma resposta biológica
Factores que influenciam a RBE:
Tipo de radiação
Célula e tipo de tecido
Condição fisiológica
Efeito biológico em estudo
Taxa de dose de radiação
Quando a
LET aumenta RBE aumenta
radiações de baixo LET têm baixa RBE radiações de alto LET têm grande RBE
Os raios-X diagnóstico têm RBE de ~ 1
efeito mesmo o produzir para estudo em radiação da rads em dose efeito um produzir para keV 250 de X -raios de rads em dose
RBE =
A RBE mede a eficiência biológica da radiação com diferentes LETs A constante é a resposta biológica, não da dose de radiação
EXEMPLO
Para causar a morte a ratos, são necessários 300 rads de raios-X de 250 keV. Se estes ratos forem irradiados com núcleos pesados, somente são necessários 100 rads.
RBE
vs.
LET
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 0,1 1 10 100 1000LET (keV/µm de tecido
RBE Ra ios-X d e dia gn óst ico Ra ios ga ma do C o-60 Neut rões rápido s Partí cul as al fa
LET aumenta
RBE aumenta
radiações de baixo LET têm baixa RBE radiações de alto LET têm grande RBE Os raios-X diagnóstico têm RBE de aproximadamente 1Eficiência biológica relativa - RBE
2,4 400 160 20 2,7 335 125 30 2,8 280 100 40 3,0 240 80 50 3,3 200 60 60 3,6 160 45 70 3,8 115 30 80 4,3 65 15 90 RBE Raios-X (cGy) Neutrões (cGy) % sobrevivência
Relação do enriquecimento em
oxigénio - OER
Descreve numericamente o efeito oxigénio
A resposta dos tecidos biológicos à radiação é maior quando são
irradiados em situação aeróbica do que em condições de anóxia ou de hipóxia -Efeito oxigénio
Teoricamente o oxigénio é necessário para a formação de radicais
livres durante a ionização da água, os quais induzem a formação de peróxido de hidrogénio→ Sem O2a lesão celular é pequena
O OER é a dose de radiação que produz uma dada resposta
biológica sob condições anóxicas dividida pela dose de radiação que produz a mesma resposta biológica sob condições aeróbicas
aeróbicas condições em efeito mesmo o produz que dose anóxicas condições sob efeito dado um produz que dose
OER =
aeróbicas condições em efeito mesmo o produz que dose anóxicas condições sob efeito dado um produz que doseOER =
EXEMPLO
Ratos com tumores foram irradiados em condições hipóxicas. A dose do controlo no tumor é de 5 000 rads.
Irradiando o tumor em condições aeróbicas necessita de uma dose controlo de 1 000 rads.
Qual é a OER para este sistema.
A OER é dependente da LET.
A OER é maior para radiação de baixo LET, e é menos eficaz com radiação alto LET. Para células de mamíferos, a OER é entre 2 e 3.
Sobrevivência celular
vs.
dose
0,001 0,01 0,1 1 10 0 2 4 6 8 10 Dose (Gy) Fracção das cé lulas so bre vive nte sLET aumenta
OER menos eficaz
Devido às diferenças físicas entre radiação e alto e de baixo LET → a quantidade de lesão provocada por
radiação de alto LET será objecto de reparação
O O2intensifica a resposta à radiação
(como se a radiação tivesse baixo LET)
Hipóxica Baixo LET OER = 3,0 (raios-X) O2 0,001 0,01 0,1 1 10 0 2 4 6 8 10 Dose (Gy) Fracção das cé lulas so bre vive nte s Hipóxica Alto LET OER = 1,7 (neutrões) O2
Relação do enriquecimento em oxigénio - OER
2,23 1450 650 3 2,37 1900 800 1 1,90 950 500 10 1,56 625 400 20 1,42 425 300 35 1,30 325 250 45 1,00 200 200 60 OER Dose sob hipóxia (cGy) Dose no ar (cGy) % sobrevivência
Factores que influenciam a Radiossensibilidade
Idade -
Somos mais radiossensíveis antes do nascimento Somos mais radiossensíveis na infância A radiossensibilidade vai diminuindo com a maturidade
Género
Fêmeas mais radiorresistentes
Fêmeas toleram aproximadamente mais 5% - 10% de radiação
que os machos -Dados experimentais
Os homens são mais radiossensíveis que as mulheres Humanos de idade avançada, tornam-se mais
radiossensíveis
Consistente com a lei de Bergonie e Tribondeau
In Infância adulto idoso alto baixo Sen sibilidade à radiaç ão