RELATÓRIO DE INSPEÇÃO PREDIAL
INTERESSADO ...
...rua...,nº... – SP 1.
1. OBJETIVO
O presente trabalho tem por objetivo realizar uma inspeção predial de identificação
das anomalias e falhas aparentes (Inspeção Predial Nível 1) d edifíco...,
localizado à Rua ..., bairro, cidade...sp
2. DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO
A
edificação
do
referido
imóvel
foi
executada
pela
construtora ...no período compreendido entre março de 201.. e
junho de 201..., sendo sua ocupação iniciada em setembro de 201... Nesta sede são
realizadas as atividades administrativas e as atividades ...,
tendo sua ocupação diária durante o horário comercial aproximada de
...pessoas.
A sede consta de uma construção em “Estrutura Convencional em Concreto Armado,
em pórticos” com as lajes apoiando-se em vigas e estas em pilares, sendo as cargas dos
pilares direcionadas pontualmente até os centros dos blocos de fundação que estão
apoiados em estacas Strauss. Nas regiões em que foi necessária a utilização de laje (por
exemplo, na região onde estão localizados os reservatórios), foi utilizada laje
pré-fabricada.
A cobertura da construção é metálica, sendo composta por estrutura de aço e telhas
em chapa de aço pintada com epóxi e poliéster, tipo sanduíche, com poliuretano. O
sistema de vedação vertical externo é composto por alvenaria de vedação em bloco
cerâmico de espessura de 14cm, enquanto o sistema de vedação interno é composto
por alvenaria de bloco cerâmico, bem como por divisórias.
3. VERIFICAÇÃO DAS ANOMALIAS
Para a realização da inspeção predial foram consultados previamente os seguintes
documentos: • Minuta do Contrato
• Memorial Descritivo
• Planilha Orçamentária
• Relação de Materiais
Além da análise dos documentos, foi realizada uma entrevista com o
Sr... e com o coordenador de manutenção,
Sr. ..., na qual foram destacados alguns problemas que estão
ocorrendo na edificação, bem como foram fornecidos registros fotográficos de
ocorrências de ocorrências que tiveram na época de chuvas. Posteriormente a análise
dos documentos e das informações obtidas na entrevista iniciou a inspeção predial. A
inspeção predial, realizada no dia 17/05/201...., identificou as seguintes anomalias, que
estão apresentadas em ordem de prioridade:
• Destacamento da argamassa e da pastilha cerâmica ao longo da extensão da junta de
dilatação da parede da fachada dos fundos, próximo ao ... (Foto 1). Página 3 de
18
Foto 1 – Destacamento de revestimento e da pastilha cerâmica da parede da fachada
dos fundos próximo a junta de dilatação (lado externo do ...)
• Fissura ao longo de toda a extensão da junta de dilatação da parede da fachada dos
fundos, próximo ao ... (Foto 2).
Foto 2 – Fissura ao longo de toda extensão da junta de dilatação da parede da fachada
dos fundos Página 4 de 18.
• Trinca e abertura da base e do muro dos fundos da edificação (Foto 3)
Foto 3 – Fissuras e trinca e abertura da base e do muro dos fundos da edificação
• Infiltração de água na parte superior da parede da fachada dos fundos (Foto 4 e Foto
5).
Foto 5 - Infiltração de água na parede interna da fachada dos fundos (
• Infiltração de água pelo forro da sala de reunião (Foto 6) Foto 6
– Infiltração de água pelo forro da sala de reuniões Página 6 de 18
• Fissura e Infiltração de água pela fachada lateral dos fundos
(Foto 7 e Foto 8).
– Fissura na fachada dos fundos Foto 8
– Infiltração de água na parede Página 7 de 18
• Infiltração de água na parte superior da parede da fachada frontal próximo ao
estacionamento e ao refeitório (Foto 9).
Foto 9 - Infiltração de água na parte superior da parede da fachada frontal próximo ao
estacionamento (lado externo do refeitório)
• Vazamento de água nas junções das tubulações de água pluvial (Foto 10).
Foto 10 – Junções das tubulações de águas pluviais com manchas provenientes de
vazamento Página 8 de 18
Foto 11 – Corrosão do lado interno da esquadria de alumínio da sala de reuniões •
Infiltração de água pelas esquadrias da sala de ...e pela sala de e
reunião (Foto 12 e oto 13).
Foto 12 – Visão geral do vazamento de água nas esquadrias da sala de Pesquisa e
Desenvolvimento Página 9 de 18
Foto 13 –
Vazamento de água em uma esquadria da sala de Pesquisa e Desenvolvimento •
Fissura do piso do hall interno próximo a sala do administrativo/financeiro (Foto 14).
Foto 14 – Fissura no piso do hall interno Página 10 de 18
• Fissura na interface pilar e alvenaria na parede do hall interno próximo a sala de...
(Foto 15).
Foto 15 – Fissura na interface do pilar/alvenaria do hall interno
• Fissura na porta da sala de reuniões próximo a recepção e na porta da sala de CPD
(Foto 16, Foto 17 e Foto 18).
Foto 16 – Fissura no fim da junta de dilatação na porta da sala de reuniões próximo a
recepção Página 11 de 18
Foto 17 – Fissura do lado interno da sala de reunião Foto 18 – Fissura na parte superior
da porta do CPD Página 12 de 18
• Altura de posicionamento das luminárias (3,50m) inferior a altura do portão (5,0m),
impedindo a movimentação de empilhadeiras no interior do galpão (Foto 19 e Foto
20).
Foto 19 – Visualização da altura do portão e o posicionamento das luminárias Foto 20 –
Visualização da altura do posicionamento das luminárias bem inferior a altura do
galpão Página 13 de 18
• Corrosão do portão e grade externa (Foto 21)
Foto 21 – Pontos de corrosão na grade e portão externo
Foto 22 – Falta de acabamento entre as guarnições e as paredes Página 14 de 18
• Folhas de portas com inchamento e descascamento de pintura (Foto 23)
Foto 23 – Inchamento e destacamento da pintura das folhas de porta
• Quebra do piso do estacionamento na junção entre a calçada e o estacionamento
(Foto 24).
Foto 24 – Quebra do piso do estacionamento na junção entre a calçada e o
estacionamento Página 15 de 18
• Ausência de junta de dessolidarização no encontro entre piso e parede (Foto 24 e
Foto 26).
Foto 25 – Ausência de junta de dessolidarização no encontro piso/parede Foto
26 – Ausência de junta de dessolidarização entre o piso e a parede. Página 16 de 18
4. CLASSIFICAÇÃO E GRAU DE RISCO DAS ANOMALIAS
As anomalias apresentadas anteriormente podem ser classificadas como endógenas,
uma vez que ora são provenientes de erro de projetos, materiais ou execução. Com
exceção da anomalia de destacamento do revestimento externo e da pastilha cerâmica,
as demais anomalias apresentam grau de risco regular, uma vez que podem provocar a
perda de funcionalidade sem prejuízo ã operação direta de sistemas, perda pontual de
desempenho (possibilidade de recuperação), deterioração precoce e pequena
desvalorização, recomendando programação e intervenção a curto prazo. A anomalia
de destacamento de revestimento e de pastilha cerâmica pode provocar danos contra
a saúde e segurança das pessoas, perda excessiva de desempenho causando
comprometimento sensível de vida útil e desvalorização acentuada da edificação,
recomendando intervenção imediata. Portanto, esta anomalia deve ser considerada
como de risco.
As razões técnicas da classificação das anomalias em endógenas são apresentadas na
tabela 1, descriminando a provável causa de ocorrência da anomalia identificada.
Tabela 1 – Anomalias x Provável Causa Anomalia Provável Causa Destacamento da
argamassa e da pastilha cerâmica ao longo da extensão da junta de dilatação da parede
da fachada dos fundos Dimensionamento e tratamento inadequado da junta de
movimentação. Trinca e abertura da base e do muro dos fundos da edificação Recalque
da fundação Fissura ao longo de toda a extensão da junta de dilatação da parede da
fachada dos fundos Dimensionamento e tratamento inadequado da junta de
movimentação.
Infiltração de água na parte superior da parede da fachada dos fundos
Dimensionamento e tratamento inadequado da junta de movimentação e falha de
impermeabilização de calha. Infiltração de água pelo forro da sala de reunião Problema
na junção das tubulações de água pluvial. Fissura e Infiltração de água pela fachada
lateral dos fundos próximo ao laboratório de massas Ausência do reforço do
revestimento de argamassa e/ou ausência de junta de movimentação. Infiltração de
água na parte superior da parede da fachada frontal próximo ao estacionamento e ao
refeitório Erro na impermeabilização ou caimento da laje ou dimensionamento da
tubulação de água pluvial. Vazamento de água nas junções das tubula- ções de água
pluvial Erro na colagem das junções. Página 17 de 18
Anomalia Provável Causa Corrosão da esquadria de alumínio da sala de reunião da
Certificação Problema de estanqueidade da esquadria, provocando acúmulo de água e
posterior corrosão. Infiltração de água pelas esquadrias da sala de Pesquisa e
Desenvolvimento e pela sala de e reunião Instalação de esquadrias sem atender o
critério de estanqueidade da NBR 10821. Fissura do piso do hall interno próximo a sala
do administrativo/financeiro Instalação de piso sobre fissura pré-existente na laje ou
sobre junta pré-existente no piso. Fissura na interface pilar e alvenaria na parede do
hall interno próximo a sala de ensaios de resistência a flexão Ausência de amarração da
alvenaria no pilar ou instalação da alvenaria coincidente com junta operacional.
Fissura na porta da sala de reuniões próximo a recepção e na porta da sala de CPD
Descontinuidade da junta de dilatação já existente. Altura de posicionamento das
luminárias (3,50m) inferior a altura do portão (5,0m), impedindo a movimentação de
empilhadeiras no interior do galpão Erro de Projeto/Instalação. Corrosão do portão e
grade externa Tratamento da base inadequada ou impactos durante a instalação
promovendo pontos de enfraquecimento da pintura.
Guarnições das portas com problemas de acabamento Instalação inadequada. Folhas
de portas com inchamento e descascamento de pintura Aquisição de portas que não
atendem aos critérios da NBR 15930
Quebra do piso do estacionamento na junção entre a calçada e o estacionamento
Ausência de junta de dessolidarização e/ou reforço entre dois planos diferentes
Ausência de junta de dessolidarização no encontro entre piso e parede Ausência de
tratamento de dessolidarização.
5. RECOMENDAÇÕES GERAIS
Diante da inspeção realizada e das prováveis causas das anomalias, faz-se as seguintes
recomendações: Página 18 de 18
• Tratamento da junta de dilatação da fachada dos fundos, com aplicação de selante
de poliuretano para fachada de edifícios (por exemplo Sika A 1 Plus).
• Reforço da fundação do muro posterior
• Recomposição das pastilhas cerâmicas e do revestimento de argamassa com
posterior pintura e pintutra da parede interna (laboratório de abrasão).
• Verificação de todas as junções das tubulações de água pluvial com realização de
teste de estanqueidade e detecção de outras causas da infiltração de água na sala de
reuniões.
• Tratamento da fissura na fachada dos fundos próximo a sala de massa, com posterior
pintura da área tratada e da parede interna do laboratório de massa.
• Verificação da impermeabilização da laje da cozinha e problemas na calha e/ou
tubulação de água pluvial.
• Substituição da esquadria da sala de reunião da certificação por uma esquadria que
atenda as especificações de estanqueidade à água, cargas uniformemente
distribuí-das e penetração de ar e tratamento superficial do alumínio, conforme NBR10821.
• Realização de ajustes ou possível substituição das esquadrias de forma que atenda
aos requisitos de estanqueidade à água, cargas uniformemente distribuídas e
penetração de ar e tratamento superficial do alumínio, conforme NBR10821.
• Tratamento da fissura da laje no piso do hall interno, com posterior assentamento de
novo porcelanato.
• Tratamento da fissura da interface pilar/alvenaria da parede do hall interno.
• A fissura da parede interna da porta da sala de reunião deve ser tratada, com a
continuidade da junta de dilatação ao longo de toda a extensão da parede (tanto do
lado interno quanto externo).
• Reposicionamento de toda a parte de luminárias superior do galpão de forma que
fique na altura acima da abertura do portão.
• Revisão dos acabamentos dos batentes com as paredes.
• Tratamento das portas e repintura e possível troca das portas por outras que
atendam aos requisitos da NBR 15930.
• Execução das juntas de dessolidarização nos pisos externos e do estacionamento,
bem como o tratamento com a aplicação de selante de poliuretano.
6. CONCLUSÕES
Data...
_______________________________________
Eng. Civil...
CREA...
Como se originam, quais os tipos, as causas e as técnicas
mais recomendadas de recuperação de fissuras.
FISSURAS ATIVAS OU INATIVAS
De acordo com Piancastelli para a especificação do
tratamento ideal é essencial verificar se a fissura analisada é
ativa (viva ou instável) – fissuras que apresentam variação de
abertura –, ou inativa (morta ou estável) – aquelas que não
apresentam variação de abertura.
A checagem pode ser feita com a utilização de ‘selos’ rígidos
(gesso ou plaquetas de vidro coladas), que se rompem caso a
fissura apresente variação de abertura, ou por meio da
medição direta (fissurômetro) dessa variação. Para dar
tratamento correto à fissura também é importante identificar
o agente causador.
Agente causador não atuante – a fissura pode ser considerada
estável
Agente causador atuante – a fissura pode ser considerada
instável
As fissuras são um tipo comum de patologia nas edificações e podem interferir na
estética, na durabilidade e nas características estruturais da obra. Tanto em alvenarias
quanto nas estruturas de concreto, a fissura é originada por conta da atuação de tensões
nos materiais. Quando a solicitação é maior do que a capacidade de resistência do
material, a fissura tem a tendência de aliviar suas tensões. Quanto maior for a restrição
imposta ao movimento dos materiais, e quanto mais frágil ele for, maiores serão a
magnitude e a intensidade da fissuração. A formação das fissuras, como explica o
engenheiro Renato Sahade, diretor técnico da ATS Engenharia e Consultoria, está
ligada a situações externas ou internas. Entre as ações externas aos componentes, estão
as fissuras causadas por movimentações térmicas, higroscópicas, sobrecargas,
deformações de elementos de concreto armado e recalques diferenciais. Entre as ações
internas, as causas das fissuras estão ligadas à retração dos produtos à base de cimento e
às alterações químicas dos materiais de construção.
Fissuração por corrosão das armaduras provocando a queda
do revestimento
A fissura pode ter origem em fases diferentes da edificação, como enumera o
engenheiro Paulo Grandiski, do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias
de Engenharia de São Paulo): "Em uma visão geral, simplificada, as origens das fissuras
de uma edificação podem surgir na fase de projetos - arquitetônico, estrutural, de
fundação, de instalações -, de execução da alvenaria, dos vários sistemas de acabamento
e, inclusive, na fase de utilização, por mau uso da unidade".
Tecnicamente, e de forma geral, o termo fissura é preferível ao termo trinca. Algumas
normas e alguns peritos podem classificar as fissuras com diferentes nomes, conforme a
sua espessura. Segundo a norma de impermeabilização (NBR 9575:2003), as
microfissuras têm abertura inferior a 0,05 mm. As aberturas com até 0,5 mm são
chamadas de fissuras e, por fim, as maiores de 0,5 mm e menores de 1,0 mm são
chamadas de trincas. "Essa nomenclatura pode ser aplicada às trincas passivas, que não
variam ao longo do tempo, em função da variação da temperatura tópica. Já para as
trincas ativas, que variam conforme a respectiva variação higrotérmica, essa
nomenclatura é inaplicável, pois a classificação mudaria conforme o instante da
medição", argumenta Grandiski. A variação higrotérmica é a ação simultânea de
dilatação e retração provocada pela absorção de água e pela variação de temperatura na
edificação.
O engenheiro do Ibape lembra, ainda, que existem as fissuras com origem exógenas às
obras. "Não bastassem as fissuras e trincas endógenas à obra, nela podem surgir fissuras
com origem na natureza - como sismos, ventos, enchentes etc. - e com origem em obras
vizinhas - como rebaixamento do lençol freático, trepidações causadas pelo cravamento
de estacas, escavações lindeiras etc."
Tipos
desenho, que pode ser geométrico ou mapeado. Essas duas classes são subdivididas,
cada uma, entre fissuras ativas e passivas. As ativas ainda admitem uma nova
subdivisão, em que podem ser sazonais ou progressivas. As geométricas (ou isoladas)
podem ocorrer tanto nos elementos da alvenaria - blocos e tijolos - quanto em suas
juntas de assentamento. As mapeadas (também chamadas de disseminadas) podem ser
formadas por retração das argamassas, por excesso de finos no traço ou por excesso de
desempenamento. No geral, elas têm forma de "mapa" e, com frequência, são aberturas
superficiais.
Causas e riscos
As fissuras ativas (ou vivas) são aquelas que têm variações sensíveis de abertura e
fechamento. "Se essas variações oscilam em torno de um valor médio - oscilantes - e
podem ser correlacionadas com a variação de temperatura e umidade - sazonais -, então
as fissuras, embora ativas, não indicam ocorrência de problemas estruturais", afirma
Renato Sahade. Mas se elas apresentarem abertura sempre crescente, podem representar
problemas estruturais, que devem ser corrigidos antes do tratamento das fissuras - que
neste caso são chamadas de progressivas. As causas desses problemas devem ser
determinadas por meio de observações e análise da estrutura. Por fim, as passivas
(também chamadas de mortas) são causadas por solicitações que não apresentam
variações sensíveis ao longo do tempo. E, por isso, podem ser consideradas
estabilizadas.
Fissuração mapeada causada por retração de secagem da
argamassa
Apesar de muitas vezes a configuração de uma fissura parecer semelhante à outra, suas
causas podem ser bastante diferentes. "Uma fissura de deformação de estrutura, por
exemplo, pode ser parecida com uma de recalque de fundação. Uma de dilatação
térmica pode ser igual a uma de retração de secagem. Por isso, é preciso ter um
treinamento e certa experiência para, com uma inspeção visual, chegar à causa", afirma
Ercio Thomaz, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Segundo ele,
na maior parte das vezes a fissura é inspecionada visualmente e, assim, o diagnóstico é
muito dependente da experiência do profissional. Mas é possível, também, fazer
análises com auxílio de instrumentação.
Os danos que uma fissura pode representar à edificação são bastante variáveis.
"Depende muito do elemento. Por exemplo: uma microfissura em concreto protendido
pode ser sintoma de uma sobrecarga considerável. Uma fissura capilar, de 0,1 mm, no
meio de uma viga, de concreto armado, não quer dizer nada. Mas se for próximo de um
apoio, pode indicar efeito de uma força cortante e já pode ser um sintoma de sobrecarga
considerável", compara Thomaz. Geralmente, fissuras na alvenaria representam menos
riscos do que em vigas e pilares. Mas é preciso ter cuidado, pois uma patologia na
alvenaria pode ser consequência de um problema estrutural mais sério.
Em uma edificação existem as fissuras admissíveis, que são aceitas ou previstas no
projeto. O projeto estrutural precisa ser elaborado conforme a respectiva classe de
agressividade ambiental - segundo a norma de Projetos de Estruturas de Concreto (NBR
6118:2003), pois o mesmo projeto não pode ser executado na zona urbana da cidade de
São Paulo e na orla marítima de Santos, por exemplo. A desobediência a essas
disposições estruturais pode implicar o surgimento de fissuras. "Além dos 'wk', que
constituem 'fissuras planejadas nos projetos das estruturas', o projeto deve prever juntas
de dilatação estruturais para evitar o surgimento de fissuras de origem térmica em
extensões superiores a 20 m, por exemplo", afirma Paulo Grandiski. As juntas de
dilatação, observa Grandiski, não devem ser vedadas pelo acabamento. Se isso não for
obedecido, surgirão fissuras nesse acabamento devido à dilatação térmica da estrutura.
Destacamento da argamassa de revestimento por
movimentação térmica
Na execução de uma obra, algumas imprudências comuns podem gerar fissuras. A NBR
7200:1998 é a norma geral de execução de revestimentos de paredes e tetos de
argamassas inorgânicas, e indica os intervalos mínimos de execução entre cada etapa do
trabalho. A norma diz que, entre a execução da estrutura de concreto e a alvenaria, é
preciso esperar pelo menos 28 dias. "Atualmente esses prazos costumam ser
desobedecidos, daí resultando em trincas e fissuras. Por exemplo: se o reboco for
aplicado antes do prazo mínimo, enquanto o emboço ainda está retraindo, podem surgir
no reboco fissuras mapeadas", alerta Grandiski.
Outro problema recorrente citado pelo engenheiro do Ibape é a sobrecarga na
ou acúmulo de areia ou entulho sobre as lajes, atingindo cargas superiores a 900 kg/m3.
"Isso é muito superior às cargas teóricas estabelecidas na NBR 6120:1980. Por
exemplo, para prédios de escritórios, as lajes devem ser projetadas para suportar cerca
de 270 kg/m2, com piso e forro."
Bastante comum, também, é a fissura de origem higrotérmica. Elas são resultantes dos
pontos de contato de materiais que apresentam simultaneamente coeficientes de
dilatação térmica diferentes, e diferentes dilatações provocadas pela maior ou menor
absorção de água. É o caso das áreas de contato entre as estruturas de concreto armado e
as alvenarias, quando passam por ciclos de recebimento de sol e chuva. Nos últimos
andares dos edifícios esse fenômeno costuma ficar bastante visível quando a pintura do
revestimento externo perde sua capacidade hidrofugante.
Técnicas de recuperação
O engenheiro Renato Sahade avaliou, em dissertação de mestrado apresentada ao IPT,
os principais sistemas de recuperação de fissuras em alvenarias. Todos estão indicados
de acordo com as características típicas das fissuras. Portanto, o primeiro passo para
recuperar uma fissura é chegar à definição precisa da sua causa.
"Quando a fissura é de origem estrutural, sua recuperação é mais complicada. Uma
fissura mais superficial, mapeada, tem recuperação mais simples. Independentemente
disso, é preciso ter um treinamento da mão de obra", alerta Sahade. As fissuras, no
geral, são recuperadas com a aplicação de produtos flexíveis, como selantes elásticos.
"Alguns procedimentos demoram a ser feitos, porque é preciso abrir a fissura, fazer a
limpeza, aplicar os produtos e esperar secar. Mas há outros mais simples, que em dois
dias o trabalho já está concluído", afirma. Entre os produtos, há, inclusive, tintas
especiais para fachadas, com maior capacidade de tolerar deformações sem fissurar.
Independente do sistema utilizado, a solução deve ser compatível com a construção,
para alterar o mínimo possível as suas características. Também deve ter durabilidade e,
ainda, ser passível de remoção sem que danifique os materiais originais da edificação.
Confira a descrição do sistema que se baseia em membranas acrílicas e selagem. "Na
prática, é um dos mais conhecidos e utilizados no mercado nacional. Mas é o menos
aplicado de forma correta, em função da quantidade de atividades nem sempre
respeitadas", afirma Sahade. Para a recuperação propriamente dita, foram empregados
quatro materiais: o fundo preparador de paredes, o selante acrílico, o impermeabilizante
de lajes e paredes e a tela de poliéster.
Abertura de sulco sobre a
fissura
Remoção do acabamento da
parede
Secagem da fissura selada
Aplicação de impermeabilizante acrílico
Segunda demão de impermeabilizante estruturado em tela de
poliéster
A fissura foi aberta em um perfil em forma de "V", por meio de disco de corte, para
apresentar aproximadamente 1,0 cm de profundidade e 1,0 cm de largura
O acabamento da parede foi removido em uma faixa de cerca de 20 cm em torno da
fissura, contados 10 cm para cada lado, até atingir o reboco, para remover todo o
sistema de pintura existente (massa acrílica e tinta)
Com um pincel 2", eliminou-se todo o pó da fissura aberta, bem como das faixas laterais
Fundo
Se necessário (caso o substrato não estiver coeso), é aplicado um fundo preparador de
paredes. O produto é aplicado com trincha na fissura e nas faixas laterais
Tratamento da fissura
Preenche-se a fissura com duas demãos de selante acrílico por meio de aplicador.
Utilizou-se uma espátula nessa aplicação, para que o material fosse bem compactado no
interior da fissura
Em seguida, foi necessário aguardar 48 horas, no mínimo, para secagem entre demãos
Aguardou-se intervalo de 24 horas para secagem da última demão do selante acrílico
Uma farta demão de impermeabilizante acrílico foi aplicada, diluído com 10% de água,
sobre a fissura e as faixas laterais
Foi preciso aguardar seis horas para a secagem
Uma segunda demão de impermeabilizante acrílico foi aplicada, da mesma forma que
no item anterior, fixando-se, nessa etapa, uma tela de poliéster, de 20 cm de largura,
sobre toda a faixa da fissura, tendo como orientação o eixo da trinca
Acabamento final
Um novo nivelamento foi executado, sobre as partes anteriormente rebaixadas, com
massa acrílica, aplicada em camadas finas e sucessivas, não ultrapassando espessura
final superior de 3 mm
Foram aplicadas duas demãos de tinta látex acrílica, com diluição de 30% a 40% de
água na primeira demão, e de 10% a 20% na segunda, usando-se um rolo de lã para
aplicação. Foi necessário observar um intervalo de quatro horas entre as demãos
SeguirKJ AVALIACÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA LTDA
___________________________________________________________________
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA XXXXXXXX VARA CÍVEL DE RIO GRANDE/RS Clarel da Cruz Riet, infra-assinado, engenheiro civil, perito judicial nomeado nos autos da AÇÃO ORDINÁRIA, processo N.º 023/1.07.0010XXX-X, em que é AUTOR XXXXXXXX e outros e RÉU Seguradora YYYYY S/A, tendo procedido aos estudos e diligências que se fizeram necessários, vem apresentar a V. Exa. as conclusões a que chegou, consubstanciado no seguinte, LAUDO DE ENGENHARIA CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 2 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br ÍNDICE 1. OBJETIVO DA PERÍCIA ... 04 2. PRELIMINARES ... 04 3. SUBSÍDIOS ESCLARECEDORES ... 04 3.1. ANOMALIAS E FALHAS DAS EDIFICAÇÕES ... 04 3.2. A IMPORTÂNCIA DA INSPEÇÃO PREDIAL ... 05 4. CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO ... 06 5. VISTORIA ... 08 6. METODOLOGIA ... 09 7. RESULTADO DA INSPEÇÃO PREDIAL – CHECK-LIST ... 10 7.1. UMALV- UMIDADE ASCENDENTE DAS FUNDAÇÕES EM PAREDES DE ALVENARIA: 10 7.2. UMCON- UMIDADE ASCENDENTE DAS FUNDAÇÕES EM PAREDES DE CONCRETO: 12 7.3. DAFOR- DANOS ENCONTRADOS NOS FORROS: ... 13 7.4. TRIAL- TRINCAS EMPAREDES DE ALVENARIA: ... 13 7.5. TRICO- TRINCAS EM PAREDES DE CONCRETO: ... 13 7.6. DEGRE- DEGRADAÇÃO DOS REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA DAS PAREDES: ... 14 7.7. ATACU- ATAQUE POR CUPINS: ... 14 8. RESULTADO INDIVIDUALIZADO ... 15 8.1. LEIS SOCIAIS E BDI ... 15 8.2. ORÇAMENTOS INDIVIDUALIZADOS ... 19 IMÓVEL I ... 20 IMÓVEL II ... 23 IMÓVEL III ... 26 IMÓVEL IV ... 28 IMÓVEL V ... 30 IMÓVEL VI ... 32 IMÓVEL VII ... 34 IMÓVEL VIII ... 36 IMÓVEL IX ... 38 IMÓVEL X ... 40 IMÓVEL XI ... 44 IMÓVEL XII ... 47 IMÓVEL XIII ... 49 IMÓVEL XIV ... 51 IMÓVEL XV ... 55 IMÓVEL XVI ... 57 IMÓVEL XVII ... 60 IMÓVEL XVIII ... 62 IMÓVEL XIX ... 64 IMÓVEL XX ... 65 9. ANÁLISE DO RESULTADO DA INSPEÇÃO PREDIAL ... 67 9.1. CONCEITO ... 67 9.2. METODOLOGIA DA CLASSIFICAÇÃO ... 67 CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 3 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br ÍNDICE (continuação) 9.3. ORDEM DE PRIORIDADES E RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS ... 68 9.4. GRAUS DE RISCO ... 69 10. CLASSIFICAÇÃO DO ESTADO DE MANUTENÇÃO ... 69 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 70 11.1. VIDA ÚTIL (VU) E VIDA ÚTIL DE PROJETO (VUP) ... 70 12. CONCLUSÃO ... 74 13. QUESITOS ... 75 13.1. QUESITOS DO AUTOR ... 75 13.2. QUESITOS DO RÉU ... 80 DOCUMENTOS: ANEXO I PLANILHAS DE ORÇAMENTO DISCRIMINADAS E INSUMOS DO ORÇAMENTO COM OS CUSTOS UNITÁRIOS ANEXO II QUADRO RESUMO DOS VALORES APURADOS ANEXO III MEMORIAL DESCRITIVO DOS IMÓVEIS CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 4 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br 1. OBJETIVO DA PERÍCIA Consiste em através da inspeção do local, no Bairro Parque Marinha, mais
precisamente na Rua dos Saveiros n° 61, Rua Rio do Tigre n° 217, Rua Ilha de Itaparica n° 173, Rua Ilha de Itaparica n° 163, Rua dos Veleiros n° 320, Rua dos Veleiros n° 155, Rua Ilha de Bananal n° 267, Rua Escaleres n° 362, Rua Escalares n° 469, Rua do Leme n° 87, Rua do Mirante n° 223, Rua Ilha de Maricá nº 225, Rua Ilha da Madeira n° 355, Rua Ilha de Paquetá n° 130, Rua Rio Iguatemi n° 212, Rua Ilha do Governador n° 297, Rua Ilha de Marajó n° 79, Rua dos Rochedos n° 47, Rua Ilha de Páscoa n° 251 e no Bairro COHAB IV, na Rua Alberto Miranda n° 235, na verificação das conformidades técnicas, funcionais e de manutenção dos componentes construtivos visando a descrição e o diagnóstico das patologias (Vícios construtivos) e o nexo causal entre estes e o projeto original e /ou uso posterior. 2. PRELIMINARES Os Autores alegam que passados alguns anos da comercialização e financiamento dos seus imóveis, verificaram a existência de sinistros graves tais como defeitos nas estruturas, tetos, bases, pisos e paredes, afundamento dos pisos da cozinha, sala e quartos, infestações de cupins e apodrecimento dos madeiramentos dos telhados, forros, portas e janelas entre outros. Em seus argumentos os Autores afirmam que os danos encontrados nos imóveis são de natureza progressiva e contínua e, este fato, associado à péssima qualidade do material empregado e técnica construtiva, estariam encaminhando as estruturas dos imóveis ao desmoronamento. Expõem que promoveram várias solicitações verbais e reclamações ao agente financeiro e que por terem resultado infrutífero, ingressaram com a ação de responsabilidade securitária contra a Ré, seguradora atuante no SFH. A Ré, por sua vez, argumenta que não assumiu a responsabilidade por vícios de construção, má conservação e pelo uso e desgaste dos imóveis e que não pode responder por riscos não previstos no contrato de seguro. Quanto aos materiais empregados, a Ré sustenta que apesar de padrão baixo, estes não são de péssima qualidade e que mesmo que fossem de primeira linha, não perdurariam sem o mínimo de manutenção. A Ré complementa declarando que a Apólice de Seguro Habitacional determina que apenas os danos decorrentes de causas externas estão cobertos, estando excluídas assim, as hipóteses de vício de construção e falta de manutenção que seriam de causas internas. 3. SUBSÍDIOS ESCLARECEDORES 3.1. ANOMALIAS E FALHAS DAS EDIFICAÇÕES As Anomalias construtivas e Falhas (descuidos com a manutenção predial), são causadores de danos pessoais e materiais significativos, tanto aos usuários e proprietários das edificações quanto à sociedade em geral, devido à deterioração urbana que favorece o crime, afasta o turismo e reduz a auto-estima dos cidadãos. Os acidentes prediais decorrentes de Anomalias como Vícios Construtivos e/ou das Falhas na manutenção predial vêm causando mortes e prejuízos injustificáveis, principalmente com o envelhecimento e desvalorização de nossas edificações. Desabamentos, incêndios, quedas de marquises e fachadas, vazamentos, infiltrações e tantas outras mazelas provenientes dos descuidos com a edificação poderiam ser evitados com medidas preventivas simples, de longo prazo, pelo planejamento que se inicia com a inspeção predial para a posterior implantação de um plano de manutenção. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 5 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br As origens das Anomalias (ou Avarias) construtivas e Falhas das edificações são originárias de fatores Endógenos, Exógenos, Naturais e Funcionais. Os fatores Endógenos ou internos são intrínsecos ao próprio sistema edificante periciado e podem ser provenientes de erro de projeto, desacerto na execução ou execução descuidada assim como emprego de material diverso ao especificado pelo projetista ou de pouca qualidade, ou ainda, da combinação dessas etapas, assim, infiltrações, trincas, portas e janelas empenadas e outros problemas aparentes ou ocultos, devem ser reparados na fase inicial para evitar agravamentos posteriores. Os fatores Exógenos ou externos são decorrentes da ação de terceiros na edificação, tais como os danos causados por obra vizinha, choques de veículos em partes da
edificação, vandalismo etc., e podem ameaçar seriamente o prédio, sugerindo-se a imediata correção desses. Os fatores Naturais decorrentes principalmente das condições climáticas, previsíveis ou não, onde o calor e sol intensos, o frio excessivo, as chuvas torrenciais, o granizo, as ventanias e demais ações imprevisíveis da natureza, tais como, as excessivas descargas atmosféricas, as enchentes, os tremores de terra e outras, podem causar avarias ou alterar as condições de funcionamento dos sistemas projetados, colocando em risco as edificações. Já os fatores Funcionais, que também podem colocar em risco as edificações e poderiam ser evitados, provocam danos decorrentes do desgaste do material ou da sua degradação, após significativo tempo de vida em uso repetitivo e contínuo ou de uso inadequado e de falta de manutenção, tais como as sujidades e desgastes dos revestimentos e fachadas, as incrustações e corrosões das tubulações hidráulicas, os ataques de pragas urbanas (cupins), as infiltrações das jardineiras e outras. 3.2. A IMPORTÂNCIA DA INSPEÇÃO PREDIAL A inspeção predial pode ser definida como a avaliação isolada ou embutida das condições técnicas, de uso e de manutenção de uma edificação. Um aspecto técnico importante nas inspeções prediais é a diferença entre as deficiências constatadas, que devem ser classificadas em Anomalias ou Falhas, sendo essas que determinam as orientações técnicas que são divididas em Plano de Reparo e Plano de Manutenção. As Anomalias construtivas são aquelas que prejudicam o desempenho e a vida útil prevista e estão relacionadas às deficiências de ordem construtiva ou funcional. As Falhas são as não conformidades decorrentes de ações de manutenção e portanto possuem origem em atividades de manutenção, uso e operação inadequada ou inexistente. Assim, em um breve resumo poderíamos classificar as Anomalias e Falhas em função das causas e origens das deficiências, conforme as tabelas 1 e 2, a seguir; Tabela 1-Anomalias ANOMALIAS ENDÓGENA Originária da própria edificação (projeto, materiais e execução). EXÓGENA Originária de fatores externos à edificação, provocados por terceiros. NATURAL Originária de fenômenos da natureza (previsíveis, imprevisíveis) FUNCIONAL Originária do uso e término de vida útil de elementos e sistemas. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 6 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br Tabela 2- Falhas FALHAS DE PLANEJAMENTO Decorrentes de falhas de procedimento e especificações inadequadas do plano de manutenção, sem aderência a questões técnicas, de uso, de operação, de exposição ambiental e, principalmente, de confiabilidade e disponibilidade das instalações, consoante a estratégia de manutenção. DE EXECUÇÃO Associada à manutenção proveniente de falhas causadas pela execução inadequada de procedimentos e atividades do plano de manutenção, incluindo o uso inadequado dos materiais. OPERACIONAIS Relativas aos procedimentos inadequados de registros, controles, rondas e demais atividades pertinentes. GERENCIAIS Decorrentes da falta de controle de qualidade dos serviços de manutenção, bem como da falta de acompanhamento de custos da mesma. As Anomalias e Falhas devem também ser classificadas quanto ao seu Grau de Risco. A análise do risco consiste na classificação das Anomalias e Falhas identificadas nos diversos componentes de uma edificação, quanto ao seu grau de urgência, relacionado com fatores de conservação, depreciação, saúde, segurança, funcionalidade, comprometimento de vida útil e perda de desempenho, conforme a Tabela 3, a seguir; Tabela 3- Definições dos Graus de Risco CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE RISCO – GRAU DE URGÊNCIA (Criticidade) CRÍTICO Impacto irrecuperável, relativo ao risco contra a saúde, segurança do usuário e do meio ambiente, bem como perda excessiva de desempenho, recomendando intervenção imediata. REGULAR Impacto parcialmente recuperável relativo ao risco quanto à perda parcial de funcionalidade e desempenho, recomendando programação e intervenção a curto prazo. MÍNIMO Impacto recuperável relativo a pequenos prejuízos, sem incidência ou a probabilidade de ocorrência dos
riscos acima expostos, recomendando programação e intervenção a médio prazo. 4. CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO Trata-se de região urbana litorânea com predominância de habitações residenciais unifamiliares, clima ameno, superfície plana, padrão sócio econômico cultural baixo, topografia em nível e solo predominantemente arenoso permeável da classe das areias quartzosas marinhas distróficas, com algumas zonas constituídas de relativa parcela de argila de Atividade Alta1 . A Infra-estrutura da região possui serviços de coleta de lixo, redes de telefonia, energia elétrica, viária e água potável. 1 Projeto RADAM (IBGE,1986) e Cunha e Silveira (FURG, 1995) CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 7 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br Os serviços comunitários disponíveis compreendem escolas, segurança, posto de saúde e clubes de recreação e as atividades existentes incluem redes bancárias, comércio e atividades de profissionais liberais, sendo o mercado de trabalho médio-baixo. PARQUE MARINHA COHAB IV CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 8 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br 5. VISTORIA A vistoria ocorreu nos dias 20 e 21/05/2010, contando além deste perito com a presença do assistente técnico da parte Ré, Eng. Cláudio Marques Gobbato. A tipologia dos imóveis é residencial, composta por casas de um pavimento, com idade real média de aproximadamente 25 anos, isentos de complexidade de sistema construtivo o qual possui padrão baixo. As benfeitorias possuem aspectos construtivos, qualitativos, quantitativos e tecnológicos coerentes com a documentação disponível, com uso residencial sendo este o tipo de ocupação recomendado para a região. As casas vistoriadas originalmente são de alvenaria com pé direito de 2,60m, padrão construtivo popular tipo RS 7-I.2-31, constituídas de 2 dormitórios, sala, cozinha e banheiro e 30,75m2 de área construída e padrão popular RS 16-I.3-42, com 3 dormitórios, sala, cozinha e banheiro e 42,35m2 de área construída, conforme o croqui a seguir, observando que também foram executadas casas no mesmo padrão popular, porém com apenas 1 dormitório, sala/cozinha e WC, com área construída aproximada de 22,89m2 . A maioria das casas sofreu algum tipo de ampliação ou reforma, mas apesar disto, de um modo geral, apresentam-se em mal estado de conservação, demonstrando que os imóveis não vem recebendo manutenção preventiva a muitos anos. Croqui 1: Padrões habitacionais 2 e 3 dormitórios. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 9 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br DESCRIÇÃO SUCINTA DOS IMÓVEIS (NA FORMA ORIGINAL): Pavimentações: Sala e dormitórios com carpete e a cozinha e WC com piso cimentado alisado. (Parque Marinha). A sala e dormitórios com paviflex e o WC e cozinha com piso cimentado alisado. (COHAB IV). Revestimentos: A casas foram construídas com paredes de concreto espessura de 10cm, revestidas com textura e tinta PVA. (Parque Marinha). As paredes internas são isentas de revestimento com argamassa (sem reboco), sendo os tijolos colocados com a junta 'limpa' e apenas pintados com tinta PVA e as externas com textura e pintura PVA. (COHAB IV). Forros/Telhado: A cobertura das casas é constituída por estrutura de sustentação de madeira (tesouras) e telhas fibrocimento 6mm e as dependências com forro tipo 'Eucatex'. (Parque Marinha). A cobertura das casas é constituída por estrutura de sustentação de madeira (tesouras) e telhas fibrocimento 6mm e as dependências com forro tipo 'pacote'. (COHAB IV). Esquadrias: As janelas dos quartos e sala são de madeira do tipo guilhotina 120x120cm e as do WC e cozinha, do tipo basculante de ferro ou madeira, respectivamente com 60x60cm e 100x100cm, as portas internas de madeira tipo semi-oca e a porta externa de madeira maciça. 6. METODOLOGIA A presente perícia atendeu todos os requisitos necessários e exigidos pela
NBR 13752/96 (norma que fixa os critérios e procedimentos relativos às perícias de engenharia na construção civil), em seu item 4.3.2 – Requisitos essenciais. Todos foram condicionados tanto quanto à abrangência das investigações, confiabilidade e adequação das informações obtidas quanto à qualidade das análises técnicas e ao menor grau de subjetividade emprestado pelo perito, sendo a inspeção predial realizada enquadrada no Nível 1, onde "Nivel 1-Identificação das anomalias e falhas aparentes, elaborada por profissional habilitado", de acordo com a norma de Inspeção Predial de 2007, do IBAPE/SP. O critério utilizado para a elaboração do Laudo foi embasado na Análise do Risco associado ao uso e exposição ambiental. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 10 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br 7. RESULTADO DA INSPEÇÃO PREDIAL – CHECK-LIST A determinação das origens das Anomalias construtivas foi orientada por uma seqüência lógica de vistorias, exames, análises e interpretações, cuja ordem foi a seguinte; 1º) Minuciosa inspeção dos imóveis para a apuração completa das anomalias existentes (construtivas e funcionais), bem como o levantamento preliminar de suas características técnicas, visando o fornecimento de subsídios para a posterior determinação das origens; 2º) Verificação das condições naturais e meio ambiente local para a apuração dos eventos que pudessem ter ocasionado anomalias de origem natural (por ação da natureza) nos imóveis da região; 3º) Verificação das atividades de conservação e manutenção, bem como a análise da documentação técnica correspondente, para a identificação das anomalias funcionais. 4º) Exame das edificações vizinhas aos imóveis em questão, para a determinação de suas características e condições físicas, bem como de outras particularidades que pudessem indicar alguma correlação de ambas no tocante à ocorrência de anomalias exógenas. 5º) Interpretação de todos os dados técnicos apurados, para então se expender a conclusão indicativa das origens das anomalias em geral. Assim, o resultado das inspeções procedidas nos componentes construtivos por meio da verificação das Anomalias (Desconformidades técnicas), segue devidamente relacionado e anotado com suas respectivas siglas no Check-list, comentado, a seguir, observando que as patologias descritas não necessariamente ocorrem simultaneamente nos imóveis, sendo estas indicadas individualmente no Item 8. RESULTADO INDIVIDUALIZADO, do Laudo. 7.1. UMALV- UMIDADE ASCENDENTE DAS FUNDAÇÕES EM PAREDES DE ALVENARIA: DIAGNÓSTICO: Constatamos a ocorrência de fissuras e manchas em algumas paredes próximo ao piso, decorrentes de movimentações higroscópicas provocadas pela ascensão de umidade por capilaridade, em função da ausência ou deficiência de impermeabilização nas fundações. Assim, as trincas são decorrentes da variação da umidade nas alvenarias que provoca dilatações e retrações do painel em função dos ganhos e perdas de água. Um painel de alvenaria é um elemento rígido no sentido da maior inércia, não aceitando deformações sem apresentar trincas. Como a variação da umidade provoca uma variação dimensional da peça (aumentando ou diminuindo de volume), então o surgimento de fissuras é inevitável. Para resolver este problema de ascensão de umidade presente na base de paredes de alvenaria, com deficiência de impermeabilização dos baldrames, podemos agir conforme a seguir; Terapia 1: CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 11 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br Podemos criar uma barreira eficiente com injeção de produtos químicos na base da parede de alvenaria de tijolos maciços, conforme a Figura 5, abaixo. Figura 1- Representação em corte e vista frontal de uma parede hipotética. Como exemplo de um produto com estas qualidades, podemos citar o Denver Barra Seca, que é um é um impermeabilizante líquido, de base mineral, que age pelo processo de cristalização, bloqueando e selando os poros da alvenaria. Metodologia de aplicação: Retirar o revestimento
existente até a altura onde apresenta umidade (aprox. 50 cm). Medindo 5cm a partir do piso, com furadeira elétrica, executar seqüência de perfurações, espaçadas em 10 a 15cm. Os furos deverão ter diâmetro aproximado de 10 a 20 milímetros, com inclinação de 45° e profundidade equivalente a 2/3 da espessura da parede. Medindo 10 cm acima, executar nova seqüência de perfurações, intercalando os furos. Colocar água nos furos, até saturar bem a parede, retirar o excesso de água dos furos e aplicar Denver Barra seca, até a saturação. Após 24 horas, escarear os furos com a própria broca e repetir a aplicação do Denver Barra seca Terminada a aplicação, vedar superficialmente os furos e aguardar a secagem da parede, por um período aproximado de 10 a 30 dias. Terapia 2: A alternativa que consideramos mais eficiente, porém bastante trabalhosa por não se mexer nas paredes e mais agressiva por danificar os pisos adjacentes, é a substituição da impermeabilização existente ou execução de uma nova através da adaptação do processo especificado pelo eng. Ernesto Ripper, no seu livro Como evitar Erros na Construção, conforme abaixo reproduzido de forma resumida. a) Executar rasgos em toda a profundidade da alvenaria, acima da impermeabilização a ser construída, com aproximadamente 15cm de altura e 100cm de comprimento, alternados com distância de 80cm entre eles. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 12 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br b) Retirar a impermeabilização (caso existente), limpar e regularizar os alicerces (como alicerces entende-se a viga de baldrame, fundações ou qualquer baentende-se da alvenaria). c) Aplicar duas camadas de feltro asfáltico, coladas com asfaltos oxidados a quente ou uma camada de butil ou similar, em toda a extensão do rasgo. d) Aplicar uma camada de proteção de argamassa de cimento e areia 1:4 e reconstruir a alvenaria com tijolos recozidos ou prensados em um comprimento de 80cm, cuidando que seja bem cunhada a alvenaria acima. Deixar dentes na extremidade. e) Executar os rasgos de 80cm alternados entre os vãos já reparados, repetindo o procedimento anterior, ficando a impermeabilização com um transpasse de 10cm em cada lado sobre a impermeabilização já executada. f) Repetir o procedimento como nos outros rasgos, completando assim o fechamento total da parede. g) Demolir o revestimento úmido existente acima da faixa reconstruída e deixar secar a alvenaria descoberta. h) Revestir com emboço internamente sem aditivo impermeabilizante, para deixar que a alvenaria respire. Externamente é aconselhável usar no emboço aditivo impermeabilizante para uma melhor proteção da alvenaria. De qualquer maneira, os dois procedimentos citados acima são válidos, desde que executados por profissional habilitado no CREA, observando que o primeiro leva em conta a existência de alvenaria de tijolos maciços. 7.2. UMCON- UMIDADE ASCENDENTE DAS FUNDAÇÕES EM PAREDES DE CONCRETO: Diagnóstico: A umidade ascendente detectada em algumas paredes junto aos pisos é uma das patologias mais comuns nas edificações e é causada pela umidade proveniente do solo, que contamina a edificação quando a estrutura apresenta problemas como a falta de impermeabilização na fundação ou utilização inadequada do sistema impermeabilizante. Terapia: Levando em consideração que a umidade ascendente gera uma pressão negativa na face da parede, devemos usar uma argamassa polimérica, impermeável, semi-flexível, com boa aderência e excelente impermeabilidade a pressões hidrostáticas positivas e negativas, como por exemplo, a Argamassa Polimérica LW200, da Lwart, conforme a seguir. a) Remover o revestimento existente a uma altura de, no mínimo 0,50 metro acima da umidade detectada até chegar na parede de concreto, devendo a área a ser impermeabilizada ficar totalmente limpa e isenta de resíduos. b) Umedecer a superfície e aplicar a LW 200 ou outra argamassa polimérica similar, com trincha ou brocha, em demãos cruzadas até atingir o consumo especificado, respeitando o intervalo de secagem entre demãos. c) Executar, após a impermeabilização, a proteção mecânica. CNPJ:
05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 13 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br 7.3. DAFOR- DANOS ENCONTRADOS NOS FORROS: Diagnóstico: Os danos encontrados nos forros se deram devido à infiltrações de umidade pelo cobertura, estando as goteiras corrigidas no momento da vistoria. Terapia: Substituição dos elementos danificados. 7.4. TRIAL- TRINCAS EM PAREDES DE ALVENARIA: Diagnóstico: As alvenarias apresentam um bom comportamento às solicitações de compressão axial, não ocorrendo o mesmo para as solicitações de tração e cisalhamento, de forma que é importante a prevenção contra as concentrações de tensões provadas por aberturas de portas e janelas com a colocação de vergas e contravergas. No presente caso, a ausência de vergas e contravergas nas aberturas das portas e janelas provocaram o surgimento de concentração de tensões excessivas nesses vértices tendo como conseqüências o aparecimento de trincas e infiltrações nos cantos. Estas anomalias ficam ainda mais evidentes em virtude do assentamento do solo mal compactado provocando recalques diferenciais. Terapia: As fissuras e trincas provenientes da concentração de tensões só serão eficientemente recuperadas caso se consiga uma melhor distribuição destas, assim sendo, nas regiões de abertura de porta e janela, deverão ser construídas vergas e contravergas, de modo a obter-se uma amarração na parte superior e inferior destas. Quanto a recuperação e reforço das paredes trincadas, estes poderão ser conseguidos com a introdução de armaduras nas paredes, chumbadas com argamassa rica em cimento e posicionadas perpendicularmente à direção das fissuras e trincas e posterior execução de novo revestimento nos pontos atingidos. 7.5. TRICO- TRINCAS EM PAREDES DE CONCRETO: Diagnóstico: Nas casas constituídas por paredes monolíticas de concreto houve a incidência de trincas devido a ausência de cintas de concreto armado em seu respaldo, sendo que essas trincas se manifestaram de forma mais acentuada nas seções enfraquecidas pela presença de aberturas de portas e janelas. Terapia: Execução de cintas de reforço estrutural em concreto armado sobre os vãos de aberturas e portas e posteriormente o fechamento das trincas com uso de massa acrílica para vedação tipo 'Fechatrinca' da Vedacit aplicado com pistola. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 14 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br 7.6. DEGRE- DEGRADAÇÃO DOS REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA DAS PAREDES: Diagnóstico: As argamassas de revestimento desempenham um papel preponderante na preservação e na estanqueidade das paredes, principalmente em alvenaria de tijolos que são substancialmente permeáveis. Decorrente desta função, e devido à sua forte exposição a condições ambientais adversas e a inúmeras agressões do meio, existe uma enorme variedade de causas que provocam a degradação dos rebocos. No presente caso, vários imóveis apresentaram degradações nos revestimentos das paredes, principalmente as externas, sendo estas patologias decorrentes da ação da água oriunda de infiltrações devido a má impermeabilização das fundações. A ação química e mecânica desta umidade em excesso, é a responsável por anomalias como o aparecimento de manchas e a sua presença nos poros da estrutura do revestimento pode provocar expansão pela presença de sulfatos ou dissolução dos componentes da argamassa, acabando por resultar em sua destruição, assumindo maior relevância por esta estar submetida a ciclos de molhagem/secagem. Terapia: Resolução do problema da falta de impermeabilização das fundações (Ver recomendação do item 7.1. INFUN- Infiltrações de umidade por capilaridade nas fundações), e proceder a remoção e nova execução de revestimento nos pontos atingidos. 7.7. ATACU- ATAQUE POR CUPINS: Diagnóstico: Pragas urbanas como cupins aproveitam-se de nossas negligências para sua sobrevivência e disseminação de forma que para obtermos sucesso no controle devemos eliminar no mínimo um dos três fatores vitais para a sua
sobrevivência que são: o alimento, o acesso ou o abrigo. Existem muitas ordens de insetos xilófagos (xilo=madeira, fagos=alimento), sendo que a ordem dos Isópteros e dos Coleópteros contém as espécies de maior incidência e de maior poder de destruição no meio urbano, sendo os cupins da ordem Isóptera. Todas as espécies de cupins adaptadas ao meio urbano se alimentam da celulose da madeira, ou de papéis, couro, tecidos etc., sendo os cupins encontrados nos imóveis, do grupo 'cupim de madeira seca'. A diferença básica entre os 'cupins de madeira seca' em relação aos 'cupins subterrâneos' é que os primeiros têm seus ninhos localizados na própria madeira e se esta fosse tratada preventivamente não ocorreria o ataque, enquanto os segundos nidificam no solo e são mais agressivos. As principais características do cupim encontrado em algumas portas e janelas dos imóveis, ou seja, do 'cupim de madeira seca', são; • Deixam como sinal de ataque grânulos amontoados (Fezes) próximos à madeira infestada. • Os reprodutores e todo o ninho estão alojados na madeira que esta sendo atacada. CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 15 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br • Fundam novas colônias na madeira e vivem nela, sendo que uma colônia pode chegar a milhares de indivíduos. • São insetos sociais, conhecidos por bichinhos da luz, aleluias e seus ataques são de média intensidade. • Atacam as madeiras brancas ou de baixa resistência química como o pinho, pinus, compensados de portas, sarrafos utilizados no madeiramento de telhados, armários embutidos, móveis etc.. Terapia: O controle curativo desta praga pode ser realizado através de intervenções químicas, com a utilização de equipamentos com tecnologia apropriada e produtos de eficácia comprovada, porém com a consciência de que este procedimento nunca será tão eficaz e seguro como os métodos preventivos, ou seja, os elementos de madeira devem sempre receber tratamento preventivo após sua fabricação e principalmente antes de entrar em uso, o que não aconteceu. Assim, a melhor solução é a eliminação dos elementos atingidos com a substituição destes, adotando na seqüência as regras básicas de prevenção. 8. RESULTADO INDIVIDUALIZADO 8.1. LEIS SOCIAIS E BDI A seguir, as tabelas 4, 5 e 6, com a composição do BDI, a discriminação dos Encargos Sociais e Trabalhistas e as Horas base e custos utilizados nos cálculos. Tabela 4- BDI (Bonificação e Despesas e Indiretas) CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 16 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br Tabela 5– Encargos Sociais e trabalhistas A1 Previdência Social A2 -Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS A3 - Salário-Educação A4 - Serviço Social da Indústria (SESI) A5 - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) A6 - Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (SEBRAE) A7 - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) A8 - Seguro Contra Acidentes de Trabalho (INSS) A9 - SECONCI - Serviço Social da Indústria da Construção e Mobiliário A Total dos Encargos Sociais Básicos LEIS SOCIAIS -ENCARGOS INCIDENTES E REINCIDENTES B1 - Repouso Semanal e Feriados B2 - Auxílio-enfermidade B3 - Licença-paternidade B4 - 13º Salário B5 - Dias de chuva / falta justificada / acidente de trabalho B Total de Encargos Sociais que recebem as incidências de A C1 - Depósito por despedida injusta - 50% sobre [ A2 + (A2 + B) ] C2 - Férias (indenizadas) C3 - Aviso Prévio (indenizado) C Total de Encargos que não recebem as incidências globais de A D1 Reincidência de A sobre B D2 Reincidência de A2 sobre C3 D Total das taxas das reincidências Subtotal: ENCARGOS COMPLEMENTARES E1 - Vale-transporte (aplicar fórmula VT) E2 - Refeição mínima (aplicar fórmula VC) E3 - Refeição - almoço (aplicar fórmula VR) E4 - Refeição - jantar (aplicar fórmula VR) E5 EPI Equipamento de Proteção Individual (aplicar fórmula EPI) E6 -Ferramentas manuais (aplicar fórmula FM) E Total das taxas complementares TOTAL DOS ENCARGOS SOCIAIS Total Geral: 20,00 8,50 2,50 1,50 1,00 0,60 0,20 3,00 1,00 38,30 22,90 (*)
0,79 (*) 0,34 10,57 (*) 4,57 39,17 5,91 14,06 (*) 13,12 33,09 15,00 1,11 16,12 126,68 7,93 6,60 27,87 - 5,00 2,00 49,40 176,08% (*) Porcentual adotado CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 17 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br NOTAS: • Vale-Transporte: considerada redução de 6% sobre o salário/mês, pois os empregadores obrigam-se a custear apenas o seu excedente. • Refeição mínima: considerada dedução de 1% sobre o salário/hora por dia útil trabalhado, relativo ao custeio da refeição mínima por parte do trabalhador. • Refeições: considerado um limite mínimo de 95% para os custos subsidiados pelos empregadores. • Dias úteis: foram considerados 22 dias úteis por mês. OBSERVAÇÕES: As taxas de Leis Sociais e Riscos do Trabalho para horistas estão consideradas e calculadas de modo a exprimir as incidências e reincidências dos encargos sociais, e a percentagem total é a adotada nas Tabelas de Composição de Preços para Orçamentos (TCPO) da PINI, ou seja, é a taxa que incide sobre as horas normais trabalhadas (de produção). As taxas de Leis Sociais e Riscos do Trabalho para mensalistas estão consideradas e calculadas de modo a exprimir as incidências e reincidências dos encargos sociais e a percentagem total adotada incide sobre a folha de pagamento. Após o cálculo dos custos diretos, há a necessidade de previsão dos custos indiretos envolvidos na administração do negócio da empresa executante. Tal previsão em geral é feita com base na aplicação da Taxa de BDI. Benefício e Despesas Indiretas. Tabela 6– Horas base e Custos OPERÁRIO Salário/Hora (R$) Servente 2,32 Pedreiro 2,80 Carpinteiro 3,43 Pintor 3,43 Ferreiro 3,43 EPI UNIDADE CONSUMO ANUAL CUSTO UNITÁRIO CUSTO TOTAL Calçado de segurança Par 2 32,15 64,30 Capacete Un 2 4,42 8,84 Protetor auricular Un 2,5 0,88 22,00 Luva de raspa Par 4 4,15 16,60 Cinturão de segurança Un 0,25 25,60 6,40 Capa de chuva Un 1 12,00 12,00 Avental de raspa Un 0,33 30,00 9,90 Óculos protetores Un 1 5,41 5,41 Máscara contra poeira Un 2,5 0,96 24,00 TOTAL 169,45 Custo médio mensal de EPI por operário: C= 169,45/12= R$14,12 Custo médio mensal com ferramental por operário CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 18 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br OPERÁRIO FERRAMENTAL/MÊS (R$) Servente Pedreiro 5,05 Carpinteiro 8,8 Pintor 4,65 Ferreiro 4,50 Custo médio mensal com ferramental por operário: R$3,41 Custo da café da manhã: R$1,50 Custo do almoço: R$4,50 Custo do seguro de vida em grupo: R$5,00 Custo da cesta básica: R$35,00 Custo do transporte: R$2,10 Ferramental e equipamentos de trabalho Carpinteiro: R$8,80 Pedreiro: R$5,05 Pintor: R$4,65 Ferreiro: R$4,50 C= Custo médio da condução (un) ou refeição (un) ou seguro (custo mensal) N= Número médio de conduções ou refeições (mês) S= Salário médio nominal (mês) Dias úteis: foram considerados 22 dias por mês. Cálculo dos encargos complementares - fórmulas básicas Vale-Transporte: VT= {[ 2 x C1 x N - (S x 0,006)] /S} x 100 = Vale-Café da manhã: VC= {[ C2 x N - (0,033 x S x 22) x 0,01)] /S} x 100 = Vale-Almoço ou jantar: VR= {[C3 x N x 0,95]/ S} x 100= Sendo: C1 = tarifa de transporte urbano; C2 = custo do café da manhã; C3 = Vale-Refeição; N = número de dias trabalhados no mês; S = salário médio mensal dos trabalhadores. NOTA: Para a obtenção das taxas acima foram considerados: C1 = R$ 2,05; C2 = R$ 1,50; C3 = R$ 4,50 N = 22 dias e CNPJ: 05.423.670/0001-34 / CREA 66.891/ Rua Gal. Vitorino, 56 / CEP 96.200-310 / Rio Grande-RS 19 CLAREL PERÍCIAS Engenharia de Avaliações & Perícias Judiciais Fone/Fax: (53) 2125-7900 / 9966-6220 www.clarelpericias.com.br S = R$ 602,80 Equipamento de Proteção Individual EPI= {[∑P1F1 + P2F2 + P3F3 + ... + PnFn]/(N/ S)} = n 1 NOTA: De acordo com o Art. 166 da CLT, o NR-6 e o NR-18 da Lei nº 6.514/77, a empresa está obrigada a fornecer EPI aos empregados. Ferramentas Manuais FM= {[∑P1F1 + P2F2 + P3F3 + ... + PnFn]/(N/ S)}x100 = n 1 NOTA: A empresa obriga-se a fornecer as ferramentas manuais necessárias para a execução dos