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Negócio jurídico processual: celeridade e limites

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RADSON LEAL BARRETO

NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL: CELERIDADE E LIMITES

Salvador 2017

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NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL: CELERIDADE E LIMITES

Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação Lato

Sensu em Processo Civil, da Universidade do Sul de Santa

Catarina, como requisito à obtenção do título de Especialista em Processo Civil.

Orientação: Prof.ªCarina Milioli Correa, MSc.

Salvador 2017

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NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL: CELERIDADE E LIMITES

Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Especialista em Processo Civil e aprovada em sua forma final pelo Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Processo Civil, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Salvador, 06 de julho de 2017.

_____________________________________________________

Professor orientador: Carina Milioli Correa, MSc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_____________________________________________________

Prof. Carolina Melhado de Castro, MSc.

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O presente Trabalho de Conclusão de Curso corresponde à última etapa do Curso de Pós-Graduação em Processo Civil na modalidade à distância realizada no âmbito da UNISUL. No final dessa agradável e, às vezes, tensa caminhada não vejo uma pessoa tão relevante quando o Senhor Jesus Cristo, que nos dá o fôlego da vida, a possibilidade de existir, pensar e agir com sabedoria e inteligência, qualidades semelhantes à d’Ele, pois somos à sua imagem e semelhança.

Outras pessoas, sem as quais aqui não se chega, são os professores que se preparam com intensas leituras e pesquisas para passar para nós, alunos, tudo o que é necessário e atual, dando-nos a máxima instrução com capacidade de análise do objeto desse curso.

Como também, jamais poderia esquecer a minha amada esposa e graduanda em Serviço Social, Nadja Oliveira Barreto, afinal de contas, quem compreenderia tamanha renúncia à sua presença para se dedicar a este trabalho se não houvesse apoio, carinho e compreensão. A ela os meus mais profundos agradecimentos.

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Desde as primeiras legislações brasileiras sobre processo civil a inflexibilidade tem tornado as demandas exaustivas para os demandantes trazendo, muitas vezes, um descontentamento para se alcançar o mérito e a sua satisfação. Após algumas percepções, tardias muitas vezes, o legislador sempre atualiza seus procedimentos sobre a função judicante do Estado na busca de maior efetividade. De imediato surgiram melhoras mas, logo em seguida àquelas atualizações, as mesmas se fadigavam, necessitando de outras atualizações. Porém sempre tendo o Estado total domínio sobre esse direito eminentemente público. Ao se deparar com influências privadas no direito processual com sucesso em outras nações, o legislador nacional passou a cogitar tal possibilidade. Assim foram as normas arbitrais e agora as convenções processuais. O NCPC – Novo Código de Processo Civil - inova e/ou amplia a possibilidade de as partes criarem normas procedimentais que se encaixem no caso concreto no intuito de tornar o processo judicial célere e eficaz. O instituto do negócio jurídico processual, para maior eficiência, precisa tornar-se unido à segurança jurídica para trazer solução em tempo razoável. Aplica-se também ao mesmo instituto limitações com base em normas materiais civis e constitucionais para que os abusos não impeçam a esperada eficácia pelos doutrinadores e pela jurisprudência.

Palavras-chave: Negócio jurídico processual. Duração razoável do processo. Princípios

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1 INTRODUÇÃO...06 2 NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL NA SUA NOVA FORMATAÇÃO LEGAL RELACIONANDO COM A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO...08

2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES E APRESENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS NO DIREITO COMPARADO SOBRE NEGÓCIO PROCESSUAL...08 2.2 BREVES CARACTERÍSTICAS DOS ACORDOS PROCESSUAIS...10 2.3 RELAÇÃO ENTRE A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO E O NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL...13

3 LIMITES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL...16

3.1 LIMITAÇÕES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL SOB UMA ANÁLISE DAS NORMAS PRINCIPIOLÓGICAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS...16 3.2 LIMITAÇÕES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL SOB A ANÁLISE DE NORMAS LEGAIS MATERIAIS...20

4 CONCLUSÃO...25 REFERÊNCIAS...27

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1 INTRODUÇÃO

Negócio jurídico processual, convenções processuais ou acordos processuais, tratam-se aqui como sinônimos. A doutrina tem trabalhado com muitas nomenclaturas e produzindo material a esse respeito, essa pesquisa não irá se atentar a essa discussão, apenas se vinculará às noções conceituais, características, breves informações em direito comparado e como se encontra posto no direito processual atual e prováveis formas de limitações.

A novidade legislativa trazida pelo novo código processual civil nos arts. 190 e 191, que amplia as possibilidades e, em tese, a celeridade, principalmente no que tange à economia de alguns atos, traz, também, a questão preocupante que seria o conteúdo desses negócios processuais. Em síntese, buscou-se analisar os reflexos do negócio jurídico processual na celeridade processual e, também, apresentando possíveis limites a estas convenções.

No direito romano foram encontradas ideias embrionárias do negócio processual na litiscontestatio. Neste processo primitivo romano as partes apresentavam-se perante o juiz e acordavam em aceitar a decisão que seria prolatada, e consequentemente, entende-se que renunciariam a qualquer discussão posterior. Esses acordos firmavam os limites da lide e como se daria o procedimento para se alcançar a verdade dos fatos.

Mas esse protótipo convencional além de desaparecer com o regime romano não avançou para outras civilizações próximas. O processo civil por muitos séculos foi tratado eminentemente como direito público intocável por normas privatistas. Na história medieval é difícil imaginar que o regime monárquico absoluto poderia, no ato de suas funções judicantes, permitir que as partes negociassem como se daria aquele processo de conhecimento ou de execução.

Apenas no século XIX, na Alemanha, Josef Kohler em um clássico “Ueber

processrechtliche Vertrage und Cretionem” traça as primeiras linhas sobre a intervenção das

partes, sobre a incidência do privatismo no mundo público e inflexível do processo civil, segundo citação na obra de Antonio Passo Cabral (2016, p. 97).

No Brasil, os códigos civis processuais de 1939 e 1973, não apresentavam meios flexíveis para administração processual pelas partes, salvo raríssimas exceções que não traziam relevância alguma. Eram leis rígidas quanto ao tema aqui proposto. Isso tornaria o processo ordinário inadequado, moroso, trazendo para os demandados a vantagem da rigidez estatal. Dessa inadequação aos casos concretos surgiram “costuras” e “remendas” na legislação processual como procedimentos especiais, criação de leis esparsas, possibilidade de

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decisões liminares, criação de leis que facilitassem os acordos extrajudiciais que não lograram muito êxito, entre outros. O crescente tráfego jurídico e suas inadequações passaram a apresentar grande ineficiência e falta de acesso à justiça, mesmo com a demanda em Juízo, devido à inflexão e morosidade dos processos ordinários.

Na exposição de motivo do NCPC ficam expressas cinco premissas que serviram para a criação e reformulação do atual código processual civil nacional. Duas merecem destaques relacionados com o tema dessa obra: 1) simplificação para solucionar e reduzir complexidade dos sistemas (processo) e subsistemas (procedimentos) e 2) conceder todo rendimento possível dentro de cada processo.

Assim, foi esse estudo eminentemente teórico, ao analisar poucos autores e literaturas já publicadas, devido à novidade do objeto estudado colocado pelo legislador na ordem processual brasileira. Feitas as análises do tema com cunho exploratório, que buscou relatos e opiniões de autores, também, ainda se familiarizando com o instituto. Para apurar as informações necessárias o método utilizado para angariar os dados foi bibliográfico.

O negócio jurídico processual, que já detém estudos e experiências no direito comparado, no Brasil é absolutamente neófito. Os operadores do direito nacional ainda “pisam” num terreno desconhecido quanto aos resultados práticos no porvir. Procura-se aqui trazer as primeiras impressões do instituto do negócio jurídico processual e apresentar as colocações dos doutrinadores que já se manifestaram sobre o tema para abastecer os leitores de aspectos sobre o mesmo.

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2.NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL NA SUA NOVA FORMATAÇÃO LEGAL RELACIONANDO COM A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO

2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES E APRESENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS NO DIREITO COMPARADO SOBRE NEGÓCIO PROCESSUAL

O sistema processual civil brasileiro após a sua nova versão, publicado em 15 de março de 2015, passando a vigorar um ano depois tem como objetivo primordial, não podendo ser diferente, acelerar a marcha processual. Em seu bojo alguns princípios constitucionais são legalizados e outros são criados conforme se apresentam no Título Único, do Livro I na Parte Geral. Dentro das várias modificações está a flexibilização de atos processuais entre as partes e magistrados, cuja mudança feita pelo legislador, percebe-se que tem o nítido objetivo de tornar mais célere a atividade processual civil, pois permite às partes escolherem, dentro de certas regras, alguns atos que lhes sejam interessantes.

Estamos diante, desta forma, de um negócio jurídico processual autorizado pelo Estado/juiz.

Segundo Cabral (2016, p. 326), esses institutos se prestam à construção, de forma consensual, cooperativa e justa, de um procedimento próprio e adequado ao caso concreto, visando, antes de tudo, eliminar impasses processuais, mas sem limitar ou reduzir garantias constitucionais estabelecidas.

Em breve síntese, segundo Flávio Pereira Lima (2015), o negócio jurídico processual “... nada mais é do que a flexibilização do processo civil, por meio de acordo entre as partes”.

Dario Ribeiro Machado Junior e outros (2015, p. 109) descreve sobre a utilização desse instituto há algum tempo fora do Brasil, quando diz: “A flexibilização do procedimento - que era limitada nos arts. 181 e 182 do código revogado aos prazos dilatórios, áreas de difícil acesso e casos de calamidade pública – é uma tendência no direito europeu, onde a contratualização de normas processuais já existe e vem sendo aplicada com sucesso”.

O Código de Processo Civil alemão criado em 1879, resistente às várias mudanças políticas e sociais durante sua existência, teve, em 2002, uma importante alteração para facilitar a gestão processual. Essa reforma fortaleceu a pessoa do magistrado, dando-lhe poderes que aumentaram sua flexibilidade na gestão dos processos e também, dando poderes às partes com a criação dos contratos processuais no intuito de suprir características particulares de cada causa.

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No direito francês foi estabelecido o Decreto 1678-2005, de 28 de dezembro de 2005, que deu aos juízes mais poderes para administrar o processo, em consequência desse ato legislativo começaram as discussões para uma contratualização da justiça. Assim foram criadas regras que possibilitaram às partes administrar o processo mesclando o princípio do contraditório com o princípio da cooperação, criando, desta forma, convenções para impedir o processo e, caso não conseguisse evitá-lo, fazer-se-ia durante o processo para torná-los dinâmicos.

Buscando a qualidade e melhor funcionamento do processo civil, a Itália aprovou, em 18 de junho de 2009, a Lei 69/2009. Foram criadas muitas técnicas processuais buscando efetivar o direito, oportunidade essa em que foi instituído o calendário processual. Tais técnicas processuais realizadas entre o juiz e as partes buscam, após a definição dos pontos conflitantes e a fixação dos meios de prova, fazer uma análise temporal do processo de acordo com as complexidades de cada causa com o objetivo de se aproximar o quanto antes do fim do processo com seu mérito.

Tal instituto - negócio jurídico processual - não é particularmente algo novo em nosso sistema. O código de processo civil de 1973 já apresentava algumas pouquíssimas situações onde as partes poderiam acordar sobre um ato processual como, por exemplo, a suspensão processual. Entretanto, por ser em singulares situações, a doutrina não se prostrou sobre uma análise mais profunda. Sequer havia uma nomenclatura específica que pudesse agrupar tais espécies de atos processuais em um gênero, que hoje a doutrina chama de negócio jurídico processual.

Também em algumas leis extravagantes já existiam atos que deflagrassem situações de negócios jurídicos durante o processo. A mais importante até a expedição do código de processo civil de 2015, sem dúvida, é a Lei de Arbitragem, nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, onde fica expressa em seu art. 21.

Art. 21. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na

convenção de arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral

institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento. (grifo nosso)

Na lei 8.245, de 18 de outubro de 1991, que trata das locações de imóveis urbanos, expressa em seu inciso IV, do art. 58, formas de citação, intimação e notificação judicial que podem ser acordadas entre as partes no próprio contrato de locação.

Como se verifica, são normas bem singulares espalhadas pelo sistema jurídico nacional, não tendo por parte dos doutrinadores um estudo aprofundado.

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Por ser desconhecida por alguns operadores do direito, os mesmos se utilizavam dessa autonomia dada pela legislação em poucas oportunidades. Agora com a expansão e generalização dos atos procedimentais que podem ser negociados entre as partes, naturalmente, sua utilização será maior. Entretanto, é necessário considerar que o processo judicial foi e continua sendo gerido pelo Estado/juiz. Não deixando de entender que a “última palavra” na escolha dos atos procedimentais pertence ao magistrado da causa, sendo função típica do Juízo zelar pela perfeita condução do processo e, é claro, à aplicação das leis, tanto a favor das partes quanto a fim de proteger a jurisdição monopolizada pelo ente público.

Por isso, há relatos na doutrina de que essa terminologia - negócio jurídico processual - seria equivocada. Sendo que a jurisdição de monopólio do poder público, restringindo os atos procedimentais que poderiam ser acordados no processo – ônus, poderes, faculdades e deveres processuais antes e durante o processo – não se poderia falar em negócio jurídico, pois essa liberdade de negociação além de muito limitada é, em última análise, autorizada pelo magistrado da causa, perdendo os requisitos que compõem o negócio jurídico. Segundo Flávio Luiz Yarshell (2016, p. 76), ponderáveis opiniões repudiam taxativamente a existência de negócios jurídicos processuais, em síntese, sob o argumento de que não haverá prevalência da vontade para determinar o conteúdo do processo, determinado, antes de tudo, pela lei.

Ao analisar que todo e qualquer contrato na esfera do direito material é, em sua maior parte, delineado de regras determinadas pelo legislador, isto é, existe um arcabouço de normas que circulam os indivíduos no momento da oficialização da vontade, onde esses indivíduos não podem extrapolar os limites estabelecidos, ou seja, tudo é permitido dentro da esfera jurídica criada pelo poder público. Utilizando essa premissa, é possível identificar os atos de vontades realizadas pelas partes processuais, antes e durante o processo, dentro do limite estabelecido pelo legislador como negócios jurídicos processuais.

Assim, dentro da premissa negocial, apresenta-se um acordo jurídico bilateral quando uma parte admite determinada vontade, sendo esta dentro dos limites estatais, deferido pela autoridade competente e autorizada pela parte processual adversa. Percebe-se que é possível passar ao largo dessa polêmica e conceitualmente admitir a existência de negócios jurídicos processuais.

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Não há dúvida na doutrina pátria sobre a já longa existência de atos procedimentais negociáveis entre as partes, como já alguns exemplos mencionados acima. Estes são os negócios jurídicos processuais típicos, cujo procedimento é expressamente autorizado e regulamentado pelo legislador. Com o código processual civil de 2015 essas convenções ganham possibilidades atípicas. Trazendo toda a discussão sobre o tema. Interessante notar que o respectivo dispositivo que trata do tema não impõe restrição à vontade das partes para acordarem. Legitimando, inclusive, os acordos pré-processuais inseridos nos contratos materiais.

Essa alteração feita pelo novo código processual civil pátrio traz muita relevância para os operadores do direito. Visualiza-se, pois, que o negócio jurídico processual na sua amplitude atípica rompe com o modelo presente no sistema processual anterior que vigorou por muitos anos. O modelo do código Buzaide, como seus antecessores, sempre foram de procedimentos rígidos, sendo o magistrado o gestor inflexível da burocracia processual. Atualmente, com a mudança de paradigma, as partes, considerando, é claro, os limites plausíveis estabelecidos - neste último em que se encontram muitas discussões doutrinárias - detêm ampla liberdade para acordarem sobre, o agora, flexível processo judicial.

Esses dados narrados acima falam sobre os atos bilaterais, onde, por óbvio, as partes de comum acordo, administrado pelo magistrado escolhem o procedimento a ser seguido. Acontece que o mesmo código processual fala, ainda, sobre os negócios jurídicos unilaterais.

Tendo em vista que qualquer procedimento unilateral dispensa a autorização da parte contrária, estes estão expressamente autorizados, sendo típicos, com seus efeitos vinculados. Não é porque o ato é unilateral que deixa se de ser um negócio jurídico processual. Nas palavras de Marcela Kolbach de Faria (2016, p. 397) “a vontade das partes subsiste tão somente com relação à categoria que se quer enquadrar o negócio jurídico[...] não podendo ser modificado pela vontade das partes, sob pena de descaracterizá-lo”. Ou seja, não poderiam as partes alterar os efeitos do negócio jurídico unilateral através de um negócio jurídico bilateral.

Exemplos clássicos de negócio unilateral são as desistências da ação, do recurso ou do não pagamento das custas judiciais, onde os efeitos advindos dessas desistências, que é o trânsito em julgado, não podem ser alterados, pois são normas cogentes.

Outro caso de negócio jurídico processual unilateral é o direito ao parcelamento de débito, que no código anterior já era autorizado, mas agora foi mais bem regulamentado, permitindo ao devedor, nos embargos à execução, depositar trinta por cento do débito mais

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custas e honorários, sendo intimado o exequente não para concordar e sim para apenas verificar se os requisitos formais foram devidamente preenchidos, como expressa o art. 916,

caput e §1º, do NCPC.

Portanto, os negócios jurídicos processuais foram e passam a ser, além de mais estudados pela doutrina, mais regulamentados e utilizados pelos operadores do direito, numa nova visão processual trazida pelo legislador.

Como é absolutamente comum na doutrina para fins de estudo a classificação de um instituto pode ser das mais variadas possíveis. Entretanto, nas palavras de Pedro Henrique Nogueira(2016, p. 104)é aceitável classificar como espécies de acordos de procedimento os tipos estáticos e dinâmicos, ou ainda, antecedente ou subsequente.

Estáticos quando as partes optam por procedimentos já permitidos em lei, que não precisam de muita regulamentação, apenas optam por esse ou aquele ato, a exemplo da escolha do rito monitório ou comum. O fato de acordarem as partes não faz desse acordo nada de inovador frente à criação procedimental, analisando com mais cautela, visualiza-se claramente que esses são os negócios processuais típicos.

Os dinâmicos visualizam-se, de fato, os negócios jurídicos processuais, podendo chamar de stricto sensu. São os expressamente autorizados pelo art. 190, NCPC, onde a ideia de criação de procedimentos entre as partes está definida em lei. Têm-se, então, permissão para as partes acordarem um rito específico para a causa concreta, seja diminuindo fases, limitando ou aumentando os dias de prazo, negociando meios de prova, entre outros. O que ora a doutrina entende como os acordos atípicos.

Quanto à característica de antecedente ou subsequente, nada mais é que o momento em que esses acordos são criados juridicamente. Ambos podem ser dinâmicos ou estáticos. Antecedentes, ou ainda na doutrina, pré-processuais, são os realizados durante a assinatura do contrato, negócio jurídico material. O rito processual poderá ser disciplinado no contrato civil entre as partes, como forma de intimação por email, por exemplo, independente da judicialização ou não do objeto do contrato.

As subsequentes são os negócios jurídicos criados após a judicialização do bem da vida. Podendo ser acordados entre autor e réu, exequente e executado etc, em qualquer fase do processo. Sendo seu momento mais oportuno na audiência de conciliação, fase essa criada para que o Estado ofereça um momento informal para que as partes, através do diálogo, possam se entender. Sendo possível a sugestão de negócio jurídico processual, inclusive, pelo conciliador ou magistrado, na tentativa de tornar célere o andamento do processo.

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2.3 RELAÇÃO ENTRE A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO E O NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL

A EC 45, de 8 de dezembro de 2004, cria o inciso LXXVIII no art. 5º da Carta Magna e com ele traz para o sistema jurídico nacional uma norma principiológica que deverá ser seguida tanto nos processos judiciais como administrativos. Tal norma se refere à busca pela rápida solução dos litígios, independente da esfera onde os mesmos se encontram. Trata-se da criação pelo constituinte derivado do princípio da razoável duração do processo. Princípio este, antes, apenas constitucional, agora, também legal, sendo que o primeiro nunca deixou de ser relevante ou útil ao sistema e, foi por causa dele que tal idéia se repete apenas para efeitos de ênfase e maior proximidade com o direito processual civil infraconstitucional.

Esse princípio deve ser trabalhado invariavelmente de acordo com o caso concreto de cada procedimento, judicial ou administrativo. Processo com alta complexidade não tem condição de ser rápido como um processo de baixa complexidade, mais pode ser célere dentro da sua complexidade. Nas palavras de Cassio Scarpinella Bueno (2016, p. 54) “O que o princípio quer, destarte, é que a atividade jurisdicional e os métodos empregados por ela sejam racionalizados, otimizados, tornados mais eficientes, sem prejuízo, evidentemente, do atingimento de seus objetivos mais amplos”. Ou seja, o que deve ser relevante para a concretização da razoável duração do processo é a economia de atividades jurisdicionais que não prejudicam o devido processo legal e que não interfere no mérito da causa. Duração razoável não é sinônimo de rapidez.

Baseado no princípio narrado acima, cujo fim principal, em tese, é potencializar a macha processual, cria-se o instituto das convenções processuais. Entre as novidades trazidas pelo novo código de processo civil, o negócio processual busca racionalizar, otimizar e atingir o mérito do processo em tempo razoável sem prejudicar os atos relevantes.

Assim, o legislador expressa claramente que os direitos subjetivos das pessoas devem ser solucionados dentro da máxima garantia social, com menos sacrifício possível dos direitos individuais e, também, com economia de tempo e energia. Com o novo diploma processual civil procura-se infundir como cultura entre as partes e procuradores a ideia de autocomposição. Sendo esse mesmo código comprometido com o sistema “multiportas” com o objetivo de solucionar litígios. Isso se compreende das palavras de José Rogério Cruz e Tucci (2016, p. 24) a seguir:

Aduza-se que o próprio código de processo civil de 2015, comprometido com o sistema “multiportas” de solução de litígios, de forma muito original, fomenta, no art. 174, a criação, pela União, Estado, Distrito Federal e pelos Municípios, de

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câmaras de mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo.

Dentro dessa nova dinâmica do Código de Processo Civil de 2015 surgem ainda várias situações que têm por função acelerar os processos judiciais como os centros judiciários de solução consensual, que administram as audiências de mediação de conciliação (art. 165); cria princípios que regulam essa mediação e conciliação (art. 166); determina ao autor a faculdade de realizar a audiência de mediação e conciliação (art. 319, VII); cria o procedimento da audiência de mediação e conciliação (art. 334); e, nos litígios familiares, sugere a solução consensual de mediação extrajudicial (art. 694).

Com todas essas normas trazidas pelo NCPC acredita-se, sem maiores incertezas, que a efetivação do instituto dos negócios jurídicos processuais ganha substancial importância.

Dentre as espécies típicas de negócios jurídicos processuais é, sem dúvida, a mais evidente trazida pelo NCPC, o calendário processual presente no art. 191.

Do protocolo da demanda judicial até o momento da fase de saneamento processual, que antecede a instrução ou até o ato de conclusão para julgamento, há diversos procedimentos, principalmente as intimações ou ainda, expedição de ofício para outros órgãos, que deixam a primeira fase processual, às vezes, extremamente desgastantes e longas, sem mencionar as diligências sem êxitos nas secretarias feitas por advogados que laboram em comarcas fora do seu domicílio, desta forma, para minorar com eficiência tal fase o calendário processual pode tornar-se uma conduta relevante.

Nesse contexto o calendário processual surge como uma oportunidade relevante para que muitos atos procedimentais sejam simplesmente extintos, a exemplo, do tempo e energia dispensada aos servidores do cartório judicial para confecção dessas intimações. A economia de tempo é substancial.

O calendário processual que pode ser, inclusive, antecedente à lide, através de negócio jurídico realizado entre as partes, podendo nessa oportunidade ser disciplinada, por exemplo, a comunicação dos atos processuais por e-mail cadastrado no contrato. Visualiza-se, nestes termos, a concretização do princípio da razoável duração processual, criado principiologicamente na Constituição da República para fomentar tal iniciativa, pelos poderes públicos, através da criação de regras que assim o concretizem.

Toda essa nova estrutura negocial dentro do processo civil trazida pela nova legislação processual, tendo com base estudos pelos mais diversos técnicos e doutrinadores, como também bastantes exemplos práticos bem-sucedidos na legislação internacional, que

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demonstraram que os atos processuais podem ser melhorados e modernizados. Modernização essa que agora introduzida no ordenamento nacional busca, através dos vários atores, unidos pelo princípio do cooperativismo, aprimorar o alcance da tutela jurisdicional.

Inicialmente, há um período de adaptação e conhecimento pelos operadores do direito de um instituto, em certo nível, novo no ordenamento. Não se sabe exatamente como esses operadores se relacionarão com as convenções processuais. A princípio, os reflexos podem ser tímidos no corpo de magistrados, uma vez que no Brasil, para quem exerce a prática forense, os juízes não estão acostumados a dividirem suas atribuições com outros atores do processo, não é comum os magistrados lidarem com atos de disposição na marcha processual, muito menos construir com os advogados soluções que possam objetivar a extinção da lide através da análise do mérito. Por isso se faz, mais do que relevante, que juiz e partes se apossem com responsabilidade do princípio do cooperativismo. Tais atitudes, analisando de forma racional, em tese, trarão menos processos que irão demandar perda de tempo e energia, os servidores trabalharão com menos atos cartorários a realizarem, as partes terão em menor tempo respostas com ou sem deferimentos das suas questões, e os advogados se dedicarão a muitos outros processos mais complexos.

Todo esse contexto apresentado linhas acima ainda demandará da doutrina e jurisprudência um papel importante na interpretação e explicação de várias regras vindouras criadas pelas partes, muitas dúvidas certamente surgirão, mas aquelas irão conferir segurança jurídica e aumento da confiabilidade do instituto em análise.

Pode-se notar que os negócios jurídicos processuais, sejam atípicos ou típicos, como o calendário processual, constituem importante modernização no processamento dos conflitos jurídicos apresentados pela sociedade, trazendo, em tese, maior economia processual, e por consequência, possível desaforamento, ainda que não o suficiente, de milhares e milhares de processos jurídicos.

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3 LIMITES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL

Como apresentado no capítulo anterior esperam-se enormes possibilidades, em tese, dos acordos processuais trazerem uma nova dinâmica para o processo no que tange à sua celeridade, pois a adequação das normas de procedimento ao caso concreto, acredita-se que possibilitará a economia de inúmeros atos. O princípio constitucional da duração razoável do processo parece evidenciar-se com a generalização dos acordos processuais. Entende-se que esse é a intenção primordial da reforma, sem, é claro, prejudicar a segurança jurídica.

Partindo do princípio da cooperação combinado com a boa-fé presentes nos atores do processo judicial a flexibilização dos procedimentos, sendo os direitos materiais em litígio passível de autocomposição, será de grande valia para todos. Entretanto, até que ponto podem chegar esses acordos? Qual o seu limite? Essa é a grande dúvida e incerteza trazida pelos operadores do direito e pela doutrina. É nessa seara – limites – onde encontram-se as maiores preocupações doutrinárias sobre o tema.

3.1 LIMITAÇÕES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL SOB UMA ANÁLISE DAS NORMAS PRINCIPIOLÓGICAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

Em 2008, já havia por parte da doutrina análises mais aprofundadas sobre as vantagens ou desvantagens sobre a flexibilização das normas procedimentais em âmbito nacional. Fernando da Fonseca Gajardoni (2008, p. 87-88) se pronunciava sobre a questão informando que as normas que regem o processo são eminentemente cogentes, não dadas a alterações pelos atores processuais, sejam elas partes e/ou juiz, mas que certa flexibilização poderia ser feita tendo uma finalidade, um contraditório e uma motivação.

Obviamente, algum critério, ainda que mínimo, deve haver para que possa ser implementada a variação ritual, sob pena de tornarmos nosso sistema imprevisível e inseguro, com as partes e o juiz não sabendo para onde o processo vai nem quando ele vai acabar.

Esse critério consiste na necessidade de existência de um motivo para que se implemente, no caso concreto, uma variação ritual (finalidade), na participação das partes da decisão flexibilizadora (contraditório) e na indispensabilidade de que sejam expostas as razões pelas quais a avaliação será útil para o processo (motivação).

Gajardoni, naquela oportunidade, expressava preocupações com as imprevisíveis e inseguras normas propostas pelas partes no processo e narra, o que poderia ser uma espécie de limitação para a flexibilização, citando alguns princípios notórios como possíveis limitações para aquilo que poderia ser criado nas convenções processuais.

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Percebe-se claramente nas palavras de Gajardoni o chamamento dos princípios da efetividade (inciso XXXV, art. 5°, CF) e da razoável duração do processo (inciso LXXVIII, art. 5°, CF). O procedimento rígido que traz a segurança jurídica, em tese, pode ser flexibilizado quando a segurança jurídica for mantida com um processo efetivo, através da entrega ao jurisdicionado do que é “justo” e “devido” e com celeridade processual. O limite dos acordos processuais pode ter como finalidade uma demanda célere e eficaz.

Observa-se a necessidade de utilização dos princípios que norteiam o processo civil quando o processo decisório está diante de regras não expressamente regulamentadas (normas abertas).

O princípio da eficiência presentes tanto na Constituição, como no NCPC - art. 5º, LXXVIII e 4º, respectivamente – traz para o ordenamento a idéia de desburocratização de atos. Muitas ações da administração pública, no Brasil, têm se mostrado irrelevante para se alcançar aquilo que se propunha. A eficácia e agilidades de procedimentos têm se mostrado um fim que se deve buscar, e muitos avanços são perceptíveis. Um exemplo que aparenta ser notório se mostrou na chamada “prova de vida” realizada por beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS quando, há alguns anos, milhões de cidadãos foram obrigados a permanecerem horas e mais horas em filas nas agências do INSS para afirmarem que não haviam falecidos. Pouco tempo depois, tal ato foi delegado às agências bancárias onde os mesmos recebem seus valores em datas diferentes, tornando tal conduta administrativa extremamente eficaz e ágil em prol dos cidadãos.

Cabe salientar que esse princípio não busca apressar de forma irresponsável, mas sim, trabalhar os atos processuais naquilo que tem absoluta essencialidade e otimização. Combinando com o instituto da instrumentalidade das formas, extraídos dos arts. 188 e 277, NCPC, deixando de anular ou convalidando aquilo que não traz prejuízo processual algum. Essa conjugação apresenta-se como ações relevantes nas limitações e homologações das convenções processuais.

Visualiza-se nessa oportunidade o princípio do contraditório como requisito limitativo para a flexibilização dos negócios processuais. Onde as partes envolvidas têm que ter o pleno conhecimento e profundidade das condutas e das consequências das regras por elas criadas. O magistrado deve ter uma participação através do diálogo com as partes, tendo os atores processuais plena participação e influência nas regras criadas e homologadas pelo Juízo.

Tem-se ainda a presença do princípio da motivação, regra constitucional que veda as manifestações surpresas do detentor do poder/dever encarnado no magistrado. Sendo

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relevante que as decisões sejam explicadas, fundamentadas e justificadas. Como a flexibilização do procedimento em favor da celeridade e eficiência é uma decisão interlocutória, a mesma precisa, em caso de alguma possível dúvida, para evitar prejuízos posteriores, ser previamente conhecida pelas partes que aceitaram fazer as regras do “jogo”. Ou seja, acordos mal implementados podem trazer atrasos com correções recursais.

Finalizando a apresentação de alguns princípios que podem auxiliar o magistrado na interpretação, administração e limitação de convenções processuais, expõe-se, também, o princípio da hermenêutica.

Instituto presente no art. 8º do NCPC, o princípio da hermenêutica propõe estabelecer algumas diretrizes que devem guiar os julgadores. Para isso, o mesmo artigo apresenta outros princípios norteadores, não deixando de verificar aspectos sociais e humanos juridicamente estabelecidos no ordenamento pátrio. Outro aspecto relevante a se considerar são os métodos interpretativos constante na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB que pode ser combinado com o art. 140 do código civil processual vigente que impõe aos magistrados a manifestação no caso de inexistência de normas jurídicas específicas da causa, podendo utilizar o apanhado jurídico nacional e/ou a equidade.

Para Flávio Tartuce (2015), outra forma hermenêutica de limitação das convenções processuais encontra-se bem traduzida no Enunciado n. 16 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC):

“E. 116: ‘O controle dos requisitos objetivos e subjetivos de validade da convenção de procedimento deve ser conjugado com a regra segundo a qual não há invalidade do ato sem prejuízo’. O prejuízo para as partes deve ser essencial para o reconhecimento de sua invalidade, o que está na linha do princípio da conservação dos atos e negócios jurídicos, tão prestigiado entre os civilistas, pela clara valorização da autonomia privada.”

Nas palavras de Cassio Scarpinella Bueno (2016, p. 235) durante a existência do CPC de 1973, a doutrina e a jurisprudência que foi criada e consolidada, reconheceu que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, ao objetivo do ato, mesmo quando realizada diferente do que dispõe a norma. Nesse quesito, como reconhecer a nulidade de um ato cuja lei não prescreve nenhuma regulamentação? Seria o microssistema processual civil a base para se interpretar e julgar válido aquele ato ou toda a base do sistema jurídico nacional?

Essa relação limítrofe que os negócios processuais estão sujeitos são, em alguns casos, normas cogentes. As normas processuais são estritamente de direito público, pois é o Estado que direciona o processo e o procedimento judicial.

Mesmo tendo o magistrado o poder/dever de averiguar as possíveis nulidades, há que se considerar que muitos acordos podem ferir o monopólio do Estado sobre o processo,

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trazendo algumas complicações ou insegurança social para o princípio do devido processo legal. Um ponto relevante para se evitar o rompimento dos limites juridicamente aceitáveis dos acordos processuais segundo Cássio Scarpinella Bueno (2016, p. 216) é a capacidade negocial das partes:

Tudo aquilo que estiver fora do alcance negocial das partes com relação ao plano do processo não pode ser objeto de negócio jurídico. Uma coisa, enfatizo, é atestar a plena capacidade negocial das partes diante de um direito (material) que aceita autocomposição. Outra, bem diferente, é querer comunicar esta liberdade para o modo de atuação do Estado-juiz, isto é, para o plano do processo, inclusive na perspectiva da organização de seus próprios atos, isto é, procedimentos.

O novo traz apreensão, até porque, o art. 190, NCPC, onde expressa a possibilidade de negócio processual apresenta-se como uma norma aberta. O magistrado tem o poder/dever de administrar, no caso concreto, os acordos processuais que possam ou não tirar do Estado/juiz sua soberania sobre o próprio processo, que é monopolizada pelo mesmo, como também o poder/dever de aplicar a lei de forma imparcial.

O parágrafo único do art. 190, NCPC, apresenta uma importante regulamentação onde, no seu caput diz: “de ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade”.

Visualiza-se algumas situações limitadoras das negociações processuais como as situações de nulidades, as colocadas de maneira abusiva em contrato de adesão e os que, quanto às partes, que se encontre em situação de vulnerabilidade.

As duas últimas mencionadas acima – acordos abusivos e partes vulneráveis – tornam-se, em tese, perceptíveis aos olhos dos magistrados, aparentam ser de mais fácil controle, entretanto, a primeira e mais importante situação limitadora, as nulidades, de determinação exclusiva do magistrado, requer do mesmo uma análise subjetiva bastante aprimorada não estando ele livre de suas próprias fragilidades e limitações e ainda, influências de ordem externas, como midiáticas, econômicas, interesses sociais entre outras.

Nota-se a evidente importância dos princípios, sejam constitucionais ou legais, no momento de conflitos interpretativos das normas processuais criadas pelas partes quando as mesmas tiverem características muito específicas para a causa e que sua existência no mundo fático exigirá dos magistrados, talvez, esforços subjetivos ainda não experimentados.

Princípios como segurança jurídica, cooperação, boa-fé objetiva, eficiência processual e, é claro, hermenêutica processual civil são “armas” que devem ser de

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conhecimento pleno das partes envolvidas no caso específico pois, de posse de tais informações, a demanda sofrerá menos intervenções corretivas ou recursos que surgem unicamente para resolver questões interpretativas sem alcançar o bem da vida, tornando o processo longevo.

3.2 LIMITAÇÕES DO NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL SOB A ANÁLISE DE NORMAS LEGAIS MATERIAIS

É importante observar que como a generalização do instituto do negócio jurídico processual cria normas abertas, sendo tais acordos totalmente atípicos, como tal, as nulidades não se verificarão na análise fria do novo código processual. Pois sendo acordos atípicos não há nada que regule diretamente aquelas regras criadas entre as partes antes ou durante o processo.

Poder-se-ia utilizar as regras contidas no direito material, mais precisamente o instituto da nulidade contida no código civil de 2002?

As regras que tratam das nulidades processuais contidas no código civil é uma ferramenta quase que obrigatória na solução de conflitos advindos das convenções processuais, podendo, inclusive, ser alinhados com a análise dos princípios processuais de natureza constitucional e legal.

Requisitos mínimos para o negócio jurídico devem estar presentes como o de existência, forma escrita ou oral reduzida a termo e, um objeto, que é a razão de ser do negócio, temos ainda os requisitos de agente que exterioriza uma vontade, lugar e tempo. Validade que nada mais é dos que os requisitos de existência adjetivados pela vontade livre do agente, não coagido, com capacidade para declarar a vontade, no caso de negócio jurídico processual, ser o advogado regularmente inscrito no conselho e, ainda, objetos lícitos e/ou alcançáveis juridicamente. Pode-se ter também, algum requisito de eficácia, como termo ou condição que na prática negocial processual pode ter menos evidência.

A perfeita análise das nulidades decorrentes dos acordos fica sujeita ao controle do órgão jurisdicional competente para a causa, seja juiz ou relator, tendo como base as normas civis de controle de negócios jurídicos, como também, aos princípios processuais presentes no contexto jurídico do bem da vida demandado. O controle deverá ser feito durante o andamento processual, não tendo preclusão para tal tema, pois, sendo de ofício sua declaração, as partes poderão, inclusive, alegarem a qualquer tempo as possíveis nulidades.

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Há os vícios de anulabilidade presentes na lei civil que são naturalmente aplicáveis na seara processual. Sendo alegadas por demandas autônomas das partes nos termos do art. 177 do CC/2002, pois a anulabilidade só interessa a quem possa alegar, pois não são suficientes para prejudicar a validade do processo e sim há interesses privados. As anulabilidades, além de serem requisitadas exclusivamente pela parte interessada não tem efeito antes de prolatada a sentença anulatória e pode ser solicitada, inclusive, após o trânsito em julgado, a partir do fim daquilo que a tornou passível a anulabilidade até quatro anos. Tem-se aí, talvez, uma desvantagem dos acordos processuais, pois de acordo com as regras da lei civil que regula negócios jurídicos, caso não percebido determinado vício anulável, a demanda será desarquivada para posterior análise, mas será vantagem pois, a segurança jurídica está sendo alcançada ainda que de forma processual tardia por falta de percepção das partes, não podendo, naturalmente, aquele que der causa suscitar a anulabilidade.

Debatendo ainda sobre o tema, a primeira causa de nulidade presente no art. 190, do NCPC, quando o juiz recusar aplicação no caso de nulidade, tal reconhecimento de ofício, pode ser conhecida como norma que fere a ordem pública ou normas cogentes. Apesar de aberta a regra que normatiza os negócios processuais, essa abertura tem um limite. Todos os acordos que estiverem além do alcance das partes, no que tange ao plano processual, deixam de ser objeto dos respectivos negócios, não sendo possível essa abertura negocial jamais atingir o modo de atuação do Estado-Juiz na proclamação da ordem pública através de suas instituições. Mesmo sendo intimamente ligados pelo plano material e processual os acordos entre as partes, por mais eficientes que sejam para tornar céleres as demandas solucionando os conflitos, não podem conflitar com os interesses estatais cogentes mesmo para “ajustá-los às especificidades da causa” como se infere do art. 190, do NCPC.

Segundo Cassio Scarpinella Bueno (2016, p. 217) os acordos processuais não tratam de diminuir o “processo” em detrimento do “direito”, mas sim de ter instrumentos que empoderem as partes com limites e que tais negociações na atuação das partes não atritem com o núcleo duro representado pelas normas cogentes. Prosseguindo ainda no raciocínio do mesmo, não pode o código de processo civil suprimir ordem constitucional no que tange à criação de normas procedimentais processuais, inciso XI, art. 24, da CF. Assim, no entendimento do mesmo, não pode haver convenção processual sobre os seguintes temas: (i) deveres-poderes do magistrado ou sobre deveres regentes na atuação das partes e de seus procuradores; (ii) sobre a força probante dos meios de prova; (iii) sobre os pressupostos de constituição e desenvolvimento válido do processo e/ou do exercício do direito de ação; (iv) sobre as hipóteses da tutela provisória; (v) sobre as formas e técnicas de cumprimento de

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sentença e de execuções; (vi) sobre a coisa julgada; (vii) sobre o número de recursos cabíveis ou interponíveis e seu respectivo regime jurídico ou (viii) sobre as hipóteses de rescindibilidade.

Acima se expressa as preocupações que, teoricamente, o negócio jurídico processual, cuja característica da generalidade inovada pelo novo código de processo civil, pode trazer para o ordenamento. A insegurança jurídica não pode sequer aventar em aparecer na prática judicial, todos os esforços feitos pela doutrina, jurisprudência e legislador são no sentido de inviabilizá-la. Desta forma, a amplitude do termo no art. 190, NCPC que diz “...é lícito às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa...” deve ser limitada pela interpretação contextualizada das demais normas interpretativas, tanto constitucionais como legais, seja através de princípios ou outras regras materiais, para limitar a respectiva amplitude da norma em estudo com o objetivo de não trazer insegurança jurídica, isso se manifestará através da declaração de nulidade pelo Juízo competente.

As demais hipóteses em que o juiz da causa pode suscitar para impedir o negócio processual são as situações em que a parte está em visível hipossuficiência jurídica, onde a paridade das “armas” apresenta-se em total desequilíbrio, como também as regras que são impostas por contrato de adesão, tais são amplamente utilizadas no direito consumerista.

Mesmo que tais regras estejam dentro dos limites discutidos linhas acima, a ponto de não haver nenhum indício de nulidade ou anulabilidade, mas a forma como foram inseridas nos contratos de adesão, fontes infinitas de conflito devido à sua natureza coletiva, onde são negociados milhares de contratos, não sendo possíveis negociações individuais, trazem inúmeros abusos que podem ser visualizadas por alguns e esquecidas pelos demais, como também aquelas regras que claramente geram situação de desequilíbrio entre as partes.

É importante ressaltar que não há nenhuma proibição legal da inserção de regras processuais nos contratos de adesão como bem salienta Leonardo Carneiro Cunha (2016, p. 71).

Cumpre, desde logo, advertir que não se veda, prévia e genericamente, o negócio processual um contrato de adesão. Em tese, é possível, cabendo apenas ao juiz controlar validade da respectiva cláusula, recusando-lhe aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou no qual alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade. A simples circunstância de o contrato ser de adesão não é suficiente para se ter como nula ou ineficaz a cláusula que disponha sobre procedimento ou sobre regras processuais.

A legalidade da cláusula negocial colocada em contrato de adesão deve respeitar as garantias basilares do processo entre eles a paridade das “armas” jurídicas, colocando o

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aderente contratual em posição de igualdade com o criador da cláusula do negócio processual, lembrando que essa criação é unilateral devido à natureza do contrato.

As situações que importem em cláusula abusiva em contrato de adesão e/ou que exponham situação de vulnerabilidade expressos no parágrafo único do art. 190, NCPC, quando presentes são suficientes para que o magistrado negue aplicação da regra negocial criada.

Outro tema a se tratar no instituto das convenções processuais aparece na impossibilidade das mesmas quando o bem da vida for indisponível. Na seara dos direitos onde não admite autocomposição é possível a aplicação dos acordos processuais?

O art. 190, do NCPC, que traz para o direito processual nacional a possibilidade de generalização dos acordos procedimentais, encontra-se, nas primeiras linhas, a seguinte afirmação “Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição...”. Em rápida análise verifica-se que tal generalização não se impõe nas ações onde o direito material é indisponível. Isso acontece devido a uma simples colocação linguística do texto, aparentemente de forma involuntária do legislador. Esse entendimento, contextualmente interpretado, não impede a inaplicação que aparenta afirmar.

Como se daria tal utilização?

A indisponibilidade do direito material não leva necessariamente à proibição de negócios processuais. A realização de negócios jurídicos em processos com direito material indisponível não leva a disposição desse último, pelo contrário, tais acordos podem, de forma “justa” e eficaz materializar o direito material indisponível na respectiva demanda.

Antonio do Passo Cabral (2016, p. 687) apresenta, de forma muito clara, alguns exemplos que testificam a perfeita utilidade dos acordos nessa seara.

Imaginemos uma demanda em que figure um incapaz, ou numa ação coletiva: caso o MP ou outro legitimado extraordinário firme convenção processual para fixar um foro competente que seja mais eficiente para a colheita da prova ou que importe em maior proximidade geográfica com a comunidade lesada; ou um acordo para ampliar os prazos que possui para praticar atos do processo; ou uma convenção que amplie os meios de prova, ou que facilitem o acesso à justiça do incapaz. Enfim. Os exemplos são inúmeros e mostram que, mesmo em processo com alguma indisponibilidade, são possíveis.

É com base nesses fundamentos que muitos processualistas já se pronunciaram sobre o cabimento da generalidade dos acordos processuais em demandas cujo bem da vida seja indisponível. Essa posição foi tomada através da publicação do enunciado nº 135 do VII Fórum Permanente Processualistas Civis quando expressa que: “A indisponibilidade do direito material não impede, por si só, a celebração de negócio jurídico processual”.

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Assim, evidencia-se que as convenções podem ser feitas em demandas quando o objeto do mérito for indisponível, pois os acordos processuais podem, no caso concreto, acelerar a entrega ao requerente, sendo esse o fim almejado pelo legislador do NCPC.

Toda e qualquer atividade negocial realizada nos procedimentos processuais precisam estar correlacionada com o intuito exclusivo de se alcançar o mérito da demanda. Como já mencionado linhas acima, as limitações dos respectivos acordos não podem deixar de ser analisados à luz dos princípios constitucionais e legais, como também, serem analisadas pelas limitações impostas ao negócio jurídico material no que tange às nulidades do código civil, pois, estas são as referencias basilares para que o Estado/juiz possa administrar vontades criadas pelas partes com o objetivo comum de dirimir um conflito social.

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4 CONCLUSÃO

O objetivo deste trabalho foi trazer ao leitor algumas considerações sobre o já conhecido instituto do negócio jurídico processual, antes com regras extremamente tímidas e pouco utilizadas mas, agora totalmente reformulado pelo legislador, dando-lhe um caráter extremamente amplo e adaptável em praticamente todos os processos jurídicos ordinários na seara civil.

Sendo o instituto jurídico em análise uma liberdade dada pelo legislador para que as partes criem seus procedimentos no intuito de se alcançar o mérito de fora célere e eficaz, as mesmas devem ser limitadas pelo conjunto jurídico nacional de normas e princípios que regem o direito processual e material. Experiências internacionais positivas demonstram que o Brasil, de forma tardia, avança no intuito de dar condições para um acesso jurisdicional mais adequado às varias singularidades apresentadas dia a após dia ao Estado/juiz .

Os limites impostos a qualquer conduta humana não podem ser dissociados do interesse comum. A limitação, além de evitar os excessos, precisa satisfazer os anseios da administração pública, que monopoliza o processo e, deve representar a sua razão de existir, que é controlar a sociedade nos seus interesses privados em prol de uma coletividade segura e estável.

Com o exposto, observa-se que a discutida preocupação com os limites do negócio jurídico processual podem ser analisados à luz dos princípios jurídicos que regem o processo civil, combinando-os com normas materiais, no que tange às nulidades, não tirando do poder estatal o monopólio sobre o direito processual. Ou seja, a existência de uma regra processual criada pelas partes não significa, necessariamente, que o Estado/juiz tenha deixado de ter poder sobre esse direito público. Sempre deve haver uma liberdade supervisionada pelo Estado.

Entende o autor que os mesmos princípios da carta magna e demais normas que regem o legislador, também podem reger as partes durante a criação de regras próprias para o respectivo caso concreto, através da supervisão/administração/homologação realizada pelo Estado/juiz . E este ato estatal que também é fundado nos mesmos princípios e normas, seja constitucional ou legai, tem demonstrado, de forma clara, o intuito basilar do legislador em solucionar os conflitos de forma rápida e eficaz, unicamente com objetivo de alcançar o mérito com segurança jurídica e interesse público.

Na prática forense algumas resistências iniciais podem atrasar a implementação do negócio jurídico processual, principalmente nos processos contra a Fazenda Pública, que

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ordinariamente criam demandas e, sempre recorrem até o último “suspiro”. Mas com o passar do tempo, a sociedade observará que tal prática convencional trará avanços significativos na eficácia processual. De igual maneira aconteceu no início da penhora de valores on-line, onde os juízos comuns, diferente dos juízos especiais, com extremo zelo, data vênia, do princípio da segurança jurídica e do contraditório não se serviam desse instituto poderoso na fase de execução, hoje, a penhora on-line, com sua grande eficácia tem protegido enormemente os exequentes.

É importante destacar também, que o instituto do negócio jurídico processual, pode sim, ser usado em processos cujo direito seja disponível. Como por exemplo, nos processos regidos pelo Estatuto da Criança e Adolescente, Varas de Famílias, demandas de proteção aos idosos e ao meio ambiente entre outros, pois ficou demonstrado que mesmo sendo direitos materiais indisponíveis, tais regras convencionais processuais podem adentrar à demanda para acelerar a mesma, sem prejudicar o objeto da demanda, estando devidamente respaldadas pelo MP, advogado ou defensor público.

Devendo as partes convencionar com boa-fé, equilíbrio e respeito às normas constitucionais, colocando, dentro do possível, nas convenções regras sancionatórias para os casos de descumprimento, demandado-se dos juízes mais responsabilidades ao julgarem as convenções e impondo as devidas celeridades e sanções se necessárias.

Assim, s.m.j., é perfeitamente vantajosa para a eficácia processual a elaboração de procedimentos pelas partes, independente se há ou não direito indisponível, com larga aplicação proveitosa no direito comparado, não tirando do Estado/juiz seu domínio fiscalizatório e protetivo, impondo às partes, juízes e cartórios diminuição de atos procedimentais e dando-lhes maior velocidade processual, inclusive na fase executiva, situação aguardada por toda a sociedade.

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