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Tutela Penal do Meio Ambiente

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Academic year: 2021

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Tutela

​ ​Penal​ ​do​ ​Meio​ ​Ambiente

Fonte:​ ​Frederico​ ​Amado

Inicialmente vale ressaltar que a tutela penal do meio ambiente está prevista na

própria​ ​Constituição​ ​Federal.​ ​Vejamos:

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio

ambiente sujeitarão os infratores, ​pessoas físicas ou

jurídicas​, a sanções ​penais ​e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

Com o intuito de complementar essa previsão, foi editada a Lei 9.605/98, que

dispõe​ ​sobre​ ​a​ ​parte​ ​geral​ ​e​ ​crimes​ ​específicos.​ ​Vejamos​ ​o​ ​artigo​ ​3º:

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta

Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão

de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado,​ ​​no​ ​interesse​ ​ou​ ​benefício​ ​da​ ​sua​ ​entidade.

Assim, para o autor, é necessário que sejam cumpridos dois requisitos para a responsabilização da PJ: ​1) A infração penal seja cometida por decisão de seu

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representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado e 2) A infração penal​ ​seja​ ​cometida​ ​no​ ​interesse​ ​ou​ ​benefício​ ​da​ ​sua​ ​entidade.

Desta feita, caso um dirigente determinar a prática de um crime ambiental apenas

em seu proveito, a PJ não poderá ser punida. Da mesma forma, caso um

funcionário sem poder de gestão cometa ato ilícito no exercício do trabalho, a

mesma​ ​não​ ​será​ ​responsabilizada,​ ​conforme​ ​previsão​ ​legal​ ​no​ ​artigo​ ​3º.

A doutrina penalista lança várias críticas à possibilidade de punição penal à PJ, sendo descabido entrar no mérito das teses. Frederico Amado rebate todas as críticas:

Contudo, todos esses argumentos devem ser rechaçados.

Considerando que a Constituição é a decisão política

fundamental, tomada por quem detém a soma dos fatores

reais do poder, que institui o dever-ser, deve-se aceitar a opção do poder constituinte originário, ao inaugurar o novel

regime constitucional, que adotou o sistema da dupla

imputação na seara penal, alcançando pessoas físicas e

jurídicas​ ​pelo​ ​cometimento​ ​de​ ​crimes​ ​ambientais.

Vale ressaltar que tanto o STF como o STJ aceitam pacificamente a responsabilidade penal da pessoa jurídica, tendo em vista que deriva da nossa constituição. Interessante questão é sobre a dupla responsabilização, saber se a pessoa​ ​jurídica​ ​só​ ​pode​ ​ser​ ​punida​ ​juntamente​ ​com​ ​a​ ​pessoa​ ​física​ ​ou​ ​não.

(3)

O STF não aceitou a tese da dupla imputação, aceitando a condenação de crime apenas​ ​em​ ​face​ ​da​ ​pessoa​ ​jurídica.​ ​Vejamos:

É admissível a condenação de pessoa jurídica pela prática de crime ambiental, ainda que absolvidas as pessoas físicas ocupantes de cargo de presidência ou de direção do órgão responsável pela prática criminosa (RE​ ​548.181/PR).

Além disso, a responsabilização somente pode ocorrer em face da pessoa física

que​ ​tiver​ ​poder​ ​de​ ​gerência​ ​direta​ ​sobre​ ​a​ ​pessoa​ ​jurídica.​ ​Vejamos:

somente deve ser punido aquele que tem o poder de

direcionar a ação da pessoa jurídica e que tem responsabilidade pelos atos praticados, sempre tendo como fundamento a existência de culpa e dolo – sob pena de operar-se​ ​a​ ​responsabilidade​ ​objetiva​ ​(HC​ ​119.511).

A pergunta que não quer calar: ​a Pessoa jurídica de direito público pode ser

condenada penalmente? ​Existe certa controvérsia doutrinária, mas a grande

parte dos doutrinadores entendem que não é possível, sob pena de prejudicar

duplamente a coletividade: com o dano ambiental e aplicação da penalidade. Vejamos​ ​lição​ ​de​ ​Vladimir​ ​e​ ​Gilberto​ ​passos:

A pessoa jurídica, a nosso ver, deve ser de Direito Privado. ​Isto porque a pessoa jurídica de Direito Público

(4)

(União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas) não podem cometer ilícito penal no seu

interesse ou benefício​. Elas, ao contrário das pessoas de

natureza privada, só podem perseguir fins que alcancem o

interesse público. Quando isso não acontece é porque o

administrador público agiu com desvio de poder. Em tal

hipótese só a pessoa natural pode ser responsabilizada

penalmente. A norma legal não foi expressa a respeito. Além disso, eventual punição não teria sentido. Imagine-se um município condenado à pena de multa: ela acabaria recaindo sobre os municípios que recolhem tributos à pessoa jurídica. Idem restrição de direitos – por exemplo, a pena restritiva de

prestação de serviços à comunidade (artigo 9.º) seria

inviável, já que cabe ao Poder Público prestar tais serviços. Seria​ ​redundância”.

Também vale ressaltar que a Pessoa Jurídica não pode ser paciente de Habeas

Corpus, já que seu direito de ir e vir não pode ser violado. Vejamos: “a pessoa jurídica da qual o paciente é representante legal se acha processada por delitos

ambientais. Pessoa Jurídica que somente poderá ser punida com multa e pena

restritiva de direitos. Noutro falar: a liberdade de locomoção do agravante não

está,​ ​nem​ ​mesmo​ ​indiretamente,​ ​ameaçada​ ​ou​ ​restringida​ ​(HC​ ​88.747)”.

A figura do garantidor​: é a pessoa que tem o dever legal de impedir a

consumação do dano, respondendo se deixar de agir. Vejamos a previsão legal

(5)

Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática

dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes

cominadas, na medida da sua culpabilidade, ​bem como o

diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando​ ​podia​ ​agir​ ​para​ ​evitá-la.

Competência​: Via de regra é da Justiça Estadual, salvo se salvo se o delito for consumado contra bens, serviços ou interesse da União, de suas autarquias ou empresas​ ​públicas​ ​(artigo​ ​109,​ ​IV,​ ​da​ ​Constituição​ ​Federal).

Importante lembrar que a Justiça Federal não tem competência para julgar

contravenções penais. Assim como a tese firmada em repercussão geral esse

ano: “​compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de

caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção, espécimes exóticas, ou protegidos por compromissos internacionais​ ​assumidos​ ​pelo​ ​Brasil​”.

Desconsideração da personalidade jurídica: no direito ambiental, a

desconsideração da personalidade jurídica é balizada pela ​teoria menor​, ou seja,

é mais fácil de ser desconsiderada, não se exige o abuso da personalidade

jurídica, como no código civil e isso ocorre em virtude do bem difuso que é o meio ambiente.​ ​Vejamos:

(6)

Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica ​sempre

que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de​ ​prejuízos​ ​causados​ ​à​ ​qualidade​ ​do​ ​meio​ ​ambiente.

Dosimetria​: De acordo com a Lei 9.605, em seu artigo 78, o código penal e de

processo penal somente se aplicam subsidiariamente. Neste sentido, a própria

legislação estabelece mecanismos para quantificar a penalidade para cada autor,

o​ ​que​ ​os​ ​penalistas​ ​chamam​ ​de​ ​dosimetria.

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a

autoridade​ ​competente​ ​observará:

I - a gravidade do fato ​, tendo em vista os motivos da

infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o​ ​meio​ ​ambiente;

II - ​os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação​ ​de​ ​interesse​ ​ambiental;

III​ ​-​ ​​a​ ​situação​ ​econômica​ ​do​ ​infrator​,​ ​no​ ​caso​ ​de​ ​multa.

Importante também verificarmos o que dispõe o artigo 7º, de incidência elevada nos​ ​concursos​ ​públicos:

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e

substituem​ ​​as​ ​privativas​ ​de​ ​liberdade​ ​quando:

I - tratar-se de ​crime culposo ou for aplicada a ​pena

(7)

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a

personalidade do condenado, bem como os motivos e as

circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja

suficiente​ ​para​ ​efeitos​ ​de​ ​reprovação​ ​e​ ​prevenção​ ​do​ ​crime.

Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se

refere este artigo ​terão a mesma duração da pena

privativa​ ​de​ ​liberdade​ ​substituída​.

Penas restritivas de direito para pessoas físicas​: São as seguintes: I - prestação de serviços à comunidade; II - interdição temporária de direitos; III -

suspensão parcial ou total de atividades; IV - prestação pecuniária; V -

recolhimento​ ​domiciliar.

Importante verificarmos em que consiste a interdição temporária de direitos para

as pessoas físicas, já que é muito cobrado: “As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, ​pelo prazo de cinco (5) anos, no caso de crimes dolosos​, e de ​três (3)​ ​anos,​ ​no​ ​de​ ​crimes​ ​culposos​”.

Por outro lado, as penas restritivas de direito para as pessoas jurídicas são três: a)​ ​multa;​ ​b)​ ​restritivas​ ​de​ ​direito​ ​e​ ​c)​ ​prestação​ ​de​ ​serviços​ ​à​ ​comunidade.

As restritivas de direito são concretizadas em suspensão total ou parcial da

atividade; interdição temporária da atividade e proibição de contratar ou receber

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liquidação forçada: ​Caso a pessoa jurídica seja utilizada para a prática de infrações ambientais, a Lei garante que a mesma pode ter sua liquidação forçada. Vejamos​ ​a​ ​previsão​ ​legal:

Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada,

preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou

ocultar a prática de crime definido nesta ​Lei terá decretada

sua liquidação forçada​, seu patrimônio será considerado

instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo

Penitenciário​ ​Nacional.

Em que pese parte da doutrina afirmar que isso seria o equivalente à morte civil e

consequentemente inconstitucional, a maior parte da doutrina e também os

tribunais consideram o dispositivo constitucional e continuam aplicando normalmente.

Atenuantes e agravantes: ​também são muito cobradas em concursos e as bancas​ ​costumam​ ​cobrar​ ​as​ ​hipóteses​ ​invertidas.​ ​Vejamos:

Art.​ ​14.​ ​São​ ​circunstâncias​ ​que​ ​​atenuam​ ​​a​ ​pena: I​ ​-​ ​baixo​ ​grau​ ​de​ ​instrução​ ​ou​ ​escolaridade​ ​do​ ​agente;

II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental​ ​causada;

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de

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IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e​ ​do​ ​controle​ ​ambiental.

Art. 15. São circunstâncias que ​agravam ​a pena, quando

não​ ​constituem​ ​ou​ ​qualificam​ ​o​ ​crime:

I​ ​-​ ​​reincidência​ ​​nos​ ​crimes​ ​de​ ​natureza​ ​ambiental; II​ ​-​ ​ter​ ​o​ ​agente​ ​cometido​ ​a​ ​infração:

a)​ ​para​ ​obter​ ​​vantagem​ ​pecuniária​ ​(R$)​;

b)​ ​coagindo​ ​outrem​ ​para​ ​a​ ​execução​ ​material​ ​da​ ​infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública​ ​ou​ ​o​ ​meio​ ​ambiente;

d)​ ​concorrendo​ ​para​ ​danos​ ​à​ ​propriedade​ ​alheia;

e) ​atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas

sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso​;

f) ​atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos

humanos;

g)​ ​em​ ​período​ ​de​ ​defeso​ ​à​ ​fauna;

h) ​em domingos ou feriados (cuidado aqui - sábado

não!)​;

i)​ ​à​ ​noite;

j)​ ​em​ ​épocas​ ​de​ ​seca​ ​ou​ ​inundações;

l)​ ​no​ ​interior​ ​do​ ​espaço​ ​territorial​ ​especialmente​ ​protegido;

m) com o emprego de ​métodos cruéis para abate ou

captura​ ​de​ ​animais;

(10)

o) mediante ​abuso do direito de licença​, permissão ou autorização​ ​ambiental;

p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos​ ​fiscais;

q) ​atingindo espécies ameaçadas​, listadas em relatórios

oficiais​ ​das​ ​autoridades​ ​competentes;

r) ​facilitada por funcionário público no exercício de suas

funções.

Suspensão condicional da pena: ​de acordo com o artigo 16, poderá ocorrer nos casos de condenação a pena privativa de liberdade ​não superior a três anos (3 anos!!). ​Obs: cuidado para não confundir com a substituição da pena privativa de liberdade​ ​por​ ​restritiva​ ​de​ ​direito,​ ​que​ ​é​ ​de​ ​até​ ​4​ ​anos,​ ​como​ ​mencionado​ ​acima.

iniciativa da ação penal: ​Será ​pública incondicionada para todos os crimes

previstos na lei. Isso ocorre devido a natureza que o bem ambiental possui, sendo essencial​ ​à​ ​sadia​ ​qualidade​ ​de​ ​vida​ ​(artigo​ ​225,​ ​CF).

Princípio da insignificância: ​De acordo com os Tribunais, é possível aplicar esse​ ​princípio​ ​em​ ​crimes​ ​ambientais,​ ​o​ ​que​ ​torna​ ​a​ ​ação​ ​atípica.​ ​Vejamos:

Esta Corte tem reconhecido a insignificância de condutas

que se amoldariam ao tipo penal descrito como crime contra a fauna aquática, quando a pesca é de pequena quantidade

(11)

vedados, em razão da falta de ofensividade ao bem jurídico tutelado.​ ​Precedentes​ ​(​ ​STJ​ ​-​ ​AgRg​ ​no​ ​HC​ ​313815/SP).

CRIME - INSIGNIFICÂNCIA - MEIO AMBIENTE. Surgindo a

insignificância do ato em razão do bem protegido, impõe-se a​ ​absolvição​ ​do​ ​acusado​ ​(STF​ ​-​ ​AP​ ​439/SP).

Questões​ ​da​ ​CESPE​ ​sobre​ ​o​ ​tema:

1) CESPE - MPPR: Em um sábado, Pedro, maior e capaz, com baixo grau de

instrução, pichou monumento urbano, sem autorização. Nessa situação

hipotética, a ação penal será pública condicionada se o monumento

pichado for de propriedade particular. FALSO! a lei não tem essa restrição, sendo​ ​sempre​ ​ação​ ​pública​ ​incondicionada,​ ​conforme​ ​artigo​ ​26.

2) CESPE - PCGO: ​Foi constatado que um fazendeiro estava impedindo a regeneração natural de florestas em área de preservação permanente na

sua propriedade rural, por pretender manter a área como pasto. Nessa

situação hipotética, conforme a legislação pertinente, a autoridade

ambiental que constatou a infração deve promover sua apuração imediata,

sob pena de corresponsabilização. CORRETO! essa hipótese serve tanto

para crimes quanto infrações administrativas e costuma ser bastante

cobrado.​ ​Vejamos:

(12)

infração ambiental é ​obrigada a promover a sua apuração imediata​, mediante processo administrativo próprio, sob

pena​ ​de​ ​co-responsabilidade.

3) ​PGE AM: ​Situação hipotética: Durante festividade junina, um grupo de pessoas

adultas e capazes soltou balões com potencial de provocar incêndio em floresta

situada nas redondezas do local da festa. Assertiva: Nessa situação, para serem

tipificadas como crime, tais condutas independerão de prova de que a

probabilidade de lesão ao meio ambiente era efetiva, por constituírem infração de

perigo​ ​abstrato.​ ​CORRETO!​ ​De​ ​acordo​ ​com​ ​Marcelo​ ​Abelha:

É certo e inegável que a técnica que privilegia a criação

legislativa de crimes de perigo também padece do problema

relacionado à prova de sua ocorrência. Aliás, no caso de

perigo concreto, o problema é ainda maior, uma vez que a

existência do risco deve ser provada caso a caso (in

concreto, por exemplo, a queima em céu aberto de produtos tóxicos). Já no caso de perigo abstrato (por exemplo,

soltar balões), a prova da conduta definida na lei já é o bastante​.

4) ​PGE AM: ​Situação hipotética: Cláudio, maior e capaz, caçou e matou

espécime da fauna silvestre, sem a devida autorização da autoridade competente. Assertiva: Segundo o atual entendimento do STJ, a competência para julgar o referido crime será da justiça federal, independentemente de a ofensa ter atingido

(13)

empresas públicas federais, pois basta que os crimes sejam contra a fauna para

atrair a competência do Poder Judiciário federal. FALSO! conforme mencionado

acima, a competência só será federal se for enquadrada em alguma das

hipóteses previstas no artigo 109 da Constituição, o que não é o caso em tela. Importante​ ​lembrar,​ ​mais​ ​uma​ ​vez,​ ​a​ ​tese​ ​de​ ​repercussão​ ​geral​ ​do​ ​STF:

compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção, espécimes exóticas, ou protegidos por compromissos internacionais assumidos​ ​pelo​ ​Brasil​”.

5) TCE PA: ​O Ministério Público ofereceu denúncia contra pessoa jurídica e seus representantes legais (pessoas físicas) pela prática de delito ambiental previsto na Lei n.º 9.605/1998. Os representantes legais da pessoa jurídica foram

absolvidos sumariamente. Nessa situação, é possível a responsabilização penal

da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da

responsabilização concomitante das pessoas físicas que agiam em seu nome.

CORRETO! como mencionado acima, o STF dispõe que é possível a condenação

apenas​ ​da​ ​pessoa​ ​jurídica,​ ​não​ ​precisando​ ​da​ ​condenação​ ​da​ ​pessoa​ ​física.

O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A

(14)

norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação​ ​(RE​ ​548181/PR)

6) ​PCPE​: Se uma pessoa física e uma pessoa jurídica cometerem, em conjunto,

infrações previstas na Lei n.º 9.605/1998 — que dispõe sobre as sanções penais

e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências —, as atividades da pessoa jurídica poderão ser totalmente suspensas. CORRETO! Vejamos: “Art. 22. As penas restritivas de

direitos da pessoa jurídica são: I - ​suspensão parcial ou total de atividades

(...)”.

7) ​PCPE​: A suspensão parcial ou total de atividade, exclusivamente para pessoas

jurídicas, será aplicada quando a empresa não estiver cumprindo as normas

ambientais. FALSO! também é possível aplicar a suspensão das atividades para

pessoa física. Vejamos: “Art. 8º As penas restritivas de direito são: III - suspensão parcial​ ​ou​ ​total​ ​de​ ​atividades”.

8) ​PF​: Considere que Jorge tenha sido preso por pescar durante a piracema, o que o tornou réu em processo criminal. Nessa situação hipotética, se a lesividade

ao bem ambiental for ínfima, segundo o entendimento do Superior Tribunal de

Justiça, o juiz poderá aplicar o princípio da insignificância. CORRETA! tanto o STJ

como o STF entendem que é possível aplicar a insignificância nos crimes

ambientais!!

CRIME - INSIGNIFICÂNCIA - MEIO AMBIENTE. Surgindo a insignificância do ato em razão do bem protegido,

(15)

impõe-se a absolvição do acusado (AP 439 / SP - SÃO PAULO).

9) CD: ​A lei que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de

condutas e atividades lesivas ao meio ambiente determina, expressamente, que

os crimes ambientais nela previstos são de competência da justiça estadual. FALSO! não há essa obrigatoriedade, pode ser crime de competência estadual ou​ ​federal,​ ​dependendo​ ​caso​ ​concreto.

10) ​PCAP​: Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua

personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade

do meio ambiente. Certo!! aplicação da teoria menor, vigente no direito ambiental.

Vejamos: “Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica ​sempre que sua

personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade​ ​do​ ​meio​ ​ambiente​”.

11) ​PCAP: ​É circunstância que agrava a pena o fato de o agente ter cometido crime ambiental em domingos ou feriados. CORRETO!! atenção: sábado não

entra na agravante. Vejamos: “Art. 15. São circunstâncias que ​agravam ​a pena,

quando​ ​não​ ​constituem​ ​ou​ ​qualificam​ ​o​ ​crime:​ ​h)​ ​em​ ​​domingos​ ​ou​ ​feriados​”.

12) ​TJSC​: Pedro, Diretor Executivo de empresa de fertilizante, determinou, contra

orientação do corpo técnico, que trouxe solução ambientalmente correta, a

descarga de produtos em curso d’água causando poluição que tornou necessária

a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade localizada a

(16)

ainda que a conduta não tenha sido praticada no interesse ou em benefício da pessoa jurídica. FALSO!! só existe responsabilidade penal da pessoa jurídica se o crime​ ​for​ ​cometido​ ​em​ ​seu​ ​benefício,​ ​o​ ​que​ ​não​ ​foi​ ​o​ ​caso.​ ​Vejamos:

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta

Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão

de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado,​ ​​no​ ​interesse​ ​ou​ ​benefício​ ​da​ ​sua​ ​entidade.

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