VANESSA PHILIPPI SOUZA
EFEITOS DO MÉTODO ISO STRETCHING® NA DOR LOMBAR CRÔNICA
VANESSA PHILIPPI SOUZA
EFEITOS DO MÉTODO ISO STRETCHING® NA DOR LOMBAR CRÔNICA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção de título de Bacharel em Fisioterapia.
Universidade do Sul de Santa Catarina
Orientadora: Profª. M.Sc. Inês Alessandra Xavier Lima
RESUMO
A lombalgia crônica é caracterizada como a dor lombar persistente durante três meses, podendo gerar dificuldades na realização das atividades cotidianas – laborais, domésticas ou de lazer. Este estudo, quase-experimental, objetivou analisar os efeitos do método Iso Stretching® na lombalgia crônica através da avaliação do quadro álgico e da identificação o estilo de vida da amostra pré e pós-intervenção. A amostra foi constituída por 5 indivíduos (4 mulheres e 1 homem), com idade média de 29,8 anos, os quais foram selecionadas por triagem entre 17 inscritos em lista de espera na Clínica-Escola de Fisioterapia da UNISUL. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: Questionário “Modelo de avaliação físico-funcional da coluna vertebral” (adaptado de ALEXANDRE; MORAES, 2001), mapa de desconforto para diferentes partes do corpo (MORAES, 2002) e perfil de estilo de vida (NAHAS, 2000). A intervenção fisioterapêutica foi realizada no período entre 27/03/08 a 09/05/08, com 3 atendimentos semanais, de 45 minutos cada, nos quais foram realizadas uma média de 10 posturas preconizadas pelo método Iso Stretching®. Como resultados do estudo encontraram-se: redução do quadro álgico e melhora nos componentes “atividade física” e “controle do stress”. Os resultados do estudo sugerem que a redução do quadro álgico da amostra pode ter influenciado o estilo de vida dos mesmos. Sendo assim, acredita-se que o método Iso Stretching® mostrou-se adequado para o tratamento das lombalgias crônicas, e pode ser incentivado como mais uma ferramenta para o profissional fisioterapeuta, principalmente quando a abordagem objetivar a resolução de questões relativas à postura corporal.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Segmentos e curvaturas da coluna vertebral...14
Figura 2 – Vértebra lombar (L2) vista superior...16
Figura 3 – Mudança relativa da pressão no terceiro disco lombar em função da variação da posição corporal...20
Figura 4 – Símbolo do método Iso Stretching®...31
Figura 5 – [A] postura simétrica; [B] postura assimétrica...36
Figura 6 – Posturas utilizadas no método Iso Stretching® nas posições deitada [A], em pé [B] e sentada [C]...38
Figura 7 – Tatame...41
Figura 8 – Simetrógrafo e plataforma de Barre...42
Figura 9 – Bastão...42
Figura 10 – [A], [B], [C]; posturas utilizadas baseadas no método Iso Stretching® durante a pesquisa...45
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Grupos musculares de acordo com sua ação no tronco...17 Quadro 2 – Freqüência em relação ao tipo de colchão, altura do travesseiro e posição assumida durante o trabalho apontado pela amostra...47 Quadro 3 – Freqüência em relação aos sintomas específicos da dor lombar na amostra...48 Quadro 4 – Freqüência em relação aos fatores de piora do quadro álgico lombar na amostra...49 Quadro 5 – Freqüência em relação aos fatores de alívio do quadro álgico lombar na amostra. ...49 Quadro 6 – Freqüência em relação à posição da cabeça no plano frontal nos indivíduos da amostra...50 Quadro 7 – Freqüência em relação à posição dos ombros nos planos frontal e sagital na amostra. ...51 Quadro 8 – Freqüência em relação à posição das escápulas no plano frontal na amostra...51 Quadro 9 – Freqüência em relação à simetria do triângulo de Tales no plano frontal na amostra...51 Quadro 10 – Freqüência em relação à simetria do joelho no plano frontal na amostra...52 Quadro 11 – Freqüência em relação à simetria do joelho no plano sagital na amostra...52 Quadro 12 – Freqüência em relação aos tipos de pés da amostra...52 Quadro 13 – Freqüência em relação à simetria de quadril nos planos sagital, frontal e transversal na amostra...53 Quadro 14 – Freqüência em relação ao alinhamento das curvaturas da coluna vertebral dos segmentos cervical, torácico e lombar da amostra...53
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Resultados do teste de Laségue pré e pós-intervenção...54 Gráfico 2 – Escala de desconforto para segmentos que fazem parte do eixo corporal dos indivíduos da amostra pré-intervenção...56 Gráfico 3 – Escala de desconforto para segmentos que fazem parte do eixo corporal dos indivíduos da amostra pós-intervenção...56 Gráfico 4 – Escala de desconforto para segmentos que fazem parte de extremidades do corpo dos indivíduos da amostra pré-intervenção...58 Gráfico 5 – Escala de desconforto para segmentos que fazem parte de extremidades do corpo dos indivíduos da amostra pós-intervenção. ...58 Gráfico 6 – Estilo de vida, pré-intervenção, relacionado ao componente nutrição dos integrantes da amostra...63 Gráfico 7 – Estilo de vida, pós-intervenção, relacionado ao componente nutrição dos integrantes da amostra...64 Gráfico 8 – Estilo de vida, pré-intervenção, relacionado ao componente atividade física dos integrantes da amostra...65 Gráfico 9 – Estilo de vida, pós-intervenção, relacionado ao componente atividade física dos integrantes da amostra...66 Gráfico 10 – Estilo de vida, pré-intervenção, relacionado ao componente comportamento preventivo dos integrantes da amostra...68 Gráfico 11 – Estilo de vida, pós-intervenção, relacionado ao componente comportamento preventivo dos integrantes da amostra...68 Gráfico 12 – Estilo de vida, pré-intervenção, relacionado ao componente relacionamento dos integrantes da amostra...70 Gráfico 13 – Estilo de vida, pós-intervenção, relacionado ao componente relacionamento dos integrantes da amostra...70 Gráfico 14 – Estilo de vida, pré-intervenção, relacionado ao componente controle do estresse dos integrantes da amostra...71 Gráfico 15 – Estilo de vida, pós-intervenção, relacionado ao componente controle do estresse dos integrantes da amostra...72
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Dados relativos à freqüência, média e desvio-padrão das variáveis idade, massa corporal, estatura e tempo de lombalgia identificados da amostra...46
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...11
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...13
2.1 COLUNA VERTEBRAL: UMA VISÃO GERAL ...14
2.2 BASES DE ANATOMIA E BIOMECÂNICA DA COLUNA LOMBAR...15
2.2.1 O disco intervertebral...18
2.3 POSTURA...21
2.3.1 Conceitos e considerações...21
2.3.2 Características da manutenção de diferentes posturas...22
2.3.3 A avaliação postural...24
2.2.3.1 A pelve: o ponto chave...25
2.4 LOMBALGIA...26
2.5 MÉTODO ISO STRETCHING®...30
2.5.1 Histórico...30 2.5.2 Sua proposta...32 2.5.3 Princípios Básicos...33 2.5.4 A prática...35 3 DELINEAMENTO DA PESQUISA...39 3.1 TIPO DO PESQUISA...39 3.2 POPULAÇÃO/AMOSTRA...39
3.4 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NA COLETA...42
3.5 PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS...45
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS...46
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA...46
4.2 QUADRO ÁLGICO...54
4.2.1 Teste de Laségue...54
4.2.2 Escala de desconforto para diferentes partes do corpo...55
4.3 PERFIL DE ESTILO DE VIDA...62
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...74
REFERÊNCIAS...76
APÊNDICE A – Relato das posturas realizadas no decorrer da pesquisa de acordo com Redondo (2006)...79
ANEXO A – Modelo de avaliação físico-funcional da coluna vertebral (adaptado de ALEXANDRE; MORAES, 2001)...91
ANEXO B – Mapa de desconforto para diferentes partes do corpo (MORAES, 2002)...93
ANEXO C – Perfil de estilo de vida / Pentáculo do bem-estar (NAHAS, 2000)...95
1 INTRODUÇÃO
Sabe-se que a dor lombar é uma das patologias mais comuns na sociedade atual, ou seja, de 70 a 80% em algum momento da vida, abrangendo uma ampla faixa etária que se inicia cada vez mais cedo e que sua incidência vem crescendo cada vez mais com o passar dos anos. Dados confirmam que a dor lombar é o maior fator limitante de atividades na população abaixo de 45 anos nos EUA e a maior causa de aposentadoria por invalidez no Brasil, ficando atrás apenas de acidentes de trabalho. (ANDRADE, 2005; SILVA, 2004).
Dentre as várias causas que se pode encontrar a respeito dessa patologia, a mecânico-postural é, se não a maior, uma das grandes responsáveis pelo início da dor lombar e/ou por sua progressão. Ela está diretamente ligada às atividades de vida diária incluindo os esforços realizados durante a jornada de trabalho; isso se confirma quando há a verificação de que o maior número de queixas está, justamente, na faixa etária que compreende a vida ativa de um indivíduo (ANDRADE, 2005).
Cada vez mais o modo de vida moderno exige com que tenhamos uma postura predominantemente sentada e, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, é a que mais gera sobrecarga à coluna principalmente associada à inclinação para frente, que causa uma pressão discal de 500 a 700 N (Newton) caindo para 300N quando na postura em pé. Tal fator faz com que o corpo humano gere certas adaptações às quais ele não está preparado, levando ao acúmulo de efeitos patogênicos. Além disso, a inclinação para frente está associada à inversão da curvatura lombar, deixando-a em cifose, e aumentando ainda mais as pressões sobre ela, o que gera maior estresse em estruturas musculares, ligamentares e tendíneas e conseqüente início de uma patologia (REDONDO, 2006).
Devido a grande prevalência da lombalgia, cada vez mais a fisioterapia vem atuando com o intuito de diminuir seu quadro álgico sendo presente através de vários métodos: eletrotermoterapia, massoterapia, acupuntura, quiropraxia, hidroterapia, entre outros. Entretanto, como a maior causa de seu surgimento é em razão da manutenção de posturas inadequadas torna-se necessário que, além de diminuir os sintomas, haja uma reeducação postural. Vários métodos como RPG®, Pilates®, GDS® surgiram com esse propósito. Todavia, houve a criação de um método que é ensinado há quase 30 anos com uma proposta de tratamento que demonstrou ótimos resultados em diversas patologias: o Iso Stretching® (LOPES, 2006; ANDRADE, 2005; REDONDO, 2006).
Dentro dessa perspectiva, o objetivo geral do presente estudo consistiu em analisar os efeitos do método Iso Stretching® na dor lombar crônica e seus objetivos específicos foram
avaliar o quadro álgico da amostra pré e pós-intervenção e a identificar o estilo de vida da amostra pré e pós-intervenção. Sabe-se que o estilo de vida está diretamente ligado a qualidade de vida e esta, por sua vez, a fatores de bem estar e saúde. Por isso, é importante que o estilo de vida seja avaliado como um fator de influencia no tratamento de um indivíduo ou como espelho a esse tratamento (NAHAS, 2000).
O método Iso Stretching® foi escolhido justamente porque, apesar de ser uma ginástica postural global, dá prioridade à coluna vertebral: ele é de fato no sentido próprio uma ginástica postural, global e ereta. Reeduca a musculatura e, consequentemente, a coluna através de exercícios de autoengrandecimento proporcionando melhor potência de contração, flexibilidade e equilíbrio entre as forças. Conseguindo-se essa harmonização tem-se, por conseguinte, a diminuição do quadro álgico no segmento lombar (REDONDO, 2006).
Esse método bloqueia as rotações compensatórias por forte contração muscular dos sistemas antagonistas ao passo que faz um alongamento isométrico da musculatura agonista. Graças a esta dualidade, tem-se ao mesmo tempo uma parte de reforçamento e outra de alongamento. Então, sua finalidade reside na procura da qualidade corretiva gerando uma harmonização do corpo humano (REDONDO, 2006).
É uma técnica relativamente recente e com uma abordagem terapêutica que, apesar de simples, é inovadora, aplicável a diversas patologias e dá ênfase na correção e adaptação da postura mais utilizada nos dias atuais. Por isso, e pelo fato de ser capacitada no método tendo, assim, vivência prática, creio que seja extremamente interessante a sua aplicabilidade na lombalgia crônica já que esta vem aumentando sua incidência justamente pela adoção da postura incorreta, principalmente da postura sentada.
Portanto, sendo a lombalgia uma das patologias mais comuns da sociedade moderna e o Iso Stretching® uma técnica que enfoca a coluna vertebral dentro do aspecto de adaptação às novas condições que o mundo contemporâneo impõe ao corpo humano, procura-se, então, verificar os efeitos do método, dentro de seus princípios, na dor lombar crônica. E surge o seguinte questionamento:
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 COLUNA VERTEBRAL: UMA VISÃO GERAL
A coluna vertebral trata-se de um agrupamento de vértebras as quais são interligadas por cartilagem, discos, ligamentos e sustentada por músculos, constituindo o eixo central do corpo. Ao todo são 33 vértebras: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e as coccígeas, sendo que juntas funcionam como um eixo de sustentação para o corpo combinando mecanismos de rigidez e flexibilidade. Ou seja, é uma estrutura que pode deformar-se apesar de permanecer rígida sob influência dos tensores musculares (ALTER, 1999; MIRANDA, 2007).
Além de promover a sustentação do corpo, ou seja, proporcionar estabilidade para todo o tronco e pescoço, a coluna vertebral protege a medula espinhal e a saída dos nervos espinhais, permite o movimento e deambulação em razão do “empilhamento” de vértebras e discos, suporta o homem em sua postura ereta além de sustentar o peso da cabeça, tronco e membros inferiores e serve de ponto de apoio para a grande parte das vísceras toracoabdominais (MIRANDA, 2007; OLIVER 1998).
Dentre as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral no plano sagital pode-se citar: a curvatura sacral, a lordose lombar, a cifose dorsal e a lordose cervical. A curvatura cervical é convexa em sentido anterior e estende-se até a segunda vértebra torácica; a curvatura torácica é côncava em sentido anterior, estendendo-se de T2 a T12; a lombar é convexa em sentido anterior e iniciando em T12 até a junção lombosacra; por fim, a curvatura sacral que compreende da junção lombosacra ao cóccix, estando sua concavidade anterior dirigida para frente e para baixo (OLIVER, 1998; NEUMANN, 2006). Através do esquema abaixo (Figura 1) observa-se as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral nas vistas anterior, posterior e lateral, juntamente aos seus segmentos:
Figura 1- Segmentos e curvaturas da coluna vertebral. Fonte: Pellenz, 2005.
Essa convexidade anterior é também chamada de lordose, sendo geralmente menos na região cervical do que na lombar. Entretanto, nenhuma dessas curvaturas, tanto lordose quanto cifose, é fixa, mas dinâmica, e mudam de forma durante os diferentes movimentos e posturas. Por exemplo, durante a extensão da coluna vertebral há a acentuação da lordose cervical e lombar e a redução da cifose torácica, em contrapartida, no movimento de flexão da coluna ocorre a diminuição da lordose cervical e lombar acentuando a cifose torácica (NEUMANN, 2006).
A presença dessas curvas proporciona à coluna uma maior resistência aos esforços de compressão axial dissipando as forças verticais e absorvendo os choques, ou seja, a resistência é dez vezes maior do que a da coluna retilínea. Se a coluna fosse reta, as forças de compressão verticais seriam transferidas dos corpos vertebrais apenas para os discos intervertebrais, o que não acontece com a presença das curvaturas, pois elas permitem que essa força seja também absorvida pelos ligamentos vertebrais e pela musculatura localizada ao longo do lado convexo de cada curva (KAPANDJI, 2000; FRITZ, 2002; OLIVER 1998, NEUMANN, 2006).
Todas as vértebras, exceto o atlas e a áxis apresentam características típicas: corpo, composto basicamente de osso esponjoso ou trabecular revestido por uma fina camada de osso compacto ou cortical, e o arco vertebral e seus componentes (dois pedículos, duas lâminas, um processo espinhal, quatro processos articulares, dois processos transversos e o forame vertebral) (PUTZ, 2006).
Todavia, Neumann (2006) afirma que “apesar de todas as vértebras tenham um tema morfológico comum, cada uma tem uma forma específica que reflete na sua função exclusiva”.
De acordo com Pellenz (2005), “cada vértebra sustenta o peso de todas as partes do corpo situadas acima dela, por isso as vértebras lombares são maiores, porque precisam sustentar maiores pesos”. Além disso, estão apoiadas sobre os discos intervertebrais os quais agem como amortecedores de impacto promovendo determinada flexibilidade de acordo com os segmentos da coluna (FRITZ, 2002). Por esse motivo, tal estrutura se torna um dos principais componentes do eixo do corpo humano fazendo parte de um complexo tri articular entre duas vértebras adjacentes (KISNER; COLBY, 1999; MIRANDA, 2007).
2.2 BASES DE ANATOMIA E BIOMECÂNICA DA COLUNA LOMBAR
Como já citado anteriormente, a coluna lombar compreende 5 vértebras com seus discos vertebrais interpostos formando uma curva lordótica (PUTZ, 2006). Além disso, de acordo com Miranda (2007), existem certas características que diferem as vértebras lombares das demais vértebras que compõe a coluna:
• o corpo vertebral é volumoso e mais extenso em largura e em altura que as demais vértebras;
• os pedículos são curtos e grossos e se originam na parte superior do corpo; • o forame vertebral é triangular, as incisuras superiores são menos
desenvolvidas, e as inferiores são bem acentuadas;
• ausência de faces costais nos corpos e processos transversos;
• faces articulares inferiores são verticais e côncavas póstero-medialmente; • os processos transversos posicionam-se posteriormente e superiormente com
um processo acessório e outro mamilar;
• as facetas articulares inferiores são também verticais, porém, convexas no sentido ântero-lateral;
• os processos espinhosos são longos, largos, horizontais e achatados lateralmente;
• a quinta vértebra lombar apresenta um corpo vertebral mais alto anteriormente do que posteriormente.
A figura abaixo (Figura 2) ilustra as características de uma vértebra lombar comentadas anteriormente:
Figura 2: Vértebra lombar (L2) vista superior. Fonte: Pellenz, 2005.
Tais vértebras estão apoiadas sobre o sacro, que por sua vez, está situado entre os ossos da pelve (ilíacos) formando, então, a articulação sacroilíaca. Essas articulações permitem que ao movimentar os ilíacos, consequentemente ocorrerá movimento da pelve e coluna lombar (CAILLIET, 2002).
O sistema ligamentar (estabilizadores passivos) da coluna lombar é mais resistente e denso do que aqueles em níveis acima. É composto pelos ligamentos: longitudinal anterior, longitudinal posterior, amarelo, ântero-interno, inter-espinhoso, supra espinhoso, intertransverso, transforaminais, mamilo-acessório e íleo-lombares. Tais estruturas proporcionam limites aos movimentos e maior característica de suporte de peso e estabilidade do que mobilidade (OLIVER, 1998; FRITZ, 2002). Em contrapartida, os estabilizadores dinâmicos da coluna, ou seja, os músculos agem contra a força da gravidade à medida que o peso de vários segmentos transfere-se para longe da base de suporte (ex.: flexão de tronco) (KISNER; COLBY, 1999; MIRANDA, 2007).
Durante a vida embrionária, a coluna apresenta-se em uma única curvatura convexa posterior em forma de “C”, sendo que a curvatura lombar inferior (lordose) se desenvolve quando a criança começa a ficar em pé (MIRANDA, 2007). Fisiologicamente, em relação ao grau que a coluna lombar exibe, pode-se destacar que um adulto em posição ereta apresenta cerca de 40 a 45 graus de lordose. Isso varia de acordo com sexo e idade, pois, nas mulheres,
esse grau é maior em comparação aos homens, principalmente após os 50 anos. Já a posição sentada reduz essa lordose em 20 a 35 graus (NEUMANN, 2006).
A coluna lombar é capaz de realizar os movimentos de flexão, extensão, inclinação lateral, e rotação. No movimento de flexão e extensão sua amplitude varia de 40º para flexão e 30º para extensão. Na flexão lateral a coluna lombar alcança até 20º de amplitude e em rotação, apenas 5º. Esse pequeno grau de rotação é devido à disposição das fazes articulares (MIRANDA, 2007).
Nos quatro segmentos superiores, a rotação axial da vértebra é, normalmente, acompanhada pela flexão lateral para o lado oposto e vice e versa. Já nas articulações entre a quinta vértebra lombar e o sacro, a rotação axial da vértebra é acompanhada de uma flexão lateral para o mesmo lado e vice versa (MIRANDA, 2007).
No movimento de flexão, há a tensão dos músculos extensores vertebrais e ligamentos longitudinal posterior, amarelo, interespinhais e supra-espinhais. Além disso, o núcleo pulposo desloca-se para trás devido à diminuição do espaço intervertebral anteriormente. Durante a extensão, há a tensão dos músculos anteriores (abdominais), no ligamento longitudinal vertebral anterior e deslocamento do núcleo pulposo em razão de a diminuição do espaço intervertebral ser na porção posterior. Na flexão lateral, há a tensão dos músculos laterais do lado oposto ao movimento, tensão dos ligamentos transversos do mesmo lado da inclinação e deslocamento do núcleo para o lado contra lateral ao movimento. Já na rotação da coluna, a tensão se dá através dos músculos oblíquos do abdome, nos ligamentos costovertebrais, nas fibras do anel fibroso orientadas na direção da rotação e aumento da pressão sobre o núcleo pulposo (ANDRADE, 2002; PELLENZ, 2002; MIRANDA, 2007).
O quadro 1 apresenta os grupos musculares de acordo com sua ação no tronco:
Músculos flexores de tronco
• psoas maior; • psoas menos;
• oblíquo abdominal externo; • oblíquo abdominal interno; • reto abdominal.
Músculos extensores do tronco • multifídio; • semi-espinhal; • eretor da coluna; • interespinhais.
Músculos flexores laterais de tronco
• oblíquo abdominal externo; • oblíquo abdominal interno; • reto abdominal;
• eretor da coluna; • multifídio; • quadrado lombar • intertransversais.
Músculos rotadores de tronco
• oblíquo abdominal interno; • oblíquo abdominal externo; • multifídio;
• rotadores; • semi-espinhal.
Quadro 1: Grupos musculares de acordo com sua ação no tronco. Fonte: Putz, 2006.
Vale também salientar os músculos estabilizadores da coluna, pois atuam como músculos posturais que estabilizam as vértebras adjacentes e controlam seus movimentos permitindo uma atuação eficiente da musculatura mais superficial. São, portanto, mais curtos e mais profundos: multifídio, rotadores, interespinhosos e intertransversais (TORTORA; GRABOWSKI, 2006).
É formado basicamente pelo anel fibroso, núcleo pulposo e placas terminais cartilaginosas. O anel é feito de camadas densas de colágeno e fibrocartilagem suportando forças tensivas quando há compressão, torção ou inclinação da coluna; o núcleo pulposo é uma massa gelatinosa composta por aproximadamente 70 a 90 % de água com finalidade de distribuir igualmente as pressões através do disco; e as placas terminais cartilaginosas cobrem o núcleo pulposo encapsulando-o e protegendo-o (MIRANDA, 2007; CAILLIET, 2002).
São os principais meios de união de corpos das vértebras, como também enumerados e denominados em relação à vértebra sob a qual se encontram, ou seja, o disco L1 é aquele que se encontra abaixo da vértebra L1 e acima de L2. Além disso, não possuem vasos sanguíneos realizando sua nutrição através de tecidos vizinhos que passam as substâncias nutritivas através de um processo de perfusão. Portanto, as forças de compressão e descompressão de forma alternada funcionam como uma bomba hidráulica que auxilia em sua alimentação, ou seja, quando ocorre uma compressão, por exemplo, há a diminuição do volume de água e o aumento em sua descompressão (PELLENZ, 2005).
Em razão disso, compreende-se a importância da alternância das posições e de sobrecarga, pois representa uma melhor nutrição dos discos. Também explica por que sentar e ficar de pé são uma sobrecarga tão grande: seu metabolismo, fluxo de líquido dirigem-se para fora do disco intervertebral, não podendo ser nutrido quando sentado ou em pé (XHARDEZ, 2001).
Vale também salientar que os movimentos no eixo da coluna variam a força de compressão sobre os discos assim como a direção para que o núcleo pulposo se desloque. No movimento de extensão, a vértebra superior se desloca para trás diminuindo o espaço intervertebral na parte anterior projetando o núcleo para frente. Já durante a flexão, ocorre o inverso: diminui o espaço intervertebral na parte anterior projetando o núcleo para trás. No movimento de inflexão lateral, o núcleo é deslocado para o lado da convexidade da curva que se forma e na rotação axial ele é fortemente comprimido. Em resumo, há sempre um aumento da pressão interna no núcleo e da tensão das fibras do anel, porém são equilibradas em razão do deslocamento relativo do núcleo. Todavia, essa compressão pode lhe causar uma sensação dolorosa (KAPANDJI, 2000).
A espessura do disco não é a mesma em relação às diferentes regiões de coluna vertebral. Na coluna cervical a espessura do disco está em torno de 3mm; na coluna dorsal, 5mm; e na coluna lombar 9mm. Essa proporção devido à maior carga que a coluna lombar deve suportar (MIRANDA, 2007).
Dentro dos discos intervertebrais há sempre uma pressão intrínseca de aproximadamente 0,7 Kg/cm2 mesmo não estando submetidos a alguma carga, devido ao efeito compressivo do ligamento amarelo. Entretanto, quando sujeito a uma carga externa essa pressão aumenta dependendo de alguns fatores como a posição do corpo, o peso de uma carga, a altura a que vai levantá-la e onde vai carregá-la (nas mãos ou sobre o dorso). A carga sobre o disco é diretamente relacionada ao peso do corpo acima de nível medido, sendo aproximadamente o triplo desde. Sendo assim, conclui-se que quanto mais baixo o disco está, maior a sua carga (OLIVER, 1998; MIRANDA, 2007).
“Quando uma carga vertical é aplicada a um disco, a pressão é 50% mais alta do que aquela aplicada externamente” (OLIVER, 1998). Sendo assim, se uma carga externa corresponde a 10Kg a pressão intradiscal irá se equivaler a 15 Kg. Na passagem da postura sentada para em pé, de acordo com alguns estudos, foi achado um acréscimo na pressão de 30 %, sendo registrados valores de 80 a 150Kg e aumentando ainda mais com a inclinação anterior do tronco. Com o transporte de carga e com exercícios a pressão também aumenta e ainda mais com a inclinação para frente. A figura a seguir (Figura 3) apresenta a mudança de pressão no disco lombar em diferentes posturas (CARNEIRO; ANDRADE, 200-?):
Figura 3: Mudança relativa da pressão no terceiro disco lombar em função da variação da posição corporal.
Fonte: Oliver, 1998.
Segundo Quintanilha (2002), na curva lombar a pressão gerada no terceiro disco intervertebral lombar chega a 250 Kg na posição sentada em uma pessoa de 70Kg de peso corporal. Já na posição em pé o mesmo disco varia a pressão de 100Kg a 150 Kgf
(quilogramas-força) dependendo da postura naquele momento (adequada ou inadequada). E na posição deitado essa pressão vai para 25 Kgf.
Fenômenos de desgaste na coluna lombar são tão freqüentes, porque essa região é especialmente móvel, além de ter que equilibrar um peso considerável e suportar a maior sobrecarga por pressão. A coluna vertebral em si é muito móvel, porém as vértebras sacrais são completamente imóveis e, por esse motivo, as regiões de L4-L5 e L5-S1 são responsáveis por 95% de todos os prolapsos de disco (BANKOFF, 2007).
2.3 POSTURA
2.3.1 Conceitos e considerações
De acordo com Kisner e Colby (1999), postura pode ser definida como “uma posição ou atitude do corpo, o arranjo relativo das partes do corpo para uma atitude específica, ou uma maneira característica de alguém sustentar o corpo”.
Miranda (2007) também comenta que: “não existe uma só postura para todos os indivíduos. Para cada pessoa, a melhor postura é aquela em que os segmentos corporais estão equilibrados na posição de menor esforço e máxima sustentação.”
É difícil definir o que seria uma boa e uma má postura, pois postura é algo muito individual, uma vez que cada pessoa é um ser único. Entretanto, sabe-se que a postura “ideal” é aquela onde há um equilíbrio de todas as estruturas do organismo (PINTO, 2003), ou seja, “é um estado de equilíbrio músculo-esquelético que protege as estruturas de sustentação do corpo em relação a lesões ou deformidade progressiva” (BANDY; SANDERS, 2003). Já Watson e Doncha (2002) apud Andrade (2002) definem boa postura como “uma situação na qual o centro de gravidade de cada segmento corporal está posicionado verticalmente acima do segmento inferior. Se os centros de gravidade desviarem, anormalidades posturais podem ocorrer .”
Andrade (2002) comenta que postura ideal é aquela que exige de um indivíduo o menos gasto energético com a máxima eficiência corporal.
Posturas inadequadas aumentam o risco de lesões mecânicas devido à alteração do funcionamento normal do corpo. Existem fatores mecânicos de má postura relacionados com
posições inadequadas, repetitivas, de trabalho ou repouso, que com o tempo podem causar distúrbios músculo-esqueléticos. Os desequilíbrios musculares que afetam o alinhamento corporal constituem importantes fatores em muitas condições dolorosas de origem postural (ANDRADE, 2002; KNOPLICH apud MIRANDA, 2007; PINTO, 2003). Há também outros fatores como: hipercifose, escoliose, hiperlordose, espondilite, coxa vara, discartrose; em função dos quais as pessoas podem assumir posturas antálgicas. Assim como fatores psicológicos e emocionais que também influenciam em uma postura adequada (KNOPLICH apud MIRANDA, 2007).
Muitas vezes, os desvios posturais atuam como causa primária da dor e das deformidades. Seqüelas de patologias ortopédicas e traumáticas também se revelam como um fator de importantes deformidades e que, consequentemente, alteram o mecanismo de equilíbrio estático e da postura (ANDRADE, 2002).
O equilíbrio muscular é importante, não só para o repouso como para as atividades dinâmicas. Levando-se isso em consideração, para a obtenção de um equilíbrio devem-se considerar tanto as estruturas estáticas quanto dinâmicas responsáveis pelo equilíbrio. Os músculos realizam resposta ao torque gravitacional durante os movimentos e as estruturas ósseas e ligamentares proporcionam tensão passiva de sustentação (BANDY; SANDERS, 2003).
2.3.2 Características da manutenção de diferentes posturas
As posturas são mantidas ou adaptadas através da correlação de estímulos neuromusculares que coordenam a ação muscular. A manutenção de uma postura pode ser de certa forma confortável para algumas pessoas, sem muitos gastos energéticos. Contudo, para outras, principalmente as mais tensas, a manutenção de uma postura faz com que ocorra um aumento pronunciado da atividade muscular, recrutando desnecessariamente outros grupos musculares e podendo gerar efeitos indesejáveis subseqüentes a patologias (OLIVER, 1998; NEUMANN, 2006).
A postura deitada é a que possui os níveis mais baixos de atividade muscular e pressão intradiscal. Pacientes com alguma patologia relacionada ao disco intervertebral possuem grande alívio nessa posição. Todavia, existem outros fatores que influenciam em sua adequação, como o apoio na superfície, a densidade do colchão a altura do travesseiro (caso
seja uma cama) e a própria postura: em supino, decúbito lateral e decúbito dorsal. Dependendo da maneira como se mantém, o indivíduo, mesmo estando na posição deitada, pode sobrecarregar certas estruturas (NEUMANN, 2006).
Pelo menos durante o sono e a fim de preservar a lordose lombar, orienta-se que o indivíduo realize certas adaptações para diminuir também a sobrecarga nos discos intervertebrais. Um longo rolo apoiado da altura do peito até abaixo de joelho é aconselhável para que, em decúbito lateral, a perna que fica em contato com a cama permaneça estendida preservando, assim, a lordose lombar ou, pelo menos, deixando-a mais reta. A perna de cima permanecerá fletida a apoiada sobre o rolo para que mantenha um relaxamento da musculatura tanto anterior quando posterior. É também recomendado um travesseiro com uma altura suficiente para que mantenha o alinhamento de toda a coluna (SANTOS, 2005).
A posição em pé e imóvel, considerando um alinhamento correto das curvaturas, também despende muito pouca atividade muscular. No entanto, mesmo que os músculos antigravitacionais sejam bastante fortes, não o são tanto quando se fala em manutenção de postura, mas sim no sentido de realizar mudanças de postura através de movimentos vigorosos. A maioria das pessoas, quando se necessita da posição estática em pé, realiza apoio unilateral com alternância de um dos membros inferiores. Apesar de suprir as inadequações das circulações venosa e arterial, gera um aumento da atividade eletromiográfica em nível de L5 no mesmo lado em que está sendo realizado o suporte de peso (OLIVER, 1998; SANTOS 2005)
Além disso, nessa posição, o centro de gravidade permanece situado ligeiramente anterior ao disco lombossacro, a cintura pélvica é inclinada para frente devido à ação anterior dos músculos da coxa. Essa inclinação e a compressão do peso corporal sobre a coluna lombar geram a acentuação da lordose nesse nível e que pode se tornar ainda mais acentuada por fatores como gravidez, obesidade, e sapatos de salto alto. “As pressões no disco intervertebral são mais elevadas do que na posição deitada, mas usualmente menores do que na sentada” (NEUMANN, 2006).
Em relação à postura sentada, pode-se dizer que cada vez mais o modo de vida atual exige que passemos a maior parte do tempo nessa postura. O deslocamento através de automóveis, o sentar em frente a um computador ou escrivaninha faz com que todos vivam em um ritmo de posições sentadas. Mas o que a maioria não sabe é que o simples fato de sentar gera certas conseqüências ao corpo humano (VIEL, 2000).
“A pressão intradiscal é geralmente mais elevada na posição sentada sem apoio do que na posição em pé.” (OLIVER, 1998). Pode ser em função da ação do músculo psoas que é
responsável pela estabilização da coluna lombar nessa posição, bem como pela alteração da lordose que modifica e projeção e, consequentemente, a pressão do núcleo. A postura prolongada também gera sobrecarga e degeneração discal, entretanto, qualquer postura que resulte em um trabalho muscular estático induz à fadiga. Por isso é que, de alguma forma, deve-se objetivar a redução do trabalho muscular solicitando-o o mínimo possível (CAILLIET, 2002; GIDON, 2006)
Tem-se por posição ideal sentada aquela que permite as articulações intervertebrais permanecerem em algum ponto da amplitude média, com liberdade de movimento e equilíbrio entre a musculatura anterior e posterior. Tal posição diminui a tensão entre as superfícies articulares apofisárias, diminuem às forças de cisalhamento, mas não, porém, às forças de compressão. Apesar desses fatores, a postura sentada não pode ser mantida por longos períodos, como também é importante ficar atento à ergonomia do assento para que ele permita mudanças de postura (VIEL, 2000).
A maneira como se deve sentar possui sua importância, pois ainda haverá sobrecarga se, mesmo com um assento adequado, a forma com que mantiver as curvaturas da coluna vertebral for equivocada. Deve-se, portanto, sentar de maneira que haja manutenção da coluna na mesma posição em que se encontrava na posição em pé, isto é, realizando o apoio sobre os ísquios (SANTOS, 2005).
O que acontece em uma postura sentada e encurvada é o risco de levar o hiperestiramento dos ligamentos intervertebrais e fibras anulares posteriores, aumentando, assim, a pressão intradiscal. A ação muscular dos eretores da coluna é nula, sendo, para muitos, uma posição de conforto; porém é temporário e agravante para aqueles que já possuem alguma patologia instalada. Por esse motivo, é importante salientar um apoio lombar para que se conserve a lordose na posição sentada (OLIVER, 1998; VIEL 2000).
Confirmando esse raciocínio, Miranda (2007) afirma que na postura sentada:
“[...] a coluna lombar é submetida a uma deformação permanente que se deve ao fato de a lordose lombar ser “anulada”, ou seja, retificada ou invertida (cifose lombar). Todos os músculos que dão suporte à coluna lombar nas posições inadequadas, logo ficam cansados e relaxados. Portanto, a fadiga ligamentar sucede a fadiga muscular” (p. 263).
A avaliação postural, para Kendall (2002), descreve o equilíbrio ou desequilíbrio muscular associado com posições posturais estáticas, relacionando as variações do contorno corporal com algum grau de variações no alinhamento esquelético. “O teste de fio de prumo é usado para determinar se os pontos de referência da pessoa que está sendo testada estão no mesmo alinhamento que os pontos correspondentes a postura padrão” (KENDALL, 2002).
É realizado nas quatro vistas: anterior e posterior, esperando-se simetria entre as metades: direita e esquerda, exatamente contrabalançadas. Lateral esquerda e lateral direita, dividindo o corpo em frontal e dorsal, não sendo simétricas, mas que possuem pontos de referência que, ao coincidirem com a linha de prumo, são indicativos de uma postura ideal ou próxima do ideal preconizada por Kendall (2002). Tais pontos são:
• levemente anterior ao maléolo lateral;
• levemente anterior ao eixo da articulação do joelho; • Levemente posterior ao eixo da articulação do quadril; • Corpos das vértebras lombares;
• Articulação do ombro;
• Corpos da maioria das vértebras cervicais; • Meato auditivo externo;
• Levemente posterior ao ápice da sutura coronal.
2.2.3.1 A pelve: o ponto chave
A pelve é uma dos segmentos mais importante dentro da avaliação postural e é também por onde se inicia esse processo de avaliação. Funciona como ponto chave de equilíbrio podendo gerar alterações tanto ascendentes quanto descendentes no corpo humano (BIENFAIT, 1995). É um anel formado pelo sacro e cóccix, posteriormente, e pelos dois ossos do quadril. Possui as articulações: lombossacral, sacroilíaca e sínfise púbica (MIRANDA 2007).
Segundo Bienfait (1995):
“Os desequilíbrios da bacia nunca são primários. São sempre conseqüência de uma causa localizada abaixo ou acima. Se a causa localiza-se acima, o desequilíbrio pélvico compensa um desequilíbrio lombar, um processo descendente. Se localiza-se abaixo, o desequilíbrio pélvico é conseqüência de um dos membros inferiores
ou ambos. Assim, um desequilíbrio pélvico está sempre casado com um desequilíbrio da coluna lombar.”
Obrigatoriamente, todos os movimentos pélvicos vão ter alguma relação com a coluna vertebral, mas principalmente com o segmento da coluna lombar. Um movimento de anteroversão da pelve promove o aumento da lordose lombar; uma retroversão, uma diminuição da lordose lombar ou até uma retificação ou postura cifótica da mesma; uma inclinação lateral da pelve pode ser um indicativo de uma escoliose e/ou de um membro inferior mais curto; já uma rotação de pelve no plano horizontal promove a rotação da coluna para o lado oposto (MIRANDA, 2007).
Tais alterações podem ser decorrentes tanto de desvios do alinhamento estrutural (coxa vara ou valga; joelho varo ou valgo, hiperestendido ou semiflexionado; etc) as quais a pelve responde através de alguma compensação, como de desequilíbrio funcional (muscular). “O desequilíbrio funcional é uma disfunção do sistema músculo esquelético, levando potencialmente a base da coluna vertebral para baixo do nível ótimo” (BANDY; SANDERS, 2003).
As mesmas autoras explicam o desequilíbrio funcional comparando à ação de molas à do complexo muscular:
“O sistema músculo-esquelético pode ser comparado a um sistema equilibrado de cabos ou molas ligados a uma base estrutural. O comprimento total das molas de sustentação afeta o equilíbrio da base estrutural. Além disso, a distensibilidade, ou qualidade do comprimento total da mola de sustentação, afeta o equilíbrio no sistema” (pg. 253).
Ou seja, para as autoras supra-citadas, o sistema muscular sempre vai apresentar qualidades compensatórias aos desequilíbrios.
2.4 LOMBALGIA
A dor lombar é considerada um grande problema de saúde e uma das alterações musculoesqueléticas mais comuns nas sociedades industrializadas, presumindo-se que 80% a 90% da população adulta experimentarão “alguma forma” de lombalgia em algum momento
da vida. Tem predileção por adultos jovens, com menos de 45 anos e que ainda estão em atividade funcional. É uma das razões mais comuns de afastamento no trabalho, como também para aposentadoria (PELLENZ, 2005, ANDRADE, 2005). Nos Estados Unidos, a lombalgia é uma das maiores causas de limitação em atividades, a segunda razão em frequência para visitas médicas, a quinta causa de admissão hospitalar e a terceira causa de procedimentos cirúrgicos. No Brasil, cerca de 10 milhões pessoas ficam incapacitadas por causa desta morbidade e responsável por altos custos no atual sistema de saúde (SUS) (SILVA, 2004).
A maioria das crises dolorosas na coluna lombar não incapacita o paciente, sendo que mais de 50% dos que apresentam dor possuem melhora no prognóstico com o período de uma semana, e mais de 90% após oito semanas. Aproximadamente apenas 7 a 10% progridem com a crise dolorosa por mais de seis meses (MIRANDA, 2007).
De acordo com Alencar apud Carvalho (2006), entende-se pelo termo lombalgia como “uma dor localizada na região inferior da coluna, especificamente entre o último arco costal e a prega glútea”.
A lombalgia é uma patologia de etiologia complexa que possui fatores de risco como traumas mecânicos, posturais, tipo de ocupação; causas por fatores sócio-demográficos (idade, sexo, renda e escolaridade), comportamentais (fumo e baixa atividade física), exposições ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho físico pesado, vibração, posição viciosa, movimentos repetitivos) e outros (obesidade, morbidades psicológicas). Pode também ser gerado através de doenças renais, gástricas, pancreáticas e intestinais, neoplásicas, metabólicas, degenerativas da coluna ou dos discos intervertebrais (SILVA, 2004; PINTO, 2003; CAILLIET, 2002).
No entanto, a principal preocupação é em relação à dor lombar de origem mecânica, postural e ocupacional, pois constituem as causa mais freqüentes de deficiência lombar (CAILLIET, 2002).
A dor na coluna lombar pode ser causada por estresse postural prolongado, carga excessiva ou repetida durante o trabalho, aplicação de forças dinâmicas anormais sobre o corpo estático ou dinâmico, ou ainda por movimentos súbitos e inesperados que impões estresses mecânicos sobre o corpo (LOPES, 2006, p. 99).
Para Gidon (2006), as dores lombares podem ser de origem muscular, discais, neurológicas e ósseas. As dores de origem musculares basicamente se resumem a uma desordem mecânica, as discais estão relacionadas à degeneração ou desgaste, as neurológicas
estão diretamente ligadas a mudanças nervosas, ocorrendo com mais freqüência sintomas irradiados para os membros, já as dores de origem óssea estão associadas a deformações, malformações e desarranjos biomecânicos que causam mudança das estruturas.
Mais de 80% dos casos de dor lombar é resultado da fraqueza muscular do tronco e não por desordens estruturais. Muitas disfunções na coluna lombar ocorrem a partir da instabilidade articular regional, causada principalmente por desequilíbrio de forças musculares o que gera movimentos excessivos sem controle muscular de proteção podendo afetar tanto na qualidade quanto na quantidade de movimentos desempenhados por este segmento (SANTOS, 2004).
Espasmos musculares, geralmente do psoas, é um fator relevante, pois é através da ação destes músculos que a postura pode ser mantida corretamente adaptada, promovendo controle motor sobre o corpo no espaço. Alguns processos degenerativos também podem estar diretamente ligados com as algias da coluna lombar, originados por mudanças relacionadas com a idade e desarranjo biomecânico (SANTOS, 2004).
As incapacidades funcionais ou interferências nas atividades de vida diária podem ser aspectos relevantes que afetam o paciente com sintomas lombálgicos, além da dor propriamente dita. As modificações posturais tendem a acentuar-se com a idade e levam a uma diminuição significativa estrutural, interferindo no funcionamento normal dos órgãos e sistemas do organismo, são responsáveis por uma diminuição da mobilidade e da flexibilidade, muitos destes desarranjos resultam na dor lombar (LOURENÇO, 1994; VILELA, 2006).
Acredita-se que a maioria dos casos de lombalgia ocorre devido a pressões incomuns sobre os músculos e os ligamentos que suportam a coluna vertebral. Quando a musculatura não está condicionada ou treinada para as atividades impostas pelo dia-a-dia, bem como músculos paravertebrais e abdominais fracos, estes são incapazes de sustentar a coluna corretamente durante atividades de levantamento (comum no dia a dia) ou na realização de alguma atividade física. A algia na coluna torna-se constante devido à liberação de substâncias irritantes e distensão dos tecidos moles, com limitação da amplitude de movimento devido geralmente ao edema nos tecidos à proteção muscular reflexa. Quando há sinais inflamatórios, a abordagem inicial do tratamento é o controle do processo inflamatório, alivio da sobrecarga direta sobre estes tecidos edemaciados e promoção de um ambiente salubre para que os tecidos iniciem um processo de cicatrização, assim reparando os tecidos de forma adequada (NIEMAN, 1999; XHARDEZ, 2001).
Pessoas nervosas, tensas, cansadas ou deprimidas poderão fazer com freqüência movimentos que pegam o corpo despreparado. Quando estes episódios ocorrem de maneira repetitiva, a região lombar pode enfraquecer e fica susceptível a lesões subseqüentes. Biomecanicamente explicando, quando este tipo de movimento ocorre, os músculos da região lombar contraem de forma potente “esmagando” as articulações vertebrais, podendo gerar microlesões juntamente com vários processos de inflamação (CAILLIET, 2002).
A lombalgia pode ser classificada em dor aguda e dor crônica. Dor aguda, nesse caso, significa início rápido da dor e limitação após uma atividade ou situação. A partir da realização de um movimento aparentemente normal e sem dor, esta se inicia prejudicando o movimento que, em seguida, poderá se tornar o primeiro episódio doloroso. Já a dor lombar crônica é considerada aquela que persiste por no mínimo três a seis meses, tendo ou não limitação do movimento (CAILLIET, 2002).
Segundo Mendes (1996) “A lombalgia crônica é a dor persistente durante três meses, no mínimo, o que corresponde a 10% dos sujeitos acometidos por lombalgia aguda recidivante”. É caracterizada pelas dores lombares baixas e difusas; geralmente apresenta-se unilateralmente podendo ou não irradiar para as nádegas se a causa for por discopatia. Podem aumentar de acordo com o esforço exercido e com a fadiga por manter posturas durante longos períodos que se acalmam ao repouso (XHARDEZ, 2001).
Para Xhardez (2001), a cronicidade das lombalgias pode estar relacionada com o aparecimento lento, gradual e silencioso ou até mesmo como resultado de outras algias, bem como a lombociatalgia, que irão desencadear as posturas antálgicas assumidas pelo portador da síndrome.
Durante anos a causa mais comum da dor lombar postural foi classificada como a inclinação excessiva da coluna vertebral, ou seja, a má postura. A hiperlordose é encontrada na gestante quando fica em pé com o abdômen saliente, ocorrendo um deslocamento do centro de gravidade bem como o aumento desta curvatura (GIDON, 2006). A má postura também pode ser conseqüência do uso de saltos altos. A pessoa que fica em pé com a região lombar arqueada e os ombros atirados para trás, em atitude militar, também poderá sofrer de lombalgia. A própria postura em pé, de forma inadequada, já atenua a curvatura lombar, provocando uma tensão excessiva nos músculos regionais da coluna lombar, os saltos altos apenas pioram os sintomas dolorosos (CAILLIET, 2002).
Outro aspecto importante quando se fala em lombalgia, é a postura sentada prolongada, ou seja, postura isométrica inadequada por longos períodos diários. Não se deve utilizar uma cadeira que acentue a curvatura lombar. O levantamento de peso por indivíduos
descondicionados é outro fator onde os tecidos musculares principalmente das costas e dos membros inferiores não se estendem e se alongam ate o comprimento necessário para que ocorra uma flexão de tronco completa e com ausência de dor. Podendo ser também por fraqueza muscular ou movimentos bruscos (CAILLIET, 2002).
2.5 ISOSTRETCHING®
2.5.1 Histórico
O método Iso Stretching® originou-se na França em 1974, criado por Bernard
Redondo. Destaca-se por ser um tratamento global que se adapta a qualquer idade. É também chamado de Cinesioterapia do Equilíbrio, pois caracterizar-se no aspecto corretivo, educativo, preventivo, flexibilizante, tonificante e não traumatizante (TAVARES, 2005).
Redondo é osteopata, quiropodista, fisioterapeuta em Albi (França), fundador do conceito e técnica Iso Stretching®, fisioterapeuta da equipe francesa de atletismo e
vice-presidente da Sociedade Francesa de Fisioterapia (CSBM, 2008).
Redondo (2006) relata que o método nasceu de maneira progressiva. Ele atendia pessoas que possuíam problemas na coluna e que na maioria das vezes apresentavam alguma alteração no sistema muscular: cadeia posterior retraída, por exemplo. Sentia dificuldade na estabilização dos quadros álgicos dos pacientes e, por isso, foi em busca de outras opções de atividade física encontrando, então, duas vertentes: a utilizada no oriente e a do ocidente.
Os exercícios no oriente são realizados de forma repetida, ou seja, com a repetição de movimentos. Já no ocidente, a mente é posta como prioridade e a postura age como suporte na obtenção de serenidade. Sendo assim, procurou uma atividade que fosse composta por essa duas características, mas focando a coluna como elemento principal. A partir de então, surgiu um novo método de ginástica postural (REDONDO apud SÁ; LIMA, 2003).
Segundo o autor do método, Redondo (2006), o nome Iso Stretching® foi criado pelo
mesmo utilizando os termos abaixo em função de seus significados:
• Iso: O encurtamento de isometria. Ou seja, o tipo de contração muscular utilizado durante os exercícios do método.
• Stretching: Palavra de origem inglesa significando alongamento. Focando a obtenção de flexibilidade.
Redondo (2006) também elaborou um símbolo (Figura 4) para o método com algumas particularidades:
• A letra “I” vem de “iso” e representa a coluna vertebral;
• A letra “S” significa “stretching” e representa a coluna vertebral e suas curvaturas fisiológicas e patológicas.
• O círculo azul representa a respiração.
• O fundo amarelo foca o sistema visceral abdominal, a manutenção do corpo e no movimento de maneira geral.
• O ponto representa a cabeça, assim como a consciência corporal. • O triângulo representa o equilíbrio.
Figura 4: Símbolo do método Iso Stretching® Fonte: CSBM, 2008.
“De forma geral, o Iso Stretching® é um treinamento físico com facilitação neural da postura, logo seu interesse nas dores mecânicas crônicas, adaptando-se as diversas idades e capacidades físicas, já que as atividades musculares isométricas ou de alongamento são dosadas de acordo com a individualidade de cada paciente. O ensino enfatiza a qualidade, o controle e a correção dos exercícios” (SILVA, 2004).
2.5.2 Sua proposta
O Iso Stretching® se caracteriza por ser um método postural, pois os exercícios são executados em uma posição vertebral correta; global, porque, apesar de dar ênfase à coluna vertebral, todo o corpo trabalha a cada exercício; ereto, pois solicita um autoengrandecimento da coluna vertebral (REDONDO, 2006).
É uma ginástica de higiene e de manutenção que age ao mesmo tempo sobre as patologias crônicas da coluna de origem mecânica, na prevenção destas, e na aquisição de uma boa forma física, de maneira geral (REDONDO, 2006, p. 3).
Na academia, as pessoas realizam atividades de forma dinâmica, entretanto, aprender a se posicionar e a despertar a consciência corporal são elementos importantes para lidar com as doenças em geral do mundo atual (REDONDO, 2006).
De acordo com Redondo (2006), o modo de vida moderno mudou completamente desde 30 anos atrás; faz com que as pessoas vivam mais sentadas, o que modifica as curvaturas da coluna e todo o equilíbrio corporal. Outro problema encontrado atualmente é o uso da calça jeans; todo tecido duro mantém o quadril fechado, fixo. Não possuindo movimento, consequentemente a coluna o irá realizar. Por isso, a necessidade de se fazer um programa de ginástica de compensação.
Mories (2005) e Redondo (2006) relatam que a ginástica postural global ocorre através:
• do fortalecimento da musculatura profunda;
• da melhora da flexibilidade muscular e da mobilidade articular;
• do controle respiratório e da concentração mental e/ou consciência corporal.
O fortalecimento da musculatura profunda é feito de forma proprioceptiva a fim de também se tomar consciência desse fortalecimento. Tem a finalidade de desenvolver o sistema muscular de fibras tônicas situadas ao longo da coluna, para que se obtenha uma boa sustentação da posição ereta e facilitação do movimento precedendo-o e preparando-o (REDONDO, 2006).
O processo de envelhecimento, atitudes viciadas e até o próprio sedentarismo favorecem o enrijecimento (REDONDO, 2006). Algum dos ganhos propostos da
flexibilidade são a redução do risco de lesão, do processo álgico e aumento do desempenho atlético (RUSSEL, 2004; BANDY, 1997).
“O Iso Stretching® é um método que bloqueia as rotações compensatórias por uma forte contração muscular dos sistemas antagonistas, tendo, então, ao mesmo tempo, uma parte de fortalecimento e outra de alongamento muscular” (MACEDO, 2004).
Quando um indivíduo respira e se movimenta de forma inadequada pode gerar deformidades causando dor, que consequentemente, o levará a assumir uma postura antálgica tensionando e encurtando a musculatura (SÁ; LIMA, 2003).
De forma geral, o método é capaz de proporcionar (PRADO, 2003 apud SÁ):
“O fortalecimento das diferentes estáticas que sustentam o corpo; flexibilidade e tonicidade da coluna vertebral; prevenção e tratamento de problemas mecânicos da coluna vertebral; correção da postura; melhora da estética corporal; melhora da capacidade e qualidade do movimento; prevenção e melhora de perturbações morfológicas do corpo; melhora da mobilidade da pelve e do diafragma; melhora da qualidade respiratória” (p. 41).
A melhoria da atitude e do gesto se inicia através do alongamento das cadeias musculares e por um reforço dos músculos profundos da coluna (REDONDO, 2006).
“A finalidade do método reside mais na procura da qualidade corretiva que da quantidade de repetições” (REDONDO apud MACEDO 2004).
2.5.3 Princípios Básicos
“O controle respiratório, o domínio das sensações, da posição, são a base do Iso Stretching®, acrescentando um intenso trabalho muscular” (REDONDO, 2006).
O trabalho global proposto no método enfatiza a disposição, o mecanismo de contração ou alongamento dos vários segmentos corporais. As diversas posturas permitem que a maioria dos grupos musculares trabalhe de duas maneiras: concêntrica (encurtamento por contração) e excêntrica (alongamento pelo relaxamento controlado) (REDONDO, 2006; SÁ; LIMA, 2003).
Nesse mesmo raciocínio, pode-se dizer que o Iso Stretching®, através de contrações dos antagonistas, bloqueia as rotações compensatórias, realizadas principalmente pelas
extremidades (cabeça e membros). Graças a isso, tem-se, ao mesmo tempo, uma parte de reforçamento e outra de alongamento (REDONDO, 2006).
A coluna vertebral age como uma zona móvel; ela reage mantendo a em retitude por uma forte contração de seus músculos (REDONDO, 2006).
A ginástica proposta pelo método, ao contrário do que se pode pensar, não torna a coluna um bastão rígido, mas proporciona uma harmonização das curvaturas naturais do corpo através da otimização da atividade muscular, o aumento da força e da mobilidade (REDONDO, 2006).
Existem alguns pontos que devem ser trabalhados e que são essenciais para a realização com eficiência do método (REDONDO, 2006):
• O quadril é o mestre do equilíbrio, do alongamento e do movimento. É onde inserem-se a maioria dos grupos musculares e em razão de sua posição, pode controlar, selecionar e organizar as tensões através de sua ântero ou retroversão. Além disso, interfere diretamente nas curvaturas da coluna vertebral.
• A caixa abdominal mantém o sistema visceral e interfere no sistema locomotor. A contração da musculatura abdominal faz a distribuição da pressão interna do abdome.
• A respiração faz com que os diafragmas repercutam em nível de assoalho pélvico através da pressão exercida nas vísceras. Além de sua inserção nas últimas vértebras lombares, essa pressão que é gerada pelo diafragma sobre a pelve auxilia na retificação da lombar e também em uma “tração”. Isso é caracterizado como sistema hidropneumático.
De acordo com Redondo (2006), não existe atividade locomotora correta sem:
1- uma boa mobilidade do quadril e do diafragma; 2- boa flexibilidade;
3- boa distribuição dos fluxos internos;
4- uma boa harmonização dessas três funções; 5- certa consciência.
1- melhorar a saúde e a forma;
2- lutar contra as retrações músculo ligamentares; 3- corrigir as modificações das curvaturas;
4- liberar o diafragma;
5- despertar consciência corporal e ação global.
Possui ação na prevenção, reabilitação e na atividade física. Os resultados são esperados tanto na saúde (desaparecimento de dores, correção das curvaturas), como na forma (facilidade no gesto, elegância na atividade, melhora estética), através da combinação da força, mobilidade e consciência (REDONDO, 2006).
2.5.4 A prática
As posturas são ministradas através da realização das correções necessárias através do posicionamento da pelve, alinhamento da coluna vertebral e verificação das compensações. As posturas são escolhidas de acordo com cada indivíduo, respeitando as suas limitações, porém obtendo o máximo de aproveitamento em cada postura, através da qualidade corretiva (MORIS, 2005).
“Os exercícios de Iso Stretching® são classificados em quatro séries de ordem crescente de dificuldade. Eles são presentes em alternância: deitado, sentado e em ortostatismo, com variações de posições, sendo ideal a frequência de 2 séries de 1 hora por semana. A progressão dos exercícios depende da flexibilidade e da atividade muscular isométrica, para evitar compensações sobre zonas mal controladas. A sessão é composta no mínimo 6 a 8 exercícios, aumentando-se gradativamente diante da melhora e ganho da perfeição” (REDONDO apud SILVA, 2004 p. 211).
Redondo (2006) preconiza dizendo que o método é realizado em 3 etapas:
1- Posição: É a descrição da posição principal.
2- Correção: É a posição em pré-tensão, por colocação da pelve, alinhamento da coluna, verificação das compensações. A colocação da pelve dependerá da postura a qual foi
escolhida para trabalhar: deitado e em pé – pelve em retroversão; sentado – anteversão, mas sempre com o objetivo de retificação das curvaturas.
3- Ação: É a fixação dos vários elementos através do aumento da tensão por alongamento de contração isométrica, com: uma expiração profunda e prolongada, um abaixamento e aproximação das escápulas e um autoengrandecimento da coluna vertebral.
4- Variantes: É a modificação de braços e pernas ou parte dela, podendo também utilizar-se de bastão (1m a 1,20m) e bola (1,3 Kg) os quais aumentam a dificuldade.
É necessário que se repita no mínimo três (3) vezes: a primeira para corrigir, a segunda para compreender e a terceira para executar da melhor maneira. Deve-se alternar as seqüências de alongamento e recuperação dando um intervalo de no mínimo 1 minuto (REDONDO, 2006; SÁ; LIMA, 2003).
São também divididos em exercícios simétricos, evitando rotações; e assimétricos para aumentar as restrições e limitações, como também o nível de dificuldade ou em casos de assimetria corporal (ex.: escoliose) (REDONDO, 2006). As ilustrações abaixo (Figura 5) representam, respectivamente, a postura simétrica e a postura assimétrica dentro do método:
[A] [B]
Figura 5: [A] postura simétrica; [B] postura assimétrica. Fonte: REDONDO, 2006.
O tempo de manutenção da postura e de autocrescimento é regido pelo tempo expiratório de cada indivíduo, todavia orienta-se que ela seja profunda e prolongada (de 6 a 10 segundos em média) (REDONDO, 2006).
“As contrações requisitam a musculatura profunda que possuem maior importância: abdominais – equilíbrio da coluna, glúteos e músculos da coxa – estática da base da coluna, músculos da cintura escapular – estática da coluna” (MACEDO, 2004).
“A ação da respiração sobre o diafragma fixa a coluna promovendo um relaxamento dos músculos do pescoço e ombro que sempre se encontram contraturados” (MACEDO, 2004).
Todas essas etapas com a finalidade de alcançar o equilíbrio entre as cadeias musculares e harmonização das curvaturas da coluna vertebral (REDONDO, 2006).
Segundo Redondo (2006), o posicionamento pélvico é considerado a chave para o início das posturas e ele depende de qual posicionamento será escolhido para início da prática, ou seja, a pelve encontra-se em retroversão nas posições deitadas e em pé, e em anteroversão na postura sentada. As ilustrações abaixo (Figura 6) representam os três tipos de posturas (deitada, sentada e em pé) utilizadas no método, sendo demonstradas por Rosi Redondo – esposa de Bernard Redondo:
[A] [B]
[C]
Figura 6 – Posturas utilizadas no método Iso Stretching® nas posições deitada [A],
em pé [B] e sentada [C]. [A] e [B] realizam retroversão pélvica; e [C] anteversão pélvica.
3 DELINEAMENTO DA PESQUISA
3.1 TIPO DE PESQUISA
A pesquisa é do tipo quase-experimental, ou seja, aproxima-se das pesquisas experimentais, embora não seja realizada por meio de descrição aleatória dos sujeitos do grupo. Tem um rigor considerável, estabelecendo comparações entre grupos não equivalentes ou com os mesmos sujeitos antes e após o tratamento (VAROLI, 2005).
3.2 POPULAÇÃO/AMOSTRA
A população foi constituída por indivíduos portadores de lombalgia crônica.
A amostra, do tipo intencional, foi composta por 5 (cinco) indivíduos, de ambos os gêneros: 4 (quatro) mulheres e 1 (um) homem, com idades variando entre 24 e 41 anos (média de 29,8 anos), com quadro clínico de lombalgia crônica – os quais foram oriundos tanto da comunidade interna da UNISUL / Pedra Branca (funcionários, professores e acadêmicos), como também da comunidade externa da UNISUL, os quais se enquadram nos critérios de inclusão da amostra abaixo:
• Idade acima de 18 anos: A lombalgia possui maior incidência, de acordo com várias pesquisas estatísticas, em população economicamente ativa, ou seja, que inicia a partir dos 18 anos; mais especificamente entre 25 e 60 anos (PELLENZ, 2005).
• Quadro clínico de lombalgia crônica: A dor crônica tem persistência de no mínimo 3 meses e, na maioria das vezes, possui grande indicação para exercícios de alongamento e fortalecimento (CAILLIET, 2002).
• Disponibilidade de tempo para o tratamento em estudo.
• Preenchimento do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE).
Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram:
• Questionário “Modelo de avaliação físico-funcional da coluna vertebral” (adaptado de ALEXANDRE; MORAES, 2001): utilizado para o diagnóstico específico de dor lombar e avaliação da capacidade funcional da coluna lombar. Neste estudo foram utilizados os seguintes itens: identificação, aspectos posturais e ergonômicos, sinais e sintomas específicos sobre a dor lombar, avaliação postural estática e manobra especial (ANEXO A).
► Teste Especial:
1. Laségue ou elevação da perna reta: Esse teste tem o objetivo de reproduzir a dor das costas e das pernas para que seja determinada a causa. É realizado com o paciente em decúbito dorsal; o terapeuta flete o quadril do paciente de forma passiva com extensão de joelho do membro testado e através de um apoio no calcâneo. O resultado positivo para o teste se dá quando o paciente relata dor à elevação da perna. A dor poderá ser localizada somente em torno da coluna lombar ou se irradiar por todo ou parte do membro inferior. As possíveis causas para esse resultado podem ser de origem ciática, ou seja, quando há o pinçamento de alguma forma do nervo ciático ou em função de algum encurtamento muscular. A dorsiflexão agravando a dor confirma do diagnóstico de ciatalgia e a dor localizada em regiões específicas de perna ou coxa está mais relacionada com encurtamento muscular (JOÃO, 2006). A angulação a qual foi identificada a dor durante o teste também é importante, pois torna sugestiva a origem do foco álgico: de 0º a 35º - comprometimento extradural; 35º a 70º - comprometimento discal; 70º a 90º - dor articular lombar (MIRANDA, 2007).
• Mapa do desconforto para diferentes partes do corpo: utilizado para identificar a presença e o nível de desconforto nos segmentos corporais. É um instrumento que se utiliza da imagem de um corpo humano, sendo que cada segmento é avaliado em relação à intensidade da dor através da numeração de 1 à 3: 1- nenhuma dor; 2- dor suportável, que caracteriza-se por um desconforto leve, não impossibilitando de realizar as atividades de vida diária; 3- dor intensa, que faz com que o indivíduo tenha que realizar intervalos para continuação das atividades; 4- dor insuportável, incapacitando o indivíduo de realizar qualquer atividade (MORAES, 2002) (ANEXO B).
• Perfil de estilo de vida / Pentáculo do bem-estar: utilizado para identificar o estilo de vida da amostra. Fundamenta um modelo sobre os componentes do estilo de vida que afetam a saúde e bem estar individual e que estão associados ao bem estar psicológico e as diversas doenças referidas como crônico-degenerativas. Esses componentes
avaliam: características nutricionais, nível de estresse, atividade física habitual, relacionamentos e comportamento preventivo. Cada um desses componentes apresentam 3 itens, fechando um total de 15, os quais são classificados em uma escala de 0 a 3. (0 - tal característica não faz parte do estilo de vida; 3 – faz parte sempre do comportamento dentro do estilo de vida). Após há o preenchimento de faixas representativas de cada um dos itens avaliados em um pentáculo. Quanto mais preenchido (pintado) estiver a figura, mais adequado está o estilo de vida (NAHAS, 2000) (ANEXO C).
• Tatame, utilizado durante a avaliação e na aplicação das posturas:
Figura 7- Tatame.
Fonte: Dados da autora, 2008.
• Plataforma de Barré: para análise postural estática pré-intervenção nas diferentes vistas: anterior, posterior, lateral direita e lateral esquerda – planos frontal e sagital. Possui a vantagem de regulagem dos pés através de um calço posterior para bloqueio dos calcanhares e um calço em cunha de 30 graus entre os dois pés para aumentar a estabilidade e coaptação coxofemoral. Além disso, é giratória fazendo com que o indivíduo não tenha que se movimentar para mudar a vista e corra o risco de alterações na avaliação. O indivíduo permanece imóvel, com os braços relaxados ao longo do corpo, olhando na altura dos olhos para um ponto fixo enquanto se faz a análise (GAGEY, 2000).
• Simetrógrafo: para avaliação postural estática pré-intervenção. Constitui-se de um grande tablado de vidro – um quadro quadriculado, através do qual pode-se identificar a presença de assimetrias e/ou desalinhamentos corporais, sugerindo a presença de alterações posturais no avaliado. Para tanto, há uma linha retilínea em destaque no
meio do instrumento, simulando a passagem da linha de gravidade – a qual dividirá o corpo do avaliado em dois hemicorpos nos planos frontal e sagital – conforme preconizado por Kendall (1995). O instrumento foi colocado à frente da plataforma de Barré, a fim de auxiliar na avaliação postural.
Figura 8- Simetrógrafo e plataforma de Barré: instrumentos utilizados na avaliação postural estática.
Fonte: Dados da autora, 2008.
• Bastão: utilizado durante as posturas do método:
Figura 9- Bastão.
Fonte: Dados da autora, 2008.
• Máquina Fotográfica: para registro dos procedimentos do estudo (materiais utilizados e posturas realizadas).