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Trocando em Miúdos Informativo Socioeconômico

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Academic year: 2021

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Trocando em Miúdos

Informativo Socioeconômico

V. 4, n. 1, 04/2018

ISSN 2446-6050

Balanço do Mercado de Trabalho

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Trocando em Miúdos

Informativo Socioeconômico

Trocando em Miúdos: informativo socioeconômico – Balanço do Mercado de Trabalho - SMABC/DIEESE – v. 4, n. 1 – São Bernardo do Campo:

Subseção DIEESE, 2018. Sem periodicidade ISSN 2446-6050

1 Sindicato 2 Metalúrgicos 3 Emprego I. Sindicato dos Metalúrgicos do ABC II. Subseção DIEESE

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Trocando em Miúdos São Bernardo do Campo v. 4 p. 1-34 2018

Expediente:

Conselho da Executiva - SMABC:

Wagner Firmino de Santana Paulo Aparecido Silva Cayres Moisés Selerges Júnior

Cícera Michelle Silva Marques Aroaldo Oliveira da Silva

Claudionor Vieira do Nascimento Nelsi Rodrigues da Silva

Genildo Dias Pereira

Alexandre Aparecido Colombo Wellington Messias Damasceno Carlos José Caramelo Duarte Marcos Paulo Lourenço Antonio Claudiano da Silva José Caitano de Lima

João Paulo Oliveira dos Santos Maria Gilsa Conceição Macedo Gilberto da Rocha

Adalto de Oliveira

José Ribamar Feitosa Silva José Roberto Nogueira da Silva José Carlos de Souza

Mercia Silva Rodrigues Marcelo Pereira dos Santos Maria José da Silva Modesto Antonio Carlos dos Santos

Angelo Máximo de Oliveira Pinho Ananias Batista Alves Júnior Simone Aparecida Vieira Valderez Dias Amorim Sebastião Gomes de Lima

Maria do Amparo Travassos Ramos Edmiro Dias de Castro

Kleber Ferreira Nunes

Equipe técnica responsável: Luís Paulo Bresciani, Zeíra Mara Camargo de Santana, Warley

Batista Soares.

Apoio e revisão: Silvana Martins de Miranda, José Luiz Lei e Antonio Carlos da Silva Lopes Endereço: R. João Basso, nº 231, Centro, São Bernardo do Campo, SP, CEP: 09721-100.

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Sumário

I – Apresentação ... 5

II – Perspectivas do Emprego no Mundo ... 6

III – Mercado de Trabalho Formal e Informal no Brasil ... 9

IV – O Trabalho com Carteira Assinada no Brasil ... 11

V - Emprego Formal no Grande ABC ... 13

VI - Os Metalúrgicos no Brasil ... 19

VII - A Base dos Metalúrgicos do ABC ... 23

VIII – Taxa de desemprego no Grande ABC: resultados da PED ... 31

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Balanço do Mercado de Trabalho

I – Apresentação

Há exatos onze anos o mundo observou a explosão da crise financeira das hipotecas nos Estados Unidos (chamadas de hipotecas “podres” ou “subprime”), que significava a concessão de empréstimos bancários de alto risco a pessoas físicas que pretendiam adquirir imóveis, em sua maior parte. Associada à política norte-americana de juros altos1 vigente naquele período, criou-se uma situação de dívidas pessoais ou familiares que se tornaram impagáveis.

Com a economia mundial centrada no sistema financeiro, essa bolha imobiliária teve um efeito dominó mundo afora, que culminou na perda de ativos, falências ou intervenções em bancos, fundos de investimentos e seguradoras. As indústrias, que destinavam parte de seus ativos à especulação no mercado financeiro, perderam bilhões de dólares em termos globais. De acordo com o Jornal El País, quase 9 milhões de empregos foram eliminados em menos de 2 anos, em escala global2.

Em meados de 2011 intensifica-se o desemprego, principalmente em razão da queda de atividade econômica em quase todo o planeta, associada à queda do consumo e ao elevado endividamento das famílias. Nesta segunda fase da crise financeira o Brasil também é fortemente atingido, diferentemente do período 2007/2008. A indústria, a construção civil e a agropecuária foram os setores que mais destruíram empregos formais no segundo semestre de 2011. Esse movimento se estendeu por vários semestres, acentuando-se drasticamente ao final de 2014, tanto pela tensão política que se estabeleceu às vésperas do processo eleitoral para a Presidência da República, quanto pela paralisia das áreas de infraestrutura do país com o avanço dos processos da operação Lava Jato.

É nesse contexto que a Subseção DIEESE no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, procura contribuir com o movimento sindical numa análise mais alongada sobre o mercado de trabalho. Sendo assim, o presente estudo está dividido em 9 capítulos, incluindo este primeiro e a conclusão.

1 As taxas de juros nos financiamentos variavam, sendo mais baixas no início e se elevando com o passar do

tempo.

2 Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/05/economia/1501927439_342599.html, acesso em

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O segundo capítulo apresenta os principais resultados do estudo da Organização Internacional do Trabalho sobre as “Perspectivas Sociais e Emprego no Mundo – Tendências 2018”, com especial debate sobre as condições de vulnerabilidade dos trabalhadores ao redor do mundo.

A situação de trabalho do universo de 92 milhões de pessoas ocupadas no Brasil é objeto de análise do terceiro capítulo, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNADC, com atenção especial ao ano de 2017, que marca uma tímida retomada de contratações após um longo período, mas em ocupações informais e numa conjuntura de grande fragilidade.

O quarto capítulo se utiliza dos indicadores do Ministério do Trabalho e Emprego para analisar o mercado de trabalho formal de 46 milhões de pessoas nos vários setores de atividade econômica, além dos primeiros efeitos da Reforma Trabalhista sobre os desligamentos. O emprego nos setores e em cada município do Grande ABC é tratado no quinto capítulo. Esse item traz também, além do emprego, uma análise do que ocorreu com os estabelecimentos em termos de quantidade e tamanho em quase três décadas.

O sexto capítulo mostra o movimento do mercado de trabalho metalmecânico no Brasil na última década, com recorte especifico para o setor automotivo. Esse período permitiu analisar os impactos de ações propositivas e também da ausência de políticas direcionadas ao desenvolvimento do setor. A base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC igualmente é analisada a partir de seus principais segmentos, com destaque para o recorte de gênero e o desempenho dos rendimentos do trabalho no período recente. Por fim, por meio de pesquisa amostral, apresenta-se os resultados gerais da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Grande ABC, numa análise mensal desde 2010.

II – Perspectivas do Emprego no Mundo

A Organização Internacional do Trabalho - OIT divulgou em janeiro último estudo denominado “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências 2018”, que indica que o desemprego global deverá permanecer em nível equivalente ao de 2017. No mundo havia 192,7 milhões de desempregados no ano passado (5,6% da população), patamar que deve se repetir em 2018 (cerca de 192,3 milhões) e novamente se ampliar em 2019 (193,6 milhões).

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Essa projeção ocorre em meio à recuperação da economia de um grande conjunto de países, sobretudo os desenvolvidos.

Dos trabalhadores desempregados em 2017, um total de 42,9% são mulheres e 34,6% são jovens com até 24 anos de idade. Já a população ocupada está estimada em 3,3 bilhões de pessoas.

O relatório apontou que, embora o nível de desemprego apresente maior estabilidade, há déficit de trabalho decente e a economia global não está criando os empregos necessários. Em 2017, havia 1,4 bilhão de trabalhadores em condições vulneráveis (42,5% do total de ocupados) e outros 35 milhões deverão se colocar nessa condição até 2019.

Um resultado positivo do estudo é que nos países emergentes está encolhendo a quantidade de trabalhadores que vivem abaixo da linha da pobreza. Mudanças estruturais no mercado de trabalho global também foram destacadas: os empregos no setor de serviços serão a força do crescimento futuro, enquanto os setores agrícola e industrial diminuirão sua capacidade de inserção da força de trabalho.

Nos países desenvolvidos, por exemplo, se prevê que o aumento de postos de trabalho no setor de serviços poderá elevar a incidência do emprego a tempo parcial e do subemprego, em razão da insuficiência de horas trabalhadas. Deste modo, haverá poucas possibilidades de surgirem melhorias nas condições de trabalho, o que se reverterá somente com a implementação de políticas de formalização, qualidade e produtividade no setor de serviços.

Por outro lado, a explosão do desemprego que se acentua a partir de 2014, teve um impacto crítico na expansão da taxa regional. A seguir, apresenta-se a estimativa do mercado de trabalho por regiões do mundo:

a) América Latina e Caribe: a taxa de desemprego deverá diminuir de 8,2% (2017) para 7,7% (2019), mas a recuperação dos empregos perdidos está distante. Ressalte-se que o desemprego em 2014 apresentava uma taxa de 6,1% na região.

b) Norte da África: com a maior taxa de desemprego mundial, há expectativa de redução de 11,7% (2017) para 11,5% (2018).

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c) África Subsaariana: mais de um em cada três trabalhadores vivem em situação de extrema pobreza e três em cada quatro se encontram em postos de trabalho vulneráveis. A população economicamente ativa deverá aumentar e a taxa de desemprego se manter em 7,2%.

d) América do Norte: estima-se que a taxa de desemprego diminuirá de 4,7% (2017) para 4,5% (2018) impulsionada pelo avanço do mercado de trabalho no Canadá e nos Estados Unidos.

e) Estados Árabes: a taxa de desemprego deve se reduzir parcialmente em 2018 para 8,3% e aumentar em 2019. Na região, quase 5 milhões de pessoas estão desempregadas, sendo um terço mulheres, apesar de representarem somente 16% da força de trabalho local.

f) Ásia e Pacífico: a região deve continuar gerando empregos, assim como a taxa de desemprego deve se situar em 4,2% da população economicamente ativa, considerada baixa para os padrões internacionais. O número de ocupados evoluirá provavelmente em 23 milhões entre 2017 e 2019, mas o emprego vulnerável ainda atinge metade dos ocupados.

g) Ásia Central e Ocidental: a taxa de desemprego regional deve permanecer em 8,6% entre 2018 e 2019. O emprego vulnerável afetou 30% dos trabalhadores em 2017, mas deve se reduzir em 2018 e 2019 em 0,6 pontos percentuais.

h) Norte, Sul e Oeste da Europa: a melhoria da atividade econômica na região reduziu a taxa de desemprego de 9,2% (2016) para 8,5% (2017). As reduções com maior intensidade deverão ser observadas na Espanha e na Grécia e mais lentamente na Itália, Irlanda e Portugal. Em 2018, o desemprego deve ficar estável na França e no Reino Unido.

i) Leste da Europa: países como Ucrânia, Polônia e Eslováquia constataram leve declínio no desemprego. Assim, a região deverá registrar breve diminuição da taxa de 5,5% para 5,3%.

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Gráfico 1

Desempregados no Mundo, 1991-2019* (milhões)

III – Mercado de Trabalho Formal e Informal no Brasil

Por seu turno, o comportamento do mercado de trabalho em 2017, divulgado no final de janeiro pelo IBGE em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNADC, registrou o pior ano do desemprego no Brasil, com taxa média de 12,7%. Em 2016, a taxa média anual de desemprego foi de 11,5%, em 2015 de 8,5% e em 2014 de 6,8%.

No último trimestre de 2017 havia 12,3 milhões de trabalhadores sem emprego, ou 11,8% da População Economicamente Ativa – PEA. De outubro a dezembro registrou-se a menor quantidade de desempregados em 2017, tanto em números absolutos, como em relativos, ainda assim, a taxa se encontra em patamar muito elevado.

A pesquisa contabiliza 92,1 milhões de ocupados no Brasil, total 2% superior (+1,8 milhão de pessoas) ao que havia um ano antes. Contudo, o crescimento do emprego foi quase que totalmente absorvido pelo crescimento da PEA, de 1,8% em igual período.

A ampliação das ocupações não foi puxada pelo trabalho formal no setor privado, visto que nessa modalidade foram fechados 684 mil postos no último ano. O saldo positivo decorreu

Fonte: Organização Internacional do Trabalho – OIT Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC

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de contratações de trabalhadores sem carteira, domésticos, conta própria, do setor público e aqueles que trabalham em negócios familiares, resultado de uma demanda reprimida que se estende há pelo menos três anos. A maior parte dessas ocupações estão em contextos de grande vulnerabilidade, que podem ser agravados pelas medidas recessivas do Governo Federal, como a limitação dos gastos por 20 anos, pela reforma trabalhista, pela terceirização e pela tentativa de aprovação da Reforma da Previdência. Além da redução de serviços, como educação e saúde, os trabalhadores terão que lidar com a perda de direitos conquistados a duras penas.

As contratações em 2017 aconteceram na indústria (527 mil), alojamento e alimentação (421 mil), informação e comunicação (408 mil), outros serviços (+376 mil), serviços domésticos (+259 mil), administração pública (250 mil) e comércio (+219 mil).

Do conjunto dos setores de atividade, os que apresentaram redução do número de ocupados foram a agricultura (-459 mil), construção civil (-133 mil) e transporte, armazenagem e correio (-47 mil). Em termos relativos, a agricultura foi a mais atingida, com a redução de 5,1% de suas ocupações, contra 1,9% da construção civil e 1,0% do setor de transporte.

O rendimento do trabalhador com e sem carteira foi de R$ 2.154, ou 0,3% superior a 2014, momento que se acentua a crise política no Brasil. Para os trabalhadores informais, cujo rendimento foi de R$ 1.179 ao final de 2017, registrou-se declínio de 4,6% em seu poder de compra nos últimos 3 anos.

Os principais dados abordados nesse item estão resumidos na tabela 1:

Tabela 1

Principais indicadores do mercado de trabalho, segundo a PNADC Brasil, 2012-2017*

Fonte: IBGE/PNADC. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC (*) Considera os últimos trimestres de cada ano.

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IV – O Trabalho com Carteira Assinada no Brasil

Os trabalhadores com carteira assinada no país totalizaram 46,0 milhões de pessoas no mês de dezembro de 2017, segundo as últimas estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, extraídas dos registros da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED.

O último ano apresentou resultado negativo do emprego formal, embora a força das demissões tenha diminuído, em concordância com o que foi apontado nos dados da PNADC descritos no item I desse boletim.

No mês, os setores de atividade fecharam 328.539 postos de trabalho (0,7%). A exceção ficou para o comércio, único a contabilizar saldo positivo em dezembro.

Em doze meses (dez/2016 a dez/2017) foram extintos 20.831 postos de trabalho, o que representou uma queda de 0,05% ao longo do ano. Todos os setores de atividade diminuíram o nível de emprego, com exceção ao comércio, serviços e agropecuária que, juntos, aumentaram em 114.036 postos o nível de ocupação.

A síntese do emprego no último ano consta na tabela 2, a seguir:

Tabela 2

Emprego Formal, por Setores de Atividade Econômica Brasil, 2016-2017

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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Do final de 2014 ao final de 2017 o Brasil eliminou 3,5 milhões de empregos formais, sendo esses os anos mais devastadores para o mercado de trabalho com carteira que se tem conhecimento, provocado especialmente pela paralisia das atividades em setores estratégicos da infraestrutura do país - dentre eles a Petrobrás - e responsáveis por grande parcela da geração de empregos em sua cadeia de produção. Esse período reúne as adversidades provocadas pela segunda fase da crise internacional e pela tensão política que se sucedeu ao processo eleitoral que reelegeria Dilma Rousseff como Presidenta da República.

Ao analisar o comportamento do emprego nos anos anteriores a 2014, nota-se que a aplicação de políticas expansionistas dos Governos Lula e Dilma levaram à intensa criação de empregos que se deu entre os anos 2003 e 2014. Em média, o país presenciou a criação de 1,740 milhão de novas ocupações com carteira em cada um desses anos, contribuindo intensamente para o ciclo de expansão da economia. Foram 20,9 milhões de empregos gerados em doze anos, como consta no gráfico 2:

Gráfico 2

Evolução e Saldo do Emprego Formal no Brasil, 2000-2017* (em mil)

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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O mercado de consumo foi duramente prejudicado com a redução dos recursos em circulação. Em 2017, o país perdeu 1,6% da massa de salários dos trabalhadores formais, em termos reais. A renda média do trabalhador com carteira no Brasil é de R$ 2.576,00 ou 1,4% inferior ao ano anterior, em valores já atualizados.

Ressalte-se que com a implementação da Reforma Trabalhista o CAGED/MTE passa a divulgar nova variável de movimentação de trabalhadores denominada “Desligamento por

Acordo Empregado e Empregador”, já objeto da Reforma Trabalhista aprovada em

julho/2017 pelo Congresso Nacional. Somente em novembro e dezembro de 2017, quando a variável surge pela primeira vez, somam 6.697 os trabalhadores desligados por motivação de acordo firmado entre patrão e empregado, que representa 0,3% do total de desligamentos ocorridos nos dois meses. Na prática, essa modalidade retira direitos trabalhistas no momento da rescisão.

Os setores mais afetados pelo acordo empregado e empregador, pela ordem foram Serviços (49,9%), Comércio (23,5%), Indústria de Transformação (16,6%), Construção Civil (5,9%) e Agropecuária (3,8%).

V - Emprego Formal no Grande ABC

Os postos de trabalho com carteira assinada nos sete municípios do Grande ABC foram fortemente reduzidos em dezembro de 2017, mês de ajuste para as empresas: somaram 4.231 ocupações. Os setores responsáveis por grande parcela das reduções foram: serviços (-2.166), indústria de transformação (-1.366) e construção civil (-549). No mês, a região perdeu 0,6% de seus trabalhadores.

A região também registrou resultado negativo no nível de emprego em doze meses. Ainda que a quantidade de demissões no ano tenha diminuído, as admissões também se retraíram quando comparadas aos anos anteriores, em decorrência da inércia da atividade econômica. A contração das ocupações industriais levou o setor a sair de uma participação de 32,8% no nível do emprego regional ao final de 2010, para 26,1% em dezembro de 2017. A tabela 3 destaca os resultados do emprego no último ano, por setores de atividade:

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Tabela 3

Empregos com Carteira Assinada, por Setores de Atividade Econômica Grande ABC, 2016-2017

Ao analisar o último mês, por município do Grande ABC, os que mais destruíram postos de trabalho em números absolutos foram São Bernardo do Campo 1.438), Mauá (-741), Diadema (-538) e Santo André (-508). No acumulado de doze meses, os maiores saldos negativos ficaram com São Bernardo (-2.035), Diadema (-1.881) e Ribeirão Pires (-642). Todavia, é a cidade de Rio Grande da Serra que mais perde trabalhadores em termos relativos, ou seja, 6,5% no período de um ano. A síntese das informações consta na tabela 4, a seguir:

Tabela 4

Empregos com Carteira Assinada, por Município Grande ABC, 2016-2017

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017 pelo CAGED.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017 pelo CAGED.

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Estima-se que o Grande ABC finalizou o mês de dezembro com 727.320 trabalhadores com carteira assinada, um patamar semelhante ao ano de 2008. De 2013 a 2017 a região perdeu 34% do que havia sido criado a partir dos anos 2000.

Gráfico 3

Empregos com Carteira Assinada

Grande ABC, 2000-2017 (em mil)

Como pode ser observado no gráfico 4 a seguir, a queda do estoque de emprego na região tem forte influência do setor industrial, que havia crescido 37% entre 2002 e 2011 (seu melhor ano) e hoje se encontra em patamar 3% abaixo daquele registrado em 2002. Para os demais setores, o ano de 2014 atingiu o pico na criação de postos de trabalho, desde 2002. O comércio havia crescido 81%, os serviços 49% e a administração pública 34%. Destaque para a construção civil que superou todas as expectativas, especialmente pelo boom do setor imobiliário na região, ampliando em 225% no período.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017 pelo CAGED.

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Gráfico 4

Crescimento do Emprego em Setores Selecionados

Grande ABC, 2002-2017 (Base = 2002)

No Grande ABC surgem também os primeiros sinais da Reforma Trabalhista: nos últimos dois meses do ano um total de 88 desligamentos ocorreram por força de “Acordo Empregado e Empregador”.

Em consequência das demissões os rendimentos foram muito impactados. A massa de salários no Grande ABC se comprimiu em 12,9% somente entre 2015 e 2017 em termos reais. Em valores absolutos, cerca R$ 312,0 milhões deixaram de circular na economia regional no acumulado desses anos.

A reestruturação das empresas - que envolveu modificações no processo de produção, descentralização de atividades e formação de novas empresas -, assim como a crise que atingiu o país, foram responsáveis por mudar o perfil dos estabelecimentos empresariais na região.

Assim, entre os anos de 1990 e 2016 (27 anos) houve forte ampliação no volume de estabelecimentos na região do Grande ABC, passando de 20,3 mil para 43,3 mil pessoas jurídicas, com crescimento de 113,3% no período. Mas esse aumento não foi puxado pela formação de grandes empresas, e sim pelas de menor tamanho.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017 pelo CAGED

Obs.: O setor de construção civil cresceu 225% entre 2002 e 2014. Hoje possui 158% a mais de ocupações daquelas contabilizadas em 2002.

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Nesse período, houve expansão do número de empresas que possuem até 499 trabalhadores em 114,2% e na quantidade de trabalhadores em 56,8%. O número de empresas com 500 trabalhadores ou mais (grande porte) foi reduzido em 9,0% no respectivo período, mas com acréscimo no nível de emprego em 11,3%.

Tabela 5

Trabalhadores nos Estabelecimentos Grande ABC, 1990-2016

Como mostra a tabela 5, a abertura de novas e pequenas empresas deu um salto no período. Os estabelecimentos com até 4 trabalhadores aumentaram em 111,4%, na faixa entre 5 e 9 trabalhadores evoluiu 146,1% e na faixa entre 10 e 19 trabalhadores o crescimento foi de 144,0%. Em 1990, apenas 0,7% das empresas no Grande ABC eram grandes, com 500 trabalhadores ou mais, e 92,4% possuíam menos de 50 trabalhadores. Em 2016, as grandes totalizavam 0,3% e aquelas com até 49 trabalhadores representavam 95,6% do total de estabelecimentos na região. Para além dos 43,3 mil estabelecimentos que possuíam algum trabalhador registrado em 2016, outros 4,5 mil encontravam-se abertos oficialmente, sem informações sobre vínculos empregatícios.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

Obs.: O total de estabelecimentos desconsidera aqueles que não possuíam qualquer trabalhador registrado em 31 de dezembro do respectivo ano. Registre-se que em 1990 haviam 2.204 estabelecimentos com zero trabalhador no Grande ABC e em 2016 eram 4.535.

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Tabela 6

Estabelecimentos por Setor e Tamanho Grande ABC, 1990-2016

Ao analisar o setor industrial, individualmente, observa-se que o nível de emprego é menor em quaisquer circunstâncias, tanto para as empresas com até 499 trabalhadores, quanto para as grandes. Durante esse período, foram cortados 102,7 mil postos de trabalho na indústria de transformação no Grande ABC.

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Em relação à quantidade de estabelecimentos, aqueles que possuem acima de 500 trabalhadores tiveram queda de 48,5%, e os que têm até 499 trabalhadores tiveram ampliação de quase 44%. Este crescimento foi influenciado pela formação de empresas com até 19 trabalhadores, que se expandiu em 67,5% entre 1990 e 2016.

Tabela 7

Estabelecimentos e Emprego na Indústria

Grande ABC, 1990-2016

Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontaram também a existência de 416 estabelecimentos industriais sem qualquer trabalhador registrado em 2016, um acréscimo em relação a 1990, quando havia 273 indústrias nessa condição.

VI - Os Metalúrgicos no Brasil

Os metalúrgicos no Brasil totalizaram 1.872.427 trabalhadores em dezembro. No mês, foram fechados 14.840 postos de trabalho, configurando o pior resultado mensal do ano. Os setores mais afetados foram as indústrias de metalurgia e produtos de metal, que juntas foram responsáveis por 41,5% do saldo negativo de dezembro, seguidas de máquinas e equipamentos com 21,2% do saldo negativo, e equipamentos de informática e eletrônicos, 14,6%.

Em doze meses houve a redução de 4.806 metalúrgicos e esse foi o ano menos crítico para o conjunto da categoria, uma vez que desde 2014 registram imensas e consecutivas perdas de trabalhadores. A essa melhora atribui-se o crescimento de emprego no setor automobilístico, que contabilizou 13.092 novas ocupações no período. Porém, entre 2014 e 2016 as montadoras eliminaram 19% (-24.569 mil) das ocupações e as autopeças, 29% (-93.838).

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Tabela 8

Emprego Metalúrgico, por Subsetores Brasil, 2016-2017

A grande maioria dos empregos metalúrgicos (80,4%) está distribuída nos seguintes setores: 21,5% na indústria de produtos de metal, 21,3% no automotivo, 17,0% nos fabricantes de máquinas e equipamentos, 10,8% na metalurgia e 9,8% na indústria de materiais elétricos. Desde outubro de 2013, momento em que a curva do emprego metalúrgico inclina-se negativamente, foram fechados 605.440 postos de trabalho (queda de 24,4%).

Em 2002, havia 1.345.001 metalúrgicos com carteira assinada no país. E ao longo da última década se pode observar que todo emprego criado nos Governos Lula e grande parte do Governo Dilma, e que levou a categoria contar com quase 2,5 milhões de trabalhadores, já foi eliminado durante a crise atual, como pode ser comprovado pelo gráfico 5.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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Gráfico 5

Evolução Anual do Emprego Metalúrgico, por Setores Brasil, 2007-2017

Em resumo, todos os subsetores metalmecânicos possuem menos trabalhadores quando comparados com dez anos atrás. E após 2014, a categoria metalúrgica chegou a perder quase 300 mil postos em um único ano, como mostra o Gráfico 6. E como já explicado no capítulo III, a Reforma Trabalhista permite desligamentos na modalidade “Acordo Empregado e Empregador”; em novembro e dezembro de 2017 foram desligados 337 metalúrgicos nesta condição.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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Gráfico 6

Saldo Anual do Emprego Metalúrgico Brasil, 2008-2017

Após o fechamento de 89.592 postos no setor automobilístico, entre 2014 e 2016, os últimos doze meses são marcados por importantes contratações nos setores de autopeças (+12.465) e montadoras (+608).

A retomada da produção nas fabricantes de caminhões e ônibus são as responsáveis por reverter o quadro negativo do setor e se somam ao forte estímulo das exportações totais de autoveículos, que saiu de uma média de 28 mil unidades/mês em 2014, para 70 mil em 2017. O gráfico 7 apresenta o estoque de emprego no setor automobilístico em dez anos:

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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Gráfico 7

Evolução Anual do Emprego nas Montadoras e Autopeças Brasil, 2007-2017

VII - A Base dos Metalúrgicos do ABC

O nível de emprego na base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - SMABC foi novamente reduzido em dezembro/2017, quando foram fechados 561 postos de trabalho (-0,8%). A maioria dos setores apresentou resultado negativo, principalmente o de produtos de metal e o automobilístico.

Em doze meses, foram encerradas 1.739 vagas, que representou uma redução de 2,4% no período. Os setores que mais contribuíram para a queda foram: automobilístico (com -565 empregos nas montadoras e -146 empregos nas autopeças), produtos de metal, máquinas e equipamentos e aparelhos elétricos. Com este resultado, temos 6 anos consecutivos com saldo negativo de emprego na categoria, como apresentamos a seguir. O resumo dos indicadores do último ano consta na tabela 9:

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC.

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Tabela 9

Emprego na Base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Grande ABC, 2016-2017

A categoria somou 70.008 pessoas em dezembro de 2017. Deste total, quase 90% estão distribuídas nos diferentes segmentos metalmecânicos: 33,5% são trabalhadores nas montadoras, 19,9% nas autopeças, 15,7% nas indústrias de produtos de metal, 15,3% nas de máquinas e equipamentos e 5,5% na metalurgia.

Os registros do CAGED apontaram também que houve 10 (dez) desligamentos de

metalúrgicos pela variável “Desligamento por Acordo Empregado e Empregador” no

último mês.

Na base sindical, nota-se que o momento de maior pujança se deu entre os anos 2004 e 2008 (saldo de 24,6 mil empregos) e 2010 e 2011 (+10,3 mil). Exceção para 2009, com o impacto da crise financeira norte-americana, ocasião em que a categoria diminuiu em 6 mil pessoas.

Mais recentemente, a crise política e econômica foi responsável pela destruição de 37,3 mil postos de trabalho entre 2012 e 2017, como demonstra o gráfico 8.

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Gráfico 8

Total de Trabalhadores e Saldo Anual de Emprego na Base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Grande ABC, 2010-2017 (em mil)*

Dando maior atenção ao período que compreende especificamente a crise política nacional, que foi também o mais expressivo em eliminação de empregos no país e na base sindical, observa-se que dos últimos 48 meses (gráfico 9) em somente 4 deles houve saldo positivo, de acordo com as movimentações mensais de trabalhadores fornecidas pelo CAGED. Apesar deste último ano contabilizar resultado desfavorável, foi menos rigoroso que os anteriores. A partir das informações oficiais obtidas, supõe-se que grande parte das empresas ajustou seu quadro de funcionários no limite mínimo do que é possível para produzir.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estoques em 31 de dezembro. 2017: estimativa CAGED.

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Gráfico 9

Saldo Mensal de Emprego na Base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Grande ABC, 2014-2017*

No que se refere à clivagem de gênero, o emprego das mulheres foi mais afetado em termos relativos do que os dos homens, que fez com que a participação de postos de trabalho femininos na categoria caísse de 15,5% em 2015 para 15,3% em 2017.

No acumulado de 2014 a 2017, os homens perderam 24,8% de seus postos de trabalho e as mulheres perderam 25,4%. O resultado reflete a queda de 31,1% no emprego feminino do setor de produtos de metal e 30,1% do setor de equipamentos de informática, ao contrário de 22,0% e 19,3% do emprego masculino em ambos setores, respectivamente.

No último ano, o emprego masculino se reduziu em 2,3% e o feminino observou uma contração de 3,2%. O rebaixamento da participação está relacionado com uma redução maior de postos de trabalho feminino nos setores de metalurgia, produtos de metal e automotivo, quando comparada à redução dos postos de trabalho masculinos. Cabe destacar que somente esses três setores absorvem 65,5% do emprego feminino na base SMABC. Ou seja, qualquer movimentação de contratações ou desligamentos nesses setores alteram de forma simbólica o mercado de trabalho metalmecânico local.

O gráfico 10 demonstra o resumo dessas informações:

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017, pelo CAGED.

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Gráfico 10

Empregos na Base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, por Gênero (em mil) Grande ABC, 2000-2017*

Embora tenham sido firmados acordos relevantes na categoria visando a manutenção dos postos de trabalho durante esse período de baixa atividade produtiva, dentre eles o Programa de Proteção ao Emprego - PPE3 nos anos de 2015 e 2016, ainda assim os indicadores

de emprego do setor automobilístico apresentaram quedas significativas.

Em onze anos, nas montadoras, podem ser destacados dois momentos bem distintos. No que compreende 2006 e 2011 são criados 6,2 mil novos empregos (21,6%) nos fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Após esse período, foram eliminadas 11,4 mil ocupações (-32,7%). Assim como ocorreu no conjunto da base sindical, o momento mais nefasto foi após 2014, uma vez que esses três anos foram responsáveis por uma redução do setor em 23,0%, assim como pode ser comprovado pelo gráfico 11.

3 A partir de dezembro de 2016, o Governo Temer modificou por meio da medida Provisória 726/16 a

denominação do Programa de Proteção ao Emprego – PPE para Programa Seguro Emprego – PSE, criado e regulado pela Medida Provisória 680/15.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017, pelo CAGED.

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Gráfico 11

Emprego nas Montadoras Grande ABC, 2006-2017*

Nas autopeças, o quadro é ainda mais complicado. Entre 2006 e 2011 o setor aumentou em 26,6% seus postos de trabalho, abrindo 5,4 mil novas vagas. No período posterior eliminou 12,8% trabalhadores, ou quase metade do que possuía (-47,9%).

Gráfico 12

Emprego nas Autopeças Grande ABC, 2006-2017*

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017, pelo CAGED.

Fonte: MTE. Elaboração: Subseção DIEESE / SMABC. (*) Estimativa até dezembro/2017, pelo CAGED.

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Quanto aos rendimentos mensais, estima-se que os metalúrgicos recebiam em média, R$ 5.100, em dezembro/2017. Quando comparado com 2014, nota-se um aumento no rendimento médio nominal do metalúrgico em quase 10%. Contudo, em termos reais, o rendimento caiu 9,5% em igual período, o que significa perda do poder real de compra.

Os rendimentos de homens e mulheres da categoria obtiveram resultados desiguais. A renda média dos homens, por exemplo, de R$ 5.265,00, teve crescimento nominal de 8,5% e queda real de 10,4%, de dezembro de 2014 a dezembro de 2017.

O melhor resultado em termos de rendimentos ficou para as mulheres, atualmente com renda de R$ 4.187,00. Seus salários nominais majoraram em 16,8% em igual período, porém o rendimento real apresentou redução menor que o dos homens (-3,5%).

O movimento observado na evolução dos estabelecimentos da região, entre 1990 e 2016, para o conjunto dos setores de atividade econômica no Grande ABC, também se reflete no setor metalmecânico, cujos trabalhadores são representados pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em 1990, um total de 96,2% das empresas metalmecânicas tinham menos que 500 trabalhadores e eram responsáveis por 41,1% do emprego. Em 2016, os estabelecimentos com até 499 trabalhadores totalizavam 98,6% do total, mas já possuíam mais da metade dos trabalhadores no setor (50,8%). Por outro lado, as grandes empresas (3,8% do total) detinham quase 60% dos postos de trabalho em 1990, número que foi reduzido em 2016, quando apenas 1,4% eram empresas de grande porte e responsáveis pelo emprego de 49,2% das pessoas ocupadas.

A seguir, a distribuição dos estabelecimentos e dos empregos na base do SMABC, entre 1990 e 2016:

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Tabela 10

Evolução do Emprego e dos Estabelecimentos no Setor Metalmecânico, por Tamanho Grande ABC, 1990-2016

Ao desagregar o setor metalmecânico nota-se grandes disparidades entre os segmentos. Por exemplo, o setor automotivo é o que mais detêm grandes empresas; isso ocorria em 1990 (quando 22% dos estabelecimentos tinham mais que 500 trabalhadores) e em 2016 (10,2% são grandes empresas). Ainda assim, vale ressaltar a mudança ocorrida em 27 anos: em 1990, somente 34,1% dos estabelecimentos tinham menos que 50 trabalhadores; em 2016 esse percentual quase dobrou (62,6%).

Nos setores de metalurgia e produtos elétricos e eletrônicos 99% dos estabelecimentos têm menos que 250 trabalhadores e o setor de bens de capital, que possuía quase 7% de empresas com 250 trabalhadores ou mais em 1990, chegou em 2016 com somente 3,2% de seu contingente nessa condição.

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Tabela 11

Distribuição dos Estabelecimentos por Setor Metalmecânico e Tamanho Grande ABC, 1990-2016

No conjunto do setor metalmecânico, as grandes empresas somavam 1,3% do total em 2016, mas detinham 49% do emprego. Em 1990 havia 3,6% de grandes empresas na categoria, responsáveis por 58,9% das contratações.

VIII – Taxa de desemprego no Grande ABC: resultados da PED

A taxa de desemprego no Grande ABC quase duplicou no período de três anos: sai de uma média de 10,4% em 2014 para 17,7% em 2017, de acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED (DIEESE/SEADE).

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Ainda que o mês de dezembro tenho apresentado breve redução do número de desempregados nos sete municípios da região, 2017 foi o pior ano da análise a partir de 2010, como demonstrado no gráfico 13.

Gráfico 13

Taxa de Desemprego, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego DIEESE/SEADE (%)

Grande ABC, 2010-2017

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IX – Conclusão

Desde meados de 2007 os países em todo o mundo tentam minimizar as sequelas da crise financeira que se instalou nos Estados Unidos ao início em razão da elevada concessão de empréstimos de alto risco. Desde então, o ambiente econômico e o mercado, instáveis, ainda afetam empresas e desestimulam investimentos.

À medida que a economia mundial começa a apresentar os primeiros indicadores de crescimento, impulsionada pelos países desenvolvidos, observa-se um leve movimento positivo em relação ao mercado de trabalho. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, a taxa de desemprego mundial em 2018 deverá se manter estável em relação a 2017, porém com aumento na quantidade de postos de trabalho vulneráveis.

No Brasil, a partir de 2011 setores estruturantes da economia foram atingidos e destruíram milhares de postos de trabalho, dentre eles a construção civil, a indústria e a agropecuária. Em 2014, a crise se intensifica motivada pela tensão política que antecedeu o processo eleitoral para a Presidência da República, assim como pela paralisia dos projetos de infraestrutura desde o início da operação Lava Jato.

O setor metalmecânico, que detém mais de um quarto do emprego industrial, está entre os que mais perderam empregos no país. Somente entre 2014 e 2016 foram fechados 23,3% dos postos de trabalho de metalúrgicos, e o setor automotivo (montadoras e autopeças) tem sido o grande vilão. Os outros setores da indústria perderam, juntos, 9,8%.

O Grande ABC reflete a conjuntura nacional. O setor industrial, que empregava em 2011 cerca de 1/3 dos trabalhadores com carteira na região, possuía apenas 25,6% das ocupações ao final de 2017. Os Metalúrgicos do ABC tiveram forte impacto desse processo, uma vez que foram fechados 34,8% de seus postos de trabalho no mesmo intervalo de tempo, ainda que acordos importantes tenham sido firmados durante a crise, buscando manter a força de trabalho no local, como foi o caso do Programa de Proteção ao Emprego – PPE, atual Programa Seguro Emprego – PSE.

A Reforma Trabalhista tende a agravar as condições do mercado de trabalho e aumentar a desvalorização dos postos de trabalho, já que entram em cena ou se fortalecem novas formas

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de contratação que acentuam as condições de vulnerabilidade, como o trabalho intermitente, o trabalho por tempo parcial e a terceirização indiscriminada.

Associada à dimensão da política econômica, com a instituição da PEC do Teto dos Gastos, a dissolução de projetos sociais e a tentativa de aprovação da Reforma da Previdência, a situação dos trabalhadores e do conjunto da sociedade brasileira se direciona para um retrocesso gigantesco com grave aumento da desigualdade.

Do mesmo modo, as mudanças propostas afetarão brutalmente o mercado consumidor a partir do rebaixamento dos padrões de renda que o setor empresarial, o Congresso Nacional e o Governo Federal tentam consolidar no país com essas ações articuladas.

Nesse sentido, fica claro o desafio de resistir e seguir na busca da formulação de políticas que se concentrem em melhorias no mundo do trabalho. Considerar o trabalho futuro também se faz necessário no momento presente, já que os parâmetros de uma nova indústria surgem no chamado mundo desenvolvido, com as transformações conhecidas como Indústria 4.0, que devem alterar drasticamente a forma de se produzir, assim como a quantidade de trabalhadores e suas especializações.

Fica também evidente que somente políticas bem estruturadas poderão fomentar o real desenvolvimento econômico, com os seus resultados sendo devidamente compartilhados de forma justa e igualitária.

Referências

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