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8 - MULTAS DE TRÂNSITO

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Academic year: 2021

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8 - MULTAS DE TRÂNSITO

O Código de Trânsito Brasileiro, instituído pela Lei Federal nº 9.503, de 23.09.97, definiu a competência dos Municípios para executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas administrativas cabíveis, por infrações de circulação, estacionamento e paradas, previstas no Código, notificando os infratores e arrecadando as multas que aplicar.

A tabela a seguir apresenta as receitas arrecadadas com multas de trânsito no exercício de 2007:

Em R$

Multas Receita Total Dedução Receita

Multas de Trânsito – DSV 391.403.459,96 393.814,79 391.009.645,17

Multas de Trânsito Veículos de outros Municípios 451.281,53 0,00 451.281,53

Total 391.854.741,49 393.814,79 391.460.926,70

Fonte: Relatório NovoSEO (FTES033B002) – Receita Orçamentária Realizada no exercício – Posição: Dezembro/07, emissão 27.02.08. Receita : Rubrica 19191500 - Dedução : 99191501 – Resultante do Parcelamento de Multas de Trânsito

Quanto à utilização das receitas arrecadadas com a cobrança das multas de trânsito, o artigo 320 da citada lei assim dispôs:

"Art. 320 - A receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.

Parágrafo único: O percentual de cinco por cento do valor das multas de trânsito arrecadadas será depositado, mensalmente, na conta de fundo de âmbito nacional destinado à segurança e educação de trânsito”.

Considerando a previsão legal, o quadro a seguir demonstra a aplicação mínima de recursos em 2007:

Em R$

Receitas de Multa de Trânsito 391.460.926,70

5% a ser repassado ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito - FUNSET 19.573.046,33

95% a ser aplicado conforme art.320 371.887.880,37

Fonte: Relatório NovoSEO (FTES033B002) – Receita Orçamentária Realizada no exercício – Posição: Dezembro/07, emissão 27.02.08.

Foi realizada auditoria com o objetivo de verificar a regularidade da aplicação das Multas de Trânsito. As conclusões e as constatações da auditoria foram as seguintes:

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8.1 - Cumprimento da Legislação 8.1.1 - Aplicação dos Recursos

De acordo com o estimado pela auditoria, no exercício de 2007, a Prefeitura aplicou R$ 454.870.298,27 em despesas com sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito, superando a aplicação mínima de R$ 371.887.880,37, calculada nos termos do art. 320 caput da Lei Federal nº 9.503/97.

As formas de aplicação da receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito estão estabelecidas na Resolução CONTRAN nº 191/06.

A estimativa da auditoria, considerando o disposto na legislação, está demonstrada no quadro a seguir:

Despesas consideradas pela Auditoria Em R$

Órgão/Código/Despesa Valor empenhado (3)

20.3746 – Aumento de Capital da CET 2.589.000,00

20.4655 – Administração da SMT (1) 133.277,40

20.4658 – Energização de Semáforos e Sinalização 16.180.983,00

20.4702 – Serviços de Engenharia de Tráfego 369.544.741,34

20.4703 – Tecnologia Operacional (2) 32.029.518,10

20.4704 – Fiscalização 28.597.790,54

28.6841 – Contribuição ao Estado 5.794.987,89

Total 454.870.298,27

Fonte: Relatórios Novo SEO [FORC400B002] – emissão em 24.01.08

Obs: (1) Despesas relativas a locação de imóvel resultante de convênio com o Estado para o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar que presta serviços no trânsito - Elemento de Despesa 33.90.36.00.

(2) Despesas relativas a serviços de Comunicação Móvel voltados para a fiscalização do trânsito - Elemento de Despesa 33.90.36.00 – subelemento e item de despesa 15/1.

(3) Fonte de recursos: 00 – Tesouro Municipal

Do exposto, conclui-se que R$ 454,8 milhões referem-se às despesas abarcadas pela legislação, valor superior ao mínimo exigido para o exercício (R$ 371,8 milhões).

8.1.2 -Repasses para o FUNSET

Houve descumprimento ao parágrafo único do artigo 320 da Lei Federal nº 9.503/97, indicando que do total devido (R$19.573.046,33), não ficou evidenciado o repasse de R$1.348.985,44 ao FUNSET.

O demonstrativo apresentado pela SMT indica o montante de R$ 18.224.060,89 a título de repasse ao FUNSET, valor correspondente às liquidações da dotação orçamentária dessa despesa.

Apuração do valor não repassado ao FUNSET em 2007 Em R$

Valor devido Valor repassado Valor faltante

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Do exposto, constata-se que houve descumprimento ao parágrafo único do artigo 320 da Lei Federal nº 9.503/97:

“Parágrafo único: O percentual de cinco por cento do valor das multas de trânsito arrecadadas será depositado, mensalmente, na conta de fundo de âmbito nacional destinado à segurança e educação de trânsito”.

8.2 - Controles

8.2.1 - Aplicação Legal

O controle sobre a aplicação legal não é efetivo, na medida em que não ficou evidenciada a elaboração de demonstrativos contábeis periódicos que indiquem o acompanhamento da movimentação orçamentário-financeira das receitas e despesas relacionadas ao cumprimento do artigo 320 da Lei Federal nº 9.503/97.

Não há evidências de acompanhamento periódico da aplicação das receitas de multas de trânsito nos termos do Código de Trânsito Brasileiro. No âmbito da Secretaria Municipal de Transportes, o demonstrativo de aplicação dos recursos foi apresentado somente após solicitação formal da auditoria e sem detalhamento orçamentário.

8.2.2 - Controle sobre os repasses ao FUNSET

No caso específico do FUNSET, foram identificados como fatores que contribuem para o descumprimento do percentual de repasse previsto na legislação:

a) Falhas no processamento da arrecadação

Falhas no processamento da arrecadação e falta de repasse ao FUNSET das receitas de multas classificadas a “posteriori”.

Processamento da arrecadação

Os repasses para o FUNSET são efetuados diretamente pelos bancos arrecadadores das receitas (Portaria nº 25/04 – DENATRAN).

Constatou-se que os valores arrecadados correspondem ao contabilizado no Razão da Arrecadação e que o percentual médio de retenção foi de 5% em 7 (sete) das 12 (doze) datas selecionadas.

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Verificou-se, ainda, que a rede bancária promove acertos em datas posteriores, Estes acertos, contudo, não ficam identificados nos demonstrativos elaborados pela Secretaria de Finanças, como ficou evidenciado nos testes, em que foram constatadas datas cuja arrecadação não possuía correspondente repasse ao FUNSET e vice-versa.

Receitas classificadas a posteriori

A classificação contábil das receitas arrecadadas depende do correto processamento dos documentos de arrecadação. Desta forma, diversos recebimentos efetuados pela rede bancária são rejeitados, como por exemplo, na leitura do código de barras, e originam pendências que são posteriormente analisadas para ulterior solução, ou seja, se as receitas não são identificadas como multas de trânsito no seu recebimento não haverá a correspondente retenção do percentual destinado ao FUNSET naquele momento.

Como exemplo, verificou-se que no Relatório “Razão da Arrecadação” da rubrica 1.9.1.9.15.01 – Multas de Trânsito – DSV consta em 28.12.07 a regularização contábil de R$15.467.922,07, originários do saldo da “Receita Tributária Classificar”, montante para o qual não há evidência documental da correspondente retenção do FUNSET.

b) Falta de acompanhamento periódico

Falta de acompanhamento periódico sobre a retenção dos valores e da elaboração do relatório de prestação de contas previsto na Resolução DENATRAN nº 010/98.

Para fins de prestação de contas, a Resolução DENATRAN nº 010/98 prevê:

“Art. 3º. Os órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Trânsito previstos nesta Resolução deverão emitir relatório mensal de movimentação das origens de recursos, preferencialmente através das contas bancárias previstas no art. 2º desta resolução, e encaminhá-lo ao Departamento Nacional de Trânsito- DENATRAN até o 15º dia do mês subseqüente ao fato gerador.”

O representante do Município de São Paulo no Sistema Nacional do Trânsito é o DSV - Departamento de Operações do Sistema Viário da Secretaria Municipal de Transportes. Contudo, a Secretaria Municipal de Transportes, por meio da Assessoria Econômica Financeira, não apresentou documentos que comprovassem o atendimento ao citado artigo da Resolução, denotando falhas no que se refere à prestação de contas.

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Este fato, aliado à deficiência de controle já apontada em Relatórios de Contas anteriores, impede o correto acompanhamento da movimentação dos recursos financeiros das multas de trânsito, sendo que não há evidências de acompanhamento periódico do cumprimento ao Código de Trânsito Brasileiro no que se refere aos percentuais de retenção do FUNSET.

c) Insuficiência de Informações

A insuficiência de informações em documentos utilizados para registro contábil concorre para existência de divergência entre o valor contabilizado e o efetivamente retido ao Fundo.

Os registros contábeis do FUNSET baseiam-se nas informações prestadas pela rede bancária através das Guias de Remessa e Recolhimento (GRR). Essas guias contêm, entre outras informações, o valor arrecadado em multas de trânsito e o valor retido do FUNSET.

Nos casos em que as guias não contêm a discriminação desta retenção, não há o correspondente registro contábil. Também não ficou evidenciada a correção das referidas guias para que a Prefeitura providenciasse o respectivo registro.

8.3 - Criação do Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito - FMDT

Cumpre informar que a Lei nº 14.488/07, de 19.07.07, regulamentada pelo Decreto Municipal nº 49.399 de 11.04.08, dispõe sobre a criação do Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito – FMDT junto à Secretaria Municipal de Transportes. Esse fundo tem por objetivo o financiamento da expansão e aprimoramento contínuo das ações destinadas a promover o desenvolvimento do trânsito no Município de São Paulo e será constituído com verba proveniente da arrecadação das multas previstas na legislação de trânsito.

Referências

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