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LITERATURA DE CORDEL E PROFICIÊNCIA LINGUÍSTICA

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Academic year: 2021

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LEAL, Ana Cristina Carneiro 1 FRAGA, Aurora Morozini 2 CORREA, Marize Piassarolo3

SOARES, Beatriz Fraga4

RESUMO

Arte, Literatura e História são três áreas de conhecimento muito ricas. Instrumentalizando-as, pode-se desenvolver a proficiência linguística do sujeito aprendente com o viés da interdisciplinaridade. Sendo o professor o mediador do saber, ele pode, de várias maneiras, tecer/ articular diversas disciplinas para o enriquecimento de suas aulas, com criatividade e leitura. Este artigo focará essa tessitura baseada no uso do gênero textual literatura de cordel.

Palavras-chave: literatura de cordel, proficiência linguística e interdisciplinaridade

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Graduanda do Curso de Letras do Centro Universitário São Camilo-ES, [email protected] ; 2

Graduanda do Curso de Letras do Centro Universitário São Camilo-ES, [email protected] ; 3

Graduanda do Curso de Letras do Centro Universitário São Camilo-ES, [email protected] 4Professora-Orientadora – Mestre em Educação; Centro Universitário São Camilo-ES

Cachoeiro de Itapemirim – ES, Agosto de 2013.

INTRODUÇÃO

Para alguns professores, cada área de conhecimento é única e específica de determinado conteúdo, porém, sabe-se que muitos assuntos perpassam diversas disciplinas, como é o caso da tríade Arte, História e Literatura. Elas se encontram em vários momentos, para a construção de saberes significativos para a sociedade.

Recortando os estudos, a Literatura é a área de conhecimento, essencialmente, interdisciplinar e dialógica. Nessa dinâmica, o discurso literário, no caso em foco, a literatura de cordel, sustenta relações com Arte e História, o que viabiliza o desenvolvimento da proficiência linguística de modo ressignificado.

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Para Paulo Freire (1987: p. 68): “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes”. A percepção dessas diferenças possibilita, ao professor e ao aluno, a re/elaboração de conhecimentos.

MATERIAL E MÉTODOS

A metodologia utilizada neste estudo foi a pesquisa bibliográfica, pois a mesma oferece meios que auxiliam na definição e resolução dos problemas já conhecidos, como também permite explorar novas áreas em que os mesmos ainda não se cristalizaram suficientemente. Seguiu-se, nesse estudo, o seguinte processo: exploração das fontes bibliográficas: livros, revistas científicas, teses, entre outros, que contêm referências sobre o tema estudado; leitura críitica e seletiva do material; elaboração de resumos; organização e análise das fichas: ordenadas de acordo com o seu conteúdo, conferindo sua confiabilidade; conclusões: obtidas a partir da análise dos dados.

DESENVOLVIMENTO

Segundo o educador espanhol Jurjo Torres Santomé (1998) , da Universidade de La Coruña, a interdisciplinaridade dá significado ao conteúdo escolar. Ela rompe a divisão hermética das disciplinas, permite a interação entre disciplinas aparentemente distintas. Essa interação é uma maneira complementar ou suplementar que possibilita a formulação de um saber crítico-reflexivo, saber que deve ser valorizado cada vez mais no processo de ensino-aprendizagem. É por meio dessa perspectiva que ela surge como uma forma de superar a fragmentação entre as disciplinas, proporcionando um diálogo entre estas, relacionando-as entre si para a compreensão da realidade. A interdisciplinaridade busca relacionar as disciplinas no momento de enfrentar temas de estudo.

O professor, como mediador entre o aluno e objeto cultural, necessita relacionar o conhecimento com a realidade do aluno, visão que, de acordo com Fazenda (1999), exige do professor atenção às narrativas de seu cotidiano e o do seus alunos, justificando os enunciados produzidos.

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Neste estudo, a literatura de cordel, com seu texto e sua xilogravura,

constitui-se em suporte para as tessituras interdisciplinares, por articular arte, história e fazer

literário, podendo ser fonte de inúmeras investigações acadêmicas. Para o povo nordestino, o cordel era usado como jornal, música e lazer para as pessoas que se reuniam nos salões ou terreiros das casas, para fantasiar histórias contadas por aqueles que sabiam ler e servia também para alfabetizar. Por ser uma escrita simples e de fácil memorização, alguns sabiam de cor as poesias populares. O resgate desse tipo de literatura proporciona, aos jovens do século XXI, a oportunidade de apreciar a riqueza e expressão da nossa cultura. Significa redimensionar o estudo do conto poético, com uma linguagem, ao mesmo tempo, simples e bela, de fácil compreensão e de uma criatividade bem particular na construção dos versos e rimas.

A escola precisa preservar a cultura popular, pois faz parte da sua própria história. Para a preservação do saber, é necessário que o professor demonstre preocupação em incorporar, à sua rotina, o contato com as manifestações culturais do povo brasileiro que apresentam significância e um grande potencial pedagógico:

O cordel está diretamente ligado à cultura. A cultura pode ser definida como tudo aquilo que é produzido pelo homem, o que engloba desde o pensamento até a ação. Ou seja, a cultura abrange a produção material (objetos) e a produção imaterial (idéias) do ser humano. Assim, ao estudar esse tipo de literatura, não é possível desvinculá-la da realidade, uma vez que ela estabelece uma relação intrínseca entre a cultura e a sociedade. A partir da Literatura de Cordel, a leitura pode ser trabalhada num caráter sociocultural, isto é, uma leitura como representação social. Por esse motivo, concebemos esse tipo de literatura como um recurso que propaga um conhecimento histórico social e que promove uma reflexão crítica acerca da realidade. (SILVA, 2010, P. 02 ).

O cordel é peça importante para o ensino e incentivo da literatura. A maioria dos alunos veem o estudo da literatura como uma tarefa difícil e penosa. Em muitos casos, isso decorre da forma que ela é trabalhada em sala de aula. Ao apresentar a literatura, geralmente, o professor baseia-se no cânone, com uma linguagem complexa para quem está iniciando a rotina de leitura. Já com o uso da literatura de cordel, o resultado é bem diferente e eficaz. Por ter uma linguagem bem simples e acessível a todos, pode servir de subsídio ao ensino de literatura. Assim, além de serem incentivados a ler, os alunos também perceberão que literatura não é

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inacessível e, sim, prazerosa. Com a maturidade teórico-existencial, passarão a ler produções mais densas:

A escola deve viabilizar o acesso do aluno aos textos que circulam na sociedade para interpretá-los e, a partir daí, produzir outros textos, pois que conhecer é relacionar. Aprender a ler e escrever no Brasil é lidar com falares regionais e o Cordel possibilita recriar e expressar-se artisticamente respeitando as culturas em sua diversidade. (MARTINI, Gisele torres. 2007, p 02.)

Na escola, o aluno deveria ser estimulado a ler, compor, conhecer as rimas, os tipos de versos, assim como estudar e criar a própria xilogravura e o professor ter oportunidade de participar de cursos sobre cordel, para poder ter melhor embasamento, para trabalhar com os alunos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos estudos realizados, verifica-se a possibilidade do ensino interdisciplinar da Arte, História e da Literatura de Cordel, para desenvolver a proficiência linguística nas aulas de Língua Portuguesa. Segundo Lajolo (2004), o professor de língua portuguesa pode trabalhar as três áreas, sem nenhum problema, pois fazem parte de um mesmo contexto. Se forem ensinadas sozinhas, estariam incompletas. Não é possivel compreender a literatura, se não houver noções básicas de história, que, por sua vez, recorre à literatura para pesquisas de determinadas épocas. E a arte é um reflexo das duas. Ou seja, são interdependentes. Ainda falando de história e literatura, Lajolo escreveu em seu livro:

A série de aventuras dos três mosqueteiros, por exemplo, pondo em cena figuras reais da política, como Luiz XIII e o cardeal Richelieu, popularizou a história francesa. Exportando através das traduções fartamente consumidas nos quatro cantos do mundo, a história que esta literatura construía tronava-se universal e modelar. Até hoje, no Brasil, Dartagnan e sua turma lotam cinemas e não deixam vídeos e DVDs pararem nas estantes de locadoras.(LAJOLO, Marisa, 2004, p. 216)

Para que todas as áreas de conhecimento estejam juntas, é preciso que o professor de língua portuguesa leia sempre, procure buscar aportes teóricos que o auxiliem no seu fazer docente. Ensinar Arte, Literatura e História é viável, mas para

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que isso aconteça, o profissional da educação precisam rever suas práticas, renovando seus pensamentos e sua práxis pedagógica.

Conhecendo as muitas possibilidades que a Literatura de Cordel proporciona ao professor, nota-se a importância que ela traz para as aulas de língua portuguesa. Englobando História e Arte, a Literatura de Cordel precisa fazer parte do ensino, como requisito essencial em Língua Portuguesa, mostrando, aos alunos, a cultura, a literariedade e o significado que existem em suas obras. Nesse sentido, pode-se ver que o trabalho do professor de língua portuguesa tem uma responsabilidade em formar futuros cidadãos cientes de sua história e comprometidos com sua preservação.

REFERÊNCIAS

FAZENDA, Ivani (org.). Práticas interdisciplinares na escola. SP:Cortez, 1999. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987. LAJOLO, Marisa. Como e por que ler o romance brasileiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004

MARTINI, Gisele Torres. Cordel e Tecnologias Criativas Aplicadas ao Teatro do

Oprimido. Revista Digital Art&. 2007. Disponível em: <

http://www.revista.art.br/site-numero-08/trabalhos/03.htm> Acesso em: 07 de Ago. de 2013.

PONTES, Marcos Antonio. A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no

ensino de Literatura. 2013. Disponível em: < http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/a-literatura-de-cordel-como-fonte-de-incentivo-no-ensino-de-literatura/> Acesso em: 06 de Ago. de 2013.

SANTOMÈ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinariedade – o currículo

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