30° 30° 30° 53% 53% 100% 100% 3,5E 3,5E 7,5E 6E E E E 80° 80° 80° 6E 6E E
Número 2 / 2015
© Banco Central Europeu, 2015 Endereço postal 60640 Frankfurt am Main Alemanha Telefone +49 69 1344 0 Internet www.ecb.europa.eu
Este Boletim foi preparado sob a responsabilidade da Comissão Executiva do BCE. As traduções são elaboradas e publicadas pelos bancos centrais nacionais.
Todos os direitos reservados. A reprodução para fins pedagógicos e não comerciais é permitida, desde que a fonte esteja identificada.
A data de fecho das estatísticas incluídas nesta publicação foi 4 de março de 2015.
ISSN 2363 ‑3530 (online)
Número de catálogo da UE QB‑BP‑15‑002‑PT‑N (online) Execução Gráfica
EVOLUÇÃO ECONÓMICA E MONETÁRIA
Apreciação global
5
1 Conjuntura externa
9
2 Evolução financeira
14
3 Atividade económica
19
4 Preços e custos
24
5 Moeda e crédito
30
6 Evolução orçamental
36
CAIXAS
Caixa 1
Avaliação da evolução da inflação nos Estados Unidos utilizando
a curva de Phillips
39
Caixa 2
Condições de liquidez e operações de política monetária no período
de 12 de novembro de 2014 a 27 de janeiro de 2015
43
Caixa 3
Movimentos recentes da taxa de câmbio efetiva do euro
47
Caixa 4
Fatores subjacentes aos recentes padrões de poupança das famílias
na área do euro
50
Caixa 5
O procedimento relativo aos desequilíbrios macroeconómicos referente a 2015
53
Caixa 6
Efeitos do comércio eletrónico sobre a inflação
56
Caixa 7
Seguimento da revisão dos projetos de planos orçamentais para 2015
60
Com vista a cumprir o mandato de estabilidade de preços do BCE, o Conselho do BCE tomou
várias medidas de política monetária destinadas a garantir um grau suficiente de acomodação
da política monetária.
No seguimento das iniciativas de política monetária tomadas pelo BCE entre
junho e setembro de 2014, as quais incluíram novas reduções das taxas de juro, a introdução de operações
de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (ORPA direcionadas) e compras de ativos do setor
privado selecionados (ao abrigo do programa de compra de instrumentos de dívida titularizados (ABSPP)
e do terceiro programa de compra de obrigações com ativos subjacentes (CBPP3)), o Conselho do
BCE decidiu em janeiro de 2015 expandir o respetivo programa de compra de ativos de modo a abranger,
a partir de março, títulos com grau de qualidade de investimento denominados em euros emitidos por
governos e agências e instituições europeias. As compras mensais combinadas de títulos dos setores
público e privado totalizarão €60 mil milhões. Deverão ser realizadas até ao final de setembro de 2016
e, de qualquer modo, serão realizadas até que o Conselho do BCE observe uma correção sustentada da
trajetória da inflação em conformidade com o seu objetivo de manter as taxas de inflação abaixo, mas
próximo, de 2% no médio prazo.
O programa de compra de ativos já resultou numa redução substancial da restritividade das
condições financeiras globais
. Em dezembro de 2014 e durante a maior parte de janeiro de 2015, a
evolução nos mercados financeiros foi impulsionada sobretudo por expetativas de mercado quanto ao
anúncio do programa de compra de ativos. Neste contexto, as taxas de rendibilidade das obrigações da
área do euro caíram para todos os instrumentos, prazos e emitentes e, em muitos casos, atingiram novos
mínimos históricos. Visto que as descidas das taxas de rendibilidade das obrigações soberanas de longo
prazo da área do euro com notação AAA coincidiram com aumentos nas taxas de rendibilidade das
obrigações norte ‑americanas coincidentes, agravou ‑se o afastamento das taxas de rendibilidade das
obrigações na área do euro e nos Estados Unidos. As taxas de rendibilidade das obrigações soberanas
da área do euro com menor notação também caíram, mas foram menos voláteis num contexto de
incerteza quanto à continuação do acesso da Grécia à assistência financeira. Os diferenciais das
obrigações de empresas com grau de qualidade de investimento continuaram a estreitar ‑se, enquanto
os diferenciais dos instrumentos de dívida titularizados se mantiveram globalmente estáveis. Na
sequência do anúncio do programa de compra de ativos, as taxas de rendibilidade das obrigações da
área do euro caíram novamente, enquanto os preços das ações na área do euro aumentaram
consideravelmente. A taxa de câmbio do euro enfraqueceu significativamente ao longo dos últimos
meses.
A evolução favorável dos mercados financeiros resultou numa redução dos custos de financiamento
dos bancos, que foi gradualmente transmitida ao custo do financiamento externo do setor privado
.
As medidas de política monetária do BCE conduziram a uma melhoria das condições de financiamento
dos bancos, com as taxas de rendibilidade das obrigações bancárias sem garantia a cair para mínimos
históricos no quarto trimestre de 2014. Esta melhoria foi gradualmente transmitida às taxas bancárias
ativas aplicadas às famílias e sociedades não financeiras (SNF), que caíram substancialmente no terceiro
e quarto trimestres de 2014. A redução dos custos de financiamento dos bancos e das taxas bancárias
ativas no segundo semestre de 2014 poderá ter resultado, em parte, das ORPA direcionadas, que têm
por objetivo melhorar o acesso dos bancos à liquidez a mais longo prazo e estimular o crescimento do
crédito na economia real. As ORPA direcionadas também deverão ter ajudado a reduzir as margens dos
empréstimos às famílias e SNF da área do euro. No sentido de sustentar a eficácia das ORPA direcionadas
no suporte ao crédito ao setor privado, o Conselho do BCE decidiu, na sua reunião de janeiro, que a
taxa de juro das restantes ORPA direcionadas seria igual à das operações principais de refinanciamento
do Eurosistema, retirando assim o diferencial de 10 pontos sobre a taxa das OPR aplicado às duas
primeiras ORPA direcionadas. As medidas de política monetária do BCE também pareceram promover
APRECIAÇÃO GLOBAL
um estreitamento da dispersão entre países dos custos de financiamento, em particular das SNF, embora
os critérios de concessão de crédito permaneçam heterogéneos entre países. O custo nominal do
financiamento externo não bancário para as SNF da área do euro continuou a diminuir no quarto
trimestre de 2014 e nos primeiros dois meses de 2015, em resultado de uma nova descida quer do custo
da dívida baseada no mercado quer do custo das ações.
Dados recentes também indicam uma consolidação da dinâmica da moeda e do crédito
.
O crescimento homólogo do agregado monetário largo M3 continua a ser suportado pelas suas
componentes mais líquidas, com o agregado monetário estreito M1 a crescer fortemente. O crédito
bancário ao setor privado continuou a recuperar, confirmando a ocorrência de uma inversão da
dinâmica dos empréstimos no início de 2014. Em particular, a redução dos empréstimos às SNF
continuou a moderar ‑se ao longo dos últimos meses, enquanto o crescimento dos empréstimos às
famílias se estabilizou em níveis positivos. Além disso, o inquérito aos bancos sobre o mercado de
crédito da área do euro de janeiro de 2015 confirmou a avaliação de que as restrições na oferta de
crédito estavam a recuar gradualmente e que a procura de empréstimos estava a recuperar. Em termos
globais, desenvolvimentos recentes sugerem que as medidas de política monetária do BCE estão a
contribuir para uma redução da restritividade dos critérios de concessão de crédito bancário e, em
termos mais gerais, para a reposição do funcionamento adequado do mecanismo de transmissão da
política monetária.
A continuação de uma redução substancial da restritividade da orientação de política monetária
do BCE suporta e reforça a emergência de desenvolvimentos mais favoráveis da atividade
económica da área do euro
. A retoma económica consolidou ‑se gradualmente no segundo semestre
de 2014. O PIB real aumentou 0.2%, em termos trimestrais em cadeia, no terceiro trimestre do ano e,
de acordo com a estimativa provisória do Eurostat, 0.3% no quarto trimestre, ou seja, ligeiramente
acima do anteriormente esperado. Os indicadores de curto prazo e os resultados de inquéritos apontam
para uma nova melhoria da atividade económica no início de 2015. A atividade da área do euro terá
sido suportada pela queda acentuada dos preços do petróleo desde julho de 2014. Uma conjuntura de
melhoria do sentimento empresarial e dos consumidores suportará a transmissão eficaz das medidas
de política à economia real, contribuindo para uma nova melhoria das perspetivas de crescimento
económico e uma redução da margem disponível da economia.
Espera ‑se que a retoma económica se fortaleça e expanda gradualmente
. Prevê ‑se que o crescimento
da atividade aumente na sequência das recentes melhorias na confiança das empresas e dos consumidores,
da queda acentuada dos preços do petróleo, do enfraquecimento da taxa de câmbio efetiva do euro e
do impacto das recentes medidas de política monetária do BCE. A orientação acomodatícia da política
monetária – consideravelmente reforçada pelo programa de compra de ativos – deverá suportar o
crescimento do PIB real quer no curto prazo quer nos prazos mais longos. Acresce que os progressos
alcançados ao nível das reformas estruturais e da consolidação orçamental deverão beneficiar
gradualmente a economia real, sendo que as exportações deverão ser suportadas por ganhos de
competitividade de preços e pela retoma a nível mundial.
Paralelamente, persistem vários obstáculos a uma retoma mais forte da atividade
. Estes incluem
sobretudo os ajustamentos nos balanços em curso em vários setores e o ritmo bastante reduzido de
implementação das reformas estruturais. Além disso, a atual incerteza, embora decrescente, relacionada
com a crise da dívida soberana na Europa e fatores geopolíticos estão a travar o crescimento na área
do euro.
Apreciação global
As projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas
do BCE
1, que incorporam o impacto estimado das medidas de política monetária convencionais
e não convencionais tomadas pelo Conselho do BCE, apontam para um aumento do PIB real
anual de 1.5% em 2015, 1.9 % em 2016 e 2.1% em 2017
. Em comparação com as projeções
macroeconómicas de dezembro de 2014 elaboradas por especialistas do Eurosistema, as previsões para
o crescimento do PIB real em 2015 e 2016 foram revistas em alta, refletindo o impacto favorável da
descida dos preços do petróleo, uma redução da taxa de câmbio efetiva do euro e o impacto das recentes
medidas de política monetária. Segundo a avaliação do Conselho do BCE, os riscos para as perspetivas
para a atividade permanecem no lado descendente, embora tenham diminuído na sequência das decisões
mais recentes do Conselho do BCE e da queda dos preços do petróleo.
Com base na atual informação, espera ‑se que a inflação permaneça muito reduzida ou negativa
nos próximos meses
. Os preços do petróleo são um fator crucial subjacente ao facto de a inflação
medida pelo IHPC ter entrado em terreno negativo nos últimos meses. De acordo com a estimativa
provisória do Eurostat, a inflação homóloga medida pelo IHPC situou ‑se em ‑0.3% em fevereiro de
2015 (o que compara com ‑0.6% em janeiro). Paralelamente, a inflação medida pelo IHPC excluindo
produtos energéticos e produtos alimentares manteve ‑se numa trajetória globalmente estável,
permanecendo em 0.6% em fevereiro.
Espera ‑se que as taxas de inflação aumentem gradualmente numa fase posterior de 2015
. Em
primeiro lugar, à medida que as anteriores descidas dos preços dos produtos energéticos são gradualmente
excluídas da taxa de variação homóloga e desde que os preços do petróleo aumentem ao longo do
horizonte de projeção em linha com a inclinação ascendente da curva dos futuros do preço do petróleo,
o impacto negativo dos preços dos produtos energéticos sobre a inflação global medida pelo IHPC
deverá dissipar ‑se em 2015, e os preços dos produtos energéticos deverão conduzir a um aumento da
inflação global em 2016 e 2017. A recuperação esperada da inflação global fica a dever ‑se, em larga
medida, a esta inversão dos preços dos produtos energéticos. Acresce que o aumento da inflação global
deverá resultar da consolidação da retoma económica, a qual é suportada pelas recentes decisões de
política monetária. É de prever que a consolidação da retoma resulte num estreitamento significativo
do desvio negativo do produto e, consequentemente, num crescimento mais robusto das margens de
lucro e da remuneração por empregado. O aumento da inflação deverá ser igualmente suportado pela
subida dos preços das matérias ‑primas não energéticas e pelos efeitos desfasados da redução da taxa
de câmbio do euro.
As projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas
do BCE indicam que a inflação homóloga medida pelo IHPC se situará em 0.0% em 2015, 1.5%
em 2016 e 1.8 % em 2017
. Em comparação com as projeções macroeconómicas de dezembro de 2014
elaboradas por especialistas do Eurosistema, a previsão para a inflação em 2015 foi revista em baixa,
refletindo sobretudo a queda dos preços do petróleo, enquanto a projeção para 2016 foi revista em alta,
refletindo em parte o impacto esperado das medidas de política monetária.
As projeções macroeconómicas de março de 2015 elaboradas por especialistas do BCE dependem
da plena implementação das medidas de política monetária do BCE.
O Conselho do BCE continuará
a acompanhar de perto os riscos para as perspetivas para a evolução dos preços no médio prazo,
1 Ver o artigo intitulado “Projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE”, publicado no sítio do BCE em 5 de março de 2015.
centrando ‑se, em particular, na transmissão das medidas de política monetária, nos desenvolvimentos
geopolíticos, e na evolução cambial e dos preços dos produtos energéticos.
O atual enfoque da política monetária incide sobre a aplicação das medidas decididas pelo
Conselho do BCE em janeiro de 2015
. Com base nas suas análises económica e monetária regulares,
e em linha com a sua orientação futura da política monetária (forward guidance), o Conselho do
BCE decidiu, na sua reunião de 5 de março de 2015, manter inalteradas as taxas de juro do BCE.
Também forneceu mais informações sobre aspetos da implementação do programa de compra de
ativos. As compras de títulos do setor público no mercado secundário ao abrigo deste programa tiveram
início em 9 de março de 2015.
Conjuntura externa
O crescimento mundial está a registar uma recuperação gradual nas várias economias, embora de
forma desigual. Por um lado, espera ‑se que a queda considerável dos preços do petróleo impulsione
a atividade económica mundial, apoiada por perspetivas robustas para o crescimento nos Estados
Unidos. Por outro, a deterioração da situação em algumas economias de mercados emergentes está a
afetar as perspetivas para o crescimento mundial. A inflação mundial registou uma moderação nos
últimos meses. É provável que as taxas de inflação homólogas permaneçam em níveis baixos no curto
prazo, tendo em conta a anterior descida dos preços do petróleo, e que aumentem posteriormente de
forma gradual, à medida que prossegue a recuperação mundial. Os riscos para a atividade mundial
mantêm ‑se do lado descendente.
A economia mundial continua numa trajetória de recuperação gradual.
Após a recuperação do
crescimento mundial em meados de 2014, os dados disponíveis dos países apontam para um ligeiro
abrandamento do crescimento mundial fora da área do euro no final do ano. Os últimos inquéritos
indicam um dinamismo do crescimento estável no início de 2015. O Índice de Gestores de Compras
(IGC) mundial compósito do produto excluindo a área do euro subiu em fevereiro, embora permaneçam
divergências entre regiões (ver Gráfico 1).
Espera ‑se que a diminuição dos preços do petróleo impulsione a procura mundial.
Os preços do
petróleo bruto Brent diminuíram acentuadamente em dezembro e janeiro, antes de recuperar ligeiramente
em fevereiro, situando ‑se em USD 61 em 4 de março de 2015, ou seja, quase metade do nível registado
um ano antes (ver Gráfico 2). De acordo com a curva dos futuros, os mercados esperam um aumento
gradual dos preços do petróleo nos próximos anos. Embora parte da descida dos preços do petróleo do
Gráfico 1
IGC mundial compósito do produto
(índice de difusão) 35 40 45 50 55 60 35 40 45 50 55 60 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 economias de mercado emergentes
economias avançadas excl. área do euro mundial excl. área do euro
mundial excl. área do euro – média de longo prazo
35 40 45 50 55 60 35 40 45 50 55 60 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 economias de mercado emergentes
economias avançadas excl. área do euro mundial excl. área do euro
mundial excl. área do euro – média de longo prazo
Fonte: Markit.
Notas: A última observação refere‑se a fevereiro de 2015. A “média de longo prazo” refere‑se ao período a partir de 1999. “economias de mercado emergentes” incluem o Brasil, China, Índia e Rússia; “economias avançadas” incluem o Japão, Estados Unidos e Reino Unido.
Gráfico 2
Preços do petróleo observados e
futuros
(USD por barril)
Fontes: Bloomberg e cálculos de especialistas do BCE. Nota: A última observação para o preço do petróleo observado refere‑se a fevereiro de 2015. 40 60 80 100 120 40 60 80 100 120
Jan. Maio Set. Jan. Maio Set. Jan. Maio Set.
2013 2014 2015
em 4 de março de 2015
projeções macroeconómicas do BCE de março de 2015 projeções macroeconómicas do Eurosistema de dezembro de 2014
observados
último ano se possa atribuir a uma procura mundial relativamente modesta, é sobretudo resultado de
um aumento da oferta. A abundância de oferta de óleo de xisto norte ‑americano, uma produção superior
ao esperado na Rússia, Líbia e Iraque, apesar de tensões geopolíticas, associadas à decisão da OPEP,
tomada na reunião de novembro de 2014, de não diminuir a produção, contribuíram para uma reavaliação
da dinâmica entre a oferta e a procura por parte dos participantes no mercado e para uma queda acentuada
dos preços do petróleo. Espera ‑se que os preços do petróleo mais baixos favoreçam os países consumidores
líquidos de petróleo, afetando simultaneamente as perspetivas para os exportadores de petróleo. No
entanto, no conjunto, é provável que apoiem a procura mundial, uma vez que os países importadores
de petróleo, que beneficiam da descida dos preços, tendem a ter uma maior propensão para gastar do
que os países exportadores de petróleo.
O crescimento robusto nos Estados Unidos também está a apoiar as perspetivas mundiais.
A atividade económica permaneceu forte no último trimestre de 2014, conduzida pelo consumo pessoal
e o investimento residencial. O mercado de trabalho também continuou a registar melhorias, com o
emprego a expandir ‑se a um ritmo vigoroso. Em termos prospetivos, embora a apreciação do dólar dos
Estados Unidos atenue o crescimento das exportações, espera ‑se uma retoma sustentada da procura
interna, apoiada pela continuação de condições financeiras acomodatícias e por uma moderação da
restritividade orçamental. Espera ‑se que o desvanecimento da alavancagem das famílias, a continuação
de melhorias nos mercados de trabalho e de habitação e o impulso ao rendimento real em resultado
dos preços do petróleo mais baixos apoie o consumo privado. É provável que o aumento da confiança,
o fortalecimento da procura e taxas de juro baixas estimulem o investimento empresarial, compensando
uma menor despesa de capital nas indústrias do óleo de xisto.
O dinamismo do crescimento na maioria das outras economias avançadas fora da área do euro
também registou um fortalecimento.
Após a quebra da atividade económica no seguimento do aumento
do IVA em abril passado, o Japão voltou a registar um crescimento no quarto trimestre de 2014. Em
termos prospetivos, espera ‑se que os fatores impulsionadores subjacentes ao crescimento registem um
fortalecimento gradual, beneficiando de ganhos nos rendimentos reais das famílias em resultado dos
preços do petróleo mais baixos, do impulso ao crescimento das exportações, devido à recente depreciação
do iene do Japão, e da diminuição da restritividade orçamental no seguimento do anúncio por parte do
governo da implementação de estímulos adicionais no próximo exercício. Apesar de registar algum
abrandamento no quarto trimestre de 2014, a economia do Reino Unido também continua a expandir‑
‑se a um ritmo relativamente robusto. Em termos prospetivos, embora se espere que a continuação dos
esforços de consolidação orçamental atenue o crescimento, prevê ‑se que a queda dos preços energéticos
e a aceleração do crescimento salarial apoiem os rendimentos disponíveis reais e o consumo privado.
Além disso, a recuperação da procura e a diminuição da restritividade das condições de crédito devem
impulsionar o investimento empresarial. Simultaneamente, espera ‑se que a abrupta apreciação do franco
suíço, após a decisão, tomada em janeiro pelo Swiss National Bank (o banco central suíço), de abandonar
o limite imposto à taxa de câmbio CHF/EUR tenha um impacto adverso significativo sobre as perspetivas
económicas do país, sobretudo refletindo ‑se numa diminuição das exportações.
As perspetivas de curto prazo melhoraram em algumas economias de mercado emergentes,
particularmente em países importadores de petróleo.
Na China, embora o abrandamento do mercado
da habitação tenha afetado o crescimento no quarto trimestre de 2014, espera ‑se que a queda dos preços
do petróleo, a continuação de um consumo robusto, a recente política de redução da restritividade
monetária e medidas de estímulo orçamental modestas apoiem temporariamente a economia. Contudo,
a liderança política chinesa tem ‑se centrado cada vez mais no combate às fragilidades financeiras e
aos desequilíbrios macroeconómicos numa perspetiva de mais longo prazo. À medida que a economia
se desloca no sentido de uma trajetória mais sustentável, é provável que o crescimento registe uma
Conjuntura externa
moderação. A diminuição do crescimento na China
terá efeitos colaterais nas economias asiáticas com
as quais tem estreitas relações económicas e
financeiras, embora muitos países emergentes da
Ásia devam beneficiar, no curto prazo, do impulso
aos rendimentos disponíveis reais em resultado
dos preços do petróleo mais baixos. Em particular,
a confiança permanece elevada na Índia, face a
sinais de melhoria do dinamismo do crescimento.
Sendo um país importador de petróleo, beneficiará
dos preços do petróleo mais baixos, o que ajuda a
conter a inflação e o défice da balança corrente,
permitindo simultaneamente ao governo reduzir
os subsídios aos combustíveis e apoiar a
consolidação orçamental. Também se espera que
os países da Europa Central e de Leste beneficiem
do fortalecimento da procura interna, uma vez que
se prevê que a melhoria do dinamismo do mercado
de trabalho e a recente descida dos preços do
petróleo apoiem o consumo das famílias.
No resto do mundo, as perspetivas apontam
para uma atividade económica mais fraca.
Na América Latina, as perspetivas de médio prazo parecem
ser mais fracas do que anteriormente esperado, após um período de resultados desapontantes para o
crescimento, uma vez que o crescimento foi atenuado por estrangulamentos do lado da oferta e elevados
desequilíbrios internos em algumas das principais economias (ver Gráfico 3). Os preços do petróleo
mais baixos estão igualmente a afetar as perspetivas dos países exportadores de petróleo. Na Rússia,
em particular, espera ‑se que a recente turbulência nos mercados financeiros conduza a economia para
uma recessão em 2015. A forte depreciação do rublo e a restritividade monetária resultarão num
considerável aumento dos custos de financiamento, potencialmente exacerbando os problemas de
financiamento das empresas às quais já foram impostas sanções que restringem o respetivo acesso aos
mercados financeiros externos. Espera ‑se que o consumo das famílias seja afetado por uma elevada
inflação, a qual pesa sobre os rendimentos disponíveis reais. Espera ‑se que o investimento caia, uma
vez que a confiança das empresas está enfraquecida e a incerteza continua elevada. No médio prazo,
é possível que os preços dos produtos energéticos mais baixos comprometam o investimento na
exploração de depósitos de petróleo e de gás. Antecipa ‑se que esta evolução tenha um impacto negativo
sobre a procura externa da área do euro.
O comércio mundial perdeu algum dinamismo no final de 2014, esperando ‑se que apenas registe
uma recuperação gradual.
O volume das importações mundiais de mercadorias aumentou 1.3% numa
base trimestral em cadeia em dezembro. Após ter registado uma diminuição nos meses anteriores, o
IGC global relativo a novas encomendas de exportações recuperou em dezembro de 2014, tendo
estabilizado em janeiro de 2015, o que sugere uma maior resiliência do comércio mundial no final do
ano. Em termos mais prospetivos, espera ‑se um fortalecimento do comércio mundial a um ritmo muito
moderado. Nos últimos anos, a fragilidade cíclica do investimento empresarial, que tipicamente tem
um elevado conteúdo importado, limitou o ritmo do comércio mundial. Simultaneamente, os fatores
estruturais afetaram o comércio mundial, uma vez que as empresas reduziram a complexidade e duração
das cadeias de oferta, o que significa que a expansão das cadeias de valor globais já não está a suportar
Gráfico 3
Crescimento do PIB real em
economias de mercado emergentes
(variações em percentagem)
Fonte: Base de dados do World Economic Outlook do FMI. Nota: “EME” refere‑se a economias de mercado emergentes e em desenvolvimento segundo a definição do FMI.
0 2 4 6 8 10 12 0 2 4 6 8 10 12
Brasil Rússia Índia China EME média 2000-2008
se espere que o comércio mundial recupere à
medida que a fragilidade cíclica se desvanece e o
investimento mundial recupera, não é provável que
se expanda a um ritmo idêntico ao registado nas
décadas de 1990 e 2000, altura em que grandes
economias de mercado emergentes se estavam a
integrar na economia mundial, aumentando
consideravelmente as oportunidades de comércio
mundiais.
Em geral, espera ‑se que a recuperação mundial
recupere gradualmente.
De acordo com as
projeções macroeconómicas de março de 2015 dos
especialistas do BCE, espera ‑se que o crescimento
real do PIB mundial (excluindo a área do euro)
aumente de 3.6% em 2014 para cerca de 4% em
2016 e 2017
1. Prevê ‑se que a procura externa da
área do euro aumente de 2.8% em 2014 para 5.1%
em 2017. Em comparação com as projeções
de dezembro de 2014, as expetativas para o
crescimento mundial e a procura externa apenas
sofreram uma ligeira revisão. Estas perspetivas
refletem a expetativa de que o impulso à procura
mundial em resultado da queda dos preços do
petróleo seja globalmente compensado por perspetivas menos favoráveis em algumas economias de
mercado emergentes.
Os riscos para as perspetivas para a atividade económica mundial permanecem enviesados no
sentido descendente.
Embora o impacto dos preços do petróleo mais baixos sobre as perspetivas para
o crescimento mundial seja muito mais significativo do que o incorporado nas projeções macroeconómicas
de março de 2015 dos especialistas do BCE, nos Estados Unidos, os mercados continuam a esperar
que o ritmo dos aumentos das taxas de juro seja mais moderado do que o previsto nas últimas projeções
do Comité de Operações de Mercado Aberto do Sistema de Reserva Federal (Federal Open Market
Committee – FOMC). Como analisado na Caixa 1, espera ‑se que as pressões inflacionistas nos Estados
Unidos permaneçam contidas. Contudo, existe alguma incerteza quanto ao grau de folga na economia,
bem como em que medida o aumento da procura conduzirá a uma subida das pressões salariais e
inflacionistas. Uma normalização mais rápida das políticas monetárias do que atualmente esperado
pelos mercado poderia originar uma inversão do sentimento quanto ao risco. Na China, o crescimento
do crédito e a alavancagem elevados colocam riscos para a estabilidade financeira. Os riscos geopolíticos
também continuam a afetar as perspetivas, sendo que um cenário no qual as tensões entre a Rússia e
a Ucrânia voltassem a escalar teria implicações adversas para o crescimento mundial.
A inflação mundial caiu nos últimos meses, impulsionada sobretudo pela queda dos preços dos
produtos energéticos.
A inflação homóloga dos preços no consumidor nos países da OCDE diminuiu
para 0.5% em janeiro de 2015. Ao mesmo tempo, a inflação homóloga excluindo produtos alimentares
e energéticos permaneceu mais estável (ver Gráfico 4). Fora dos países da OCDE, a inflação na China
1 Ver as “Projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE”, disponíveis em https://www. ecb.europa.eu/pub/pdf/other/ecbstaffprojections201503.pt.pdf
Gráfico 4
Inflação nos países da OCDE
(taxas de variação homólogas (%) e contributos em pontos percentuais)
Fontes: OCDE e cálculos do BCE.
Notas: A última observação refere‑se a janeiro de 2015. O cálculo dos contributos tem por base os cálculos de especialistas do BCE. -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 produtos energéticos produtos alimentares
excluindo produtos alimentares e energéticos total
Conjuntura externa
também registou uma moderação nos últimos meses, uma vez que persistem pressões desinflacionistas
globais. No entanto, em outras grandes economias de mercado emergentes, a inflação aumentou nos
países em que a depreciação da moeda conduziu a um aumento dos preços das importações ou em que
uma falta de credibilidade da política monetária interna se refletiu na continuação de expetativas de
inflação elevada.
Espera ‑se que a inflação mundial permaneça baixa no curto prazo e que aumente posteriormente
apenas de forma gradual.
Prevê ‑se que a continuação da fragilidade dos preços das matérias ‑primas
contribua para uma inflação mundial baixa no curto prazo. Numa fase posterior, espera ‑se que a
recuperação projetada para a atividade económica mundial diminua a capacidade produtiva disponível.
Além disso, a curva dos futuros do preço do petróleo implica uma ligeira recuperação nos próximos
anos, bem como os preços dos futuros das matérias ‑primas não petrolíferas.
Em dezembro de 2014 e na maior parte do mês de janeiro de 2015, a evolução financeira foi, em grande
medida, impulsionada pelas expetativas de mercado em relação ao programa alargado de compra de
ativos, anunciado após a reunião do Conselho do BCE realizada em 22 de janeiro de 2015. Antes do
anúncio do programa alargado de compra de ativos, as taxas de rendibilidade das obrigações da área
do euro diminuíram em todo o espectro de instrumentos, prazos e emitentes, atingindo novos mínimos
históricos em muitos casos. As taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública de longo prazo
da área do euro com notação AAA registaram uma descida, ao passo que as taxas de rendibilidade das
obrigações equivalentes nos Estados Unidos aumentaram, o que se traduziu num novo alargamento do
diferencial entre ambas. As taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública da área do euro
com menor notação também diminuíram, embora tenham apresentado maior volatilidade, associada à
incerteza em torno da continuação do acesso da Grécia a assistência financeira. Na sequência do
anúncio do programa alargado de compra de ativos em fevereiro e março, as taxas de rendibilidade
das obrigações de dívida pública da área do euro continuaram a descer. Além disso, os preços das ações
na área do euro aumentaram significativamente. O euro registou uma depreciação considerável.
A EONIA diminuiu entre o início de dezembro de 2014 e o início de março de 2015, num contexto
de níveis mais elevados de liquidez excedentária.
Situou ‑se, em média, em ‑0.04% durante esse
período, cerca de 3 pontos base abaixo da média dos três meses anteriores. A Caixa 2 analisa mais
detalhadamente as condições de liquidez e as operações de política monetária.
O anúncio do programa alargado de compra de ativos – e as expetativas que o precederam –
levaram a uma descida significativa das taxas implícitas nos contratos a prazo da EONIA.
Do
início de dezembro de 2014 ao início de março de 2015, a curva a prazo da EONIA tornou ‑se, assim,
mais invertida, alcançando um nível mínimo de ‑0.15% nos oito primeiros meses de 2016, ou seja,
próximo da atual taxa de ‑0.20% aplicada à facilidade permanente de depósito (ver Gráfico 5). Esta
evolução está em consonância com a expetativa dos participantes no mercado de um aumento significativo,
mas gradual, da liquidez excedentária, em
consequência do anúncio do programa alargado de
compra de ativos. Em comparação com o início
de dezembro de 2014, no início de março de 2015,
o ponto em que os mercados esperavam que a
EONIA regressasse a níveis positivos deslocou ‑se
7 meses, passando de julho de 2017 para fevereiro
de 2018. Registou ‑se uma evolução globalmente
idêntica na trajetória futura da Euribor a 3 meses.
As taxas de rendibilidade das obrigações de
dívida pública da área do euro com notação
AAA também diminuíram, devido a expetativas
relacionadas com o anúncio do programa
alargado de compra de ativos
(ver Gráfico 6).
Contudo, tendo sido diretamente afetadas pelo
programa alargado de compra de ativos – e
beneficiando igualmente de reduções dos prémios
de risco de liquidez –, as taxas de rendibilidade
das obrigações de dívida pública de mais longo
prazo com notação AAA registaram uma descida
ligeiramente mais forte do que as taxas de swap
da EONIA. Consequentemente, entre o início de
Gráfico 5
Taxas implícitas nos contratos a
prazo da EONIA
(percentagens por ano)
Fontes: Thomson Reuters e cálculos do BCE. -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 2.00 2.50 -0.50 0.00 0.50 1.00 1.50 2.00 2.50 2014 2019 2024 2029 2034 2039 2044 4 de março de 2015 4 de dezembro de 2014
2 EVOLUÇÃO FINANCEIRA
Evolução Financeira
dezembro de 2014 e o início de março de 2015, as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida
pública a 10 e 30 anos com notação AAA baixaram cerca de 50 pontos base, situando ‑se, respetivamente,
em 0.4% e 1.1%, em 4 de março. As taxas de rendibilidade das obrigações de mais curto prazo, tais
como as obrigações de dívida pública a 2 anos com notação AAA, registaram igualmente uma descida,
passando para níveis negativos em alguns países.
As taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública da área do euro com menor notação
(exceto as obrigações gregas) também diminuíram, embora tenham apresentado maior volatilidade.
Do início de dezembro de 2014 ao início de março de 2015, a diminuição das taxas de rendibilidade
tendeu a ser mais acentuada no caso das obrigações de dívida pública com menor notação do que das
obrigações de dívida pública com notação mais elevada, refletindo, em parte, uma maior “procura de
rendibilidade” em resposta a taxas de rendibilidade baixas – e em trajetória descendente. Embora a
incerteza acrescida em torno da continuação do acesso da Grécia a financiamento tenha exercido alguma
pressão ascendente sobre as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública da área do euro
com menor notação (ver Gráfico 7), o novo acordo alcançado no âmbito do Eurogrupo em finais de
fevereiro de 2015 ajudou, de um modo geral, a conter essa pressão ascendente. Em particular, os
diferenciais entre as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a 10 anos gregas e alemãs
aumentaram cerca de 250 pontos base entre o início de dezembro de 2014 e o início de março de 2015,
ao passo que os diferenciais equivalentes entre as obrigações de dívida pública alemãs e as de outros
países da área do euro permaneceram estáveis ou diminuíram.
A incerteza no mercado das obrigações de dívida pública da área do euro aumentou um pouco,
Gráfico 6
Taxas de rendibilidade das
obrigações de dívida pública a 10 anos
(percentagens por ano)
Fontes: EuroMTS, BCE e Bloomberg.
Nota: A taxa de rendibilidade das obrigações da área do euro tem por base os dados do BCE relativos a obrigações com notação AAA, as quais incluem obrigações da Áustria, Finlândia, Alemanha e Países Baixos. 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 2012 2013 2014
área do euro (notação AAA) Estados Unidos 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 2012 2013 2014
área do euro (notação AAA) Estados Unidos
Gráfico 7
Taxas de rendibilidade das
obrigações de dívida pública a 10 anos em
países da área do euro selecionados
(percentagens por ano)
Fonte: Thomson Reuters. 2013 14 12 10 8 6 4 2 0 2014 Bélgica Alemanha Irlanda Grécia Espanha França Itália Portugal 14 12 10 8 6 4 2 0
em torno da continuação do acesso da Grécia a
financiamento, bem como alguma incerteza
relativamente aos pormenores específicos da
implementação do programa alargado de compra
de ativos.
O afastamento das taxas de rendibilidade das
obrigações de dívida pública da área do euro e
dos Estados Unidos manteve ‑se.
Entre o início
de dezembro de 2014 e o início de março de 2015,
o diferencial entre as taxas de rendibilidade das
obrigações com notação AAA nos Estados Unidos
e na área do euro aumentou, situando ‑se em redor
de 180 pontos base no início de março. Este
diferencial começou a aumentar em meados de
2013 e, desde então, a tendência de afastamento
persistiu, tendo o diferencial atingido recentemente
um máximo histórico desde o início da série de
dados, em setembro de 2004. Esta divergência no
que respeita às taxas de rendibilidade está em
consonância com a crescente perceção do mercado
de que as duas economias se encontram em
diferentes posições cíclicas e com as expetativas de mercado relativamente à futura política monetária
em ambas as áreas.
Os diferenciais das obrigações de empresas
com grau de qualidade de investimento
continuaram a diminuir.
Os diferenciais das
obrigações de empresas – tanto para os emitentes
financeiros como não financeiros – registaram
novas descidas ao longo dos últimos meses (ver
Gráfico 8), permanecendo, por conseguinte,
baixos e próximos dos níveis observados antes
do início da crise financeira. Tal foi provavelmente
impulsionado por expetativas de que o programa
alargado de compra de ativos conduziria a efeitos
ao nível do reequilíbrio de carteiras e, associado
a este fator, a uma maior procura de rendibilidade.
Além disso, é expectável que o programa alargado
de compra de ativos reduza ainda mais o custo
de financiamento e aumente as receitas das
empresas, reduzindo, assim, a perceção da
probabilidade de incumprimento em obrigações
de empresas. Os diferenciais de emitentes
financeiros diminuíram mais do que os de
emitentes não financeiros, possivelmente
refletindo o sentimento de mercado sobre os
progressos alcançados na recapitalização em
curso das instituições financeiras da área do euro
Gráfico 8
Diferenciais ajustados de opções de
obrigações de empresas denominadas em
euros na área do euro
(pontos base)
Fontes: iBoxx e BCE. 230
emitentes não financeiros emitentes financeiros 210 190 170 150 130 110 90 70 50 2013 2014 230 210 190 170 150 130 110 90 70 50
Gráfico 9
Índices de cotações de ações
(1 de janeiro de 2013 = 100)
Fontes: Thomson Reuters e cálculos do BCE.
Notas: Os índices utilizados são o índice Dow Jones EURO STOXX alargado para a área do euro, o índice Standard & Poor’s 500 para os Estados Unidos e o índice Nikkei 225 para o Japão. A última observação refere‑se a 4 de março de 2015.
90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 área do euro Estados Unidos Japão 2013 2014
Evolução Financeira
(ver também Secção 5 sobre a moeda e o crédito).
Os diferenciais de instrumentos de dívida
titularizados permaneceram globalmente estáveis.
Os preços das ações na área do euro aumentaram
de forma significativa.
Do início de dezembro
de 2014 ao início de março de 2015, registaram
uma subida de cerca de 13.0%, superando, assim,
os mercados acionistas tanto nos Estados Unidos
como no Japão (ver Gráfico 9). A maioria dos
ganhos na área do euro registou ‑se imediatamente
após o anúncio do programa alargado de compra
de ativos (que levou a uma diminuição do custo
de financiamento futuro esperado, tendo, por
conseguinte, um efeito positivo no valor atualizado
dos lucros empresariais futuros esperados). Em
finais de fevereiro, o facto de o Eurogrupo ter
chegado a acordo no que se refere ao prolongamento
do programa de assistência financeira à Grécia
também ajudou a aumentar a apetência pelo risco.
Contudo, os rácios do preço em relação ao valor
contabilístico das ações da área do euro
permanecem abaixo dos níveis observados antes
da crise financeira, sugerindo que os investidores
continuam a ter expetativas algo moderadas no
que respeita aos lucros empresariais futuros e/ou que ainda exigem um nível de compensação
relativamente elevado pelo risco de investirem em ações. Tal é particularmente verdade no caso das
ações do setor financeiro, cujos preços se mantêm bastante abaixo dos valores máximos observados
antes da crise financeira. No período em análise, a incerteza no mercado acionista, medida pela
volatilidade implícita, aumentou ligeiramente tanto na área do euro como nos Estados Unidos.
Os aumentos dos preços das ações foram mais acentuados no setor não financeiro do que no
setor financeiro.
Do início de dezembro de 2014 ao início de março de 2015, os preços das ações
do setor financeiro aumentaram cerca de 10%, ao passo que os preços das ações do setor não
financeiro registaram uma subida ligeiramente superior a 14%. A relativa fragilidade do setor
financeiro concentrou ‑se no período precedente ao anúncio do programa alargado de compra de
ativos, enquanto os preços nos dois setores seguiram depois uma trajetória globalmente paralela
(ver Gráfico 10).
A taxa de câmbio efetiva do euro enfraqueceu novamente durante os últimos meses
. A depreciação
do euro, iniciada em maio de 2014, prosseguiu, designadamente no período que antecedeu a reunião
de janeiro de 2015 do Conselho do BCE, refletindo as expetativas de mercado no tocante a decisões
de política monetária iminentes. De um modo geral, no início de março, a taxa de câmbio efetiva
do euro situou ‑se cerca de 10% abaixo do nível registado um ano antes. A Caixa 3 analisa os
movimentos recentes da taxa de câmbio efetiva do euro.
No que respeita à evolução das taxas de
câmbio bilaterais, o euro registou uma depreciação de cerca de 10% face ao dólar dos Estados
Unidos, entre dezembro de 2014 e o início de março de 2015. O euro também se depreciou
consideravelmente em relação ao franco suíço, após o banco central da Suíça ter descontinuado,
Gráfico 10
Índices de cotações de ações
selecionados
(1 de janeiro de 2013 = 100)
Fonte: Thomson Reuters.
Nota: Com base nos índices de mercado da DataStream. 90 100 110 120 130 140 150 160 90 100 110 120 130 140 150 160 2013 2014
setor financeiro da área do euro setor não financeiro da área do euro setor financeiro dos Estados Unidos setor não financeiro dos Estados Unidos
continuou a ser transacionada próximo da sua taxa central no MTC II durante este período, tendo
o Danmarks Nationalbank intervindo nos mercados cambiais e reduzido a taxa de juro dos certificados
de depósito cinco vezes. Além disso, em 30 de janeiro, a emissão de obrigações de dívida pública
dinamarquesas foi suspensa até indicação em contrário. Paralelamente, o euro apreciou ‑se de forma
significativa face ao rublo russo.
Gráfico 12
Variações cambiais do euro face a
moedas selecionadas
(percentagens)
Fonte: BCE.
Notas: Variações em percentagem respeitantes a 4 de março de 2015. A TCE‑38 é a taxa de câmbio nominal efetiva do euro face às moedas de 38 dos principais parceiros comerciais da área do euro.
kuna da Croácia leu romeno coroa dinamarquesa forint da Hungria won sul-coreano coroa sueca coroa checa zlóti da Polónia franco suíço iene do Japão libra esterlina dólar dos EUA renmimbi da China TCE-38
-20 -15 -10 -5 0 5
desde 4 de março de 2014 desde 4 de dezembro de 2014
Gráfico 11
Taxa de câmbio do euro face a
moedas selecionadas
(1 de dezembro de 2008=100)
Fonte: BCE.
Notas: A última observação refere‑se a 4 de março de 2015. A TCE 38 é a taxa de câmbio nominal efetiva do euro face às moedas de 38 dos principais parceiros comerciais da área do euro.
60 70 80 90 100 110 120 130 60 70 80 90 100 110 120 130 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 dólar dos EUA
libra esterlina iene do Japão renmimbi da China franco suíço
Atividade económica
Gráfico 13
PIB real da área do euro
(índice: T1 2008=100)
Fontes: Eurostat e cálculos do BCE. 80 85 90 95 100 105 80 85 90 95 100 105 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 2015
Gráfico 14
Crescimento PIB real da área do
euro e respetiva composição
(taxas de variação homólogas (%) e contributos em pontos percentuais homólogos)
Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.
Nota: Os dados até ao terceiro trimestre de 2014 não foram corrigidos de sazonalidade nem de dias úteis. O crescimento do PIB para o quarto trimestre de 2014 foi estimado com base na estimativa provisória, a qual é corrigida de sazonalidade e de dias úteis. -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 exportações líquidas procura interna variação de existências PIB real
A retoma económica da área do euro tem vindo a consolidar ‑se gradualmente desde meados de 2014
e os mercados de trabalho têm vindo a melhorar. Além do mais, recentemente vários fatores continuaram
a suportar a atividade na área do euro. Os preços do petróleo mais reduzidos estão a impulsionar o
rendimento disponível real, servindo assim de suporte ao consumo privado. A recente depreciação da
taxa de câmbio do euro facilitou as exportações. O programa alargado de compra de ativos, recentemente
anunciado, deverá contribuir ainda mais para tornar menos restritivas as condições de financiamento
e aumentar o acesso ao crédito. Em termos prospetivos, espera ‑se assim que a atividade económica
continue a fortalecer ‑se ao longo de 2015 e nos anos seguintes, impulsionada pela procura interna e
externa, embora se preveja que o desemprego se mantenha elevado. Neste contexto, as projeções
macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE apontam
para perspetivas de crescimento mais robustas em comparação com as projeções macroeconómicas
de dezembro de 2014 elaboradas por especialistas do Eurosistema.
A procura interna fortaleceu ‑se no segundo semestre de 2014.
O PIB real aumentou 0.3%, em termos
trimestrais em cadeia, no quarto trimestre, após 0.2% no terceiro trimestre de 2014. Consequentemente,
após sete aumentos trimestrais consecutivos, o PIB real na área do euro regressou, no quarto trimestre
de 2014, ao nível observado pela última vez no primeiro trimestre de 2011, embora quase 2% abaixo
do seu nível antes do início da crise em 2008 (ver Gráfico 13). Além disso, a robustez da retoma
permanece desigual entre países da área do euro. Embora à data de fecho do presente Boletim Económico
ainda não estivesse disponível uma desagregação dos dados, os indicadores económicos e os dados dos
países sugerem que a procura interna continuou a dar um contributo positivo para o crescimento no
quarto trimestre de 2014. As exportações líquidas parecem também ter dado um contributo positivo,
visto que as exportações estão a beneficiar da depreciação do euro.
A base da retoma económica em curso fortaleceu‑
‑se visivelmente ao longo dos últimos meses
. Em
primeiro lugar, a queda acentuada dos preços do
petróleo, que é, em larga medida, impulsionada
pela oferta, contribui para um aumento considerável
do rendimento disponível real. Em segundo lugar,
a procura interna continuará a beneficiar da
orientação acomodatícia da política monetária,
conducente a uma continuação das melhorias das
condições financeiras, bem como da menor
restritividade dos critérios de concessão de crédito.
Em terceiro lugar, prevê ‑se que a atividade da área
do euro seja cada vez mais apoiada pelo
fortalecimento gradual da procura externa e pela
depreciação do euro. Além disso, fatores como a
procura mundial fraca e os ajustamentos nos
balanços dos setores privado e público, que tinham
contribuído para o recente período prolongado de
crescimento do PIB real muito reduzido, estão
gradualmente a inverter ‑se e a exercer uma
influência mais positiva sobre a atividade
económica na área do euro. Neste contexto, a
confiança dos consumidores e das empresas situa‑
‑se agora em níveis significativamente acima dos
observados no final de 2012.
Esta evolução positiva reflete ‑se igualmente nas projeções macroeconómicas de março de 2015
para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE
1.
Projeta ‑se que a retoma económica na
área do euro se fortaleça gradualmente ao longo dos próximos três anos. Espera ‑se que a procura interna
e externa dê um contributo positivo para o crescimento. As recentes medidas de política monetária do
BCE deverão apoiar substancialmente a atividade no curto a médio prazo por via de muitos canais. De
acordo com as projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por
especialistas do BCE, o PIB real anual da área do euro deverá aumentar 1.5% em 2015, 1.9% em 2016
e 2.1% em 2017 (ver Gráfico 15).
O crescimento do consumo ganhou dinamismo na parte final de 2014.
O crescimento do consumo
privado em 2014 beneficiou consideravelmente do aumento do crescimento do rendimento disponível
real, refletindo níveis mais elevados de rendimento salarial e não salarial, uma menor necessidade de
consolidação orçamental bem como a queda dos preços dos produtos energéticos. Após um crescimento
trimestral de 0.5% no terceiro trimestre de 2014, os indicadores de curto prazo apontam para um novo
aumento relativamente robusto no último trimestre do ano. Por exemplo, quer o comércio a retalho
quer os registos de automóveis de passageiros aumentaram no quarto trimestre a taxas superiores às
do trimestre anterior.
Em termos prospetivos, é de prever que o crescimento das despesas de consumo privado continue
a ser um importante fator impulsionador da retoma da atividade.
O consumo privado deverá
1 Ver o artigo intitulado “Projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE”, publicado no sítio do BCE em 5 de março de 2015.
Gráfico 15
PIB real da área do euro
(incluindo projeções)
(taxas de variação trimestrais em cadeia (%))
Fontes: Eurostat e o artigo intitulado “Projeções macroeconómicas de março de 2015 para a área do euro, elaboradas por especialistas do BCE”, publicado no sítio do BCE em 5 de março de 2015. Notas: Dados corrigidos de dias úteis. Os intervalos mostrados em torno das projeções centrais têm por base as diferenças entre resultados observados e projeções anteriores realizadas ao longo de alguns anos. A amplitude dos intervalos é igual ao dobro do valor absoluto médio dessas diferenças. O método utilizado para calcular os intervalos, que envolve a correção de acontecimentos excecionais, encontra‑se explicado no documento do BCE intitulado
New procedure for constructing Eurosystem and ECB staff projection ranges, de dezembro de 2009. -3.5 -3.0 -2.5 -2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 -3.5 -3.0 -2.5 -2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Atividade económica
continuar a beneficiar do impacto favorável do
aumento do crescimento salarial num contexto de
subida do emprego. Além disso, o impacto positivo
da queda dos preços dos produtos energéticos sobre
o rendimento disponível real continuará a suportar
o consumo privado. Porém, parte dos ganhos
obtidos da queda dos preços do petróleo será,
inicialmente, utilizada para fins de poupança,
como indica o aumento esperado do rácio de
poupança das famílias (ver Caixa 4). Os dados de
inquéritos apontam para uma continuação dos
desenvolvimentos resilientes das despesas de
consumo. Por exemplo, o indicador da Comissão
Europeia relativo à confiança dos consumidores
da área do euro, que apresenta uma orientação
razoavelmente boa da evolução tendencial do
consumo privado, melhorou significativamente
em janeiro e fevereiro de 2015, atingindo níveis
pré ‑crise (ver Gráfico 16).
As despesas de consumo mantiveram ‑se moderadas no segundo semestre de 2014.
A formação
bruta de capital fixo na área do euro diminuiu no terceiro trimestre de 2014, num contexto de redução
do investimento em construção, enquanto o investimento noutros setores exceto construção permaneceu
estável. No quarto trimestre de 2014, o investimento total deverá ter registado um aumento modesto
em termos trimestrais em cadeia, refletindo a produção crescente de bens de investimento, um aumento
reduzido da utilização da capacidade produtiva e uma retoma dos níveis de confiança no setor dos bens
de investimento. No que respeita ao investimento em construção, o aumento do produto do setor da
construção, face ao terceiro trimestre, e os indicadores de confiança melhores, mas ainda abaixo da
média, sugerem um crescimento positivo fraco no
quarto trimestre.
Espera ‑se que o crescimento do investimento
empresarial ganhe dinamismo em 2015
.
O Indicador de Sentimento Económico melhorou
em janeiro e fevereiro, situando ‑se acima do nível
do trimestre anterior, assinalando assim uma
possível aceleração do dinamismo do investimento.
Globalmente em linha com anteriores retomas após
crises financeiras, a atual retoma do investimento
tem sido moderada, prejudicada por fatores
persistentes, como, por exemplo, balanços
comprometidos, em muitas partes do setor
empresarial e o desvanecimento bastante gradual
da incerteza resultante da crise. No terceiro
trimestre de 2014, o investimento permaneceu
quase 17% abaixo do seu máximo no primeiro
trimestre de 2008, o que resultou numa queda
acentuada do rácio do investimento em relação ao
Gráfico 16
Consumo privado e confiança dos
consumidores na área do euro
(taxas de variação homólogas (%); corrigidas da média)
Fontes: Eurostat, Comissão Europeia e cálculos do BCE. -3.0 -2.5 -2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 -3.0 -2.5 -2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 consumo privado real
confiança dos consumidores
Gráfico 17
Rácio do investimento em relação
ao PIB na área do euro
(percentagens)
Fontes: Eurostat e cálculos do BCE. 18 19 20 21 22 23 24 18 19 20 21 22 23 24 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 2015
‑se que a recuperação do investimento empresarial ganhe dinamismo, beneficiando do reforço da procura
externa e, no geral, interna, da necessidade de modernizar o stock de capital após vários anos de
investimento moderado, das condições de financiamento muito favoráveis, da redução da taxa de câmbio
do euro e do reforço gradual das margens de venda.
No que respeita ao investimento em construção, espera ‑se uma recuperação moderada a partir
de 2015
, suportada por taxas hipotecárias muito reduzidas na maior parte dos países, pela menor
restritividade das condições de financiamento, pelo aumento dos empréstimos às famílias e pelo aumento
do crescimento do rendimento disponível. Também a menor necessidade de ajustamentos no mercado
da habitação em alguns países suportará o investimento residencial ao longo do tempo.
Espera ‑se que as exportações líquidas deem um contributo positivo modesto para o crescimento
do PIB, visto que as exportações são suportadas pela procura mundial e pelo enfraquecimento
da taxa de câmbio do euro.
As exportações de bens e serviços da área do euro aumentaram 1.3%, em
termos trimestrais em cadeia, no terceiro trimestre de 2014. No quarto trimestre de 2014, as exportações
para os Estados Unidos, China e outras economias asiáticas continuaram a fortalecer ‑se, enquanto as
exportações para países europeus não pertencentes à área do euro e para a América Latina se mostraram
moderadas. Espera ‑se que as exportações da área do euro continuem a crescer em 2015 e nos anos
seguintes, suportadas pelo fortalecimento gradual da procura mundial e pela depreciação da taxa de
câmbio efetiva do euro. É de prever que as importações da área do euro continuem a crescer no início
de 2015 e se continuem a fortalecer no médio prazo em linha com a retoma da procura interna.
Consequentemente, as exportações líquidas deverão dar um contributo meramente modesto para o
crescimento do PIB real ao longo do horizonte de projeção.
Alguns fatores continuam a travar uma retoma mais forte da atividade global.
Os ajustamentos
dos balanços em curso em vários setores continuarão a exercer pressões em sentido descendente sobre
a procura interna. Neste sentido, uma necessidade persistente de ajustamentos nos mercados da habitação,
refletida igualmente na queda contínua dos preços da habitação em vários países, está a travar a
construção residencial nesses países da área do euro. Além disso, a persistente, mas menor, incerteza
em redor da crise da dívida soberana na Europa e fatores geopolíticos continuarão a afetar a retoma.
O longo período de fraco crescimento observado na área do euro nos últimos anos esteve associado à
correção de desequilíbrios macroeconómicos em vários países. Neste contexto, a Caixa 5 examina os
resultados da revisão de 2015 ao abrigo do procedimento relativo aos desequilíbrios macroeconómicos.
Os riscos para as perspetivas para a atividade situam ‑se no lado descendente, mas reduziram ‑se
após recentes decisões de política monetária e a queda dos preços do petróleo.
Os riscos no lado
descendente para as perspetivas para a atividade incluem um novo aumento das tensões geopolíticas e
novas tensões nos mercados da dívida soberana da área do euro. Estes riscos no lado descendente são
apenas parcialmente contrabalançados pelos riscos no lado ascendente relacionados com um impacto
mais forte do que o esperado sobre a atividade das reformas estruturais e dos planos de investimento
da UE.
A situação no mercado de trabalho da área do euro está a melhorar gradualmente.
O número de
empregados (ver Gráfico 18) cresceu 0.2%, em termos trimestrais em cadeia, no terceiro trimestre de
2014 (o período mais recente para o qual estão disponíveis dados), assinalando assim o terceiro trimestre
consecutivo de crescimento. Estes aumentos refletem o atual crescimento nos setores dos serviços (em
particular, os serviços mercantis) e sinais mais recentes de uma estabilização nos setores da indústria
e da construção. No setor da construção, o crescimento modesto do número de empregados observado
no terceiro trimestre reflete o primeiro aumento trimestral em cadeia positivo do emprego desde o
Atividade económica
terceiro trimestre de 2007. Ao nível dos países,
para além da evolução positiva do mercado de
trabalho alemão, o crescimento do emprego foi,
em larga medida, impulsionado por melhorias em
países que atualmente registam taxas de desemprego
elevadas, como, por exemplo, Espanha, Portugal
e Grécia. O total das horas trabalhadas também
aumentou, em termos trimestrais em cadeia, no
terceiro trimestre de 2014, em 0.4%, novamente a
um maior ritmo do que as subidas observadas em
trimestres anteriores, após a recuperação face à
última recessão na área do euro. Embora os
resultados de inquéritos ainda se situem em níveis
reduzidos, indicam, ainda assim, a melhoria
contínua do emprego na viragem do ano.
Os indicadores prospetivos também apontam para
novas melhorias das condições no mercado de
trabalho.
O desemprego continua a recuar gradualmente
face a níveis elevados.
A taxa de desemprego na
área do euro situou ‑se em 11.2% em janeiro de
2015, já 0.6 pontos percentuais abaixo do nível
observado um ano antes, mas ainda 1.3 pontos percentuais acima do mínimo em abril de 2011 e 4.0
pontos percentuais acima do mínimo pré ‑crise. Porém, as atuais descidas das taxas de desemprego são
agora visíveis em todos os grupos (jovens, adultos, homens e mulheres) e na maior parte das economias
da área do euro, embora persistam diferenças substanciais.
Em termos prospetivos, os mercados de trabalho na área do euro deverão continuar a melhorar
no curto e médio prazo
. Embora a recente recuperação do crescimento do emprego já se tenha mostrado
mais robusta do que o que seria de prever com base em relações históricas, espera ‑se que o crescimento
do emprego se fortaleça ao longo dos próximos trimestres, num contexto de reforço da recuperação,
refletindo assim o impacto positivo de reformas estruturais em países afetados negativamente pela
crise. Consequentemente, espera ‑se que a taxa de desemprego na área do euro continue a diminuir à
medida que a recuperação se expande.
Gráfico 18
Emprego, expetativas de emprego
no IGC e desemprego na área do euro
(crescimento trimestral em cadeia; índice; % da população ativa)
Fontes: Eurostat, Markit e cálculos do BCE.
Nota: O IGC é expresso em desvios face a 50 dividido por 10. 7 8 9 10 11 12 13 -1.0 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4 0.6 2005 2007 2009 2011 2013 2015 emprego (escala da esquerda)
expetativas de emprego no IGC (escala da esquerda) taxa de desemprego (escala da direita)